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Gestão Empresarial

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Tenho acompanhado com muita atenção os desdobramentos da crise que enfrentamos e, confesso, que nunca vi tantos palpites, análises equivocadas e opiniões sem fundamento ganharem espaço e destaque na mídia. Estamos diante de algo novo que ainda tentamos entender, sabemos que as consequências serão graves, mesmo sem termos ainda uma clara noção da escala em que esses acontecimentos afetarão a economia e, consequentemente, o modo de vida. Como já está evidente, epidemias acontecem e devemos, doravante, considerá-las eventos prováveis, sobre os quais teremos que lidar.

Algumas avaliações que encontrei, deram partida nas considerações que apresentei para a reflexão. Lembro que não tenho a pretensão de oferecer certezas científicas, apenas observações que os estudos e minha experiência na área de design de embalagens me ajudam a conceber sobre como é possível as embalagens se beneficiarem dessa nova situação e onde estão as oportunidades para o nosso setor. Então, vamos a elas:

  1. Vida pós-crise

Fala-se em “novo normal”. Isso quer dizer que a nossa vida deve, daqui para a frente, considerar o imprevisto, novas epidemias e crises econômicas como fatos “normais”. A incerteza e os novos aprendizados que essa situação nos trouxe devem ser incorporados e farão parte da vida. Para mim, o primeiro fato registrado neste aprendizado foi a corrida aos supermercados. Concluí que o comportamento de manter estoques de segurança deve permanecer como atitude de precaução. Portanto, embalagens que favoreçam a estocagem e que ofereçam maior prazo de validade devem se beneficiar deste contexto  – este último ganha destaque na leitura mais atentiva dos dizeres de rotulagem.

  1. Pedindo tudo em casa

O delivery, que já vinha crescendo, ganhou uma dimensão impressionante nessa crise, pois foi extremamente favorecido pela quarentena e pelo fechamento do comércio. O e-commerce e as vendas online se tornarão praticamente obrigatórios para a maioria dos negócios B2C e as embalagens de entrega dos produtos ganharão importância estratégica, função e significados, que farão delas ferramentas de marketing cada vez mais relevantes no negócio das empresas.

No e-commerce as embalagens não podem apenas “carregar” os produtos: são elas que fazem o contato com as pessoas no mundo físico e promovem a primeira experiência com a mercadoria. São elas que promovem um final feliz para o processo de compra ao encerrarem, no momento da entrega, todas as expectativas e incertezas naturais deste tipo de comércio. Por isso, devem incorporar novas funções, como “conversar” com o consumidor, estabelecer empatia com a marca, esclarecer mais sobre o produto adquirido, estreitar relacionamentos e iniciar a próxima venda.

  1. A volta da comida caseira e das refeições em casa

Novos hábitos derivados do confinamento, da quarentena, do home office e do desemprego farão com que as pessoas estabeleçam relações diferentes com a casa e com tudo o que está relacionado a ela. A alimentação no lar se torna mais frequente e até preferencial devido a desconfiança que se instalou em relação a alimentos que são, como foi amplamente divulgado, a origem do vírus.

O Food Service, que já vinha crescendo dois dígitos anteriormente, vai demandar cada vez mais embalagens, abrindo uma nova frente a ser explorada pela indústria, que deve prover embalagens melhores, eficientes, mais bonitas e atraentes na tarefa de entregar comida na casa das pessoas com praticidade e segurança. Este é um segmento que deve crescer muito e que merece especial atenção.

  1. Saúde em primeiro lugar

Cuidados com a saúde ganharão nova dimensão e devem abrir oportunidades nos segmentos farma, higiene e limpeza. O hábito de lavar as mãos, promovido amplamente na comunicação contra o coronavírus, abre espaço para, por exemplo, sabonetes antibactericidas com álcool gel e outras inovações derivadas da preocupação com a saúde. Esses produtos devem ganhar cada vez mais espaço, sendo que as farmácias serão um campo competitivo que exigirá a máxima atenção dos fabricantes de embalagem.

Os cuidados com a higiene da casa, onde as pessoas passarão mais tempo e que se tornaram uma espécie de refúgio seguro que deve ser equipado, abastecido, limpo e conservado, receberão atenção redobrada – embalagens dessa categoria promoverão cada vez mais os hábitos de limpeza, desinfecção e assepsia.

Outro segmento que pode se beneficiar das preocupações com a saúde e que havia pouco ou nenhum apelo é a infraestrutura das construções residenciais. Tintas e impermeabilizantes que combatem o mofo e bolor, reconhecidos inimigos da saúde por abrigarem fungos e bactérias, promoverão a venda de produtos em embalagens que acentuem e explorem estes atributos.

  1. Alimentos mais saudáveis

Alimentos sem conservantes ou aditivos químicos serão cada vez mais procurados e promovidos pelos influenciadores que hoje têm expressão e são ouvidos seus seguidores. Embalagens que permitam a conservação natural dos alimentos e, principalmente, aquelas ofereçam aos consumidores informações sobre como e porquê o alimento é conservado pela embalagem, de onde ele vem, como é processado e qual a melhor utilização do produto, farão diferença na competição.

Embalagens de papel cartão, por exemplo, devem ser melhor utilizadas na exploração dos seis lados que oferecem para a comunicação impressa. A rotulagem de alimentos será lida com mais atenção pelos consumidores e a inclusão do QR Code que leve informações detalhadas sobre o fabricante, a marca e tudo o que puder fazer o consumidor saber mais e ter segurança sobre o que consome, será útil nas embalagens.

  1. Animais de companhia

A permanência em casa com animais de estimação e o fato dos pet shops terem permanecido abertos durante a pandemia, faz com que sejam favorecidos – as pessoas passaram a conviver mais e a dar mais atenção aos bichinhos, o que aumentou o consumo de produtos pet. O Brasil é o segundo mercado mundial de pet food e esse segmento representa uma excelente oportunidade para a indústria de embalagem, visto que requerer tanto proteção quanto apresentação visual de boa qualidade.

Um item que se destacou foram os chamados snacks funcionais, aqueles palitinhos e ossinhos mastigáveis usados para agradar os cães e gatos. Estes snacks foram objeto de informação provida por veterinários que ensinaram aos consumidores que esses produtos são úteis, pois ajudam a baixar o stress dos cães e gatos e podem ser utilizados para enriquecer a experiência e o relacionamento dos donos com seus animais de estimação.

  1. Empreendedorismo doméstico

“Revolução Maker”, startups e iniciativas de pessoas que desejam criar seu próprio negócio foram potencializadas pela pandemia. Além dos que perderam o emprego e precisam prosseguir por sua própria conta, pessoas qualificadas que ficaram em casa e aproveitaram o tempo para tirar da gaveta aquele sonho de ter o próprio negócio. Eles arregaçaram as mangas colocando seus projetos para andar. O movimento dos pequenos negócios já está acontecendo com o apoio do Sebrae que conta com dados sobre o tema. Os números demonstram que pequenas empresas precisam de acesso à indústrias capazes de fornecer embalagens de qualidade em tiragens reduzidas.

Estar disponível às empresas para comprarem em pequenas quantidades com preços acessíveis representa uma oportunidade de ouro para o setor de embalagem. Aproveitar a abertura gerada pela pandemia para aprofundar sua presença junto aos pequenos negócios, tanto os que já existem, que já são milhões, como os que surgirão como fruto direto da crise.

A impressão digital deve ser olhada com atenção. Embalagens práticas, fáceis de comprar, usar e vender, são soluções que podem ser utilizadas em casa, garagens e pequenos galpões, sem necessidade de grandes investimentos, estão amplamente favorecidas neste momento e requerem atenção especial da cadeia produtiva.

  1. Design de embalagem pós-crise

A embalagem é expressão da cultura material de um povo. Ela reflete o estágio de desenvolvimento cultural e industrial da sociedade e, depois de tudo o que aconteceu, as pessoas vão gostar de encontrar embalagens com novo design, que expresse o espírito vitorioso de quem venceu a crise. As empresas que saírem na frente e apresentarem seus produtos em um novo visual mais colorido e otimista, abrirão distância do que ficou para trás.

