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Durante o primeiro semestre desse ano, a internet trouxe à tona a possibilidade de o Instagram retirar a visualização do número de curtidas de fotos e vídeos publicados na plataforma. A novidade que, inicialmente, foi negada pela empresa em questão, posteriormente confirmada através da Conferência F8 de 2019 e, hoje, colocada em prática na plataforma, trouxe como proposta a busca legítima por conteúdos de qualidade sem a influência das métricas, uma vez que os números se tornaram um sinalizador de popularidade, gerando ansiedade ou, até mesmo, depressão nos usuários e pressão nos resultados de marketing das empresas.

Mesmo com a mudança, os usuários não terão grandes impactos nos alcances de suas publicações, uma vez que a plataforma não deixará de exibir o conteúdo, mas somente os números. Além disso, a novidade faz bastante sentido se pensarmos que um conteúdo produzido na internet não deve ser medido pelo usuário a partir, apenas, do número de curtidas. Ou seja, o seguidor deve se concentrar ao conteúdo que ele de fato acredita ser relevante ou, ainda, compatível com seu estilo de vida.

A questão das métricas só devem interessar ao gerenciador da publicação, de forma que ele possa medir o quanto vem engajando seu público com o conteúdo ofertado. É possível, entretanto, que não havendo transparência no volume de likes, seguidores e alcance dos posts, alguns influenciadores que trabalham com publiposts, venham a inflar os números nos mídia-kits, deixando as marcas contratantes com uma certa insegurança.

Nestes casos, assim como já ocorre com alguns perfis que utilizam robôs para inflar o número de seguidores, o ideal é que as marcas se cerquem sobre a autenticidade dos números exibidos pelo influenciador. As marcas podem solicitar prints online de posts específicos de datas anteriores, ou até mesmo,solicitarem acesso às métricas, dessa forma é possível validar todas as informações.

Em transmissões ao vivo, a marca também poderá checar quantos internautas estão plugados no conteúdo que está sendo transmitido e o endosso de outras empresas que já se utilizaram do canal/influencer também deve constar no rol das checagens.

Vale lembrar que quando a plataforma iniciar os testes sob o novo recurso, nenhum usuário estará livre da atualização. É possível que o Instagram inicie alguns testes, e caso o resultado seja positivo, e saia como esperado, a atualização será global, o que pode dividir bem as opiniões, como geralmente ocorre com ajustes que geram alterações de comportamento nas mídias sociais.

Com as rápidas informações alcançadas na internet, além de seu consumo desenfreado, é normal que usuários levem em consideração as avalições a partir das curtidas e dos comentários em publicações das mídias sociais, blogs, sites, portais e outros. Mas a medida que pode ser tomada pelo Instagram é semelhante ao que já vimos na mídia tradicional.

O interessante da proposta da plataforma é que, se formos analisar o consumo das programações de TV ou, até mesmo, de algumas plataformas de filmes e séries, nós não temos como mensurar, somente em likes e curtidas, o quão relevante aquela produção de fato foi, pela técnica utilizada, pela performance do ator ou ainda, simplesmente, pela preferência de gênero, já que uns gostam mais de drama, enquanto outros de terror.

Nesse sentido, essa é a intenção do Instagram, tornar o conteúdo compatível com determinado usuário e fixar a atenção por familiaridade diante do que foi produzido pela empresa ou pelo influenciador digital, desmistificando as métricas de vaidade.

Como toda novidade traz uma certa resistência de aceitação do público, com a atualização do Instagram não será diferente.A mudança, apesar de positiva, poderá reduzir os altos índices de depressão e ansiedade, além de qualificar os dados e conteúdos publicados. É provável que usuários se sintam bastante incomodados com a alteração dos likes inicialmente, mas por um curto prazo, afinal, as pessoas acabam se acostumando. Logo será possível verificar a qualidade rendendo sob a quantidade, com uma relação mais humana e seletiva sob determinados assuntos.

Fernando Souza é especialista e pioneiro em comunicação e mídias sociais no Brasil e atua no mercado há 15 anos, desde o primeiro blog lançado em 2006: Twitter Brasil. O profissional possui ampla experiência nos mais diferentes processos de marketing digital, mercado no qual vem empreendendo nesse período e, atualmente, ministra cursos In Company na São Paulo Digital School e é docente de Marketing Digital e Negócios Digitais das aulas de pós-graduações do IED (Instituto Europeu de Design) e da FIA (Fundação Instituto de Administração).

Souza é fundador da FS Consultoria & Treinamento, realizando consultoria para empresas de diferentes portes e segmentos, ministrando também palestras e workshops para diversas instituições, tais como: Globosat, Abbott, Ammo Varejo, Quiksilver, GO Eyewear (Cartier, Montblanc, Evoke, Ana Hickmann), Kimberly & Clark, Votorantim Cimentos, Grupo Dass, MIS, Shopping Eldorado, PUC-SP e ESALQ-USP. Mais informações no site.

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A gestão de marcas no ambiente digital ajuda a fortalecer a imagem da empresa, atraindo os consumidores que possuem forte presença online. 

Hoje a palavra que rege os negócios é conectividade. Diante disso, a gestão de marcas precisou evoluir, seguindo as inovações tecnológicas, alinhando as estratégias com o ambiente digital. As marcas que desejam ser admiradas e ter resultado devem compreender e praticar, para se relacionar com seu público de acordo com o novo cenário. Existem algumas marcas que se destacam no mercado de consumo atual, gerando mais desejo de aquisição de determinado produto nos consumidores, mesmo que várias empresas tenham produtos similares. Esse destaque é o resultado das estratégias de branding digital.

O founder do Maka.Branding e consultor em gestão de marcas Leandro Werner – o Maka – comenta que o branding é muito mais amplo e complexo do que a maioria das pessoas costumam imaginar. “Não estamos falando somente de logotipo, e sim do que sentimos, do que determinada experiência transmite aos consumidores. Quando imaginamos isso em um mundo offline fica mais fácil de compreender. Pode ser uma essência em uma loja, uma cor predominante, um som marcante ou até mesmo o jeito de atender os consumidores. Mas, quando vamos para o ambiente digital temos um esforço muito maior para fazer com que todos compreendam a marca da mesma maneira de sempre”, explica.

O branding digital nada mais é do que criar experiências de marca, que estejam alinhadas ao DNA da empresa, que consigam “invadir” e tocar o coração das pessoas, só que em um ambiente digital. Maka também ressalta que, tradicionalmente, criamos experiências que possam ser sentidas no ambiente offline, no ambiente digital todos falam de métricas, performance, resultados e números.

