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Abertura

Construir e gerenciar marcas memoráveis são práticas que requerem disciplina, ousadia, estratégia e visão de longo prazo, isso sem contar, muita dedicação, foco e força de vontade. No processo há inúmeras variáveis a serem cuidadosamente analisadas: perfil da empresa, características do produto ou serviço, público interno, público externo, concorrentes (diretos e indiretos), aspectos legais, referências de mercado, aprovação da gerência e muitas outras, que variam de caso a caso.

Nesse cenário, a equipe envolvida no desenvolvimento da estratégia de branding deve se mostrar aberta a constantes debates, análises e testes e, é claro, como todo processo, um pouco de frustração e aborrecimento. No entanto, quando bem gerenciado, o processo de construção e gestão da marca traz resultados gratificantes.

Pergunte aos profissionais da Coca-Cola, Volvo, McDonald’s, Nike, Absolut, Visa entre tantas outras marcas de sucesso se esse processo vale a pena. Ou melhor, observe os resultados colhidos. Esses profissionais trabalham duro todos os dias e se dedicam ao máximo para fazer do seu trabalho um verdadeiro sucesso e, não há nada melhor, do que perceber que o mesmo foi reconhecido.

Complexo não é? Agora imagine todo esse processo acontecendo para criar uma marca que existirá no universo imaginário de um filme ou de uma série televisionada?

Como já foi abordado anteriormente aqui no InfoBranding e em outros meios, uma marca não é meramente um sinal gráfico estampado por toda parte na empresa. Longe disso. Uma marca representa um universo complexo repleto de associações, que constitui uma identidade e permite que todos que entram em contato com ela a identifiquem e reconheçam como única, amando-a ou detestando-a.

Quando pensamos na Nike nos vem à mente o estilo de vida esportivo, competitivo a ideia de vitória paira no ar; chegamos a nos sentir inspirados a praticar esportes e competir. Quando pensamos na Volvo pensamos logo em veículos extremamente seguros, nos quais podemos confiar quase que cegamente a vida de nossos filhos. Quando pensamos em Visa pensamos em facilidade e comodidade, além de inúmeras vantagens. Quando pensamos em OMO pensamos logo em limpeza e em curtir a vida sem se preocupar se a roupa vai sujar, já que temos OMO para resolver isso.

Mas e quando pensamos na Umbrella Corporation? Isso mesmo, a mega empresa global responsável pelo T-Virus, seu vazamento e o consequente apocalipse zoombie que praticamente dizimou a humanidade. O que vem a nossa cabeça? A Umbrella Corporation é a empresa que faz parte do enredo da famosa franquia de jogos de vídeo game “Resident Evil”, da Capcom e que, posteriormente, foi para as telonas com um desempenho igualmente satisfatório.

Umbrella

Pensando na franquia dos filmes a Umbrella Corporation é percebida como uma empresa poderosa, com presença global e com valores duvidosos. Respeito à vida e ao bem-estar das pessoas é algo que passa longe do imaginário enquanto que frieza, tecnologia, armamentos biológicos e desprezo pelo bem-estar do planeta são associações muito fortes. Para quem gosta dos jogos e filmes do Resident Evil a Umbrella Corporation é bem posicionada e sempre se apresenta com uma identidade muito substancial.

Passando para um exemplo mais leve pode-se citar a Dinoco e a Pizza Planet da Pixar, que apareceram inicialmente em ToyStory e depois em outros filmes da renomada empresa de animação. A Dinoco, empresa de postos de gasolina, patrocina uma escuderia no filme Carros, lançado mais de uma década depois de Toy Story. Aliás, os filmes da Pixar são repletos de referências cruzadas entre seus filmes, você já tentou encontrar?

Dinoco

E como não citar a Stark Industries do popular Tony Stark, mais conhecido como Iron Man? A Stark Industries é digna dessa citação uma vez que nos filmes, Tony Stark aparece nas apresentações da empresa como um verdadeiro Show Man, esbanjando personalidade e estilo de vida, como a personificação do bilionário gênio que curte a vida como ninguém. Excentricidades a parte, a situação não é semelhante (dadas as devidas proporções e considerando que Tony Stark é um personagem heróico e fictício) com o burburinho causado pelas apresentações do glorioso Steve Jobs, ao estilo peculiar de Mark Zuckerberg ou até mesmo ao estilo de vida do icônico Hugh Hefner?

Stark Industries

Fora essas empresas podemos ainda citar a InGen de Jurassik Park; USRobotics de Eu Robô; Oscorp de Homem-Aranha; Acme dos desenhos dos Looney-Tunes (sempre pronta para ajudar o Coyote a capturar o Papa-Léguas); Cyberdyne Systems do Exterminador do Futuro; Gemialidades Weasley de Harry Potter; Planeta-Diário de SuperMan; Indústrias Wayne do Batman; M.I.B e seus Homens de Preto; MomCorp da série animada Futurama.

Muitas vezes as marcas saem do universo cinematográfico e passam a fazer parte do nosso mundo, graças a aspirações que suas associações são capazes de criar.

Um exemplo disso são os famosos chocolates da Fantástica Fábrica de Chocolates de Willy Wonka, vendidos como uma linha especial da Nestlé no exterior. Há várias opções de chocolate sob essa marca que faz sucesso especialmente entre as crianças. Tal linha da Nestlé tem uma seção especial na famosa loja de brinquedos Toy “R” Us na Times Square.

