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Gabriel Meneses

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Um novo ano acaba de começar e, com ele, diversas oportunidades surgem. Uma delas, a oportunidade de construir e gerenciar uma marca a partir de seu propósito, tornando-a relevante e capaz de conquistar seu público, seja você um empreendedor individual ou uma empresa. Mas como agarrar essa oportunidade e fazer com que ela dê frutos?

 Investindo! Não apenas dinheiro, mas sobretudo, tempo, dedicação e conhecimento.

Antes de mais nada, vamos relembrar quais são as principais funções de uma marca:

1) Identificar

2) Diferenciar

3) Gerar valor

Reunindo em si um conjunto de características que destaca sua oferta dentre as diversas opções que concorrem direta e indiretamente com ela no mercado.

Sem essas funções uma marca não exerce plenamente o seu papel de ATIVO, ou seja, um recurso que possui valor econômico e que é capaz de gerar ganhos financeiros. Afinal, se bem gerenciada, a marca aumenta a relevância do negócio e o seu grau de preferência por parte do consumidor, o que, por sua vez, se traduz em transações contínuas entre as partes.

Tal processo é de LONGO PRAZO, demandando atenção, gerenciamento e acompanhamento constantes, de forma a manter nos trilhos a estratégia desenhada, garantido resultados esperados e otimizando investimentos.

Mas onde começa a gestão de uma marca?

Do seu PROPÓSITO, ou seja, aquilo que a marca tem de mais valioso, uma vez que é:

  • Exclusivo;
  • Legítimo;
  • Autêntico e;
  • Difícil de ser reproduzido.

O PROPÓSITO, como o próprio nome já diz, é uma proposição, algo que se espera alcançar. Mas além disso, seu significado carrega um aspecto ESTRATÉGICO importante, na medida em que clarifica onde se quer chegar e alinha as ações para que seja possível. Saiba mais.

Contudo, não existe receita para aplicar o PROPÓSITO de sua marca na prática, mas é possível seguir cinco passos capazes de te ajudar a chegar lá:

# Passo 1: Autorreflexão – Achar o seu Propósito

O primeiro passo é olhar para si, ou para dentro do negócio e buscar entender o que motiva sua atuação. Parece algo simples, no entanto, é complexo e se relaciona diretamente com a questão da AUTENTICIDADE e LEGITIMIDADE apontadas acima.

# Passo 2: Definição do Propósito

O segundo passo consiste em compilar as descobertas do estágio anterior em uma frase curta e de caráter INSPIRADOR, capaz de traduzir as motivações da alta gestão para todos aqueles que, de alguma forma, fazem a marca acontecer e, também, para aqueles que desejam se relacionar com ela. Um exemplo desta etapa é o que o Disney Institute chama de TEMA DE ATENDIMENTO:

“ Um tema vivo, não apenas uma frase em uma placa, e satisfaz três necessidades críticas: define com clareza o propósito da organização; transmite internamente uma mensagem; e cria uma imagem para a organização. ”

# Passo 3: Separar o Propósito em Objetivos

Uma vez que você tem a definição do seu PROPÓSITO em mãos você pode penar: “Certo, mas e agora, o que eu faço com essa frase bonita que eu montei?”. É natural. No primeiro momento esta é a sensação, afinal, quem não se lembra de ver frases inspiradoras e motivacionais que, por sua vez, não passam de simples frases na parede.

Mas é aqui que se encontra o Ponto da Virada do PROPÓSITO, que deixa de ser apenas um conceito e passa a ser aplicado NA PRÁTICA. Para tanto você deve dividir sua declaração de PROPÓSITO em OBJETIVOS menores.

Uma DICA para validar esses OBJETIVOS é pensar na sigla:

S – Specific (específico);

M – Measureable (mensurável);

A – Achievable (alcançável);

R – Realistic (realístico);

T – Timely (definido no tempo = prazo).

# Passo 4: Definir Planos de Ação

Cada objetivo permite que você defina, com clareza, PLANOS DE AÇÃO. Ou seja, permite que você identifique onde está, onde quer chegar e o quê você deve fazer para chegar lá. Como os OBJETIVOS derivaram de uma declaração única, as ações serão alinhadas e transmitirão a percepção de coerência, orientando as decisões dos envolvidos na GESTÃO DA MARCA e facilitando sua aplicação ao longo da cadeia de valor do negócio ou no dia a dia do profissional representado por ela.

São os PLANOS DE AÇÃO que traduzem o aspecto ESTRATÉGICO, trazendo a tona a necessidade de se analisar suas forças e fraquezas, bem como ameaças e oportunidades existente no ambiente, bem como levar em conta a dinâmica dos outros players. Saiba mais!

# Passo 5: Medir o resultado do Propósito

 Após executar as ações que você definiu é chegada a hora de mensurar seu resultado. Neste momento a capacidade analítica do GESTOR DA MARCA é colocada à prova, uma vez que os resultados podem ser objetivos, como as métricas de uma campanha executada em uma rede social, ou subjetiva, como o grau de satisfação do consumidor em relação ao que a marca entrega.

Seja como for é importante que o GESTOR DA MARCA tenha em mente que ele precisa encarar os resultados de frente, comemorando os positivos e aprendendo com os negativos pois, dessa forma, ele consegue identificar onde a ESTRATÉGIA apresentou falhas e realocar esforços para corrigi-las e incrementar os resultados.

Agora que você já sabe como trazer o PROPÓSITO da sua marca do PLANO DAS IDEIAS para a PRÁTICA do dia-a-dia, chegou a hora de arregaçar as mangas e colocar em prática: identificar, gerenciar e valorizar aquilo que torna a sua marca especial para o mercado.

Referências:

INSTITUTE, Disney. O jeito Disney de encantar os clientes: do atendimento excepcional ao nunca parar de crescer e acreditar. São Paulo: Editora Saraiva, 2011.

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No último dia 25 de novembro o InfoBranding participou da primeira edição do Education Summit, evento organizado por Luis Antonio Vilalta, Marcia Auriani e Martha Gabriel, professores com vasta experiência no meio acadêmico e referências no mercado profissional.

O Education Summit recebeu apoio institucional da Fappes, faculdade inovadora cujo sistema de ensino Blox® permite ao aluno a personalização de seu aprendizado de forma ativa e baseada no desenvolvimento de competências. Conheça mais sobre a Fappes e o Sistema Blox® aqui.

Alessandro Saade, professor e consultor referência na área de empreendedorismo, abordou o tema “Educação é o Novo Marketing”, enfatizando o papel determinante que a educação, alinhada às tendências do mercado, assumiu não apenas na dinâmica dos negócios, mas também na relação das marcas com os consumidores, que aprendem a cada relação estabelecida e que têm na educação uma grande oportunidade de construção de valor. Questões como a valorização das competências no processo de aprendizado foram abordadas e correlacionadas com a crescente importância do content marketing, nanodegrees e do uso de metodologias compartilhadas. Confira o recado do Alessandro Saade para o InfoBranding:

Wagner Sanchez, diretor acadêmico na FIAP, apresentou o tema “Educação analógica versus geração digital: os desafios dos educadores na formação das novas gerações, na área da cognificação”, destacando o crescente papel de facilitador que o professor assume perante a evolução tecnológica, acesso a informações nunca antes visto e demanda por novos modelos de aprendizagem como o PBL (Project Based Learning). Além disso Wagner destacou a diferença na evolução dos workplaces e modelos educacionais e a necessidade da adequação as demandas da era dos conceitos, confira!

