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Uma nova onda de filmes adolescentes inunda os cinemas. Não é um universo fantasioso de O Senhor dos Anéis ou a mágica Hogwarts (Harry Potter) e nem o triângulo amoroso com vampiros e lobos de Crepúsculo. O tema da moda é brincar com uma realidade paralela contrária da utopia (distopia).

A exemplo de filmes como: Jogos Vorazes, Maze Runner, Divergente, O doador de memórias. Obras que nos fazem refletir sobre outra possibilidade de sociedade, como seria se nossa organização social fosse diferente? Parece que infelizmente algumas coisas não mudam, sempre haverá uma classe dominante.

O tema é interessante, mas quero explorar outro lado: como o Marketing e o Branding aparecem como fator de dominação. Sim, Hollywood pode nos ensinar valores de marca e como vender um produto, não apenas em eventos de divulgação e sim nas histórias dos filmes.

Se você está acompanhando a saga Jogos Vorazes deve ter recebido (ou não) alguma dessas mensagens. A Katniss e sua jornada são muito mais do que um personagem heroico, ela é um símbolo, quase um país/comunidade, uma marca.

Abaixo faço um paralelo do filme com a realidade das marcas.

Se você não assistiu, recomendo os três filmes. Atenção para os spoilers!

Personagem/marca – valores

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katniss 1KatnissConhecemos traços de sua personalidade, sua fragilidade e seus pontos fortes. Ela inicia o filme crua (com seu jeito rude e direto). E aos poucos vai se moldando para se adaptar ao que o público quer (se torna mais doce, concorda em viver um falso amor), afim de ter patrocinadores e fãs; e sobreviver ao jogo. katniss 2Ela se fortalece como marca de rebeldia. katniss 3A rebeldia vira revolução e esperança. Katniss amadurece e entende o jogo político. Passa a agir conforme lhe convém, de manipulada a manipuladora. Isto é, não existem heróis bonzinhos.
Branding Exemplo
coca_cola_bubbles-e1351441498523Sim, cada marca tem seus pontos fortes e pontos fracos (que tentam suprimir ou superar).A transformação de Katniss pode ser aplicado na adaptação das marcas. Em geral, todas acabam mudando um pouco para conquistar, a todo custo, seus consumidores e sobreviver no mercado.Deve-se ter cuidado com a profundidade das mudanças para que os clientes não se sintam enganados. fhc-mudou-o-nome-da-petrobras-para-petrobrax-para-tentar-vender-a-empresa-foto-nelson-peresBom: A Coca-cola é um bom exemplo de marca mutante, que permanece conquistando gerações. O produto veio de um remédio de farmácia para um refrigerante que não apenas mata a sede, mas traz felicidade. Hoje a marca é muito mais que um produto: o refrigerante. Eles vendem roupas e até móveis.Mau: A Petrobras que era orgulho nacional, nesse momento tem sua marca desvalorizada por escândalos envolvendo políticos e empreiteiros. Outro momento polêmico da empresa, foi quando sugeriram a mudança de nome para Petrobrax, para que a marca se desprendesse do estigma de estatal brasileira e se tornasse mais internacional. A ideia foi rapidamente rejeitada pela população.

Símbolo

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simbolo2O broche de Katniss com o animal vira talismã.O tordo – símbolo de sua coragem e perseverança. tordo katnissSímbolo e marca são um só. Quando o vestido branco de Katniss se queima e ela se transforma no tordo. tordo katniss 3Ela é chamada de ‘tordo’ pelos dirigentes do distrito 13.
Branding Exemplo
starbucksÉ possível perceber a evolução do tordo assim como logos evoluem conforme o momento da empresa.Países elegem sua bandeira, partidos tem um símbolo (estrela para o PT), times tem brasões e mascotes. Em branding seria o elemento gráfico que as marcas usam. roberto-carlos-come-carneBom: a sereia do Starbucks. Doodles do Google e suas variações.Mau: Indo mais além, temos a história do cantor Roberto Carlos, 30 anos vegetariano, que resolveu vender carne da Friboi. Pelo jeito os consumidores não compraram a ideia e a empresa rescindiu seu contrato.

