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O meu objetivo aqui é te levar à reflexão e te tornar uma pessoa melhor do que você era antes de ler este artigo, ou seja, agregar valor.

O design em sua essência

Sempre, ou pelo menos quase sempre, quando o assunto é causar um impacto na sociedade, todos ou pelo menos quase todos falam sobre líderes, marcas, etc., e quando se trata de influenciar pessoas ou massas, pode-se falar sobre filmes, livros, novelas, etc. Mas é raro vermos a discussão sobre o papel de um designer.

O Designer desempenha um papel importante não só formação da infraestrutura, mas também dos aspectos do estilo de vida e mentalidade de uma sociedade. Por quê?

“O Design fornece sensações que estabelecem a percepção criando a nossa reação diante de tal.”

Como o design muda a forma como programamos o nosso estilo de vida do dia a dia?

Para começar, lhe convido a imaginar uma cidade mal projetada, rodovias inseridas aleatoriamente, sem nenhuma sinalização, casas construídas aleatoriamente, uma verdadeira bagunça. E agora lhe convido a comparar este exemplo anterior a uma cidade bem planejada e projetada de qualquer escala que você possa imaginar. O impacto do ambiente definitivamente muda a forma como programamos nosso estilo de vida do dia a dia.

Trazendo um exemplo em uma escala menor, como os motoristas dirigirem na estrada com listras pintadas para marcar pistas, do que em comparação com a mesma rodovia sem listras.

O artigo “What Is The Importance Of Road Markings?” fala sobre a importância das listras nas rodovias e como isso ajuda no dia a dia do motorista.

Como uma pequena multidão ou um grupo de pessoas se sentaria em um lugar público se a mobília fosse bem organizada com uma cadeira ou um arranjo de mesa, ou um banco, ou um modelo de mesa projetado especificamente, do que em comparação a cadeiras coladas aleatoriamente?

Desde nossos primeiros momentos de vida, nosso cérebro forjou conexões avançadas através de um campo de processos cognitivos, mesmo sem nossa consciência deste acontecimento.

Cada som, sentimento, visão e além foi perfeitamente integrado em nossa compreensão da experiência diária, e forneceu a base para cada decisão que tomamos. Nossa sensação do mundo ao nosso redor fornece a informação para estabelecer a percepção, permitindo que cada pessoa experimente a realidade subjetiva através da qual nós navegamos nossas vidas.

“O design influencia as pessoas e qualquer coisa que possa influenciar as pessoas pode causar impacto na sociedade.”

 O que podemos fazer para utilizar o design para provocar mudanças positivas em nosso dia a dia?

É inegável que o design pode causar mudanças sociais. Mas a questão é: quais mudanças podem criar e por quê? Quais são as necessidades ou demandas?

Uma vez que você entende a “engenharia” do design você pode utilizar ao seu favor no dia a dia e, de pouco em pouco, transformar o mundo em sua volta para provocar mudanças positivas.

Por exemplo, no caso da publicidade, um bom design pode encorajar a ação correta. No caso da arte, o bom design pode estimular o pensamento e a reflexão.

O Design Emocional, conceito elaborado por Don Norman, nos ajuda a compreender como fazemos nossas decisões diante dos objetos de nosso dia a dia.

Essas decisões acontecem em três dimensões, denominadas Design Visceral, Design Comportamental e Design Reflexivo. Essas três dimensões distintas estão sempre entrelaçadas em qualquer design. Não é possível ter design sem todas as três.

Fonte da imagem: Interaction Design Foundation

O nível visceral é pré-consciente, anterior ao pensamento. É onde a aparência importa e se formam as primeiras impressões. Design visceral diz respeito ao impacto inicial de um produto, á sua aparência, toque e sensação.

O nível comportamental diz respeito ao uso, é sobre a experiência com um produto. Mas a própria experiência tem muitas facetas: função, desempenho e usabilidade. A função de um produto especifica as atividades que ele suporta, para as quais ele foi projetado; se as funções são inadequadas ou não tem nenhum interesse, o produto tem pouca valia.

É somente no nível reflexivo que a consciência e o mais altos níveis de sentimento, emoções e cognição residem. É somente nele que o pleno impacto tanto do pensamento quanto da emoção é experimentado.

Nos níveis inferiores, visceral e comportamental, existe apenas afeto. Interpretação, compreensão e raciocínio só ocorrem no nível reflexivo.

Dos três níveis, o reflexivo é o mais vulnerável à variabilidade através de cultura, experiência, grau de instrução e diferenças individuais. Esse nível também pode anular os outros.

Agora que você pode compreender o processo de percepção e reação das pessoas ao design, você talvez poderá “controlar” suas decisões e observar qual seria o melhor caminho a ser tomado.

“Você não pode controlar o que você não entende.”

Caso queira compreender mais sobre o Design Emocional você pode adquirir o livro na Amazon ou pode ter uma grande elucidação através do TedXTrês formas como o design os faz felizes” apresentado pelo Don Norman em pessoa.

Eu gostaria de finalizar com um incrível parágrafo de Don Norman em seu livro:

“Somos todos designers

Somos todos designers quando reorganizamos objetos e móveis em nossas casas, quando escolhemos o livro que queremos ler, quando nos decidimos por estes ou aquele sapato e transformamos coisas e espaços em nossas próprias coisas espaços. Somos todos designers quando “transformamos casas em lares, espaços em lugares, objetos em pertences”. Embora não tenhamos o controle sobre o design dos muitos objetos que compramos, somos livres para escolher o que usamos e como, onde, com quem e quando os usamos.

“Mesmo que isso pareça trivial e superficial, a essência do design está presente: um conjunto de escolhas, algumas melhores que outras e talvez nenhuma plenamente satisfatória.” Avaliar e escolher a melhor alternativa. Assim podemos resumir o ato de projetar. 

Todos nós somos designers – e temos de ser.

Os designers profissionais podem criar produtos que sejam um prazer de olhar e usar. Más não podem tornar alguma coisa pessoal ou com a qual se criem vínculos. Ninguém pode fazer isso por nós: temos de fazê-lo nós mesmos.”

Kevin Alves é um empreendedor polimático com ênfase em estratégia de marca. Fundou a agência de design Pencimagico, que atua ajudando empresas a criarem uma conexão emocional mais efetiva com seus clientes utilizando práticas no estado da arte do design. Além disso, escreve artigos sobre o tema do design, disseminando uma visão de mundo no qual o design faz parte do epicentro do negócio.

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O design é uma disciplina abrangente que se caracteriza por meio de projetos que solucionam problemas, atendem necessidades e despertam desejos, sempre com foco no usuário ou, como é mais comum se dizer, no público-alvo.

Como diria Brigite Borja de Mozota, o Design mescla aspectos científicos e artísticos em seu processo, que atendem tanto funções práticas quanto aspirações psicológicas e sociais:

 

“As técnicas do design combinam o caráter lógico da abordagem científica e as dimensões intuitivas e artísticas do trabalho criativo.”

MOZOTA, Brigitte (2011, p.17)

 

Assim como o Design o Branding também é uma disciplina abrangente que, por meio da análise do ambiente e do público, entrega valor que diferencia a marca trabalhada das demais ofertas semelhantes no mercado.

Uma das maneiras pela qual essa diferenciação acontece é justamente pelo Design, seja ele aplicado no próprio produto ou serviço trabalhado ou, seja ele aplicado na comunicação da marca para o mercado e na consolidação de sua identidade.

De uma maneira ou de outra, Branding e Design andam juntos e, por conta disso, muitos designers acabam ingressando no universo do branding. Mas como isso acontece? Bom, é isso que este artigo busca explorar.

O elo mais marcante entre as duas disciplinas é o fato do design, quando aplicado ao mercado, atender a demandas de marcas, que o incluem como parte fundamental de suas estratégias, participando os designers no processo de elaboração e demandando desses profissionais o entendimento do todo vs. o pontual.

