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Comunicação e Marketing

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Constantes transformações que acontecem a todo momento nos âmbitos social, econômico, cultural e tecnológico impactam a todos, inclusive as marcas, que precisam se posicionar e conquistar a atenção de seu público.

Com as informações circulando rapidamente, a construção de conhecimento demanda da capacidade analítica das pessoas, que precisam ser capazes de filtrar, relacionar e validar tais informações, e da capacidade criativa para alcançar diferenciação e inovação.

E como o DESIGN pode ser utilizado como ferramenta estratégica e transmitir com suas aplicações o propósito das marcas, promover diferenciação e impacto emocional com seus públicos no ponto-de-venda?

Sabemos que cada marca segue seu propósito (o alicerce de sua estratégia) e, de acordo com seus valores, busca atingir seus objetivos.

Os objetivos podem ser distintos, mas todos convergem ao fator humano e, inerente a ele, às emoções. E estas, por sua vez, podem ser compreendidas, representadas e transmitidas através de estratégias facilitadas pelo design.

O design, como uma ferramenta catalizadora de ideias, tanto no que diz respeito a gestão dos processos quanto na execução do produto ou serviço, pode auxiliar na construção das relações estabelecidas com o cliente: pautadas na emoção e construídas pela articulação de mecanismos racionais.

Como uma poderosa ferramenta de auxílio à gestão, o design possibilita a comunicação com seus públicos utilizando-se da empatia, compreendendo suas necessidades, desejos e viabilizando ações alinhadas ao posicionamento da marca.

PDV E BRAND EXPERIENCE

No ponto-de-venda, brand experience (experiência de marca) é fundamental! E para promover experiências, mais uma vez, exige atenção aos fatores emocionais que motivam seus públicos de interesse:

“Quando se trata de desconstruir a experiência do consumidor, as emoções, muito frequentemente, não são devidamente levadas em conta. Isso é um tanto quanto surpreendente, porque toda experiência do consumidor estimula emoções. Assistir a um anúncio na TV, usar um produto ou relacionar-se com um vendedor pode dar início a uma série de sentimentos. Além disso, as emoções residem no coração das necessidades e desejos dos consumidores, e as escolhas do assim chamado “consumidor racional” são sempre influenciadas, e não raro conduzidas, emocionalmente”. – Liam Fahey, cofundador e líder da Emotion Mining Company, cofundador do LeadershipForum e professor do BabsonCollege.

“Mas e se o consumidor se sente desconfortável com a marca? E se a loja faz com que o cliente se sinta desprezado? E se a cor do produto desperta emoções negativas associadas ao time de futebol que o cliente detesta?” questiona Fahey. Fatores como estes podem fazer com que a racionalidade torne-se secundária no processo de decisão.

Entra em cena, então, o design, que “pode enriquecer nossa vida envolvendo nossas emoções por meio de imagens, formas, texturas, cores, sons e aromas. A natureza intrinsecamente centrada no ser humano do design thinking aponta para o próximo passo: podemos utilizar nossa empatia e conhecimento das pessoas para projetar experiências que criem oportunidades para o envolvimento e a participação ativa.” (BROWN, 2010, p.109).

DESIGN REFLETIDO NO PDV

Toda marca tem a responsabilidade de comunicar ao mercado a identidade da loja, ou melhor, transmitir o conceito do negócio por meio da identidade da marca em todos os seus elementos de contato com o consumidor final afim de identificar, diferenciar, agregar valor e tornar seus produtos ou serviços mais competitivos.

Sendo assim, o design pode ser expressado por meio de suas aplicações:

  • Design gráfico (logotipos, tipografia, identidade visual, projetos de sinalização, entre outros, trabalhando também com a comunicação visual – a sinalização do ambiente é fundamental para o consumidor identificar e localizar de maneira fácil os ambientes ou setores nas lojas);
  • Design de produto (embalagem, interiores e ambiental);
  • Design digital, interativo e web (ferramentas essenciais para muitas marcas que atuam com atendimento online e e-commerce, pois hoje o número de pessoas que utilizam a internet como meio de compra tem aumentado, fazendo da internet um grande ponto de contato da marca e, para muitas, seu único canal de venda). Para Keller e Machado (2006) muitas empresas tiveram que melhorar seu serviço online para serem competitivas: “É fundamental criar aspectos exclusivos da marca que sejam importantes para os consumidores, tais como conveniência, preço, variedade e assim por diante. Ao mesmo tempo, a marca precisa apresentar um desempenho satisfatório em outras áreas, tais como serviços, credibilidade e personalidade. Nesse sentido, os clientes começaram a exigir, cada vez mais, níveis mais elevados de serviços durante e após suas visitas ao site.”
  • Design de interiores (permite apresentar a proposta do posicionamento da marca para o consumidor por meio do visual merchandising);

É necessário utilizar-se de maneira planejada as ferramentas estratégicas da marca: Instalações (equipamentos, mobiliário, suportes etc.), Layout, Produto, Fachada, Iluminação, Vitrine, Serviços!

Todos os pontos de contato precisam ser pensados visando a funcionalidade, agilidade e harmonia para o cliente. Ao contrário do que muitos varejistas pensam, tais projetos necessitam e dependem de profissionais especializados para desenvolver um ambiente que possa se comunicar com o shopper sem que o mesmo precise de ajuda para sentir-se atraído a conhecê-lo e se encantar com a marca.

O varejo é um dos pontos da materialização das promessas de sua comunicação onde é exibida a “personalidade” da empresa. E o PDV, um ponto de contato que permite ao consumidor vivenciar esta promessa e se permitir ou não uma relação que ultrapassará o momento de compra.

Segundo Eisner (2011), do Disney Institute, o cenário pode responder tanto pelos aspectos físicos quanto psicológicos do atendimento: “a maior parte da experiência do atendimento acontece durante o passeio pelo cenário”. E esta experiência não se restringe aos cenários físicos. As plataformas virtuais, inclusive de e-commerce,também permitem ao consumidor este atendimento. Eisner ainda ressalta:  “O fato é simplesmente que tudo, animado e inanimado, comunica algo aos clientes. Não apenas tudo tem algo a dizer como também influencia os clientes. As mensagens transmitidas pelo cenário alteram as percepções dos clientes em relação aos produtos e serviços que vendemos”.