O primeiro debate aconteceu entre Alessandro Saade, Wagner Sanchez e Marcia Auriani, quem  mediou as discussões entre os palestrantes e a plateia que, engajada, interagiu e incrementou a construção de conhecimento proposta pelo evento. Dentre as questões colocadas, merecem destaque especial a necessidade em investir na formação baseada em competências com valor para o mercado, algo que deve acontecer e ser incentivado desde a educação de base, a qual precisa se adequar a realidade da colaboração e às tendências impostas pelo mercado em constante evolução.

Na sequência, Luis Antonio Vilalta, Head de Metodologias Inovadoras da Fappes, Bruno  Berchielli, CEO do Sistema Blox®, e Leandro Berchielli, Co-founder e Academic Dean na Fappes, apresentaram o tema “Implementação de um modelo efetivo de mudança na educação” com a participação da professora Vanessa Dohme, Head de Criatividade e Metodologia do Sistema Blox®. No painel foram apresentados os potenciais pontos de inovação no ensino, com destaque especial para os currículos que, em geral, são comoditizados e engessados em um modelo que, aos poucos, deixa de atender as demandas do mercado. O Sistema Blox® foi apresentado e reforçou a importância do aprendizado por competências e empoderamento do aluno abordados nas apresentações anteriores.

A segunda parte do Education Summit foi dividida em dois workshops, um de “Design Thinking e Tecnologias Exponenciais Transformando as Salas de Aula”, com Wagner Sanchez e outro com o tema “Liquidificador de Mentes (Metodologias Ativas)” com Vanessa Dohme. Os participantes do Education Summit dividiram-se entre os dois workshops de forma equilibrada, reforçando a importância da disrupção e novas abordagens na área da educação e negócios.

Para finalizar o evento, Martha Gabriel, consultora, autora de best-seller e keynote speaker, abordou o tema “Disrupção digitalina vida, sociedade e educação” integrando de forma precisa os impactos da tecnologia na forma como as pessoas se relacionam, seja no âmbito pessoal, profissional ou educacional. Em relação a este último, Martha Gabriel conferiu especial atenção a questões como a necessidade das pessoas e instituições de ensino focarem no preparo como determinante para a construção de valor a partir da quantidade crescente de informação que a era digital proporciona. Confira o recado da Martha Gabriel para o InfoBranding.

A proposta do Education Summit se consolidou como importante e determinante para o futuro de uma educação mais focada nas mudanças tecnológicas e nos novos paradigmas do mercado, que beneficia a sociedade com um todo ao colocar sob o foco da discussão as novas dinâmicas pessoais e profissionais, bem como a necessidade de inovação e adaptação para trazer soluções que façam a diferença em curto, médio e longo prazo.

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No último dia 7 de outubro o InfoBranding realizou a primeira edição do Brand & Design Management, que aconteceu no auditório do Centro Universitário Belas Artes em São Paulo.

O Brand & Design Management teve curadoria de Marcia Auriani, executiva de branding e gestora executiva do InfoBranding e de Gabriel Meneses, gestor executivo de branding e design do InfoBranding, que organizaram a programação de forma a apresentar os temas, branding e design, e construir uma linha de raciocínio que transmitisse sua aplicação prática no contexto do mercado atual.

Para tanto foi reunido um verdadeiro time de especialistas, com expressiva participação no mercado nacional e internacional.

Logo na abertura Gabriel Meneses apresentou o propósito do IndoBranding e contextualizou a importância da abordagem da gestão do design para a construção de marcas, destacando o branding e o design como disciplinas que se somam para conceber e transmitir ideias que tenha impacto real no atendimento de demandas e desejos das pessoas, bem como nas relações que estabelecem entre elas e também com as empresas que fazem parte de seu dia a dia.

Gabriel Meneses

Em seguida Marcia Auriani introduziu os conceitos de branding e design, dando destaque as experiências que o design ajuda a entregar e que consolidam as propostas de valor das marcas, revelando a importância em se estabelecer relações entre elas e seu público. Marcia ressaltou ainda que o design desempenha um papel determinante na diferenciação, reconstrução e posicionamento de marca, uma vez que conduz a expressão de sua identidade.

Marcia Auriani

Como o design faz parte do segmento de mercado conhecido como “Economia Criativa”, aquele que tem a criatividade e o capital intelectual como matéria-prima para criação, produção e distribuição de bens e serviços,  Carol Rangel e Tarsila Guerreiro, foram as responsáveis por apresentar dados que traduzem como a posição do Brasil no ranking global da Economia Criativa e destacar os potenciais das áreas do design (moda, interiores, gráfico, embalagem e digital) dentro desta perspectiva.

Carol Rangel (esquerda) e Tarsila Guerreiro (direita)

Frank Michael, infobrander que veio diretamente de Goiânia para o BDM, conduziu os presentes por uma verdadeira viagem ao centro da marca, revelando a importância do propósito e de como construir significado a partir dele, destacando que “os limites da nossa linguagem são os limites de nosso mundo”.

Frank Michael

Na sequência, Tatiana Lucia Souza, da Ouie Ideias &Design, falou sobre as tendências do design. Para ela “o design é espelho do tempo” e sofre influências da mídia, da tecnologia, da indústria e, ultimamente, da usabilidade. E, carregando esta referência, a leveza e a liquidez ganharam destaque, o uso tem se sobressaído a posse e a preocupação com processos e impactos da produção devem ser levados em conta em nome do mundo em que queremos viver.

Tatiana Lucia Souza

A primeira participação internacional no BDM ficou por conta de Marília Biill, gerente de Color e Trim da Porsche da Alemanha, que abordou a questão da gestão de times globais. Marília impactou a todos ao destacar a necessidade que o profissional de design, e de qualquer outra área, tem de se manter atualizado e aberto a trocar experiências em equipes multidisciplinares e com integrantes que podem vir de diferentes culturas. Extrapolando as fronteiras do branding e design em si, ela utilizou-se de sua experiência para mostrar que resiliência, adaptabilidade e capacidade de se atualizar constantemente se destacam como fatores decisivos para o sucesso profissional.

Marília Biill

Renan Benvenuti, gerente de criação da Tatil Design de Ideias, trouxe para o evento os princípios para um bom projeto de design, exemplificando cada um deles com projetos icônicos desenvolvidos pela renomada consultoria. Em sua fala, Renan expressou, mais uma vez, a importância da colaboração e da multidisciplinariedade para o enriquecimento do processo criativo e obtenção de resultados positivos, que despertem a emoção das pessoas.

Renan Benvenuti

Na sequência Sidney Rufka abordou o tema “projeto e design estratégico” abordando questões como planejamento e analise das interações humanas como fios condutores para a criatividade, de forma que o resultado do projeto seja algo que traga impacto positivo na experiência do usuário.

Sidney Rufka

Amanda Higa iniciou o primeiro painel, Design e Estratégia – Transformação por meio do Design, abordando a importância da educação/formação como responsabilidade de todos que fazem parte da construção das marcas, lembrando que estas são feitas de pessoas para pessoas e que o caráter social é um dos tripés da sustentabilidade. Junto com Tatiana Lucia, Sidney Rufca, Renan Benvenuti foram discutidos a importância das equipes multidisciplinares, das empresas se envolverem mais no processo de formação dos profissionais; como se dá a relação do branding, design e a necessidade das empresas em medir resultados.

Painel com Amanda Higa, Tatiana Lucia Souza, Sidney Rufka e Renan Benvenuti

A segunda participação internacional ficou por conta de Daniel Portuga, Associate Creative Director na SapientRazorfish NYC, que discutiu um pouco sobre o conceito de uma “boa ideia”, destacando que, para ele, uma boa ideia é aquela que impacta as pessoas e que não precisa de tradução para ser entendida.

