Imagem KDu_Anitta

Larissa Macedo, aos 16 anos, se formou técnica em administração pela Faetec-RJ e concorreu com mais de 5 mil candidatos para uma vaga de estagiária na Vale, foi uma das cinco aprovadas. Após o período de estágio, a empresa quis contratá-la, mas ela tinha um sonho. Queria ser cantora. Administrada por Larissa nascia Anitta.

A marca Anitta foi inspirada na personagem de Mel Lisboa na série “Presença de Anitta” (2001) e começou aí a estratégia de marketing que colocou a cantora no topo das paradas: o benchmarking.

Nos últimos meses, ela esteve em quase todos os programas de auditório dos canais abertos. O Caldeirão do Huck fez um quadro com ela. No Programa Raul Gil, foi sabatina por crianças. No Domingão do Faustão participou do quadro arquivo confidencial. E no último Prêmio Multishow, levou os prêmios de Melhor clipe e de Música-Chiclete. Seu hit “O Show das Poderosas” atingiu mais de 58 milhões de visualizações no YouTube, seu CD vendeu mais de 120 mil cópias e o seu cachê gira em torno de R$ 60 mil. Estamos diante um novo fenômeno musical ou de uma bem sucedida estratégia de marketing?

Benchmarking é a busca das melhores práticas na indústria que conduzem ao desempenho superior. É visto como um processo positivo e pró-ativo por meio do qual uma empresa (ou artista) examina como outra realiza uma função específica a fim de melhorar como realizar a mesma ou uma função semelhante.

Em minha opinião, Anitta está levando muito a sério o conceito de benchmarking. Seus clipes, coreografias, figurinos e shows são muitos “inspirados” no estilo de cantoras pop americanas, principalmente em Beyoncé.

Apesar das evidentes semelhanças, Anitta está fazendo o que diversos artistas como Ivete Sangalo, Claudia Leite e tantos outros já fizeram. A meu ver, a diferença é que ela já começou fortemente utilizando estas “referências”, o que a impede ter uma marca própria com personalidade bem definida, focando muito no que “posso fazer” do que no “o que quero ser”. Não muito tempo atrás, Shakira usou da mesma estratégia, mas com uma diferença: ela manteve sua identidade musical como diferencial.

No caso de Anitta, que começou no funk e agora está transitando pelo pop, há um excesso de “inspiração” que já começa a influenciar negativamente em sua marca. Por exemplo:

Seu segundo clipe, Meiga e Abusada (gravado em Las Vegas e dirigido por Blake Farber, que já trabalhou com Alicia Keys e Beyoncé) é “quase” uma regravação do clipe I hate this part do grupo The Pussycat Dolls, não chegou a 18 milhões de visualizações no YouTube, menos que um terço de O Show das Poderosas.

Entretanto, segundo uma entrevista da revista Forbes, a diretora de marketing de Anitta, Priscilla Lemgrumber disse que: “O cachê ainda está longe do que cobra Ivete Sangalo, porém, sua idade e apelo musical semelhante ao de Shakira aumentam suas chances de se tornar uma estrela internacional. Diferente de Sangalo, Anitta fala inglês com fluência, uma habilidade necessária para conquistar o público americano”. Em minha opinião, esta declaração deixa claro que Anitta é um produto de entretenimento, e como tal, terá um ciclo de vida que dificilmente se renovará em seu fim.

Há no YouTube diversos vídeos mostrando estas “semelhanças” e, em suas entrevistas, quando é questionada sobre estas semelhanças, ela alega que não “imita” ninguém e quem propõe as ideias é o seu produtor. Sem falar que a imprensa sempre cita estas comparações em qualquer matéria sobre ela. A falha está aí, no tom “arrogante” de Anitta de se impor como uma artista/marca “diferenciada”, onde os fatos mostram o contrário. E é cada vez mais rápida a percepção do público sobre esta imagem.

Será que por causa disso poucas marcas associaram suas imagens à de Anitta? Hoje apenas a Olla está com uma campanha estrelada por ela, o que faz sentido (Tele Sena não conta).

Apesar das críticas e polêmicas, a estratégia ainda está funcionando. Como um produto de entretenimento, Anitta está apenas usando e comprovando que o marketing e suas ferramentas ainda são capazes de produzir celebridades.

Então, PRE-PA-RA que veremos até quando este benchmarking irá funcionar.

Neste link você poderá ver um dos vídeos que existem no You Tube sobre as semelhanças entre Anitta e Beyoncé: http://www.youtube.com/watch?v=6BOJ71sDbYc#t=138

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7 Comments

  1. Alice Casagrande Reply

    Entendo que um dos fatores do Benchmarking é inovação, e não é o caso da Anitta. Ela nada mais é do que uma copia regional da Nicole Scherzinger. Cabelos, maquiagem, clip ( tem um igualzinho, nem dá pra dizer que foi somente referencia) e danças. Uma regionalização das Pussycat Girls.
    Portanto não acho condizente o artigo de benchmarking associado a Anitta, mas de qualquer maneira vale o debate. Para mim ela é simplesmente um produto, copia nacional de importados famosos. Como tantos outros por ai.

  2. Muito bom esse artigo.

    Me surpreendi com essa história dela ter sido aprovada na Vale para o estágio e tal…

    Eu vi um vídeo que fala sobre as “semelhanças”, par anão dizer cópia, que ela faz da Byonce. Inclusive quando a Gabi pergunta para ela quais as maiores influências dela… Fala todas, menos Byoncé. Quero copiar, ok, mas dê os créditos.

  3. Acho o artigo um desserviço absurdo sobre o que é benchmarking. O conceito já não é popular no Brasil, tem gente que não sabe o que é nem como o escreve e o artigo vem falar de uma pessoa que fez cópia descarada chamando isso de benchmarking?
    O que essa menina faz não se chama benchmarking, chama-se cópia.
    Seria muito mais elucidativo se o artigo falasse de benchmarking citando o famoso exemplo de um banco, que para aprender atendimento rápido foi ver uma equipe de formula 1 trocar pneus e outras estorias clássicas sobre este assunto.
    Mostrar que ex estagiária da Vale faz sucesso cantando e copiando coreografias de cantoras estrangeiras acredito que ofenda até a Vale, que é comprovadamente uma empresa séria.

  4. Alessandra Reply

    Infelizmente Benchmarking não passa de uma palavra bonitinha que a maioria das pessoas não entende e que as empresas nacionais acham que é só copiar o que a concorrência está fazendo. Por isso esse artigo está dizendo erroneamente que Anitta é exemplo de Benchmarking. E por isso digo: ler um livro é sempre mais inteligente, pois devemos filtrar as informações que lemos na internet. Afinal, opinião todo mundo tem, já embasamento……

  5. Quem comenta criticando o artigo poderia citar a sua formação, especialização e realizações profissionais…

  6. o cara q escreveu isso deve tá profundamente arrependido

  7. Pingback: Do bem: uma “innocent” coincidência? | design de embalagens…juny kp!

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