Assinatura sonora

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transferirKatniss usa o assobio para se comunicar com a Rue.O assobio é o sinal sonoro de comunicação (o canto que os pássaros reproduzem e reverberam). 2peacekeepersCFO assobio se reverbera, assim como a onda de rebeldia entre os habitantes dos distritos mais periféricos. tumblr_nfz1v1vMie1suq1j2o1_500Além do assobio temos uma canção que a protagonista canta. Um hino inesperado para os tempos sombrios que estão por vir.
Branding Exemplo
É o som que identifica uma marca. Nem todas ainda têm, mas muitas estão adotando assinaturas que estimulem os outros sentidos além do visual. Bom: Som da Intel, até o motor barulhento de uma Harley.Mau: O som do caminhão de gás que se torna irritante depois da terceira repetição.

Gesto – usado para indicar quem faz parte da comunidade ou da ação

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gestoTrês dedos levantados para sinalizar uma perda (a morte de Rue). Alguns habitantes do distrito 8 repetem o gesto. gesto 2 filmeO gesto começa a ser usado pela população dos distritos periféricos como gesto de inconformismo e rebeldia. gesto 3 fimeÉ a saudação de uma causa.
Branding Exemplo
Gesto é um coisa pouco explorado pelas marcas. Recentemente o gesto dos três dedos foi usado em um protesto na Tailândia. Bom: irroba do itaú.Mau: A saudação nazista.

Storytelling

Filme 1 Filme 2 Filme 3
victory002A menina selvagem do interior pobre conquista a classe rica com seu jeito simples e uma história de amor. tumblr_mla1g4cGhM1qbdycho2_500A história falsa de amor se torna insustentável. O público começa a se dividir. ae-still-0049-1024x682O presidente Snow tenta confundir a população dos distritos periféricos, desmoralizando a personagem principal com histórias que evidenciam seus defeitos.
Branding Exemplo
titanicO amor vende.Superação vende.Bem X Mal.Novela vende. dilettoBom: Os comerciais da Heinnekein sempre usam boas histórias.Mau: A história muito fantasiosa do Sr. Vittorio dos sorvetes Diletto.

Marketing

Filme 1 Filme 2 Filme 3
marketingAs duplas de cada distrito tem seus assessores: treinadores, estilistas e relações públicas.Cina, estilista do distrito 12, sabe que uma embalagem boa vende e faz roupas que pegam fogo para impressionar o público rico na apresentação dos jogadores na Capital.Effie é a RP que escreve discursos e Haymitch o coach. Eles falam como os jogadores devem-se portar diante das câmeras (fazendo os mentir em alguns momentos). controle2A No ínicio, a Capital usa Katniss e Peeta para vender estabilidade do governo. Depois Plutarch e Snow manipulam o jogo para desmoralizar Katniss. A população se pergunta: será que ela é heroína?! katniss filme 3Os rebeldes passam a usar a Katniss como garota-propaganda para a causa da revolução. Assim como a Capital fez nos primeiros filmes, o distrito 13 a controla como uma marionete.Katniss começa a perceber e ‘dançar conforme a dança’.
Branding Exemplo
O branding, o design e a publicidade/marketing têm papel fundamental na construção, comunicação e vendas das marcas. Bom: Apple que faz um bom mix de produto, design e comunicação, fidelizando os consumidores.Mau: o ovo BIS extra que incitava o bullying. Um produto bom com uma comunicação falha.

