Mutual Marketing: a nova estratégia de branding da era digital

As mídias sociais despertam ações de buzz marketing, que surgem de maneira espontânea e produzem respostas que geram novos negócios para as empresas. Não quero arriscar lançar uma tendência, mas podemos constatar uma ação de marketing que já está acontecendo na prática e que, por ora, vou chamar de Business Mutual Marketing (B2M) ou Business Reciprocal Marketing (BRM).

O que assistimos em 2015 sobre o comentário do Silvio Santos, que gerou um merchandising gratuito para o Netflix — tudo indica que foi um ato espontâneo — e a resposta de Reed Hastings, dono da Netflix, concedendo uma assinatura vitalícia em retribuição, mostra que marcas podem se unir e desenvolver ações de marketing em conjunto. Sem a resposta rápida e assertiva da Netflix, a ação ficaria somente no buzz marketing, mas uma decisão estratégica da empresa foi capaz de gerar mais negócios da marca no Brasil, prolongando a visibilidade espontânea.

Um merchandising de uma marca no comercial de outra.

Imagine quão interessante seria se em uma propaganda da Apple aparecesse um carro da Tesla Motors ou em um comercial do Gatorade ou da Marathon tivessem pessoas usando alguns produtos da Nike. Seriam ações de marketing em conjunto para atingir públicos de interesse similares, não necessariamente com foco em venda, mas em construção de marca. Além da associação de marca, a divisão do custo de marketing seria sustentável e as empresas poderiam pensar estratégias e ações conjuntas.

Como vemos, as redes sociais aproximaram as pessoas, criaram tribos e nichos entre as pessoas, que também podem aproximar empresas. Já existem algumas expressivas iniciativas acontecendo, como o pedido de casamento da Prefeitura do Rio de Janeiro para a Prefeitura de Curitiba no Facebook em 2014 e a realização da união na rede social. Na ocasião, tive a impressão de não ser algo premeditado, mas algo espontâneo, que surgiu de uma brincadeira entre as páginas no Facebook.

O mesmo aconteceu com Silvio Santos e Netflix e muitas outras iniciativas podem surgir se as empresas se abrirem e procurarem se relacionar umas com as outras. Elas têm muito em comum para iniciar esta aproximação: os profissionais de marketing e comunicação que administram as marcas das empresas.


Dario Vedana: mestre em Comunicação e graduado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com Certificate in Marketing Management pelo Insper. Com experiência de mais de 15 anos nas áreas de marketing e comunicação de empresas de mercado financeiro, educação, tecnologia e varejo, atua em empreendedorismo, mentoria e desenvolvimento de startups e negócios desde 2009. Em 2010, fundou a Inovando Mais, consultoria de Marketing e Educação. Atualmente é Professor e Coordenador do Núcleo de Empreendedorismo e Inovação do Centro Universitário Belas Artes.

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