InfoBranding no RH Leadership Festival 2026
Estivemos no RH Leadership Festival 2026 a convite da StartSe e reunimos alguns insights que impactam diretamente o branding, especialmente a maneira como negócios e profissionais gerenciam marcas em uma era na qual a evolução acelerada das IAs e de uma aparente fragilidade crescente das relações humanas.

Durante dois dias, São Paulo recebeu profissionais de todo o país que buscavam, além de atualização profissional, participar de debates que fomentam mudanças reais ao impactar a realidade dos negócios no Brasil e no mundo.
O tema central? Inteligência Artificial e seus inúmeros impactos na cadeia de valor e de gestão de negócios de diferentes segmentos, desde aqueles que têm a tecnologia em seu core business, até aqueles mais impactados por seus reflexos.
Mas… ao falar de liderança e tecnologia, precisamos parar, esvaziar a mente e lembrar de um detalhe conceitual que muda tudo:
Tecnologia é mais sobre comportamento, do que sobre ferramentas, gadgets e softwares.
“Como assim? Eu achei que era sobre novos aparelhos e aplicativos!”
Pois é, isso também faz parte, mas, enquanto líderes, gestores e profissionais, precisamos estar cientes de que as mudanças tecnológicas – no caso aqui, a Inteligência Artificial – precisam ser analisadas sob o prisma do comportamento.
Afinal, o comportamento é reflexo do conhecimento aplicado em funções que, nos negócios, geram valor. Quando inovações em ferramentas, digitais ou não, entram no processo, elas impactam diretamente a maneira como fazemos as coisas: seja um processo interno para realizar determinada função na organização – o nosso trabalho de cada dia; ou a maneira como consumimos produtos, serviços, conteúdos e até mesmo como nos relacionamos.
Assim, podemos resumir o impacto dessas mudanças tecnológicas em nosso dia a dia segundo duas perspectivas que mudam tudo:
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- Como ameaça
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- Como oportunidade
Claro, não é fácil. Ninguém está afirmando isso. Mas, assim como no branding, nossa intenção muda tudo. Pois direciona esforços, incentiva a experimentação, contextualiza a aplicação e gera aprendizado que, quando aplicado, faz a diferença.
O medo de ser substituído vai dando espaço ao desenvolvimento de novas habilidades e possibilita que movimentos sejam feitos, com mais clareza e equilíbrio entre ônus e bônus. E assim, a principal mensagem fica clara:
Quem se adapta, se desenvolve.
Mas isso não é novidade. Lembra do Darwin, certo?
E durante o evento da StartSe ficamos muito animados em perceber que essa é uma percepção geral dos líderes que pensam o futuro dos negócios sob a perspectiva da gestão de talentos.
Júnior Borneli, um dos sócios fundadores da StartSe, liderou um painel superinteressante sobre IA no qual abordou a jornada de transição rumo à ampliação do uso da tecnologia para potencializar estratégias.

Em sua fala, enfatizou que o papel da liderança é abordar a Inteligência Artificial enquanto estratégia e não apenas um centro de custo, direcionando o pensamento crítico e colocando a tecnologia a serviços de decisões humanas que ajudem a construir diferenciação e, na ponta, entregar valor aos envolvidos.
Tivemos a oportunidade de fazer algumas perguntas diretamente para Júnior Borneli, que acrescentou alguns insights interessantes para quem trabalha com branding:

E seguindo essa linha, tivemos também a oportunidade de conversar com Piero Franceschi, sócio da StartSe, conhecido por sua abordagem estratégica, quando falamos sobre os desafios das lideranças frente a tecnologia. Na ocasião, Piero estava lançando um livro com um título provocador: “O trabalho de ser humano”.
O livro traduz uma provocação central nas discussões sobre negócios: como trazer para o centro das estratégias, todo o potencial humano; afinal, são as pessoas que se relacionam com pessoas.
Trazendo o foco para o nosso universo do branding, perguntamos a ele como ficam os desafios do planejamento e execução de estratégias, especialmente quando estão na equação abordagens criativas, capazes de conectar as pessoas com as marcas. A resposta dele foi direta e impactante: o humano precisa ocupar um lugar de destaque e se fortalecer em um cenário no qual as marcas ganham cada vez mais espaço.
Para ele, o ser humano precisa se atentar para não ficar fraco, justamente quando ele precisa ser mais forte; ao assumir um papel de destaque e protagonismo em um cenário no qual as máquinas se tornam figuras cada vez mais centrais. Verbos que eram humanos como criar, desenhar, pensar e analisar, hoje também fazem parte do escopo das máquinas.
Porém, a coragem e a vontade de fazer acontecer, isso ainda é do humano. E é justamente isso que eles devem priorizar e valorizar.
Aqui no InfoBranding sempre falamos de “intenção” ao nos referirmos ao planejamento e gestão estratégica de marcas, evidenciando a necessidade e a importância de ler cenários e direcionar esforços a um objetivo muito claro, sem esquecer que, para serem concretizados, esses tais objetivos do negócio, precisam estar alinhados às demandas das pessoas que com eles se relacionam.
Nesse sentido, a fala de Piero traz um ponto fundamental: a capacidade do humano fazer perguntas para direcionar suas decisões e propostas; deixando para as máquinas, o papel de contribuir (veja bem: contribuir e não assumir) na apresentação de respostas.
Saber que perguntas fazer, quais provocações trazer e em quais os pontos necessários para estabelecer os elos de um relacionamento é o que faz do humano um ponto central para os negócios, para as marcas e no contexto das tecnologias.
Com essa postura, as pessoas têm o potencial para driblar a homogeneização que os algoritmos tentam nos impor, marcando uma nova era de possibilidades para as marcas. Muitas reflexões, não é mesmo? Confira o vídeo que fizemos com Piero:
Seguindo nossa imersão, conversamos ainda com Daniel Campos, CHRO da Sem Parar Corpay que compartilhou com os presentes os desafios da implementação e aculturamento da IA nos negócios a partir do case da Sem Parar Corpay.

