Logotipo não é branding, por favor!

O título desse artigo é um desabafo. Isso mesmo: não aguento mais ouvir profissionais da área de Marketing e Comunicação falando besteira. Não estou falando dos designers, mas dos gestores, diretores das empresas e agências. Vou resumir as diferenças, porque o objetivo desse artigo não é apenas esclarecer:é plantar uma semente a respeito da importância de construir e gerir uma marca.

Logotipo é apenas um desenho gráfico que identifica a sua empresa ou produto. O logo é uma parte da identidade visual da marca. Um elemento muito importante, mas não único.

O branding é o ato de gerir uma marca. Não se trata apenas de uma atividade ou um projeto: é uma postura empresarial, uma filosofia de trabalho que utiliza conceitos de marketing, design, administração, arquitetura, antropologia, psicologia e propaganda para comunicar um universo de valores que representem o seu negócio. O principal objetivo de um trabalho nessa área é atrair consumidores para sua marca, buscando diferenciais e criando valor através de experiências.

E a marca?

A marca é o seu logotipo, a sua fachada, o sorriso do seu vendedor, a forma que você trata seus funcionários, a maneira que você escolhe um fornecedor, o seu cartão de visitas, a embalagem do seu produto… a marca está em todo lugar, dentro e fora das empresas. Quando você enfatiza tudo isso numa estratégia de branding, a marca fica guardada na mente e no coração das pessoas. Segundo estudos, 75% das decisões de compras são baseadas em memórias ou emoções.

Pequenos negócios também precisam de branding. Entendo que a maturidade de investimento já é outra questão, por isso estou escrevendo artigos como este para reforçar a importância dessa “filosofia”. Antes de investir, o empresário precisa pensar e agir como uma Marca.

Já ouvi muitas pessoas dizendo “A empresa que eu trabalho ou o meu negócio não precisam de branding”.Eu sempre respondi fazendo uma pergunta: “Seu negócio tem concorrente?”. Todas as pessoas com quem tive essa conversa afirmaram que sim, e a minha conclusão foi bem objetiva: “Onde tem concorrência, há necessidade de branding”.Simples assim.

Se a sua marca já está no mercado, ela precisa se comunicar com o seu público. Com o trabalho de branding bem elaborado, sua marca vai se comunicar com clareza e conquistar diversos benefícios: Preservar a sua identidade, demonstrar a sua personalidade, potencializar o seu diferencial e com isso agregar mais valor para o seu público.

O branding também não é Marketing: eles se complementam. O Marketing identifica necessidades e desejos que não foram realizados, olhando para o negócio/mercado.

Por isso, amigos empresários, um logotipo bonitinho sem nenhuma gestão de branding não vai ajudar a sua empresa. Uma marca se constrói com experiências de todos os públicos que se relacionem com ela: público interno, clientes, fornecedores, parceiros… os chamados stakeholders.

Mas André, um logo bonito não vai me ajudar? Sim, apenas na sua imagem inicial. Tenham um logo bonito, mas pensem nas estratégias que podem alcançar os principais objetivos do seu negócio. Vivam como uma MARCA, descubram o seu real propósito de existir, sejam verdadeiros com os seus clientes, entreguem tudo o que estão prometendo e com isso já estarão praticando branding.

2 - Andre Luis CorreaAndré Luis Corrêa

Sócio/Fundador e Diretor de Criação na Agência INSANE Marketing e Comunicação, idealizador do projeto AZ Das Marcas. Publicitário, designer estrategista de marcas, pós-graduando em Comunicação Empresarial pela Universidade Metodista. Atual vice-presidente de Comunicação da AACP (Associação das Agências de Comunicação e Publicidade do ABC). Amante e estudioso pela construção/gestão de marcas, André possui diversos cursos de especialização focados em Branding e Design pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e Belas Artes. Blog / InstagramAZ das Marcas

2 comentários

  1. Jéssica Volpato

    Olá André, concordo com tudo que você disse porque vivenciei essas situações…o meu ultimo projeto foi sobre branding sensorial cujo objetivo era analisar como as marcas podem utilizar outros sentidos além da visão e audição para se tornarem top of mind dos consumidores finais e impactarem o brand equity. Durante a minha pesquisa, antes de escolher uma marca específica para analisar eu conversei com diversos “representantes”, desde criadores da própria marca, direção, gestores, pessoal de Mkt… e a reação deles quando eu perguntava se haviam outras formas sensoriais de chegar ao consumidor final… era quase um “dã temos o logotipo e a logomarca” como se fosse suficiente… e tentar explicar para eles que isso era igual a uma tatuagem sem história… um figura bonita mas sem sentido… era quase um martírio… infelizmente branding ainda se mantém muito na teoria por ser um trabalho muito mais intelectual do que tools como outras áreas da empresa.

    • André Luis Corrêa

      Oi Jéssica, concordo com você! Diariamente encontramos os “mesmos problemas”. O nosso grande desafio é simplificar o tema, além de mostrar como o branding pode gerar benefícios para todas as empresas. Infelizmente os empreendedores brasileiros são muito “imediatistas” e não enxergam ações a longo prazo… por isso, vamos continuar propagando as informações para contribuir com evolução dessa galera.

      Se quiser conversar mais sobre os temas, só buscar no face ou insta: André Luis Corrêa. Obrigado pelo retorno e sucesso! 😉

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