Category

Design

Category

Falar sobre marca é como falar sobre a nossa identidade pessoal. Todos nós temos um registro único e exclusivo desde o nosso nascimento. Temos uma digital que nin­guém mais tem igual, possuímos um RG com numeração também única. Cada indivíduo nasce com sua personalidade e sua maneira de pensar e, por mais que existam pessoas muito semelhantes, jamais serão idênticas. Assim também são as marcas, cada uma tem sua personalidade, seu DNA e seu propósito a ser cumprido, e por mais que existam marcas muito semelhantes, uma marca jamais será idêntica a outra.

Percebe-se que as marcas falam muito mais do que os próprios produtos ou serviços que as empresas oferecem, uma marca bem gerida agrega valor ao seu produto ou serviço. Pessoas estão o tempo todo escolhendo marcas, mesmo que inconscientemente. Vejamos um exemplo que ilustra bem isso:

Você já pensou nas prateleiras nos corredores do supermercado com três tipos de água sendo uma delas a Bonafonte, outra a “Água Branca” e terceira a “Água do Sítio do tio Zé”. Todas estão custando o mesmo valor e contém a mesma quantidade em litros. Qual dessas águas você compraria? Certamente você escolheria a Bonafonte, não é mesmo? Mas porque a Bonafonte sendo que água é água? O que te faz escolher a Bonafonte? Será que é pelo gosto da água? Ou algo que, em seu subconsciente, te diz que a Bonafonte é a melhor? Se a sua resposta foi essa, está explicado que você realmente não optou pelo melhor produto, mas sim pela melhor marca.

Pode parecer um exemplo grosseiro, mas fato é que se formos analisar a maioria das nossas decisões de compras, percebemos que essas escolhas são exatamente as que estamos fazendo ao adquirirmos produtos ou serviços.

Mas como essa mágica acontece?

Não é da noite para o dia que uma marca ganha esse poder de confiança das pessoas e se tornam atraentes a este ponto. Existem inúmeras questões que devem ser compreendidas antes a respeito da própria marca (empresa) as quais definem, depois, o posicionamento estratégico adequado de mercado que gera toda a conceituação para essa marca.

A Designer Alina Wheeler, em seu livro Design de identidade da marca, afirma que “À medida que a concorrência cria uma infinidade de op­ções, as empresas passam a buscar formas de estabelecer uma ligação emocional com os clientes, para tornarem-se insubstituíveis e desenvolver relações duradouras. Uma marca forte se destaca em um mercado saturado. As pesso­as se apaixonam pelas marcas, confiam nelas e acreditam em sua superioridade. O modo como a marca é percebi­da afeta seu sucesso, não importando se você é uma star­tup, uma organização sem fins lucrativos ou um produto”.

E então partindo desse conceito de Wheeler, nota-se que uma marca deve significar, não somente apontar. Uma marca não se resume a um logotipo. Antes de se chegar ao “logotipo” que representará graficamente esta marca é necessário analisar, estudar e compreender o que é a raiz dessa marca, qual o seu DNA, o que ela tem como maior propósito, qual sua maior missão, o que ela promete entregar ao seu consumidor e como ela irá se diferenciar das demais marcas já existentes? Ao obter respostas para essas questões, certamente se terá uma conceituação estratégica, que será o auxilio fundamental na definição de uma plataforma de marca e, com isso, virá o desenvolvimento da identidade visual que representará essa marca.

Por outro lado, de nada adianta ter uma “marca” tão bem estruturada se o produto ou serviço não entregar realmente aquilo que está prometendo. Isso fará com que a “excelente marca” seja percebida pelo público de modo negativo e então as pessoas não confiarão nem desejarão tal marca.

Hoje em dia há muitos escritórios e consultorias na área de branding. Nota-se que é uma área que está ganhando muito mais visibilidade e percepção de pessoas e empresas que desejam entrar ou se reposicionar num mercado cada vez mais competitivo e agregar valor a sua marca.

Observa-se que a maioria das empresas focadas em branding possui um time de especialistas com muitos anos de experiência na área. Muitas vezes profissionais que atuavam na área de Marketing estão migrando para o Branding. São pessoas maduras e muito conscientes do que é necessário ser feito para que a marca A ou B alcance o objetivo que ela tanta almeja e desperte o desejo nas pessoas.

Portanto, se você deseja ingressar nessa profissão, certamente terá de estudar muito, ampliar seu network, manter contato com pessoas que considere referência no assunto, explorar as mídias sociais, como, por exemplo, Linkedin, uma excelente ferramenta para isto. Participe de eventos, palestras, workshops, mantenha-se informado, observe detalhes, seja persistente e não pare de aprender.

Se você é estudante e identifica-se com a profissão, realize projetos acadêmicos referentes ao assunto, dê seu máximo, tente compreender como funciona esse meio, pois hoje em dia a internet possibilita uma infinidade informações. Deixe seu portfólio cada vez mais atraente, mostre que você compreende os métodos para o desenvolvimento de bons projetos e arrisque bastante, essa é a hora de você aprender com possíveis falhas e/ou erros. Aprenda a ouvir e absorver criticas construtivas em projetos que talvez você possa ter participado. Pergunte, pergunte muito, não fique com dúvidas, é melhor questionar milhões de vezes do que fazer algo com insegurança e entregar um projeto ruim.

Siga o que aconselha Marty Neuemier: “Quando todos fazem ZIG, faça Zag”. Compreenda que branding não é um padrão único para todos, muito pelo contrário, cada marca é uma marca, não tente copiar, crie a sua estratégia, procure o seu GAP de oportunidades e mantenha-se na contra mão deste universo.

 

Sobre o autor:

Denis Leite

Bacharel em Design pela Universidade Presibiteriana Mackenzie Experiência em Design Gráfico há pouco mais de 5 anos. Possuí
experiencia na criação de marca e identidade visual para uma pequena empresa. Entusiasta na área de Branding com foco na construção de marcas, identidades visuais, gestão e ativação de grandes marcas. Hoje buscando recolocação no mercado.
E-mail: dnskt.je@gmail.com
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/denis-leite-826aa2119/

Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a primeira parte. Boa leitura!