Em outras palavras, desde que inicia sua atuação no mercado o designer sente na pele a necessidade de entender a diferença entre Estratégia e Tática, o que possibilita que ele tire o melhor proveito de seus conhecimentos, desfrutando ao máximo do papel transformador do design para os negócios e sociedade.

Ao desdobrar o planejamento estratégico de uma marca nos deparamos com diversas questões que se relacionam com as áreas do design:

Design Gráfico: presente na criação e gestão do logotipo e identidade visual de uma marca, garantindo que ela se apresente de forma marcante e coordenada, contribuindo para a identificação e diferenciação (dois dos pilares mais importantes da gestão de marcas) e facilitando que o consumidor reconheça aquela marca da forma mais rápida e direta possível.

Design de Embalagens: além de possibilitar o transporte, contribuir para a utilização e conservação do produto, otimizar sua logística, as embalagens também contribuem de forma significativa para a diferenciação e construção de marca pois, no ponto de vendas, a embalagem é o primeiro contato visual do público com a marca e influencia em questões de posicionamento, precificação e percepção de qualidade.

Design de Produtos: um dos Ps do famoso Mix de Marketing o P de Produto é fortemente influenciado pelo design, capaz de reforçar suas características tecnológicas e funcionais, facilitando seu uso, diferenciando pela beleza e sofisticação, agregando valor e despertando desejos.

Design Digital: em uma era marcada pela digitalização das relações e crescente utilização de tecnologia mobile, se apresentar de forma distinta na internet é parte determinante da estratégia das marcas. Seus sites são seu ponto de contato digital para o qual as interações convergem e, muitas vezes, é o primeiro contato do público com a marca.

Design de Serviços e Experiências: áreas discutidas mais recentemente, o design de serviços e experiências tem o usuário como foco e são responsáveis pelo desenvolvimento de processos que facilitem a interação das pessoas com as marcas em seus mais diversos momentos, da pesquisa para conhecer mais sobre a proposta, passando pelo uso do produto e serviço até chegar ao atendimento pós venda e momento de recompra, onde o ciclo recomeça.

Design de Interiores: responsável por tangibilizar o propósito e os conceitos da marca em seus pontos de contato físico, de forma a receber e acolher o consumidor em um universo pensado especificamente para transmitir uma mensagem e entregar o valor proposto de forma direta.

Do processo ao ponto de contato o Design está intimamente ligado ao Branding e contribui para a construção e consolidação de marcas fortes, capazes de impactar o mercado e a sociedade de maneira tão determinante que conquistam nada menos que o reconhecimento e a aspiração do público.

Nessa dinâmica destaca-se o foco nas pessoas e o impacto que o projeto lhes traz, demandando dos profissionais envolvidos reflexões e atualizações constantes que os capacitam para atuar em um cenário no qual tudo se relaciona e se transforma em uma velocidade vertiginosa.

Para as marcas, vale destacar que, muito mais do que um recurso estilístico, o Design é uma disciplina de cunho estritamente estratégico, capaz de desenvolver soluções criativas, inovadoras, que otimizam recursos e impulsionam resultado pelo fato de tangibilizar aspirações em soluções práticas.

Portanto, pense Design e construa Marcas que de fato impactam o público por serem legítimas e inconfundíveis.

 

Referências:

MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação coorporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

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O mundo está em constante mudança, atualmente os consumidores estão mais imersos nas experiências que as marcas podem proporcioná-los. Neste contexto, o conceito de Customer Experience, que contempla metodologias e técnicas de Design de Experiência, ou também chamado, User Experience (UX) em conjunto com as técnicas de User Interface (UI) tem proposto soluções gráficas e digitais com foco nas pessoas e no usuário final. A customização para um público-alvo cada dia mais exigente e diversificado é um desafio mundial, além das constantes adaptações para as mais diversas plataformas e tecnologias.

O avanço da tecnologia e dos meios digitais interativos, impactam nos tradicionais modelos de construção dos Manuais de Identidade Visual (MIV), na concepção de novas marcas e manutenção das marcas existentes. Neste contexto, acompanhe cinco tópicos norteadores: Adaptação Multiplataforma, Design de Informação, Design de Interação, Motion Graphics e Análise dos Resultados.

#AdaptaçãoMultiplataforma

Atualmente, uma marca não nasce se ela não tiver a possibilidade de adaptação total, considera-se o desafio das multiplataformas uma premissa de projeto, que não se resume apenas nas plataformas atuais como por exemplo o smartphone, tablet e desktop, mas sim, pensar nas interfaces emergentes como o Smartwatch, telas touchscreen, holografias e Smart TVs e naquelas que ainda irão surgir, gerando um constante trabalho de Trend Forecasting.

Considerando o Design Digital, como uma vertente do Design Gráfico e do Design Industrial, podemos destacar três elementos que impactam atualmente na Experiência da Marca: Design de Informação, Design de Interação e o Motion Graphics.

#DesigndeInformação

BigData e MetaDados são conceitos e termos relacionados ao mar de informação que somos impactados diariamente. As informações que antes eram difíceis de obter, atualmente são difíceis de controlar. Neste contexto, marcas começam a surgir e serem desenvolvidas por meio de algoritmos e linguagens de programação, com isso a sua forma gráfica pode sofrer centenas de alterações, sem perder seu conceito e seu projeto de design.

#MotionGraphics

O que antigamente poderia ser considerado como uma limitação tecnológica ou um tabu, com as alterações derivadas do impacto dos algoritmos e adicionadas aos elementos de multimídia (imagens, sons, textos e vídeo), as marcas passam a ganhar ritmo e movimento obtidos por meio de recursos audiovisuais e motion graphics. Neste contexto, uma marca que contempla diversos subprodutos, consegue sofrer pequenas mutações e customizações gerando sinergia com um conteúdo específico.

#DesigndeInteração

Marcas, assim como todos os produtos e serviços, possuem um público-alvo e personas. Cada usuário tem seus gostos, costumes, cultura, vícios, dificuldades, entre outras especificidades. Torná-las mais próximas de cada usuário é um grande desafio, mas também um grande diferencial e potencial de carisma, simpatia e principalmente de empatia, conceito este, fundamental na discussão de UX.

#AnálisedosResultados

Por fim, nada disso será eficaz se não for constantemente obtido feedbacks dos usuários. A etapa do Design Thinking relacionado ao Aprender, nos coloca mais próximos e no lugar do outro, auxiliando identificar a real percepção do público-alvo e de cada persona. Diversas técnicas e ferramentas auxiliam na realização de testes de usabilidade e no mapeamento do impacto da marca, principalmente nas redes sociais.


Prof. Ms. Marcelo Falco: Designer Digital, Professor Universitário e Consultor. Mestre em Design, com pesquisa em T-commerce (Transações Comerciais na Televisão Digital Interativa), Pós-Graduado em Marketing Digital, com pesquisa relacionada em E-Commerce de refeições on-line, e Graduado em Design Digital, com pesquisa sobre Web Arte, Vídeo Arte e Video Instalação. Atua como Pesquisador e Professor nos cursos de Graduação em Design Digital e Pós-Graduação em Infografia e Motion Graphics na Universidade Anhembi Morumbi (UAM), Publicidade e Propaganda, Design Gráfico, Jogos Digitais, Comunicação e Tecnologia na Faculdade das Américas (FAM). Também é Diretor de Criação na Falco Femoralis Consultoria Digital, uma consultoria focada em treinamentos e desenvolvimento de soluções digitais e interativas. Realizou projetos para SERASA Experian, Universidade Anhembi Morumbi, IG, IBOPE MEDIA, FUNDAP, BSP, Faculdade das Américas, Crefisa, Fundap, entre outros. Recentemente, apresentou sua pesquisa no IDA Congress 2011 (Taiwan), no CIPED 2011 (Portugal), P&D 2012 (São Luis do Maranhão – Brasil), CONIC 2013, 2014 e 2017 (Brasil), HCI Internacional 2015 (Los Angeles – USA), Journal of Computer Technology and Application 2016 (Estados Unidos), SIGraDi 2017 (Chile), AHFE 2017 e 2018 (Los Angeles – USA) e Publicou um Livro chamado: O Design de Interação e a Televisão Digital Interativa (TVDi) em 2018 (ISBN-13:978-620-2-04750-0).