Daniel Portuga

Paola Campanari, profissional de branding focada na solução de problemas que se baseiem em  conexões e colaborações, que acompanha o InfoBranding desde seu nascimento, apresentou seus insights para o desenho de experiências de marca através da “não palestra”, isto é, um bate papo com seu convidado Rodrigo Villela, diretor criativo, para elencar questões como o alinhamento de propósitos entre a marca e as pessoas e a necessidade de se valorizar a comunicação entre pessoas.

Paola compartilhou com o InfoBranding uma referência muito interessante da cofundadora da Singularity University Laila Pawlak: http://dare2.dk/

Paola Campanar e Rodrigo Villela

Vanessa Queiroz, designer e sócia fundadora do Estúdio Colletivo, falou sobre como trabalhar o branding em um escritório de design. Através de sua irreverência, abordou questões fundamentais para empreender com o design e desenvolver projetos que inspirem pessoas e empresas.

Vanessa Queiroz

A última participação internacional foi de Pedro Andrade, Principal Interaction Designer na IDEO, que nos mostrou como funciona o processo criativo na IDEO, destacando o papel determinante da diversidade das pessoas envolvidas.

Pedro Andrade

Para fechar o ciclo de palestras Alexander Guazzelli, superintendente de design do Itaú Unibanco, mostrou como funciona a gestão do design em uma grande empresa, elencando como desafio constante a capacidade de olhar para o propósito, se manter em contato próximo das pessoas que fazem parte do processo, ser resiliente e trabalhar duro para focar nas ideias que transmitem a essência do negócio.

Alexander Guazzelli

O último painel do dia teve a moderação de Luciano André Ribeiro, superintendente do Itaú Unibanco, que conduziu uma conversa inspiradora com Paola Campanari, Vanessa Queiroz e Alexander Guazzeli, de forma a consolidar os principais conceitos abordados no período da tarde: alinhamento de propósitos, importância da equipe multidisciplinar e foco nas pessoas.

Painel com Luciano Andre Ribeiro, Paola Campanari, Vanessa Queiroz e Alexander Guazzelli

O Brand & Design Management mostrou que sua abordagem é relevante ao mercado de design e  branding brasileiro, uma vez que a habilidade de gerenciar os processos de forma estratégica é uma demanda latente aos profissionais que desejam ingressas nesta área. A prática da criatividade para a construção de experiências e valor de marca só acontece quando as ideias podem ser aplicadas dentro da realidade do negócio e em direção as necessidades e desejos das pessoas a que atendem. É desta forma que uma marca se diferencia e obtém vantagem competitiva em relação a suas concorrentes. É desta forma que o propósito é colocado e prática. É desta forma que branding e design se unem para fazer a diferença na competitividade do mercado.

Equipe InfoBranding

 

Confira o nosso After Movie!

 

 

Fotos: Irene Ruiz (www.ireneruiz.com.br)

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Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a segunda parte. Boa leitura!

Se perdeu a primeira parte clique aqui!

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

6) A metodologia do design passa por basicamente seis etapas que, mesmo variando em termos de nomenclatura, podem ser identificadas como: investigação do problema, pesquisa (referências), exploração (esboços), desenvolvimento, realização e avaliação. Você acredita que o excesso de urgência e falta de planejamento tanto do cliente quanto do designer, atrapalham o processo do design? Em caso positivo, como a situação pode ser revertida?

Eu acho que tudo é uma questão de se alinhar no início, tudo que é combinado não sai caro. Quando a gente consegue um relacionamento estreito com o cliente a gente consegue alinhar isso desde o início.

Claro que há exceções, vai haver situações em que você precisa ser parceira do cara e resolver o problema dele no menor tempo possível, mas você não pode permitir que isso se torne uma regra, isso deve ser a exceção. A regra é cumprir a etapa. Até porque com o tempo o cliente começa a perceber que o trabalho volta. Quer ver um exemplo muito ilustrativo disto: já tive caso de cliente que não “brifava” a gente direito, passava o trabalho de qualquer jeito, na correria. Aí o trabalho voltava para cá, eu sentava com a criação para olhar, e falava: aqui está furado, está faltando informação, mas, ao invés de recomeçar o trabalho, voltava para o cliente e falava: “Fulano” queria rever esse briefing com você porque tem algumas informações que estão faltando”.

Afinal, um bom projeto começa com um bom briefing, uma boa solução também. Se o briefing estiver errado, a chance desta solução ter furo é grande. E às vezes o briefing é: “Eu não tenho briefing”! Pode ser, é possível, mas esse é um bom briefing! Porque temos a chance de construir um briefing junto com o cliente, aplicando o Design Thinking, de forma a identificar o problema e direcionar a solução.

Mas o cliente tem que ter essa clareza: que ele sabe o que quer ou que ele não sabe o que quer. Tem que estar aberto. Você precisa falar para ele: “me dá alguns minutos e vamos tentar discutir um briefing correto, pois o que você me passou é insuficiente”.

O trabalho sempre volta quando recebemos um briefing incompleto e começamos a trabalhar sem questionar ou se aprofundar no problema.

Há outros casos de briefing em que o cliente chega com a “solucionática” e não com a problemática. Por exemplo, o cliente chega e diz: “eu quero um folheto”. Aí você diz: “Para que você precisa de um folheto? Será que você precisa realmente de um folheto? Qual a sua problemática? Então você traz o cliente para a realidade do briefing… Muitas vezes o cliente vem a com a solução e não necessariamente aquela é a melhor solução, porque ele está envolvido em milhares de outras coisas que ele tem que fazer. Muitas vezes a gente faz este trabalho de recolocar o cliente diante do problema.

Com o tempo, cliente que trabalha com a gente, cria uma cultura comum, a gente vai educando o cliente e ele vai educando a gente. A gente vai se adaptando ao modo dele trabalhar e ele vai se adaptando ao nosso.

InfoBranding: Qual a estrutura que você tem no seu escritório? Você costuma empoderar a equipe ou centraliza o relacionamento com o cliente em você?

Eu empodero. Em geral eu tenho uma equipe pequena que trabalha comigo há muito tempo e eles interagem diretamente com o cliente, pois eu comecei a perceber que quando eles têm esse contato direto, eles conseguem ter uma empatia maior. Às vezes o cliente explica para eles o que está acontecendo, justifica, e essa é uma forma de empoderá-los, de cortar caminhos e fazer o trabalho ser mais ágil. As vezes eu prefiro que o designer apresente o projeto para o cliente para ouvir suas considerações e entender a mensagem sem intermediários.

InfoBranding: Você é uma empresa de design de pequeno porte, com uma estrutura pequena. Essa questão facilita sua abordagem?

Eu acho que isso pode acontecer porque somos uma espécie de “boutique” e isso acontece pelo nosso próprio estilo de liderança. Existem líderes que optam por um sistema de trabalho com uma estrutura hierarquizada e existem aqueles que preferem um sistema horizontalizado. Quando você tem uma estrutura maior é natural que você tenha equipes diferentes em hubs e núcleos de trabalhos. Acho que há uma diferença grande entre a cultura da agência e a de escritório de design. Apesar de eu já ter trabalhado em agência, o meu jeito de ser é mais de uma cultura de escritório de design, porque o designer se envolve diretamente com o cliente, sem ter essa hierarquia, de cargos e funções. Aqui todo mundo faz tudo e cuida do seu projeto do início ao fim.

