A tendência de produtos alimentícios orgânicos e artesanais no mercado brasileiro (Parte 2)

O que são alimentos artesanais e como estão se desenvolvendo no mercado atual?

Alimentos artesanais são aqueles produzidos em escalas reduzidas, com ingredientes naturais de primeira linha e podem conter ou não receitas tradicionais de família.

Esses produtos geralmente são fabricados em casas, não possui um local próprio com uma fábrica, por exemplo, e produtor faz do zero com baixa tecnologia.

Por um lado esses produtos podem serem considerados mais naturais e por outro não, dependendo do produtor ele pode realizar o processo de fabricação de forma incorreta e com baixa qualidade em um ambiente sujo por exemplo, mas isso sempre dependerá da ética de cada um. Por isso o legal é você conhecer o histórico desse produtor e pesquisar sobre ele.

Um ponto bem interessante é que esse setor artesanal envolve muitos produtos como: queijos, conservas, compotas e bebidas como no caso do vinho, entre outros.

É possível crescer nesse setor e ele vem atraindo diversos curiosos de plantão e abrindo seu espaço no mercado em prateleiras de grandes empórios como Santa Luzia e o Diniz. Esse setor também impacta o consumidor final geralmente pelo sabor único que sues produtos possuem e pelo trabalho de marca que é feito.

Trabalhar com produtos artesanais é vender qualidade através da própria produção, mostrar como é feito, mostrar as matérias primas de primeira linha que são utilizadas, ser bem transparente e ser criativo na hora do desenvolvimento de marca.

A maioria das marcas desse setor se apropria do tradicional, do artesanal e utilizam dos sentimentos: carinho, amor a aquilo que fazem e alegria.

O mercado está em fase de crescimento e proporciona a entrada de novos produtores, mas a competitividade é alta, por isso ser criativo e fazer um bom trabalho de marca é uma alternativa de se diferenciar.

A marca A Queijaria que possui sua loja física na Vila Madalena soube muito bem aproveitar essa onda. Eles revendem todo o tipo de queijo artesanal existente, mas eles vão atrás dos melhores produtores, aqueles que se reinventam no setor e eles analisam a matéria prima de cada um e inspecionam o local.

A Queijaria começou com um simples manifesto de marca entrando em contato com esses produtores e oferecendo oportunidade de crescimento através de cursos de especializam e praticamente montaram um grupo de queijeiros que viaja o Brasil inteiro e une esses produtores.

Suas vendas começaram online pelo site deles e hoje já contam com mais de mil seguidores no Facebook. O grupo soube aproveitar bem o meio digital e participam de diversos eventos desse setor. Uma boa tática para inspirar novos entrantes, divulgarem a marca e seus produtos.

Outro produto que conquistou seu espaço foi o Café Amorin que hoje vende seus produtos a meios: torrado, em grãos e em capsulas para a máquina Nespresso.

É possível observar que é uma marca que na sua identidade leva a tradição familiar através de sua produção de café no interior do Paraná. É também uma marca transparente com seu consumidor onde costuma mostrar pelo seu website e nos eventos que frequentam.

Mas é uma marca que poderia explorar mais as redes sociais, eles se firmam muito por publicidades em revistas com parceiros e pelo próprio site. A página do Facebook poderia ser mais interativa com inclusão de vídeos da produção, links para um possível e-commerce ou até a divulgação das lojas que apresentam o produto.

Suas embalagens são completamente rústicas e facilitam o manuseio com a associação da marca. Eles trabalham bem a questão de kits corporativos para eventos e possuem uma loja própria no Itaim.

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Quando se fala de alimentos artesanais impossível deixarem de falar das cervejas. O Brasil é o terceiro maior consumidor do mundo de acordo com a Ambev, esse produto vem atraindo muitos empreendedores de sucesso e fiéis consumidores que preferem pagar mais caro em uma cerveja artesanal.

O fato de o preço agregar valor ao produto é através da estratégia de diferenciação que essas empresas estão tendo. Cada marca possui a sua identidade clara e exclusiva, muitas brincam com os rótulos e embalagens, criar nomes excêntricos e fazem um trabalho bem diferente.

Outro fato é que a venda de cervejas artesanais está crescendo através do e-commerce e com parceria de formadores de opinião, fora as feiras e eventos que ocorrem na região sul e sudeste que atraem muitos curiosos de plantão.

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Blumenau com certeza é a terra das cervejas e todo ano realiza o Oktoberfest um dos maiores festivais que movimentam o setor e vários produtores querem estar lá divulgando a sua marca.

O interessante sobre a cerveja é que você pode produzir em casa em baixa escala, mesmo não sendo tão simples assim e tão complexo quanto o vinho. Você pode adicionar varias matérias primas como: malte, chocolate, frutas, etc.

O negócio é dar um toque especial a sua cerveja que a torne diferente das demais.

A marca Baden Baden do grupo Brasil Krim, possui uma fábrica localizada em Campos do Jordão e aproveitou essa onda. A sua fábrica é aberta ao público para visitações, eles investem em degustações, eventos, publicações em grandes revistas, no meio digital, promovem cursos para cervejeiros de plantão e ainda possuem uma loja própria que vendem roupas da marca. Provavelmente eles possuem um fanclub.

Essa cerveja puramente brasileira se destaca pelas matérias primas que utiliza, pelo próprio trabalho de marca, marketing e comunicação que é feito com o sue público alvo, eles falam a linguagem correta e estão nos principais PDV’scomo: Pão de Açúcar, Empório Santa Luzia, Casas especializadas em cervejas artesanais e venda por e-commerce. Seus kits para presentear que vem geralmente com uma cerveja e um copo em uma embalagem personalizada são na certa um bom presente para um cervejeiro de plantão.

Não importa qual setor você quer entrar seja o de produtos orgânicos ou produtos artesanais, ambos possuem espaço de crescimento e estão modificando a nossa cultura de forma positiva.

Além do mais os dois setores conseguem atingir uma parcela bem diversificada incluindo: grupo voltado para famílias, jovens, pessoas que adquirem produtos naturais, solteiros e até uma parcela de idosos.

Tem que saber inovar, buscar a forma correta de entrar no mercado com tudo, se diferenciar seja pela estrutura da marca, pelo valor dela, pelo sabor do produto, pela matéria prima utilizada, pela estratégia a ser desenvolvida de inserção se por mídia publicitária ou digital e trace a concorrência, por exemplo. Procure seu público e trace um plano de negócios com desenvolvimento de marca, possivelmente poderá dar certo.


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Priscila Carvalho Ferrari

Formada em Administração de Empresas pela Universidade Anhembi Morumbi e com a pós-graduação em Gestão de Marcas e Branding pela Business School São Paulo. Apaixonada pela área de Marketing e Branding. Trabalha desde 2008 com Marcas. Gosta de viajar, comer em diferentes lugares e aprender novos idiomas. Ela acredita que inovação e criatividade caminham juntas no meio corporativo.