Antagonista/concorrência

Filme 1 Filme 2 Filme 3
snowA Capital e o Presidente Snow: branco como a neve, mas não tão puro quanto ela. Ele representa o partido dominante, rico, mas estagnado no poder (congelado). catching-fire-katniss-peeta-nov-2013-2Em um primeiro momento, Snow usa o casal vitorioso (Katniss e Peeta) como símbolos propagandistas de seu governo. E ao mesmo tempo se prepara para outra manobra, na tentativa de diluir a influência de Katniss, coloca-a de novo no jogo. marketing3A presidente Alma do distrito 13 (rebelde) aparece como aliada, mas muitas vezes apenas está atuando no jogo político. Suas atitudes podem ser comparáveis ao antagonista Snow. Não se sabe quem é amigo ou inimigo.
Branding Exemplo
images
O antagonista representa a concorrência ferrenha no mercado, muitas vezes desleal. Muitas marcas estão no topo há décadas e se mantém assim porque o consumidor já está acostumado a elas. Elas inovam pouco porque são líderes.Algumas utilizam táticas de guerrilha, mas outras usam a nova concorrência para aprender a se renovar e inovar.
Concorrência é saudável para o mercado e para os consumidores que são beneficiados em preço e variedade.A parte ruim pode acontecer quando um conglomerado tenta suprimir um novo player (inovador).Bom: A Lóreal comprou a Body Shop e não alterou os valores da marca. A marca mais forte se une ao novo player mantendo sua essência.

Mau: a Blackberry estava confortável com seu domínio corporativo e se esqueceu que havia uma nova leva de smartphones touchscreen em contrapartida do seu celular com teclado embutido. A empresa não enxergou o futuro, ignorou inovações e se acomodou como líder e depois perdeu mercado.

Ou associações de empresas que querem controlar o mercado. Ex: Cartel das montadoras que aplicam preços maiores no Brasil do que no mercado americano.

Referências

Petrobras vira Petrobrax: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2712200008.htm

Roberto Carlos vende Friboi: http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2014/02/roberto-carlos-sequer-cortou-o-bife-em-anuncio-diz-fernando-meirelles.html

Assinatura sonora da Intel: http://youtu.be/QRLyMjvug1M

Protesto na Tailândia: http://rhetoric.commarts.wisc.edu/?p=169

História da Diletto: http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2014/12/conar-reprova-fantasia-em-historia-da-diletto-e-recomenda-alteracao.html

Ovo Bis incita Bullying: http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/procon-rj-recolhe-ovo-bis-xtra-por-incitar-bullying-12068842

The Body Shop: http://www.thebodyshop.com/content/services/aboutus_company.aspx

 

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O universo ficcional é mesmo fascinante. Sua riqueza de detalhes e a construção minuciosa de sua atmosfera permite uma imersão tão profunda que pode, em alguns casos, chegar muito próxima da realidade. Inúmeros são os exemplos de fans que adotam o estilo de vida de seus personagens de séries televisivas ou cinematográficas. As feiras de cosplays, cada vez mais frequentes no Brasil, são um exemplo disso.

Essas séries, filmes e até mesmo jogos sem dúvida são marcas fortes e bem trabalhadas, House, The Simpsons, The Breaking Bad,  The Walking Dead, Star Wars, Star Treck, Se beber não case; todas excelentes exemplos. Mas não é exatamente delas que vamos falar a seguir.

No ano de 2013 escrevi um artigo intitulado Branding nas Telonas que abordava marcas construídas e gerenciadas nas telonas, com exemplos como Umbrella Corporation, Dinoco e Stark Industries.

Agora ganha destaque o novo filme da franquia Jurassic Park intitulado “Jurassic World”, pois é, parece que o homem ainda não aprendeu que “brincar de Deus” pode levá-lo a boca de um gigante com dentes afiados. Mas, brincadeiras à parte, o filme merece os holofotes pela sua campanha de divulgação on-line.

No site do filme www.jurassicworld.com.br é possível vivenciar a experiência de imersão no universo da franquia. Além de ser a plataforma de divulgação do longa, exercendo a mesma função do site de diversos filmes, o site de Jurassic World proporciona ao internauta a experiência que um visitante do parque teria ao buscar os serviços de turismo e entretenimento tão diferenciados propostos na trama, lançando mão de conceitos de marketing atuais inerentes ao advento das novas mídias (que já não são tão novas) na comunicação.

Tudo começa com o conceito de transmedia (crossmedia) definido por Martha Gabriel (2010, págs. 110-111) como o “uso integrado das mídias, de forma que uma história ou mensagem ultrapasse os limites de um único meio”.