Para o Walt Disney World, por exemplo, cada detalhe é estudado e pensado. Os elementos que compõem um cenário vão além das propriedades físicas: projeto arquitetônico, paisagismo, iluminação, cores, sinalização, design de orientação no piso, textura da superfície do piso, pontos de referência e placas de orientação, detalhes internos e externos, música e som ambientes, cheiros, experiências táteis e sabores. O cenário ainda inclui “o trabalho de manter e melhorar o ambiente e os objetos dentro dele”. (EISNER, 2011).

Branding e design são conceitos que andam juntos na geração de valor, contribuindo entre si para a evolução do mercado por meio da inovação, comunicação, relacionamento e práticas sofisticadas de gestão, que, por sua vez, são aplicáveis tanto em empresas de maior poder econômico quanto em startups e PMEs. A diferença entre sua aplicação ou não reside na maneira como os indivíduos interpretam a realidade atual e transforma sua leitura em conhecimento, trazendo soluções que de fato tenham valor para as pessoas.


Adaptação do artigo científico apresentado no III Congresso Internacional de Marcas/Branding – Economia Criativa (2016). Autores: Amanda Higa, Gabriel Meneses e Marcia Auriani.

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Vivemos indiscutivelmente em um mundo urbano. No Brasil, mais de 84% da população vive nas cidades.

Do período entre 650 AC e 1800, a população mundial das áreas urbanas pouco mudou. Foi a partir de 1850 que os grandes centros urbanos tiveram seu crescimento acentuado drasticamente.

Para termos uma ideia, Roma, a “capital do mundo” no ano 1 D.C, tinha 1 milhão de habitantes. A ONU, por sua vez, estima que em 2050, 89 países terão mais de 80% de sua população vivendo nas áreas urbanas, ou seja, o Homo Sapiens se transformará no Homo Sapiens Urbanus.

Esse aumento da população concentrada nas cidades, aliada à falta de planejamento urbano e de políticas públicas eficientes, criou, recentemente, um interesse enorme pelas questões urbanas.

Vivemos um boom de ações que envolvem a qualificação do espaço público, o engajamento comunitário, a vida em comunidade, a cidadania. Não foi sempre assim? Não.

“A cidade é grande Zeitgest desse começo de século.”

As cidades, por sua vez, disputam investimentos, talentos, turistas, em um cenário cada dia mais dinâmico e competitivo, mas como elas podem se diferenciar umas das outras?

Identidade ou imagem?

Essa discussão tão comum ao universo do consumer/ corporate Branding também aparece no universo do Place Branding, tanto no Brasil quanto no mundo, criando uma confusão danada na cabeça de um monte de gente. Isso é conhecido pelos especialistas como um “hot topic”, ou seja, aquela parte da conferência onde sempre tem aquela rivalidade entre as torcidas.

Mas afinal, qual a diferença entre essas abordagens? Elas são a mesma coisa?

Segundo o Place Brand Observer, as diferenças fundamentais são: enquanto o Place Branding foca em como e o que cria um lugar, o Place Marketing foca em como esse lugar pode ser promovido. Além disso, o Place Branding requer decisões estratégicas, investimento e colaboração e o Place Marketing mira nos públicos-alvo, orientando suas ações para o mercado.

Uso uma comparação mais simples e direta:

“O Place Branding olha para dentro. O Place Marketing olha para fora”

Existe um sem o outro?

Nesse momento, vale lembrar do bom e velho Kapferer e sua matriz de emissão X recepção. Enquanto o Branding trabalha com a emissão, ou seja, o que a minha identidade é capaz de gerar de mensagem alinhada e coerente, o Marketing trabalha com a recepção, ou como os públicos decodificam ou percebem a minha marca, ou seja, qual a minha imagem percebida.

Ainda nessa mesma reflexão, podemos concluir que a imagem é, por sua vez, resultado de uma identidade localizada e nunca vice-e-versa. Atenção especial para o conceito de “localização” de identidade e não “construção” de identidade, isso faz toda a diferença do mundo. Se identidade é algo intransferível, único, distintivo e inato, ela não pode ser criada. Criação e identidade não cabem numa mesma frase no Consumer Branding e também não cabem na mesma frase no Place Branding.

Mas podemos ter só Place Marketing então? Sim, podemos. Aliás, temos muito mais exemplos de Place Marketing do que Place Branding, no Brasil e no mundo. Por quê? Oras, por que é infinitamente mais fácil!

Calor, Cor e Alegria

Durante os Jogos Olímpicos, tive o prazer de mediar uma mesa redonda no Rio de Janeiro cujo objetivo era discutir qual Rio de Janeiro queremos “vender”. Em plena retomada momentânea do orgulho nacional há tanto esquecido, em um auditório entupido de cariocas pergunto: quais as características de identidade do Rio? A princípio a resposta foi calor, colorido e alegria, conceitos difundidos, porém atrelados tanto ao Rio quanto a Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Cartagena, Barbados, Belize, Cuba… Com essa minha ponderação e sob o olhar indignado da plateia, outro painelista lança: paixão! Opa, melhorou. Paixão por que ou por quem, pergunto eu. Mais olhares de reprovação. Sim, nós não paramos pra pensar no que nos torna únicos, afinal, desde o papagaio malandro Zé Carioca, nós nos vemos e somos vistos desse jeito. Será que isso faz sentido, ou melhor, será que isso se sustenta?

É essa mesma mestiçagem que se ressignifica em “malandragem” no início do século 20 e se converte em ícone nacional na figura preguiçosa de Macunaíma, de Mário de Andrade, ou então na personagem do Zé Carioca, criada por Walt Disney em 1942 para o filme Alô; amigos.  Naquela ocasião, Zé Carioca introduzia Pato Donald nas terras brasileiras, bebendo cachaça e dançando samba junto com o mais famoso e teimoso pato de Disney. Tamanho foi o sucesso do simpático papagaio brasileiro que três anos depois a mesma personagem voltava às telas, desta vez como estrela principal do exótico desenho Você já foi à Bahia?, que apresentava ao público norte-americano “as belezas dessa terra alegre de Carmen Miranda”. Com efeito, era o próprio olhar que vinha de fora que reconhecia nesse malandro simpático”(Disney, 1945) uma espécie de síntese local, ou ao menos uma boa imagem a ser exportada. ( KATRI e SCHWARCZ)

É muito fácil cair na armadilha de dizer aquilo que se quer escutar. O problema é que quando se presume quem se é baseado em esteriótipos, muito provavelmente se presume o que se quer escutar com base nos mesmos princípios. São nesses momentos que vemos uma cidade como São Paulo sendo “vendida” como “cidade global”.