Normalmente o redesign das embalagens deve acontecer de tempos em tempos para manter fresca e vitalizada a apresentação visual do produto, mas agora, o redesign se transformará numa oportunidade de marketing e comunicação para as empresas que se dispuserem sair na frente renovando o desenho de suas embalagens. A oportunidade para a indústria, neste caso, está em oferecer a sugestão e ajudar os clientes na renovação rápida de suas embalagens, agilizando processos e facilitando o que for possível. Alianças estratégicas com agências de design podem ajudar a conquistar novos clientes e a reforçar os laços com os clientes atuais. Apenas lembrando que é preciso tomar cuidado para não descaracterizar o recipiente anterior a ponto do consumidor não reconhecer mais.

Estas são algumas observações que considero importantes. Vale lembrar que “nenhum produto concorre no mercado”, o produto concorre na categoria e é nela que as oportunidades são encontradas e se realizam. Como estamos vendo, a crise não atinge todas as categorias da mesma forma, algumas até são favorecidas, como é o caso do álcool gel, alimentos, produtos de higiene e limpeza, produtos de farmácia, food service e pet food.

Minha recomendação é que a indústria de embalagem coloque seu foco nas categorias onde os produtos competem e passem a realizar com maior frequência estudos de campo para observar in loco o que está acontecendo.

Todo fabricante de embalagem precisa verificar se as embalagens que produz são melhores, piores ou iguais às embalagens dos concorrentes, que estão expostas a seu lado. Se a sua embalagem for “inferior”, o fracasso será uma ameaça concreta. Crise não é novidade, já atravessamos outras e vamos atravessar essa também. Importante é ter atitude para não ficar sofrendo a crise, mas sim se apropriar dos ensinamentos e, acima de tudo, das oportunidades. Afinal se você ainda não viu oportunidade nesta crise é porque não olhou direito!


Fábio Mestriner é consultor da Ibema Papelcartão. Designer, professor do curso de pós-graduação em Engenharia de Embalagem do IMT Mauá e autor dos livros Design de Embalagem – Curso Avançado, Gestão Estratégica de Embalagem e Inovação na Embalagem – Método Prático.

 


Imagem: @curology

A marca tem um papel forte para os negócios, ela ajuda no processo de decisão na escolha de um determinado produto ou empresa. Com a globalização, e um mercado sem fronteiras, a concorrência é super acirrada e a presença de produtos iguais é sempre maior, o que comprova que a diferenciação da marca é superior em valor àquele mercado alvo bem definido.

Como afirma Philip KotlerBranding é muito mais do que dar nome a uma oferta. Branding é fazer certa promessa aos clientes sobre como viver uma experiência a um nível de desempenho completos. Assim, Branding requer que todos os participantes da cadeia de suprimento – do desenvolvimento do produto à fabricação, de marketing à venda e à distribuição – trabalhem para cumprir essa promessa”.

A gestão da marca começa com o seu propósito, ou seja, quando ela nasce. A integridade da marca é a promessa de valor da empresa e a chave para conquistar a confiança dos clientes. Entender a importância dessa essência é o que define sua diferenciação e identidade no mercado, oferecendo algo de relevante no intuito de atender às necessidades e desejos do seu público-alvo.

Reputação da marca é seu grande valor no mercado

Marcas são conjuntos de associações vinculadas a um nome ou símbolo associado a um produto ou serviço. As associações podem ser positivas ou negativas, e tudo pode receber marca, mesmo água, cidades e pessoas. Como resultado, as marcas são de suma importância; uma marca com associações negativas prejudicará uma empresa e outra com associações positivas ajudará.

Finalmente, as marcas são construídas por pessoas que acreditam apaixonadamente nelas – os construtores de marcas entendem e acreditam no poder de suas marcas. Se o gestor do negócio enxergar sua marca com esta paixão, entenderá que a gestão de marcas é um valioso investimento.

Sendo assim, a marca torna-se uma plataforma completa para planejar, desenhar e entregar valor superior aos clientes. Não há dúvidas de que a marca facilita o crescimento da empresa. Desenvolver o nome e a identidade visual é o ponto de partida, porém gerenciar a sua integridade, ou melhor, a sua essência de maneira contínua é um trabalho árduo, mas fundamental para mantê-la forte no mercado. Quando a marca se torna realmente forte, caracteriza-se por uma palavra ou frase que o mercado-alvo passa a reconhecer como valor, aí sim sua integridade é reconhecida e sua promessa cumprida.

Plataforma da marca

Como falamos, a plataforma da marca é o conjunto de elementos que farão esta conexão da marca com o consumidor de forma mais clara e concreta, transmitindo seu propósito e construindo seu posicionamento de forma estratégica.

Veja só alguns pontos que podem fazer parte desta plataforma (não se trata de uma regra ou padrão):

Propósito
Qual a sua razão de ser?

Posicionamento
Qual a percepção que quer passar? Como quer ser vista no mercado?

Público-alvo
Com quem você está se comunicando?

Personalidade e atributos
Quais são as características que fazem sua marca ser única? Qual o tom de voz da marca?

Crenças e Cultura organizacional
Como a marca conecta e motiva seus colaboradores, permeia e direciona a gestão de recursos humanos dentro da empresa?

Tudo isso pode ser transmitido por meio de um manifesto de marca. E essa plataforma, definida e estrategicamente desenhada, deve estar alinhada com as estratégias de marketing, com as propostas de identidade da marca, planejamento, produção e entrega do produto ou serviço.

Construir uma marca única é um desafio. Determinar o posicionamento correto, otimizar o design e gerenciar o significado da marca no decorrer do tempo e, simultaneamente, desenvolver e executar as iniciativas administrativas que proporcionem lucro é uma tarefa árdua e permanente. Exige pesquisa e monitoramento constante do mercado para que seja possível a entregar inovação.

De fato, a gestão da marca é estratégica no negócio e saber desenvolver ações que façam a diferença na mente do consumidor e que inspire as pessoas é o grande desafio!

O termo brand que, em inglês, significa marca, consiste na intuição que uma pessoa tem sobre um determinado produto, serviço ou empresa. São conjuntos e associações de elementos – nome, símbolo, design, termos, entre outros – com o objetivo principal de diferenciar-se em relação à concorrência.

 Branding, derivado de brand, é o responsável pela administração e gestão da marca, desde a sua criação, desenvolvimento, estratégia de crescimento até o monitoramento e avaliação de seu desempenho. A gestão da marca busca conscientizar e ampliar a fidelidade do cliente, mostrando o porquê de se escolher uma marca em oposição a outra. De modo geral, o objetivo final do branding é gerar o brand equity.


Brand Equity

O brand equity, por sua vez, está relacionado ao valor da marca, ou seja, é a força que uma marca possui no mercado e suas influências no modo como o consumidor pensa, sente e age em relação à mesma. A construção do brand equity é impulsionada por diversos fatores ligados à forma como a marca é lembrada e reconhecida por seus consumidores.

À medida que a concorrência cria uma infinidade de opções, as empresas passam a buscar formas de estabelecer uma ligação emocional com os clientes, tornar-se insubstituível e desenvolver relações duradouras. Uma marca forte se destaca em um mercado saturado. As pessoas se apaixonam pelas marcas, confiam nelas e acreditam em sua superioridade. O modo como a marca é percebida afeta seu sucesso.

É evidente que as grandes marcas precisam estar sempre atentas ao modo como interagem com seu público. Posicionar-se de maneira coerente e transparente é fundamental para ganhar espaço no coração do consumidor, bem como conquistar sua confiança.


Marketing e Posicionamento

O posicionamento de marca pode ser comunicado por meio das ações estratégicas de marketing, que promete atender as necessidades e desejos destes usuários de forma atraente. Keller (2006, p. 4) explica que:

Uma marca, é, portanto, um produto, mas um produto que acrescenta outras dimensões que o diferenciam de algum modo de outros produtos desenvolvidos para satisfazer a mesma necessidade. Essas diferenças podem ser racionais e tangíveis – relacionadas com o desempenho de produto da marca – ou mais simbólicas, emocionais e intangíveis – relacionadas com àquilo que a marca representa.

O marketing, desse modo, vem sofrendo transformações consideráveis ao longo dos anos, movidas pela mudança de comportamento do consumidor na era digital. Segundo Kotler (2017) “o marketing, resumidamente gira em torno de três disciplinas importantes: gestão de produto, gestão de clientes e gestão da marca”.