1) Na sua opinião, qual o principal papel do design, enquanto área do conhecimento, no mercado hoje em dia?

Hoje em dia o design está permeando mais segmentos do mercado. Ele tem sido um facilitador de processos, e vem mudando a forma como as pessoas encaram os problemas e tentam solucioná-los.

O design está trazendo método para determinadas questões da sociedade, como por exemplo, o Design de Serviços; as empresas estão começando a parar para pensar na jornada do usuário, em como é que podem melhorar a qualidade do serviço que prestam. Atualmente você vai a um banco, ou a uma companhia aérea, e percebe que existem alterações que feitas nos processos, no atendimento e no ponto de venda, seja este um ambiente físico ou digital. Ainda é uma coisa muito pequena, mas é muito mais do que se tinha há 10 anos, e isso é resultado de um amadurecimento do campo do Design no Brasil.

A cultura das empresas está mudando, o usuário está passando a ser o centro da estratégia. As pessoas falam de Design Thinking, de Design de Serviços, muita gente fala da boca para fora sem saber o que é, mas algumas empresas já estão criando esta cultura ao trazer para o seu quadro de gestão profissionais que conhecem design, ou que estão se capacitando em design, para contribuir com essa melhoria de produto e de serviço.

 

2) No mesmo contexto, qual o papel do designer? E o que define esse profissional?

O designer ainda precisa se integrar mais de forma geral. Primeiramente, tem que se entender o que é de fato “ser” designer, pois tem gente que acha que saber mexer em um software gráfico ou fazer um layout é ser “designer”. “Ser” designer é maior que isso, é pensar de uma forma sistematizada, com metodologia, é pensar no usuário, é pensar em como os problemas podem se resolver de uma forma mais eficiente. Então, pensar e ter o design como modus operandi, como modo de pensamento na cabeça, é algo que ainda está um pouco distante do que saber pilotar um computador.

Existem pessoas que já criaram esta mentalidade do design, de pensar como designer, orientado pelo design, mas ainda tem ainda muita gente que confunde isso. E eu incluo aí neste grupo o próprio mercado, porque tem cliente que acha que o papel do designer é simplesmente embelezar um produto, embelezar uma marca, e não é isso. Nós podemos contribuir com muito mais que um simples aspecto visual das coisas.

 

3) Como professora, como você avalia a formação do designer no Brasil? Quais são as principais dificuldades e oportunidades encontradas no processo?

Eu acredito que a qualidade do ensino de Design no Brasil está amadurecendo junto com o campo profissional.

Se colocarmos em uma perspectiva histórica, no país, o Design é uma disciplina relativamente jovem. A primeira escola de Design no Brasil surgiu na década de 1960. E de lá para cá, podemos considerar um amadurecimento bastante significativo, mas que precisa evoluir mais para acompanhar o que acontece lá fora.

O designer precisa entender de Antropologia, precisa estudar Filosofia, Ciências Sociais, sair um pouco do contexto apenas do mundo do Design para projetar esse olhar para a sociedade. Para ele conseguir ter esta visão de que o Design é uma ciência que pode contribuir para toda a sociedade, em um serviço, na forma de operação de uma empresa, na parte visual, instrutiva, de sinalização, na pragmática do uso dos objetos. Para se entender o Design como algo que permeia todos estes campos, o indivíduo precisa ter uma formação multidisciplinar. Não que necessariamente precise estudar profundamente tudo isso, mas pelo menos conhecer e saber que é necessário lançar mão de determinados recursos, de acordo com a necessidade que terá em cada trabalho.

É importante que as escolas de Design forneçam aos estudantes este olhar ampliado. Precisa-se pensar no Design de uma forma ampliada como algo que possa beneficiar uma sociedade.

InfoBranding: E elas fazem isso?

 Algumas estão começando a fazer, outras acredito que ainda não. Esta conscientização está começando a ser propagada. Fora as faculdades, existem alguns hubs de disseminação do bom design no mercado, como empresas que se desdobram entre prestadora de serviço e disseminadora de conhecimento.

Posso citar a Laje do grupo da Ana Couto, que é um exemplo “super” clássico disso. A Ana tem um trabalho de agência e, ao mesmo tempo, criou a Laje que tem o propósito de disseminar o Design, como conhecimento e método para gerar inovação. Assim como ela, existem outros grupos que também estão começando a fazer isso. Esta atitude tem sido extremamente benéfica para trazer à sociedade esse olhar ampliado do que é o Design.

InfoBranding: Mas e o aluno? Aquele que almeja se tornar um designer.

 Atualmente não estou lecionando em curso de Design, sou professora em um curso de graduação em Publicidade e Propaganda e em um curso de pós-graduação em Branding. Vou responder como observadora e com o que percebo indiretamente pelo meu contato com os alunos.

Alguns deles percebem as oportunidades e outros não, mas isso faz parte do mundo. Vai ter aquele cara que vai se “antenar” e que vai se “ligar”; e vai ter aquele que não vai perceber, que vai continuar no mundinho dele. Acredito que até no mercado vai haver demanda para os dois tipos de profissional: o “antenado” vai se diferenciar, fazer projetos mais estratégicos e vai poder cobrar mais caro; e o outro vai continuar fazendo aquele trabalho mais caseiro para atender a demandas menores e mais restritas.

Essa questão do aluno é muito interessante, pois na sala de aula a gente percebe claramente quem são os alunos que estão entendendo o que a gente está dizendo e quem são aqueles que não estão. Às vezes, esse entendimento é questão de momento: ele não alcança aquilo naquele semestre e em 1 ou 2 semestres adiante ele percebe e se dedica. E tem aquele que não alcança nunca… (mas talvez ele estivesse no lugar errado desde o início).

Em que toda a faculdade acontece isso. Somos expostos a uma decisão de carreira muito jovens e o nosso mundo contemporâneo permite experimentação. Eu não acho que seja ruim, o aluno começar uma faculdade e cursar um pouco dela e depois sair ou trancar e fazer outra até que descubrir qual universo que ele quer seguir.

Estamos em um mundo multidisciplinar, e talvez o erro esteja na estrutura dos cursos, por serem tão rígidos. E de serem poucos multidisciplinares. Percebo que já existem instituições promovendo essa experiência multidisciplinar aos alunos, misturando alunos de diferentes cursos nas turmas.