Antes de continuarmos vamos entender o que é uma cidade global. O termo foi cunhado por Saskia Sassen e se refere às cidades que têm efeito direto e tangível sobre assuntos globais através de meios sócioeconômicos, inicialmente se referindo a Londres, Nova Iorque e Tóquio (1991).

No ranking de 2010 da GaWC (Globalization and World Cities), índice criado no departamento de geografia da Loughborough University, a cidade brasileira mais bem colocada, categorizada como Alpha, é São Paulo, 14º lugar. Desta forma, podemos afirmar que sim, São Paulo é uma cidade global. Dito isso, o que mais podemos dizer sobre ela, uma vez que ela está no mesmo universo indicativo de Milão, Beijing, Toronto, Mumbai, Los Angeles e Jakarta, por exemplo? O que qualifica a cidade de São Paulo diante das suas concorrentes?

Para podermos comunicar aquilo que somos, é importante sabermos aquilo que somos. Isso inclui uma reflexão profunda sobre a nossa essência, enquanto povo, enquanto cultura, enquanto cidade, país. Além de um simples diferencial, é preciso encontrar a singularidade inerente aos nossos lugares, que necessariamente passa pela qualificação de conceitos abrangentes e genéricos como calor, cor, alegria e paixão.

Essa confusão, ou melhor, esse pensamento genérico disfarçado de diferencial, é justamente o paradigma que o Place Branding se propõe a discutir. Antes de repetirmos conceitos irrelevantes, que tal olharmos mais a fundo e procurarmos de fato a nossa identidade: Ao localizá-la teremos, não só um diferencial, mas, acima de tudo, uma singularidade. Diferente é relativamente fácil ser. Singular, único, dá mais trabalho, mas a recompensa é infinitamente maior.

Como sempre, é importante definirmos Place Branding. A definição que uso dá nome ao livro que publiquei recentemente; pra mim, a melhor definição é a que aborda o Place Branding como um processo que: “Identifica vocações, revela identidades e fortalece lugares”.

Com essa definição, situamos o Place Branding como uma abordagem claramente estratégica, que parte da essência do lugar, portanto, das pessoas que vivem esse lugar (e não só as que vivem nesse lugar) para depois utilizar esse DNA na promoção dos ativos do mesmo.

Dessa forma, também conseguimos indicar uma outra velha dúvida dos profissionais e do mercado: onde termina o Place Branding e começa o Place Marketing?

A ex-república soviética do Tartaristão, com pouco menos de 4 milhões de habitantes, tem Place Branding. E o Brasil? Quais cidades vocês acham que têm essa abordagem de forma estratégica? Pensou em Campos do Jordão? Passou longe…

 


Referências Bibliográficas

ESTEVES, Caio. Place Branding- Identificando vocações, potencializando identidades e fortalecendo lugares. Ed. Simonsen, Santos, 2016.

KATRI, Lilia e SCHWARCZ, Moritz. Complexo de Zé Carioca. Notas sobre uma identidade mestiça e malandra. ANPOCS, 1994

KAPFERER, Jean – Noel. As marcas, capital da empresa: criar e desenvolver marcas fortes. 3ed. Porto Alegre: Bookman, 2003.

SASSEN, Saskia – The Global City: New York, London, Tokyo. Princeton University Press. 1991

http://placebrandobserver.com/quick-guide-difference-between-place-branding-and-marketing/https://www.youtube.com/watch?v=kc21_xzM9d4#action=share


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Caio Esteves é fundador da Places for Us, 1º consultoria especializada em Place Branding do Brasil, e também a 1º startup certificada com o selo B corp de impacto social. Autor do livro “Place Branding”, 1º livro sobre place branding do país. Colaborador, membro do conselho consultivo e jurado do City Nation Place, congresso internacional de Place Branding em Londres, Membro do Institute of Place Management de Manchester-UK e associado a IPBA- International Place Branding Associaton. Coordenador da Pós-graduação em Branding do IED-SP. Idealizador e coordenador do MBA Place Branding das Faculdades Integradas Rio Branco. Professor de branding no IED-SP, Rio Branco-SP e Alfa- GO.

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2016 não foi fácil para ninguém. Não vou falar da crise econômica nunca antes vista neste país. Também não vou falar do grande índice de desemprego que assola o mercado, principalmente nas áreas de marketing e comunicação.

Como em todos os períodos complicados na economia e na política, muitas empresas reduziram suas áreas de comunicação e marketing pelo simples fato de encarar estas como custo, não como investimento estratégico para a manutenção das vendas ou até mesmo para o crescimento da empresa em tempos difíceis.

Lembro que no final dos anos 1990, eu trabalhava em uma das primeiras empresas de “anúncios online” e as vendas estouraram pelo simples fato da internet ser uma novidade, e pelo baixo investimento considerando os preços das mídias tradicionais como jornais e TV aberta. Milhões de pequenas, médias e grandes empresas inundaram os portais e sites com banners e gifs animados com promoções e anúncios. O mercado foi inundado de agências e freelas que se especializaram em websites e o conteúdo de portais como UOL, Yahoo, AOL (lembra dele?) e tantos outros desapareciam em meio de tanta publicidade.

De lá para cá, o mercado evoluiu, surgiram novas tecnologias, novos hábitos de consumo, uma geração inteira conectada cresceu, o BIG DATA gera bilhões de bites de informação por segundo sobre tudo e todos, novas redes sociais surgiram e temos acesso à informação pelos nossos celulares em qualquer lugar.

O que percebi? O mesmo movimento que vivenciei no fim do século passado. Um verdadeiro “efeito manada”. Empresas e profissionais prometendo aumentar o número de curtidas e seguidores em questão de horas, informações superficiais (em sua maioria) sendo vendidas como conteúdo, e, em minha opinião o pior, somos obrigados a ver e ouvir milhares de anúncios pelo simples fato de ter feito uma pesquisa sobre algum produto, serviço ou assunto no Google.

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E esta demanda por mais e mais anúncios e campanhas online tem um grande efeito colateral. Mensagens ralas e superficiais como acontecia na era dos classificados off-line. Será que estas agências e as empresas que aprovam estas campanhas não pensam que hoje o consumidor quer uma propaganda com conteúdo relevante? Que esta enxurrada de anúncios só serve para afastar o consumidor e encher os bolsos das agências e veículos?

