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Você já deve ter reparado que o mobiliário urbano de Sampa ganhou uma nova cara. Estão sendo instalados novos relógios e pontos de ônibus.

E quem é paulistano percebeu mais um fato: a publicidade voltou às ruas da cidade, desde que foi implantada a lei da Cidade Limpa em 2007.

O consórcio Pra SP, formado por Odebrecht, TV Bandeirantes, Kalitera Engenharia e o grupo Ruas, vai trocar e instalar 7.500 pontos de ônibus e 12.500 totens em 3 anos. O projeto prevê mais novos pontos e sua manutenção até 2017. O investimento gira em torno de R$ 167 milhões e em troca poderá explorar a publicidade.

O negócio parece lucrativo, pois há uma grande demanda para esse tipo de exposição visto que com a lei do ex-prefeito Kassab foram proibidos os outdoors e propagandas nas fachadas. A nova prefeitura petista contornou essa lei, dando ao consórcio o monopólio de exploração de publicidade no mobiliário urbano.

São quatro modelos criados pelo designer Guto Indio da Costa. O modelo “caos estruturado” e o “brutalista” estarão na maior parte da cidade. O modelo “high-tech” com painel digital será instalado em centros financeiros, como a Av. Paulista e a Berrini, o modelo discreto “minimalista com ginga” aparecerá no centro antigo.

Os abrigos são cobertos por vidro ou plástico transparente e tem estrutura de aço ou concreto. O modelo que se vê atualmente na maioria das avenidas é o “caos estruturado” e tem um painel de anúncio de 2 m², com iluminação noturna.

Sim, novo mobiliário é moderno e bonito, digno de uma cidade cosmopolita como São Paulo. Mas não é muito funcional. O projeto errou feio ao não ser concebido pensando na manutenção e no usuário. A cobertura e a parede de vidro fragilizam a estrutura e já surgiram os primeiros pontos depredados. Imagine se chover granizo!

A escolha do material não foi muito feliz, em dias ensolarados, o abrigo não protege do calor. O vidro até tem listras opacas que tentam amenizar os raios solares, mas eles não são efetivos, seria mais efetivo colocar uma cobertura opaca e mais resistente.

Outro ponto é a padronização do mobiliário em termos arquitetônicos. Os novos relógios têm um desenho bem diferente dos novos pontos de ônibus. Os abrigos têm linhas estruturais retas de aço avermelhado rústico, enquanto os relógios tem um totem com desenho curvo e orgânico. Os elementos não se conversam, o único ponto em comum é a presença publicitária.

A exploração dos anúncios é tão forte que ao percorrer a Av. Brasil é possível contar 12 relógios ao longo 2,3 km. Quase todos os cruzamentos tem um totem e isso é bem irracional. Quem precisa checar as horas ou a temperatura de quadra a quadra?

A solução da prefeitura que deixou para a iniciativa privada a troca do mobiliário urbano é uma ideia boa, assim a administração municipal pode investir recursos públicos em outras áreas debilitadas, como a educação e a saúde. Mas essa parceria não pode ser irresponsável, a prefeitura deve policiar e regularizar a exploração desses elementos que constituem a paisagem urbana de uma cidade tão importante como São Paulo, caso contrário, continua o caos que já estamos acostumados a viver.

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Cofundadora e Gestora Executiva de Comunicação no InfoBranding Arquiteta e Designer com experiência em Comunicação Corporativa, desenvolve projetos e campanhas de apoio à vendas, eventos apresentações e faz gestão de atendimento. É formada em Arquitetura e Urbanismo pela USP e pós-graduada em Gestão de Marcas e Branding pela BSP. Cofundadora e colunista do InfoBranding e co-autora do livro” Do boteco ao escritório: Práticas de gestão de marcas”. Tem foco em Tendências de Consumo, Design e Inovação. Suas palavras-chaves são: organização, criatividade e praticidade.

2 Comments

  1. Olá, muito interessante esse texto. para acrescentar, os relógios são outro design sim e foram criados por dois arquitetos brasileiros: Ruy Ohtake e Carlos Bratke. Não são mais relógios termômetro, mas mostram a hora e a qualidade do ar.

    • Lets Ikeda Reply

      Obrigada pela informação, R. Gimenes.
      Pena que faltou coerência de estilos entre os projetos.

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