Wonka

Mais recentemente uma marca saiu do universo das telinhas e cativou jovens adultos ao redor do mundo. Trata-se da emblemática cerveja de Homer Simpsom, a Duff Beer. A Duff veio para o nosso mundo em 2006 graças a iniciativa do empresário mexicano Rodrigo Contreras e em 2007, graças a uma parceria com a cervejaria belga Haacht Brewery, a Duff passou a ser comercializada na Europa. Em 2009 veio para a América Latina e posteriormente para o Brasil. No entanto, é curioso que a cerveja Duff não é uma marca registrada da FOX e não tem ligação com Matt Groening, criador dos Simpsons. Ou seja, veio de um fan para outros fans. Interessante não é mesmo?

Duff

Para fechar, uma sugestão do colega Felipe Versati aqui do InfoBranding, quem não se lembra da marca Bubba Gump Shrimp & Co. do filme Forest Gump? A marca saiu das telonas em 1996, inspirada no filme Forest Gump estrelado por Tom Hanks em 1994 e hoje conta com 39 restaurantes ao redor do mundo, a maioria nos EUA. A marca é mais um exemplo bem sucedido que veio das telonas para avida real.

Bubba Gump Shrimp & Co

Atualmente no Brasil:

E se pensarmos nas famosas e mundialmente conhecidas telenovelas da Rede Globo? Também temos exemplos a serem citados. No topo da lista o Hospital San Magno do Dr. Cesar, onde o vilão Felix andou fazendo suas falcatruas e desvios financeiros. O bar GigaByte de temporadas passadas de Malhação, onde os alunos do Colégio Multipla Escolha (outra referência interessante) se encontravam. Temos ainda a fábrica de chocolates “BomBom” de Chocolate com Pimenta e a Charlô’s de Guerra dos Sexos e a Carrara Taxis da Grande Família. Fora tantas outras. Embora fictícias essas empresas fazem parte do imaginário popular brasileiro.

E você, lembra de mais algum exemplo de marcas que se mostram verdadeiros exemplos de branding no universo ficcional? Compartilhe com a gente!

Hospital San Magno

 

Referências:

http://www.duffbrasil.com.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Duff_Beer

http://en.wikipedia.org/wiki/Bubba_Gump_Shrimp_Company

http://www.bubbagump.com/

O Branding retoma diversos conceitos essenciais para a sua concepção e atuação, nos levando a refletir sobre produtos, cultura, design, diferenciação, comunicação, consumidor, dentre outros fatores, o mercado.

1241042_525053164239918_1970389071_nA medida que estudamos, lemos, interagimos nas redes sociais, vamos ao supermercado e nos assustamos com os preços dos produtos, e nos posicionamos a respeito de uma ação ou um produto, estamos dentro de uma espécie de processo de consumo, no qual há uma necessidade ou desejo (temas valiosos para uma discussão), em seguida a busca de informações sobre como sanar tal necessidade/desejo, a avaliação das alternativas, a tomada de decisão de compra e um pós-compra. Diversos estudiosos discutem cada etapa deste processo em detalhes e ainda acrescentam outras tantas, um grande exemplo é Philip Kotler.

Em cada etapa ainda há outros fatores que influenciam a decisão de compra e permitem entender o comportamento do consumidor. Kotler e Keller afirmam: “O comportamento de compra do consumidor é influenciado por fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos. Os fatores culturais exercem a maior e a mais profunda influência” (2006, p. 172). O fator cultural está relacionado diretamente com valores, percepções e referências familiares e outras instituições, contribuindo para a constituição do individuo e depois consumidor.

A medida que o mercado e a economia se movimentam, o consumidor também muda, sendo agente ativo ou passivo desta movimentação gerando oferta e demanda.

O que se percebeu nestes últimos anos, é que o consumidor esteve exposto a diversas oportunidades no mercado, apesar das crises em alguns mercados mundiais, o brasileiro mudou na sua maneira e possibilidade compra. O aumento da classe C é exemplo disso, que permitiu o deslocamento de tantos outros consumidores para outras classes sociais e isso pode ser justificado por diversos fatores, sendo alguns deles a possibilidade de crédito e financiamento, baixa de desemprego e programas governamentais.

Em pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência, o consumo no Brasil em 2013 cresceu 10,2%, em relação ao ano de 2012, o que corresponde a 34% do PIB.

 

GASTOS POR CLASSE SOCIAL

em R$ bilhões, por segmento 2013

SETOR

Automóveis

Alimentação no Lar

Alimentação fora do Lar

Material de Construção

Vestuário

A

59,71 11,55 16,40 19,94 13,73

B

138,94 76,75 51,34 47,49 46,47

C

57,17 103,80 41,29 37,63 41,98

D

5,48 25,19 7,15 4,41 7,15

TOTAL

261,30 221,29 116,18 109,47 109,33

Fonte: Ibope Inteligência (via Propmark de 09 de setembro de 2013)

 

O que chama a atenção é que este crescimento também impulsiona as ações de anunciantes, tomando como exemplo o quadro apresentado, os gastos com automóveis devem ser maiores em 2013, concentrados na classe B. Grande oportunidade para agências e para fabricantes de veículos, serviços de manutenção e seguros, acessórios, dentro outros.

Entre os 10 maiores anunciantes do 1º trimestre de 2013, temos 2 grandes indústrias automobilísticas.

Ran 2012  Ran 2013 TOP 30 ANUNCIANTES Jan a Jun/2013  Jan a Jun/2012 
R$  R$ 
2 1 UNILEVER BRASIL          2.242.541.890          1.463.915.000
1 2 CASAS BAHIA          1.593.341.010          1.684.650.000
# 3 GENOMMA          1.269.904.050             214.965.130
4 4 AMBEV             961.602.210             793.287.000
3 5 CAIXA (GFC)             710.817.490             796.527.000
9 6 VOLKSWAGEN             662.698.110             477.166.000
12 7 FIAT             587.781.020             416.671.000
13 8 PETROBRAS (GFC)             575.169.720             416.146.000
5 9 SKY BRASIL             548.852.520             777.950.000
17 10 HYPERMARCAS             496.422.420             404.121.000

Fonte: Ibope (publicado em 24/07/2013)

 

E os anúncios, as ações de comunicação e investimentos em mídia também devem acompanhar as mudanças no mercado, no que tange a legislação, os canais e principalmente o comportamento do consumidor.