Infelizmente contam-se nas teclas “F’s” do teclado as marcas que criaram campanhas realmente marcantes baseadas em experiências e, principalmente, que utilizaram o marketing online como ferramenta de algo maior, e não como um grande hidrante de anúncios jorrando um logotipo goela a baixo do maior número de pessoas possíveis.

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Para mim, o social media é uma ferramenta de comunicação e marketing, como o rádio, a televisão, a embalagem e tantos outros meios e veículos. Só que com vantagens enormes: a interação imediata com o consumidor, maior mensuração de retorno e a possibilidade de ajustes “quase” em tempo real.

Então, porque não pensar o social media como um caminho para criar e/ou reforçar experiências reais com os consumidores? Como um verdadeiro canal de interação e não de postagens bobas com um design legal? Penso que, em sua grande maioria, os consumidores ainda percebem o mundo pelos 5 sentidos. E experiências marcantes não são vividas através de pequenas telas brilhantes. Estão no cheiro de um café servido em um copo com o seu nome, estão na possibilidade de vivenciar a pilotagem de um carro de Fórmula 1 e até quando sua marca de cerveja preferida pensa em sua segurança quando fala para você maneirar no consumo porque vai dirigir.

Por fim, marcas, marqueteiros e afins: menos anúncios e mais experiências em 2017.

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Se pararmos para pensar e analisar um pouco, vivemos constantemente rodeados de inúmeros rituais. Sequências de atividades que definimos no nosso dia a dia, a forma como nos preparamos e apresentamos um projeto, cultos religiosos, costumes e atitudes particulares de um grupo, como times de futebol, ou grupo de amigos.

Enfim, os rituais estão presentes na nossa vida e é comum nos identificarmos e encantarmos com alguns deles.

Um dia presenciei o quanto um ritual pode estar também ligado ao encantamento e envolvimento de uma marca. Eu estava na área de café em uma empresa cliente, quando veio um rapaz fazer a substituição do galão de água no filtro. Como estava com um belo uniforme, impecável, já me despertou atenção para o que estava fazendo.

Isso mostra a importância de todos os pontos de contato, inclusive um uniforme, serem bem trabalhados. O rapaz abriu uma maleta, também bonita e impecável, retirou um par de luvas plásticas novas, destas cirúrgicas, e as colocou rapidamente. Isso também me chamou muita atenção, pois só quem já tentou colocar estas luvas sabe como é difícil. Depois, pegou um produto líquido e um pano e fez uma assepsia no galão antes de abri-lo.

Abriu o galão e fez assepsia no filtro antes de colocá-lo. Colocou o galão com muito cuidado e técnica para não derrubar a água e, mesmo não tendo derrubado, passou um pano no filtro para garantir a limpeza. Talvez, mais difícil do que colocar as luvas, é não derrubar a água, pois também só quem já trocou um galão sabe que é impossível. Enfim, foi uma prestação de serviço perfeita.

Mas, só fui me dar conta do quanto aquele ritual da troca de água foi diferenciado e encantador, quando na mesma semana, em outro cliente na área de café, e por ventura presenciando também a troca do galão de água, vi uma pessoa executando o serviço de qualquer jeito, sem assepsia, sem técnica e deixando o filtro molhado. Neste exato momento me recordei do belo ritual que havia presenciado e como, com um simples procedimento e uma pessoa bem treinada e engajada, uma empresa se diferenciou e proporcionou uma experiência positiva e memorável aos que presenciavam seus serviços.

Pode ser que este ritual que presenciei não seja efetivamente um treinamento e orientação que foi dado pela empresa, mas sim uma forma de prestar o serviço pensada por aquele funcionário em questão. Por isso, é muito importante que as empresas pensem em rituais de marca que gerem experiências positivas e memoráveis a seus clientes. Um bom ponto de partida é analisar o comportamento e forma de fazer dos seus funcionários mais engajados e elogiados.

Rituais de marca bem definidos, além de encantarem os clientes, podem ser uma boa ferramenta de diferenciação e geração de valor, principalmente em mercados comoditizados, onde os produtos em si não apresentam diferenciações técnicas competitivas.


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Gabriel Saul Maialli

Atua como gerente de Branding em uma multinacional do agronegócio, é especialista em Branding pela Business School SP, ministras palestras e aulas sobre Gestão Estratégica de Marcas e é membro do Comitê de Branding da ABA.

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Hoje em dia é muito comum lermos sobre diversas startups com ideias inovadoras oferecendo soluções para um leque ainda mais diversos de necessidades. Veja o Uber, por exemplo, que ofereceu algo completamente inovador para o serviço de mobilidade urbana. Mas, mesmo se você entrar em um mercado sem quaisquer concorrentes, é apenas uma questão de tempo antes que surja outra marca para ameaçar a sua posição.

Por isso que, empresas que apostam seu diferencial apenas nos seus modelos de negócios ou nos produtos/serviços propriamente ditos, estão fadados a ter uma existência curta. Em vez disso, você tem que se posicionar como uma força única no mercado através de novas tecnologias ou de novas práticas inovadoras para começar a construir um negócio distinto.

Aí que entra o branding.

 Mesmo assim, esse nível de distinção não é suficiente. Você tem que criar uma (nova) imagem dinâmica, completamente independente dos seus concorrentes. Esta imagem se manifesta, principalmente na promessa e nas características da sua marca. Ou seja, através de uma estratégia de branding. Se executada corretamente, sua marca vai ganhar uma vantagem competitiva considerável para se destacar no mercado.

Pensando nisso, encontrei 2 exemplos bem interessantes de empresas que usaram o poder do branding para se posicionarem e assumirem um destaque único em seus respectivos mercados:

 

Zappos

Em 1998, Tony Hsieh teve a ideia de criar uma loja virtual de calçados. Naquela época, este conceito era muito estranho e todos que investiram no negócio estavam tomando um grande risco.

Ao invés de focar apenas na conveniência das compras online ou na qualidade dos calçados oferecidos, como a maioria dos varejistas fazem, a Zappos construiu uma marca em torno do serviço ao cliente e a experiência. O objetivo da Zappos é criar um contato pessoal e emocional com o cliente.

Para isso, a marca rompeu com todos os modelos de gestão de negócios (não há hierarquia na empresa, por exemplo), trabalha fortemente no desenvolvimento destes objetivos também com o público interno e, mesmo sendo vendida para a Amazon em 2013, manteve todos estes princípios e tornou-se um case study e modelo para diversos setores da economia.

