pipoca

Você já ouviu falar no pipoqueiro Valdir? Provavelmente, sim. Mas, se não ouviu, irei apresentá-lo agora.

Valdir é um pipoqueiro de Curitiba, bem famoso na região, que agregou diversos “itens” ao seu trabalho e fez com que, o que deveria ser apenas mais um carrinho de pipoca pelas ruas, se transformasse em símbolo de credibilidade, confiança e simpatia.

Se procurarmos pelo nome dele no Google, iremos achar diversos vídeos e matérias sobre o trabalho que faz, destacando, principalmente, o lado empreendedor.

De fato, podemos dizer que ele criou elementos jamais vistos nesse segmento. Porém, o que quero destacar aqui, mais do que o lado empreendedor dele, é a capacidade de agregar valor – e diferenciais – ao seu negócio. Para mim, é um ótimo exemplo do branding na prática – ainda mais pela pouca estrutura e, talvez, pelo pouco conhecimento dele sobre essa área.

Em um dos vídeos, ele, em quase 6 minutos, fala sobre todas as ações implantadas no seu negócio, justificando, com propriedade, a importância de cada uma delas.

Primeiro, destaca a simpatia – receber o cliente com um sorriso no rosto, estar bem-humorado, ter respeito e, inclusive, mimar todo mundo que compra a sua pipoca. Sim, ele sabe que atendimento é um dos pontos cruciais para fazer o cliente pensar em voltar a comprar o produto dele. Nesse quesito, além de demonstrar essa simpatia, todo cliente recebe um “chorinho” da pipoca – você paga por um pacote, mas tem direito a “mais uma porçãozinha” como agrado! E qual cliente não vai gostar disso? Estamos falando de pipoca: aquele alimento que você quer sempre mais. Simples, não é?

Além disso, normalmente, quando compramos algum alimento na rua, tentamos não pensar muito nos cuidados de higiene que o local tem. E é aí que se instala um dos maiores diferenciais do negócio do Valdir. Ele preza, se preocupa e faz questão de mostrar que a higiene do carrinho é impecável. Como? Bom, vamos por partes – além do chorinho, o cliente ganha um kit higiene, embalado, que contém guardanapo, palito de dente e bala de menta, sem esquecer do álcool em gel, sempre à disposição dos fregueses. Mais uma vez, estamos falando de pipoca: aquele alimento que se come com a mão e que sempre deixa uma casquinha de milho no dente. Ou seja, o Valdir pensa no freguês antes, durante e depois de consumir o seu produto.

Para ajudar no processo de transparência, nesse kit há um “manualzinho” que explica todo o procedimento de higiene feito no carrinho.

É, mas não para por aí – todos os utensílios e também, a bancada onde ele armazena a pipoca, são desinfetados diariamente. Bem, ele poderia, simplesmente, falar que faz isso, mas, lembre-se, trata-se de um lugar que funciona ao ar livre, sem cozinha nos fundos – ou seja, está ali, para todo mundo ver. Tudo bem, talvez vocês digam que isso não seja mais do que a obrigação dele – e de qualquer pessoa que trabalhe com comida, mas vamos reconhecer o mérito pensando que, infelizmente, poucos levam essa obrigação a risca. E, se ainda não estiver bom, agora vem a melhor parte: o pipoqueiro Valdir tem um avental por dia de semana. Pensando em como conseguiria comprovar isso aos seus clientes, teve a fantástica ideia de… bordar o dia da semana em cada avental. Segunda-feira no avental de segunda, terça-feira no avental de terça, e assim por diante. Nas palavras dele, isso é feito “para que o cliente tenha a certeza de que o avental é trocado diariamente.”. Simples também, não é? E criativo. Além de necessário para o negócio.

E, como se não bastasse, os clientes recebem um cartão fidelidade, a cada cinco pacotes de pipoca, um é de graça. Isso mesmo, o Valdir tem ação de relacionamento com o seu público! Além disso, ele também quer poder divulgar o seu negócio não só nas ruas, mas na internet. E, por isso, tem site, Facebook e Twitter.

Como qualquer bom negócio, a pipoca do Valdir também tem os elementos de bastidores, aqueles que a gente não vê acontecendo, mas que fazem a diferença no resultado do trabalho. De acordo com suas próprias palavras, a saúde do freguês precisa estar em primeiro lugar e, pensando nisso, mudou o óleo de soja por óleo de girassol e de canola, que são mais saudáveis. O milho que ele usa é argentino, que deixa a pipoca maior, mais macia e com menos casquinha.

Se você está se perguntando sobre o preço da pipoca, bom, de acordo com o próprio Valdir, “o cliente tem qualidade e paga o mesmo preço”, o que me leva a acreditar que os valores dele não devam ser distantes do que a concorrência cobra.

Mas o que mais me chamou a atenção foi quando ele disse que poderia utilizar o carrinho como espaço de vendas para outros produtos – como doces, amendoins, entre outros, já que essa é uma prática muito utilizada por seus concorrentes. Porém, ele “só” vende pipoca por (mais um) simples motivo: ele quer foco. Quer ser reconhecido como “o melhor pipoqueiro”. Sim, ele quer ter um posicionamento. Não quer ser o carrinho das guloseimas, não quer que as pessoas digam “vamos comprar amendoim doce naquele carrinho de pipoca” – ele quer que as pessoas lembrem-se dele e cheguem até ele por uma única vontade: a de comer pipoca. E a de comer a pipoca que ele oferece.

E, vale ressaltar, essas iniciativas estão dando resultado – prova disso é que, a cada mês, ele destina 30% da renda líquida para investir no negócio: padrão de higiene, ingredientes de qualidade, aventais diários e também, a inclusão de máquina de cartão, além da possibilidade de emitir nota fiscal ao cliente. Sem falar nos convites para palestrar sobre o seu negócio, em outras cidades e para grandes empresários.

Todos esses fatores mostram que a pipoca do Valdir tem diferenciais suficientes para que você se sinta atraído a conhecer, experimentar e indicar para o amigo. E é a prática dessas ações que faz com que aquilo que seria apenas uma commodity se transforme em uma marca diferenciada, tornando-se referência no mercado.

Agora… quem aí não está morrendo de vontade de comer pipoca, hein? Ah, se o Valdir tivesse uma filial em São Paulo…

[divider scroll_text=]

tania

Tânia d’Ávila

Graduada em Relações Públicas pela FAAP e pós-graduada em Marketing pelo Mackenzie, cursou Docência com foco em Metodologia de Ensino Superior e Pesquisa pela FGV. É apaixonada pelo mundo das marcas e defende a forte relação existente entre Branding e RP. Interessada em disseminar conhecimento, em um futuro próximo quer ser chamada de professora.

Compartilhe!
error0

Write A Comment