Foi essa reflexão de Cristiano Kruel, CIO- Chief Innovation Officer da Startse, que guiou nossa conversa sobre IA – Inteligência Artificial – na sede da empresa em São Paulo.

Nossa equipe visitou a Startse para entender melhor como grandes líderes de negócios pensam a Inteligência Artificial e seus impactos nos negócios e nas pessoas. Uma conversa que foi tudo, menos óbvia.
Cristiano é um daqueles líderes raros que pulsa conhecimento e repertório, mas sem perder a empatia e a capacidade de se fazer entendido, uma combinação poderosa para discutir um tema tão complexo como a IA.
Para começar, Kruel reforçou que embora a IA esteja no centro das principais discussões atuais, ela ainda é abordada de forma superficial, com a grande maioria das pessoas resumindo-a e simplificando-a a ideia de um chat ou um agente, o que, embora faça parte do conceito, é apenas um recorte.
Inteligência Artificial não é apenas uma “coisa”, ela é um conjunto de “coisas” que se relacionam e impactam o mundo em profundidade, sendo uma tecnologia de propósito geral, que contribui da tarefa mais simples e restrita, às mais complexas e abrangentes.
E aqui, qualquer semelhança com o Branding não é mera coincidência. Com as devidas proporções, assim como a IA, o Branding não é algo único ou isolado para uma empresa ou profissional, e seus conceitos impactam toda a dinâmica de criação, gestão e troca de valores.
Mas, voltando para a IA, ela representa em si uma força transformadora brutal, porque nos impacta em nível de comportamento, extrapolando abordagens operacionais e nos fazendo repensar a maneira como enxergamos o mundo e suas possibilidades.
E aqui surge a primeira grande questão: estamos preparados para isso? Ou melhor, estamos dispostos a refletir, em profundidade, o que é a IA, como ela pode contribuir com a maneira como fazemos as coisas e como ela se contextualiza nas nossas relações? Em geral, a resposta é não. Não estamos.
Existe uma deficiência importante em termos de letramento, tanto no aspecto mais amplo, no que diz respeito a capacidade de interpretar contextos e articular ideias; quanto no aspecto mais específico da ótica digital, segundo qual, parte significativa dos usuários apenas segue fluxos de adoção se refletir, em profundidade, sobre os impactos daquelas ferramentas e abordagens no seu dia a dia, não apenas em tarefas operacionais, mas no conjunto e suas relações com o mundo.
Nesse sentido, a conversa com Kruel nos trouxe um alerta: “é preciso ter menos pressa para usar e mais paciência para aprender”, afinal, somos nós, as pessoas, as responsáveis pelo uso e aplicações de qualquer tecnologia ou conjunto de tecnologias.
Mas não entenda essa abordagem como uma crítica negativa ou conservadora, muito pelo contrário, a conversa com Cristiano Kruel deixou claro que precisamos aprender a usar e a contextualizar a IA, para explorar suas possibilidades e, só depois de todo esse processo, nos propormos a fazer críticas, embasadas e com elementos de contribuição. Afinal, a IA veio para ficar e precisamos nos adequar a essa nova realidade com o objetivo de mantermos e nutrirmos nossa própria relevância.
A conversa foi tão profunda que logo evoluiu para reflexões mais abrangentes sobre evolução e a capacidade de pensar modelos abrangentes, para negócios e relações, quando Kruel compartilhou sua ampla experiência em imersões internacionais no Vale do Silício e China para contextualizar os desafios que enfrentamos, contexto no qual a IA é parte da equação.
Em um mundo em constante mudança e transformações profundas, nós precisamos de “coragem” para ousar experimentar e buscar constantemente pelo aprendizado.
Precisamos saber o que perguntar, como perguntar, como testar e como construir propostas a partir da combinação dos recursos que temos a nossa disposição.
Nesse sentido, a prática do Quadro Branco, adotada pela NVIDIA tem o potencial de colocar a pessoa no centro da situação, onde ela e o quadro branco na parede representam as possibilidades a serem exploradas. A partir deste “vazio” momentâneo, a pessoa desenvolve seu raciocínio, organiza suas ideias, estrutura propostas e processos e cria valor ao estabelecer as bases do que pode evoluir para um negócio, um projeto, um produto ou serviço, uma inovação real. Fascinante, não é mesmo?
Esse exemplo veio ao encontro de uma provocação que costumamos fazer aqui no infoBranding e em sala de aula. Pense nela no contexto de sua marca:
“Se você estivesse em uma reunião, apreentando uma ideia ou defendendo uma proposta e acabasse a luz, caísse a internet e o acess a servidores fosse interrompido, o que você faria? Travaria ou seguiria em frente?”
Esse questionamento é mais do que a representação de uma situação hipotética. Ele revela onde está o real valor! É o quadro brando do exemplo de Kruel.
Caminhando para as conclusões, ou melhor, achados finais desta conversa com Kruel, vale compartilhar com vocês a percepção de que a IA está de fato implicando transformações radicais que desafiam a nossa visão de mundo e nos forçam a pensar sobre novas habilidades necessárias para os diferentes futuros que estão por vir.
Todo este cenário de experimentações e aprendizagem vai nos forçar a nos reencontrar com O HUMANO e com humanos, para trocar experiências e sempre buscar aprender mais, a nos questionar mais e a explorar mais.
Precisamos, portanto, sair da superfície e buscar seus princípios, os fundamentos que regem a dinâmica que, neste contexto, se revela pela IA e seu uso crescente. Questões como “qual é a real demanda”, “qual é o real impacto” e “como acontecem essas relações” revelam muito mais o potencial da IA do que “como utilizá-la para acelerar um processo” ou “liberar espaço da minha agenda”.
Nós precisamos estar dispostos a aprender, a questionar, a traçar possibilidades, testar e errar até acertar. Mas mais do que isso, como bem disse Kruel, precisamos ser otimistas e acreditar que “coisas boas podem ser feitas” para que, de fato, elas se tornem realidade.
A IA não é uma coisa, não é apenas uma tecnologia, ela não resolve tudo. Ela é sim uma realidade sobre a qual temos que nos adequar, aprender e evoluir, entendo que cada ação traz uma responsabilidade.
Dessa forma, não chegamos a uma conclusão, mas chegamos a muitas reflexões, como a que compartilhamos com você para fechar este texto:
A IA não é boa e nem ruim. Ela não é nem uma ameaça e nem a solução para todos os problemas. Ela é, e pode ser, o que decidirmos fazer com ela.
Afinal, se pensarmos bem, “o mundo não é nem tão louco, nem tão rápido”.
Kruel, obrigado por nos receber e por plantar a sementinha da reflexão. Até agora, não paramos de pensar e refletir sobre tudo o que conversarmos e, para sermos sinceros, não pararemos tão cedo!