A comunicação nos canais digitais não é tendência, é realidade, é crescente, mas não dominante. No quadro acima, desenvolvido pelo Projeto Inter-Meios coordenado pelo Meio&Mensagem, mostra bem como está dividido os investimentos em mídia, e a TV continua forte, mas também é tendência uma integração entre internet e TV, onde o anunciante poderá saber o que o telespectador está assistindo e criar ação em tempo real.

Investimento bruto por meio

Valores Acumulados (jan-abr.)

Variação

% de

2012

2013

(%)

Participação

Guias e Listas

78.335.994,82

62.591.447,08

-20,10

0,69

Internet

456.299.705,50

396.635.825,56

-13,08

4,40

Jornal

1.078.789.633,35

1.029.649.924,54

-4,56

11,43

Mídia Exterior

280.202.724,81

308.195.800,57

9,99

3,42

Rádio

357.043.172,23

374.854.224,31

4,99

4,16

Revista

518.000.713,12

451.913.690,36

-12,76

5,02

Televisão

5.821.119.757,35

6.024.849.363,27

3,50

66,87

TV por Assinatura

341.192.778,71

336.668.489,27

-1,33

3,74

Cinema

27.449.699,93

24.320.996,39

-11,40

0,27

TOTAL

8.958.434.179,82

9.009.679.779,17

0,57

100,00

Fonte: Meio&Mensagem (20 de junho de 2013)

Todos estão se adaptando!

A realidade do consumo, o comportamento deste consumidor mudou e muda constantemente. A oferta de informação e a troca delas são muito intensas. E o branding deve ser ferramenta estratégica neste contexto.

O que é mais valioso: uma grande quantidade de visitação ou o tempo que uma única pessoa ficou em seu site? O que pode gerar compra efetiva? Onde sua marca e seu produto estarão mais expostos? Questões que desafiam todo o profissional de Marketing.

Penso que o Marketing não mudou, mas a maneira como seus conceitos, plataformas e maneiras de aplicação sim. Quem está atento a estes movimentos? Como inovar de maneira rápida, dinâmica e constante? Diversos caminhos se apresentam, mas acredito, que primeiro passo é ouvir, observar e perguntar ao consumidor. Sem dúvida que isso está apoiado a diversas ferramentas de pesquisa, de tecnologia e intuitivas, mas o consumidor não pode ser ignorado, pois ele também percebe este posicionamento das empresas e das marcas, o que não contribui em nada em um resultado positivo para a organização.

 

Referências:

KOTLER, Philip. KELLER, Kevin Lane Administração de marketing. Tradução: Monica Rosenberg, Brasil Ramos Fernandes, Cláudia Freire; revisão técnica Dilson Gabriel dos Santos. 12ª Ed. São Paulo: Person Prentice Hall, 2006.

Ibope:

http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/Consumo-no-Brasil-deve-chegar-a-1-trilhao-ate-o-fim-do-ano.aspx

http://www.ibope.com.br/pt-br/conhecimento/TabelasMidia/investimentopublicitario/Paginas/ANUNCIANTES-%E2%80%93-30-MAIORES—1%C2%BA-SEMESTRE-2013.aspx

Meio&Mensagem:

http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/noticias/2013/06/20/Midia-cresce-06-no-quadrimestre#ixzz2ak0juKdS

Propmark:

http://propmark.uol.com.br/mercado

Não me chame de amigo, colega, querido. Não finja que me ama!

Estudando sobre a importância dos sentimentos, das emoções e do olhar voltado ao ser humano para a gestão e as marcas, acabei me deparando também com o outro lado da moeda.

Atualmente este olhar mais humano, enxergar as pessoas e suas necessidades são sim fatores importantes e essenciais, mas vez ou outra algumas marcas extrapolam na dose de amor e outras, pior, escrevem uma história de enganação achando que conseguirão fidelidade e alavancar o equity da marca.

Tais situações não se aplicam apenas a empresas ou produtos, mas também a serviços e até marcas pessoais: políticos fazem declarações e comunicam promessas não cumpridas, a propaganda mostra um restaurante convidativo e o atendimento fica a desejar, o institucional exibe uma empresa feliz e funcionários satisfeitos, mas é pautada por falta de ética e injustiças, a placa de oferta esconde a incontável quantidade de parcelas, propostas amigáveis disfarçam inúmeras condições em letras miúdas. Quem nunca passou por situações como estas?

As marcas são como pessoas, têm nome, aparência (identidade e comunicação visual), possuem missão, visão, valores e um propósito, tom de voz (a maneira como se comunica com seu público, a expressão verbal de sua personalidade) e todo um universo que as envolve. Todos estes pontos precisam estar alinhados para que a marca não apenas seja forte, mas também tenha uma boa reputação.

E assim como as pessoas, não adianta uma marca construir um discurso visando atingir o coração de seu público-alvo se não cumprir aquilo que promete, ou seja, deixar de entregar aquilo que propõe. Ao contrário, pode comprometer todo o investimento e esforços dedicados a imagem da marca e ainda a sua reputação.

Então como algumas marcas conseguem ser amadas sem precisar chamar o consumidor de “querido”?

