Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, cresce de maneira rápida aos olhos do mercado publicitário o denominado ‘Silver Market’, que atende à faixa da população com mais de 60 anos.

Não é por menos. O número de adultos brasileiros com 65 anos de idade ou mais cresceu 26% entre 2012 e 2018, ao mesmo tempo em que a população de até 13 anos recuou  6%, mostram dados da pesquisa “Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2018”, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo projeções do mesmo IBGE, no ano de 2050, a parcela de idosos será de 63 milhões de pessoas no país. Para termos de comparação, em 1980 havia 10 idosos para cada 100 jovens. Em 2050, serão 172 idosos para cada 100 jovens, já que a esperança de vida no Brasil cresce exponencialmente desde a década de 50.

Assim, ao ligarmos a TV, ao folhearmos revistas ou mesmo ao navegarmos pela internet, é comum vermos mais e mais propagandas com idosos como protagonistas. Um dos cases de marketing mais relevantes do setor nos últimos anos  é o crescimento assombroso da marca Prevent Senior, plano de saúde privado dirigido a mais velhos com preços menos exorbitantes do que os praticados por operadoras que há anos dominavam o mercado. A marca Prevent Senior, que em seus spots publicitários, batizou os idosos de ‘adultos +’, tem agora até quiosques nos shoppings mais badalados de São Paulo para atrair mais e mais consumidores.

Recentemente, também em São Paulo, aconteceu o ‘Fórum da Longevidade’, evento com palestrantes e expositores, permeado por ações estratégicas para que empresas dos mais variados setores apresentem diretamente ao público de idosos suas propostas em produtos e serviços para estimular e promover a longevidade saudável e ativa.

E para quem acha que ser ‘influencer’ é coisa de gente millenial, não é bem assim… O mercado de influenciadores sênior está começando, lentamente, a dominar as antes temidas ferramentas digitais para dar voz a canais de conteúdo. No exterior, celebrities como a fashion icon Iris Apfel, de 94 anos, e a acadêmica Lyn Slater, com 63, tornaram-se cases emblemáticos de instagrammers que quebram paradigmas de idade no mercado das redes sociais. No Brasil, a moda está começando a pegar e a consultoria de marketing de influência Squid, já identificou em sua base cerca de 65 micro-influenciadores com mais de 54 anos, enquanto a Hype 60+, especializada em longevidade, mapeou cerca de 50 influencers sênior no país.

Os empresários e startups também se aproximam do ‘silver market’ com sede de boas experiências e sucesso. De olho nas necessidades desta faixa etária mais velha, porém cheia de expectativa de vida, a publicitária Valéria Lazzarini, de 37 anos e seu irmão, o médico de família Dr. Mauricio Lazzarini, de 42, lançaram a plataforma CuidaSenior, que otimiza um contato inicial entre os cuidadores de idosos e seus contratantes.

O app, compatível com os sistemas operacionais IOS e Android, funciona intermediando a contratação de cuidadores, em plantões de 6h, 12h ou 24h para ambientes domiciliares ou hospitalares – sem a necessidade de um contrato longo mensal, como nas agências. Estes profissionais irão ajudar os idosos nas atividades básicas de um cotidiano de autocuidados como: alimentação, idas ao banheiro, vestir roupas, higiene pessoal, banho, apoio no andar e auxílios com cadeiras de rodas.

A Vitus Longevidade também chega ao mercado como uma novidade e tanto para os idosos brasileiros e suas famílias. Trata-se de um serviço pioneiro de concierge para a Terceira Idade com atendimento às necessidades básicas e especiais em domicílio. Através da Vitus, as famílias que não têm tempo e energia para cuidar de seus parentes mais velhos irão terceirizar este serviço por meio de um profissional que irá contratar desde enfermeiros, até cuidar das contas e lista de compras na residência desses idosos.

E não há dúvidas de que envelhecer será cada vez menos uma tarefa dura e cansativa, se depender da vontade dos cientistas. No exterior,  startups e pesquisadores acadêmicos vêm desenvolvendo parcerias arrojadas de olho na parcela da população mais idosa. A telemedicina caminha a passos adiantados e a tendência é que cada vez mais, pelo menos para assuntos menos graves, tudo seja resolvido por uma consulta à distância. Com um prontuário em mãos, o médico ajuda os pacientes a resolverem problemas de baixa complexidade.

Bengalas e andadores também podem, em breve, virar coisa do passado. Empresas estão trabalhando em trajes robóticos que podem aposentar de vez acessórios convencionais de locomoção dos idosos. Eles consistem em uma espécie de exoesqueleto que possibilita que os mais velhos, a partir de um pequeno impulso elétrico, possam se movimentar com facilidade.

Doenças debilitantes como o Mal de Parkinson, por exemplo, também vêm contando com uma mãozinha do mercado silver para que seus impactos sejam atenuados. Já existem lá fora soluções tech para lidar com os tremores que causam diversos incômodos aos acometidos pela doença, inclusive na hora de comer. Um dos talheres é o norte americano Lyftware e o outro é o chinês Gyenno, que custam cerca de US$ 200.

Até o gigante Google também quer dar uma força para toda uma população idosa que sofre com a diabetes. Por isso, trabalha com uma patente que promete medir a glicose através de lentes de contato. Em vez do sangue, estas lentes analisariam a lágrima do doente e enviariam o resultado do nível de glicose para um smartphone.


Por Vanessa Kopersz Ming, 45 anos, jornalista e publicitária, CEO da assessoria de imprensa TYPE.

Imagem de destaque: Daniele Levis Pelusi

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