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WAIGAYA??

Não, o termo não pertence ao vocabulário japonês ou qualquer outra língua. Waigaya é um modelo de encontro aparentemente caótico e não planejado que passou a ser marca registrada da Honda Motor Company para resolver os mínimos problemas.

O nome foi dado por Takeo Fujisawa, sócio do fundador Soichiro Honda. “Ele a escolheu por achar que as três sílabas soam como a confusão de várias pessoas falando ao mesmo tempo – wai-ga-ya, wai-ga-ya, wai-ga-ya; em português, poderia ser zum-zum-zum. É o barulho das discussões acaloradas e do livre fluir de ideias; representa um campo de batalha de fatos e opiniões”, informa Jeffrey Rothfeder (HSM, 2014), colaborador da strategy+business, ao descrever este diferente modelo de reunião.

Apesar da semelhança com o brainstorming (tempestade de ideias ou tempestade cerebral) – um método que teve origem nos Estados Unidos em agências de publicidade e consiste em dinâmicas de grupo utilizadas para buscar soluções de problemas específicos, projetos e desenvolvimento de ideias explorando a capacidade criativa – é mais bem estruturado e se prende de alguma forma à hierarquia, diferente do Waigaya.

Os quatro princípios centrais da abordagem Waigaya são:

  1. Na reunião todos são iguais (não existe hierarquia) e podem expressar seus pensamentos de forma livre e sem impunidade;
  2. Todas as ideias devem ser debatidas até que sejam comprovadas como válidas ou então rejeitadas.
  3. A partir do momento em que a ideia é compartilhada, esta passa a pertencer à Honda, e o grupo pode fazer o que quiser com ela.
  4. No final do Waigaya, decisões e responsabilidades são geradas com uma precisa lista de quem deve fazer o que e quando.

Podendo durar de meia hora, para problemas específicos e imediatos, ou semanas/meses, abordando problemas mais complexos, o Waigaya assume várias formas, de três a vinte pessoas, e é praticado pelos departamentos de vendas, marketing, produção e manutenção.

Apesar deste processo parecer demasiadamente livre para prejudicar a produtividade ou até mesmo aparentar falta de uma liderança que consiga produzir resultados efetivos, as reuniões propostas pelo Waigaya possuem uma estrutura de organização que visam seu sucesso e eficácia.

“No coração do Waigaya está um conceito simples: paradoxos e discordâncias são a essência da melhoria contínua. A maioria das empresas tem medo de tanta dualidade, mas, como a história mostra [1], são os conceitos opostos que costumam alterar a equação de negócios: centralização versus descentralização, empowerment versus produtividade, controle multinacional versus autonomia local, e assim por diante.” (ROTHFEDER, 2014).

Cada empresa aplica ou desenvolve seus próprios métodos para a resolução de problemas, mas vejo que um erro comum é a adoção de práticas de forma incompleta ou que não estão de acordo com a estrutura organizacional da empresa ou com o momento em questão. Por exemplo, uma prática aplicada de forma inadequada pode demandar mais tempo para as ideias e menos para a prática, acarretando atraso nas ações, falta de produtividade, perda de oportunidades de negócio ou até espaço para a concorrência; gerar intrigas ou frustrações; sem contar que uma falha tentativa em adotar novas práticas na empresa pode levar os gestores a anular quaisquer outras futuras iniciativas que poderiam ser eficazes.

Segundo Gilberto Guimarães [2], com a constante inovação científica, tecnológica e social, hoje as empresas são obrigadas a se reinventar a cada 2 ou 3 anos. Ou seja, os profissionais também precisam se reinventar e os processos serem repensados.

É importante lembrar que as ações internas, principalmente os hábitos, influenciam e podem refletir na percepção da marca. “Quando as empresas se concentram em mudar hábitos, organizações inteiras podem se transformar. Empresas como a Procter & Gamble, a Starbucks, a Alcoa e a Target já tiraram proveito dessa revelação para influenciar o modo como o trabalho é feito, como os funcionários se comunicam, e — sem que os clientes percebam — o jeito como as pessoas fazem compras.” (DUHIGG, 2012).

Por que não aproveitar o final do ano e refletir sobre os hábitos (pessoais e também da equipe), repensar, ajustar ou até criar modelos de processos e de comunicação (mesmo as simples reuniões)? Rumo a 2015 não só com as energias renovadas, mas com motivação e produtividade.

REFERÊNCIAS

[1] ROTHFEDER, Jeffrey. For Honda, Waigaya Is the Way. Strategy & Formerly Booz & Company, August, 2014. Disponível em: <http://www.strategy-business.com/article/00269?pg=all>.

[2] Palestra sobre tendências de marketing e RH no mercado atual com Gilberto Guimarães, colunista de carreiras do jornal Valor Econômico e no site da revista Você S/A, proferida na Business School São Paulo (BSP). 2014, São Paulo.

