Cobertura especial AI Festival StartSe 2026 por InfoBranding
O Pro Magno Centro de Eventos, na zona norte de São Paulo, recebeu nos dias 13 e 14 de maio de 2026 a segunda edição do AI Festival, realizado pela StartSe. O evento que se consolidou como o maior encontro dedicado à inteligência artificial (IA) aplicada a negócios no Brasil, reunindo executivos e especialistas de empresas como Google, IBM, Anthropic, McKinsey, Harvard e MIT em mais de 20 horas de conteúdo.
A segunda edição do festival contou com o apoio de patrocinadores que refletem a diversidade do ecossistema de IA em expansão no Brasil: ElevenLabs, Oracle, Replit, Monday.com, Skyone, Viasoft, ByteDance, Land It, Lucent Minds, Une e Lemit, empresas que vão de infraestrutura de nuvem a ferramentas de produtividade, síntese de voz e gestão de projetos, sinalizando que a adoção de IA atravessa diferentes verticais e portes de negócio.
O InfoBranding esteve presente no evento com o objetivo de trazer as principais atualizações, só que mais do que isso, para fazer a pergunta que ninguém estava fazendo nos corredores: o que tudo isso significa para quem gere marcas? Tanto sobre Branding quanto Branding Pessoal.
Acompanhe aqui e em nossas redes sociais os principais insights do AI Festival StartSe, com a lente do Branding.

O gap que ninguém quer admitir
A manhã começou com diagnósticos que, vindos de palcos diferentes, reforçam a mesma mensagem: a IA reestruturando negócios e processos, não apenas como meras ferramentas, e a importância do ser humano ocupar o seu lugar nesse novo cenário.
Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, na palestra intitulada “Frontier Firms: a IA no centro das operações”, fez uma provocação direta ao público de líderes e executivos presentes: “O problema não é falta de IA. É falta de contexto.”
Justin Liu, cofundador da Genspark, trouxe sua visão sobre “A era dos funcionários de IA: como operam as empresas de IA que mais crescem” e apresentou um dado do Gartner que resumiu o estado da arte com precisão: 78% das empresas já têm estratégia de IA, mas menos de 15% têm agentes efetivamente rodando em produção.
Estratégia sem execução e ferramenta sem contexto revelam que o gap não é tecnológico, e sim de gestão. Para quem trabalha com Branding, essa combinação soa familiar. Quantas empresas têm um posicionamento impecável no manual e uma experiência de marca completamente diferente no ponto de contato com o cliente?
Contexto é o novo ativo estratégico
Laham foi precisa ao identificar onde mora a inteligência real das organizações: “Tem mais contexto e inteligência no chat do que no input que a pessoa colocou no CRM.” A afirmação, dita no contexto dos sistemas da Microsoft, aponta para algo mais profundo: as empresas acumulam dados, mas desperdiçam contexto, detalhes valiosos que se perdem no dia a dia. É a nuance das conversas, as decisões informais, os acordos de corredor, nada disso está nos sistemas.
Para marcas, entendemos o quanto o posicionamento de uma empresa vibra e ganha vida nos corredores, de dentro para fora. Ela vive nas decisões cotidianas, na cultura interna, no tom das conversas com clientes. Gestão de marca é, antes de tudo, gestão de contexto e relacionamento.
Justin Liu reforçou esse ponto com uma metáfora elegante, exibida em um dos slides mais fotografados do evento: “The model is the brain. Everyone has the same one. Memory is the part that’s yours.” Em tradução livre: o modelo de IA é igual para todo mundo. O que diferencia é o que cada empresa acumulou, ou seja, suas decisões, seus clientes, sua história. A marca é memória institucional. E memória não se improvisa.
As três fases da empresa que usa IA de verdade
Para trazer um pouco de prática, a Microsoft conta com um framework para empresas que estão na jornada de se tornar Frontier Firms (organizações de ponta na adoção de IA). O modelo se divide em três fases progressivas:
Fase 1: Humano com assistente
Cada colaborador conta com um agente de IA que o ajuda a trabalhar melhor e mais rápido.
Fase 2: Humano liderando agentes
Os agentes se integram às equipes como “colegas digitais”, assumindo tarefas específicas sob direção humana.
Fase 3: Liderado por humanos, operado por agentes: Humanos definem a direção e agentes executam processos e fluxos de trabalho completos, consultando humanos apenas quando necessário.
A presidente da Microsoft Brasil ilustrou com dados da própria empresa: a Microsoft Brasil opera com 1.300 funcionários, sendo apenas 5 pessoas na área de RH e 6 no financeiro, tudo altamente empoderado por IA e processos redesenhados.
Para gestores de marca, as fases dois e três levantam uma questão crítica: quando agentes assumem a comunicação, o atendimento ou a produção de conteúdo de uma marca, quem garante a coerência? A identidade precisa estar estruturada o suficiente para orientar não apenas pessoas, mas todos esses sistemas.
De organograma para workflow. O que muda na gestão de marca?
Um dos pontos mais provocadores quando abordamos IA é toda a discussão sobre substituição humano/máquina e, por consequência, sobre estrutura organizacional.
Palestrantes do IA Festival defenderam a migração do organograma fixo para o modelo fluido de trabalho entre humanos e IAs. Priscyla, por exemplo, mencionou o novo workflow onde estruturas fluidas são montadas e desmontadas conforme o objetivo. “Isso é uma quebra de paradigma para quem é executivo”, admitiu, lembrando que grandes empresas estão profundamente acostumadas à lógica hierárquica.

Segundo Laham, a Microsoft já opera assim com clientes: equipes de desenvolvimento formadas por quatro engenheiros humanos e seis agentes, cocriando soluções e depois entregando ao cliente para continuidade.
Para equipes de Branding, essa lógica exige uma revisão de processos e, principalmente, contexto, onde a marca precisa estar suficientemente clara para os envolvidos afim de funcionar em estruturas que se montam e se desmontam com extrema velocidade sem que a marca perca sua essência.
Outro ponto importante: Agentes não corrigem estratégias ruins, eles as executam mais rápido. O mesmo vale para marcas com posicionamento confuso: a IA vai amplificar a confusão, não resolver.
O que fica para quem pensa em marca
IA continuará em pauta, mas as discussões têm convergido para o mesmo ponto: a IA não substitui estratégia, ela a executa. E o ser humano precisa “humanizar” sua própria atuação, uma vez que esteve fazendo o trabalho que, antes, as máquinas não podiam fazer.