O modelo da Zappos, de focar em uma experiência única para os clientes, pode parecer uma perda de tempo ao curto prazo, mas é um investimento em um defensor da marca, gerando assim um cliente fixo e recorrente.

 

Como diz Scott Bedbury em sua definição de branding:

 “Uma essência fundamental, que não é física nem definida exclusiva ou inteiramente por produtos ou serviços. O conceito de marca provoca uma resposta em seu público, sem que este veja o produto ou experimente os serviços diretamente”.

 

Lyft

O Uber continua sendo o concorrente a se bater no mercado de mobilidade urbana em as cidades em que atua. Entretanto, na Califórnia surgiu uma empresa que está se tornando um grande concorrente para o Uber: a Lyft. Sediada em São Francisco, tem atraído milhões de dólares de financiamento, já conta com milhares de motoristas cadastrados e o principal, goza de uma base de usuários fiéis.

Mais o que a Lyft tem de especial? Afinal ela não tem preços mais baratos do que o Uber, não usa uma tecnologia inovadora e tão pouco oferece um serviço diferente. Então, como a Lyft consegue ganhar cada vez mais mercado?

 

Branding.

 

Enquanto a promessa do Uber é centrada em oferecer um transporte de qualidade por um preço acessível, a Lyft optou por uma abordagem mais pessoal, concentrando na construção de uma comunidade de usuários e no estabelecimento de uma relação de confiança. Sua linguagem é mais casual, com cores vibrantes e aposta em diversos eventos para conectar passageiros e motoristas que já estão familiarizados com este sistema de mobilidade. Ao fazer o Uber parecer frio e corporativo em comparação à Lyft, a empresa tem feito um trabalho de construir uma imagem mais próxima dos seus usuários, o que a tem transformado em uma forte concorrente ao Uber.

Por fim, se você está com problemas de se diferenciar no mercado em que atua, pense em utilizar o Branding como estratégia para ter uma vantagem competitiva e redefina sua marca. Torne-se um “disruptor” e apresente uma imagem e uma personalidade que ninguém mais em seu mercado poderia mostrar. Pois com um posicionamento bem definido você terá a oportunidade de atrair não só mais clientes, e sim verdadeiros defensores da sua marca.

Combinando isso com uma oferta de qualidade e uma proposta de valor única, nada irá impedi-lo de tomar conta do seu mercado.

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Neste mês de agosto, a primeira Olimpíada realizada na América Latina está sendo realizada no Rio de Janeiro. Diferente da Copa do Mundo de 2014, onde houve um imenso apoio popular, não estamos vendo uma grande empolgação por parte dos brasileiros para os Jogos. Ainda mais com os diversos escândalos que os organizadores estão envolvidos, o momento crítico econômico e político em que o país está vivendo e os bilhões de reais gastos para apenas 30 dias de evento sem deixar um legado para a cidade e para o país.

Por todos os valores que os Jogos Olímpicos representam, muitas marcas querem estar associadas ao maior evento esportivo do mundo, seja pela visibilidade (estima-se que mais de 5 bilhões de pessoas acompanharão os jogos), ou para terem suas marcas associadas a estes valores.

Pesquisando na página oficial dos jogos, algumas marcas me chamaram à atenção: dos 11 patrocinadores Mundiais dos Jogos, a Coca-Cola é a mais antiga (desde 1928) e por toda a sua história e posicionamento está condizente com o evento. Mas olha só: a Bridgestone, maior fabricante de pneus do mundo, fechou um contrato com o COI até a Olimpíada de 2024! Olhem a “justificativa” deles:

Este patrocínio, nascido de um processo de seleção mútua, alinha a missão da Bridgestone de “Servir à sociedade com qualidade superior” com o Movimento Olímpico e seus valores, cujo objetivo é colocar o esporte a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade para promover uma sociedade pacífica e a preservação da dignidade humana. Os produtos abrangidos pelo acordo de patrocínio da Bridgestone incluem: rolamentos de isolamento sísmico, que são usados para proteger estruturas de danos causados por terremotos; bicicletas não motorizadas, segmento em que a empresa tem inovado há mais de 60 anos; e toda a sua gama de pneumáticos, tornando a Bridgestone a empresa oficial dos pneus dos Jogos Olímpicos.”

Pensando em branding, o que o “servir a sociedade com qualidade superior” tem a ver com “colocar o esporte a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade para promover uma sociedade pacífica e a preservação da dignidade humana”?  Penso que estes posicionamentos são bem diferentes e está claro que o investimento é puramente mercadológico. Para o público em geral há alguma relevância em saber que os “pneus oficiais dos Jogos Olímpicos” são desta marca? Das 48 modalidades, apenas 4 usam pneus…

Pensando nos patrocinadores oficias, Bradesco, Bradesco Seguros, Correios, NET, Claro, Embratel e Nissan, já existe um histórico de patrocínio e apoio ao esporte na estratégia destas marcas e nada mais natural de aproveitar os Jogos para consolidar este posicionamento.

Mas quando olhamos os fornecedores oficiais, tirando alguns serviços que são essenciais, algumas marcas me chamaram à atenção pelo fato de se realmente vale a pena investir tanto em um evento apenas para ter sua marca associada ao Jogos Olímpicos? São elas:

Dica do Chef – empresa fornecedora de lanches prontos, congelados e refrigerados. Ok, as pessoas precisam se alimentar. Não conheço esta marca, mas quando se clica no link deles na página oficial não leva a lugar nenhum! Além disso, é notório a quantidade de reclamações que este tipo de serviço “oficial” recebe nestes grandes eventos.

Gree e Komaco – empresas de ar-condicionado e aquecedores. Realmente eles acreditam que um atleta ou turista vai se lembrar que o ar-condicionado do ginásio era da marca X ou Y? Só se ele não funcionar. Qual o valor agregado que estas marcas terão depois dos jogos? Vale o investimento?

3 Corações – café moído. Sabemos que a cafeína é um estimulante e muito utilizado para praticantes de esportes. Pode ser uma oportunidade, entretanto, não vi nenhuma peça de comunicação da marca divulgando ser o fornecedor oficial de café dos Jogos e não vejo nenhum valor relevante para a marca ao se associar aos Jogos.

