Ecofrotas, Method, Greenpeace, Natura e Timberland. O que essas marcas têm em comum?

São marcas nativas, ou seja, elas nasceram sob o alicerce sustentável, gerenciam seus processos com base em estratégias socioambientais. Pioneiras no segmento e no mercado que atuam, notaram uma real preocupação de bilhões de consumidores e hoje vislumbram de uma imagem positiva perante a sociedade e de milhões de dólares em lucro. Além disso, essas empresas criaram uma nova dimensão da personalidade de marca.

Jennifer Aaker criou as cinco dimensões da personalidade da marca, ações que visam inspirar a paixão do consumidor por uma marca específica. São elas sinceridade, entusiasmo, competência, sofisticação e robustez. Assim sendo, sustentabilidade passa a ser a sexta dimensão, já faz parte do DNA das marcas nativas e deve ser incorporado na personalidade das marcas seguidoras, que desejam implementar a filosofia socioambiental na instituição.

 

Figura 1 – As seis dimensões da personalidade de uma marca

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Cada marca nativa tem feito sua parte, dentro do segmento que atua e dentro de suas possibilidades.

A Ecofrotas tem como compromisso reduzir o impacto ambiental, a emissão de gases poluentes e dar suporte no descarte de plásticos e pneus. Além de inúmeras certificações, a empresa transformou uma preocupação real em negocio e tem colhido os frutos, hoje ela é líder no mercado nacional em gestão sustentável de frotas e acaba de ser eleita a Empresa mais sustentável do Brasil pelo Guia Exame – Sustentabilidade 2013.

Figura 2 – Logotipo da Ecofrotas

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Para conseguir as mudanças que propõe, essas empresas estão tendo que educar os consumidores, seus colaboradores, seus fornecedores e a comunidade onde estão situadas, elas prezam pela sustentabilidade em todo processo que envolve seu produto e serviço.

Mas não só tendo que educar consumidores vivem as empresas, o cenário mercadológico hoje vive um patamar de grande maturidade, inúmeras marcas, inúmeros produtos, pessoas incrédulas para com a comunicação, a marca tendo que atender a filosofia de vida de seu público-alvo, marcas sendo uma representação do estilo de vida público que a usa. Sociedade consciente, pessoas que desejam produtos por fazerem bem a saúde, por não degradarem o meio ambiente, marcas que não terceirizam suas linhas de produção para fábricas que empregam mão de obra infantil, marcas que pensam no planeta.

Assim, em 1999, nasceu a marca californiana Method, quando dois amigos decidiram mudar seu comportamento e o dos outros. Resolveram transformar a limpeza doméstica de uma tarefa árdua e cansativa em algo divertido.

Criaram uma linha de produtos de limpeza e de cuidados pessoais que não agridem o meio ambiente e são seguros para a saúde dos lares e das pessoas.

Com produtos saudáveis, design inovador que alinha beleza e sustentabilidade, é uma marca que tem como público-alvo jovens conscientes que desejam resolver os problemas do mundo. A empresa usa mensagens divertidas e positivas para vender seus produtos.

Mas o principal propósito de produtos de limpeza é ser eficaz na hora de limpar, esse principio básico a Method consegue atender com muita propriedade, além disso, seus produtos economizam no uso de água e não são nocivos à natureza.

Os produtos da marca custam 30% mais que os concorrentes no mercado dos Estados Unidos da América, porém sua participação de mercado tem aumentado, a organização cresce 18% ao ano e fechou 2008 com mais de 100 milhões de dólares americanos de lucro, num cenário de crise econômica.

Na visão mercadológica, deve conciliar a filosofia da marca e o desempenho do produto ou serviço prestado, atendendo um alto padrão de qualidade. Mas como construir uma marca forte quando seu produto ou serviço é intangível?

O Greenpeace, uma organização que não vende um produto ou serviço específico, uma marca que vende um ideal, atitude em prol do meio ambiente. Atuante em mais de 30 países, só no Brasil conta com uma equipe de cerca de 70 membros, além de 250 voluntários, 47 mil colaboradores e 300 mil ciberativistas.

Em nosso país temos a Natura como marca pioneira em sustentabilidade, fundada em 1969, uma empresa de cosméticos movida pela promoção do bem-estar e das relações humanas como forma de expressão de vida.

Seus produtos e ideologia não seguiam as tendências do mercado na época, pois os princípios ativos de origem natural usados em seus produtos e o conceito de sustentabilidade não estavam em pauta e eram desconhecidos. Para se promover a instituição adotou o sistema de vendas diretas, nascia à consultoria Natura, que hoje representa mais de um milhão de consultoras no Brasil.

A marca foi se fortalecendo com o passar dos anos, sem abrir mão de sua ideologia, de produtos e embalagens saudáveis e envolvimento com o meio ambiente. A sustentabilidade entrou em cena no mercado financeiro e hoje a Natura é uma marca sólida, sinônimo de cosméticos no mercado nacional.

Segundo o relatório anual da consultoria de marcas britânica, Interbrand, a Natura ocupa a sexta posição de marcas mais valiosas do Brasil, com o valor de 7,308 bilhões de reais em 2012.

Mas uma marca que vem sendo referência de politicamente correta é a norte-americana Timberland, que em 1952 deixou de ser uma fabricante de sapatos e foi transformada em uma marca de esportes de aventura por Nathan Swartz.

Sua filosofia é aplicada por toda companhia, o CEO Jeffrey Swartz prega o bem estar com o meio ambiente, a comunidade e as pessoas. A empresa tem investido milhões de dólares americanos na redução da emissão de carbono e para minimizar o impacto ambiental, usa da energia eólica e outras fontes renováveis para abastecer seus centros de distribuições.

A instituição também adota uma séria consciência social, a empresa garante que seus produtos são produzidos de modo ético, eles têm um rígido código de conduta para garantir locais de trabalho seguros, limpos e não discriminatórios para seus 175 mil funcionários espalhados por 290 fábricas em 35 países.

A empresa apoia o trabalho voluntário, um período que seus funcionários estariam nos escritórios ou linha de produção, eles estão realizando serviços comunitários ou em prol da natureza.

Seus produtos são pensados para combinar estética e impacto mínimo, além de ser a marca pioneira em comunicações transparentes. Em 2006 a companhia colocou selos contendo informações sobre o meio ambiente em 30 milhões de caixas de sapato.

Figura 3 – Camiseta da Timberland feita com 100% de algodão orgânico

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Com sua ideologia, a Timberland em 2009 somou 1,3 bilhões de dólares americanos em vendas e tem como status líder ambiental no segmento de calçados e materiais esportivos.

É claro que nenhuma empresa pode ser considerada 100% sustentável – e essas empresas têm seus entraves ecológicos também -, mas acredito que o progresso feito por elas pode representar um modelo para as outras que seguem seus passos.Jacquelyn A. Ottman, As novas regras do marketing verde.

 

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