No caso de Jurassic World o meio de origem é o filme no formato tradicional, aquele que passa no cinema e depois vira DVD e Blu-Ray. A partir daí temos o site do filme, Facebook, Instagram, You Tube e até mesmo o  site institucional da empresa responsável pelo parque, o que reforça a construção do universo ficcional do filme na campanha de divulgação.

Navegando um pouco no site principal é possível perceber o cuidado com os detalhes e a preocupação com a construção de uma experiência quase real.

Itens como a previsão do tempo na ilha, horário de funcionamento, curiosidades, acesso à redes sociais e contagem para o lançamento ficam reunidos em um menu no canto superior esquerdo. Ao lado há um vídeo rolando com chamadas para as áreas do parque, sobreposto por um menu ao estilo Windows 8, onde estão reunidos itens como o mapa do site, curiosidades, planejamento de visita, observações sobre segurança, ingressos, passe especial e mais alguns.

Descendo na navegação outros itens interessantes aparecem, tais como: um menu das lanchonetes da ilha (uma referência à rede Winston´s da vida real), dica de drink, descrição de opções de atração e, o mais interessante, um tour virtual pelo Resort Hilton da ilha e um link para a empresa responsável por tornar o Jurassic World realidade, fazendo com que ficção e realidade se misturem ainda mais.

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É interessante analisar o que leva o Hilton a emprestar sua marca para o hotel da Ilha Nublar (https://www.youtube.com/watch?v=T2-DKQeoO0o). Analisando com cuidado, a marca, líder mundial em hotelaria, ao aparecer como o resort oficial do Jurassic World reforça a missão, visão e valores que pratica realmente, estendendo sua posição da realidade para a ficção e garantindo sua posição de destaque nas mentes das pessoas.

Em seu site institucional o Hilton declara ser a empresa líder no setor, comprometida com a inovação e a melhor experiência, logo, ser o hotel oficial de um resort com as peculiaridades do Jurassic World é algo coerente com seu posicionamento e, se ainda não é possível fazer isso no mundo real, então que seja no ficcional.

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Também vale a pena dedicar atenção à Masrani Corporation, que na trama é a marca responsável por tornar o Jurassic World uma realidade. A maneira como a marca é apresentada ao público é notável. Ao final do site do Jurassic World há um link que leva para a página institucional da Masrani, onde, assim como acontece na vida real, a empresa é apresentada ao público, incluindo investidores. Ao assistir o vídeo (http://www.masraniglobal.com/) fica clara a preocupação com o posicionamento e valores da corporação, evidenciando o trabalho de branding dedicado à franquia Jurassic World. Uma noção que retoma e inclui abordagens do filme original de 1993, fazendo referência à marca InGen.

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Contudo, há alguns pontos sobre os quais vale a pena refletir quando o assunto é transmedia. Ao usar as diferentes mídias para que uma história ou mensagem ultrapasse um único meio é interessante buscar certo alinhamento ao conduzir as ações. O site leva para perfis do Facebook, Instagram e Twitter*, porém, o conteúdo tratado nessas redes não oferece a mesma experiência que o portal, limitando-se à divulgação do filme de forma tradicional. Nesse sentido, poderiam ter fotos de situações do dia a dia do parque com o ponto de vista dos visitantes, através de hashtags e sistema de totens interativos por exemplo. Claro que isso torna tudo mais complexo, mas essa é uma característica inerente à proposta do transmedia.

Além disso, a versão em inglês se mostra muito mais completa que seus pares, permitindo inclusive a compra de itens relacionados ao filme, como camisetas e blusões, bem como conteúdo mais completo e atualizado, que garantem uma experiência mais completa (vale a pena conferir: http://www.jurassicworld.com/)

No geral Jurassic World é um case interessante de ser analisado, sobretudo por evidenciar as minúcias do branding e sua importância para gerar percepções na mente das pessoas, estejam elas em situações reais ou imersas na ficção que o entretenimento propõe.