DUHIGG, Charles. O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

ROTHFEDER, Jeffrey. Já fez sua reunião Waigaya hoje? HSM Management, ed. 107, Nov.-Dez. 2014. p. 14-15.

Conviver com pessoas não é algo simples. Entender o que as elas pensam é algo mais difícil ainda. E as empresas têm esse grande desafio em entregar aquilo que o seu consumidor quer, mas este sempre muda de opinião, é dinâmico e cheio de informações e vontades.

A grande alegria de uma organização é satisfazer seus clientes, entregando aquilo que ele precisa e deseja no momento que ele quer, certo? Errado! A alegria de uma organização é gerar grandes resultados, obter lucro e reduzir os seus custos.
No entanto… para obter esta alegria as organizações devem pensar em como alcançá-la… E o caminho está em atender algumas necessidades que o mercado apresenta, dentre eles respeitar a legislação imposta, acompanhar as tendências que surgem, compreender a cultura e regionalidade de um determinado país e claro, satisfazer os clientes.

Tudo isso requer muito trabalho, pesquisas, reuniões… E finalmente se atinge o resultado esperado, obtém o lucro estimado e ainda consegue atender os quesitos mínimos do mercado como a legislação, as tendências, ser acolhida em um país de cultura diferente e ainda satisfazer seus clientes. SUCESSO!

Foi realizado um planejamento detalhado, com objetivos e metas claras, com os recursos necessários para atender aquilo que o negócio promete. O plano de marketing e de branding muito bem alinhado aos objetivos da organização, utilizando as mídias para divulgações de campanhas e do próprio negócio de maneira eficiente. SUCESSO!

Ao decorrer do tempo, o negócio bem-sucedido da organização, começa apresentar algumas falhas, levantar algumas questões no mercado e entre seus clientes, e apesar de tudo bem alinhado, os gestores não imaginavam que algo poderia dar errado, mesmo depois de tanto tempo de sucesso. Ai surge a frase: “A casa caiu!”.
Considerando este contexto me veio à mente, que não se pode deixar de desenvolver um planejamento e não observar os riscos dentro do seu negócio, os fatores que podem impactar nele ou como isso pode influenciar na marca da organização.

Grandes organizações possuem plano de gestão de crises e buscam meios para minimizar seus impactos nos negócios e no mercado de forma geral. A Coca-Cola, por exemplo, diante de denúncias em relação ao seu processo de fabricação, apresentou uma declaração ao público e após apurar os fatos, fez um vídeo mostrando seu processo de fabricação e convidando o público a visitar sua fábrica. Outra maneira que ela utiliza para se relacionar com o público, além das diversas ações na internet, é um microssite “Verdades e Boatos” que objetiva esclarecer o consumidor sobre assuntos diversos que são abordados na internet e outros meios de comunicação sobre os produtos Coca-Cola.

Outra marca que passou por uma crise importante foi a marca Ades, da Unilever, que teve um de seus produtos contaminados, o que ocasionou uma grande repercussão na mídia, momento em que foi necessário um ação rápida, explicando o ocorrido e tomando suas providencias perante ao público e ao negócio. A Ades fez um trabalho importante junto aos canais de buscas, no qual a medida em que o público buscava informações sobre o caso, a primeira informação que surgia era da própria organização explicando o ocorrido. Com isto conseguiu minimizar as ações negativas em relação à marca, mas claro que essa foi uma ação, que não impediu a circulação e reação da sociedade. Mesmo assim, após um ano do ocorrido, a marca apesar de arranhada voltou ao mercado e a ser consumida por muitos de seus clientes, inclusive eu!

plataforma_da_BP_afundadaOrganizações que possuem impacto diretamente no meio ambiente como a Petrobras, correm maior risco de crises nos negócios, e o ponto mais preocupante é o vazamento de resíduos, que pode provocar reações diversas nas redes sociais, nas organizações não governamentais, impactos econômicos e legais, com abrangência mundial.

Neste caso o cuidado e a exigência da transparência são maiores. O que entendo é que ficar calado e não se expressar, deixar de oferecer um canal de contato e comunicação piora a situação de uma organização em um momento de crise. A Petrobras, a exemplo da Coca-Cola, além do site institucional, possui um blog, nomeado “Fatos e Dados” que esclarece informações que são veiculadas pela imprensa, buscando seguir o modelo de comunicação atual, rápida e simples.

Por outro lado, há organizações e marcas que se utilizam das crises para alavancar a marca, ou para criar um marketing viral de uma campanha, por exemplo, a Brahma que relaciona a sua marcas à algumas torcidas de futebol, o que pode causar um desagrado quando ela defende o time campeão e tira um sarro do time perdedor. Brincadeira futebolística? Pode ser, mas a marca dela está junto disto, e como muitos sábios dizem “há ex-mulher, mas não ex-time”, será que o raciocínio pode ser aplicado para sua cerveja favorita?

