imagem_artigoJamesBond_carlos_3105O uso do cinema para ações de merchandising não é novidade. Você deve lembrar-se dos óculos Ray Ban modelo Aviador usado por Tom Cruise em Top Gun (1986) ou da bolsa Motard Firebird da Louis Vuitton usada no filme Sex and The City (2008). Um dos exemplos mais explícitos do uso desta estratégica é da Wilson no filme Náufrago (2001), estrelado por Tom Hanks.

Mas, uma série faz com que o conceito de branding e merchandising adquiram características especiais.

Imagine a cena. Um homem bem vestido desce de um Aston Martin, consulta seu Omega de pulso e, depois que entra no bar, pede ao garçom uma Heineken. Em seguida uma linda mulher vem em sua direção com um olhar misterioso e num segundo ele responde: – My name is Bond, James Bond.

Mas, o que leva tantas marcas a associarem sua imagem ao agente britânico?  Depois de 50 anos e 23 filmes, a marca 007 tornou-se mundialmente conhecida e criou um universo com belas mulheres, aventuras emocionantes, carros potentes, bebidas premium e, principalmente, uma legião de seguidores fiéis, ávidos para fazer parte deste mundo e consumir seus produtos. Por isso muitas empresas buscam vincular seus nomes com a franquia.

Um exemplo bem sucedido de uma ação de merchandising na franquia foi realizada pela BMW. Em 1995, a BMW investiu em torno de 3 milhões de dólares para colocar o modelo Z3 no filme 007 contra Golden Eye. Só o fato de o agente trocar o tradicional Aston Martin pelo Z3 já causou um imenso buzz na mídia. Resultado: um mês após a estreia do filme, foram mais de 9 mil encomendas do veículo e a montadora alemã faturou mais de 240 milhões de dólares apenas com vendas antecipadas.

No último filme da franquia, 007 – Operação Skyfall (2012), a Heineken divide o espaço do bar do nosso agente com o tradicional Dry Martini – drink que James Bond deixou famoso no mundo inteiro – o que causou certa revolta aos mais aficionados.

Apesar disso, a Heineken acertou na estratégia, uma vez que ambas as marcas possuem a internacionalidade como tema comum. Segundo Daniela Cachich, diretora de marketing de marcas premium da Heineken, “a Heineken busca  se conectar com seus consumidores por iniciativas em que eles sintam que podem se apropriar da personalidade da marca para elevar sua própria personalidade. O patrocínio aos filmes reforça este posicionamento.”

A franquia 007 é um mito por si só e qualquer produto relacionado a ela já chega carregado de história, tradição, elegância, aventura e romance. Além disso, seu público é sofisticado e quer consumir o que há de melhor e desde que surgiu, a franquia 007 tem um posicionamento bem definido.

Como o marketing nos filmes da franquia é uma estratégia comum desde o primeiro longa, age como um influenciador para fãs e espectadores em geral e algumas marcas colaboram com o roteiro, ajudando James Bond a se salvar de diversas situações de risco. Em 007 – O Amanhã Nunca Morre (1997), Bond usa um celular Sony Ericsson como controle remoto para escapar dos vilões em seu BMW 750i.

Afinal, a principal razão do interesse de diversas empresas de diferentes mercados em 007 se dá ao fato do personagem ser atemporal, alcançando mundialmente não apenas um só público-alvo. Telespectadores, fãs ou não, que acompanharam o início da série em 1962 continuam até hoje indo ao cinema para ver os novos filmes. E seus netos também.

Atualmente as marcas que patrocinam a franquia são: Coca-Cola Zero, Land Rover, Bollinger (champanhe), Smirnoff, Sony Eletronics, Swarovski, Aston Martin, Heineken, Omega, Tom Ford, entre outras.

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