Um exemplo é a questão da redação. Muitas vezes a gente trabalha com redatores parceiros, mas frequentemente a gente também elabora texto. O designer também pode ter a capacidade de redigir e sugerir um texto com adequação e pertinência, que atenda a necessidade do cliente, porque ele está imerso e em contato com a empresa todo o dia. Ele assimila o tom de voz da marca, a cultura do cliente e o seu vocabulário, como se fosse parte do cliente.

 

7) Como você define o posicionamento dos designers perante o mercado?

Acho que tem de tudo. Acho que isso se encaixa na identidade do designer desde a faculdade. A forma como ele se enxerga no mundo do design desde que ele é estudante. Quando começo a lecionar em uma turma de primeiro período, no primeiro dia de aula eu costumo dizer aos alunos que eles já estão no mercado de trabalho. “Vocês acham que vocês são alunos, mas nesse momento aqui da faculdade vocês já entraram no mercado de trabalho de alguma maneira, porque a faculdade é uma vitrine para o mercado. Se você se destaca aqui dentro você já tem professores, que são profissionais de mercado, que vão enxergar vocês que vão chamar vocês para trabalhar, para fazer um estágio. A postura que vocês tiverem como alunos dentro da faculdade vocês vão carregar para o campo profissional depois que vocês se formarem.” Então eu acho que a postura do designer, o posicionamento do designer tem que começar na faculdade, como aluno. Se ele é um aluno que está lá a “turismo”, provavelmente ele será um profissional  que vai estar a “turismo” no mercado também; se ele já começa com “a faca nos dentes”, ele começa a faculdade ali, querendo tudo, comprometido, sério, curioso; ele vai ser assim, acho que isso independe de ser designer ou não, isso vale para qualquer indivíduo, em qualquer profissão.

No geral, no Brasil, as pessoas ainda acham que o Design é um mero embelezador de coisas, de marcas, de folhetos; sinto que ainda não existe uma consciência plena sobre para que serve o design.

Eu percebo que quando as pessoas me perguntam com o que eu trabalho e eu respondo “com Design”, elas acham legal, mas não sabem exatamente o que é o Design. Inclusive tem gente que acha que design é design de móvel, de interiores; não que esses também não façam parte do escopo do Design, mas é possível perceber por esse tipo de comentário, que a própria segmentação dentro do campo do Design atrapalha sua compreensão, além da terminologia. Design é um nome que está um pouco desgastado, porque você tem design de sobrancelha, design de unha entre outros; tem design de tudo hoje em dia.

Mas acho que está começando a existir, sim, a visão do Design como projeto, com metodologia e processos. Alguns profissionais sabem se posicionar mais claramente sobre o que fazem, sobre sua missão do mundo, sobre o seu propósito. E há aqueles que acham que design ainda é um mero embelezador. Está aí uma primeira separação do “jôio e do trigo”. Isso é muito interessante se você pegar uma estatística de número de alunos que entraram na faculdade, que saíram do curso e quantos de fato vão trabalhar com design e quantos vão trabalhar com outra coisa. Percebo que muitas pessoas vão trabalhar com outra coisa, porque talvez não tenham encontrado o seu propósito final, do que você realmente quer ser. É um pouco isso, quando você sabe o quer, você vai naquele objetivo e persegue.

InfoBranding: Mas você tem percebido um anseio maior pela parte estratégica?

Observo que isso está começando a crescer. A geração mais nova de designers está adotando cada vez mais esse foco estratégico da área, especialmente com o surgimento do Design de Serviços, do Design Thinking, da sociedade em rede e dos processos colaborativos e da troca de experiências. Eu acho que hoje isso é mais claro para os jovens do que era na década de 80 e 90, quando eu estudei.

 

8) Como você entende a relação do design com o cliente e/ou outros departamentos da empresa?

O designer pode permear por tudo isso, ele pode se encaixar em qualquer departamento. Eu acho que hoje em dia, algumas empresas estão começando a entender que um designer na equipe vai trazer toda uma diferença na forma de pensar. Todas as empresas deveriam contratar designers independente do seu core business. Para trazer uma mente diferente, com um olhar diferente que pode incorporar uma função muito agregadora.

É um desafio para as duas partes. Essa prática está começando a surgir, algumas empresas estão começando a fazer isso. Acho que é uma cultura que está vindo lá de fora, onde já existem empresas com designers em seus quadros executivos.

 InfoBranding: Em termo de relação, o designer tem entendido o papel multidisciplinar dele?

Acredito que aqueles designers que estão bem ligados no que acontece no mercado começam a ter esse entendimento, basta ver a demanda de cursos ligados à área de design que existe atualmente. E quem não tem essa noção vai continuar fazendo aquele trabalho de antigamente. Quem está afim de se projetar profissionalmente está buscando estas capacitações, a exemplo do que você faz. Os designers que estão entendendo como o mercado de design é amplo estão buscando novas oportunidades de atuação, e aqueles que não entendem, não estão.

 

9) Sua atuação é marcada pela união do branding e design. Para você, como essas duas especialidades se relacionam?

O branding e o design precisam caminhar juntos. O Design permeia tudo, porque ele torna as coisas mais fáceis, mais claras, ajudando a solucionar problemas. E o Branding é um dos problemas.

A Gestão da Marca, a gestão eficaz, é um dos problemas que o Design pode ajudar a sustentar, a evoluir. Neste mundo do consumo no qual cada vez mais as marcas competem entre si, são fatores de identidade que fazem a diferença. Se a marca não tem gestão orientada pela identidade, com uma mensagem clara a ser comunicada, acho que o consumidor pode se confundir; nesse sentido, o Design tem papel de facilitar o entendimento das coisas. O Branding e o Design já deviam ter nascido juntos, não nasceram, mas felizmente se encontraram. O mundo precisa de design o tempo todo.

 

10) Que mensagem você deixaria para os profissionais do design e para aqueles que procuram ingressar nessa área?

Estejam atentos a tudo, ao mundo contemporâneo, ao comportamento das marcas, aos serviços, aos usuários. O Design, deve cada vez mais fazer parte do dia a dia das pessoas. Quanto mais o Design fizer parte do dia a dia das pessoas, da sociedade como um todo, estaremos dando uma contribuição para melhorar o mundo. O Design pode ter esse papel, eu acho que nós podemos ter a felicidade de contribuir.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a primeira parte. Boa leitura!

1) Na sua opinião, qual o principal papel do design, enquanto área do conhecimento, no mercado hoje em dia?

Hoje em dia o design está permeando mais segmentos do mercado. Ele tem sido um facilitador de processos, e vem mudando a forma como as pessoas encaram os problemas e tentam solucioná-los.

O design está trazendo método para determinadas questões da sociedade, como por exemplo, o Design de Serviços; as empresas estão começando a parar para pensar na jornada do usuário, em como é que podem melhorar a qualidade do serviço que prestam. Atualmente você vai a um banco, ou a uma companhia aérea, e percebe que existem alterações que feitas nos processos, no atendimento e no ponto de venda, seja este um ambiente físico ou digital. Ainda é uma coisa muito pequena, mas é muito mais do que se tinha há 10 anos, e isso é resultado de um amadurecimento do campo do Design no Brasil.

A cultura das empresas está mudando, o usuário está passando a ser o centro da estratégia. As pessoas falam de Design Thinking, de Design de Serviços, muita gente fala da boca para fora sem saber o que é, mas algumas empresas já estão criando esta cultura ao trazer para o seu quadro de gestão profissionais que conhecem design, ou que estão se capacitando em design, para contribuir com essa melhoria de produto e de serviço.

 

2) No mesmo contexto, qual o papel do designer? E o que define esse profissional?