Como profissionais que trabalham com marcas é importante perceber as práticas de mercado e sempre refletir sobre como elas podem ser aproveitadas na gestão de suas marcas, tendo como base pontos positivos e negativos que são observados, garantindo assim o aprendizado e melhorias constantes.

 

*No caso da versão brasileira do site de Jurassic World, ao clicar nos links do Twitter e Instagram, o usuário é direcionado para os perfis da Universal, quebrando a sinergia conseguida nas outras versões pelo mundo.

Referências: 

GABRIEL, Martha. Marketing na Era Digital. São Paulo: Novatec Editora, 2010.

http://br.jurassicworldintl.com/

http://www.jurassicworld.com/

http://pt.hiltonworldwide.com/about/mission/

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Abertura

Construir e gerenciar marcas memoráveis são práticas que requerem disciplina, ousadia, estratégia e visão de longo prazo, isso sem contar, muita dedicação, foco e força de vontade. No processo há inúmeras variáveis a serem cuidadosamente analisadas: perfil da empresa, características do produto ou serviço, público interno, público externo, concorrentes (diretos e indiretos), aspectos legais, referências de mercado, aprovação da gerência e muitas outras, que variam de caso a caso.

Nesse cenário, a equipe envolvida no desenvolvimento da estratégia de branding deve se mostrar aberta a constantes debates, análises e testes e, é claro, como todo processo, um pouco de frustração e aborrecimento. No entanto, quando bem gerenciado, o processo de construção e gestão da marca traz resultados gratificantes.

Pergunte aos profissionais da Coca-Cola, Volvo, McDonald’s, Nike, Absolut, Visa entre tantas outras marcas de sucesso se esse processo vale a pena. Ou melhor, observe os resultados colhidos. Esses profissionais trabalham duro todos os dias e se dedicam ao máximo para fazer do seu trabalho um verdadeiro sucesso e, não há nada melhor, do que perceber que o mesmo foi reconhecido.

Complexo não é? Agora imagine todo esse processo acontecendo para criar uma marca que existirá no universo imaginário de um filme ou de uma série televisionada?

Como já foi abordado anteriormente aqui no InfoBranding e em outros meios, uma marca não é meramente um sinal gráfico estampado por toda parte na empresa. Longe disso. Uma marca representa um universo complexo repleto de associações, que constitui uma identidade e permite que todos que entram em contato com ela a identifiquem e reconheçam como única, amando-a ou detestando-a.

Quando pensamos na Nike nos vem à mente o estilo de vida esportivo, competitivo a ideia de vitória paira no ar; chegamos a nos sentir inspirados a praticar esportes e competir. Quando pensamos na Volvo pensamos logo em veículos extremamente seguros, nos quais podemos confiar quase que cegamente a vida de nossos filhos. Quando pensamos em Visa pensamos em facilidade e comodidade, além de inúmeras vantagens. Quando pensamos em OMO pensamos logo em limpeza e em curtir a vida sem se preocupar se a roupa vai sujar, já que temos OMO para resolver isso.

Mas e quando pensamos na Umbrella Corporation? Isso mesmo, a mega empresa global responsável pelo T-Virus, seu vazamento e o consequente apocalipse zoombie que praticamente dizimou a humanidade. O que vem a nossa cabeça? A Umbrella Corporation é a empresa que faz parte do enredo da famosa franquia de jogos de vídeo game “Resident Evil”, da Capcom e que, posteriormente, foi para as telonas com um desempenho igualmente satisfatório.

Umbrella

Pensando na franquia dos filmes a Umbrella Corporation é percebida como uma empresa poderosa, com presença global e com valores duvidosos. Respeito à vida e ao bem-estar das pessoas é algo que passa longe do imaginário enquanto que frieza, tecnologia, armamentos biológicos e desprezo pelo bem-estar do planeta são associações muito fortes. Para quem gosta dos jogos e filmes do Resident Evil a Umbrella Corporation é bem posicionada e sempre se apresenta com uma identidade muito substancial.