Por exemplo, semestre passado eu fui docente em uma disciplina de Gestão de Marca com alunos de publicidade e hotelaria juntos, e foi super bacana. No primeiro dia de aula eu perguntei aos alunos: “O que vocês acham que Gestão de Marcas, Publicidade e Hotelaria tem em comum?” Aí eles pensaram, pensaram e começaram a discutir entre eles e a trocar ideias em sala de aula. Daí o grupo de hotelaria respondeu: “Em hotelaria nós trabalhamos muito a questão da hospitalidade”.

Esta foi uma visão ótima, porque no branding há também que se pensar na “hospitalidade” das marcas. A turma começou a trazer, do ponto de vista da hotelaria, uma visão de trabalho com stakeholder, o que é escopo do branding. E foi bom porque os alunos trabalharam juntos, e funcionou bem: cada área colaborando com a visão da outra de forma agregadora.

InfoBranding: Até porque depois, no próprio hotel, eles podem integrar a  estratégia de reposicionamento e vão ter que entregar isso para o cliente.

Exatamente, ele precisa ter uma visão de marca, de negócio, de gestão de negócio, que para a turma de publicidade talvez não fosse tão clara.

Por exemplo, se você coloca em uma turma só alunos de design você terá um resultado, agora se você pega um turma de design e você coloca alunos  de outras áreas você com certeza terá outro tipo de discussão, porque você terá olhares diferentes que agregam valor a todos. Mas eu também entendo que não é em qualquer momento que isso deve acontecer, não adianta ser no primeiro semestre. Há um momento, mais para o fim do curso, em que os alunos estão estar mais preparados para ter esse embate, essa discussão. Não conheço os currículos de todas as universidades para afirmar, mas a multidisciplinaridade contribui muito para ampliar a visão dos alunos em relação ao mercado como um todo e as suas necessidades.

 

 4) Quais são as principais habilidades que se destacam em um designer de sucesso?

  • Ter cultura, informação e curiosidade;
  • Ter metodologia para trabalhar, o que não significa ser metódico, mas sim saber trabalhar de uma forma organizada;
  • Acho que tem que ser um profissional aberto a colaboração, ser colaborativo. Não pode se achar o dono da verdade;
  • Ter dedicação, seriedade e compromisso;
  • Ter empatia, de saber de se colocar e olhar com sob a ótica do cliente, se colocar no lugar do cliente, do lugar do usuário, para conseguir entender as suas necessidades reais.

InfoBranding: É interessante que nesta resposta em momento algum você falou de “técnica”, isso não é uma crítica, mas é um ponto legal para se observar.

É que para mim, o profissional tem que ter curiosidade, criatividade e ser aberto a experimentação. E nessa experimentação vem a técnica, que evolui e é aprendida constantemente.

InfoBranding: Quando falamos de técnica, quisemos dizer que já está embutido na formação. Mas a sensação que dá é que os profissionais se prendem a técnica e se esquecem do que você mencionou.

Técnica você contrata. Eu acho que a técnica é importante mas não é a sine qua non, pois em um projeto você pode contratar pessoas específicas, com domínio técnico específico para executar determinada tarefa sob sua coordenação.

Aquele cara que fica preso na técnica, não vai muito longe se não tiver visão e domínio de gestão do processo como um todo.

Acho que a técnica é importante sim, mas ela amarra um pouco este desprendimento de você conseguir se colocar no lugar do outro, de ter esse olhar. A técnica você pode contratar, você não precisa necessariamente ter.

InfoBranding: A técnica é mais fácil de absorver…

 Por exemplo: Eu sou designer, eu não sou boa ilustradora, “técnica”. Se eu fosse uma boa ilustradora talvez os meus projetos fossem mais rentáveis, porque eu não precisaria pagar alguém para fazer para mim, eu mesmo poderia fazer. Mas eu tenho que pensar, qual seria o custo do meu tempo? Será que o meu tempo é para desenhar e ilustrar ou eu posso passar isso para alguém fazer e eu só gerencio? Então tenho que pensar em meu objetivo. Algumas competências são mais importantes do que a técnica.

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

 

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

“Design é a ferramenta para a diferenciação competitiva do produto. Um bom design, do ponto de vista da empresa, deve ser fácil de ser fabricado e de ser distribuído. Sob o ponto de vista do cliente, o bom design deve ser agradável de ser visto, assim como fácil de ser desembalado, instalado, usado consertado, revendido ou abandonado”.

 Philip Kotler (2014)

O sucesso de uma empresa nos dias atuais, no mercado exigente como se apresenta, depende, fundamentalmente, do reconhecimento de sua identidade e do diferencial competitivo oferecido por seus produtos e/ou serviços. E num cenário onde qualidade e tecnologia tornaram-se pré-requisitos básicos, Tom Peters ressalta que “o design é o segredo; é a chave do sucesso”.

De fato, desde a década de 90, o tema tornou-se alvo de grande divulgação na mídia, tanto nacional quanto internacional, sendo objeto de uma série de eventos, debates, programas governamentais e setoriais. Tudo isso contribuiu para promover a popularização desse anglicismo incorporado à nossa língua, seja como substantivo, ou mesmo como adjetivo qualificador de determinado estilo, de “chique”, sofisticado, de vanguarda, exclusivo e diferenciado.

· Inovação é a alma do negócio

Competir hoje num cenário de concorrência globalizada é o grande desafio das empresas. Conforme apontam inúmeras pesquisas nacionais e internacionais, o grande diferencial entre as empresas atualmente, o “algo mais que faz a diferença” é o design. No entanto, para atingir o sucesso não basta oferecer ao mercado produtos com design, ou apresentar uma marca bem elaborada, a partir da contratação de uma consultoria adequada. O design deve fazer parta da filosofia e estratégia global da empresa, integrando-se nas atividades de planejamento e gestão.