O designer ainda precisa se integrar mais de forma geral. Primeiramente, tem que se entender o que é de fato “ser” designer, pois tem gente que acha que saber mexer em um software gráfico ou fazer um layout é ser “designer”. “Ser” designer é maior que isso, é pensar de uma forma sistematizada, com metodologia, é pensar no usuário, é pensar em como os problemas podem se resolver de uma forma mais eficiente. Então, pensar e ter o design como modus operandi, como modo de pensamento na cabeça, é algo que ainda está um pouco distante do que saber pilotar um computador.

Existem pessoas que já criaram esta mentalidade do design, de pensar como designer, orientado pelo design, mas ainda tem ainda muita gente que confunde isso. E eu incluo aí neste grupo o próprio mercado, porque tem cliente que acha que o papel do designer é simplesmente embelezar um produto, embelezar uma marca, e não é isso. Nós podemos contribuir com muito mais que um simples aspecto visual das coisas.

 

3) Como professora, como você avalia a formação do designer no Brasil? Quais são as principais dificuldades e oportunidades encontradas no processo?

Eu acredito que a qualidade do ensino de Design no Brasil está amadurecendo junto com o campo profissional.

Se colocarmos em uma perspectiva histórica, no país, o Design é uma disciplina relativamente jovem. A primeira escola de Design no Brasil surgiu na década de 1960. E de lá para cá, podemos considerar um amadurecimento bastante significativo, mas que precisa evoluir mais para acompanhar o que acontece lá fora.

O designer precisa entender de Antropologia, precisa estudar Filosofia, Ciências Sociais, sair um pouco do contexto apenas do mundo do Design para projetar esse olhar para a sociedade. Para ele conseguir ter esta visão de que o Design é uma ciência que pode contribuir para toda a sociedade, em um serviço, na forma de operação de uma empresa, na parte visual, instrutiva, de sinalização, na pragmática do uso dos objetos. Para se entender o Design como algo que permeia todos estes campos, o indivíduo precisa ter uma formação multidisciplinar. Não que necessariamente precise estudar profundamente tudo isso, mas pelo menos conhecer e saber que é necessário lançar mão de determinados recursos, de acordo com a necessidade que terá em cada trabalho.

É importante que as escolas de Design forneçam aos estudantes este olhar ampliado. Precisa-se pensar no Design de uma forma ampliada como algo que possa beneficiar uma sociedade.

InfoBranding: E elas fazem isso?

 Algumas estão começando a fazer, outras acredito que ainda não. Esta conscientização está começando a ser propagada. Fora as faculdades, existem alguns hubs de disseminação do bom design no mercado, como empresas que se desdobram entre prestadora de serviço e disseminadora de conhecimento.

Posso citar a Laje do grupo da Ana Couto, que é um exemplo “super” clássico disso. A Ana tem um trabalho de agência e, ao mesmo tempo, criou a Laje que tem o propósito de disseminar o Design, como conhecimento e método para gerar inovação. Assim como ela, existem outros grupos que também estão começando a fazer isso. Esta atitude tem sido extremamente benéfica para trazer à sociedade esse olhar ampliado do que é o Design.

InfoBranding: Mas e o aluno? Aquele que almeja se tornar um designer.

 Atualmente não estou lecionando em curso de Design, sou professora em um curso de graduação em Publicidade e Propaganda e em um curso de pós-graduação em Branding. Vou responder como observadora e com o que percebo indiretamente pelo meu contato com os alunos.

Alguns deles percebem as oportunidades e outros não, mas isso faz parte do mundo. Vai ter aquele cara que vai se “antenar” e que vai se “ligar”; e vai ter aquele que não vai perceber, que vai continuar no mundinho dele. Acredito que até no mercado vai haver demanda para os dois tipos de profissional: o “antenado” vai se diferenciar, fazer projetos mais estratégicos e vai poder cobrar mais caro; e o outro vai continuar fazendo aquele trabalho mais caseiro para atender a demandas menores e mais restritas.

Essa questão do aluno é muito interessante, pois na sala de aula a gente percebe claramente quem são os alunos que estão entendendo o que a gente está dizendo e quem são aqueles que não estão. Às vezes, esse entendimento é questão de momento: ele não alcança aquilo naquele semestre e em 1 ou 2 semestres adiante ele percebe e se dedica. E tem aquele que não alcança nunca… (mas talvez ele estivesse no lugar errado desde o início).

Em que toda a faculdade acontece isso. Somos expostos a uma decisão de carreira muito jovens e o nosso mundo contemporâneo permite experimentação. Eu não acho que seja ruim, o aluno começar uma faculdade e cursar um pouco dela e depois sair ou trancar e fazer outra até que descubrir qual universo que ele quer seguir.

Estamos em um mundo multidisciplinar, e talvez o erro esteja na estrutura dos cursos, por serem tão rígidos. E de serem poucos multidisciplinares. Percebo que já existem instituições promovendo essa experiência multidisciplinar aos alunos, misturando alunos de diferentes cursos nas turmas.

Por exemplo, semestre passado eu fui docente em uma disciplina de Gestão de Marca com alunos de publicidade e hotelaria juntos, e foi super bacana. No primeiro dia de aula eu perguntei aos alunos: “O que vocês acham que Gestão de Marcas, Publicidade e Hotelaria tem em comum?” Aí eles pensaram, pensaram e começaram a discutir entre eles e a trocar ideias em sala de aula. Daí o grupo de hotelaria respondeu: “Em hotelaria nós trabalhamos muito a questão da hospitalidade”.

Esta foi uma visão ótima, porque no branding há também que se pensar na “hospitalidade” das marcas. A turma começou a trazer, do ponto de vista da hotelaria, uma visão de trabalho com stakeholder, o que é escopo do branding. E foi bom porque os alunos trabalharam juntos, e funcionou bem: cada área colaborando com a visão da outra de forma agregadora.

InfoBranding: Até porque depois, no próprio hotel, eles podem integrar a  estratégia de reposicionamento e vão ter que entregar isso para o cliente.

Exatamente, ele precisa ter uma visão de marca, de negócio, de gestão de negócio, que para a turma de publicidade talvez não fosse tão clara.

Por exemplo, se você coloca em uma turma só alunos de design você terá um resultado, agora se você pega um turma de design e você coloca alunos  de outras áreas você com certeza terá outro tipo de discussão, porque você terá olhares diferentes que agregam valor a todos. Mas eu também entendo que não é em qualquer momento que isso deve acontecer, não adianta ser no primeiro semestre. Há um momento, mais para o fim do curso, em que os alunos estão estar mais preparados para ter esse embate, essa discussão. Não conheço os currículos de todas as universidades para afirmar, mas a multidisciplinaridade contribui muito para ampliar a visão dos alunos em relação ao mercado como um todo e as suas necessidades.

 

 4) Quais são as principais habilidades que se destacam em um designer de sucesso?

  • Ter cultura, informação e curiosidade;
  • Ter metodologia para trabalhar, o que não significa ser metódico, mas sim saber trabalhar de uma forma organizada;
  • Acho que tem que ser um profissional aberto a colaboração, ser colaborativo. Não pode se achar o dono da verdade;
  • Ter dedicação, seriedade e compromisso;
  • Ter empatia, de saber de se colocar e olhar com sob a ótica do cliente, se colocar no lugar do cliente, do lugar do usuário, para conseguir entender as suas necessidades reais.

InfoBranding: É interessante que nesta resposta em momento algum você falou de “técnica”, isso não é uma crítica, mas é um ponto legal para se observar.