Mas, e o intangível? Onde está inserida a parte em que as marcas revelam a sua essência? Muito mais do que apenas performance e captar leads para a empresa, as marcas precisam revelar o seu real DNA também neste ambiente. Maka comenta que é extremamente importante a parte da performance e a análise de métricas, sem elas o trabalho fica muito mais difícil no meio digital. Porém, cresce cada vez mais a demanda de um ambiente com o DNA da marca no meio digital, que seja a cara da empresa e não apenas para vender produtos a um bom valor. “Lembre-se: as pessoas não compram produtos, elas compram marcas”, observa o empresário.

Gerando mais resultados nos negócios 

No cenário de negócios atual, é indispensável pensar no digital para potencializar a gestão de marcas, visto que esta ferramenta cresce a cada dia. Hoje é possível notar uma infinidade de anúncios de produtos na internet, todos visando ao melhor valor de venda, mas poucos falam de marcas,  passando o real motivo para comprar um determinado produto.

“Existem diversos produtos iguais aos da sua empresa no ambiente digital, o que vai levar o consumidor a ser seu cliente é justamente a forma como sua empresa se posiciona neste meio”, explica. Ou seja, é pelo seu DNA que o consumidor passa a te admirar. Quando unificado ao branding digital aliado a estratégia de performance, o consumidor passa a enxergar muito mais do que somente produtos e venda.

“No mercado digital tudo gira muito rápido e todas as ações demandam ações e resultados rápidos. Sua empresa não precisa estar presente em todos os canais, ela precisa estar presente nos canais que são de acordo com o DNA e propósito da empresa. Desta maneira fica muito mais fácil validar as ações e colher resultados – a longo prazo – mas concretos”, finaliza.


Maka Werner: empresário e consultor de gestão de marcas e gerenciamento de projetos de marketing e design, e facilitador na metodologia Lego® Serious Play® no Brasil.

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SKOL brinca com rotinas típicas de um grupo da família para valorizar suas três variantes: Pilsen, Hops e Puro Malte

A família SKOL cresceu e para valorizar a diversidade das suas três “filhas”, SKOL vai brincar com o que é típico a todas as famílias brasileiras: o grupo de Whatsapp. Em campanha que se inicia nesta segunda-feira (8) nas redes sociais e em TV aberta, SKOL vai reproduzir interações de grupos de família e participar de forma bem-humorada de assuntos próprios a todos eles.

Tem o tio do pavê que leva uma invertida da irmã por conta da piada pronta, a vaquinha para dar presente de aniversário que gera uma debandada do grupo, aquele áudio indesejado no meio do expediente e a zoeira depois de mais uma sequência de mensagens de “Boa noite, grupo”.

Os vídeos curtos, de 15 segundos, terminam com uma mensagem de SKOL. “Que família não tem suas pequenas diferenças?” SKOL quer mostrar que numa família cada parente tem suas características, assim como a família SKOL. As pessoas podem ser mais tradicionais, como a SKOL Pilsen, antenadas e modernas como a Hops e exibidas, do tipo que gosta de todas as atenções, como a nova Puro Malte, única Puro Malte que desce redondo no mercado.

Dentro da estratégia da campanha, SKOL também vai apresentar uma nova identidade para o site oficial, além de ativações em pontos de venda, ações com influenciadores e uma série de interações especiais nas redes sociais.

Para fazer o público se sentir parte da família SKOL, a marca preparou também um pacote para o universo do WhatsApp com memes, áudios e stickers que reforçam a campanha, traçando paralelos entre os estilos das cervejas com a dos parentes de uma típica família brasileira.

As comunicações valorizam a leveza e refrescância da cerveja Pilsen, a mais querida dos brasileiros há anos. Fala também dos ingredientes de Hops e seus lúpulos arredondantes, bem como da Puro Malte, que mal chegou e já está dando o que falar.

“Com SKOL temos que estar sempre um passo à frente, ser pioneiros. As relações familiares estão cada vez mais dinâmicas e aproveitamos nossa diversidade de cervejas para valorizar essas características. Essa é a base de ser de Skol. Fazemos isso refletindo a atualidade e, principalmente, conectados com nossos consumidores com uma linguagem que faz parte do dia a dia de todos eles”, disse Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing de SKOL.

Confira os quatro primeiros filmes baseados em conversas de grupos de família que apresentam a família SKOL:

A criação é da agência F/Nazca Saatchi & Saatchi.

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Hoje, de fato, as empresas que não acompanharem e se adaptarem a todas as mudanças que estão ocorrendo, principalmente as tecnológicas e digitais, estão com os dias contados. Já são vários os casos famosos de grandes negócios e marcas que não entenderam esse movimento e foram dizimados por esta transformação.

Mas, tão importante quanto uma empresa buscar inovações e soluções digitais é ela conseguir internalizar este espírito digital e fazer com que as áreas e as pessoas vivenciem e respirem esse movimento. Na verdade, estas ações estão diretamente conectadas. Quanto maior o entendimento, de todas as áreas, de que a tecnologia pode e deve gerar valor para o negócio, maior será a capacidade da empresa em inovar e desenvolver novas soluções digitais. Até porque, apesar de muitas companhias pensarem assim, o digital não está ligado apenas a geração de valor para o mercado, sendo liderado pelo marketing, mas também é uma ferramenta poderosa para otimizar processos internos e potencializar resultados em qualquer área. Ou seja, todas células e pessoas são responsáveis pelo digital.

E, para garantir este aculturamento, seguem algumas dicas que podem ajudar e fazer com que todos se engajem com esta causa:

1. Assuntos digitais, linguagem analógica

Uma grande barreira para as pessoas se engajarem com o tema são os termos técnicos e os neologismos deste mundo digital: Marketing Cloud, Big Data, Chatbot, UX, Growh Hacker, entre milhares de outros. Mas, com certeza, todos são passíveis de serem traduzidos e explicados de forma didática. Assim, garanta que a comunicação, mesmo sobre temas tecnológicos, seja simples, de fácil compreensão e inclusiva.

2. O foco da empresa ainda é o mesmo

A empresa deve entender que o digital é apenas mais uma ferramenta que ajudará a alcançar seus objetivos, e que o foco ainda dever ser o cliente. Em outras palavras, o esforço não deve estar em criar o máximo possível de ferramentas digitais, mas sim em como utilizar a tecnologia para garantir experiências diferenciadas e geração de valor para os clientes.