Cumprir a promessa da marca, por mais simples que ela seja, é essencial. Por isso, não se deve prometer o que está além de sua capacidade ou que não esteja de acordo com seus valores e propósito.

Estar sempre atento aos seus consumidores, principalmente nas redes sociais, muitas marcas acabam cometendo deslizes no intuito de conseguir mais seguidores e implorando por fãs. Estar atento ao comportamento do consumidor pode evitar transtornos e proporcionar estratégias mais assertivas. Um olhar com empatia é essencial!

“As Lovemarks não são propriedade dos fabricantes, dos produtores, das empresas. São das pessoas que as amam”. Kevin Roberts

Respeito e amor andam lado a lado. O amor não pode ser exigido, é espontâneo e requer tempo para ser consolidado. O diagrama utilizado na Saatchi & Saatchi apresenta os commodities (as pessoas precisam, mas não desejam), os modismos (amados por um momento e logo deixados de lado), as marcas (consolidadas e respeitadas, mas com pouca emoção), e, por fim, as lovemarks (muito amadas e respeitadas).

(Fonte: Adaptado de ROBERTS (2005, p. 149)

Contar histórias e surpreender. Hoje não se pode esperar ser uma marca amada apenas por dizer “bom dia” todos os dias no Facebook ou fazendo um comercial poético com uma família feliz tomando café da manhã. O desafio das marcas é contar histórias de forma diferente, surpreendendo consumidores cada vez mais exigentes de forma a envolvê-los.

As marcas não precisam ser todas amadas e envolventes. É possível ter sucesso e lucratividade com um modismo, um commoditie de qualidade ou com marcas respeitadas que não envolvam laços emocionais. Por outro lado, uma marca também pode ter sucesso chamando o consumidor de “amigo” desde que este tom de voz esteja alinhado com a gestão da marca. O importante é gerir com a dose certa de amor e coleguismo, pois falsidade e hipocrisia também podem ser indesejados atributos ligados à sua marca.

REFERÊNCIAS

GOLDMAN, Paula. O que os movimentos sociais nos ensinam. HSM Management. Ed. 100, Setembro-Outubro de 2013. p. 72-75.

ROBERTS, Kevin. Lovemarks: o futuro além das marcas. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda., 2005.

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A palavra símbolo é de origem grega, onde de forma resumida, significa que é sempre algo que representa outra coisa para alguém. Há registros de gravuras rupestres com mais de 40 mil anos em cavernas e superfícies rochosas, são símbolos que contam uma história ou acontecimento do período pré-histórico.

Um logotipo é constituído por uma marca e/ou um símbolo. Bradesco e sua árvore, Adidas e suas três faixas, Skol e a seta redonda. Estes são alguns, dentro de milhares, exemplos de empresas que utilizam os dois elementos para formar o logotipo.

Mas será que é só colocar algo “bonitinho” lá e pronto, será um sucesso?

Por mais que isso seja comum nas empresas, nem sempre é fácil assim. Quando o símbolo é bem elaborado em todos os aspectos do design, se torna um elemento forte para a marca, é dele a função principal de marcar a imagem da empresa na lembrança e no pensamento de uma pessoa e também de se diferenciar dos concorrentes, por isso é tão comum seu uso em conjunto da marca.

Conhecer ou desenvolver as estratégias da empresa, que são criadas com os fundamentos do branding é essencial para a criação não só do logotipo como também do símbolo. São elas:

– os 4 Ps (Produto, Preço, Praça e Promoção);

– conhecer a história (como surgiu, quem são os fundadores, como evoluiu com o tempo);

– a proposta da empresa (missão, visão e valores);

– o mercado que atua;

– qual é o público-alvo (não só a faixa etária, sexo ou classe social, mas sim os hábitos, do que gostam, onde frequentam).

O desenvolvimento com base nessas informações permite que no futuro o símbolo seja muito mais aceito e a associação dele com a marca seja mais forte.

Se você está planejando criar um símbolo para a sua empresa não se esqueça de passar ao profissional de criação as estratégias citadas acima e caso você seja o profissional, se aprofunda nesses assuntos com o seu cliente, seja um bom ouvinte de tudo que ele tem a dizer e cobre que te passe as informações necessárias, somente assim será possível ter um símbolo que melhor corresponde à proposta da empresa. Um bom exemplo dessa combinação é o U, símbolo da Unilever, que é formado por outros 24 símbolos e cada um deles possui um significado que corresponde a uma proposta ou, como eles chamam: Missão de Vitalidade da empresa. (veja a explicação e cada um deles aqui)

Agora você já sabe, quando lembrar-se de uma marca só de ver o seu símbolo, tem muito trabalho bem feito de branding ali.

 

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADmbolo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_rupestre

Herança, algo passado por gerações, pode ser transferido por ancestrais ou entre pessoas que tiveram alguma relação afetiva. Há vários tipos de herança, a genética, do conhecimento, bens materiais e de consumo. E é a herança de consumo que irei abordar nesse artigo.

O consumo de algumas marcas e até mesmo a paixão por elas pode ser transmitida por gerações, uma questão que ultrapassa as regras de marketing, as abordagens de Kotler, Aaker, entre outros, penetra nas relações de cuidado e carinho entre pais e filhos.

omoAlgumas marcas conseguiram realizar esse trabalho com primor, bem antes da “era do branding”. O sabão em pó OMO pode ser um bom exemplo de marca que ganhou seu espaço, é líder de mercado e consegue ser passada geração pós geração. Se notarmos, a maioria das marcas que aprendemos a consumir com nossos pais e avós são de alimentos ou produtos de limpeza, uso como exemplo o açúcar União, achocolatado Nescau, sal Cisne, maionese Hellmann’s, Veja Multi-uso, marcas que atingiram o coração dos nossos genitores e fomos criados consumindo elas, são tão relevantes na nossa vida que as vezes nem notamos, vamos ao supermercado e acabamos escolhendo essas marcas pelo impulso, sem ao menos reparar nas concorrentes. São marcas que provavelmente não seguimos nas redes sociais, nem reparamos nos seus anúncios, mas elas sempre têm vaga garantida no nosso carrinho de compras.