O design tem se tornado crucial para as empresas, sobretudo as de menor porte, nesse cenário atual de concorrência em escala global. É ele que viabiliza vantagens competitivas traduzidas na avaliação clara, por parte do público-alvo, dos benefícios x custos em relação a produtos concorrentes no mercado. É ele que vem permitido a substituição de uma concorrência baseada em commodities, onde vende mais quem tem menor preço, por uma competitividade com design apoiada na inovação, na agregação de valor, na identidade e diferenciação de produtos e empresas no mercado.

E isso não significa maiores despesas para as empresas. Ao contrário: parte fundamental do processo do design é a busca da redução de custos, seja por meio da economia de material, da redução de componentes e etapas de fabricação, da padronização de componentes, da simplificação na montagem/desmontagem associada à logística de distribuição.

Por essas razões é que hoje o design tem se integrado à gestão empresarial, contribuindo decisivamente para ajustar objetivos mercadológicos das empresas às suas capacidades e ao seu nicho de atuação. Faz isso com realismo e ousadia, não mais apenas acompanhando as tendências, mas antecipando-se a elas, ampliando benefícios e gerando novas demandas, possibilitando a conquista e a fidelização de clientes.

 · Design como fator competitivo

Hoje, a situação no mercado global é claramente de uma concorrência acirrada. Somente sobrevivem as empresas que conhecem o mercado e entendem as necessidades individuais do seu público-alvo. Empresas bem conhecidas nos mercados nacionais às vezes desaparecem de um dia para outro ou tornam-se parte de uma empresa multinacional. Por outro lado, existem empresas pequenas, médias e grandes muito bem-sucedidas no mercado, que desfrutam de um bom negócio e da confiança dos consumidores. Essas empresas se caracterizam geralmente por seu posicionamento muito bem definido no mercado.

A gestão do design é uma ferramenta estratégica para criar e implantar uma cultura empresarial que transmita uma imagem positiva da empresa e posicione sua marca no mercado alvo, pela estratégia da competitividade.


Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

BRANDING NA PRÁTICA

A rede Óticas Precisão é hoje uma cadeia com mais de 80 lojas localizada principalmente no interior do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Seguindo a decisão da rede de estabelecer novo posicionamento para a marca, a Design Novarejo foi a responsável pelo desenvolvimento de um novo projeto de branding que incluiu o redesign da identidade visual e a criação de um novo conceito ambiental e arquitetônico para as lojas.

01

Marca já bem estabelecida nas cidades onde opera, o desafio do projeto era não perder aquilo que a marca tinha de recall, mas transmitir de forma clara novos valores que, com a evolução do negócio, passaram a ser importantes. Com um público cada vez mais conectado e bem informado, era fundamental que a marca se mostrasse contemporânea e focada nas melhores tecnologias e práticas do segmento ótico.

Aproveitando o laranja da identidade anterior, uma cor viva e marcante, a identidade recebeu um visual vibrante que se destaca e a diferencia da concorrência. O logo, um par de óculos estilizado que é também um símbolo de infinito, simboliza as infinitas possibilidade que temos ao enxergar bem. A identidade visual padronizou também toda paleta de cores, tipografia e criou novos moods fotográficos e de ilustração.

02

No conceito das lojas, a experiência do usuário no ambiente foi melhorado. Um espaço de espera para clientes acompanhados com filhos ou amigos foi criado, garantindo que a estadia vá além da simples aquisição do produto. Mesas mais altas ajudam no atendimento em lojas compactas, uma característica das lojas da rede, facilitando a circulação e dando um tom próximo e informal ao atendimento. Pontos para recarga de celular, wi-fi, e alguns brinquedos reforçam e agregam valor emocional à experiência.

Os mobiliários desenvolvidos são modulares e de fabricação simplificada, garantindo uma linha de produção eficiente e com custo semelhante ao que a rede já gastava, porém, com vantagens produtivas e operacionais.

03

Os espaços de comunicação seguem o mesmo padrão, simples e de fácil manuseio, utilizando mecanismos que permitem uma fácil troca de campanhas em espaços pré-definidos. A vitrine, por exemplo, recebeu um trabalho específico de visual merchandising – nichos com um bom volume de produtos expostos não perdem o viés promocional, a organização e a boa visibilidade.

A primeira loja com o novo padrão já foi inaugurada na cidade de Macaé, litoral do Rio de Janeiro, e a rede segue em expansão: mais duas lojas  com o novo conceito estão por vir, uma em Juiz de Fora (MG) e outra em Itaperuna (RJ), cidade que também é sede do Grupo Bukovski, detentor da marca.

04


EnriqueFernandes-166x166

Enrique Fernandes:
Designer pós-graduado em marketing. Atuou nos mais variados segmentos do design e há mais de 10 anos trabalha no desenvolvimento de projetos de design e experiência de marcas focadas no varejo. Atualmente é gerente de projetos na Design Novarejo, empresa com mais de 25 anos de atuação no mercado de design especializado em espaços comerciais, onde desenvolve os mais variados projetos focados em experiência de marca.

Conhecer mais sobre os aspectos da vida de seus clientes é um passo essencial para definir uma estratégia eficiente e muitas empresas têm despertado para essa necessidade: Unilever, Citroën, Toyota, Kraft Food, Pepsico, entre tantas outras, buscam na etnografia uma maneira de alcançarem resultados ainda mais satisfatórios — e, por que não, humanizados. Entender melhor a realidade do seu público, destituindo-se de qualquer pré-conceito sobre ele, é essencial e deve ser o ponto de partida para qualquer projeto.

Uma pesquisa etnográfica aplicada ao consumo significa imergir na realidade do público-alvo, buscando entender seu dia a dia, sua maneira de agir e pensar a vida, e aprender quais as lógicas e mecanismos que estão por trás de cada cultura e comportamento.

Através de empatia, observação e análise, a etnografia busca, dentro de uma estratégia de branding, transformar insights gerados pela pesquisa em ideias e as ideias em produtos e serviços inovadores que realmente criem um diálogo com seu público. A IDEO, empresa reconhecida mundialmente por difundir o Design Thinking (metodologia centrada no ser humano focada na inovação de produtos e serviços), utiliza a etnografia na etapa de imersão (início do processo). Utilizando entrevistas em profundidade, registros fotográficos, diários de campo (de tudo aquilo que se viu, ouviu e sentiu), entre outras ferramentas, a pesquisa etnográfica pressupõe uma participação real do pesquisador no cotidiano das pessoas, de tal forma que ele possa captar como o consumidor interage, utiliza ou pensa sobre um determinado tipo de serviço ou produto.