Passando para um exemplo mais leve pode-se citar a Dinoco e a Pizza Planet da Pixar, que apareceram inicialmente em ToyStory e depois em outros filmes da renomada empresa de animação. A Dinoco, empresa de postos de gasolina, patrocina uma escuderia no filme Carros, lançado mais de uma década depois de Toy Story. Aliás, os filmes da Pixar são repletos de referências cruzadas entre seus filmes, você já tentou encontrar?

Dinoco

E como não citar a Stark Industries do popular Tony Stark, mais conhecido como Iron Man? A Stark Industries é digna dessa citação uma vez que nos filmes, Tony Stark aparece nas apresentações da empresa como um verdadeiro Show Man, esbanjando personalidade e estilo de vida, como a personificação do bilionário gênio que curte a vida como ninguém. Excentricidades a parte, a situação não é semelhante (dadas as devidas proporções e considerando que Tony Stark é um personagem heróico e fictício) com o burburinho causado pelas apresentações do glorioso Steve Jobs, ao estilo peculiar de Mark Zuckerberg ou até mesmo ao estilo de vida do icônico Hugh Hefner?

Stark Industries

Fora essas empresas podemos ainda citar a InGen de Jurassik Park; USRobotics de Eu Robô; Oscorp de Homem-Aranha; Acme dos desenhos dos Looney-Tunes (sempre pronta para ajudar o Coyote a capturar o Papa-Léguas); Cyberdyne Systems do Exterminador do Futuro; Gemialidades Weasley de Harry Potter; Planeta-Diário de SuperMan; Indústrias Wayne do Batman; M.I.B e seus Homens de Preto; MomCorp da série animada Futurama.

Muitas vezes as marcas saem do universo cinematográfico e passam a fazer parte do nosso mundo, graças a aspirações que suas associações são capazes de criar.

Um exemplo disso são os famosos chocolates da Fantástica Fábrica de Chocolates de Willy Wonka, vendidos como uma linha especial da Nestlé no exterior. Há várias opções de chocolate sob essa marca que faz sucesso especialmente entre as crianças. Tal linha da Nestlé tem uma seção especial na famosa loja de brinquedos Toy “R” Us na Times Square.

Wonka

Mais recentemente uma marca saiu do universo das telinhas e cativou jovens adultos ao redor do mundo. Trata-se da emblemática cerveja de Homer Simpsom, a Duff Beer. A Duff veio para o nosso mundo em 2006 graças a iniciativa do empresário mexicano Rodrigo Contreras e em 2007, graças a uma parceria com a cervejaria belga Haacht Brewery, a Duff passou a ser comercializada na Europa. Em 2009 veio para a América Latina e posteriormente para o Brasil. No entanto, é curioso que a cerveja Duff não é uma marca registrada da FOX e não tem ligação com Matt Groening, criador dos Simpsons. Ou seja, veio de um fan para outros fans. Interessante não é mesmo?

Duff

Para fechar, uma sugestão do colega Felipe Versati aqui do InfoBranding, quem não se lembra da marca Bubba Gump Shrimp & Co. do filme Forest Gump? A marca saiu das telonas em 1996, inspirada no filme Forest Gump estrelado por Tom Hanks em 1994 e hoje conta com 39 restaurantes ao redor do mundo, a maioria nos EUA. A marca é mais um exemplo bem sucedido que veio das telonas para avida real.

Bubba Gump Shrimp & Co

Atualmente no Brasil:

E se pensarmos nas famosas e mundialmente conhecidas telenovelas da Rede Globo? Também temos exemplos a serem citados. No topo da lista o Hospital San Magno do Dr. Cesar, onde o vilão Felix andou fazendo suas falcatruas e desvios financeiros. O bar GigaByte de temporadas passadas de Malhação, onde os alunos do Colégio Multipla Escolha (outra referência interessante) se encontravam. Temos ainda a fábrica de chocolates “BomBom” de Chocolate com Pimenta e a Charlô’s de Guerra dos Sexos e a Carrara Taxis da Grande Família. Fora tantas outras. Embora fictícias essas empresas fazem parte do imaginário popular brasileiro.

