E se os nossos políticos investissem em Personal Branding2

E se os nossos políticos investissem em Personal Branding?

Enquanto eu pensava em próximos temas para escrever, parei para me questionar em quais áreas ou para quais pessoas a gestão de marca pessoal, ou Personal Branding, pode trazer maiores impactos. Se eu for pensar em ações disruptivas, que podem até causar burburinho pela audácia, uma dessas áreas com certeza é o cenário político.

Nos EUA, o Personal Branding na área política já acontece há anos, país onde os eleitores normalmente elegem pessoas em vez de partidos. Como exemplo de boas práticas, Barack Obama pode ser considerado um mestre – vide seus discursos sempre alinhados com seus valores, consistente com suas ações, seu posicionamento claro e enfático e, claro, o momento em que soube transformar seus sonhos em uma das mais marcantes campanhas políticas de todos os tempos – “Yes we can”.

Ao contrário do que acontece por lá, aqui no Brasil ainda observamos a obsolescência quanto ao tema. Discursos vazios, com mensagens impessoais, sem embasamento ou posicionamento. A não ser, claro, o posicionamento contra o partido concorrente (não vou nem entrar no mérito de entender a lógica em focar o discurso no concorrente em vez de focar em sua própria marca e proposta de valor).

A atual política gera desconfiança e rejeição em vários aspectos. E as campanhas atualmente são mais pano de fundo para memes e piadas do que para informar. As mensagens são as mesmas de sempre, enquanto o cidadão (ou o consumidor) está em outra era, mais exigente, mais informado, mais questionador e também mais cansado. Se hoje os consumidores questionam grandes marcas sobre a veracidade de suas informações e autenticidade, porque não fariam o mesmo com os políticos?

Pode ser que o pensamento do candidato aqui no país seja “em time que está ganhando não se mexe” e ele prefira ir conforme a maré, já que não quer correr o risco de perder eleitores. Bom seria se a lógica do mercado atual fosse aplicada na política, a de que não queremos ser tratados como um mercado de massa, mas sim como indivíduos, e que não queremos ser agradados a qualquer custo e, sim, ir junto e levantar a bandeira daquelas marcas com as quais nos identificamos. E para que consigamos nos identificar com alguém, as opções devem ser diferentes entre si, certo?

Assim como as empresas, os políticos deveriam investir na construção de suas identidades próprias, em que cada um tenha a “permissão” dos partidos e a “audácia” de se posicionar como referência ou expert no assunto x ou y, de se renovar constantemente, de ouvir o seu público-alvo, de dizer não, de ser autêntico. E não só em período eleitoral.

Nós devemos construir nossas marcas baseadas em nossos valores, habilidades e diferenciais e não só usá-las para promoção, mas sim para ganhar credibilidade e confiança do nosso público por meio de ações consistentes e condizentes com o que pregamos.

Será que não é esse investimento em Personal Branding – o investimento em suas marcas e o cumprimento dessas promessas – que estamos esperando dos políticos?

Bom, um passo à frente, ao menos comparado à maioria dos nossos políticos, Donald segue à risca o que o mercado pede e investe em seu Personal Branding (alinhamento de sua marca a partir de quem você é e do que os outros pensam de você, o que lhe dá a diferenciação emocional no mercado) em vez do tradicional Marketing Político (o que você diz sobre si mesmo).

Trump já deve saber que ninguém suporta marcas que são forçadas e querem apenas agradar a todo custo (ele mesmo desagradou muitos candidatos ao dizer sua famosa frase: “You’re fired!” ou “Você está demitido!”).

Se eu pudesse dar um conselho aos nossos futuros candidatos seria: siga o caminho de Trump. Ou seja, seja verdadeiro e assuma quem você é. Seja autêntico em sua comunicação, em suas interações e relacionamentos e condizente com a sua essência e seus valores. Investir em sua marca pessoal não é você agir como um robô com falas decoradas. Não é você só falar sobre você e seu trabalho. Não é você vestir uma máscara e atuar como um personagem. Não é você ser alguém que você não é.

E, por último: deixe transparecer essa identidade não só em suas campanhas, mas em sua vida. Posso até não votar em você dependendo do seu posicionamento, mas com certeza terá o meu respeito. E o respeito de muitos eleitores, sejam eles do seu partido ou não.

Juliana SaldanhaJuliana Saldanha
Estrategista em Personal Branding e sócia-fundadora da aceleradora de startups Techmall. Experiência no desenvolvimento de novos negócios no meio digital, de empreendedorismo e inovação. Tenho como missão ajudar novos projetos e pessoas a alcançar resultados, tornando-os mais atraentes e críveis. Isso por meio da comunicação, inovação, gestão de marca e relacionamento com stakeholders. www.julianasaldanha.com.br

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