Um ótimo exemplo do uso da etnografia pode ser visto em um projeto da General Eletrics. Doug Dietz, designer de equipamentos médicos da GE, estava em um hospital quando viu que uma criança, ao fazer um exame e avistar um de seus equipamentos, começou a chorar desesperadamente de medo. Doug decidiu então redesenhar a experiência, transformando as salas de exame em cenários lúdicos e fantásticos como o fundo do mar, passeio com piratas e uma selva. Ao se colocar no lugar das crianças, além de tornar o exame mais divertido e menos estressante, sua solução ajudou a reduzir de 80% para 10% o número de crianças que necessitavam de sedativos, reduzindo os custos do hospital, aumentando o número de exames e, principalmente, trazendo bem-estar para os pacientes.

A etnografia também serve para entender a relação entre o consumo e nossa própria identidade. Segundo Genevieve Bell, antropóloga e vice-presidente de Estratégia Corporativa da Intel, nós usamos determinados tipos de produtos ou serviços para dizer quem somos para nós mesmos e para outras pessoas: os carros que dirigimos, os objetos tecnológicos que usamos, os apps que baixamos, tudo isso diz algo sobre nós ou sobre quem queremos ser. De acordo com a empresa Box1824, o consumo nos dias atuais tende a ser cada vez menos compulsivo, isto é, os consumidores estão começando a associar status ao que estão comprando e não simplesmente ao ato da compra. A partir do momento que as pessoas passam a refletir mais sobre o que compram, começam a escolher com mais cautela o discurso das marcas — que passam a representar ainda mais valores éticos e morais. Um bom exemplo de apropriação dessa tendência é o case The One for One da marca de calçados Toms: a cada par comprado, a empresa doa outro para alguém em necessidade. Consumir, neste caso, equipara-se a um ato político e social.

As frequentes inconstâncias dos contextos sociais, econômicos e de comportamento têm transformado o consumidor, tornando-o ainda mais cético e exigente: cansado da repetição do marketing e empoderado pelas redes sociais, eles esperam que as marcas se comuniquem de forma transparente e próxima e que a experiência com os produtos e serviços seja sempre surpreendente.

É preciso notar que, hoje, as tendências de consumo não seguem mais necessariamente o fluxo “top down”, isto é, das classes mais altas para as classes mais baixas: muitas influências vêm exatamente do sentido oposto. Entre os anos 2003 e 2014, em razão do aumento de empregos, da renda e da redução da desigualdade social, cerca de 40 milhões de brasileiros migraram da classe D e E para a classe C. Este nicho, até então negligenciado, passou a compor a maior fatia da população brasileira. Sem conhecimento específico sobre esse público, algumas marcas enfrentaram grandes desafios para entender os novos padrões de consumo e as influências trazidas por este público.

Para oferecer produtos, serviços e experiências cada vez mais alinhadas com o perfil comportamental de seu público, suas representações e suas percepções da realidade, precisamos deixar de lado nossa visão de mundo e experimentar ver através dos olhos dos outros.


2-saad-id

Lucas Saad, fundador e diretor da saad branding+design, é graduado em Design pela Universidade Federal de Santa Maria – RS, pós-graduado em Branding — Gestão Estratégica de Marcas pela Universidade Positivo em Curitiba – PR, tendo realizado parte do seu MBA pela Brunel University em Londres. Também é formado em Global Creative Leadership pela THNK — The Amsterdam School of Creative Leadership. Com mais de 10 anos de experiência no Brasil e no exterior, participou de projetos de marcas como Coca-Cola (África do Sul), Governo de Angola, Dow AgroSciences, Ministério da Saúde, Braskem, Liquigás, entre outros.

Alisson Pereira é antropólogo, pesquisador e educador corporativo. É graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Mestre em Antropologia pela Universidade Federal da Grande Dourados. Autor de artigos para jornais, websites, revistas e blogs. Pesquisador na saad branding+design.

Julia Spohr é formada em Design Gráfico pela Universidade Federal de Pelotas – RS, tendo concluído o último ano de sua graduação na Parsons The New School of Design, Nova York, com foco em Design Estratégico. Trabalha hoje como designer na saad branding+design.

Encantar. Essa é a palavra do momento no ponto de venda. O conceito de marketing que deve atender necessidades e desejos já não tem sentido. Hoje, a ideia é oferecer ao consumidor experiências divertidas e inesquecíveis, que superem as suas expectativas.

O valor é resultado da experiência vivida pelo cliente no ato da compra. Por exemplo, se o serviço for de má qualidade e os produtos oferecidos estiverem arrumados nas prateleiras como em qualquer outra loja, a maioria dos consumidores vai procurar pelo preço mais baixo, pois não haveria razão para pagar mais pelo mesmo artigo.

Nos EUA, a rede de café Starbucks fez o “produto café”, até então uma simples mercadoria, virar um artigo de moda. O diferencial está justamente na loja, pois permite ao cliente tomar um café de qualidade, num ambiente arejado e confortável, com atendimento personalizado, visando estabelecer uma experiência inesquecível, sempre com o objetivo de fidelizar o relacionamento. Conceito este sendo levado por esta marca ao mundo.

O intuito é fazer com que um simples comprador se torne um cliente absolutamente fiel, a ponto dele mesmo divulgar o seu negócio. A marca, nesse momento, é a peça principal para se vender algo, pois muito além de produtos ou serviços, o que compramos são marcas.

O design estratégico é importante para a empresa, pois auxilia na diferenciação dos concorrentes. Por este motivo, a marca precisa estabelecer uma identidade com o seu público alvo. Através de um símbolo, de um logotipo, da tipografia ou das cores, a marca transmite cultura, valores, princípios e política de uma corporação. A identidade de uma empresa, corretamente desenvolvida, com a devida aplicação gráfica, traz benefícios significativos, tanto no âmbito interno (organizacional) como no externo, durante o processo de fixação da imagem no mercado. Ou seja, nasce aí a “personalidade” de uma empresa. O varejo é a materialização para as promessas da comunicação de uma empresa.