Entretanto, ter realizado esse trabalho não foi nada fácil, o resultado se deve a alguns fatores:

  • Grande investimento em comunicação de massa;
  • Análise detalhada do público-alvo;
  • Estudos criteriosos de design de embalagem e/ou do produto;
  • Presença ativa no ponto de venda;
  • Excelente desempenho do produto.

A meta do marketing é conhecer e entender o consumidor tão bem, que o produto ou serviço se molde a ele e se venda sozinho.” Peter Drucker, escritor, professor e consultor administrativo, considerado como o pai da administração moderna.

Outra marca que vale a pena ser citada é a Brastemp, é incrível como as nossas mães indicam e defendem ela, a minha costuma dizer “se você não quer ter dor de cabeça com eletrodomésticos, compre Brastemp”. Realmente o desempenho de seus produtos são invejáveis, duram anos e anos sem o menor problema, quando solicitei, a assistência técnica foi precisa e competente, além dos produtos terem um design moderno e inovador, realmente não basta apenas a promessa, tem que ser “assim uma Brastemp”.

A herança de marca vai além da relação compra/consumo, tem sentimento envolvido, pois são marcas que sua mãe e/ou avó usavam para fazer a sua comida, deixar a casa bonita e limpinha, remetem a infância e afinal “os homens são o que as mães fazem deles.” Ralph Emerson, escritor, filósofo e poeta.

Nesta edição resolvi escrever sobre duas paixões Branding e Gestão do Design e qual a relação destes dois temas para a consolidação da promessa de valor de uma marca no mercado. Então começo por tentar responder a pergunta:

Qual é a relação do branding com gestão do design?

A excelência da gestão do design está em se apropriar do design para construir valor de marca e inovação competitiva para os negócios.

starbucks_iemanja1Os elos entre design e marca não se limitam ao design gráfico, ao logotipo e ao signo. O design penetra em todos os elementos do valor da marca: missão (razão de ser da empresa), promessa (ao iniciar um novo negócio, toda marca promete algo), posicionamento (qual a imagem que a empresa ou produto quer passar), expressão (identidade), notoriedade (como que ser lembrada) e qualidade. Há design gráfico no nome e no símbolo da marca (Cacau Show), design de produto no desempenho do produto (Brastemp), design de embalagem no ponto de promoção (Bauducco) e design ambiental no ambiente de loja (Natura). Logos como Starbucks, Apple, Nestlé, oferecem a essência ou visão de marca. No mercado global, as expressões dos símbolos visuais têm hoje uma significância que vai além do nome.

Construir um diferencial competitivo num cenário de concorrência globalizada tem sido o grande desafio do setor produtivo brasileiro e global. Uma das ferramentas que contribui fortemente para tanto é o design. Nos mercados globalizados ele funciona como critério de qualidade e de identidade. Os consumidores compram os produtos por suas características especiais, que atendam seus desejos individuais. A forma-design torna-se um estímulo para o comportamento.  A marca, a imagem da empresa, por exemplo, o alto nível de desenvolvimento, a inteligência dos produtos, o design diferenciado, a proteção ao meio ambiente, a transparência sobre a origem da matéria prima utilizada, a qualidade, a durabilidade, a relação custo e funcionalidade, os serviços adicionais oferecidos, tudo isto influência na decisão de compra de uma marca.

Marca e Marketing: Diferenciação competitiva por meio do design.

“A essência do marketing é,sem dúvida, a arte de construir grandes marcas.” Philip Kotler

O marketing tem como missão atender necessidades e desejos dos consumidores. O design trabalha para identificar essas necessidades ou modificar as percepções de valor dos consumidores. Os dois juntos constroem diferencial competitivo para a Marca.  Segundo Borja de Mozota (2011), primeira pesquisadora a escrever um livro sobre Gestão do Design, afirma: “Para oferecer produtos que atendam os desejos dos consumidores as empresas pesquisam as tendências e o estilo de vida, investem muito recursos na pesquisa de mercado e de marketing, no desenvolvimento de novos produtos, introduzem o controle de qualidade e a gestão do design. Para conseguir preços competitivos as empresas investem em automatização dos processos e em estruturas de administração mais eficientes, melhoram as estratégias de comunicação, se preocupam com o meio ambiente desenvolvendo ‘ciclos fechados’ de produção, considerando a vida inteira do produto, buscando desta forma o certificado de proteção e meio ambiente”.

rsz_naturaA Gestão do Design é responsável por criar e implantar uma cultura empresarial que afeta positivamente a imagem de uma marca, seja nos seus produtos e serviços oferecidos no mercado, tornando-se, por consequência, principal ferramenta para atender as necessidades dos consumidores. O design é uma atividade profissional que pode ser praticada em diferentes disciplinas, tais como: o design gráfico, design de produtos, design de interiores, design de embalagens e design para a WEB.

Mais que desenho, projeto, arte criativa ou qualidade estética, o design passou a ser considerada uma fonte de vantagem competitiva, por ser capaz de definir decisões de compra, seja pela emoção provocada ou pela materialização de valor percebido. As empresas que percebem a importância do design neste processo, atualmente, têm dedicado parte considerável de sua gestão de marca (branding) na identificação e atendimento de necessidades e aspirações não articuladas de seu público, que deixa de ser tratado como consumidor, para ser considerado um cliente.