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Atualmente, não trabalhar o design como fator competitivo no mundo globalizado do século XXI, no qual estamos inseridos, é quase um ato retrógrado. O uso do design pode ser seguramente afirmado, como uma questão de sobrevivência e as organizações e profissionais da área devem estar em sintonia e em constante evolução.

Para tanto, a disciplina “Gestão do Design”, pouco explorada no mercado brasileiro e, consequentemente, a sua profissionalização (o gestor do design) tornam-se um diferencial que deveria ser acoplado à profissão e praticado de forma premente nas organizações e escritórios de design.

A gestão pode ser definida como a coordenação e supervisão do trabalho de outros profissionais para que suas atividades sejam qualificadas, gerando valor significativo. O modelo racional da gestão fundamenta-se no controle e planejamento. O design, por sua vez, busca originalidade, novidade, criatividade e inovação, mas a diferença entre as áreas está na percepção que gerentes e equipes de criação exprimem uns aos outros.

O valor do design está aprofundado na atividade que busca solucionar problemas nas organizações, promovendo valor e construindo vantagens competitivas por meio da diferenciação. “Os empresários precisam entender como projetar a experiência do consumidor ou serão enterrados no cemitério da irrelevância.”

Para Mozota (2011), o valor do design está na combinação das áreas design e marketing, e a diferenciação ocorre pelo uso do design de forma apropriada e estudada com o marketing. O marketing, assim como design, possui filosofias de negócios similares, ou seja, focar nos desejos e necessidades dos consumidores. Existem diversos processos entre a combinação das duas áreas, como por exemplo o marketing como criador de utilidade. Esse processo está centrado na produção, no marketing e design que, ao trabalharem juntos, são responsáveis por criar e atribuir “utilidade à forma”, resultando na concepção de um papel fundamental no direcionamento de formato, tamanho, qualidade e atributos dos produtos – o produto estendido e o produto-marca.

A autora introduz a gestão do design como um processo de mudanças, no caso, a metodologia taylorista de funcionamento hierárquico – produção de acordo com a demanda para um modelo organizacional plano e flexível, que objetiva o estímulo à iniciativa individual, à independência e à consciência de possíveis riscos. A gestão do design consiste em realizar o desdobramento do design dentro da empresa com o objetivo de auxiliá-la a desenvolver suas estratégias e isso implica:

Gerenciar a integração do design na estrutura corporativa no nível operacional (o projeto), no nível organizacional (o departamento) e no nível estratégico (a missão); administrar o sistema de design na empresa. As criações dos designers são artefatos: documentos, ambientes, produtos, e serviços que têm suas próprias qualidades estéticas. As empresas têm um sistema formal de design que deve ser gerenciado (MOZOTA, 2011, p. 95).

Por ser uma atividade especifica da área do design, torna-se fundamental para a sua gestão, que o gerente seja altamente capacitado na área, pois é neste processo de mudanças, conhecimento e embasamento que os profissionais especializados podem contribuir significativamente, criticando, desafiando e selecionando as melhores soluções.

Para os gerentes não designers se beneficiarem desse modelo de gestão, é interessante que os mesmos passem a observar como os gestores do design conseguem estimular a capacidade criativa de seu grupo. Um exemplo essencial para aumentar a fluidez de ideias da equipe é deixar os julgamentos para a fase seguinte. Ideação e julgamentos não podem ser misturados, pois corre-se o risco de inibir a criatividade das pessoas.

O instituto DMI (Design Management Institute) realiza pesquisas sobre o tema em questão e desenvolve material didático, além de organizar cursos, seminários e conferências. O objetivo do DMI é encorajar os designers e gerentes não designers a se “tornarem grandes líderes” e entenderem a importância do design nos seus negócios. Com auxílio contínuo, o instituto enfatiza que se deve ter consciência do design como vantagem competitiva e o profissional responsável pela arquitetura de projetos de uma determinada organização deve ter conhecimentos, habilidades e liderança.

A gestão do design aplicada nas organizações, como processo antecipado, garantirá, indubitavelmente, mais acertos e diferenciações no mercado globalizado no qual estamos inseridos. Portanto, nesse estudo, o processo de aplicabilidade da metodologia da gestão do design será sistematizado em níveis operacionais (projeto), organizacional (departamento) e estratégico (a missão), com o objetivo de implantá-lo a um modelo de organização, cuja estrutura pode ser de tamanho pequeno, médio ou grande porte.

Criar não é um processo simples, requer atenção, cautela, métodos, inovação, conceitos e planejamento para, somente assim, garantir resultados plausíveis. A gestão do design é um trabalho contínuo, que deve ser feito diariamente. Mesmo sendo afanosa é, ao mesmo tempo, uma tarefa gratificante para quem ama o design, quando se vê a eficiência das técnicas apresentadas.

Referências

MOZOTA, Brigitte. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

AURIANI, Marcia, CORREIA, Elwyn e RABELLO, Leila. Gestão do Design. São Paulo: Reflexão, 2016

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A percepção das cores, formas e as reações na fisiologia humana tem início nas experiências, sejam da nossa vida, sejam da memória armazenada durante a evolução dos nossos órgãos, principalmente o cérebro.

De acordo com as descobertas nas áreas ligadas a neurociência, hoje conhecemos locais onde diferentes tipos de informações são processadas. O Lóbulo Occipital, por exemplo, é responsável pelas informações visuais, que por si geram uma varredura em busca de associações aos estímulos recebidos e outros similares que foram recebidos em diferentes momentos da vida do consumidor, levadas a situações que geraram emoções.

Isso tudo está na nossa rede neural. E nessa rede estão armazenados os dados de todas as nossas experiências já vivenciadas.

Após essa varredura inicial, as informações relevantes (aquelas que podem ser associadas à situação observada naquele momento) são selecionadas pelo Hipotálamo, assim como aquelas de maior importância relativa (habilidades de luta ou fuga em uma reação extrema por exemplo).

As informações selecionadas pelo Hipotálamo, fazem com que uma tempestade de aminoácidos seja descarregada na corrente sanguínea. Essas cadeias de aminoácidos são chamadas de “Peptídeos Neurais” e são os responsáveis por dar início a interações químicas entre as células, que resultam em uma resposta sensorial de acordo com a configuração química do peptídeo (existem diversas combinações possíveis que preparam o nosso corpo, por exemplo, para fugir correndo de uma situação, assim como outras combinações te preparam para a satisfação de reencontrar um antigo amigo).

Chamamos essa interação química entre os Peptídeos Neurais e as células do corpo de sentimentos (nossos sentimentos são resultados do efeito destes aminoácidos na corrente sanguínea e a outros fatores como os psicológicos, e dentro dos fatores psicológicos, a racionalização do controle por exemplo).

Portanto, os sentimentos e emoções passam pelo filtro da consciência (estado objetivo, estado de reflexão ou consciência objetiva) e a consciência se dá por meio da fisiologia do cérebro, é o jeito como a memória funciona, como a mente funciona. Nós mudamos o jeito como percebemos as coisas, o que pensamos e o que sentimos sobre elas…é como percebemos o mundo a nossa volta.