Desde 1950, o marketing tem ganhado grande visibilidade no mundo dos negócios e da economia. Os conceitos de marketing passaram por evoluções, que tiveram início no marketing 1.0, focado no produto; o marketing 2.0, por sua vez, voltado ao consumidor; em seguida, o marketing 3.0, centrado no ser humano e, por fim, chegamos ao marketing 4.0, defendido por Kotler (2017, p. 71) como:

[…] uma abordagem de marketing que combina interações on-line e off-line entre empresas e clientes, mescla estilo com substância no desenvolvimento das marcas e, finalmente, complementa a conectividade máquina a máquina com toque pessoa a pessoa para fortalecer o engajamento dos consumidores. O marketing digital e o marketing tradicional devem coexistir no Marketing 4.0 com o objetivo máximo de conquistar a defesa da marca pelos clientes.

Em essência, o marketing não é mais visto apenas como uma forma de gerar lucro, mas sim, destacando como ponto principal a construção de um vínculo com o consumidor, isto é, o marketing digital promove resultados e busca compreender a jornada do consumidor. Contudo, Kotler (2012) afirma que “marketing significa definir com clareza sua identidade e fortalecê-la com integridade autêntica para construir uma imagem forte”.

Diante de uma sociedade altamente tecnológica e globalizada, fomentada pelo uso excessivo das mídias sociais, mais do que nunca os consumidores buscam marcas que sejam autênticas, transparentes, dinâmicas e que possuam personalidades bem definidas. As pessoas se identificam e se tornam defensoras de marcas que sejam verdadeiramente humanizadas.


Case Natura

A Natura é um grande case nacional de branding, uma marca que nasceu em 1969 com uma pequena loja em São Paulo sob os cuidados de Luiz Seabra e, hoje, é a maior multinacional brasileira do setor de cosméticos.

Desde sua fundação tem foco na construção do “Bem Estar Bem” que, segundo a própria marca, se manifesta nas relações harmoniosas que um indivíduo estabelece consigo mesmo, com os outros e com a natureza.

A marca teve expansão adotando a venda direta como modelo de negócios, um desafio quando pensamos em branding, já que administrar os pontos de contato da marca é fator imprescindível na construção de sua imagem e entrega de valor a longo prazo. E a Natura conseguiu fazer este trabalho bem feito – em 6 anos expandiu para diferentes regiões do Brasil alcançando 200 colaboradores e 2.000 consultoras.

Pioneira na questão sustentável no segmento, foi a primeira a oferecer refil de seus produtos, pensando cada ação de forma estratégica e alinhada ao compromisso da marca de gerar impacto positivo nas áreas social, econômica e ambiental.

O posicionamento da Natura é tão claro e consistente que não é colocado como um diferencial, mas faz parte de sua identidade, da filosofia da marca. E seu propósito relacionado ao bem-estar ecoa em toda comunicação e ações internas.

Hoje, a marca global possui lojas físicas em todo o Brasil (inauguradas em 2016), também em Nova York e Paris; em 2017 adquiriu a britânica The Body Shop, em 2018 criou o grupo Natura &Co (união de Natura, Aesop e The Body Shop), e em 2020 concluiu a compra da Avon, criando o quarto maior grupo do mundo do segmento de beleza.


Referências

KELLER, K. L.; MACHADO, Marcos. Gestão estratégica de marcas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.

KOTLER, P; KELLER K. L. Administração de Marketing. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012.

KOTLER, Phillip. Marketing 4.0: Do Tradicional ao Digital. São Paulo: Editora Cultura, 2017.

 

Empreender é um ato heroico no Brasil. Há de se travar muitas batalhas contra todas as grandes probabilidades que as estatísticas apontam: Aproximadamente 96% das pequenas empresas decretam falência todos os anos e, além disso, segundo o SEBRAE, 50% dos empreendimentos que decretam falência nos cinco primeiros anos não apresentaram estratégias de gestão enxuta. No entanto, tal conhecimento acerca da metodologia de gestão enxuta, para grande parte da população brasileira, ainda não é acessível. Apesar da vontade e necessidade, a maior parte dos brasileiros nunca tiveram formação em gestão, em educação financeira, tampouco em visão estratégica de negócios. A metodologia da Startup Enxuta, ou Lean Startup, neste caso, é uma possível solução para que este negócio seja embasado e estruturado de uma forma saudável e sustentável.

Quem são nossos heróis?

Estes heróis são responsáveis por 27% do PIB brasileiro, e estão conquistando cada vez mais espaço na economia. Segundo o SEBRAE (2019), 63% deles chegam ao ensino superior, mas não necessariamente concluem o curso. 71% tem o seu próprio negócio como única fonte de renda e 76% deles têm renda familiar superior à seis salários mínimos. Não estamos falando de empreendedores abastados, mas sim de uma parcela da população que está ainda começando e que, pouco a pouco, encontra seu espaço e consegue sustentar sua família de uma forma digna, fugindo dos salários de R$2.500, vale-transporte e ticket alimentação.

O que é a Economia Criativa?

As chamadas “ciências econômicas” buscam lidar com o desafio de relacionar as necessidades dos indivíduos (que são infinitas) com os recursos disponíveis (estes sim são finitos). Já o termo “criatividade” remete a inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar. John Howkins, um dos principais pensadores do século XXI a respeito da Economia Criativa disse que a criatividade não é produto, é processo. A criatividade aliada aos elementos endógenos de uma nação, destacando a cultura que é desenvolvida e produzida nacionalmente. Esta cultura, que é matéria prima da criatividade, quando aliada ao empenho em enriquecer o produto gerado, é fonte de desenvolvimento – com alcance irrestrito (uma vez que o atual contexto de uma sociedade cada vez mais conectada com outras nações) e, portanto, com potencial impacto de desenvolvimento da economia local, regional e nacional.

A Economia Criativa está fundamentada em quatro principais categorias, sendo elas: Cultura, Design, Mídia e Inovação. Apesar de, no Brasil, representar menos de 3% do PIB brasileiro, globalmente a indústria criativa cresce cerca de 6% ao ano, ou seja, duas vezes mais rápido do que os serviços tradicionais, e quatro vezes mais rápido do que as indústrias tradicionais, globalmente, segundo a OCDE.

É importante lembrar que a singularidade da cultura de um povo confere valor agregado aos seus produtos criativos e proporciona uma vantagem competitiva frente a outros mercados. Não há como copiar o substrato cultural que caracteriza determinadas produções e manifestações. Isso é visto e confirmado na valorização do gênero musical carioca MPB (Música Popular Brasileira) difundido mundialmente em meados da década de 60, em produtos simples de varejo de baixo custo, como a popular marca brasileira de sandálias de borracha Havaianas.

Conceitos básicos da Startup Enxuta

Para os que não são familiarizados com a metodologia, Eric Ries coloca de forma simples e estruturada alguns conceitos que, juntos, formam uma metodologia de gestão e, mais importante, de mudança de mentalidade.

  • Criar um produto que seja co-construído a partir de uma motivação ou ideia e o público-alvo, estando aberto à mudanças e adaptações;
  • Pensar grande e começar pequeno – reduzir ao máximo o tempo de criação do produto, focando os esforços no desenvolvimento de um MVP (minimum viable product, ou seja, o mínimo produto viável que entrega a solução da forma mais enxuta possível);
  • Aperfeiçoar continuamente o produto aplicando o ciclo Construir – Medir – Aprender expondo o mesmo ao público interno e externo;
  • Testar repetidamente o produto com o público alvo e estar aberto a mudar (ainda que radicalmente) o produto – o chamado “pivotar”;
  • O crescimento da empresa é um efeito colateral do próprio produto; anúncios devem ser feito de forma enxuta e racional.

Contarei três histórias inspiradoras de empreendedores brasileiros que, contra todas as probabilidades, conseguiram estruturar um pequeno negócio no setor da economia criativa, e que demonstram na prática como a metodologia Start Up enxuta esteve presente e de forma decisiva para que o negócio prosperasse.

