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Eventos: ferramenta estratégica das relações públicas

“Ah, então você faz evento!” – Qual Relações Públicas, ao ser questionado sobre sua profissão, nunca ouviu essa frase? Algumas vezes, em tom de brincadeira; outras, em tom sério. Mas, independente da intenção, o fato é que a profissão de Relações Públicas é mesmo estereotipada por “fazer eventos”.

Mas, afinal, até que ponto isso faz sentido? E por que RP é tão relacionada à área de eventos?

Relações Públicas, dentro de uma empresa, é a área responsável por se relacionar com os mais diversos públicos de uma marca – internos, mistos e externos – que vão dos colaboradores, familiares dos colaboradores, fornecedores, investidores, imprensa, comunidade e, claro, consumidores e clientes (entre muitos outros).

Dessa forma, sabendo que Relações Públicas é relacionamento, é importante – e necessário – que haja uma comunicação específica e direcionada a cada um desses públicos, o que implica na escolha de linguagem, conteúdo e canal adequado para que a mensagem transmitida possa ser compreendida. O objetivo? Fazer com que os stakeholders conheçam, aproximem-se e se sintam parte da marca. Vistam a camisa, saibam como a empresa funciona e tenham, cada vez mais, um relacionamento de fidelização. E isso só acontece se a marca apresentar uma conduta ética e transparente, demonstrando respeito e munindo com o máximo de informação todos que a cercam.

Bom, aí vem a pergunta: e eventos, onde ficam? Se dentro de uma estratégia de comunicação for identificado que, para se relacionar com determinado público, o melhor canal for eventos, então, pode considerar que esta é uma ferramenta de Relações Públicas. É importante entender que, quando se fala em função estratégica, automaticamente se pensa em metas e objetivos pré-estabelecidos, ou seja, nesse caso, a marca pretende, com o evento, alcançar um resultado e transmitir uma mensagem ao público-alvo.

Se estivermos falando do público interno, podemos citar, como alguns recursos de comunicação, a intranet, o mural, o jornal interno, festas de confraternização no final do ano, de comemoração por alguma conquista da empresa ou de celebração dos aniversariantes do mês. O mesmo vale para o público externo que, dependendo da necessidade, pode ser comunicado de forma massiva ou de forma direta. Considerando uma comunicação segmentada, dentre muitas ferramentas disponíveis, optar por organizar um evento é uma opção. Além dos mais tradicionais, como congressos, conferências, simpósios etc., pode ser viável e coerente que a marca organize um evento de grande porte para o seu público.

skolComo exemplo, pode-se citar o Skol Sensation, que surgiu a partir de uma ação estratégica da Skol e atinge milhares de jovens – público principal da marca. Além dele próprio já servir para que haja relacionamento com seus stakeholders, ainda há ações inseridas para promover a marca, criando experiências positivas com o intuito de fidelizar o público. Além disso, proporciona uma enorme visibilidade à Skol na imprensa. Dessa forma, tem-se, em uma ação, entretenimento, informação, relacionamento e divulgação.

Então, qual é a diferença entre o Skol Sensation e uma balada? Bom, como já dito anteriormente, o Skol Sensation não é um negócio. É um canal de comunicação. Isso significa que ele não existiria se a marca Skol não existisse.  Além disso, é um evento sazonal – sua frequência, logicamente, é estratégica. Enquanto isso, uma balada é o próprio negócio do dono dela. Não é uma ferramenta de comunicação, pois não é endossada por nenhuma marca – ela é a sua própria marca e, sendo a sua própria marca, possui seus públicos internos, mistos e externos e, portanto, pode pensar em formas estratégicas de se comunicar com eles, passando a ter, nesse caso, um profissional de Relações Públicas para comandar esse relacionamento, não sendo, necessariamente, feito por meio de eventos.

Então, conclui-se que há uma grande diferença entre evento como função estratégica de uma marca – seja voltado ao público interno ou externo – e eventos que caracterizam baladas, festas ou shows não endossados por uma marca. Dessa forma, definir a profissão de Relações Públicas como “aquela que faz festas” é um grande erro, uma vez que a profissão tem variadas funções e ferramentas ao seu dispor, visando, sempre, o relacionamento com os diversos públicos, estabelecendo, da maneira mais coerente possível, uma comunicação clara e transparente que retrate os valores e princípios da empresa, prezando – e preservando – pela reputação da marca.

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Tânia d’Ávila

Graduada em Relações Públicas pela FAAP e pós-graduada em Marketing pelo Mackenzie, cursou Docência com foco em Metodologia de Ensino Superior e Pesquisa pela FGV. É apaixonada pelo mundo das marcas e defende a forte relação existente entre Branding e RP. Interessada em disseminar conhecimento, em um futuro próximo quer ser chamada de professora.

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