É que para mim, o profissional tem que ter curiosidade, criatividade e ser aberto a experimentação. E nessa experimentação vem a técnica, que evolui e é aprendida constantemente.

InfoBranding: Quando falamos de técnica, quisemos dizer que já está embutido na formação. Mas a sensação que dá é que os profissionais se prendem a técnica e se esquecem do que você mencionou.

Técnica você contrata. Eu acho que a técnica é importante mas não é a sine qua non, pois em um projeto você pode contratar pessoas específicas, com domínio técnico específico para executar determinada tarefa sob sua coordenação.

Aquele cara que fica preso na técnica, não vai muito longe se não tiver visão e domínio de gestão do processo como um todo.

Acho que a técnica é importante sim, mas ela amarra um pouco este desprendimento de você conseguir se colocar no lugar do outro, de ter esse olhar. A técnica você pode contratar, você não precisa necessariamente ter.

InfoBranding: A técnica é mais fácil de absorver…

 Por exemplo: Eu sou designer, eu não sou boa ilustradora, “técnica”. Se eu fosse uma boa ilustradora talvez os meus projetos fossem mais rentáveis, porque eu não precisaria pagar alguém para fazer para mim, eu mesmo poderia fazer. Mas eu tenho que pensar, qual seria o custo do meu tempo? Será que o meu tempo é para desenhar e ilustrar ou eu posso passar isso para alguém fazer e eu só gerencio? Então tenho que pensar em meu objetivo. Algumas competências são mais importantes do que a técnica.

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

 

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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No último dia 2 de setembro o InfoBranding teve o prazer de participar do 4º Midiaria.com Meeting que abordou o tema Podcast: Opiniões em ondas. O evento aconteceu em São Paulo e reuniu 4 especialistas para um bate papo com participação ativa da plateia.

Dentre os convidados para compor o time de especialistas estavam Caio Corraini, editor dos podcasts Braincast, Mamilos, Tecnocast e sócio do Gugacast e Jogabilidade; Ira Croft, coordenadora de Social Media da Agevole e co-criadora do canal de podcasts Mundo Freak + Ponto G; Gustavo Lopes, um dos produtores executivos responsáveis pelos podcasts do Estadão, e Pedro Vaz, docente do curso de Rádio, TV e Internet da Universidade Anhembi Morumbi. Assim, a bancada reuniu de forma inédita o ponto de vista da academia, da produção e do veículo de mídia.

Da esquerda para a direita: Kleber Pinto, mediador e sócio da Midiaria, Gustavo Lopes, Caio Corraini, Ira Croft e Pedro Vaz.

Antes de mais nada, Podcast é um conteúdo multimídia, no formato de áudio, disponibilizado via internet, podendo ser acompanhado via feed ou salvo via download para ser reproduzido em dispositivos móveis, como celulares e tablets, e também em computadores, quando e onde o usuário quiser. Seu conteúdo é o mais diverso possível, podendo abranger temas como tecnologia, política, humor, esporte, moda, negócios, entre outros; e podendo ser apresentado em diversos formatos.

Durante o bate papo cada especialista falou um pouco da sua atuação, abordando questões práticas do dia-a-dia como também o background e histórico profissional que os levaram até o mundo dos podcasts.

Eles mostraram que o podcast é uma realidade no cenário da mídia atual por trazerem conteúdo sob demanda, customizado e disponibilizado de forma a atender a necessidade do usuário que, cada vez mais, quer ter a autonomia de escolher o conteúdo que consome de maneira personalizada e adequada a sua rotina e, principalmente, a suas preferências.

Os especialistas abordaram o fato dos podcasts poderem ser produzidos por qualquer um que deseje expressar suas opiniões e abordar temas que gostam e que lhes dê prazer, o que, segundo eles, é um dos grandes motivadores da produção deste formato. Contudo, ressaltaram que a preocupação com o planejamento de conteúdo, produção, divulgação e acompanhamento constante de resultados e dados audiência é o que determina o seu sucesso, de forma a engajar o público e trazer possibilidade de monetização, profissionalizando o processo e oferecendo novas oportunidades de negócios e de compartilhamento de informações.

Dessa maneira é possível viabilizar o uso de podcasts no mundo corporativo, como parte integrante de estratégias de negócio, passando mensagens que reforçam posicionamento e criam vínculos com o público almejado por marcas, uma vez que suas características mencionadas anteriormente, exclusividade e customização, saltam aos olhos de quem é constantemente bombardeado por informações no dia-a-dia.

Se fosse possível resumir todo o conteúdo compartilhado no encontro e balizar o futuro dos podcasts em quatro palavras, estas seriam: profissionalização, mensuração, engajamento e testes constante. Um ponto que chamou atenção acerca do evento foi a sequência de conteúdo disponibilizada pela Midiaria.com, que contextualizou e preparou o público para a discussão junto aos profissionais.

Gostou do assunto? Quer saber mais sobre podcasts e como esse formato pode agregar valor a sua marca? Não perca tempo, acesse o conteúdo que o time da Midiaria.com preparou para abordar o assunto no link (http://materiais.midiaria.com/midiaria-meeting-podcast), lá você encontra entrevistas, infográficos e, é claro, podcasts!

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Toda marca tem uma história para contar. Uma história que tem início em sua concepção, ainda na fase de ideias e que, com o tempo ganha força e passa a ser contada no mercado dia após dia, conquista após conquista.

A história do InfoBranding começou no início de 2013, quando um grupo de especialistas em branding se reuniu para dar vida a um propósito: descomplicar o branding e gerar conteúdo de qualidade, para ser compartilhado com o mercado, difundindo boas práticas.

Não foi fácil, diversos desafios apareceram, mas nunca nenhum deles foi uma barreira. Nosso propósito era cristalino e estava difundido em nossa equipe, que transformam cada desafio em uma oportunidade de colocar o propósito da marca em prática.

Começamos com a ideia de criar um portal para que pudéssemos reunir e compartilhar bons conteúdos. Depois de muita discussão é um fervoroso brainstorming surgiu o nome InfoBranding, que une Informações e Branding e, a partir dele surgiu o “brroba”, símbolo que sustenta nosso logotipo é que logo despertou simpatia e passou a transmitir nosso conceito.

O portal se estabeleceu como centro de nossa ações pelo fato da internet facilitar e impulsionar o alcance e o acesso a marca. Mas queríamos mais, queríamos discussões é um contato mais próximo das pessoas que, assim como nos, tem paixão pelo branding e sede por conhecimento.

Criamos então os Diálogos InfoBranding, uma oportunidade de juntar em um só lugar especialistas referência no mercado com profissionais em desenvolvimento, para trocar ideias e experiências.

Nesses encontros buscamos sempre definir uma temática central para guiar a definição dos programas e a escolha dos palestrantes. Ao longo dos anos já abordamos diversos temas: inovação e design, gestão de marcas esportivas, marcas brasileiras, empreendedorismo feminino, brand experience, design thinking, estratégia de negócios entre outros, entendo a multidisciplinariedade que envolve o mundo da gestão de marcas e atestando nossa assinatura: Marcas, ideias e afins!

Nossa linguagem é descomplicada é só pode ser assim porque entemos do assunto é não negamos nossas raízes acadêmicas, por isso também participamos de todos os Congressos Internacionais de Branding, passando por Leiria(Portugal), Lajeado (Rio Grande do Sul) e São Paulo. Também lançamos um livro que reúne as pesquisas de nossos fundadores!

Em 2017 aumentamos nossa equipe, agregando o pessoal de Goiânia responsável pelo lançamento do AlfaBranding, intensificando nossas atividades e expandindo nossa atuação pelo Brasil.