FLIP

Concebida em 2003 com o objetivo de promover, em Paraty, uma cidade longe dos centros culturais e das capitais, uma experiência única de encontro de pessoas, permeada pelas artes. Por iniciativa da ONG Casa Azul e liderada pelo arquiteto Mauro Munhoz, iniciou com um espaço improvisado e contava com cerca de vinte convidados. A criação da FLIP teve um impacto imensurável nesta comunidade local: deu representatividade internacional e altíssimo impacto na autoestima da população local, e ajudou a protagonizar a recuperação do tecido socioeconômico da cidade, além de promover o fluxo contínuo de turistas com perfil qualificado para consumir os produtos artísticos, além de engajar a comunidade em um processo de protagonismo na transformação de seu futuro. Na edição de 2019, contou com trinta e sete autores participantes, e mais de oito mil acessos à tenda que cobra por ingressos, segundo a própria organização da Feira.

FA.VELA

Movido por sua curiosidade e por suas reflexões dadas pelo seu contexto social e econômico, João Souza, jovem negro mineiro, habitante de uma comunidade e com oportunidade de ter uma educação formal, conseguiu ver como esta posição de privilégio possibilitaria coloca-lo em uma figura de agente de transformação da vida das pessoas por meio de desenvolver potencial criativo das pessoas. Assim, idealizou um ecossistema dentro da favela, o Fa.Vela, dialogaria com o contexto da cidade e do entorno dela, minimizando sua segregação econômica e social. Fez um de seus primeiros pilotos com Gilmara, uma jovem negra que era conhecida e admirada pelo seu cabelo afro. João imaginou ajudar a estruturar um salão de beleza mas, Gilmara, conhecedora de seu nicho e com motivação de fazer algo disruptivo em sua comunidade, quis montar um spa para noivas. Era um produto pioneiro e inovador na favela, e que além de movimentar a economia da favela, ainda teria um impacto secundário positivo na mesma, pois ajudaria a empregar profissionais da indústria dos casamentos (maquiadores, fotógrafos, por exemplo). O empreendimento deu tão certo que Gilmara, também com o apoio da Fa.Vela, abriu o segundo estabelecimento.

TAG

Em 2014, Arthur Dambros, em uma biblioteca, teve um impulso empreendedor que compara ao impulso de um artista: de se expressar e ver influência do seu trabalho na vida das pessoas. Com amor inquestionável aos livros, junto ao seu sócio, pensou em fundar um clube de livros e, assim, nasceu a TAG. O modelo de assinatura e de clube de livros já existia há tempos, mas não um com este formato: um clube de assinatura, com uma curadoria de grife: a TAG convida grandes nomes para selecionarem quais livros serão enviados. O crescimento da TAG se deu a partir do poder das redes sociais como uma ferramenta que possibilite o crescimento como efeito colateral do próprio produto e de forma viral; conseguiu, com verba de propaganda enxuta, investir em anúncios que promoviam a indicação da TAG por grandes influenciadores digitais relevantes ao nicho; aproveitou para também se alavancar nas grandes personalidades literárias convidadas para fazer a curadoria dos livros; e, finalmente, pela natureza do modelo de negócio, a TAG funciona por meio de uma assinatura -, ou seja, garante que o usuário do produto seja recompensado e surpreendido todas as vezes que recebe o produto. A TAG também se diferencia de demais clubes de assinatura à medida em que foi crescendo pois aposta em edições exclusivas, personalizam algumas ilustrações e também traduzem as obras. A TAG cresceu tanto que, em 2016, chegou a ter vinte mil assinantes.

Estes são alguns exemplos de empreendimentos de sucesso que, para se estruturarem, ajustarem e crescerem, seguiram muito do que Eric Ries coloca em sua obra Lean Startup. Apesar da simplicidade, não é obvio e tampouco confortável seguir estes passos.


Referências

FIRJAN SENAI. Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil. Fevereiro, 2019.

HOWKINS, J. The Creative Economy – how People make Money from ideas. Londres: Penguin Books, 2001.

RIES, Eric. A Startup Enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. Editora Casa da Palavra, 2012.

SEBRAE – Disponível em http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae> Acesso em 27/setembro/2019.

FA.VELA (site institucional). Disponível em <https://favela.org.br/a-bordo/> Acesso em 02/Fevereiro/2020.

TAG Livros (site institucional). Disponível em < https://taglivros.com/> Acesso em 02/Fevereiro/2020.

FLIP (site institucional). Disponível em < https://www.flip.org.br/> Acesso em 02/Fevereiro/2020.


Alessandra Gaeta: Profissional do Marketing apaixonada por construção de marca, atuando na área há 7 anos, tanto no ambiente da multinacional americana P&G, quanto em ambientes de startup. Entusiasta de modelos de gestão enxutos e eficientes, de como o ambiente digital pode conectar as pessoas e determinada a semear estas ideias. Graduação em Engenharia Civil na UNICAMP, Pós Graduação em Gestão de Economia Criativa pela Belas Artes. Acredita no poder da criatividade, educação e cultura para transformar o mundo.


Imagem: Proxyclick Visitor Management System.

A Páscoa 2020 já estava planejada e preparada para muitas marcas até a chegada da pandemia. Linhas, produtos, campanhas… E agora? Como as marcas estão lidando com o cenário causado pelo Coronavírus?

Numa situação inesperada (ou quase) como essa, com impacto na vida, nos negócios e no cotidiano das pessoas em nível mundial, muito do que estava planejado acabou sendo repensado, postergado e, em alguns casos, até descartado. 

A saúde deve ser colocada como prioridade, e para as marcas não é diferente. O olhar das empresas se voltou ao cuidado e à segurança de seus colaboradores, clientes e ao bem-estar da sociedade, ressignificando a sua colaboração e seus valores perante o mercado.

A semana da Páscoa chegou e o clima para divulgação, comemoração e grandes campanhas não é o mesmo, seja por coerência com o momento, seja pela dificuldade ou impossibilidade da entrega de seus produtos ou serviços.

Em contrapartida, a peteca não pode cair. Sem deixar de priorizar a saúde e as recomendações dos órgãos oficias, precisamos colaborar com as pequenas e microempresas para que estas permaneçam sustentáveis durante este período, e também avaliar as possibilidades da produção sazonal motivada pela Páscoa. Afinal, este é um momento que representa passagem, reflexão e renascimento.

Confira como algumas marcas estão lidando com o desafio da Páscoa em 2020

  • Shoppings centers têm promovido atividades de recreação para momentos de lazer em casa. Além de receitas, estimulam a brincadeira de Caça aos Ovos com as crianças. O Shopping Granja Vianna e Metrô Tucuruvi (São Paulo), oferecem as marcas Kopenhagen e Cacau Show com serviço delivery dos chocolates. Shopping Metropolitano Barra (Rio de Janeiro) promove o Mundinho Kids Online em seu Instagram @shoppingmetropolitanobarra, com diversas oficinas.
  • Pão de Açúcar investe em campanha para valorizar as relações virtuais pela união nesta Páscoa.
  • Lindt promove a campanha digital #LindtemCasa com influenciadores motivando o usa do aplicativo Rappi para a compra de produtos de páscoa. Além disso, os itens estão todos com 30% de desconto.
  • Kopenhagen também oferece 30% off em todos os itens de páscoa pelo site da marca, além do delivery via WhatsApp.
  • Turismo reinventado: um dos segmentos mais impactados precisa encontrar alternativas para continuar em contato com as pessoas. O meio digital é a principal alternativa, mas não precisa cair no clichê. Bariloche utilizou o Place Branding para transmitir a experiência e valores locais sem deixar de incentivar as pessoas a ficarem em casa.

Confira mais detalhes!


COVID-19 E COLABORAÇÃO DAS MARCAS
Diante da pandemia do coronavírus (COVID-19), muitas marcas têm colaborado com serviços, informações e suporte para que os brasileiros possam enfrentar essa situação. O InfoBranding colabora com o compartilhamento destas ações e apoio das marcas AQUI.

MARCAS EM TEMPOS DE QUARENTENA
E para saber mais sobre as campanhas, ações e alternativas criativas que as marcas têm praticado para oferecer seus produtos e serviços, acesse AQUI. Afinal, ideias geram novas ideias para que as empresas busquem soluções criativas em tempos de crise sem deixar de priorizar a saúde de seus colaboradores. Compartilhe!