A gestão do design, seja no âmbito da indústria, do comércio ou de serviços, é uma atividade relativamente nova. A nova economia, as transformações de mercado decorrentes desta e mudanças no comportamento do usuário têm sugerido, de forma mais clara, que o processo de criação e gestão da marca, partindo do planejamento, realização e comercialização de produtos industriais, assim como de oferta de produtos e serviços no ponto de venda, mereçam a atenção de um gestor com visão estratégica do Branding & Gestão do Design.

Construir uma marca é criar diferença na mente e no coração do seu público-alvo. Portanto, a gestão do design tem como missão coordenar uma política de design com o objetivo de comunicar valores e filosofia da empresa para o mercado. Coordenar os produtos e também suas comunicações, ambientes e serviços, através de marcas registradas, embalagens, interiores de lojas, sinalizações, papéis administrativos, websites na internet, uniformes, frotas e em qualquer elemento que a empresa estabelecer uma interface com o seu ambiente de atuação.

Os benefícios com a implantação de um programa de gestão do design numa empresa são de agregar valor, desenvolvendo marcas, produtos e serviços personalizados que atendam as necessidades do público-alvo e as empresas que perceberem que a promessa resulta no valor de sua marca e que o papel crucial do design é desempenhar a integração de experiências de produto e de marca, irá criar vantagem competitiva.

Agora fica a minha pergunta final ”Esses temas são ou não apaixonantes para os negócios?”.

 

Referências:

MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa. Editora: Bookman, 2011

AURIANI, Marcia e MALAGUTTI, Cyntia. Gestão do Design. Editora Belas Artes, 2008

pipoca

Você já ouviu falar no pipoqueiro Valdir? Provavelmente, sim. Mas, se não ouviu, irei apresentá-lo agora.

Valdir é um pipoqueiro de Curitiba, bem famoso na região, que agregou diversos “itens” ao seu trabalho e fez com que, o que deveria ser apenas mais um carrinho de pipoca pelas ruas, se transformasse em símbolo de credibilidade, confiança e simpatia.

Se procurarmos pelo nome dele no Google, iremos achar diversos vídeos e matérias sobre o trabalho que faz, destacando, principalmente, o lado empreendedor.

De fato, podemos dizer que ele criou elementos jamais vistos nesse segmento. Porém, o que quero destacar aqui, mais do que o lado empreendedor dele, é a capacidade de agregar valor – e diferenciais – ao seu negócio. Para mim, é um ótimo exemplo do branding na prática – ainda mais pela pouca estrutura e, talvez, pelo pouco conhecimento dele sobre essa área.

Em um dos vídeos, ele, em quase 6 minutos, fala sobre todas as ações implantadas no seu negócio, justificando, com propriedade, a importância de cada uma delas.

Primeiro, destaca a simpatia – receber o cliente com um sorriso no rosto, estar bem-humorado, ter respeito e, inclusive, mimar todo mundo que compra a sua pipoca. Sim, ele sabe que atendimento é um dos pontos cruciais para fazer o cliente pensar em voltar a comprar o produto dele. Nesse quesito, além de demonstrar essa simpatia, todo cliente recebe um “chorinho” da pipoca – você paga por um pacote, mas tem direito a “mais uma porçãozinha” como agrado! E qual cliente não vai gostar disso? Estamos falando de pipoca: aquele alimento que você quer sempre mais. Simples, não é?

Além disso, normalmente, quando compramos algum alimento na rua, tentamos não pensar muito nos cuidados de higiene que o local tem. E é aí que se instala um dos maiores diferenciais do negócio do Valdir. Ele preza, se preocupa e faz questão de mostrar que a higiene do carrinho é impecável. Como? Bom, vamos por partes – além do chorinho, o cliente ganha um kit higiene, embalado, que contém guardanapo, palito de dente e bala de menta, sem esquecer do álcool em gel, sempre à disposição dos fregueses. Mais uma vez, estamos falando de pipoca: aquele alimento que se come com a mão e que sempre deixa uma casquinha de milho no dente. Ou seja, o Valdir pensa no freguês antes, durante e depois de consumir o seu produto.

Para ajudar no processo de transparência, nesse kit há um “manualzinho” que explica todo o procedimento de higiene feito no carrinho.

É, mas não para por aí – todos os utensílios e também, a bancada onde ele armazena a pipoca, são desinfetados diariamente. Bem, ele poderia, simplesmente, falar que faz isso, mas, lembre-se, trata-se de um lugar que funciona ao ar livre, sem cozinha nos fundos – ou seja, está ali, para todo mundo ver. Tudo bem, talvez vocês digam que isso não seja mais do que a obrigação dele – e de qualquer pessoa que trabalhe com comida, mas vamos reconhecer o mérito pensando que, infelizmente, poucos levam essa obrigação a risca. E, se ainda não estiver bom, agora vem a melhor parte: o pipoqueiro Valdir tem um avental por dia de semana. Pensando em como conseguiria comprovar isso aos seus clientes, teve a fantástica ideia de… bordar o dia da semana em cada avental. Segunda-feira no avental de segunda, terça-feira no avental de terça, e assim por diante. Nas palavras dele, isso é feito “para que o cliente tenha a certeza de que o avental é trocado diariamente.”. Simples também, não é? E criativo. Além de necessário para o negócio.

E, como se não bastasse, os clientes recebem um cartão fidelidade, a cada cinco pacotes de pipoca, um é de graça. Isso mesmo, o Valdir tem ação de relacionamento com o seu público! Além disso, ele também quer poder divulgar o seu negócio não só nas ruas, mas na internet. E, por isso, tem site, Facebook e Twitter.

