Está sendo lançado o novo livro do Philip Kotler, Marketing 7.0, com coautoria de Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan.
“Marketing 7.0: A guide for thinking marketers in the age of AI” chega para agregar uma linha de pensamento que começou lá atrás e que vem evoluindo desde um foco no produto, passando por pessoas, tecnologias e muitas transformações.
Mas mais do que isso, Marketing 7.0 chega em um momento de profunda reflexão, experimentação, excitação e preocupação.
A inteligência artificial vem sendo o foco dos debates em diversas áreas, e no marketing não poderia ser diferente, especialmente ao considerarmos todo o arcabouço de especialidades envolvidas na criação e gestão de uma marca como todos os seus processos inerentes; como branding, design e comunicação.
Temos falado bastante sobre o papel das pessoas nos processos das marcas e como ele tem sido transformado, para o bem e para o mal, quando tecnologias ganham destaque e passam a ser disseminadas sem serem, necessariamente, acompanhadas por critérios estratégicos e reflexões comportamentais.
Claro, não queremos falar de regras e exceções, mas sim, te convidar para refletir coma gente.
Vamos retomar o início deste histórico, do Marketing 1.0 ao Marketing 7.0.
No início o produto era o centro de tudo. Marcas e negócios colocam seus produtos no centro da estratégia, realizando lançamentos e ofertando-os ao mercado de maneira quase que unilateral. Entenda esse quase como um eufemismo para algo predominante.
Na sequência, as marcas começaram aperceber que quem comprava seus produtos e serviços tinha um papel determinante. Ou seja, no marketing 2.0, passaram a considerar as pessoas – no papel de consumidores – no centro de seu planejamento. Necessidades, desejos e vontades passaram a ser mais consideradas nas decisões dos executivos responsáveis pelo marketing.
Em um dado momento percebeu-se que essas pessoas eram mais do que consumidores, ou seja, elas existiam para além do momento de compra. Necessidades e desejos eram importantes sim, mas fatores como seus propósitos, visão de mundo, relações interpessoais e até mesmo espiritualidade.
A essa altura já tínhamos internet em banda larga disseminada e até mesmo smartphones, mas as redes sociais ainda não tinham destravado todo o seu potencial. Marketing 3.0 foi um conceito disseminado em 2010.

Por volta de 2013 já vivenciamos as redes sociais muito presentes, e até mesmo viciantes, em nossas vidas, especialmente pela intersecção da sua evolução com os smartphones e uma internet móvel cada vez melhor e mais acessível.
A presença do marketing estava mais constante do que nunca em nossas vidas. Novas plataformas surgiam, novos recursos eram lançados e o tempo de tela só crescia.

Foi então que, em 2017, chega o conceito do Marketing 4.0 que, na época, foi um divisor de águas de forma a promover muitas reflexões. Do tradicional para o digital lançava luz em uma realidade que já se mostrava integrada. Com novos padrões para a jornada do consumidor, com o crescimento da influência e até mesmo com os desafios de pensar que as gerações estavam coexistindo e trazendo mais desafios para as marcas. Na época lançamos uma resenha do livro que, até hoje, é um dos textos mais lidos do nosso portal. Confira aqui.

Ficava claro que a tecnologia estava evoluindo cada vez mais rápido e traçando caminhos sem volta para as marcas e negócios. A reflexão estava tão intensa que, em 2021, chega ao mercado o livro Marketing 5.0, contextualizando a reflexão sobre como a tecnologia deveria ser aplica a serviço das pessoas.
Em outras palavras: a tecnologia pela tecnologia não era o caminho. Mas sim a maneira como ela seria capaz de contribuir coma humanidade, em todos os seus aspectos.
Do ponto de vista dos negócios e do marketing, performance, dados e previsibilidade estratégia estavam no centro da abordagem; revelando e organizando os potenciais da sua aplicação para escalar o marketing a novos patamares.

2024 por sua vez, foi o ano do Marketing 6.0 que abordou futuros imersivos, verdadeiros desdobramentos dos avanços vivenciados anteriormente e que se tonavam mais profundos, transformadores e velozes conforme o tempo passava. A IA já estava presente, afinal, desde o final de 2022 não se falava em outra coisa. IA já era um termo comum e cada vez mais presente na vida das pessoas, trazendo muitas transformações e nos deixando sem o distanciamento histórico-temporal necessários para boas reflexões.

Agora, em 2026, as provocações de Marketing 7.0 são sobre como pensar e repensar o papel do marketing em tempos de IA; prometendo dar sequência a um histórico que seguirá nos trazendo desafios.
Mas resolvi escrever este texto para te convidar a refletir comigo como as coisas são cíclicas. O foco inicial nos produtos evoluiu para as pessoas, mas, em dado momento passou a ser a tecnologia e, para muitos, começamos a nos perder.
Tanto que, agora, não se fala apenas sobre a tecnologia, mas sim como contextualizá-la em nosso dia a dia sem perder aquilo que nos torna mais humanos. Para alguns a emoção, para outros os relacionamentos, a criatividade, a coragem e até mesmo o inconformismo. Seja por qual via sua definição passa, fato é que marcas são feitas de pessoas para pessoas. Independente do vetor da sua análise: pensando em consumidores, as pessoas estão no centro; pensando em gestão interna e cultura organizacional, as pessoas estão no centro; pensando em experiência, as pessoas estão no centro.
Assim, um profissional de branding, marketing e áreas correlatas o mundo dos negócios, precisa se manter em constante atualização. Precisa estar sempre aprendendo e testando as novas tecnologias. Mas mais do que isso, precisamos sempre estar dispostos a refletir, nos contestar, experimentar novos caminhos e traçar os rumos de nossas marcas a partir de um direcionamento estratégico claro e alinhado aos movimentos da sociedade. Afinal, branding e marketing não são apenas sobre intenções, são sobre expectativas, percepções e validação (ou não) constantes de propostas de valor.
Nós já garantimos o nosso exemplar de Marketing 7.0 ainda na pré-venda, da versão física, é claro, pois a graça está justamente em anotar e construir um repertório vivo e presente no nosso dia a dia.
Aproveitando o final desta reflexão, ficamos muito felizes em perceber que o tema do BDM 2026 está alinhado com os movimentos do mercado internacional. Nós vamos falar sobre como talentos fortes ajudam a construir marcas fortes em um cenário dominado por IAs e outras tecnologias. O BDM 2026 já tem data marcada, será dia 29 de agosto. Acompanhe para ficar por dentro de todos os detalhes.