3. Aculturamento se constrói de cima para baixo

Não adianta o discurso ser bonito e encantador, sendo que este “chip digital” não está instalado na cabeça dos líderes. Na verdade, isso serve para qualquer processo de aculturamento e engajamento dos funcionários com alguma causa.

Desta forma, as lideranças precisam garantir que este tema seja recorrente em suas agendas e promoverem e reconhecerem as boas práticas e funcionários que se destacam.

4. Contra fatos, não há argumento, mas sim engajamento!

A melhor forma de engajar as pessoas, inclusive as mais céticas, é mostrar os benefícios obtidos. Assim, para todas as ações digitais, defina muito bem os KPIs, acompanhe constantemente e, principalmente, dê visibilidade dos resultados positivos. E, com certeza, um dos grandes benefícios do digital é a possibilidade de uma mensuração com bastante acurácia e profundidade.

Por fim, não espere alguma área ou pessoa responsável para que essa transformação aconteça. Como já disse, pensar digital é um dever de todos! Basta estar disposto e começar, mesmo que dentro do seu departamento e time, este aculturamento. Estabeleça e promova a cultura de inovação digital, sem esquecer: o foco sempre deve ser o cliente.


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Gabriel Saul Maialli

Atua como gerente de Estratégia de Marca e Digital Branding na Syngenta. É especialista em Branding pela Business School SP, ministras palestras e aulas sobre Gestão Estratégica de Marcas e é membro do Comitê de Branding da ABA.

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Vivemos em uma era em que a tecnologia vem crescendo exponencialmente!

Em função desse crescimento identificamos a facilidade que se tem em obter ou compartilhar dados, tornando factível transformar qualquer material em informação.

E vem desse turbilhão de informações a nossa necessidade atual em mensurar o que é importante ou não para nós ou para uma empresa.

As métricas nas mídias sociais são usadas por muitos times a fim identificar o que é fundamental para o negócio, ainda mais quando se trata de disseminar uma marca.

E pensando em divulgação de marca, no caso do marketing, por exemplo, é possível afirmar que se pode converter simples visitas ao site das empresas em leads, o que torna o alcance da marca ainda mais amplo.

Mas devemos pensar que a informação está todo lugar e esse fator torna o trabalho de mineração de dados um tanto quanto árduo, pois há uma infinidade de meios digitais passíveis de análise e, para que seja de fato efetivo o nosso trabalho, manter a monitoração constante durante um período mínimo é essencial, pois possibilita a otimização de estratégias para serem executadas nos canais digitais que podem proporcionar maior sucesso a uma marca, por exemplo.

Mas o que é a métrica de mídia digital?

Consideramos métrica como uma forma de medir e analisar qualquer tipo de dado. Nas mídias digitais analisamos pessoas ou empresas com o intuito de vislumbrar qual é o desempenho deles em suas atividades nos meios digitais. Para isso, podem ser utilizadas ferramentas de monitoramento, que são especializadas em capturar o dia-a-dia dessas pessoas nas redes.

O maior desafio que as equipes de monitoramento enfrentam é juntar material das redes sociais e consolidar algo realmente significativo para as empresas. Apesar de existirem muitas ferramentas poderosas para análise dos dados, até o momento nenhuma plataforma foi capaz de fazer isso isoladamente de forma completa, e é por esse motivo que é necessário obter dados do máximo de mídias sociais possível, a fim de entender o panorama geral. Afinal, não são apenas conversas que nos trazem dados, mas também as ações resultantes dessas conversas.

A intenção de monitorar as métricas de mídia social é usar os dados adquiridos para melhorar os esforços de marketing e engajar o cliente. Por exemplo, a mídia social e a presença nos sites devem ser integradas porque elas direcionam o tráfego de outras pessoas, além de envolver o público de maneira diferente. Meça coisas às quais você pode atribuir significado, coisas que podem ajudá-lo a tomar decisões importantes para ampliar o direcionamento da marca de uma empresa.

As métricas de mídia social são uma boa indicação de como as pessoas estão visualizando sua empresa ou uma campanha, a qualidade de seu conteúdo e qual o interesse geral que elas têm em relação à companhia.

Se você ainda não achou tão importante assim mensurar os dados, pense que o crescimento financeiro da sua empresa e o destaque que a sua marca vai ganhar podem ser diretamente afetados por essas informações vindas das mídias digitais e passíveis de análise.

O retorno do investimento (ROI) em mídias sociais é a prova monetária de que as suas estratégias estão funcionando em prol da sua empresa ou não. De acordo com o Social Media Examiner, “O ROI da mídia social é definido como uma medida da eficiência de uma campanha de marketing”.

Acompanhar o ROI permite que se saiba o que está funcionando e o que não está. A fim de melhorar as táticas e alocar tempo e recursos de maneira adequada. Mas antes de acompanhar o ROI, você precisa definir metas para as métricas específicas de mídia social que deseja acompanhar.

As metas são os objetivos que queremos alcançar, e são esses objetivos que determinam quais métricas iremos criar, como, por exemplo, aumentar o destaque da marca da empresa.

Podemos citar como um exemplo de métrica o rastreamento dos links que são publicados no Twitter da nossa empresa através da ferramenta Bitly, que auxilia também no cálculo do ROI.

Já em outro caso, podemos pensar em analisar a quantidade de seguidores, de tráfego social, de conversões de visitas em leads, que dão um viés totalmente diferente, mas que são extremamente importantes para as empresas.

Enfim, vemos que acompanhar as métricas de mídias digitais permite às equipes tomarem decisões importantes, que podem ser até em tempo real, com foco nos resultados e de forma muito mais assertiva, aumentando, assim, o sucesso dos negócios.

Então vamos aprender mais sobre as inúmeras ferramentas disponíveis no mercado e começar a ver como as informações podem trabalhar a favor da nossa marca.

Imagem: Pressfoto

Carol Jaime: Especialista em Design Digital e Novas Mídias. Líder de UX. Estrategista em desenvolvimento de softwares com aplicação de metodologia Ágil. Com 14 anos de experiência em soluções para o mercado financeiro, agora atuando em softwares na área da saúde, onde leva para esse mundo os poderes do design totalmente integrados à alta tecnologia.