Como qualquer bom negócio, a pipoca do Valdir também tem os elementos de bastidores, aqueles que a gente não vê acontecendo, mas que fazem a diferença no resultado do trabalho. De acordo com suas próprias palavras, a saúde do freguês precisa estar em primeiro lugar e, pensando nisso, mudou o óleo de soja por óleo de girassol e de canola, que são mais saudáveis. O milho que ele usa é argentino, que deixa a pipoca maior, mais macia e com menos casquinha.

Se você está se perguntando sobre o preço da pipoca, bom, de acordo com o próprio Valdir, “o cliente tem qualidade e paga o mesmo preço”, o que me leva a acreditar que os valores dele não devam ser distantes do que a concorrência cobra.

Mas o que mais me chamou a atenção foi quando ele disse que poderia utilizar o carrinho como espaço de vendas para outros produtos – como doces, amendoins, entre outros, já que essa é uma prática muito utilizada por seus concorrentes. Porém, ele “só” vende pipoca por (mais um) simples motivo: ele quer foco. Quer ser reconhecido como “o melhor pipoqueiro”. Sim, ele quer ter um posicionamento. Não quer ser o carrinho das guloseimas, não quer que as pessoas digam “vamos comprar amendoim doce naquele carrinho de pipoca” – ele quer que as pessoas lembrem-se dele e cheguem até ele por uma única vontade: a de comer pipoca. E a de comer a pipoca que ele oferece.

E, vale ressaltar, essas iniciativas estão dando resultado – prova disso é que, a cada mês, ele destina 30% da renda líquida para investir no negócio: padrão de higiene, ingredientes de qualidade, aventais diários e também, a inclusão de máquina de cartão, além da possibilidade de emitir nota fiscal ao cliente. Sem falar nos convites para palestrar sobre o seu negócio, em outras cidades e para grandes empresários.

Todos esses fatores mostram que a pipoca do Valdir tem diferenciais suficientes para que você se sinta atraído a conhecer, experimentar e indicar para o amigo. E é a prática dessas ações que faz com que aquilo que seria apenas uma commodity se transforme em uma marca diferenciada, tornando-se referência no mercado.

Agora… quem aí não está morrendo de vontade de comer pipoca, hein? Ah, se o Valdir tivesse uma filial em São Paulo…

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Tânia d’Ávila

Graduada em Relações Públicas pela FAAP e pós-graduada em Marketing pelo Mackenzie, cursou Docência com foco em Metodologia de Ensino Superior e Pesquisa pela FGV. É apaixonada pelo mundo das marcas e defende a forte relação existente entre Branding e RP. Interessada em disseminar conhecimento, em um futuro próximo quer ser chamada de professora.

img_artigo 6_b2Eu costumo brincar que, se tomando cerveja quente os egípcios construíram as pirâmides, imagine o que eles fariam se ela estivesse gelada? Brincadeiras à parte, uma das horas mais esperadas pela maioria é a cervejinha gelada do happy hour de sexta, não?

Existem milhares de marcas de cerveja pelo mundo. No Brasil, a marca mais lembrada é de uma cerveja e cada um de nós tem a sua preferida. Uns gostam da que desce redondo, outros têm orgulho de ser “brahmeiros”, tem aqueles que gostam da 100%, os que gostam de ser originais, aqueles que gostam de uma sacanagem, e por ai vai. Sem falar que nos últimos anos houve no País uma invasão de rótulos importados dos mais diversos sabores.

Neste mercado tão concorrido, se existe uma marca idolatrada, que conseguiu transformar seus produtos em um objeto de desejo, que seus consumidores se orgulham de consumir e pagam mais caro por isso é a Stella Artois, ou a “Stellinha”, como já é carinhosamente conhecida nacionalmente. Com um posicionamento tão bem definido e de fazer inveja a muitos vinhos dos quais uma garrafa custa na casa de até cinco dígitos, a Stella Artois está entre as 10 melhores cervejas preferidas do mundo.

Com uma tradição de mais de 600 anos (foi criada em 1366 em Leuven na Bélgica), essa cerveja sempre foi consumida por um público diferenciado, principalmente a partir de 1425, quando uma universidade se instalou na cidade e seus estudantes passaram a realizar pesquisas para aprimorar sua produção. Mas a marca Stella Artois só surgiu em 1926, com uma edição especial de Natal, mais clara, que conquistou os paladares mais requintados da época e tornou-se símbolo da Bélgica.  A partir daí, conquistou toda a Europa.

Em minha opinião, o culto e a valorização da marca são os princípios das campanhas da Stella Artois. A cerveja é um líquido sagrado, do qual não se pode desperdiçar nada. Seu tradicional cálice é o Santo Graal e se deve seguir à risca um ritual para servi-la.

Um conceito forte, simples e arrebatador: ao consumi-la, o prazer vai muito além de degustar uma cerveja; ele está, sim, em poder beber uma Stella Artois. A manutenção deste conceito por tantos anos faz ele ser uma das cervejas mais cultuadas do mundo.  A marca foi construída de uma maneira tão integrada ao longo dos tempos, que hoje eles podem ser pretensiosos ao ponto de adequarem o momento cultural ao seu posicionamento e, mesmo assim, permanecerem simpáticos com seu público-alvo.

Basta dar uma olhada em suas últimas campanhas para perceber a grau de sofisticação da marca. Podemos substituir a cerveja por um relógio Cartier ou um perfume Armani que não veremos diferença, tamanha a força de seu posicionamento.