Por exemplo: Quando andamos pelas ruas ou por um shopping, recebemos muitas informações, porém, só estamos focados em algumas delas. Outras passam despercebidas a priori, mas o cérebro as armazena em sua rede neural e as utiliza para associações e resposta (Freud, um dos principais teóricos da motivação defendia que nossa motivação às escolhas são 90% subjetivas).

Estas associações podem priorizar marcas quanto a design, limpeza do local, repetição de visualização da peça em curtos espaços de tempo, situações específicas e, é claro, desde que esteja de acordo com o desejo e necessidade desse público (Maslow declara em sua pirâmide, momentos de estados motivacionais do ciclo de vida de uma pessoa, que são mais propícios à determinadas escolhas), sendo capaz de criar experiências que sejam atrativas ou não ao seu padrão e desejo de consumo (satisfatores e insatisfatores de Herzberg).

O cérebro humano processa informações a cada segundo e existem mais coisas no mundo de que nossos sentidos são capazes de processar, ou que sequer temos conhecimento. Isso ocorre todo o tempo, pois a toda hora estamos mergulhados nas experiências e respostas do nosso cérebro, como se estivéssemos imersos sensorialmente na nossa própria realidade através do processamento dos estímulos e associações ligadas à nossa experiência.

A comunicação entre a marca e o consumidor é intermediada por estas sensorializações. Se o branding se relaciona com o consumidor através da personalidade da marca, o design é responsável pelos pontos sensoriais desse relacionamento.

Um Design estratégico poderá gerar sensorializações dirigidas… estas que hoje podemos mensurar e verificar se realmente vão ao encontro dos nossos objetivos.

Por exemplo, elas são boas, prazerosas, satisfatórias, etc… quando existe a presença de D.E.O.S (Dopaminas, Endorfinas, Ocitocinas e Serotoninas) na corrente sanguínea do consumidor no momento da experiência ligada ao produto e serviço.

A mensuração em tempo real por Ressonância Magnética e técnicas como análises de saliva, sangue, calorimetria, etc. contribuem para resultados mais ou menos específicos a respeito da presença e quantidade dos aminoácidos ligados à reação pretendida.


Alexandre Magno da Rocha Vianna: experiente em gerência de projetos de marketing, publicidade e design. Desenvolvedor, da metodologia Neurodesign, além de diversos cases de sucesso, uma indicação ao Prêmio Nacional de Inovação pelo SEBRAE-RJ e a oportunidade de ser fornecedor das Olimpíadas do RJ. De 2007 a 2016 entregou mais de 700 projetos aos seus clientes nacionais e internacionais. A cada ano a metodologia ganha ferramentas e multidisciplinas (2016 engenharia de produção e Lógica Fuzzy – 2018 utilização de ressonância para mapeamento cerebral do público-alvo ou indivíduos que são analisados em tempo real, quanto aos sentidos que são estimulados e suas respostas).

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Entramos em contato com diversas marcas, da hora que acordamos até a hora de dormir,exaustivamente, em diferentes situações e necessidades, gerando emoções e significados distintos, ora positivos, ora negativos. São tantas marcas para escolher e tanta variedade de produtos e serviços disponíveis, que nosso racional começou a ter dificuldades em encontrar diferenciações de uma marca para a outra. Dessa forma, as marcas se tornaram frias, ou seja, não se destacam no meio das rivais. A saída para esse impasse é bem simples, que é tocar no emocional do seu consumidor. Essa diferenciação é a grande força do mercado que faz com que seu produto seja lembrado no final do dia.

Mas antes de falar em como tocar o emocional, é preciso entender que a marca precisa ter, desde sua concepção, os seus valores bem definidos. A gestão da marca precisa estar alinhada com seu posicionamento, com sua comunicação no ponto de venda, nas redes sociais, na sua comunicação diária com seu público, enfim, em todos os pontos de contato que ela tenha. Então, branding não é uma construção da noite para o dia, mas sim algo construído ao longo prazo, que precisa se ajustar à dinâmica do mercado, mas sem perder seu cerne. Esses elementos, quando bem trabalhados, irão gerar um bom brand equity, ou seja,uma boa percepção da marca pelo consumidor. Este é o primeiro passo para que a marca se destaque e se torne mais desejada.

Existe, ainda, estímulos que podem ser provocados em seus consumidores que ajudam a criar mais valor para sua marca, como por exemplo o brand sensorial. Essa vertente de marca utiliza a gestão de nossos 5 sentidos afim de criar algum valor diferenciado. Algumas marcas fazem muito bem o uso dessa ferramenta, como por exemplo cafeterias dentro de livrarias. Em algum momento perceberam que ofertar um café e um pão de queijo dentro de uma livraria fazia uma boa combinação, e isso acarretava que o público gastava mais tempo dentro dos estabelecimentos e motivava um aumento no número de vendas de livros.

Entretanto, esses estímulos não precisam ser tão complexos para criar a conexão com seu público. O simples fato de ligar o seu computador e escutar o som de inicialização, o cheiro de uma calça jeans nova, um outdoor com um grande “M” amarelo ou mesmo a textura de uma garrafa de vidro de refrigerante, tudo isso pode fazer parte desses pequenos estímulos diários que, no passar do tempo, começam a gravar em nossas mentes a qual marca pertencem. Isso, no nosso processo decisório na hora da compra, faz muita diferença.

Toda essa ideia de estímulos também deve existir dentro do mundo online. As mídias sociais deixaram mais horizontal a relação entre marca e consumidor, com isso, elas se tornaram mais um canal onde pode surgir interações positivas. O marketing 4.0 defende que é necessário que tanto o ambiente online quando o offline devem trabalhar juntos para entregar sempre a melhor solução.

É importante destacar, também, que os consumidores estão mais empoderados. Agora eles possuem em suas mãos seus smartphones e podem, a qualquer momento, verificar se a promoção de uma loja é real ou não, se o que uma marca promete é verdade e se seus valores estão claros, por exemplo. É importante que as marcas estejam sempre atentas em oferecer conteúdos que sejam engajadores, originais e de qualidade. Ainda vale destacar que as redes sociais são ambientes de troca, ou seja, são cercados de pessoas que conhecemos e conversamos, e são essas pessoas que compartilhamos experiências de compra, ou mesmo de opinião, sobre produtos e serviços.

Algumas marcas trabalham muito bem sua comunicação dentro de suas redes sociais. Empresas como Nubank e Netflix, por exemplo, possuem uma linguagem jovem e acompanham com facilidade o dinamismo do mercado. Sua comunicação é leve e divertida, usam gif’s para expressar seus sentimentos e convidam seu público a compartilhar experiências que tiveram com as marcas, enviando fotos, montagens ou mesmo comentários sobre o que acham de seus serviços. Além disso, são marcas que interagem com outras marcas famosas, o que deixa claro para quem acompanha que toda essa comunicação é bem contemporânea e divertida, não é nada forçado. Nesse mesmo ambiente, mas trabalhando de forma um pouco diferente, a Dove entrega conteúdo de qualidade mais voltado ao lado social e informativo, abordando questões que podem ser consideradas tabus, comunicando de forma leve e sempre visando tratar seu público como se fossem próximos e tivessem em um bate papo do dia-a-dia.

Todos esses conceitos, em síntese, visam a humanização das marcas. É somente dessa forma que, no mundo atolado de produtos que temos hoje, as marcas conseguirão se destacar e conquistar o emocional de seus consumidores. Quando a marca consegue atingir esse ponto, é muito difícil que seu consumidor abra mão dela.


Leonardo Broglio Deusdado: Designer gráfico, que sempre foi apaixonado por marcas, embalagens e tecnologia e como esses segmentos podem atuar de forma conjunta. Graduado em Design Gráfico com Ênfase em Marketing, pela faculdade ESPM, e Pós Graduado em Design Digital e Novas Mídias, pela faculdade Belas Artes. Trabalha há 4 anos como Assistente de Arte na empresa Polvora Comunicação, desenvolvendo comunicação de marcas para redes sociais.