Manter a leitura em dia é essencial para qualquer profissional se manter atualizado e relevante, capaz de acompanhar a constante mudança que o mercado nos impõe.

Mais importante do que isso, no entanto, é exercitar a capacidade de relacionar os diferentes conceitos visitados e buscar implementá-los na prática do dia a dia, reforçando o aprendizado e a construção de valor para suas marcas, sejam de produtos, serviços e empresas que representamos ou, principalmente, nossas marcas pessoais – aquela que consolidamos dia após dia com a nossa atuação e resultados que entregamos.

Dentre minhas leituras e indicações que costumo fazer aos meus alunos, separei três conceitos para compartilhar. Conceitos de autores e livros diferentes que se complementam na hora de gerenciar uma marca e construir soluções para o mercado.  Algo essencial para a nossa atuação diária e que ganha ainda mais relevância para enfrentarmos a crise que nos foi imposta pela pandemia do Coronavírus.

São eles: Propósito, Nova Jornada do Consumidor e Produto Mínimo Viável (MVP) e, juntos, tem o poder de trazer grandes mudanças na maneira como você e sua marca entregam valor ao mercado.

  1. Propósito:

O primeiro deles, o propósito, ganhou evidência nos últimos anos e se consolidou como tendência com o comportamento dos millennials, que ingressam no mercado de trabalho e se tornam consumidores buscando sempre se relacionar com quem compartilha de seus valores e visão de mundo.

Não a toda, o Círculo de Ouro de Simon Sinek consolidou seu TED Talk como um dos mais acessados de todos os tempos e seu livro Start With Why (Comece Pelo Porquê) como um grande best seller.

Segundo a visão de Sinek o porquê, ou o propósito, é o grande responsável por engajar as pessoas a agirem, seja a contribuir com suas ideias ou consumir seu produto, na medida em que as aproxima com base em suas aspirações mais pessoais.

Em seu Círculo de Ouro, o porquê é o ponto central, pelo qual os discursos devem começar e se sustentar, tornando o “como” e o “o que” consequências de uma razão maior.

Agora pense no seu negócio e busque elencar as razões e responder porque alguém deve optar em se relacionar com você, comprar o seu produto ou te contratar.

A partir disso estruture sua abordagem, alinhe suas ações e construa um discurso capaz de atrair, convencer, satisfazer e reter seus clientes atuais e potenciais.

Importante: a abordagem do propósito vai além da comunicação e se relaciona com a estratégia das marcas e negócios, para saber mais confira outros artigos que postei aqui no InfoBranding: aqui, aqui e aqui.

  • Nova Jornada do Consumidor:

O segundo conceito, a Nova Jornada do Consumidor, foi apresentado por Philp Kotler em seu aclamado livro Marketing 4.0 e confere grande destaque ao fato do consumidor considerar a opinião e indicação de seus pares antes de tomar sua decisão de compra.

Assim, em meio a tantas ofertas que o mercado nos apresenta todos os dias, tanto no on-line quanto no off-line, o consumidor realiza um filtro para selecionar aquela que mais lhe convêm.

Esse filtro, ou melhor, essa jornada de decisão, apresenta 5 etapas fundamentais a serem levadas em conta pelos empreendedores e profissionais: 1) Conhecimento – na qual o consumidor identifica todas as opções oferecidas a ele; 2) Apelo – na qual destacam-se aquelas opções que fazem mais sentido para a sua realidade; 3) Questionamento – quando o consumidor valida as principais opções que selecionou com sua rede de contatos e influenciadores (em determinados casos); 4) Ação – o momento em que a decisão é tomada, ou seja, a escolha é feita e a compra realizada e, finalmente, 5) Advocacia – etapa na qual o consumidor compartilha suas percepções, boas ou ruins, podendo influenciar outras consumidores de maneira exponencial.

A grande virada neste novo modelo está no fato do consumidor agora estar conectado e poder consultar e verificar as mensagens emitidas pela marca, tanto entre seu grupo de contatos mais próximos quanto entre indivíduos que acabam se destacando pela sua expertise em determinadas áreas, os influenciadores; podendo, ele mesmo, proferir suas percepções em suas redes.

Assim a relação entre marca e consumidor se transforma em um diálogo aberto, transparente e com repercussão exponencial, para o bem e para o mal.

Ao invés de tentar “empurrar” uma mensagem, busque construir relacionamentos e se tornar referência no seu campo de atuação, atraindo os consumidores por meio de seus conteúdos, despertando seu interesse e consolidando oportunidades de negócio.

Quer saber mais? Confira minha resenha do Marketing 4.0 aqui.

  • Produto Mínimo Viável

Por último, mas não menos importante, está o conceito do Produto Mínimo Viável (MVP –Minimum Viable Product), popularizado no livro A Startup Enxuta de Eric Ries.

Segundo esse conceito, ao desenvolver um produto ou serviço, é necessário otimizar os recursos e validar seu desempenho e aceitação no mercado de forma ágil e concisa.

Como fazer isso? Construindo um Produto Mínimo Viável, ou seja, uma versão simplificada da sua solução, implementada com o objetivo de testar a proposta e aprender com o processo de aceitação do público, otimizando tempo e recursos, minimizando os riscos e aumentando o aprendizado de forma significativa. Para ilustrar tal processo de implementação, Eric Ries apresenta o seu Ciclo do Feedback:A ideia do MVP é entregar a melhor opção possível, adequando a sua proposta de valor às necessidades reais do público, tornando-o a principal referência e opção para a sua realidade.

Os 3 conceitos apresentados acima garantem 1) um posicionamento claro, consistente e capaz de alinhar todas as ações da marca em uma única direção – a ativação de sua razão de ser e a entrega de sua promessa; 2) uma abordagem mais estratégica do relacionamento do consumidor, ao entender seu comportamento e dinâmica na realidade conectada em que vivemos e 3) otimizar recursos e agilizar o processo de implementação de soluções que atendam às necessidades e demandas do seu consumidor.

Espero que os conceitos de Propósito, Nova Jornada do Consumidor e Produto Mínimo Viável contribuam para sua atuação e fico a disposição para trocar ideias!

Artigo publicado originalmente em:

https://www.linkedin.com/pulse/3-conceitos-para-empreendedores-e-gestores-de-marca-gabriel-meneses

Confira abaixo as referências para a leitura:

KOTLER, Philip, KARTAJAYA, Hermawan e SETIAWAN, Iwan. Marketing 4.0: Moving from Traditional to Digital. New Jersey: Wiley, 2017.

RIES, Eric. A Startup Enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação continua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo, Lua de Papel, 2012.

SINEK, Simon. Por Quê: Como grandes líderes inspiram ação. São Paulo: Saraiva, 2012. Ou SINEK, Simon. Comece pelo porquê: Como grandes líderes inspiram pessoas e equipes a agir. São Paulo: Rio de Janeiro, 2018.

A transformação digital já havia trazido ao consumidor brasileiro o hábito das compras online, mas as atividades em e-commerce e aplicativos aumentaram ainda mais devido ao cenário do coronavírus, que faz com que as pessoas evitem de sair de suas casas.

“Desde o dia 12 de março, algumas lojas virtuais chegaram a registrar um aumento de mais de 180% em transações nas categorias alimentos e bebidas, e beleza e saúde”, afirma Mauricio Salvador, presidente da entidade (via Jornal do Comércio).

Além da venda virtual, as marcas têm se utilizado da tecnologia para estar em contato com seus consumidores e, com a chegada da Páscoa, passam a direcionar suas ações para alcançar os lares brasileiros nesta data comemorativa.

Confira algumas ideias que podem ser aplicadas pelo seu negócio:

  • Colaborar e ajudar a comunidade com sua expertise
  • Atender à demanda de presentear sem sair de casa
  • Oferecer produtos especiais
  • Oferecer serviços que auxiliem as pessoas nesta data
  • Dicas para comemorar à distância
  • Brincadeiras de páscoa para as crianças
  • Fazer parcerias com outras marcas
  • Incentivar as pequenas empresas em sua cadeia produtiva
  • Inspirar e passar esperança num momento de crise
Clique aqui para ver o que algumas marcas estão fazendo para a PÁSCOA 2020 EM CASA.