O que chamar a atenção é que apenas de alguns anos para cá, outras marcas começaram a perceber que o posicionamento de seus produtos tem que ser bem definido para a manutenção de seus mercados e que o apelo da mulher gostosa já não é atrativo suficiente para se destacar neste segmento. O mercado mudou. Mas a maioria das marcas não acompanhou esta mudança.

stand

Em julho de 2012, sim já se passou mais de um ano, eu fui impactada por uma ação que a marca Bom Ar Air Wick promoveu no shopping Eldorado em São Paulo. Foi uma experiência tão marcante que acredito ser importante compartilhar aqui depois de tanto tempo.

Na época a Air Wick estava lançando uma nova linha de produtos para casa, a Home Perfume Collection e um comercial para promover os três produtos da linha: Soft Perfume, Difusor e Elétrico Liquido. Para ficar claro a ação é importante relembrarmos o comercial.

Para demonstrar as fragrâncias através do comercial, a empresa utilizou-se de um recurso de cores, afinal não conseguimos passar o cheiro através de nossas TVs, certo? Mas ai que estava a grande sacada da ação, a marca criou um brand experience no Shopping Eldorado que conversava com a campanha que estava em veiculação. E como funcionava?

Foi montado um stand no hall de entrada do Shopping, uma espécie de casa, onde o consumidor entrava e vivia a experiência. No momento em que entrei na sala vi um ambiente todo branco sem móveis, mas após alguns segundos começava o espetáculo. Uma narração comentava vários estilos de mulheres, exemplo: “Você que gosta de liberdade, viaja para o campo, é aventureira criamos o Soft Perfume que como você…” Neste momento o ambiente todo mudava através de uma projeção mapeada e você via exatamente o seu perfil ser montado naquela sala, após falar do perfil, as luzes focavam no produto em um ponto da sala e a fragrância saia através das luzes brilhantes, como no comercial veiculado na TV. Abaixo você pode conferir como era a dinâmica da sala.

Com essa junção de som, imagens e experiência a empresa apresentava os três produtos da linha e a sensação que eu tive quando sai foi: UAU, criaram um produto com a minha personalidade e agora posso deixar a minha casa com a minha cara. Que máximo! – Minha experiência foi SEN-SA-CIO-NAL! Quando o espetáculo acabou, sai por uma porta a frente, as consultoras apresentavam as fragrâncias disponíveis para cada produto e você poderia levar amostras para casa.

Analise da Ação:

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  • Conceito integrado: O slogan da marca é “Surpreenda-se com novos ares” e realmente esta ação surpreendeu as pessoas que a vivenciaram.
  • Gerar valor através da emoção: A sensação de ser especial para a empresa, de criar um produto com a minha personalidade, gerou o valor agregado.
  • A surpresa: como disse no item ‘conceito integrado’, nunca eu iria imaginar que a sala se transformaria de acordo com o produto apresentado, é a experiência dos efeitos visuais utilizados na TV, ao vivo, como se eu estivesse dentro do comercial.
  • Visão, audição e olfato juntos: a junção foi perfeita, além de entender os tipos de produtos, pude experimentá-los e ainda levar um presentinho para minha casa.

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Uma ação criativa e inovadora, com certeza!

Agência responsável pela ação: Marketing House
Produtora da projeção mapeada: 5D Experience

A tecnologia utilizada nesta ação é chamada de Projeção Mapeada.

Obs. Hoje a linha Home Perfume Collection conta com mais dois produtos: Velas aromatizadas e velas aromatizadas que mudam de cor. www.airwick.com.br

Já falamos em um artigo anterior do Felipe sobre um mito que virou marca no basquete mundial, Michael Jordan (http://ibranding.tk/1czK3IB) e agora vou falar de outro mito que se tornou uma marca de sucesso.

O jamaicano Usain Bolt, quem não o conhece? Homem mais rápido do mundo, detentor de records em cima de records, como o dos 100m e 200m rasos mundiais, e no revezamento 4x100m, 6 medalhas de ouro em 2 olimpíadas que participou, maior vencedor do campeonato mundial de atletismo, recentemente conquistado na Rússia, superando grandes nomes da modalidade como Michael Johnson e Carl Lewis, ambos americanos.

O que o torna uma marca de sucesso? Bolt é um cara irreverente, chama atenção por onde passa com seus 1,96m, simpático, sorridente, de personalidade marcante, carismático conversa com todos da imprensa, um verdadeiro show man. E quem nunca imitou a sua pose depois de suas vitórias?

Bolt e sua pose
Bolt e sua pose

Aliado a PUMA, seus produtos são sucesso de vendas, alavancou um terceiro lugar em vendas de produtos de atletismo para a mesma. Outras marcas também usam do seu estilo para se promover (Visa, Nissan, Virgin, Westfield e a própria Jamaica, que se tornou grande potência no atletismo), ano passado ele foi listado como o atleta com melhor potencial mercadológico com forte apelo publicitário, levando em consideração quesitos como exposição na mídia, desempenho e imagem. Após suas conquistas neste último mundial, Usain elevou ainda mais o seu cachê, que, de acordo com os cálculos, está em U$3.000,00 por metro percorrido e isso pode aumentar ainda mais dependendo dos concorrentes.

Seus rendimentos já ultrapassam de 20 milhões de dólares anuais, nada mal comparado aos 1 milhão de dólares dos outros atletas de atletismo, e ele não pensa em parar, já visa os jogos olímpicos do Rio e tornar-se o maior medalhista olímpico da história. E quem dúvida dessa lenda? Há um limite para ele?

Ele mesmo pode responder:

“ Sempre há limites. Eu não conheço os meus.”

Usain Bolt