O “Efeito Manada” ocorre quando indivíduos recebem determinadas informações e passam a atuar em bando, como uma manada. Isso acontece porque não tomamos uma decisão consciente, e seguimos a maioria; assim, um sujeito passivo simplesmente adere a uma decisão coletiva, deixando-se guiar pelo instinto.

Na natureza, em animais que andam em grupo, é comum esse tipo de comportamento. Não raramente, quando estão em bando e u, antílope começa a correr, os outros o acompanham, mas por trás disso existe uma função evolutiva: se um antílope saiu correndo, deve haver algum perigo por perto. Nesse caso, seguir o grupo pode fazer toda a diferença, pois um antílope que demorar mais tempo para fazer algo pode se tornar um alvo mais fácil.

No ser humano não é tão diferente. Diante de uma crise, um efeito manada de acionistas vendendo ações pode ocasionar uma ruptura na bolsa de valores. Como uma manada, todo mundo criou sua conta no Orkut, e quando este já não era bom o bastante, migraram como uma manada para o Facebook. Ou, quando uma empresa que quer se “modernizar”, decide contar uma história que nem sempre é a verdadeira história da empresa. Basta pensar em marcas como a Dilletto, sucos Do Bem e, recentemente, a Hollister.

Pensando em marketing digital, muitas marcas aderiram as redes sociais pelo simples fato de que seus concorrentes já estarem nelas ou por pensarem que como todo mundo acessa iriam aumentar as suas vendas. Basta ver qualquer site de empregos que você pode notar que entre as inúmeras funções para um analista de marketing ou de comunicação, estão pedindo também domínio em marketing digital com seus Adwords, SEO’s e afins. Além disso, preocupa-se mais pela quantidade de likes e seguidores do que pela qualidade dos mesmos, priorizando muito mais as métricas do que a mensagem transmitida.

Penso que isso é um grande perigo para as marcas que não possuem um posicionamento aberto e adequado para o uso das ferramentas digitais. Pois a partir do momento que a empresa coloca uma página no Facebook ou uma conta no Instagram, por exemplo, eles estarão disponibilizando um canal direto com o consumidor que expressará sua opinião e sua (in)satisfação com a mesma, e com isso se faz necessário uma equipe treinada e uma empresa preparada para responder tanto as críticas como também os elogios que receberão, além de pensar em conteúdo específico para estes canais, e não simples adequações de materiais produzidos para outras mídias.

Por outro lado, muitas agências e profissionais “digitais”, simplesmente seguem uma “cartilha” de ações sem se preocupar em desenvolver uma estratégia pensada não só no perfil do cliente, mas também no perfil dos prospects deste. Por exemplo, será que uma indústria de porcas e parafusos precisa de uma conta no Instagram ou no Facebook? Ou não seria melhor uma estratégia de SEO?

Em minha opinião, as empresas que queiram entrar nas redes sociais precisam analisar se seu posicionamento e sua cultura estão prontas para estes canais, buscar entender como seus clientes e prospects utilizam as redes sociais e, terem bem claro, que as ferramentas digitais NÃO são a solução dos problemas da empresa, e sim uma ferramenta, principalmente nestes tempos de crise.

Um outro aspecto onde o “efeito manada” pode ser observado são nos “negócios da moda”. Basta perceber a quantidade de paleterias, casas de bolos caseiros e quiosques de cupcakes que abriram e fecharam nos últimos anos. Isso ocorre porque o empreendedor brasileiro, em sua maioria, não tem o hábito de planejar e possui um “excesso” de otimismo em relação ao negócio, além de pensar em curtíssimo prazo. Tirando a marca precursora do segmento, as que “surgiram no embalo” terão que se esforçar muito mais para se manterem no mercado.

Podemos observar também o efeito manada no design e na comunicação de muitas marcas. Neste caso, os designers gostam de falar que são ‘tendências”, mas na verdade penso que vivemos em um período de “preguiça” criativa causada principalmente pelo Google. Basta fazer qualquer pesquisa sobre qualquer logo e verá as inúmeras similaridades entre os resultados. Percebo que não há mais aquele período de brainstorm para o desenvolvimento de uma identidade visual ou até mesmo de uma marca. Tudo é muito similar. E muitas vezes vem do próprio cliente (marca) a orientação de ”seguir” esta ou aquela linha de design.

Por fim, penso que além de “pensar fora da caixa” (outro jargão que virou lugar comum) os profissionais de marcas, design e digitais precisam AGIR fora da caixa e confiar mais em seus talentos do que na busca do Google.

Só assim conseguirão ser o antílope que corre primeiro.

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