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Escolhi a chama olímpica para representar este artigo por ser um dos símbolos mais representativos em todo mundo, como ritual que estabelece um elo entre os jogos da antiguidade na Grécia e os jogos contemporâneos, além de outras referências mitológicas de pureza e eterna juventude. Portanto, segue o conteúdo sobre significados, representações e percepções das imagens em nossas vidas, com reflexos na criação de marcas e comportamento de consumo atual.

A criação de símbolos e significados é um comportamento natural ao ser humano desde sua origem civilizada e sempre estará presente em sua informação genética, independente da era tecnológica em que estivermos, assim como a competitividade, a busca por novidade, harmonia e diferenciação.

Uma das representações imagéticas mais antigas na história humana são as pinturas rupestres, desenhos em cavernas de milhares de anos, utilizadas para registrar crenças, valores ou regras da civilização da era paleolítica. Desde então, as civilizações vêm aperfeiçoando e multiplicando suas formas de representação em normas de conduta, arte, indústria e comércio.

Podemos citar normas como a organização das civilizações, contagem do tempo, leis, sinalizações, ou modelos de vestimenta, assim como representações funcionais e estéticas nos esportes, arte e comércio, formando uma rede de significados presentes em todas as ações de nosso dia a dia.

Grandes mudanças comportamentais!

A transformação do consumo pela revolução industrial e design

Como reflexo da segunda revolução industrial e de movimentos artísticos que aliaram arte e função aos produtos industriais no início do século XX, iniciou-se um caminho para a transformação da forma de consumo de produtos, serviços e informação, com o elemento estético e design direcionando construções, produção de móveis, objetos de decoração e bens de consumo.

Após a metade do século, o comércio passou do modelo de mercearia para o contato direto dos produtos com os consumidores em prateleiras, iniciando uma era de experiência de consumo com transformação na forma de apresentação de marcas e produtos para atender este novo comportamento, com empresas investindo não só em qualidade funcional, mas também em design e marketing.

Hoje, a integração digital fez com que as oportunidades a criação de negócios, capacitação e concorrência se multiplicassem, com os consumidores cada vez mais informados, exigentes e seletivos, com possibilidades de mudar de ideia em um clique caso não tenham uma experiência positiva com a marca, como falta de entendimento, identificação, atendimento ou assistência.

Uma imagem vale mais que mil palavras!

Um mundo de percepção e relação

A imagem é fundamental para percebermos e relacionarmos ações em nosso dia a dia, tanto nos negócios como em qualquer representação com a qual nos identificamos. Essa identificação depende de aspectos químicos, comportamentais e tecnológicos em constante transformação, que fazem com que nos aproximemos ou afastemos de algo.

Estudo realizado pelo Laboratório de Neurociência Cognitiva da Universidade de Georgetown revela que o cérebro interpreta e processa melhor informações visuais do que textuais, inclusive entendendo palavras como imagens. Por isso, pensar na apresentação de sua imagem é essencial para transmitir sua mensagem de maneira efetiva, fazendo com que os consumidores entendam e realizem as ações pretendidas.

À medida em que crescemos, nosso cérebro capta mais complexidade de informação e cores, que somados à evolução tecnológica influenciam diretamente nosso comportamento de consumo, fazendo com que a imagem de qualquer negócio deva se adaptar às novas características do mercado para que não seja percebida como ultrapassada e não tenha dificuldade na interação com os consumidores.

Mas enfim, o que uma imagem representa?

Uma das imagens mais conhecidas no mundo é a Suástica, marca associada pela maioria da população ao nazismo, representando ações em uma época de horrores sofridos pela humanidade, mesmo já possuindo significado anterior como símbolo de sabedoria e ciclo de vida no Hinduísmo.

Na arte, componente essencial da cultura em todas as eras e civilizações, os monumentos do Egito são referências históricas de arquitetura e poder. Já a Mona Lisa, representa uma composição artística de contemplação à beleza e harmonia, assim como tantos outros exemplos na dança, teatro, cinema e música.

A imagem pode ser percebida de maneira fantasiosa, como o fanatismo por ídolos como a morte de John Lennon dos Beatles por um fã, ou a morte da princesa Diana pela incessante perseguição de carro por jornalistas. Também percebemos exageros em promoções esportivas como a contratação do Neymar por valores inimagináveis no esporte, ou ainda celebridades criadas da noite para o dia devido ao crescente número de plataformas de conteúdo digitais.

A representação por símbolos sempre foi utilizada na história da humanidade para identificar ideologias, famílias, religiões ou nações, e com o passar dos tempos, continuou sendo a interface entre grupos e seus seguidores, como os símbolos esportivos. Hoje também temos representações de sentimentos cotidianos por memes e gifs animados, que geram mais identificação com a mensagem transmitida.

Nós mesmos somos imagens singulares que representam nossas experiências e crenças, interpretadas pela maneira que nos vestimos e nos comportamos, assim como os negócios transmitem mensagens de acordo com sua aparência, qualidade e atendimento, criadas de acordo com o público desejado e interpretadas de acordo com a vivência de cada indivíduo e da cultura em que ele está inserido.

E as marcas?

“Sua marca é o que as pessoas dizem sobre você quando você não está na sala” Jeff Bezos, fundador, presidente e CEO da Amazon

Toda essa cultura da imagem constrói significados que direcionam o comportamento, como a simbologia da conquista esportiva por meio de troféus, ou mesmo representações como formatura, casamento, indústria da beleza e do entretenimento, assim como a maneira que percebemos as marcas no mercado, que representam os valores, conduta, linguagem e qualidade de um negócio.

Com a percepção da importância da imagem em nossas vidas, a conscientização sobre sua importância cognitiva no comportamento de consumo, junto à integração tecnológica e crescimento de concorrência qualificada, podemos afirmar que os negócios que não adaptarem sua apresentação ao mercado e seus consumidores, estarão destinados ao fracasso, sejam eles pequenos, médios ou grandes.

A marca é o início de toda essa transformação e materializa a essência de um negócio, facilitando processos de comunicação e relacionamento com consumidores. Ela representa a interação do conteúdo de um negócio com o mercado, colaboradores internos e externos, criando valores e conexões emocionais junto aos consumidores, que vão além das qualidades técnicas de produtos e serviços.

“A forma é a configuração visível do conteúdo” Ben Shahn, um dos artistas plásticos mais importantes do século XX

A forma de uma marca é o primeiro impacto percebido pelo mercado, sendo a configuração visível do conteúdo, segundo Ben Shahn, um dos artistas plásticos mais importantes do século XX. Essa percepção, somada às mídias impressas e digitais, determina a continuidade ou não no relacionamento dos consumidores com o conteúdo de um negócio, podendo potencializar ou arruinar ótimos produtos e serviços.

Uma marca de sucesso é constituída por uma forma pregnante, de fácil memorização e entendimento, representando atributos tangíveis como seu desenho e aplicações, e intangíveis como identificação com valores e atuação. Sua forma deve possuir padrões estéticos adaptados ao seu tempo para possibilitar apresentações que facilitem a percepção de seu conteúdo e criem uma identidade em toda comunicação.

A criação dessa identidade visual gera proximidade do consumidor com serviços e produtos, formada com a criação do logotipo, processos de comunicação e apresentação ao mercado. A identidade da marca reflete na percepção de confiança junto aos consumidores e na credibilidade junto ao mercado, por transmitir uma mensagem organizada de comunicação para todas as ações da empresa.

Essas marcas são pregnantes o suficiente, ou seja, causam forte impressão a ponto de lembrarmos quais são apenas visualizando metade delas?

A representação de um logotipo pode ser um simples traço como o da Nike, com tantos significados e valores que já não utiliza seu nome em muitas divulgações. Percebemos essa pregnância em nossa memória quando uma marca traz consigo valores funcionais, estéticos e conceituais adaptados ao seu público e ao comportamento de consumo.