COVID-19 E COLABORAÇÃO DAS MARCAS
Diante da pandemia do coronavírus (COVID-19), muitas marcas têm colaborado com serviços, informações e suporte para que os brasileiros possam enfrentar essa situação. O InfoBranding colabora com o compartilhamento destas ações e apoio das marcas AQUI.

MARCAS EM TEMPOS DE QUARENTENA
E para saber mais sobre as campanhas, ações e alternativas criativas que as marcas têm praticado para oferecer seus produtos e serviços, acesse AQUI. Afinal, ideias geram novas ideias para que as empresas busquem soluções criativas em tempos de crise sem deixar de priorizar a saúde de seus colaboradores. Compartilhe!

Entregas atrasadas, devolução de mercadorias… o que faço com a logística da minha empresa? Se você se identificou em algum destes cenários, não se preocupe, você não é o único e esses são apenas dois dos grandes desafios de logística nas empresas.

É muito comum ouvirmos falar sobre mudança de comportamento do consumidor e transformação digital, eu mesmo já fiz artigos específicos tratando sobre o assunto. A verdade é que nós, consumidores, estamos mais exigentes e temos dezenas de opções de compra do mesmo produto nas nossas mãos. Avaliações, comentários ou vídeos de consumidores sobre experiências negativas de compra podem destruir em minutos a reputação que empresas levaram décadas para construir. Quer mais? Além de todos esses pontos, sim, nós temos pressa! Muita pressa!

Mas onde entra a logística nessa história?

A logística, para determinados segmentos, é peça chave para uma excelente experiência de compra, como é o caso dos segmentos de varejo e e-commerce. Quantas vezes você pensou e repensou uma compra após ver o prazo de entrega, preço do frete ou por ler um comentário de uma avaliação ruim?

A verdade é que as empresas seduzem seus clientes através de estratégias inteligentes de marketing e promoções, e conduzem o cliente até o ato da compra. Até então nada de errado, faz parte do jogo e é isso mesmo. Mas o processo não acaba aí, este foi só o primeiro passo de um trabalho infinito – a experiência de compra, o pós-compra, o relacionamento, etc.

Diante desta realidade – que nem podemos mais chamar de nova – ter um cliente que comprou e não ter estoque disponível para atender é uma grande bola fora, mais do que isso, é desperdiçar todo investimento realizado no marketing. Bom, para evitar que a ruptura no inventário do estoque faça sua equipe e o seu negócio desperdiçarem estratégias e, principalmente, dinheiro, é fundamental rever o processo logístico.

Neste momento a minha orientação é que sua empresa faça um inventário do seu estoque começando pela curva ABC de vendas, cobrindo primeiramente os produtos que têm maior giro. O segundo momento é trabalhar os produtos de menor giro e, quando esses dois primeiros estiverem finalizados, é hora de implementar estratégias de inventário cíclico para manter seus estoques com o máximo de acuracidade, até você não precisar mais fazer inventário de estoques. Nesta fase a tecnologia pode ajudar de forma significativa, sendo um diferencial do processo, inclusive.

A ruptura de estoques foi apenas um exemplo para despertar o olhar das empresas para a sua operação logística, sem dúvida muitas estão perdendo ou deixando de ganhar dinheiro e mercado por não fazerem os investimentos necessários nessa área.

A gestão de estoques em centros de distribuição pode ser melhorada com a implantação de um sistema de WMS – Warehouse Management System. A implantação pode levar de 3 a 6 meses de acordo com o tamanho e complexidade de sua operação. Os custos também são variáveis, mas os ganhos são contínuos e escaláveis à medida que sua operação amadurece e evolui com o uso do sistema.

Se ainda não estiver convencido da necessidade de investimento da logística, minha sugestão é avaliar o custo de aquisição de um cliente versus o investimento em logística para melhorar a sua experiência de compra e aumentar a taxa de fidelização do mesmo.


 Anderson Benetti é Head de Produto WMS na Senior. Possui mais de 15 anos de experiência na área de TI, atuando diretamente nos segmentos de Transporte e Armazenagem. É graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos pela Universidade do Sul de Santa Catariana (UNISUL) e com MBA em Logística e Supply Chain pelo Instituto Brasileiro de Supply Chain (INBRASC). Atualmente é Gerente de Produto das soluções de Gestão de Armazenagem e Transportes da Senior Sistemas.

Se por um lado existe a tecnologia como ferramenta de facilidade para uma melhor e mais rápida conexão com o consumidor que, como tendência, ganhará em importância e destaque no mercado; por outro lado, de nada valem essas novas facilidades se a comunicação entre marca e consumidor não for íntegra e coerente do começo ao fim.

É neste momento que se confirma a importância do branding como um agregador de valor à marca e de experiências ao consumidor. Com ele, o propósito é desenhado e incorporado de forma diferenciada, com valores mais perceptíveis e, como consequência, se torna a promessa daquela marca ao cliente.

Ainda que essa promessa seja bem comunicada e conquiste, num primeiro momento, a atenção do consumidor, é a sua entrega que garantirá a fidelização necessária. Por este motivo, a função do branding no processo de estratégia como um todo, desde a concepção da marca, definição de propósito, e ao longo do relacionamento com o cliente, se torna um processo de longo prazo, além de essencial.

Sendo assim, o propósito se torna a ponte entre a marca e seus consumidores, uma vez que direciona intenções, ações e visões transformadoras para um futuro em que pessoas que compartilham dos mesmos valores também querem participar e, por isso, se tornam mais abertas ao diálogo e relacionamento, dando preferência àquela marca em meio a tantas opções disponíveis.

Para tanto, a promessa precisa ser comunicada e os profissionais da área precisam entender que, diferente do que muitos pensam, comunicação não é o que se transmite, mas sim o que é entendido e absorvido.

Visando que as ações de comunicação podem reduzir, ao máximo, a margem de erro do entendimento do consumidor, branding e propósito de marca tornam-se mais uma vez imprescindíveis no alinhamento das ações online e offline.

São essas ações as responsáveis pela conexão com o público-alvo e serão elas, ora elogiadas e compartilhadas; ora criticadas e, infelizmente, também compartilhadas.

É no compartilhamento, na divulgação de experiências de seus clientes com a marca que se pode identificar se o propósito está sendo praticado e percebido de maneira assertiva ou se as ações estão sendo trabalhadas e compreendidas de forma negativa. Neste momento, o acompanhamento das reações de seus consumidores e a resposta rápida, alinhada e sincera, como um exemplo de aproximação com o cliente, faz a diferença e pode garantir que o cliente, mesmo tendo alguma experiência negativa, se torne um embaixador da marca.

A humanização das mesmas cria um vínculo com esse consumidor que permite (e exige) que ela assuma seus erros e os comunique, mas que também se redima e ganhe melhor aceitação do cliente por tratá-lo de forma mais humana e com proximidade.

O propósito da marca deve, portanto, ser criado e implementado de dentro para fora, mas sempre com o foco no mercado. O branding deve fundamentar toda e qualquer estratégia da marca que, junto com o marketing de conteúdo permitirá a diferenciação da mesma na multidão de marcas existentes no mercado, conseguindo destaque diante dos olhos exigentes do consumidor.

Por fim, como dito anteriormente, permitirá a fidelização desse relacionamento com o consumidor e poderá transformá-lo em embaixador da marca se for bem comunicada e trabalhada a longo prazo.

Para criar um valor de marca forte, é preciso ter um posicionamento claro e coerente, bem como um conjunto autêntico de diferenciação que apoie esse posicionamento.

Ou seja, a importância da aplicação do branding nas marcas com um propósito bem delineado pode gerar conteúdo e ofertar ao mercado promessas condizentes com a organização, criando laços a longo prazo com o consumidor e permitindo, não só a fidelização já citada, mas também a propagação na rede de contatos onde o seu consumidor convive.


Case Reserva

Uma marca com propósito claro e que vem fazendo diferença no mercado brasileiro é a marca Reserva, que foi considerada pela Revista Fast Company como uma das marcas mais inovadoras do mundo.

O propósito da marca está presente em todas as lojas, onde encontra-se um painel que define bem o que é ser uma marca preocupada com as pessoas e que tem como propósito cuidar, emocionar e surpreender as pessoas todos os dias.