Todas as ações devem ser refletidas dentro do planejamento das organizações e da estratégia de marketing dela e não se pode deixar de lado os riscos que ela corre. E com as ferramentas digitais e a mídias sociais as informações são ágeis e as reações também, e não pensar nesta maneira simples e rápida pode fazer com que a marca seja menos admirada. A construção de uma marca admirada é longa e trabalhosa, por outro lado, a sua desconstrução, ou pelo menos a insatisfação perante o cliente e a sociedade, é mais fácil de atingir. O fato é que não vale a pena construir uma bela casa, mas de vidro, onde qualquer pedra possa causar um dano. A organização deve ser transparente, mas deve ser sólida em seus propósitos e ao lidar com possíveis situações de crises… atualmente, não temos somente um lobo soprando as casinhas dos três porquinhos, hoje temos uma multidão em prontidão, atentos para falar, denunciar e “assoprar” qualquer situação que vá contra ou que prejudique algo ou alguém.

CONSULTAS

https://cocacolabrasil.com.br/verdades-e-boatos/

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/98648-lote-de-suco-ades-contaminado-por-produto-de-limpeza-e-recolhido.shtml

http://www.valor.com.br/empresas/3077216/venda-de-lote-contaminado-do-suco-ades-continua-proibida

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/04/anvisa-mantem-proibicao-da-venda-de-lote-do-suco-ades-de-maca.html

http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/

http://esportefino.cartacapital.com.br/rebaixamento-stjd-portuguesa-fluminense/

Pensando em branding, acredito que as primeiras coisas que vem a mente são design, identidade e diferenciação, dificilmente virá cultura organizacional.

É compreensível, uma vez que falo de algo ligado ao público externo, que é a marca e a outra se refere ao público interno, colaboradores. Mas faz sentido envolver estes dois temas?

Creio que sim! Na verdade, não há branding sem uma cultura organizacional forte e verdadeira.

Artigo Denise_3Refletindo de maneira isolada cada tema, começando por branding, que envolve diversos elementos que tem por objetivo identificar e diferenciar um produto ou uma empresa da outra, muitas vezes embasado em fatores tangíveis que são percebidos de maneira direta pelo consumidor. Tais elementos não parecem ser mais suficientes. O mercado atual é dinâmico, em constante movimento, transformador e inovador, não consegue se sustentar somente por elementos puramente tangíveis, digamos aqueles que estão na “cara”. O básico deixou de ser o mínimo. O mercado quer, exige e merece mais.

E o que é este mais? Não há respostas definitivas, mas há caminhos que devem ser refletidos e estão muito próximos de nós. Penso que ao falar de branding, falo também de imagem e pensar no conceito de imagem me remete há outro elemento, que é o reflexo. Que imagem transmito ao mercado? O que reflito ao mercado? Reflito os atributos da marca baseados em que?

Neste momento chamo a atenção para a cultura organizacional, que envolve a razão da organização. Quais valores e crenças ela possui. Seus comportamentos e hábitos. Por que chamar a atenção para estes aspectos?

Porque a cultura organizacional indica o jeito de ser da organização e como são feitas as coisas nela. São hábitos e comportamentos aprendidos ao longo dos anos que vão se reproduzindo entre os colaboradores e se multiplicando a cada novo membro.

E pensar em cultural organizacional é fundamental para construir uma estratégia de branding, pois sem ela, sem ter o conhecimento dos valores e crenças intrínsecos na organização, não é possível criar uma estratégia verdadeira e sustentável. Não posso mentir para o meu consumidor! Não posso enganar o mercado! A organização tem uma essência, que é compartilhada por todos dentro dela e ela deve ser autêntica.

Acredito que conhecemos na sociedade instituições que transmitem uma imagem bem diferente do que realmente é. Ou instituições que se “queimaram” com práticas que não condizem com o seu discurso. E isso está ligado a valores.

Os valores da organização, o discurso e atos de seus colaborares refletem na sua imagem e será percebido pelo mercado. Por tanto é importante refletir a cultura organizacional, fortalecê-la e compartilha-la. Não digo que não estamos pensando nos interesses dos investidores, o que digo é em perpetuar uma organização e torná-la admirável para todos os seus públicos, inclusive seus colaboradores.

Cultura organizacional, repito, está baseada em valores compartilhados pelos seus colaboradores, fundadores e demais públicos de interesse, e estes são os maiores representantes da organização. Se colaboradores e público não compartilham destes valores e não os vivenciam, a imagem da empresa não se sustenta, assim como a marca com todos os seus atributos e beleza, pois ela não é real. Seria como a bruxa má da Branca de Neve, que é bela por fora, mas por dentro…