Por exemplo, quando ouvimos crianças aprendendo a falar Coca como sinônimo de refrigerante, ou quando atravessamos a cidade para tomar café no Starbucks, por lembrar da gostosa experiência e atendimento que a marca transmite. Também quando temos vontade de ir ao McDonald’s mesmo quando o lanche do seu bairro é mais saboroso, ou mesmo quando desejamos um lançamento da Apple pela sensação de status ou pertencimento a um grupo.

Uma marca transcende seu produto, quando uma empresa reconhecida mundialmente pela venda de motocicletas – a Harley-Davidson – entra em processo de falência na década de 1980 e, em mobilização conjunta com comunidades de fãs apaixonados pelo estilo de vida incorporado pela empresa, consegue se reerguer e compreender que o segredo está na conexão emocional com os consumidores.

Mas por onde começar?

Primeiro, conheça bem seu negócio e seu público

Vimos até agora uma transformação comportamental de milhares de anos na forma que representamos e geramos significados em nossa comunicação, com a imagem presente em todos os momentos como característica imutável do ser humano, independente do tempo ou tecnologia, sempre em transformação para a novidade, harmonia e diferenciação.

Considerando a marca de um negócio como a imagem que representa seus valores estéticos e comportamentais, o primeiro passo para a construção de uma marca de sucesso é o conhecimento completo do negócio e seu público, seguidos de uma linguagem que represente seus valores e uma identidade gráfica que seja aplicável em qualquer mídia.

Como de nada adianta uma forma atraente sem um conteúdo que sustente a relação comercial com seu público, o sucesso de um negócio dependerá da combinação entre uma marca representativa com conhecimento do mercado, processos eficazes de trabalho, comunicação integrada e relacionamento próximo com consumidores, sendo essa gestão da imagem, processo e venda denominada de branding.

Portanto, construa uma imagem que transmita significados alinhados aos desejos do seu público, que gere vínculos emocionais e relações comerciais que farão deles, clientes fieis do seu negócio e porta-vozes da sua marca. Segundo o empresário multimilionário, investidor e filantropo Berkshire Hathaway, “são necessários anos para construir uma reputação e minutos para arruiná-la”, então, faça tudo profissionalmente.

“Pode-se dizer que as marcas nesse novo contexto histórico são a base para estratégias de sobrevivência das empresas. Estratégias de marca permitem preservar a identidade, mesmo com administradores de perfis diferentes, ajudando, por exemplo, a profissionalizar empresas familiares, por meio de ações de médio e longo prazo” Álvaro Guillermo / SEBRAE


Murilo Almeida: graduado em Design Gráfico pelo Centro Universitário Teresa D`Avila e pós graduado em Gestão do Design e Branding pelo Centro Universitário Belas Artes/SP. Aperfeiçoamento em Comportamento do Consumidor pela FGV e Gestão de Marketing Digital pela ESPM, com atualização em Visual Thinking, Jornada WOW, Model Canvas e Economia Colaborativa pela Ideia Clara e Echoes Innovation. Mais de 12 anos de experiência em design e comunicação empresarial, em empresas nacionais de publicidade, educação e tecnologia. Vivência em branding, estratégia de comunicação, processos de inovação e relacionamento com cliente.

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Falar sobre marca é como falar sobre a nossa identidade pessoal. Todos nós temos um registro único e exclusivo desde o nosso nascimento. Temos uma digital que nin­guém mais tem igual, possuímos um RG com numeração também única. Cada indivíduo nasce com sua personalidade e sua maneira de pensar e, por mais que existam pessoas muito semelhantes, jamais serão idênticas. Assim também são as marcas, cada uma tem sua personalidade, seu DNA e seu propósito a ser cumprido, e por mais que existam marcas muito semelhantes, uma marca jamais será idêntica a outra.

Percebe-se que as marcas falam muito mais do que os próprios produtos ou serviços que as empresas oferecem, uma marca bem gerida agrega valor ao seu produto ou serviço. Pessoas estão o tempo todo escolhendo marcas, mesmo que inconscientemente. Vejamos um exemplo que ilustra bem isso:

Você já pensou nas prateleiras nos corredores do supermercado com três tipos de água sendo uma delas a Bonafonte, outra a “Água Branca” e terceira a “Água do Sítio do tio Zé”. Todas estão custando o mesmo valor e contém a mesma quantidade em litros. Qual dessas águas você compraria? Certamente você escolheria a Bonafonte, não é mesmo? Mas porque a Bonafonte sendo que água é água? O que te faz escolher a Bonafonte? Será que é pelo gosto da água? Ou algo que, em seu subconsciente, te diz que a Bonafonte é a melhor? Se a sua resposta foi essa, está explicado que você realmente não optou pelo melhor produto, mas sim pela melhor marca.

Pode parecer um exemplo grosseiro, mas fato é que se formos analisar a maioria das nossas decisões de compras, percebemos que essas escolhas são exatamente as que estamos fazendo ao adquirirmos produtos ou serviços.

Mas como essa mágica acontece?

Não é da noite para o dia que uma marca ganha esse poder de confiança das pessoas e se tornam atraentes a este ponto. Existem inúmeras questões que devem ser compreendidas antes a respeito da própria marca (empresa) as quais definem, depois, o posicionamento estratégico adequado de mercado que gera toda a conceituação para essa marca.

A Designer Alina Wheeler, em seu livro Design de identidade da marca, afirma que “À medida que a concorrência cria uma infinidade de op­ções, as empresas passam a buscar formas de estabelecer uma ligação emocional com os clientes, para tornarem-se insubstituíveis e desenvolver relações duradouras. Uma marca forte se destaca em um mercado saturado. As pesso­as se apaixonam pelas marcas, confiam nelas e acreditam em sua superioridade. O modo como a marca é percebi­da afeta seu sucesso, não importando se você é uma star­tup, uma organização sem fins lucrativos ou um produto”.

E então partindo desse conceito de Wheeler, nota-se que uma marca deve significar, não somente apontar. Uma marca não se resume a um logotipo. Antes de se chegar ao “logotipo” que representará graficamente esta marca é necessário analisar, estudar e compreender o que é a raiz dessa marca, qual o seu DNA, o que ela tem como maior propósito, qual sua maior missão, o que ela promete entregar ao seu consumidor e como ela irá se diferenciar das demais marcas já existentes? Ao obter respostas para essas questões, certamente se terá uma conceituação estratégica, que será o auxilio fundamental na definição de uma plataforma de marca e, com isso, virá o desenvolvimento da identidade visual que representará essa marca.

Por outro lado, de nada adianta ter uma “marca” tão bem estruturada se o produto ou serviço não entregar realmente aquilo que está prometendo. Isso fará com que a “excelente marca” seja percebida pelo público de modo negativo e então as pessoas não confiarão nem desejarão tal marca.

Hoje em dia há muitos escritórios e consultorias na área de branding. Nota-se que é uma área que está ganhando muito mais visibilidade e percepção de pessoas e empresas que desejam entrar ou se reposicionar num mercado cada vez mais competitivo e agregar valor a sua marca.

Observa-se que a maioria das empresas focadas em branding possui um time de especialistas com muitos anos de experiência na área. Muitas vezes profissionais que atuavam na área de Marketing estão migrando para o Branding. São pessoas maduras e muito conscientes do que é necessário ser feito para que a marca A ou B alcance o objetivo que ela tanta almeja e desperte o desejo nas pessoas.

Portanto, se você deseja ingressar nessa profissão, certamente terá de estudar muito, ampliar seu network, manter contato com pessoas que considere referência no assunto, explorar as mídias sociais, como, por exemplo, Linkedin, uma excelente ferramenta para isto. Participe de eventos, palestras, workshops, mantenha-se informado, observe detalhes, seja persistente e não pare de aprender.