E acha que estamos satisfeitos? Claro que não! Somos eternos inquietos e queremos sempre ir mais longe!

Quer fazer parte da nossa história? Então acompanhe nosso portal, siga-nos nas redes sociais, participe de nossos eventos, mandem conteúdos e nos ajudem a levar o InfoBranding para a sua região

Participe de nosso próximo evento:

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Toda marca tem uma história para contar. Uma história que tem início em sua concepção, ainda na fase de ideias e que, com o tempo ganha força e passa a ser contada no mercado dia após dia, conquista após conquista.

A história do InfoBranding começou no início de 2013, quando um grupo de especialistas em branding se reuniu para dar vida a um propósito: descomplicar o branding e gerar conteúdo de qualidade, para ser compartilhado com o mercado, difundindo boas práticas.

Não foi fácil, diversos desafios apareceram, mas nunca nenhum deles foi uma barreira. Nosso propósito era cristalino e estava difundido em nossa equipe, que transformam cada desafio em uma oportunidade de colocar o propósito da marca em prática.

Começamos com a ideia de criar um portal para que pudéssemos reunir e compartilhar bons conteúdos. Depois de muita discussão é um fervoroso brainstorming surgiu o nome InfoBranding, que une Informações e Branding e, a partir dele surgiu o “brroba”, símbolo que sustenta nosso logotipo é que logo despertou simpatia e passou a transmitir nosso conceito.

O portal se estabeleceu como centro de nossa ações pelo fato da internet facilitar e impulsionar o alcance e o acesso a marca. Mas queríamos mais, queríamos discussões é um contato mais próximo das pessoas que, assim como nos, tem paixão pelo branding e sede por conhecimento.

Criamos então os Diálogos InfoBranding, uma oportunidade de juntar em um só lugar especialistas referência no mercado com profissionais em desenvolvimento, para trocar ideias e experiências.

Nesses encontros buscamos sempre definir uma temática central para guiar a definição dos programas e a escolha dos palestrantes. Ao longo dos anos já abordamos diversos temas: inovação e design, gestão de marcas esportivas, marcas brasileiras, empreendedorismo feminino, brand experience, design thinking, estratégia de negócios entre outros, entendo a multidisciplinariedade que envolve o mundo da gestão de marcas e atestando nossa assinatura: Marcas, ideias e afins!

Nossa linguagem é descomplicada é só pode ser assim porque entemos do assunto é não negamos nossas raízes acadêmicas, por isso também participamos de todos os Congressos Internacionais de Branding, passando por Leiria(Portugal), Lajeado (Rio Grande do Sul) e São Paulo. Também lançamos um livro que reúne as pesquisas de nossos fundadores!

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Dia 25 de Maio aconteceu o evento Branding: Estratégia para Alavancar Negócios, uma iniciativa do InfoBranding e da Mentorii Comunicação para colocar o branding em discussão entre empreendedores em São José dos Campos e região do Vale do Paraiba.

Os temas foram estruturados de forma a mostrar ao empresariado como  a gestão de marca pode contribuir para a alavancagem do negócio, destacando-o das inúmera opções que disputam espaço no mercado e transmitindo valor para o público, tanto interno quanto externo à empresa.

O desafio de Branding na Gestão dos Negócios

Marcia Auriani, executiva de branding e gestora do InfoBranding, abriu as apresentações explorando o conceito de marca e sua abrangência, ilustrando com exemplos e aproximando sua percepção estratégica da realidade das empresas de menor porte que, muitas vezes, acabam por acreditar que a gestão de marcas é só para grandes.

Marcas orientadas pelo Propósito

A partir dos conceitos apresentados, Gabriel Meneses, gestor executivo de branding e design do InfoBranding aprofundou o tema do Propósito de Marca, abordando sua importância na sustentação da estratégia de branding (gestão de marcas) e mostrando, em forma de passo a passo, como trazer o conceito para a prática, de forma a mostrar para o empreendedor que aquilo que o diferencia e sustenta sua identificação e relacionamento com o público, pode sim ser colocado na prática, dependendo menos de grandes investimentos e mais de atitudes, atenção e força de vontade.

Marca INVOZ – Integrando Vozes Para O Futuro

Para fechar a equipe da Mentorii Comunicação, representada por Daniel Borges, Marcos Almeida e Vera Coralino consolidou os conceitos apresentados através da apresentação do case da marca Invoz – Integrando Vozes para o Futuro, do Instituto Ozires Silvas. O case transbordou propósito e gestão no seu desenvolvimento e, mostrou de maneira certeira, como é possível fazer uma marca acontecer através da gestão cuidadosa de todos os detalhes que integram uma estratégia de marca.

Após a apresentação os palestrantes e plateia interagiram e levaram adiante uma saudável troca de ideias, consolidando o sucesso do evento na integração e na necessidade de se discutir temas que podem fazer a diferença no mercado.

Temos certeza que muitos projetos virão desse encontro e, a gestão de marca, estará cada vez mais consolidada no empreendedorismo de nosso país.

A todos os envolvidos fica o nosso muito obrigado. Tenham a certeza que estamos sempre a disposição para falar de marcas, ideias e afins.

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Em seu novo livro intitulado “Marketing 4.0“, o guru do marketing moderno Philip Kotler dá continuidade a abordagem centrada no ser humano iniciada na obra Marketing 3.0 mas, dessa vez, focando nas relações entre o tradicional e o digital; o off-line e o on-line, como complementares e interdependentes.

O livro é dividido em três partes e onze capítulos, que vão se complementando de forma didática, contribuindo para que o leitor questione sua realidade e estabeleça relações diretas entre o conteúdo, repleto de exemplos práticos, e o dia a dia da marca que gerencia.

A primeira parte do livro é dedicada a apresentar tendências que estão moldando o marketing, de forma a contextualizar sua aplicação e promover uma reflexão interessante sobre os dias de hoje e a maneira como nossa forma de se relacionar com o mundo evolui junto com a tecnologia.

Dentre as tendências, destacam-se a da inclusão, a da horizontalização e a do processo de compra cada vez mais pessoal.

Inclusão no sentido de a conectividade diminuir distâncias e eliminar barreiras, de forma a permitir que as pessoas se comuniquem, criem comunidades e troquem experiências de forma abrangente.

Horizontalização da dinâmica de mercado, no que diz respeito a forma como as marcas inovam e se relacionam com as pessoas, cenário no qual os consumidores passam a fornecer insights, cocriar e relacionar-se de maneira mais próxima das marcas que, em contrapartida, precisam agir como seus pares e amigas;

Processo de compra mais pessoal na medida em que cada vez mais as pessoas estabelecem relações de confiança entre seus pares, buscando neles referências no momento da aquisição de um bem ou serviço.

Essa primeira parte segue adiante apresentando paradoxos que a conectividade trouxe ao marketing, com destaque especial a interação on-line x interação off-line que, por coexistirem e serem complementares, dão o tom para a continuidade dos conceitos abordados no livro.

Aprofundando no cenário digital e no impacto que ele traz para as empresas, Kotler aborda segmentos-chave que desfrutam de grande influência, os jovens, as mulheres e os nascidos na realidade da internet, denominados pela sigla em inglês YWN – Youth, Women and Netzens.