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Para quem cresceu, assim como eu, na década de 1980, havia um item importante ao lado do telefone, acionado até então por um disco ou teclas, tão importante que costumava ser guardado em uma gaveta no móvel que dava suporte ao aparelho. A agenda telefônica. Nessa época era comum sabermos “de cabeça” o telefone de um bom número de amigos, familiares, bem como suas datas de aniversário. Éramos mais capazes? Não é essa a questão, o teórico das mídias Marshal McLuhan, criador do aforismos o meio é a mensagem, antecipou em décadas os efeitos da cibercultura ao dizer que os meios de comunicação são extensões do homem e que estes alteram nossa cognição e percepção rumo ao mundo social. Somos produto da nossa cultura e vivemos em uma cultura digital, algumas engrenagens desse sistema são mais visíveis, outras nem tanto, mas o fato é que essa sociedade redesenhou de maneira profunda as mais diversas relações encontradas nela. As relações com quem estão próximos ou pretendemos que um dia estejam, encontram respaldo nos comunicadores instantâneos que possibilitam os grupos de família e os aplicativos de namoro adicionam novas sociabilidades. Novos modelos de negócio surgiram e outros sumiram do mapa. Há no ar uma sensação que é tudo novo agora.

Ainda estamos na era da informação?

A capa da revista da Time de 2006, em seu suplemento personalidade do ano, trazia uma tela de computador e uma única palavra você! Além disso dava as boas vindas a era da informação. Em sua primeira fase a cultura digital viveu a era do upload, ou seja, alimentamos o ciberespaço com informações diversas, os sites, os serviços bancários, institucionais, entre outros, foram preencher um ambiente de 0 e 1 até que a chegássemos na era do download, onde estas informações passam a alimentar não apenas os gadgets, mas diversos outros aparelhos da chamada internet das coisas. Uma nova mídia que alterou profundamente diversas estruturas, a internet, também trouxe dilemas de um novo ecossistema em constante formação, mas foi quando a grande rede mundial dos computadores começou a criar a grande rede social, o Facebook, que esta nova mídia trouxe para o centro da mesa algumas verdades inconvenientes: As bolhas de informação, Fake News, a polarização e  o discurso de ódio. As redes sociais parecem caldeirões prestes a explodir e a comunicação por vezes se torna incomunicação. Que o Facebook não produz conteúdo todos já sabemos, porém também não filtra e literalmente qualquer coisa pode ser propagada e por um breve período, as vezes nem tão breve assim, adquirir status de verdade absoluta. Se está na internet é verdade! Não, não é!

Para tudo aquilo que não podemos racionalizar a respeito, não operamos somente no modo consciente, muito ao contrário, e por isso para um mundo que não compreendemos boa parte do preenchimento desta “realidade” virá de um pacote chamado crenças. Escolhemos rapidamente acreditar em uma determinada postagem, em um determinado conteúdo, porque ele dialoga diretamente com o que acreditamos. E nesse ponto há um desafio para todos nós. Em que devemos acreditar? Enquanto algumas imagens falsas afrontam algumas pessoas, outras se sentem confortadas porque elas reforçam sua visão de mundo. Esse material dirigido cria a tão falada bolha, ou seja, estamos recebendo conteúdos que não sabemos quem redige, se há um alguém de fato ou se está a serviço de uma engrenagem maior, não sabemos qual a linha editorial, se houve uma checagem de fontes, mas há geralmente um endosso de um amigo que compartilhou, de um familiar que colocou no grupo ou do sistema que separa para exibir somente aquilo que ele assume que você gostaria de ver.

É assim que nos separamos em bolhas, em nós contra eles e mentiras se propagam.

Pós-Verdade e as marcas

A pós-verdade se caracteriza com a sobreposição das crenças pessoais, olha elas novamente, acima dos fatos. O que eu acredito ganha o reforço dos algoritmos que mostram aquilo que eu desejo ver e não serei contraditado.

Robôs garantem que esse conteúdo, antigamente chamado de boato ou fofoca, se espalhe de maneira exponencial. Todos podemos ser vítimas de uma informação falsa ou de um ataque de comentários que visam desqualificar uma das riquezas da rede, a possibilidade de diálogos. Se o conteúdo é rei, checar a veracidade antes de compartilhar é uma grande riqueza. Mas há algo além. Em uma época em que as marcas passam a adotar propósitos claros e valores inegociáveis, se torna cada vez mais delicada a vivência digital.

Alguns pontos para atenção:

O tempo

Se antes das redes sociais digitais uma resposta em 24 horas era um gol e tanto, para os nativos digitais parece uma eternidade. A possibilidade de checar respostas o tempo todo, com auxílio dos smartphones, traz a ansiedade e a velocidade dos processadores que não para de aumentar alterando nossa percepção de tempo. Não crie canais de atendimento que não possam ser gerenciados para respostas rápidas. 24 horas já não é ideal, mais que isso é um problema.

Os valores

Por mais que soe atraente “surfar” em tópicos emergentes, a consistência é a mãe da percepção. Não atraia para si uma atenção que pode virar decepção se não há uma estratégia de produto e a comunicação será pontual e descartada rapidamente.

A diversidade

Ter uma equipe com representatividade baseada em diversidade vai proporcionar uma visão adequada de um mundo cada vez mais diverso. Diversidade é rentável, é estratégica e é justa.

O legado

De que forma você contribui com as questões levantadas até aqui. Como pode não depender de uma casa que não é sua? Ainda que você não possa abrir mão do Facebook e do Google, uma leve mudança de algoritmos faz toda a diferença. Os maiores anunciantes globais, P&G e Unilever, tem reduzido seu investimento em digital e pressionado o Facebook para adotar mais transparência com a questão do Fake News e os discursos de ódio. Apesar da redução, suas receitas continuaram a subir. Faz sentido para seus consumidores que de alguma maneira estas marcas cobrem uma melhora no mundo e sejam parte dessa solução, utilizando o poder que possuem.

A rapidez

Errou? Assuma rapidamente e veja como reparar. Detectou o uso de robôs para desqualificar sua posição ou pessoas que estão diametralmente em lado oposto aos seus valores? Responda com os seus valores! Ser claro e honesto fará um grande link com quem de fato acredita no que você acredita. Você não vai agradar todo mundo, porém não desagrade quem de fato comprou seu propósito.


Rodrigo Amorim: mestre em comunicação e pesquisador pela Faculdade Cásper Líbero. Com 15 anos de experiência em projetos de branding e comunicação para empresas nacionais e multinacionais. Professor em cursos de pós-graduação e palestrante.