Se você é estudante e identifica-se com a profissão, realize projetos acadêmicos referentes ao assunto, dê seu máximo, tente compreender como funciona esse meio, pois hoje em dia a internet possibilita uma infinidade informações. Deixe seu portfólio cada vez mais atraente, mostre que você compreende os métodos para o desenvolvimento de bons projetos e arrisque bastante, essa é a hora de você aprender com possíveis falhas e/ou erros. Aprenda a ouvir e absorver criticas construtivas em projetos que talvez você possa ter participado. Pergunte, pergunte muito, não fique com dúvidas, é melhor questionar milhões de vezes do que fazer algo com insegurança e entregar um projeto ruim.

Siga o que aconselha Marty Neuemier: “Quando todos fazem ZIG, faça Zag”. Compreenda que branding não é um padrão único para todos, muito pelo contrário, cada marca é uma marca, não tente copiar, crie a sua estratégia, procure o seu GAP de oportunidades e mantenha-se na contra mão deste universo.

 

Sobre o autor:

Denis Leite

Bacharel em Design pela Universidade Presibiteriana Mackenzie Experiência em Design Gráfico há pouco mais de 5 anos. Possuí
experiencia na criação de marca e identidade visual para uma pequena empresa. Entusiasta na área de Branding com foco na construção de marcas, identidades visuais, gestão e ativação de grandes marcas. Hoje buscando recolocação no mercado.
E-mail: dnskt.je@gmail.com
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/denis-leite-826aa2119/

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Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a primeira parte. Boa leitura!

1) Na sua opinião, qual o principal papel do design, enquanto área do conhecimento, no mercado hoje em dia?

Hoje em dia o design está permeando mais segmentos do mercado. Ele tem sido um facilitador de processos, e vem mudando a forma como as pessoas encaram os problemas e tentam solucioná-los.

O design está trazendo método para determinadas questões da sociedade, como por exemplo, o Design de Serviços; as empresas estão começando a parar para pensar na jornada do usuário, em como é que podem melhorar a qualidade do serviço que prestam. Atualmente você vai a um banco, ou a uma companhia aérea, e percebe que existem alterações que feitas nos processos, no atendimento e no ponto de venda, seja este um ambiente físico ou digital. Ainda é uma coisa muito pequena, mas é muito mais do que se tinha há 10 anos, e isso é resultado de um amadurecimento do campo do Design no Brasil.

A cultura das empresas está mudando, o usuário está passando a ser o centro da estratégia. As pessoas falam de Design Thinking, de Design de Serviços, muita gente fala da boca para fora sem saber o que é, mas algumas empresas já estão criando esta cultura ao trazer para o seu quadro de gestão profissionais que conhecem design, ou que estão se capacitando em design, para contribuir com essa melhoria de produto e de serviço.

 

2) No mesmo contexto, qual o papel do designer? E o que define esse profissional?

O designer ainda precisa se integrar mais de forma geral. Primeiramente, tem que se entender o que é de fato “ser” designer, pois tem gente que acha que saber mexer em um software gráfico ou fazer um layout é ser “designer”. “Ser” designer é maior que isso, é pensar de uma forma sistematizada, com metodologia, é pensar no usuário, é pensar em como os problemas podem se resolver de uma forma mais eficiente. Então, pensar e ter o design como modus operandi, como modo de pensamento na cabeça, é algo que ainda está um pouco distante do que saber pilotar um computador.

Existem pessoas que já criaram esta mentalidade do design, de pensar como designer, orientado pelo design, mas ainda tem ainda muita gente que confunde isso. E eu incluo aí neste grupo o próprio mercado, porque tem cliente que acha que o papel do designer é simplesmente embelezar um produto, embelezar uma marca, e não é isso. Nós podemos contribuir com muito mais que um simples aspecto visual das coisas.

 

3) Como professora, como você avalia a formação do designer no Brasil? Quais são as principais dificuldades e oportunidades encontradas no processo?

Eu acredito que a qualidade do ensino de Design no Brasil está amadurecendo junto com o campo profissional.

Se colocarmos em uma perspectiva histórica, no país, o Design é uma disciplina relativamente jovem. A primeira escola de Design no Brasil surgiu na década de 1960. E de lá para cá, podemos considerar um amadurecimento bastante significativo, mas que precisa evoluir mais para acompanhar o que acontece lá fora.

O designer precisa entender de Antropologia, precisa estudar Filosofia, Ciências Sociais, sair um pouco do contexto apenas do mundo do Design para projetar esse olhar para a sociedade. Para ele conseguir ter esta visão de que o Design é uma ciência que pode contribuir para toda a sociedade, em um serviço, na forma de operação de uma empresa, na parte visual, instrutiva, de sinalização, na pragmática do uso dos objetos. Para se entender o Design como algo que permeia todos estes campos, o indivíduo precisa ter uma formação multidisciplinar. Não que necessariamente precise estudar profundamente tudo isso, mas pelo menos conhecer e saber que é necessário lançar mão de determinados recursos, de acordo com a necessidade que terá em cada trabalho.

É importante que as escolas de Design forneçam aos estudantes este olhar ampliado. Precisa-se pensar no Design de uma forma ampliada como algo que possa beneficiar uma sociedade.

InfoBranding: E elas fazem isso?

 Algumas estão começando a fazer, outras acredito que ainda não. Esta conscientização está começando a ser propagada. Fora as faculdades, existem alguns hubs de disseminação do bom design no mercado, como empresas que se desdobram entre prestadora de serviço e disseminadora de conhecimento.

Posso citar a Laje do grupo da Ana Couto, que é um exemplo “super” clássico disso. A Ana tem um trabalho de agência e, ao mesmo tempo, criou a Laje que tem o propósito de disseminar o Design, como conhecimento e método para gerar inovação. Assim como ela, existem outros grupos que também estão começando a fazer isso. Esta atitude tem sido extremamente benéfica para trazer à sociedade esse olhar ampliado do que é o Design.

InfoBranding: Mas e o aluno? Aquele que almeja se tornar um designer.

 Atualmente não estou lecionando em curso de Design, sou professora em um curso de graduação em Publicidade e Propaganda e em um curso de pós-graduação em Branding. Vou responder como observadora e com o que percebo indiretamente pelo meu contato com os alunos.

Alguns deles percebem as oportunidades e outros não, mas isso faz parte do mundo. Vai ter aquele cara que vai se “antenar” e que vai se “ligar”; e vai ter aquele que não vai perceber, que vai continuar no mundinho dele. Acredito que até no mercado vai haver demanda para os dois tipos de profissional: o “antenado” vai se diferenciar, fazer projetos mais estratégicos e vai poder cobrar mais caro; e o outro vai continuar fazendo aquele trabalho mais caseiro para atender a demandas menores e mais restritas.

Essa questão do aluno é muito interessante, pois na sala de aula a gente percebe claramente quem são os alunos que estão entendendo o que a gente está dizendo e quem são aqueles que não estão. Às vezes, esse entendimento é questão de momento: ele não alcança aquilo naquele semestre e em 1 ou 2 semestres adiante ele percebe e se dedica. E tem aquele que não alcança nunca… (mas talvez ele estivesse no lugar errado desde o início).

Em que toda a faculdade acontece isso. Somos expostos a uma decisão de carreira muito jovens e o nosso mundo contemporâneo permite experimentação. Eu não acho que seja ruim, o aluno começar uma faculdade e cursar um pouco dela e depois sair ou trancar e fazer outra até que descubrir qual universo que ele quer seguir.

Estamos em um mundo multidisciplinar, e talvez o erro esteja na estrutura dos cursos, por serem tão rígidos. E de serem poucos multidisciplinares. Percebo que já existem instituições promovendo essa experiência multidisciplinar aos alunos, misturando alunos de diferentes cursos nas turmas.