E você, lembra de mais algum exemplo de marcas que se mostram verdadeiros exemplos de branding no universo ficcional? Compartilhe com a gente!

Hospital San Magno

 

Referências:

http://www.duffbrasil.com.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Duff_Beer

http://en.wikipedia.org/wiki/Bubba_Gump_Shrimp_Company

http://www.bubbagump.com/

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imagem_artigoJamesBond_carlos_3105O uso do cinema para ações de merchandising não é novidade. Você deve lembrar-se dos óculos Ray Ban modelo Aviador usado por Tom Cruise em Top Gun (1986) ou da bolsa Motard Firebird da Louis Vuitton usada no filme Sex and The City (2008). Um dos exemplos mais explícitos do uso desta estratégica é da Wilson no filme Náufrago (2001), estrelado por Tom Hanks.

Mas, uma série faz com que o conceito de branding e merchandising adquiram características especiais.

Imagine a cena. Um homem bem vestido desce de um Aston Martin, consulta seu Omega de pulso e, depois que entra no bar, pede ao garçom uma Heineken. Em seguida uma linda mulher vem em sua direção com um olhar misterioso e num segundo ele responde: – My name is Bond, James Bond.

Mas, o que leva tantas marcas a associarem sua imagem ao agente britânico?  Depois de 50 anos e 23 filmes, a marca 007 tornou-se mundialmente conhecida e criou um universo com belas mulheres, aventuras emocionantes, carros potentes, bebidas premium e, principalmente, uma legião de seguidores fiéis, ávidos para fazer parte deste mundo e consumir seus produtos. Por isso muitas empresas buscam vincular seus nomes com a franquia.

Um exemplo bem sucedido de uma ação de merchandising na franquia foi realizada pela BMW. Em 1995, a BMW investiu em torno de 3 milhões de dólares para colocar o modelo Z3 no filme 007 contra Golden Eye. Só o fato de o agente trocar o tradicional Aston Martin pelo Z3 já causou um imenso buzz na mídia. Resultado: um mês após a estreia do filme, foram mais de 9 mil encomendas do veículo e a montadora alemã faturou mais de 240 milhões de dólares apenas com vendas antecipadas.

No último filme da franquia, 007 – Operação Skyfall (2012), a Heineken divide o espaço do bar do nosso agente com o tradicional Dry Martini – drink que James Bond deixou famoso no mundo inteiro – o que causou certa revolta aos mais aficionados.

Apesar disso, a Heineken acertou na estratégia, uma vez que ambas as marcas possuem a internacionalidade como tema comum. Segundo Daniela Cachich, diretora de marketing de marcas premium da Heineken, “a Heineken busca  se conectar com seus consumidores por iniciativas em que eles sintam que podem se apropriar da personalidade da marca para elevar sua própria personalidade. O patrocínio aos filmes reforça este posicionamento.”

A franquia 007 é um mito por si só e qualquer produto relacionado a ela já chega carregado de história, tradição, elegância, aventura e romance. Além disso, seu público é sofisticado e quer consumir o que há de melhor e desde que surgiu, a franquia 007 tem um posicionamento bem definido.

Como o marketing nos filmes da franquia é uma estratégia comum desde o primeiro longa, age como um influenciador para fãs e espectadores em geral e algumas marcas colaboram com o roteiro, ajudando James Bond a se salvar de diversas situações de risco. Em 007 – O Amanhã Nunca Morre (1997), Bond usa um celular Sony Ericsson como controle remoto para escapar dos vilões em seu BMW 750i.

Afinal, a principal razão do interesse de diversas empresas de diferentes mercados em 007 se dá ao fato do personagem ser atemporal, alcançando mundialmente não apenas um só público-alvo. Telespectadores, fãs ou não, que acompanharam o início da série em 1962 continuam até hoje indo ao cinema para ver os novos filmes. E seus netos também.

Atualmente as marcas que patrocinam a franquia são: Coca-Cola Zero, Land Rover, Bollinger (champanhe), Smirnoff, Sony Eletronics, Swarovski, Aston Martin, Heineken, Omega, Tom Ford, entre outras.

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