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Em tempos de cibridismo já não podemos mais separar “estar online” de “estar offline”. O meio digital tem sido palco de atuação das relações humanas cotidianas, tanto profissionais quanto pessoais e a rapidez e praticidade oferecidas pela era digital interferem na nova forma de consumir o mundo contemporâneo.

A efemeridade – principal característica apresentada na filosofia da modernidade líquida, cunhada por Zygmunt Bauman – se faz presente e autêntica nesse contexto e nas vivências diárias de cada um de nós. A obra (Modernidade Líquida)publicada em 2001, traz afirmações sobre um cenário que mesmo depois de mais de 15 anos ainda é familiar, especialmente quando valida o fato de estarmos vivenciando um momento de brevidade em meio a uma sociedade que está rápida e constantemente sofrendo alterações para acompanhar as mudanças à medida que elas acontecem. Essa agilidade dos processos corrobora para que as pessoas cada vez menos se apeguem por muito tempo a coisas, lugares e ideais.

O fluxo de informações intercambiadas e de tecnologias envolvendo a troca tem permitido que cada vez mais pessoas tenham acesso a mais conteúdo. Em contrapartida vivemos um momento de saturação, no qual o usuário tem tantas fontes de onde consumir que é desafiador para quem fornece a informação competir não só pela sua atenção, mas por algo ainda mais importante: sua fidelidade.

A marca, ao perceber esse cenário, vem investindo em meios de entender o comportamento dessa geração de consumidores e propor uma relação mais próxima e de longo prazo. Além de representante de um produto, ela assume agora o papel de criadora de laços a partir das experiências emocionais que proporcionam ao público, reforçando o fato de que atributos anteriormente primordiais na tomada de decisão numa compra – como preço e qualidade – já não são mais a preocupação exclusiva de quem compra.

É importante enfatizar a diferença entre aspectos em torno da construção e fortalecimento da imagem de uma marca, uma vez que estes não necessariamente confirmam o seu sucesso. Reputação e credibilidade dependem de um posicionamento transparente alinhado às expectativas do consumidor e refletem o esforço empregado a longo prazo através do trabalho de marketing e branding.

Agora com suas forças centradas em oferecer ao consumidor valores humanos muito além de simples serviços, culturas ou produtos, o marketing não somente compreendeu a consciência do usuário como também o seu poder, ao percebê-lo dotado de acesso a tecnologias impactantes. O modelo de consumir evoluiu gradativamente à medida que o foco mudava num primeiro momento de produto para consumidor e posteriormente deste consumidor para o ser humano que ele é: dotado de personalidade, ideais e senso de individualidade.

Ao passo que clientes tomaram consciência do seu poder no meio, a comunidade global vem se adequando aos modelos “impostos”, centrando seus esforços em acompanhar a jornada desse consumidor emergente que é conectado e inquieto, numa tentativa de engajar.

Não há mais como negar que as características inerentes ao consumidor do momento são diretamente proporcionais ao aumento de conectividade e mobilidade que constituem agora sua realidade, tornando as relações com coisas e pessoas ainda mais efêmeras.

Do ponto de vista do marketing, o consumidor detém o poder decisivo no cenário atual e, apesar de parecer dicotômico, nesse momento ele tem manifestado muito mais seu lado humano. O desafio agora é então tornar marcas mais humanas: criar um fator de identificação com esse público que é constituído por um sem fim de personalidades que não tem nada em comum além de vulnerabilidade. As marcas vivem um momento em que não podem poupar esforços na aproximação com o público para criar laços de amizade.Ao abordar ansiedades e desejos que tocam o coração do público, as marcas passam a centrar seus esforços na auto realização ao passo que elas próprias se tornam também humanas.

Segundo raciocínio enfatizado por Gobé, é crucial a importância de se conectar com o coração das pessoas tomando como referencial os significados e expressões que revelam como as expectativas dos consumidores estão em constante mudança.

É possível interpretar que existe nesse contexto uma necessidade de constante reinvenção por parte das marcas para sobreviver no “mercado do momento”. Produto, preço, praça e promoção já não são mais os únicos motores que levam uma pessoa a consumir algo. As necessidades funcionais ainda estão presente e sempre existirão, mas as pessoas tem buscado algo mais, às vezes algo quem nem mesmo elas sabem exatamente o quê. E é aí que mora a oportunidade de tornar um cliente em fã: conhecê-lo ao ponto de saber o que oferecer pra ele em determinado momento – saber quem ele é.

Para saber quem é seu consumidor, uma marca precisa em primeiro lugar se conhecer e entender o que quer, para onde e como ir. Ao longo dessa jornada de descobertas, o propósito ganha vida de inúmeras possibilidades e ele nem sempre surge no ato da fundação de uma empresa. Espera-se que a busca pela alma do produto ou serviço oferecido guiem a empresa na solidificação e formalização da sua intenção. A evolução pode se dar de maneira imediata ou levar anos para se erguer; o importante é que aconteça de forma natural e orgânica, independente da sua dimensão: se refletindo em seus produtos, processos internos ou no compartilhamento.

A cultura da internet que hoje fomenta a criação e disseminação de conteúdo de forma massiva e num tempo outrora inimaginável é a mesma responsável pelo afastamento espacial dos seus usuários.

O meio digital revela-se como um grande desafio para o mercado atual: o de conciliar falar muito com conseguir também fazer muito. O alinhamento das expectativas externas ao propósito de marca tem se mostrado a aposta das empresas na conquista de visibilidade e engajamento. O “consumo de identificação”tem oferecido às marcas a oportunidade de passar por um processo desafiador de reinvenção, de reposicionamento, para transformar clientes em admiradores que a longo prazo se tornarão, além de fãs, porta-vozes do seu propósito.

A humanização tem funcionado como ferramenta no equilíbrio de brand equity assim como no aumento da consciência de marca no imaginário popular. A competição no mercado tem dado margem a obtenção de apoiadores aliados à marcas que representamideais que pessoas reais buscam enquanto indivíduos, para si próprias. A valorização da transparência em uma comunicação sem ruídos e sem rodeios tem oferecido às pessoas um relacionamento que elas estimam a ponto de desejarem repetir.

Investir na elaboração de um trabalho de branding com ênfase na humanização pode ser a essência da prática orientada para o desdobramento do propósito de uma marca. A longo prazo, o que uma marca pode vir a proporcionar ao seu consumidor ultrapassa as barreiras do produto em si: torna a experiência emocional e cria um relacionamento com valor agregado.