Por exemplo, semestre passado eu fui docente em uma disciplina de Gestão de Marca com alunos de publicidade e hotelaria juntos, e foi super bacana. No primeiro dia de aula eu perguntei aos alunos: “O que vocês acham que Gestão de Marcas, Publicidade e Hotelaria tem em comum?” Aí eles pensaram, pensaram e começaram a discutir entre eles e a trocar ideias em sala de aula. Daí o grupo de hotelaria respondeu: “Em hotelaria nós trabalhamos muito a questão da hospitalidade”.

Esta foi uma visão ótima, porque no branding há também que se pensar na “hospitalidade” das marcas. A turma começou a trazer, do ponto de vista da hotelaria, uma visão de trabalho com stakeholder, o que é escopo do branding. E foi bom porque os alunos trabalharam juntos, e funcionou bem: cada área colaborando com a visão da outra de forma agregadora.

InfoBranding: Até porque depois, no próprio hotel, eles podem integrar a  estratégia de reposicionamento e vão ter que entregar isso para o cliente.

Exatamente, ele precisa ter uma visão de marca, de negócio, de gestão de negócio, que para a turma de publicidade talvez não fosse tão clara.

Por exemplo, se você coloca em uma turma só alunos de design você terá um resultado, agora se você pega um turma de design e você coloca alunos  de outras áreas você com certeza terá outro tipo de discussão, porque você terá olhares diferentes que agregam valor a todos. Mas eu também entendo que não é em qualquer momento que isso deve acontecer, não adianta ser no primeiro semestre. Há um momento, mais para o fim do curso, em que os alunos estão estar mais preparados para ter esse embate, essa discussão. Não conheço os currículos de todas as universidades para afirmar, mas a multidisciplinaridade contribui muito para ampliar a visão dos alunos em relação ao mercado como um todo e as suas necessidades.

 

 4) Quais são as principais habilidades que se destacam em um designer de sucesso?

  • Ter cultura, informação e curiosidade;
  • Ter metodologia para trabalhar, o que não significa ser metódico, mas sim saber trabalhar de uma forma organizada;
  • Acho que tem que ser um profissional aberto a colaboração, ser colaborativo. Não pode se achar o dono da verdade;
  • Ter dedicação, seriedade e compromisso;
  • Ter empatia, de saber de se colocar e olhar com sob a ótica do cliente, se colocar no lugar do cliente, do lugar do usuário, para conseguir entender as suas necessidades reais.

InfoBranding: É interessante que nesta resposta em momento algum você falou de “técnica”, isso não é uma crítica, mas é um ponto legal para se observar.

É que para mim, o profissional tem que ter curiosidade, criatividade e ser aberto a experimentação. E nessa experimentação vem a técnica, que evolui e é aprendida constantemente.

InfoBranding: Quando falamos de técnica, quisemos dizer que já está embutido na formação. Mas a sensação que dá é que os profissionais se prendem a técnica e se esquecem do que você mencionou.

Técnica você contrata. Eu acho que a técnica é importante mas não é a sine qua non, pois em um projeto você pode contratar pessoas específicas, com domínio técnico específico para executar determinada tarefa sob sua coordenação.

Aquele cara que fica preso na técnica, não vai muito longe se não tiver visão e domínio de gestão do processo como um todo.

Acho que a técnica é importante sim, mas ela amarra um pouco este desprendimento de você conseguir se colocar no lugar do outro, de ter esse olhar. A técnica você pode contratar, você não precisa necessariamente ter.

InfoBranding: A técnica é mais fácil de absorver…

 Por exemplo: Eu sou designer, eu não sou boa ilustradora, “técnica”. Se eu fosse uma boa ilustradora talvez os meus projetos fossem mais rentáveis, porque eu não precisaria pagar alguém para fazer para mim, eu mesmo poderia fazer. Mas eu tenho que pensar, qual seria o custo do meu tempo? Será que o meu tempo é para desenhar e ilustrar ou eu posso passar isso para alguém fazer e eu só gerencio? Então tenho que pensar em meu objetivo. Algumas competências são mais importantes do que a técnica.

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

 

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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“Design é a ferramenta para a diferenciação competitiva do produto. Um bom design, do ponto de vista da empresa, deve ser fácil de ser fabricado e de ser distribuído. Sob o ponto de vista do cliente, o bom design deve ser agradável de ser visto, assim como fácil de ser desembalado, instalado, usado consertado, revendido ou abandonado”.

 Philip Kotler (2014)

O sucesso de uma empresa nos dias atuais, no mercado exigente como se apresenta, depende, fundamentalmente, do reconhecimento de sua identidade e do diferencial competitivo oferecido por seus produtos e/ou serviços. E num cenário onde qualidade e tecnologia tornaram-se pré-requisitos básicos, Tom Peters ressalta que “o design é o segredo; é a chave do sucesso”.

De fato, desde a década de 90, o tema tornou-se alvo de grande divulgação na mídia, tanto nacional quanto internacional, sendo objeto de uma série de eventos, debates, programas governamentais e setoriais. Tudo isso contribuiu para promover a popularização desse anglicismo incorporado à nossa língua, seja como substantivo, ou mesmo como adjetivo qualificador de determinado estilo, de “chique”, sofisticado, de vanguarda, exclusivo e diferenciado.

· Inovação é a alma do negócio

Competir hoje num cenário de concorrência globalizada é o grande desafio das empresas. Conforme apontam inúmeras pesquisas nacionais e internacionais, o grande diferencial entre as empresas atualmente, o “algo mais que faz a diferença” é o design. No entanto, para atingir o sucesso não basta oferecer ao mercado produtos com design, ou apresentar uma marca bem elaborada, a partir da contratação de uma consultoria adequada. O design deve fazer parta da filosofia e estratégia global da empresa, integrando-se nas atividades de planejamento e gestão.

O design tem se tornado crucial para as empresas, sobretudo as de menor porte, nesse cenário atual de concorrência em escala global. É ele que viabiliza vantagens competitivas traduzidas na avaliação clara, por parte do público-alvo, dos benefícios x custos em relação a produtos concorrentes no mercado. É ele que vem permitido a substituição de uma concorrência baseada em commodities, onde vende mais quem tem menor preço, por uma competitividade com design apoiada na inovação, na agregação de valor, na identidade e diferenciação de produtos e empresas no mercado.

E isso não significa maiores despesas para as empresas. Ao contrário: parte fundamental do processo do design é a busca da redução de custos, seja por meio da economia de material, da redução de componentes e etapas de fabricação, da padronização de componentes, da simplificação na montagem/desmontagem associada à logística de distribuição.

Por essas razões é que hoje o design tem se integrado à gestão empresarial, contribuindo decisivamente para ajustar objetivos mercadológicos das empresas às suas capacidades e ao seu nicho de atuação. Faz isso com realismo e ousadia, não mais apenas acompanhando as tendências, mas antecipando-se a elas, ampliando benefícios e gerando novas demandas, possibilitando a conquista e a fidelização de clientes.

 · Design como fator competitivo

Hoje, a situação no mercado global é claramente de uma concorrência acirrada. Somente sobrevivem as empresas que conhecem o mercado e entendem as necessidades individuais do seu público-alvo. Empresas bem conhecidas nos mercados nacionais às vezes desaparecem de um dia para outro ou tornam-se parte de uma empresa multinacional. Por outro lado, existem empresas pequenas, médias e grandes muito bem-sucedidas no mercado, que desfrutam de um bom negócio e da confiança dos consumidores. Essas empresas se caracterizam geralmente por seu posicionamento muito bem definido no mercado.

A gestão do design é uma ferramenta estratégica para criar e implantar uma cultura empresarial que transmita uma imagem positiva da empresa e posicione sua marca no mercado alvo, pela estratégia da competitividade.


Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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