As cores, a iluminação, o layout e a exposição criam efeitos psicológicos de credibilidade e preço, destacando o produto e estimulando, ou não, a permanência e o interesse do consumidor no ponto de venda. Outro fato primordial é o cuidado que se deve ter com a embalagem, pois cabe a ela também, transmitir ao consumidor a qualidade do produto e o posicionamento dessa marca no varejo.

Por este motivo, o gestor do negócio, quando possível, deve procurar um profissional capacitado para esta atividade, seja um designer de interiores, gráfico ou de produto, para implantar a estratégia ideal para o seu PDV e, assim, encantar o seu consumidor. O mais importante é a identificação do consumidor alvo da loja. Isso vai definir a linha de produto, a forma de exposição desses itens, o design de interiores, a tecnologia necessária e o tipo de atendimento.

Através de uma política de design, o ponto de venda coordena a identidade de uma marca, sua aplicação nos papéis administrativos e institucionais, seus produtos e comunicações, ambientes e serviços, embalagens, sinalizações, websites, uniformes e frotas e ainda, em qualquer elemento que a empresa desejar estabelecer para a realização de uma interface com o seu mercado alvo.

O consumidor de hoje sabe o que quer e está disposto a pagar mais pelos benefícios recebidos e transmitidos pela marca. “O negócio é gerar emoção para gerar mais negócio”. O design estratégico é uma importante ferramenta para a busca desta emoção, pois apresenta o diferencial e gera resultados.

Como aponta Marc Gobé em seu livro A Emoção das Marcas, ”criar uma marca emocional é como construir relacionamentos; significa proporcionar a uma marca e a um produto um valor de longo prazo; diz respeito a experiências sensoriais, designs que fazem você sentir o produto, que fazem você saborear e comprar o produto.”.

Ultimamente o termo “estratégia” tem sido amplamente utilizado nas empresas e no meio acadêmico: estratégia de mídias sociais, estratégia de implementação, estratégia de vendas, design estratégico, estratégia de marketing e assim por diante. Mas será que o seu significado é amplamente compreendido e, principalmente, aplicado no dia a dia das áreas relacionadas e de seus profissionais? Seja como for, essa tendência evidencia a importância da estratégia para o funcionamento do mercado, seja pelo reconhecimento de sua aplicação bem-sucedida ou pela expectativa que gera para aqueles que aspiram modificar a forma de executar as tarefas relativas a seu trabalho.

Ao pegar o dicionário e buscar esse termo, você vai se deparar com definições que fazem referência a incursões militares e busca por vantagens em cenários de guerra e, de maneira mais próxima da nossa realidade, meios que permitem explorar certas condições para alcançar objetivos específicos. E é deste segundo caminho que vamos falar a seguir, pois é ele que conduz a ampla abordagem da estratégia em instituições de referência no mundo dos negócios, seja na área acadêmica ou no mundo empresarial.

Estratégia é a maneira pela qual podemos traçar linhas de ação para conquistar objetivos pré-determinados. Não é o fim, é o meio, envolvendo as capacidades de quem a executa bem como as ações que são tomadas.

Para que a estratégia aconteça, é necessário que haja um entendimento do contexto, mais especificamente o reconhecimento de “onde se está” e de “aonde se quer chegar”, uma vez que, para que planos de ações sejam traçados e coordenados, a necessidade de direcionamento é implícita.

Nesse sentido a estratégia é um elemento comum para o branding e para o design, atividades que andam juntas para gerar diferenciação e vantagens competitivas e cuja execução demanda:

Contextualização:

Entender o ambiente interno e externo à empresa, bem como a maneira como esses dois mundos se relacionam, considerando seus agentes, suas demandas e suas entregas.

Planejamento:

Definição do passo a passo para alcançar o objetivo, definindo prioridades, possibilidades, prazo, orçamento e alternativas para possíveis problemas de percurso.

Pensamento lógico:

Entender quis atividades são envolvidas no processo de execução e qual a relação de interdependência entre elas, buscando organizá-las e executá-las de maneira a otimizar recursos e evitar retrabalhos.

Capacidade analítica constante:

Pensar sobre o processo e repercussão que o projeto gera no ambiente, reconhecendo o que foi bem-sucedido, entendendo e desenvolvendo aquilo que precisa ser aperfeiçoado e aprendendo com o erro, de forma a perseguir a melhoria constante.

O branding enquanto atividade de construção e gestão de marcas traz o entendimento de todas as atividades que se relacionam para que a empresa entregue valor para seus consumidores e as direciona em uma única direção, de modo a construir uma identidade e posicionar a marca no mercado com eficiência, possibilitando a identificação das vantagens que ela proporciona e diferenciando-a de propostas que, à primeira vista, podem parecer semelhantes.

A sustentação do branding encontra-se no propósito, conceito que reúne tudo o que a marca é, representa e almeja, proporcionando uma linha condutora de ações capaz de otimizar decisões e garantir a percepção de integridade e coerência, consolidando a identidade da marca em longo prazo.

Assim como o branding, o design também se relaciona com o conceito de estratégia, no sentido em que sua existência atende a objetivos traçados. Em sua análise sobre a etimologia da palavra “Design”, Mozota (2001, p. 15-16) ressalta que dois significados podem coexistir, o de intenção e o de desenho, o que sugere duas frentes: a de planejamento e a de execução.

Assim, o design, seja de produto, visual, de moda ou de ambientes, incorpora em si a percepção de uma necessidade e a execução de um projeto que a atenda plenamente, transmitindo uma mensagem e consolidando uma ideia.

Juntos, branding e design são atividades que exercem grande impacto em um mercado em que produzir um produto ou oferecer um serviço já não é mais suficiente para atender a demanda dos consumidores.

Uma empresa que se oriente pela visão do branding somada ao design tem em suas mãos grandes chances de se posicionar de maneira diferenciada da sua concorrência, podendo construir e gerenciar uma imagem que desperte no consumidor a vontade de pertencer e se relacionar, uma vez que cada ação é pensada para entregar uma promessa, e afastar a empresa da ideia de “apenas mais uma exercendo o mesmo papel”.