Hospital dos Olhos Paulista – este foi o fornecedor mais “exótico” que encontrei. Não vejo nenhuma associação de valor no posicionamento de um hospital oftalmológico com os Jogos Olímpicos. Segundo o site, eles estão prevendo mais de 2.500 atendimentos durante todo o evento e farão ações de prevenção de doenças oculares e palestras. Sinceramente, quem vai em uma Olimpíada para ver uma palestra sobre prevenção de doenças oculares?

Como coloquei em meu artigo “A sua marca precisa da Copa?”, é sabido que a lembrança da marca de um patrocinador em um grande evento é mínima e, com tantos problemas envolvendo a percepção dos Jogos Olímpicos do Rio o risco de ter sua marca vinculada à esta é muito alto. Penso que, como a maioria das empresas ainda pensam que apoiar ou patrocinar um evento deste porte trará resultados a curto prazo. Só que se esquecem que o legado para suas marcas durará muito mais do que os 28 dias dos Jogos.

Aí fica a pergunta: será que estas marcas levarão o ouro?

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São Paulo, a maior cidade da América Latina, com 462 anos, quase 12 milhões de habitantes e 96 bairros, vem se mostrando palco de movimentos políticos, sociais, culturais e de muita agitação. Isso não é uma novidade em se tratando de São Paulo. É uma cidade multicultural, que agrega a diversidade entre pessoas e opiniões, que nem sempre respeitam as opiniões dos outros, e como consequência, a cidade sofre.

O objetivo deste humilde artigo é refletir as diversas visões e a identidade de São Paulo e ainda visualizar sua imagem em vários momentos. Claro que não se esgotará, mas ainda convido você para registrar as suas visões desta cidade que eu realmente adoro!

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Ando, passeio, trabalho pela cidade. Vejo em cada muro uma manifestação de sentimentos, em cada paisagem de pedra um pouco de sua identidade. Nos seus pontos mais conhecidos como a Praça da Sé, o encontro dos jovens na Praça Roosevelt, que é também os encontros de muitos pets… Muitas vezes registro, pois considero obras de artes e, em alguns casos, degradação. Mesmo diante de tudo isso, percebo que é uma cidade que a cada momento chama a atenção e atrai muitos outros olhares que as pessoas buscam conhecer.

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No carnaval, aos poucos começa ganhar estrutura e se tornar ou retornar a ser referência de carnaval de rua, movimentos sociais e culturais reforçam a sua identidade de Diversidade e Acolhimento.

Mas qual a relação disto com Branding? Muita coisa.

Branding é a gestão de marcas, onde há a relação dentre outros elementos, de imagem, identidade e cultura, e São Paulo tem diversas amostras de que cada muro, rua, prédio é uma característica própria da cidade. E como está acontecendo com diversas cidades, com o objetivo de estimular o turismo, afinal, uma cidade também visa o seu lucro no final do seu exercício, a própria Cidade de São Paulo possui BrandBook  (http://spturis.com/marcasp/MarcaSP.pdf).

O BrandBook tem por objetivo apresentar a essência da marca, seus pilares e maneiras de se comunicar com o público. Foi uma iniciativa bacana, no que tange a promoção dos serviços e pontos importantes para quem vem conhecer a cidade. Veja, é necessário uma gestão de todos esses elementos, como em uma organização, ou marca de produto. É importante o gerenciamento, verificar os públicos de interesse para oferecer o que se deseja, ou pelo menos, o que é necessário.

No entanto, o que quero salientar é que apesar de um trabalho de gestão em torno da cidade, o mesmo pode ser pouco efetivo quando a população ou clientes dela não percebem valor e ainda degradam o que é de uso e propriedade comum. Como por exemplo, os monumentos da cidade. Muitos estão pichados e destruídos e muitas vezes por conta das manifestações, outras pelo simples desrespeito. Como toda grande cidade apresenta problemas de saúde, saneamento básico, segurança, desemprego… mas de certa forma, esta cidade ainda mantêm a sua beleza, não só no centro, como também em todos os demais bairros.

Há pouco tempo, em uma série que conta as histórias dos bairros de São Paulo (https://www.youtube.com/watch?v=7yNiU3c2cNM) , descobrir que passo todos os dias pelo monumento mais antigo da cidade de São Paulo, o Largo da Memória, no Centro de São Paulo, atrás do metrô Anhagabaú, próximo ao Terminal Bandeira, e ele já passou por algumas restaurações, mas não fica intacto por muito tempo. No local é feita limpeza duas vezes por dia, mas continua sendo foco de acumulo de lixo e proliferação de ratos (eu presencio as limpezas, os lixos e ratos… argh).

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É culpa da prefeitura? Da população? Dos ratos? Realmente, imagino que há uma somatória e uma quantidade interessante de culpados, mas, como Paulistanos, temos uma marca, temos uma história, temos direitos e deveres, mas quando cobramos os outros e quando cumprimos o que devemos?

Não tenho a menor intenção de fazer discursos ou defesas políticas ou sociais, a intenção é somente refletir sobre esta cidade que vivenciamos todos os dias pelo meio de transporte e transito, pelos serviços e tempo, pelas pessoas e suas ações. Somos agentes de disseminação e proteção desta marca, e é necessário conscientização e cuidado para com ela, para que possamos usufruir de tudo que ela pode nos oferecer com lazer, serviços e cultural. E se for necessário cobrar o poder público, vamos cobrar… mas por favor, recolha o seu lixo e pare de jogar as latinhas e garrafas de cerveja no meio da praça. Combinado?

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Normalmente espera-se de um atendimento cordialidade, respeito, sorriso no rosto e que você identifique no funcionário à sua frente todos os valores que você acredita que a marca possui.

Por outro lado, a empresa, além de esperar altas vendas, acredita que seu funcionário tenha atenção a necessidade de cliente, conheça exatamente qual a sua função e cumpra as expectativas daquele quem está atendendo, conforme descrito acima.

Então, de acordo com o processo básico de compra, já apresentado em diversas edições de Kotler e por outros importantes pesquisadores: 1) necessidade; 2) pesquisa/busca de informações; 3) avaliação das alternativas; 4) decisão de compra; 5) pós-compra. E correndo tudo bem, o cliente sai satisfeito e compartilha a sua experiência com outros, podendo fidelizar-se a marca e atrair novos clientes. Cliente feliz e empresa feliz!!! Certo? Não sei! Rs

Nos dois primeiros parágrafos, relatei de maneira simples as duas pontas do relacionamento empresa/cliente e nas duas situações citei o funcionário. Neste processo, há diversos fatores que são essenciais para a conclusão de maneira positiva e o funcionário ou, se preferir, colaborador é um deles.