Sempre acreditamos que por trás de grandes marcas sempre temos grandes líderes. É o caso do Rony Meisler, fundador da grife Reserva. Sua gestão é divertida, inovadora e criou um estilo de liderança que combina essas práticas divertidas e de gestão com a crença de que fazer o que se ama é fundamental para os negócios.

Meisler mudou o nome da área de gestão de pessoas para “fontes humanas” e o marketing interno foi batizado departamento de “felicidade”, cuja função é criar um ambiente de trabalho mais divertido e feliz. Uma das invenções mais queridas é um programa que estimula os funcionários a indicar uns aos outros pelo bom trabalho. No fim de cada mês, um comitê escolhe os melhores e os vencedores têm um sonho realizado — ao entrar na empresa, cada funcionário precisa dizer ao RH três sonhos (possíveis) de ser cumpridos.

Quanto o propósito, é claro, a empresa gira em torno de pessoas e a missão de Meisler é orientar a cultura da empresa. Com isso o resultado não poderia ser outro se não resultados positivos para a imagem da marca, engajamento da equipe e retorno financeiro.

O InfoBranding subiu a serra para conhecer a história de um restaurante que há 19 anos fideliza clientes e conquista espaço em seus corações.

Estratégia é uma palavra muito utilizada e enaltecida no mundo dos negócios. E esse uso excessivo pode nos faz esquecer seu real significado, hora sendo enaltecido, distanciando da realidade dos “pobres mortais”, hora sendo banalizado, tornando-se vazio.

Ambíguo, não é mesmo!?

Mas retomando seu significado, estratégia vem do grego stratègós, a junção de stratos (exército) e ago (liderança); uma origem militar que, mais tarde, se tornou mais abrangente, hoje representando o planejamento necessário para se conquistar um objetivo.

Foi com isso que nos deparamos no Canto da Gula, um charmoso restaurante bistrô na cidade serrana de Santo Antônio do Pinhal, próxima à Campos do Jordão, na região do Vale do Paraíba.

O Canto da Gula foi fundado em 2000 pelas amigas Cristina Amaro e Regina Brasilio, que o administram até hoje com a mesma paixão que tinham no início.

A essa altura do texto você deve estar se perguntando: “ok, mas por que começaram falando de estratégia?”.

As duas amigas começaram a empreender o Canto da Gula quando perceberam uma oportunidade e, desde então, planejam cada passo, analisando os recursos necessários e os disponíveis para conquistar o objetivo de ser um restaurante de qualidade, com um atendimento diferenciado e próximo do cliente.

O início da jornada

Com esse objetivo em mente, buscaram um espaço, começaram bem pequeno e, ano após ano, um degrau após o outro, consolidaram o que, hoje, é uma referência gastronômica para a região com destaque na mídia, turismo e também entre os moradores.

Como muitos negócios, o Canto da Gula não surgiu de uma necessidade, mas sim, de uma ideia que uniu duas amigas para empreender.

Cristina e Regina são da região do Vale do Paraíba e, em uma de suas visitas à Santo Antônio do Pinhal, perceberam duas coisas: o potencial turístico da cidade e a necessidade de estabelecimentos com melhores serviços.

Com a vontade de empreender e a paixão pela gastronomia e comidas que lembram receitas e “momentos de família” tiveram a ideia de abrir uma pequena casa de caldos e cremes – algo simples, com apenas dois pratos no cardápio.

Começaram a pesquisar vários locais na região e, por coincidência, acabaram encontrando um salão abaixo da pensão onde estavam hospedadas.

O espaço era pequeno, um cantinho com capacidade para cinco mesas; característica aconchegante que se traduziu no nome do negócio: Canto da Gula, fazendo referência ao local onde você vai para se deliciar com comidinhas caseiras e muito saborosas.

Nesse início as sócias fizeram de tudo para que o Canto da Gula acontecesse e se estabilizasse como sua fonte de renda.

Carregaram caixas, rasparam e reformaram o chão, pintaram as paredes, repararam móveis, enfim, puseram a mão na massa. Além, é claro, de contar com a ajuda de familiares, como suas mães que, no início, ajudavam na confecção dos pratos e menus.

Esta é a realidade comum à maioria dos pequenos empreendedores brasileiros, que começam seus negócios com poucos recursos e muita força de vontade.

Vieram as dificuldades

As empreendedoras não eram de Santo Antônio do Pinhal e, por isso, eram vistas pelos outros negócios como “forasteiras”.

Tal percepção impôs algumas dificuldades para que o Canto da Gula se estabelecesse. Os moradores e outros empreendedores demoraram certo tempo para entender a proposta do restaurante.

Uma marca de sucesso não nasce a partir do momento em que se coloca a placa no estabelecimento. Branding é construído ao longo do tempo e o Canto da Gula deu início ao que, hoje, é uma marca que representa boas experiências e associações que estavam apenas na mente e no coração das fundadoras.

O impacto do novo

Quando uma marca chega com uma proposta inovadora, impacta diretamente seus consumidores e concorrentes. Pode incomodar no início.

Porém, a inovação é fundamental para mover o mercado adiante trazendo benefícios para todos.

O exemplo do Canto da Gula é perfeito para pequenos empreendedores pois lembra que a inovação não se relaciona apenas com tecnologia e mudanças radicais, ela também pode estar relacionada aos processos e ser implementada de forma incremental.

O Canto da Gula trouxe a inovação para o mercado de Santo Antônio do Pinhal ao repaginar receitas clássicas, aqnuelas de família, que nos remetem a bons momentos, lembranças e àquela sensação de almoço de domingo!

Um exemplo disso é o famoso strogonoff de salmão e a broa de milho aerada recheada com peito de frango, requeijão cremoso e milho verde, gratinada com parmesão e salpicada com batata palha e pimenta rosa.

Hoje o Canto da Gula conta com 16 mesas, 58 lugares, 8 funcionários, mais de 40 opções entre entradas, pratos principais, sobremesas e, o mais importante, incontáveis clientes que viraram amigos ao longo desses quase 20 anos.

A evolução da jornada:
Quando a marca começou a ser o centro da comunicação

Como acontece com muitos negócios, a preocupação com a marca, design e comunicação não foi o foco inicial, mesmo porque o empreendedor precisa, sobretudo, fazer a empresa acontecer e se atentar com questões legais e burocráticas que o processo de empreender demanda.

Quando o Canto da Gula abriu suas portas e iniciou sua atuação, não havia foco na gestão de sua marca. Cristina e Regina sabiam o que queriam passar com o negócio, mas não sabiam a melhor forma de transmitir essa ideia aos clientes.

Em um processo natural, começaram divulgando o negócio por meio de flyers quase que improvisados, sendo que a primeira versão nem continha a identificação do local. A partir daí foram evoluindo na maneira de se comunicar e carimbar sua identidade, melhorando a qualidade dos materiais, criando um cartão postal e construindo, pouco a pouco, sua identidade.

O momento de virada para o Canto da Gula se deu no período em que uma terceira sócia, Jane Ciambelli, atuou junto com Cristina e Regina, contribuindo com uma visão mais voltada para o marketing.

Realizaram ações promocionais do tipo “coma à vontade” e também “self-service”, que mantiveram por um tempo, mas, depois, descontinuaram por demandar esforços além de suas possibilidades.

O fato não ameaçou seu princípio de atendimento, personalidade, carinho e qualidade. Tudo isso foi mantido por mais tempo e se mantêm até os dias de hoje. Exemplos dessas mudanças foi o incremento e melhor apresentação do cardápio, reformulação da identidade visual e atenção aos detalhes na ambientação do local.

Quando falamos em experiência de marca, uma das ferramentas do marketing para transmitir a sua essência no ponto de venda é o Visual Merchandising (VM). E engana-se quem pensa que o VM se restringe às lojas.

O Canto da Gula exibe um trabalho encantador de visual merchandising que transmite acolhimento e emoção por meio do espaço físico, valorizando a apresentação de seus produtos e serviços num importante ponto de contato da marca, principalmente no caso de restaurantes.

Essa jornada de experimentação, cautela e implementação no estilo “um passo de cada vez” traz lições importantes, especialmente por serem assimiladas por muitos empreendedores.