Samantha Bastos: graduada em Design Gráfico com Habilitação em Comunicação Visual e Ênfase em Meios Digitais pela UNIFACS e Pós-graduada em Design Digital e Novas Mídias pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. UX/UI designer com interesse especial em soluções de tecnologia envolvendo design e comportamento humano no meio digital.

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A contemporaneidade é marcada por uma nova economia digital, transformada por convergências tecnológicas, conectividades e inovações disruptivas, que estão impactando, de maneira coletiva, o comportamento dos consumidores e seu relacionamento com as marcas.

A transição da Era Industrial e da produção de massa, impulsionada pela crise do sistema financeiro em 2008, faz nascer um novo modelo de negócio: a economia compartilhada, que busca responder aos novos anseios de uma sociedade altamente informada, conectada e questionadora.

Em meio a competitividade acirrada, o grande objetivo das marcas é se destacar diante da concorrência. Estudar a fundo o perfil do consumidor e entender suas necessidades tornou-se um fator primordial para obter sucesso nos negócios. Surge então, uma evolução na relação entre marca e usuário, na qual a marca passa a buscar humanização, através da relevância, transparência e autenticidade, criando valor e apelo emocional.

Os conceitos de marketing evoluem frequentemente. O marketing 1.0, focado no produto, precede o marketing 2.0, voltado ao consumidor, seguido pelo marketing 3.0, centrado no ser humano, e chega ao marketing 4.0, defendido por Kotler (2017, p. 71) como uma abordagem que combina interações on-line e off-line entre empresas e clientes. O marketing digital e o tradicional coexistem no Marketing 4.0 com o objetivo de conquistar a defesa dos seus clientes.

Na era da conectividade e convergência, o poder é das pessoas. É o empoderamento dos usuários, e redes de conexões, que torna-os permanentemente ativos. São consumidores e, ao mesmo tempo, produtores de conteúdo.

A confiança virtual é hipersocial e sustenta-se através do compartilhamento de opiniões e comentários dos usuários. A comunicação torna-se horizontal e gera engajamento entre usuários e marcas que partilham das mesmas ideias, crenças e valores. Por isso, é essencial que a marca cumpra as promessas e expectativas desses usuários, com o objetivo de evitar qualquer tipo de desapontamento.

A economia compartilhada pode ser vista como uma forma de conduzir os negócios com consciência acerca dos seus impactos na sociedade e no mundo. É a transformação da propriedade privada em acesso compartilhado, que permite ao usuário pagar apenas pelo que realmente for usar. Ou seja, a oferta certa, para cada cliente, no momento exato em que ele precisa.

Assim, é possível proporcionar uma variedade maior de serviços sob medida para cada usuário, reduzindo o desperdício de recursos, à medida em que estes são utilizados de forma mais eficiente. Essa é a essência da ativação comunitária: aumentar o valor dos bens para o indivíduo, a comunidade e o meio ambiente.

A onda do compartilhamento está ocorrendo em diversos setores da economia, promovendo ações disruptivas e transformando a visão de negócios. Transportes, bens, espaços, comida, dinheiro, serviços, estudos, bem-estar, saúde, beleza, moda, mobilidade, logística e corporações, são algumas das áreas nas quais novas empresas tem emergido. Em maioria, startups visionárias com sede por inovação e conhecimento em tecnologia, dedicadas a trazer soluções e facilidades para o cotidiano com ideias capazes de criar um novo mercado e desestabilizar os concorrentes que antes o dominavam.

A sociedade está em constante evolução. Os negócios, atualmente centrados não só no produto ou usuário, mas sim no conjunto das relações e seu entorno com o ecossistema, buscam relevância e conexão pautadas no consumo colaborativo.

O grande desafio é proporcionar serviços e produtos que facilitem a vida das pessoas, ofereçam autonomia e flexibilidade e sejam financeiramente vantajosos, sustentáveis e criem um vínculo com o usuário, transformando essa jornada em uma experiência positiva e confiável.


Flavia Sawaya Sacamoto Santinon: Graduada em Design Gráfico e especialista em Design Digital e Novas Mídias pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, possui experiência e segmento off-line, mas encantou-se pelo mundo digital, atuando como UX/UI Design. Acredita que o design tem o poder de transformar e por isso é apaixonada pelo que faz.

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A internet chegou com tudo. Com a exceção de poucas pessoas bem reservadas no meio rural, quase todos sentiram e abraçaram (querendo ou não) os impactos dessa nova era, mudando também as dinâmicas do meio comercial. Consumidores e vendedores precisam entender quais artifícios estão ao seu alcance e qual é a relação entre eles. Já estamos tão habituados com essa realidade, que podemos ter adquirido uma visão míope sobre o que é ferramenta e o que é meio. Tamanha transformação e certo cômodo aumentam a necessidade dessa macroanálise. Afinal de contas: Qual é o papel da comunicação digital na economia colaborativa?

Pra começar, vamos definir esse novo modelo econômico. A economia colaborativa (ou compartilhada) é aplicada a todo modelo de negócio que se baseia na capacidade excedente para proporcionar a divisão desse bem, seja ele material ou imaterial, e é intermediado por uma plataforma. Inclusive, tem chamado a atenção a abrangência de objetos que participam desse processo. Entre os bens materiais já estamos falando de carros, roupas, móveis, imóveis, utensílios de fotografia, celulares e muito mais. Já os imateriais contam com tempo, conhecimento e espaço. Qualquer um que tenha uma dessas coisas pontuadas tem a possibilidade de rentabilizar. Basta estar disposto e abrir uma conta no respectivo site ou aplicativo. Agora, de onde surgiu todo esse excesso que está sendo dividido entre peers? A cultura que desenvolvemos aliada às apuradas técnicas de marketing foram umas das principais causas do consumismo, que pode ser definido como o comportamento excessivo de compra que atropela consequências pessoais, ambientais e sociais. Esse hábito pode nos transformar em verdadeiros acumuladores ou nos forçar a descartar produtos que ainda estão em ótimo estado. Difícil dizer qual desses caminhos é pior, sinceramente. Pensando nisso, Robin Chase percebeu que “o compartilhamento, na verdade, é uma questão de descobrir como mobilizar a capacidade em excesso já existente”. Ela, então, definiu 3 teses que fundamentam a economia colaborativa. São eles:

  1. As pessoas estão dispostas a compartilhar em vez de comprar.

Essa parte está muito associada à mudança de comportamento do consumidor, envolvendo um processo de compra mais consciente e com a receptividade à ideia de compartilhar objetos com outras pessoas.

