Marca de propósito? A ligação entre o Branding, Platão e os aspectos sociais

Que o branding é importante para o posicionamento e consolidação de uma marca, não é segredo para ninguém. O fato de que as marcas têm que se preocupar cada vez mais com a forma com que o público a enxerga e como interage com ela, principalmente devido ao gigantesco poder de julgamento do público, atrelado à quantidade excessiva de informações, em especial no ambiente digital, é óbvia e lugar de atenção da maior parte dos marketers e/ou donos de marcas.

Tendo isso em mente, é preciso entender como é importante, na prática, conseguir ter um bom posicionamento de marca, a ponto de trazer para perto de si o seu público de forma natural e cada vez mais orgânica. Insisto em comentar nas palestras que, a partir do momento em que você conseguir transformar sua marca em uma “persona” com quem o seu público prioritário estaria disposto a passar um tempo junto (ou até mesmo, sentar em um barzinho para falar da vida e tomar uma gelada), você desvendará o grande segredo para se tornar uma marca de sucesso.

É importante que o seu público principal se identifique com a sua marca a ponto de se sentir parte dela, de se sentir pertencente ao grupo em que ela está inserida. A filosofia de Platão, centrada na busca pela verdade e pelo ideal, consegue ecoar fortemente estes conceitos do branding. Olhando desse ponto de vista filosófico, é muito claro o quanto todos os seres humanos buscam pertencimento dentro do ambiente em que estão inseridos e, ao mesmo tempo, ainda do ponto de vista Platônico, o quanto o ser humano busca pelo amor no sentido de idealização do que é perfeito, de acordo com a própria referência da experiência de vida (que é única de cada indivíduo). Trazendo isso para a realidade do Branding, é muito importante que consigamos, de maneira clara, entender o que, intrinsecamente, está dentro dos pensamentos e ideologias do nosso público para, a partir daí, conseguir posicionar a marca de uma forma que o envolva e o faça sentir representado e acolhido.

Neste sentido, e indo ainda mais além nos conceitos, é possível entender que o consumidor, seja ele qual for, vai sempre buscar na sociedade – e consequentemente na representação disso, que são as vias públicas de comunicação que podem partir das marcas – uma representação do ideal, ou seja, o objeto de desejo, o que ele deseja ser/ter no íntimo do seu inconsciente.

E você pode se perguntar o que isto tem de relação com os conceitos de branding e, atrelando a filosofia/psicanálise ao comportamento humano (e, consequentemente, de seus consumidores), o objetivo principal de qualquer marca deveria ser se tornar referência para seus clientes de tal forma, que seus produtos sejam parte do objeto de desejo idealizado dentro do que seu público, individualmente, acredita ser como ideal.

Mas olhando sistematicamente para tudo isso, é muito importante que as marcas saibam até onde devem/podem se aprofundar nesse posicionamento. Por exemplo, se você entende que seu público é da Geração Z – e, como já de conhecimento coletivo, a Geração Z é uma geração que se preocupa muito com as questões sociais e ambientais desse planeta -, de acordo com os ideais acima citados, é claro que você precisa organizar sua marca para que ela se posicione de uma maneira sustentável, tanto social quanto ambientalmente. Mas, a virada de chave nisso tudo é que, de nada adianta posicionar sua marca dentro dessas caixinhas se, na realidade, ela não se comporta de tal maneira.

O acesso ilimitado à informação faz com que nossos públicos se tornem não só consumidores de conteúdos e de marcas, mas também criadores e julgadores delas. Nesse sentido, é importante que o posicionamento de uma marca esteja sinceramente alinhado com a realidade. Ou seja, não adianta você ser uma marca que quer falar sobre diversidade, se no seu quadro de funcionários só constam homens, brancos e héteros. Da mesma forma que não adianta sua marca falar sobre reciclagem, se dentro de suas lojas todos os copos são de plástico. São nos pequenos detalhes que se é possível captar a atenção e convencer o cliente de que a sua marca é sim o objeto de valor e o ideal de belo que, intrinsecamente, ele deseja ser – e ter.

Com isso, quando olhar para a sua marca e pensar no branding dela, reflita: o que o meu consumidor é e deseja ser? E dentro desse ideal, em que lugar a minha marca se encaixa. E, voilá, você conseguirá ter sua marca em um lugar especial no coração -e no inconsciente- do seu consumidor.

Nina Forlin, de 32 anos, uma mulher apaixonada pelo mar e tudo que envolve a conexão com a natureza, é Publicitária com atuação em Marketing Digital há 13 anos, professora de pós graduação em Marketing Digital e já liderou projetos com marcas como Skol, Pepsico, Samsung, entre outras.