E a razão que falo isso é que de fato o funcionário é essencial para a organização, como aquele que inova, que gerencia, que lidera, que produz, que opera, que se relaciona… E como defendo na maioria dos meus artigos, o funcionário é agente disseminador da cultura organizacional. E tive uma experiência com uma marca e depois com o funcionário dela… Entenda que separei a marca do funcionário, que apesar de serem distintos, no momento  do relacionamento com o cliente eles devem ser UM, considerando as premissas de branding. A história foi interessante.

Entrei em uma loja de vestuário feminino, no período de dia das mães, e claro que não deixaria minha mãezinha sem o mimo dela S2. Escolhi alguns produtos, uma atendente veio falar comigo, ofereceu ajuda e me deu algumas sugestões. Fui muito bem atendida.  Em seguida me dirigi ao caixa, uma fila de 2 pessoas, não me incomodei, afinal até o momento estava tudo bem, e então cheguei ao atendente do caixa. Fui recebida com uma saudação cortês e um sorriso no rosto (o script sendo cumprindo) e o funcionário pega o produto para tirar o equipamento se segurança e começa falar: “Senhora, não aguento mais… 7 anos nesta empresa, já fiz de tudo, mas cansei… as coisas não são tão cor de rosa assim e ainda não oferece tanta coisa assim pra gente, mas a crise tá difícil… vou continuar. É débito ou crédito? Volte sempre e excelente noite!”. Sai de lá pensativa, mas fui muito bem atendida.

As principais expectativas (da empresa em vender e do cliente em sanar uma necessidade) foram atendidas, mas diante deste desabafo do último atendente toda experiência vivida com a marca, pode cair por terra, pois a imagem que se tem de uma marca deve ser refletida em todos os seus pontos de contato, e no caso relatado, não foi. O funcionário estava insatisfeito com a empresa por diversas questões e despejou tudo isso no cliente (EU)!

Compartilhando este caso com uma amiga e colaboradora também do InfoBranding, Patrícia Gatti, ela lembrou que um dos P’s do varejo é People, ou seja, Pessoas (também Kotler fala sobre isso). E isso mostra o quão importante é essa pessoa no processo de compra. Se preocupar com o público interno é tão importante quanto a preocupação com público externo. Não adianta falar em qualidade em atendimento se não houver qualidade no tratamento com o funcionário, pois ele transparece isso para o cliente. Quem quer comprar de uma empresa que trata mal o seu funcionário? Se faz-se isso com o funcionário, o que ela pode fazer com o cliente?

Sempre reflito sobre essa relação empresa e funcionário e como esta precisa ser sadia e favorável a ambas, mas quando não há mais a colaboração de um dos lados da relação, independente da razão, o descontentamento pode se tornar um elemento da identidade da marca.

Podemos citar o McDonalds, que além de oferecer lanches rápidos e ser conhecido mundialmente, tem uma imagem negativa em relação aos seus funcionários. A Disney é reconhecida por uma cultura e relacionamento com o funcionário muito forte e positivo, além de ser uma marca relacionada a criatividade e sonhos. Ambas as marcas tem algum reconhecimento do público referente às suas relações com os funcionários. E isso, repetindo, reflete na identidade da marca.

Vocês se lembram da sequencia de vídeos bem humorados do “Porta dos Fundos” criticando o atendimento da rede de restaurantes Spoleto? Também busca refletir sobre a hora da verdade, o momento em que o contato com o produto ou serviço, entre cliente e funcionário/marca, acontece.

Neste sentido, me atrevo a dizer que é importante cuidar do seu público interno. Entendo o quanto é difícil contentar a todos, afinal, muitos precisam garantir o seu salário no final do mês, mas se atentar as situações nas quais sua marca possa ser sabotada é fundamental.

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Imagine a seguinte situação. Sexta-feira, 17h49. O grupo do trabalho no Whatsapp está pipocando mensagens sobre onde vocês farão o happy hour. Só na região da Vila Madalena há centenas de opções. Você sugere o “Bar X” porque tem um ambiente legal e música ao vivo. 18h01 já estão todos prontos rumos ao “Bar X” para se divertirem depois de uma semana de trabalho.

Sabemos que o mercado gastronômico é extremamente competitivo e é cada vez mais difícil distinguir um local do outro por serem tão semelhantes tanto em suas propostas bem como no tipo de serviço.

Por isso Ser uma marca é o que separa você de seus concorrentes e cria uma conexão muito mais forte com seus clientes.

Entretanto, há uma diferença importante entre investir em promoções ou qualquer outro esforço de marketing e realmente transformar-se em uma marca. Se você quer ser uma marca – que deve ser o seu objetivo final – você precisa entender a diferença entre o que os seus clientes “necessitam” e o que eles “querem”.

Necessidade. Nossos clientes precisam de certas coisas do nosso negócio. A necessidade é preenchida por um benefício funcional – um fato ou atributo racional sobre a sua empresa. De um modo geral, a maioria dos concorrentes em qualquer campo oferecem mais ou menos os mesmos benefícios funcionais e podem, portanto, geralmente atender as necessidades de seus clientes. Se eles não as atenderem, eles não estariam no negócio. Pensem em uma praça de alimentação de um shopping ou na esquina da rua Mourato Coelho com a rua Aspicuelta, na Vila Madalena.  Todos os estabelecimentos atendem à uma certa necessidade mais ou menos da mesma forma.

Querer. Para ser verdadeiramente bem-sucedido no negócio gastronômico, seus clientes têm de ir além do apenas precisar suprir uma necessidade com o seu produto ou serviço para realmente o querer. Enquanto eles podem precisar dos benefícios funcionais que sua empresa oferece, é importante para a sua marca que eles queiram escolher o seu estabelecimento sobre outras opções. O “querer” é o que separa o seu negócio de outros, e o transforma em uma marca.

“Querer” é uma emoção, e, portanto, representa os benefícios mais inconscientes que o seu negócio e marca oferece. Quando você alcança um nível emocional com seus clientes, você se torna uma marca em suas mentes. Você fez uma conexão emocional que se eleva acima das características funcionais e que constrói a lealdade. É a “necessidade” que o transforma de um produto ou serviço qualquer a ser uma marca desejada.

