Por um 2017 com menos anúncios e mais experiências

2016 não foi fácil para ninguém. Não vou falar da crise econômica nunca antes vista neste país. Também não vou falar do grande índice de desemprego que assola o mercado, principalmente nas áreas de marketing e comunicação.

Como em todos os períodos complicados na economia e na política, muitas empresas reduziram suas áreas de comunicação e marketing pelo simples fato de encarar estas como custo, não como investimento estratégico para a manutenção das vendas ou até mesmo para o crescimento da empresa em tempos difíceis.

Lembro que no final dos anos 1990, eu trabalhava em uma das primeiras empresas de “anúncios online” e as vendas estouraram pelo simples fato da internet ser uma novidade, e pelo baixo investimento considerando os preços das mídias tradicionais como jornais e TV aberta. Milhões de pequenas, médias e grandes empresas inundaram os portais e sites com banners e gifs animados com promoções e anúncios. O mercado foi inundado de agências e freelas que se especializaram em websites e o conteúdo de portais como UOL, Yahoo, AOL (lembra dele?) e tantos outros desapareciam em meio de tanta publicidade.

De lá para cá, o mercado evoluiu, surgiram novas tecnologias, novos hábitos de consumo, uma geração inteira conectada cresceu, o BIG DATA gera bilhões de bites de informação por segundo sobre tudo e todos, novas redes sociais surgiram e temos acesso à informação pelos nossos celulares em qualquer lugar.

O que percebi? O mesmo movimento que vivenciei no fim do século passado. Um verdadeiro “efeito manada”. Empresas e profissionais prometendo aumentar o número de curtidas e seguidores em questão de horas, informações superficiais (em sua maioria) sendo vendidas como conteúdo, e, em minha opinião o pior, somos obrigados a ver e ouvir milhares de anúncios pelo simples fato de ter feito uma pesquisa sobre algum produto, serviço ou assunto no Google.

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E esta demanda por mais e mais anúncios e campanhas online tem um grande efeito colateral. Mensagens ralas e superficiais como acontecia na era dos classificados off-line. Será que estas agências e as empresas que aprovam estas campanhas não pensam que hoje o consumidor quer uma propaganda com conteúdo relevante? Que esta enxurrada de anúncios só serve para afastar o consumidor e encher os bolsos das agências e veículos?

Infelizmente contam-se nas teclas “F’s” do teclado as marcas que criaram campanhas realmente marcantes baseadas em experiências e, principalmente, que utilizaram o marketing online como ferramenta de algo maior, e não como um grande hidrante de anúncios jorrando um logotipo goela a baixo do maior número de pessoas possíveis.

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Para mim, o social media é uma ferramenta de comunicação e marketing, como o rádio, a televisão, a embalagem e tantos outros meios e veículos. Só que com vantagens enormes: a interação imediata com o consumidor, maior mensuração de retorno e a possibilidade de ajustes “quase” em tempo real.

Então, porque não pensar o social media como um caminho para criar e/ou reforçar experiências reais com os consumidores? Como um verdadeiro canal de interação e não de postagens bobas com um design legal? Penso que, em sua grande maioria, os consumidores ainda percebem o mundo pelos 5 sentidos. E experiências marcantes não são vividas através de pequenas telas brilhantes. Estão no cheiro de um café servido em um copo com o seu nome, estão na possibilidade de vivenciar a pilotagem de um carro de Fórmula 1 e até quando sua marca de cerveja preferida pensa em sua segurança quando fala para você maneirar no consumo porque vai dirigir.

Por fim, marcas, marqueteiros e afins: menos anúncios e mais experiências em 2017.

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