Os-exploradores

“Stay Hungry, Stay Foolish”

O que Harvard está aprendendo sobre Exploradores, que Steve Jobs já sabia

 

Quando Steve Jobs terminou seu famoso discurso em Stanford com a frase “Mantenham-se ávidos por conhecimento, e não se levem tão a sério” (tradução livre), ele estava presenteando a todos com a sua fórmula do sucesso! Naquela metáfora, Jobs traduziu o maior segredo de todos – mais valioso do que o projeto do iPod, iPhone ou iPad na mão do principal concorrente!

Jobs não era mágico, não era mais inteligente do que Gates ou Wozniak, outros ícones de sua geração. Seu segredo era saber procurar incansavelmente os dados necessários, cruzando-os com outras informações que sempre coletava.

Procurar…

No século XXl, quando a internet é o grande Oráculo, qualquer um pode enxergar a grande Matrix… Basta saber como e onde procurar.

Todo este cenário muda até mesmo o papel do Professor. Aquele que tinha a função de ser o “depositário do conhecimento” perde esta função mas adquire outra: a de ser o guia na exploração do desconhecido. O Xerpa guiando os alunos rumo ao cume das maiores montanhas para novas descobertas.

Os alunos perdem o papel de vítimas da matéria dada, que mudava apenas quando um grupo de coordenadores se reunia e resolvia atualizá-la de 5 anos atrás para 1 ano atrás. A matéria já chegava aos alunos desatualizada. Hoje, os bons alunos customizam o conhecimento. Se o professor é o Xerpa, eles são os exploradores, e isso é magnífico.

No vídeo de 2 minutos, o filósofo francês Michell Serres trata sobre estas perdas temporais e o papel importante que exercem na nossa evolução, como a função da boca mudou assim que o homem aprendeu a andar sobre 2 patas. “Deixamos de usar a boca para caçar, aprendemos a falar com ela, e a comunicação nos fez dominar a terra”.

Na década de 70, as grandes universidades americanas de gestão, se notabilizaram pelos estudos de caso de grandes empresas globais. Um estudante normal tinha que estudar até 400 casos ao ano dentro da grade obrigatória. No entanto, em 2011, a Escola de Negócios de Harvard percebeu que deveria reduzir a importância depositada sobre estes estudos e incluir visitas a empresas globais para ouvirem suas demandas e estudarem proposições.

E o que Havard está fazendo? Ensinando seus estudantes a procurar sobre o mundo real. Ensinando executivos a se debruçarem sobre um monte de problemas dados e enxergar aquilo que a própria empresa não consegue ver.

Quando alguém cunhou a frase, hoje um chavão: “Não existe receita de bolo”, estava querendo dizer justamente isso: faça você a sua própria receita. Explore as possibilidades. Todos podem ser Chefs!

Klaus Schwab, em seu livro A 4a Revolução Industrial, trata do poder de destruição e de construção fervorosa do futuro, que chamou de disruptura. “Vão dominar o futuro aqueles que souberem perder conhecimentos desnecessários – não acumular conhecimento como faziam nossos pais.”

Em pleno século XXI, o valor da inovação volta para Colombo ou Cabral – os Exploradores. Não havia satélite em 1500. Não havia uma rota definida para as Américas. Haviam suposições embasadas sobre o relatos de outros exploradores. Ideias sobre correntes marítimas, clima, ou sobre a migração das aves. Os grandes exploradores sabiam juntar fragmentos, e com eles justificar o investimento em frotas de navios e recrutamento de homens.

No 3º milênio, o grande insight não é feito de relâmpagos súbitos de genialidade criativa. Vivemos no mundo da democratização do conhecimento, compartilhado por um monte de gente desprovida de ego, disposta a considerar múltiplas possibilidades e customizar o próprio sucesso!


Marcello-LageMarcello Lage é empresário e professor convidado em MBAs nas disciplinas de Gestão Estratégica e Gestão da Complexidade. É mestre em Hospitalidade, e MBA em Gestão Financeira e em Marketing.

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