A história da marca

Você sabe o que é marca? Existem milhares de definições no mercado e mais divulgada é a da American Marketing Association (AMA) que defende que marca é um nome, termo, sinal, símbolo ou combinação dos mesmos, que tem o propósito de IDENTIFICAR bens ou serviços de um vendedor ou grupo de vendedores e de DIFERENCIÁ-LOS dos concorrentes.

Definição complicada, né? Se não, muito grande… e, no meu ponto de vista, incompleta! Por isso, eu acredito que é mais interessante contar uma história do que apoiar algo.

Diz a lenda que o termo marca, em inglês BRAND, veio do verbo marcar, em inglês TO BRAND, que era o que os fazendeiros faziam para identificar seus gados. Pode parecer conversa para boi dormir, mas faz sentido.

Quando o ser humano sentiu a necessidade de negociar, o modelo econômico tomado pela sociedade foi o escambo. Um sistema de troca de mercadorias sem equivalência de valor, pois tudo era commodity (produtos de origem primária) e/ou artesanato (resultado de um trabalho manual com esses produtos). Mas no fim da Idade Média, alguns produtos começaram a ser mais procurados e se tornaram algo como uma moeda, entre eles o gado, e, com isso, os produtores passaram a ter a necessidade de sinalizar propriedade.

Então até aqui, marca era propriedade.

Depois, na sociedade moderna, o mundo se globalizou e os países passaram a se envolver uns com os outros por meio de relações comerciais que foram se expandindo dando início, entre outas coisas, ao capitalismo. As relações de trabalho passaram a existir, os trabalhadores tinham salários (!), o capital passou a ser acumulado em grandes produções e a Revolução Industrial estourou.  Com isso, o artesanato cedeu lugar aos produtos industrializados, que agora eram vendidos e, nesse ponto, não bastava apenas indicar propriedade, os produtores passaram a ter a necessidade de identificar os seus produtos.

Nesse momento, marca virou identificação.

Já na sociedade pós-moderna o capitalismo se consolidou, muitos produtos e serviços similares passaram a coexistir, muitas empresas nasceram, para produzir, para estocar, para transportar, para vender, para tudo, e a competição fez surgirem novas estratégias de comunicação (com muitos elementos por mensagem) e novos canais de mídia, tudo virou suporte a sociedade foi midiatizada e, nesse ponto, os produtores sentiram a necessidade de se diferenciar.

Aqui, marca era diferencial.

Hoje, na era da revolução digital, a globalização cedeu lugar ao pluralismo, temos novos grupos (pequenos ou não) surgindo e influenciando toda a sociedade, novas famílias (fora do modelo padrão: papai, mamãe, filhinho) se estruturando e mudando as relações, novos canais de comunicação e, com tudo isso, sofremos muito mais influência e influenciamos muito mais. Antes a comunicação entre empresa e consumidor era uma via de mão única (empresa > mensagem > consumidor) e hoje se tornou uma via de mão dupla (empresa > mensagem < consumidor), com empresas que passaram a ser vistas como pessoas, que interagem, conversam, têm um propósito e são muito mais expostas.

Por isso, marca virou promessa. E quebrar promessa é pecado!

 

Eric Miranda

É Pós-graduado em Gestão de Marcas e Branding pela Business School São Paulo e graduado em Design pela Faculdades Oswaldo Cruz. Trabalha como analista de comunicação na Serasa Experian, onde desenvolve materiais para campanhas de incentivo, eventos, feiras e convenções, faz gestão de clientes e fornecedores, e atendimento. Interessado por consumo de alto padrão, design da mobilidade, cultura, gastronomia e música.

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