Ao falar de branding e design relacionados à gestão de uma empresa é inevitável abordar o tema da inovação, conceito que demanda uma estratégia orientada para a desconstrução e reordenação do que já se faz e daquilo que já se domina, de forma a sair da zona de conforto e possibilitar o novo.

O conceito de inovação vai além de oferecer algo puramente novo, embora isso também seja inovação, mas com a ideia de olhar as coisas de outra maneira, estabelecer relações e reordená-las para gerar novas ideias, aplicando-as e possibilitando resultados.

É por isso que junto com branding e design se relaciona com estratégia, na perspectiva em que define o modelo de gestão da empresa, alinhando se ao seu propósito e sustentando a construção da marca, que traduzirá para o mercado o posicionamento que a empresa busca estabelecer no mercado, processo no qual o design exerce importante papel ao organizar, padronizar e tornar o conceito atrativo e pregnante para os olhos, mentes e corações.

Sem essa percepção não existe diferenciação e consolidação de conceitos que atraiam a atenção e preferência dos consumidores que, frente ao avalanche de ofertas, buscam aquelas que mais agregam valor e facilitam suas vidas, o que vai na direção inversa da acomodação.

Por isso, quem busca empreender uma ideia, seja dentro ou fora de uma organização, precisa se dedicar a conhecer o conceito e aplicação da estratégia que, relacionando-se com os parâmetros do branding, design e inovação possibilita que a marca seja “A” marca e não apenas “UMA” marca.

Referência:

MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

 

O ser humano, habituado com a pluralidade e superfluidade de mensagens, produtos e serviços, bombardeado por uma infinidade de marcas, lembra-se de algumas delas ao final do dia, mas, em termos de valor não representará metade de tudo que foi visto.

Marcas potenciais, que recebem investimentos em sua gestão e para seu posicionamento estratégico, poderão ser identificadas, memorizadas e valorizadas pelo público consumidor e assim gerar fidelidade.

Investir no gerenciamento de uma marca é considera-las ativos extremamente valiosos para sustentar suas decisões e assim projetar sua autoimagem. Posicionar uma marca consiste em planejar a imagem na mente do seu público-alvo, de modo que a sua identidade corresponda à forma como ela é realmente vista e percebida pelo consumidor.

A combinação estratégica de determinados elementos de marca, capazes de identificar os bens ou serviços que a empresa oferece; diferenciá-los da concorrência; criar, incorporar e fixar o valor da marca no ambiente interno e externo da empresa torna isso possível. No Design Gráfico, o Design de Sinalização, deixou de apenas atender necessidades de usuários e incumbi-los das informações necessárias para garantir sua segurança em espaços onde estiver inserido.

Investir em sistemas de sinalização coerente, efetivo e funcional, demonstra que a marca tem domínio do mercado e de seus diferenciais competitivos, de forma a suscitar associações positivas a respeito da marca, influenciando, assim, o comportamento do cliente.

Pensar sistemas de sinalização vinculados ao Branding desde o princípio de sua construção é uma realidade.

O objetivo deste estudo, que será apresentado no II Congresso Internacional de Branding, é demonstrar que as duas práticas branding e sinalização constroem uma relação próxima e íntima e que sinalizar um espaço significa pensar no comportamento da marca nesse espaço para torná-la visível e notável. Para tanto, foi utilizado o estudo de dois casos hospitalares para demonstrar essa ligação que gera valor a marca e constrói brand equity.

Esse é artigo será apresentado por: Giuliana Sanches Cardoso SILVA & Marcia AURIANI

Giuliana é Pós-Graduada em Gestão do Design e graduada em Design Gráfico pelo Centro Universitário Belas Artes.  Designer junior na CBA B+G. Email; giuliana.cardoso.2303@gmail.com

Se você se interessou por esse assunto, não deixe de acompanhar a apresentação desse e outros artigos do InfoBranding  no II Congresso Internacional de Branding em Lajeado/RS, nos dia 1, 2 e 3 de outubro.  Para mais informações, clique aqui 

 

uolCelebridades usam, bancos usam, e as marcas estão usando…. não é um produto ou serviço, ou será que é?!

Quando surgiram no Japão e Ásia, os emojis eram usados para mandar mensagens eletrônicas. A palavra emoji significa literalmente “imagem” (e) + “caracter” (moji). Depois esses ícones foram aderidos pelas empresas de tecnologia (Apple, Android e etc.) como meio de comunicação além do texto. E incorporados pelo Unicode em  um movimento para padronizá-los.

Os pequenos desenhos passaram a ser usados nas mensagens de textos, no mundo inteiro, com a finalidade de encurtá-los e para amplificar a mensagem. A simplificação das conversas foi além de abreviações e agora tinha emojis.

A popularização foi instantânea. Além dos aplicativos de texto como Whatsapp, o Facebook também aderiu. E os sites não ficaram para trás, frequentemente vemos conteúdo com as figuras. Veja o exemplo do Uol acima.

Imagem vale mais que palavras huck

A afirmação de que uma imagem vale mais que mil palavras está se tornando tendência não apenas em fotos no instagram, mas nos emojis que você insere no texto. A exemplo da propaganda da Tim em que todo o diálogo é feito com as figurinhas. E o Luciano Huck quando sofreu um acidente aéreo com sua família sem sequelas graves, agradeceu nas redes sociais por meio de um emoji.

A Tim pode ter sido a primeira marca a usar os emojis massivamente em suas campanhas, que foi para divulgar o seu serviço para o whatsapp. Mas o Itaú é a marca que definitivamente mais explora as figurinhas. Sua campanha atual na web, tv e impressos utiliza toda a variedade dos ícones. A maioria dos posts da sua fanpage no facebook os incorpora no texto e os vídeos promocionais, seja sobre produtos ou datas comemorativas, tem uma animação de emojis com uma música-chiclete.

10995309_848765551839778_54776235591446096_n

A utilidade dos emojis parece não ter fim, uma empresa quer usar as figuras para substituir os números em senhas de banco. Isso mesmo, imagine acessar a sua conta colocando: carinha feliz, coração, cerveja e sol. As combinações teriam mais variedade com as 44 figuras ao invés de 10 números (0-9).