Sua fala foi muito interessante no sentido de esclarecer a necessidade de um processo para que a IA vire, de fato, uma competência; destacando etapas como 1) a capacitação da liderança, 2) o treinamento dos times, 3) os movimentos da TI até chegar em 4) a consolidação da IA enquanto competência.
Fica claro que nada fica ao acaso, amarrando nossos insights iniciais sobre tecnologia neste artigo, as falas de Júnior Borneli e também de Piero Franceschi.
Um dos pontos altos de seu talk foi “Tecnologia vs. Cultura”, não como opostas, mas como aliados para a sustentação de uma proposta muito clara de negócios que se perpetua nas diversas áreas da cadeia de valor.
Não conseguimos gravar um vídeo com ele por conta da animação da galera no momento da conversa, mas perguntamos para Daniel como implementar as tecnologias sem esquecer do que as tornam relevantes para s pessoas. E Daniel nos trouxe alguns pontos interessantes.
Para ele, tecnologias estão cada vez mais simples para serem implementadas, especialmente por conta das IAs e prompts que as tornam mais acessíveis e democráticas.
Mas, quando pedimos insights a partir do ponto de vista das marcas, Daniel reforçou que ao falar de marcas, falamos de business, e por isso, é fundamental entender qual o core do negócio.
Quais são suas origens? Quais soluções ele oferece? O que os consumidores esperam?
E nesse sentido Daniel traz um alerta interessante: pensar a IA focada nos clientes e não nos produtos aumentam as chances da marcar acertar. Pois é nas soluções oferecidas que residem as grandes oportunidades.
Essa reflexão simples é também muito poderosa, porque ao fazer esse questionamento com os times de gestão da marca, um potencial problema pode ser antecipado e a IA pode ser contextualizada enquanto potencializadora e não como ameaça interna.
Daniel também falou um pouco dos desafios dos líderes ao gerenciar seus talentos e sua adoção das ferramentas da IA, destacando que ainda estamos em um período de muitos testes e aprendizado. Reforçando oportunidades que podem ser exploradas pelos próprios profissionais que vivem uma fase de excitação e experimentação que, a partir daqui, precisa ser direcionada para incrementar eficiência e produtividade.
A impressão que fica, a partir dos insights de Daniel, é que tanto empresas quanto colaboradores buscam um equilíbrio entre ganho de produtividade e qualidade de trabalho. Não à toa, ele finaliza sua fala com uma mensagem que deixo para vocês refletirem:
IA hoje é uma competência de negócios, não só de tecnologia.
Um paralelo direto com a famosa frase de Peter Drucker quando ele disse que o marketing era importante demais para ficar restrito apenas ao departamento de marketing e, anos depois, vimos tal realidade escancarada com o advento e consagração das redes sociais e novas mídias em geral.
Foram muitos insights, não é mesmo? E o interessante é que todos eles vieram de reflexões a partir do ponto de vista das lideranças e gestão de talentos; o que é muito interessante, pois como temos falando aqui no InfoBranding:
Marcas são fortes, quando têm talentos fortes!
Enquanto gestores de marcas, não temos medo das novas tecnologias. Temos clareza quanto a sua contribuição para potencializar aquilo que as marcas representam, a conexão entre consumidores e negócios.
Por isso, seguiremos nos aprofundando nesta temática, aproximando-a da estratégia de negócios e, é claro, do mundo das marcas. Sempre de forma des-com-pli-ca-da. Afinal, descomplicar o branding é nosso propósito.
E anote na agenda, no dia 29 de agosto de 2026, teremos o BDM – Branding & Design Management IA com a seguinte reflexão “Irreplicável: Talentos mais humanos, Marcas mais fortes!”, você vai perder?
Nos conte aqui o que acha desta discussão.