  1. Temos plataformas tecnológicas que alavancam esses compartilhamentos.

Dividir não é uma ação do homem moderno, longe disso. Já sabíamos fazer isso de diversas formas com vizinhos, amigos e parentes. A questão é que a inclusão das redes sociais e aplicativos nos aproximaram de muito mais gente, desconhecida ou conhecida, alavancando bruscamente os compartilhamentos.

  1. As empresas irão confiar sem demasiada supervisão que seus clientes terão cuidado com os bens compartilhados.

Essa atitude permite que a relação do prestador de serviços e o cliente seja muito mais natural, melhorando muito a experiência para os dois lados.

Vamos aproveitar essa última tese e falar sobre confiança. Acredito que a grande maioria das pessoas pense que esse é um dos pilares para qualquer relacionamento. Relacionamento que temos com muita gente, inclusive com quem não gostamos. E com as empresas não tem sido diferente, nos relacionamos com elas e vice-versa, depositando confiança um do outro. O próprio Walter Longo diz que, além da mídia digital, há um componente de envolvimento e engajamento que muda tudo. Isso pode explicar a forte presença de marcas nas redes sociais, assim elas podem ficar entre nós e estabelecer vínculos mais facilmente. A mudança de valor que vemos se reflete na transformação do consumidor em mídia ativa. A relevância do que achamos ou deixamos de achar sobre um determinado serviço ou produto aumentou muito, uma vez que temos redes sociais e grandes sites de avaliações de clientes, como Reclame Aqui ou TripAdvisor. O novo boca-a-boca é muito mais forte principalmente pela escala em que ele tem acontecido, graças à tecnologia, e, se tem alguma empresa que ainda não está atenta a isso, é melhor incluir algumas ações nesse sentido no próximo planejamento de comunicação.

Já temos muitos cases interessantes relacionados a economia colaborativa, tanto os que deram certo e estão consolidados quanto os que se extinguiram. O que pode ser ressaltado que a grande maioria deles tem em comum, principalmente os bem sucedidos, é que devemos valorizar e compartilhar a inteligência gerada por comunidades conectadas e que podemos fazer um melhor aproveitamento dos recursos intangíveis, como capital humano e sócio-cultural. Devemos reforçar que essa mudança de mentalidade com o desenvolvimento tecnológico podem nos aproximar da sustentabilidade próspera.


Murilo Rodrigues Conceição:  formado em publicidade e propaganda e pós-graduado em comunicação organizacional pelo Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo. Marketeiro otimista que acredita muito mais no desenvolvimento coletivo. Tem um grande amor pela arte em geral, participando efetivamente de alguns projetos nacionais. Adora papo de elevador e é mais pontual do que gostaria.

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A sustentabilidade é algo bastante recente, sendo que muitos ainda associam o tema somente com a questão do desenvolvimento ambiental de nosso planeta. De fato, o assunto começou justamente em 1972, com a Conferência de Estocolmo, quando os principais assuntos ambientais do planeta foram discutidos.

Em 1987, o documentário “Nosso futuro comum” já sustentava que deveríamos urgentemente suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas. Em 1992, na Eco 92, no Rio de Janeiro, reafirmou-se através da Agenda 21 que todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais.

Temas como o desenvolvimento sustentável, o combate ao desperdício e o Protocolo de Kyoto já faziam parte das discussões mais essenciais da vida em rede no planeta. Além disso, os conceitos sobre desenvolvimento econômico passaram a ser objeto de preocupação acentuada, culminando com a Cúpula da Terra, em 2002, realizada em Johanesburgo. Neste momento, a Cúpula já tinha a grande preocupação de reafirmar o conceito de desenvolvimento sustentável, bem como da cooperação internacional para os acordos de controle de gases de efeito estufa (GEE).

Exatamente em 2012, durante a Rio + 20, apontava-se uma necessidade muito grande de se discutir a economia verde, as questões sociais e, mais que isto, o conceito de conexão entre todos os stakeholders já era bastante agudo. Mas não para por aí: a sustentabilidade passa a ter uma visão muito clara da participação ativa das empresas, talvez justamente porque metade do PIB global passa pelas mãos delas. Desde então o tema da governança corporativa passou a ter um peso muito grande em todas estas discussões.

Passados apenas cinco anos desta discussão, já se tem uma visão muito acentuada das responsabilidades das empresas no tocante à responsabilidade que as mesmas têm em levar o assunto da sustentabilidade a um nível mais elevado e mais consistente.

A era digital tem sido o ponto nevrálgico, um nervo exposto para todas as questões ligadas à gestão empresarial, bem como das necessidades de se ter um componente empresarial mais ligado à vida orgânica da sociedade, em detrimento de uma visão de lucro a qualquer preço.

Sim, as empresas trabalham para a sociedade, não para seus acionistas. O lucro deve ser visto como decorrência de um conjunto de atitudes de protocolos empresariais, de políticas afirmativas que controlem suas externalidades, que deem uma visão mais participativa e colaborativa na construção daquilo que a sociedade preza.

A sustentabilidade dá em apenas 5 anos, um salto gigantesco frente às questões empresariais, projetando um mundo urgente e muito pautado pelas tecnologias e pela necessidade de mudança acentuada de plataformas de geração de valor.

Em 2009 o autor Henry Jenkins já pautava o assunto da convergência, que foi o movimento que tinha a tecnologia como pano de fundo nas questões do protagonismo. Tão importante foi o movimento da convergência, que o autor pauta a questão que convergência é quando as pessoas passam a tomar as mídias para que elas se pronunciem, invertendo inclusive o vetor de marketing.

As pessoas, desde então, nunca tiveram tanto poder nas mãos, nunca se pronunciaram tanto em tantos lugares ao mesmo tempo, de forma ativa e decisiva, comprimindo os ambientes de promessas corporativas, normalmente bem declaradas, mas pouco cumpridas em essência.

Há um movimento muito claro pelas novas formas diferentes e disruptivas de se fazerem as coisas e as inovações começam a ser buscadas intensamente em todos os meios em todos os lugares do planeta.

A sustentabilidade passa a ser então um mecanismo de gestão empresarial, que dá a exata noção do que as empresas fazem em suas plataformas de geração de valor à sociedade.

