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Estratégia: o elo entre branding, design e inovação

Ultimamente o termo “estratégia” tem sido amplamente utilizado nas empresas e no meio acadêmico: estratégia de mídias sociais, estratégia de implementação, estratégia de vendas, design estratégico, estratégia de marketing e assim por diante. Mas será que o seu significado é amplamente compreendido e, principalmente, aplicado no dia a dia das áreas relacionadas e de seus profissionais? Seja como for, essa tendência evidencia a importância da estratégia para o funcionamento do mercado, seja pelo reconhecimento de sua aplicação bem-sucedida ou pela expectativa que gera para aqueles que aspiram modificar a forma de executar as tarefas relativas a seu trabalho.

Ao pegar o dicionário e buscar esse termo, você vai se deparar com definições que fazem referência a incursões militares e busca por vantagens em cenários de guerra e, de maneira mais próxima da nossa realidade, meios que permitem explorar certas condições para alcançar objetivos específicos. E é deste segundo caminho que vamos falar a seguir, pois é ele que conduz a ampla abordagem da estratégia em instituições de referência no mundo dos negócios, seja na área acadêmica ou no mundo empresarial.

Estratégia é a maneira pela qual podemos traçar linhas de ação para conquistar objetivos pré-determinados. Não é o fim, é o meio, envolvendo as capacidades de quem a executa bem como as ações que são tomadas.

Para que a estratégia aconteça, é necessário que haja um entendimento do contexto, mais especificamente o reconhecimento de “onde se está” e de “aonde se quer chegar”, uma vez que, para que planos de ações sejam traçados e coordenados, a necessidade de direcionamento é implícita.

Nesse sentido a estratégia é um elemento comum para o branding e para o design, atividades que andam juntas para gerar diferenciação e vantagens competitivas e cuja execução demanda:

Contextualização:

Entender o ambiente interno e externo à empresa, bem como a maneira como esses dois mundos se relacionam, considerando seus agentes, suas demandas e suas entregas.

Planejamento:

Definição do passo a passo para alcançar o objetivo, definindo prioridades, possibilidades, prazo, orçamento e alternativas para possíveis problemas de percurso.

Pensamento lógico:

Entender quis atividades são envolvidas no processo de execução e qual a relação de interdependência entre elas, buscando organizá-las e executá-las de maneira a otimizar recursos e evitar retrabalhos.

Capacidade analítica constante:

Pensar sobre o processo e repercussão que o projeto gera no ambiente, reconhecendo o que foi bem-sucedido, entendendo e desenvolvendo aquilo que precisa ser aperfeiçoado e aprendendo com o erro, de forma a perseguir a melhoria constante.

O branding enquanto atividade de construção e gestão de marcas traz o entendimento de todas as atividades que se relacionam para que a empresa entregue valor para seus consumidores e as direciona em uma única direção, de modo a construir uma identidade e posicionar a marca no mercado com eficiência, possibilitando a identificação das vantagens que ela proporciona e diferenciando-a de propostas que, à primeira vista, podem parecer semelhantes.

A sustentação do branding encontra-se no propósito, conceito que reúne tudo o que a marca é, representa e almeja, proporcionando uma linha condutora de ações capaz de otimizar decisões e garantir a percepção de integridade e coerência, consolidando a identidade da marca em longo prazo.

Assim como o branding, o design também se relaciona com o conceito de estratégia, no sentido em que sua existência atende a objetivos traçados. Em sua análise sobre a etimologia da palavra “Design”, Mozota (2001, p. 15-16) ressalta que dois significados podem coexistir, o de intenção e o de desenho, o que sugere duas frentes: a de planejamento e a de execução.

Assim, o design, seja de produto, visual, de moda ou de ambientes, incorpora em si a percepção de uma necessidade e a execução de um projeto que a atenda plenamente, transmitindo uma mensagem e consolidando uma ideia.

Juntos, branding e design são atividades que exercem grande impacto em um mercado em que produzir um produto ou oferecer um serviço já não é mais suficiente para atender a demanda dos consumidores.

Uma empresa que se oriente pela visão do branding somada ao design tem em suas mãos grandes chances de se posicionar de maneira diferenciada da sua concorrência, podendo construir e gerenciar uma imagem que desperte no consumidor a vontade de pertencer e se relacionar, uma vez que cada ação é pensada para entregar uma promessa, e afastar a empresa da ideia de “apenas mais uma exercendo o mesmo papel”.

Ao falar de branding e design relacionados à gestão de uma empresa é inevitável abordar o tema da inovação, conceito que demanda uma estratégia orientada para a desconstrução e reordenação do que já se faz e daquilo que já se domina, de forma a sair da zona de conforto e possibilitar o novo.

O conceito de inovação vai além de oferecer algo puramente novo, embora isso também seja inovação, mas com a ideia de olhar as coisas de outra maneira, estabelecer relações e reordená-las para gerar novas ideias, aplicando-as e possibilitando resultados.

É por isso que junto com branding e design se relaciona com estratégia, na perspectiva em que define o modelo de gestão da empresa, alinhando se ao seu propósito e sustentando a construção da marca, que traduzirá para o mercado o posicionamento que a empresa busca estabelecer no mercado, processo no qual o design exerce importante papel ao organizar, padronizar e tornar o conceito atrativo e pregnante para os olhos, mentes e corações.

Sem essa percepção não existe diferenciação e consolidação de conceitos que atraiam a atenção e preferência dos consumidores que, frente ao avalanche de ofertas, buscam aquelas que mais agregam valor e facilitam suas vidas, o que vai na direção inversa da acomodação.

Por isso, quem busca empreender uma ideia, seja dentro ou fora de uma organização, precisa se dedicar a conhecer o conceito e aplicação da estratégia que, relacionando-se com os parâmetros do branding, design e inovação possibilita que a marca seja “A” marca e não apenas “UMA” marca.

Referência:

MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

 

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