Para concluir a contextualização a qual se dedica a primeira parte do livro, são abordados conceitos que definem o papel do Marketing 4.0 na economia digital, de forma a completar a leitura de que a realidade mudou e com a mudança vieram novas estruturas com as quais profissionais precisam se adaptar. Dentre estes conceitos, há o aprofundamento do encontro do on-line com o off-line, abordado anteriormente, e que, agora, enfatiza os impactos que traz para a construção de significado para as marcas e como as relações máquina-para-máquina não se sustentam sem que coexistam com relações que integrem humanos com humanos, deixando clara a valorização das pessoas no centro das estratégias e reforçando a continuidade em relação à obra anterior, Marketing 3.0.

Após se contextualizar, o leitor encontra na segunda parte do livro um aprofundamento teórico acerca de das estruturas do marketing na economia digital.

O primeiro ponto abordado é a maneira como o consumidor se comporta diante de multicanais e da grande quantidade de ofertas e informações com as quais são bombardeados diariamente o que, acaba por confundir o consumidor, levando-o cada vez mais a dar preferência às informações que colhe de sua rede de amigos e familiares.

Nesse sentido, cabe às marcas entender tal dinâmica e perceber que múltiplos canais e múltiplas mensagens não necessariamente significam que sua comunicação aconteça de maneira eficiente e que, para melhor atingir seus objetivos, devem se concentrar no caminho de compra percorrido pelos consumidores, identificar os potenciais pontos de contato e reforçar, de maneira estratégica, os canais e as mensagens de modo pontual.

Com esse entendimento, o autor apresenta então um novo caminho do consumidor nesse cenário digital e multicanal, que vai do conhecimento à advocacia, isto é, a defesa voluntária da marca. Trata-se dos 5As, do inglês aware (consciência/conhecimento), appeal (apelo), ask (pergunta/questionamento), act (ação) e advocate (advocacia). Uma a uma cada fase vai sendo esmiuçada e explicada por meio de exemplos e análises específicas, proporcionando não apenas seu entendimento, mas também a reflexão do leitor ao aplicar tal conceito à sua realidade.

Foi nesse ponto do livro que a leitura revelou novos subsídios para o estudo e aprimoramento da gestão prática de marcas, pelo fato de apresentar aspectos que influenciam diretamente o desenho da estratégia de gestão. Por exemplo, ao apresentar cada fase do caminho do consumidor, o autor deixa claro que ele não necessariamente é linear, podendo inclusive ser espiral ou ter fases que são puladas pelo consumidor, dependendo das características do mercado no qual a marca atua.

Adiante com os conceitos, são apresentadas e explicadas métricas para o acompanhamento do conhecimento e advocacia de marca, permitindo medir os resultados obtidos com o consumidor ao percorrer o caminho de compra apresentado anteriormente. Essas métricas são o PAR (Purchase Awareness Ratio) e o BAR (Brand Advocacy Ratio) e seu entendimento e acompanhamento permitem medir a produtividade das ações da marca, além de indicarem melhores formas de analisar os resultados do processo.

Também são apresentados arquétipos da indústria em relação ao caminho de compra do consumidor e, em seguida, são sugeridas as melhores práticas para cada caso, em que são identificados qual fase, quais canais e que tipo de ação devem ser tomados para conduzir o consumidor do conhecimento para a advocacia de marca da forma mais eficiente possível.

A terceira e última parte do livro apresenta aplicações táticas de marketing na economia digital.

Primeiro é apresentado como marcas centradas no ser humano podem aumentar sua atratividade ao entender o comportamento das pessoas e adotar atributos que promovam sua aproximação como aspectos físicos atrativos, aspectos intelectuais que promovam a inovação e a solução dos problemas das pessoas, aspectos sociais que alavanquem engajamento, aspectos emocionais que impulsionem sua conexão com as pessoas, personalidade para defender seu propósito e posicionamento, e moralidade, de forma a serem guiadas por seus valores e buscarem sempre as melhores práticas para o seu sucesso sem ignorar os impactos causados na sociedade.

O storytelling e o marketing de conteúdo são abordados como formas de aguçar a curiosidade acerca das marcas, mostrando que aquilo que antes era vigente, como a veiculação de anúncios e peças publicitárias, deu lugar a conteúdos relevantes e dignos de serem compartilhados que, além de agregar valor ao público, ajuda a contar estórias envolventes sobre as marcas. A abordagem do conceito de marketing digital conta ainda com um passo a passo composto por oito etapas, ajudando o leitor a organizar suas ideias e planejar suas ações.

Esse ponto é especialmente relevante pois toca numa questão importante para o branding, uma vez que representa a necessidade de mudança do mindset das marcas, para se manterem em constante relacionamento com os consumidores, colocando em prática todos os conceitos apresentados anteriormente de forma simultânea e constante, em um caminho sem volta rumo à realidade conectada, transparência e queda de barreiras entre as marcas e seu público.

Essa mudança de mindset também se mostra necessária para o assunto que o livro aborda na sequência, o Omnichannel Marketing, ou marketing multicanal, como forma de impulsionar o comprometimento de marcas. A integração do tradicional com o on-line, tema que guia o conteúdo por todo o livro, ganha destaque como fator determinante para a construção de experiências completas para os consumidores e valorização das marcas.

A multiplicidade de canais implica ainda em comportamentos que geram a demanda constante por análise de dados (big data) e leitura comportamental, coroando as pessoas e as informações que geram como centrais em qualquer estratégia de marca.

Para finalizar o livro, são abordadas, com direito a apresentação de passo a passo, estratégias de marketing de engajamento para gerar afinidade com as marcas, destacando o uso de aplicativos mobile, gamification e social CRM para alavancar experiências e estimular conversas entre marcas e seu público.

Como bônus, o autor aborda o Momento do WOW, no qual o consumidor se surpreende com a experiência vivenciada e leva consigo a lembrança da marca que proporcionou tal momento, com grande propensão a se tornar seu defensor. O interessante nesse momento é o fato do livro deixar claro que o WOW pode ser projetado por meio do entendimento do caminho percorrido pelo consumidor, mostrando que marcas que buscam exceder os limites do bom serviço e atendimento podem se aproveitar da leitura de dados, das ferramentas digitais e da integração do tradicional e do digital para se tornarem inesquecíveis.

Tentando apresentar cada detalhe importante presente em Marketing 4.0, acabei por escrever muito, isso porque esta leitura me trouxe muitos insights e incentivos para considerar diversos aspectos do meu dia a dia como gestor de marca, percebendo que o cenário complexo no qual estamos inseridos –  marcado pela constante interação com múltiplos canais de comunicação que coexistem e, às vezes, se sobrepõe, e pela enorme quantidade de informações e exposição a demandas cada vez mais aceleradas – traz grandes desafios, mas também grandes possibilidades.

Espero que o conteúdo que apresentei tenha despertado seu interesse pela leitura de Marketing 4.0, a qual contribuiu muito com o meu conhecimento e vontade de sempre aprender mais! Me senti na obrigação de compartilhar com vocês.

Dados do livro:

KOTLER, Philip, KARTAJAYA, Hermawan e SETIAWAN, Iwan. Marketing 4.0: Moving from Traditional to Digital. New Jersey: Wiley, 2017.

PPhilip_Kotlerhilp Kotler é uma das maiores autoridades mundiais do Marketing. É mestre e doutor em economia pela Universidade de Chicago e pelo MIT respectivamente, além de possuir um pós-doutorado em matemática pela Universidade e Harvard e em Ciência Comportamental pela Universidade de Chicago. Autor do best-seller Administração de Marketing, Kotler contribui constantemente com o estudo e aplicação do Marketing, tendo escrito mais de cinquenta livros e contribuído com a trajetória de grandes empresas como General Eletric, IBM, Ford, Motorola, Merck, Disney, Intel, At&T e Nike.

 

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