O pilar ambiental e o social têm particularidades mais bem capturadas, mas o econômico não. É difuso entre muitos, tendo o lucro no centro, visto por muitos como algo pecaminoso, como se as empresas não precisassem do lucro.

Uma empresa tem como primeira responsabilidade social discricionária o poder de conexão das economias no seu entorno. Claro que quanto mais ativa, mais contrata e mais economias geram no seu próprio eixo, gerando riquezas a partir de suas plataformas de promessas corporativas. Claro, não se pode pensar no verde quando se está no vermelho. Simples.

A inovação tem sido requerida com uma velocidade cada vez maior, porque são as pessoas que se movem a elas, em sua busca por um maior significado a elas mesmas e buscam este estágio de forma ativa e significante.

A inovação tem raízes no pilar econômico, pois traz em seu DNA as novas formas de conexão entre propostas diferenciadas, novas formas de fazer, novas promessas corporativas, novas plataformas colaborativas e muita abundância de soluções contrárias à ideia de escassez que assola o ambiente corporativo.

Michael Porter há muito defendia a ideia de que as empresas precisam pensar seus produtos e serviços como agentes de transformação social, delineados por uma experiência significativa, em um ambiente de grandes transformações exponenciais. Neste sentido, a inovação passa a ditar o sucesso econômico das empresas com uma potência nunca antes vista.

O autor Larry Downes fala com muita convicção que os setores social, político e econômico crescem em escala incremental, porém só a tecnologia cresce em escala exponencial sobre eles. Portanto, é claro que a tecnologia alterará de forma profunda e definitiva os ambientes sociais, políticos e econômicos.

A tecnologia se mostra como o único meio de se alterar profundamente e inexoravelmente estes ambientes, mas há efeitos colaterais muito urgentes. O ambiente de convergência, aliado ao aumento substancial da mobilidade e da densidade digital, faz com que as pessoas experimentem um ambiente de convergência total de meios, em ambientes de cultura participativa e de inteligência coletiva. Isso dá a elas a possibilidade de consumirem inovações constantes mudando tudo à sua volta, como comportamentos, hábitos e atitudes, resignificando tudo no seu entorno, criando uma vida em rede com infinitas possibilidades, mas de complexidades extremas.

Deste movimento, surge para as empresas talvez uma das demandas mais difíceis para elas suplantarem, que se trata da ética interativa. Este termo trata da ética construída quase que instantaneamente. É fácil entender este movimento; basta ver o que acontece nos ambientes políticos, com tudo se dissolvendo, sessões do Senado Federal praticamente acolhendo expressões da sociedade a todo momento, o poder das pessoas pontuando casos como a Samarco, United Airlines, Pão de Açúcar, Barilla, Odebrecht, AkzoNobel, Catacra Livre e uma série de outros exemplos quando o que as empresas falam é bem diferente daquilo que elas promovem à sociedade.

Este movimento praticamente pulveriza as marcas em opiniões externas muito potentes capazes de destruir uma plataforma inteira de marca, construída em anos e destruída em segundos, como parafraseava Warren Buffett.

O nome disto é ética interativa, que faz com que a preocupação com a experiência seja cada dia maior, acompanhando as declarações e formulações de políticas afirmativas potentes capazes de modelar a percepção da real colaboração das marcas na sociedade.

Em tempos líquidos, onde nada é feito para durar, como dizia o filósofo Zygmunt Bauman, nos faz pensar em um tempo urgente, de grande colaboração e de abundância de soluções através da tecnologia. Entretanto, enfrenta dificuldades extremas, devido ao grande número de paradoxos da intensa ambiguidade e paradoxalidade existentes hoje.

Claro que o ambiente de extrema transparência e de visão compartilhada e colaborativa cresce frente ao ambiente predileto das empresas, que é a competição feroz pela obtenção de fatias cada vez maiores de mercado e a obtenção dos lucros advindos deste meio, que perde significativamente frente aos novos drives de economia compartilhada, do capitalismo consciente.

Aliado ao fato de que a 4ª Revolução Industrial chama a atenção de todos e de forma inexorável para um novo mundo nunca antes visto na humanidade, de intensa e rápida de conjunção dos meios digitais, físicos e biológicos, que passam a ser o mesmo e que tudo isto tem a tecnologia no meio, e que a velocidade, a amplitude e a profundidade desta revolução está obrigando a todos repensar de que forma as organizações criam valor.

A tecnologia oferece a abundância que a humanidade precisa, desde processos mais simples de dessalinização de água do mar (usando materiais monoatômicos como o grafeno), bem como de processos de geração de energia (usando conceitos de mini grid), de energia renováveis, novos materiais como o Q-Carbon ou o germaneno, novas formas de se usar a robótica, a internet de todas as coisas, novos padrões preditivos, inteligência artificial, sistemas cognitivos, algoritmos, impressoras 3D e 4D, inclusive para imprimir alimentos e tudo ligado à medicina digital e à biologia sintética, processos que nos jogarão em uma outra civilização, não mais em uma nova geração.

Um futuro promissor e muito revelador. Mas há de se chamar a atenção para o fato de que o mundo ainda precisa se mover nesta direção e que a própria 4ª Revolução Industrial aponta para uma deficiência muito aguda, que é notadamente a ausência da governança digital, essencial para este novo mundo, exponencial, implacável, resignificante e urgente.

Aliado a isto, os ambientes da sustentabilidade empresarial serão gradualmente e fundamentalmente alterados pelas tecnologias disruptivas em patamares cada vez maiores de colaboração. Isto pode trazer conceitos de novas formas de geração de valor, usando cada vez mais novas formas de gestão empresarial, de conexão multistakeholder e compartilhamento intenso, em ambientes cada vez mais transparentes e conectivos da sociedade.

Sustentabilidade empresarial é modelo de gestão e, aliada à tecnologia, se mostra com um poderoso antídoto para o esgotamento da visão das empresas iterativas e competitivas, ainda muito marcadas pelos sistemas de gestão pré-internet, onde a competição prevalece em sistemas fechados, sem trocas com o nível intenso de mudança no meio externo.


Piazza

Carlos Piazza
Especialista em Darwinismo Digital, Consultor e Professor, conteudista, articulador e escritor, palestrante e Principal na CPC – Carlos Piazza Consultoria, dedicada aos impactos da disrupção na sociedade, oriundos da alta aceleração e transformação digital.

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