Vem novidade por aí…

ht_emoji_2_kab_150224_16x9_992Recentemente a Apple atualizou o sistema operacional do iPhone e disponibilizou mais opções de emojis. Além de figuras novas, agora é possível escolher a cor dos personagens, buscando mais pluraridade racial, já que as versões anteriores já incorporavam casais gays.

unicode-90-previsto-para-ser-lancado-em-2016-traz-38-novos-emojis-1432315770833_300x300

 

E para 2016, 38 emojis integrarão o novo Unicode 9.0. Os novos desenhos foram criados com base no uso de compatibilidade e nos pedidos populares feitos em comunidades online. Entre as novidades estão: rosto de palhaço, rosto enjoado, mentiroso, rolando de rir no chão, babando, pepino, flor murcha. Já estou curiosa para saber como serão!

Como as marcas estão usando

Veja abaixo alguns exemplos:

https://youtu.be/q07j05Sdm04

 

 

Referências

Wikipedia

O pai dos emojis

Entenda a diferença entre emoticon e emoji

Num mundo onde as fronteiras estão cada vez mais diluídas, percebemos que muitas organizações buscam orientação além dos cálculos e das análises financeiras. Estamos em um contexto onde elas anseiam por algo diferente. Além disso, percebemos um consumidor atordoado por inúmeras opções de escolha e dentro de um mercado gigantesco, onde buscam por produtos e marcas não apenas diferentes, mas que venham de encontro com os seus valores e desejos pessoais.

Nesta atmosfera de mudanças, as organizações estão percebendo o design como ferramenta estratégica para incorporar técnicas mais modernas, inovadoras e que trazem esperança de insights e novas ideias.

O grande desafio é alinhar esta ferramenta aos processos organizacionais pré-estabelecidos.

Segundo a *CEO Heather Fraser Se grandes ideias não forem traduzidas em estratégia clara para orientar esforços e investimentos, elas nunca serão realizadas. Mas, se centralizarmos o foco somente em processos pré-estabelecidos, nada de criativo poderá surgir e influenciar a estratégia de negócios.

Vemos a Gestão do Design como uma grande ferramenta para os negócios. Se você já sabe o que quer para a sua empresa, a pergunta é: Como pretende fazer isso acontecer?

Considere incluir o design como parte dessa estratégia de negócios.

Como empresários, podemos estar em busca de novos clientes, novos mercados, produtos melhores a custo baixo, vender mais sem precisar reduzir preço de produto, ser melhor percebido no mercado, lucrar mais… enfim, são inúmeros os desejos a serem alcançados.

A Gestão do Design tem por objetivo trazer uma visão macro para o negócio.  Ela possibilita o monitoramento e coordenação de todos os departamentos e etapas fundamentais para o próximo passo ou processo acontecer, pois uma empresa é uma grande engrenagem: se um dos mecanismos falha, seja na escolha das matérias primas ou no relacionamento com seus fornecedores, ou seja em qualquer momento do longo caminho percorrido pelo produto até chegar no consumidor final, todos os insights e inovações podem sofrer com a má gestão.

Design é desenvolver produtos competitivos, focados nas necessidades do usuário, e sua aplicação possibilita determinar o desempenho, o apelo, os processos, os custos de fabricação e até mesmo o posicionamento do produto. As empresas que usam o design de maneira eficaz, com certeza serão mais competitivas e lucrativas. Esta nova visão e a experiência acumulada, levam ao uso estratégico do design, e isso ajuda a desenvolver novos produtos e descobrir melhores formas de sistematizá-los.

Neste processo é fundamental o papel do designer como profissional multi disciplinar, pois o profissional tem que estar apto à construir um planejamento bem elaborado, onde é observado quais objetivos o projeto de design quer alcançar, quais são os objetivos estratégicos da empresa, que competências são necessárias, como o produto será fabricado, entre outras inúmeras observações.

Dentro deste processo de design, conhecer as etapas é fundamental para uma boa gestão, afim de obter melhores resultados. E o processo não pode ser definitivo, pois as etapas variam de acordo com cada tipo de projeto. Mas, de maneira ou de outra, é importante ter os pontos de tomada de decisões muito bem alinhados e no controle, pois o quanto antes os problemas de projeto forem identificados, o impacto negativo no financeiro ou até mesmo na imagem corporativa da empresa poderá ser minimizado ou anulado.

Uma boa gestão de design contempla a liderança, onde as decisões tomadas sobre o projeto impactam diretamente nos produtos e serviços oferecidos pela empresa. Pelo briefing, para que o projeto seja bem orientado. Pela criatividade, para impulsionar o projeto e ele ser uma fonte ideias originais. Pela flexibilidade, pois as empresas estão inseridas em um ambiente multi facetado e, por isso a gestão precisa ser flexível, mas sem perder o foco no objetivo estabelecido. Pelo próprio designer, para o processo de desenvolvimento de produto não ficar limitado apenas em atividades estéticas e de acabamento, pois design não é maquiagem. Pela inovação, para que as ideias originais sejam transformadas em produtos e serviços prontos para o mercado. E, não podemos deixar de falar da sustentabilidade, pois agrega valor e, ao reduzir o impacto sobre o meio ambiente, é possível também reduzir custos de produção e na distribuição de produtos.

Inovação diferencia os líderes de mercado dos seguidores”  Steve Jobs

Estudos realizados pela CNI indicam que 75% das empresas que investiram recentemente em design registraram aumentos em suas vendas. Dessas, 41% também conseguiram reduzir seus custos(A importância do design para sua empresa – Confederação Nacional da Indústria – CNI)

*Fundadora e CEO – Vuka Innovation, Cofundadora da Rotman DesignWorks, professora de  Business Design da Rotman School of Management, University of Toronto.

11083674_1084511821574645_6612013737163960792_n

Tati Souza

Designer Executiva na Ouïe Consultoria, Ideias & Design. Consultora especializada em gestão do design em empresas do segmento têxtil e calçadista. Graduada em Desenho Industrial pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Especialização em Desenvolvimento de Produto para Moda no PoliTecnico di Milano e Moda Pelle Academy, Master em Gestão de Marcas – Branding na BSP e Business Mangement no IEDE Chile.