Vamos pensar na happy hour do começo do artigo. Todos do grupo querem tomar uma cerveja e relaxar depois de uma semana de trabalho. Todos poderiam passar em algum supermercado ou posto de gasolina e comprar uma cerveja e tomar em casa. Da mesma forma que todos poderiam parar no barzinho da esquina e fazer o mesmo. A necessidade seria suprida, certo?

Mas digamos que você, pessoalmente, sugeriu o “Bar X” porque o espaço dele é amplo, o que acomodaria todos do grupo, o custo da cerveja é justo, o atendimento é cordial, as músicas são do gosto da maioria e outros grupos de outras empresas também frequentam o mesmo “Bar X”, o que pode propiciar um bom lugar para a paquera também (para os solteiros).

Você “quer” estar no “Bar X” porque sua experiência anterior lá foi boa. Você se sentiu bem lá. E você quer ir lá novamente por causa de como a marca o fez se sentir. É uma escolha emocional com base em benefícios emocionais que a marca fornece para você, pessoalmente.

Esta marca, para você, subiu acima dos benefícios funcionais de apenas uma cerveja gelada para os benefícios emocionais do que a marca trouxe para você.

Encontrar o “querer” é a chave para a construção de uma ligação mais forte, mais emocional com seus clientes. E é este benefício emocional que se tornará a base do seu plano de marketing e criará um vínculo com seus clientes onde eles trarão novos clientes e, com isso, seu estabelecimento estará sempre com movimento.

Por fim, pense nas suas atividades diárias com os clientes, comece a pensar sobre como você pode se conectar emocionalmente com eles. Leve-os além do apenas precisar de você para realmente querer você.

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O que é Marketing Sensorial?

É um conjunto de estratégias que analisa o comportamento do cliente, criando um vínculo emocional entre o produto e o consumidor. É a maneira de explorar as sensações percebidas pelos cinco sentidos humanos e transformá-las em diferenciais competitivos. Esta estratégia tem conquistado cada vez mais espaço centralizando os esforços na transformação da experiência do consumo, em uma atividade envolvente e marcante, considerando que os 5 sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato) são responsáveis pelas nossas decisões.

Há alguns anos, Martin Lindstron, uma das 100 pessoas mais influentes no mundo, teve a necessidade de provar a importância da percepção sensorial no ato do consumo, isso virou uma pesquisa mundial que acabou se transformando em livro. O livro envolveu 600 pesquisadores no mundo todo, falando diversos idiomas, em diferentes culturas, sendo realizado em 13 países. Ou seja, “Estima-se que 40% das 500 marcas mundiais da Fortune incluirão uma estratégia de branding sensorial em seu planejamento de marketing até o final dessa década. Sua sobrevivência no futuro simplesmente vai depender disso! Se as marcas quiserem construir e manter a fidelidade no futuro, terão que estabelecer uma estratégia que apele a todos os sentidos. Não há outra saída!”

Os Sentidos

Quando utilizamos um dos os 5 sentidos é liberada no cérebro a dopamina, que é o mesmo neurotransmissor que produz as sensações do prazer que sentimos ao fazermos algo prazeroso. Eles são os responsáveis pelo controle emocional do comportamento humano. Por isso os pontos de contato são elementos essenciais para a relação do consumidor com a marca. O apelo multissensorial afeta diretamente a percepção da qualidade do produto e consequentemente o valor da marca e do produto.

A Música

A música é o despertar da emoção, por isso o correto é utilizamos essa estratégia desde a estrutura da criação da marca ou do produto, passando pelo endomarketing e chegando até o envolvimento do PDV. A música abre o canal emotivo, extra sensorial e curador que alimenta a alma, sua utilização se dá em fazer as pessoas se transportarem para o local que estão ouvindo, agindo diretamente no inconsciente, fazendo com que as pessoas sintam a sinestesia e construam a identidade visual, olfativa, tátil e degustativa e, assim, sentir a necessidade de estar, de querer e de ter. Ela define a situação! Por isso, música não é produção, música é criação! Agora imagine, o que o produto ou a marca poderá causar por meio de uma música no coração e na mente das pessoas? Ritual, Clima, Sentimento, Sensações, Balanço, Memória, Emoção, Alma, Viagem, Identidade, Credibilidade, Felicidade, Evangelização, Ritmo, Prazer, Experiência, Confiança. Sem contar que é a única que pode amarrar todo o planejamento de sua campanha.

Sound & Music Branding

É o processo que transforma o conceito e a linguagem visual da marca ou produto em uma linguagem sonora única e especial, que deve ser aplicada em todos os pontos de contato com o consumidor, causando o tão esperado “recall” da marca e do produto. Quando bem utilizada, a estratégia pode garantir um aumento de vendas em até 28% no PDV criando um microclima sensorial, e 60% a mais de aproveitamento dos funcionários. Pesquisas indicam que o consumidor chega a passar 30% mais tempo nos estabelecimentos que “despertam boas sensações”, o que resulta em mais vendas.


Por Vanessa Mandotti:

Diretora de Criação e Atendimento (Conteúdo/Cena), trabalhou na TV Globo por 18 anos, 7 anos em agência de publicidade e é proprietária desde 2004 da Primeira e Única Produtora de Áudio especializada no Marketing Sensorial através do Sound & Music Branding www.ideacreativemusic.com, chegando a ser em 2015 tema de TCC no BSP BUSINESS SCHOOL SÃO PAULO Laureate international Universities Master em Gestão de Marcas e Branding e criando em 2016 a www.brandingsensorial.com.br, onde ministra palestras corporativas e motivacionais, oferece workshops, presta consultoria especializada, cria e desenvolve projetos de Branding Content e lança produtos e marcas. Com prêmios reconhecidos com conceitos sonoros no “Master Imobiliário” em 2012 / 2013 / 2014 / 2015. Em 2013 foi vencedora do Concurso Cultural de Música com criação e concepção do Hino Oficial do Mercadão Municipal de São Paulo. Em 2011 foi vencedora do Prêmio da melhor campanha do Ministério Público de SP com o filme “Contra a Pedofilia”. Em 2009 foi revelação na TV Globo com a melhor história de maior pico de audiência no “Domingão do Faustão”. Possui 8 projetos de Economia Criativa na industria da Comunicação em andamento, dois deles on line já concluídos e no ar “O Banco de Trilhas e Locutores mais bacana e fácil de comprar do Brasil” em www.trilhandoidea.com.br em 2015 e o “1o Reality Show de Competição Comportamental na internet” em www.caonossodecadadia.com.br em 2016.

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