Estar aberto a tentar e aprender com os erros é um conceito fundamental para quem empreende. Conceitos clássicos como o Ciclo PDCA (Plan, Do, Check e Act), atribuído à Walter Shewart e popularizado por William Edwards Demming, pai da gestão da qualidade; e o Ciclo do Feedback de Eric Ries na obra A Startup Enxuta são ferramentas interessantes para o acompanhamento das mudança na gestão, acessíveis e aplicáveis a todos os tipos de negócios.

Resultado na mídia

O resultado do esforço e do aprendizado do Canto da Gula é um expressivo reconhecimento regional por parte dos consumidores e, também, por parte da mídia.

A grande lição que Cristina e Regina deixam com a história da evolução de sua preocupação acerca da marca está em um trecho da fala das sócias:

“Uma nova visão empresarial encanta, mas é preciso ter pé no chão para poder segui-la”. (Cristina e Regina, gestoras do Canto da Gula).

Quantos empreendedores não se deslumbram com promessas inspiradoras de ferramentas e abordagens, mas com o tempo acabam percebendo que aquilo não representa um “milagre” divisor de águas nos resultados do negócio?

Em tempos de transformação digital e informação disponível 24/7, é essencial aos empreendedores e profissionais entender a realidade do seu negócio, transformar informações em conhecimento e seguir, de forma rigorosa, seu propósito e posicionamento.

Endobranding e seu reflexo no atendimento aos clientes

Um dos assuntos que mais esteve presente durante a conversa que tivemos com Cristina e Regina foi a preocupação com o desenvolvimento e bem-estar de seus colaboradores.

Sem saber termos e abordagens técnicas, o Canto da Gula possui um belíssimo trabalho de endobranding.

Endobranding é a parte do branding que se dedica a difundir o propósito é cultura da marca para todos os seus colaboradores, integrando-os ao negócio e possibilitando que se desenvolvam ao máximo.

Para o Canto da Gula tal abordagem se fez especialmente importante uma vez que a cidade e região carecem de mão de obra preparada para trabalhar de forma a entregar um serviço diferenciado.

Logo, a saída para as sócias foi contratar, treinar os colaboradores e prepará-los para dar vida ao conceito da marca.

Nesse sentido, Cristina reforça que desde o início existe uma preocupação muito grande em oferecer treinamentos, atenção e carinho para os colaboradores, fazendo-lhes se sentir como parte integrante da marca.

Um exemplo disso está na cozinheira, uma das funcionárias mais antigas do restaurante que, de origem humilde, proveniente de uma família que batia tijolo e trabalhava na lavoura, chegou sem nenhuma experiência.

No início, ela recebeu treinamento direto de Cristina e Regina aprendendo o que as sócias trouxeram de experiência de suas mães. Com o passar do tempo, demonstrando interesse, força de vontade e coragem, recebeu também treinamento de uma consultoria em boas práticas (Coutinho e Cursino treinamentos) e de uma consultora em Gastronomia (Jade Veronese) para a readaptação dos pratos, passando a desenvolvê-los de maneira mais personalizada.

Nesse processo, a vida da cozinheira mudou. Ela aprendeu a trabalhar melhor a parte financeira de sua casa, pode melhorar a condição de sua família e, com muito trabalho, foi melhorando sua situação.

Por isso endobranding é fundamental, afinal, se uma marca bem posicionada e com um propósito claro tem o poder de atrair e engajar consumidores, ela tem igual importância para engajar e tirar o melhor de seus colaboradores.

Como o Canto da Gula trabalha seu Endobranding?

  • Saber escolher o profissional;
  • Buscar sempre o perfil que esteja alinhado com a proposta;
  • Realizar treinamentos internos;
  • Investir em cursos de capacitação, estimulando o interesse pelo crescimento;
  • Trazer referências de fora para compartilhar conhecimento com os funcionários;
  • Buscar meios facilitadores para o funcionário se desenvolver;
  • Fornecer a areia e o cimento, mas também ensinar a construir suas casas (metáfora);
  • Estimular o ambiente familiar, incentivando as famílias dos funcionários a se desenvolverem.

A força do Branding para a região

Nos últimos anos o branding foi bastante difundido Brasil afora e a cada dia se torna mais próximo do pequeno e médio empreendedor, cuja representatividade para a economia do Brasil é imensa, representando a maioria dos negócios aqui registrados e ativos.

Nós, do InfoBranding, ficamos felizes por fazer parte deste processo com conteúdo e eventos, especialmente pelo foco e importância que buscamos conferir ao segmento dos pequenos e médios negócios.

Empreendedores do país inteiro podem se beneficiar com a boa gestão de suas marcas, encarando-as como ativos que podem, de fato, gerar valor para seus negócios.

Santo Antônio do Pinhal e seu entorno, da Serra da Mantiqueira e Vale do Paraíba, são exemplo de como a boa gestão pode valorizar a região e todos os seus empreendedores.

A região possui clima e ambiente bastante característicos, especialmente para casais que buscam um pouco de romance e relaxamento. Nesse sentido, as empresas regionais têm em suas mãos uma grande oportunidade turística a ser explorada.

As fundadoras do Canto da Gula conversaram bastante a respeito do impacto que seu atendimento diferenciado causou na comunidade empreendedora há 20 anos, quando a abordagem ainda não era o foco de seus concorrentes.

Cristina e Regina, antes enxergadas como “forasteiras”, hoje são bastante envolvidas com as atividades voltadas ao empreendedorismo na região, caracterizado em sua grande maioria por pequenos e médios empresários que, na sua união, enxergam uma rica fonte de atualização, networking e capacitação técnica em áreas de gestão.

Um exemplo desta iniciativa é a Associação Comercial de Santo Antônio do Pinhal (ACASAP), que entre outros projetos, é responsável pelo “Saber na Montanha”, focado em compartilhar conhecimento sobre marketing, liderança, atendimento ao cliente entre outros para os empreendedores.

Tal rede de empreendedorismo agrega valor para o conjunto de negócios, desenvolve a mão de obra local, além de nutrir, de forma ativa, a percepção dos consumidores acerca da região, que passa a ser considerada como destino em seus planos de lazer.

Restaurantes atraem turistas de cidades próximas para experiências gastronômicas e simples almoços em família e amigos; por sua vez, estes turistas acabam permanecendo na cidade e movimentam as pousadas e circuito hoteleiro. Durante a estadia, consomem bebidas e artesanatos feitos na região e, assim, contribuem para girar a roda da economia, gerar e manter empregos, e contribuir para a qualidade de vida dos moradores, como acontece com os funcionários do Canto da Gula.

Portanto, investir em branding é fundamental para o sucesso e longevidade de negócios Brasil afora, especialmente por reunir, comunicar e propagar atributos que reforcem o seu valor para o consumidor.

O Canto da Gula hoje

Em breve completando 20 anos, o Canto da Gula é uma marca apaixonante, querida e extremamente valorizada por aqueles que se relacionam e, o mais importante, com o pé no chão.

Os anos de atendimento cuidadoso, personalizado e focado em proporcionar a melhor experiência para seus clientes, sem pressioná-los a consumir mais e respeitando suas preferências, garantiram ao Canto da Gula um lugar de destaque na lista de restaurantes preferidos.

Mensagem final

Por fim, Cristina e Regina deixaram uma mensagem para os nossos leitores com o objetivo de incentivá-los a começar e tornar seus negócios uma marca de sucesso:

DE-DI-CA-ÇÃO. Se você, enquanto empreendedor e profissional, escutar o seu cliente, entender suas motivações se preocupar em dar o seu melhor, ele vai perceber e, o mais importante, ele vai repassar a experiência para sua rede de contatos.

Assim, a ressonância de marca, conceito que abordamos aqui, aumenta e mais pessoas percebem o seu valor, sem mentiras e com a legitimidade da opinião de quem confiam.

Além da dedicação ao cliente o empreendedor jamais pode esquecer da relação custo-benefício do negócio para o cliente e, principalmente, para ele mesmo. Pois sem paixão e dedicação, nada acontece.


Cristina Amaro e Regina Brasilio

Cristina é emoção. Regina é razão. E o Canto da gula alimenta a alma com esse tempero.