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Design Management

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O design é uma disciplina abrangente que se caracteriza por meio de projetos que solucionam problemas, atendem necessidades e despertam desejos, sempre com foco no usuário ou, como é mais comum se dizer, no público-alvo.

Como diria Brigite Borja de Mozota, o Design mescla aspectos científicos e artísticos em seu processo, que atendem tanto funções práticas quanto aspirações psicológicas e sociais:

 

“As técnicas do design combinam o caráter lógico da abordagem científica e as dimensões intuitivas e artísticas do trabalho criativo.”

MOZOTA, Brigitte (2011, p.17)

 

Assim como o Design o Branding também é uma disciplina abrangente que, por meio da análise do ambiente e do público, entrega valor que diferencia a marca trabalhada das demais ofertas semelhantes no mercado.

Uma das maneiras pela qual essa diferenciação acontece é justamente pelo Design, seja ele aplicado no próprio produto ou serviço trabalhado ou, seja ele aplicado na comunicação da marca para o mercado e na consolidação de sua identidade.

De uma maneira ou de outra, Branding e Design andam juntos e, por conta disso, muitos designers acabam ingressando no universo do branding. Mas como isso acontece? Bom, é isso que este artigo busca explorar.

O elo mais marcante entre as duas disciplinas é o fato do design, quando aplicado ao mercado, atender a demandas de marcas, que o incluem como parte fundamental de suas estratégias, participando os designers no processo de elaboração e demandando desses profissionais o entendimento do todo vs. o pontual.

Em outras palavras, desde que inicia sua atuação no mercado o designer sente na pele a necessidade de entender a diferença entre Estratégia e Tática, o que possibilita que ele tire o melhor proveito de seus conhecimentos, desfrutando ao máximo do papel transformador do design para os negócios e sociedade.

Ao desdobrar o planejamento estratégico de uma marca nos deparamos com diversas questões que se relacionam com as áreas do design:

Design Gráfico: presente na criação e gestão do logotipo e identidade visual de uma marca, garantindo que ela se apresente de forma marcante e coordenada, contribuindo para a identificação e diferenciação (dois dos pilares mais importantes da gestão de marcas) e facilitando que o consumidor reconheça aquela marca da forma mais rápida e direta possível.

Design de Embalagens: além de possibilitar o transporte, contribuir para a utilização e conservação do produto, otimizar sua logística, as embalagens também contribuem de forma significativa para a diferenciação e construção de marca pois, no ponto de vendas, a embalagem é o primeiro contato visual do público com a marca e influencia em questões de posicionamento, precificação e percepção de qualidade.

Design de Produtos: um dos Ps do famoso Mix de Marketing o P de Produto é fortemente influenciado pelo design, capaz de reforçar suas características tecnológicas e funcionais, facilitando seu uso, diferenciando pela beleza e sofisticação, agregando valor e despertando desejos.

Design Digital: em uma era marcada pela digitalização das relações e crescente utilização de tecnologia mobile, se apresentar de forma distinta na internet é parte determinante da estratégia das marcas. Seus sites são seu ponto de contato digital para o qual as interações convergem e, muitas vezes, é o primeiro contato do público com a marca.

Design de Serviços e Experiências: áreas discutidas mais recentemente, o design de serviços e experiências tem o usuário como foco e são responsáveis pelo desenvolvimento de processos que facilitem a interação das pessoas com as marcas em seus mais diversos momentos, da pesquisa para conhecer mais sobre a proposta, passando pelo uso do produto e serviço até chegar ao atendimento pós venda e momento de recompra, onde o ciclo recomeça.

Design de Interiores: responsável por tangibilizar o propósito e os conceitos da marca em seus pontos de contato físico, de forma a receber e acolher o consumidor em um universo pensado especificamente para transmitir uma mensagem e entregar o valor proposto de forma direta.

Do processo ao ponto de contato o Design está intimamente ligado ao Branding e contribui para a construção e consolidação de marcas fortes, capazes de impactar o mercado e a sociedade de maneira tão determinante que conquistam nada menos que o reconhecimento e a aspiração do público.

Nessa dinâmica destaca-se o foco nas pessoas e o impacto que o projeto lhes traz, demandando dos profissionais envolvidos reflexões e atualizações constantes que os capacitam para atuar em um cenário no qual tudo se relaciona e se transforma em uma velocidade vertiginosa.

Para as marcas, vale destacar que, muito mais do que um recurso estilístico, o Design é uma disciplina de cunho estritamente estratégico, capaz de desenvolver soluções criativas, inovadoras, que otimizam recursos e impulsionam resultado pelo fato de tangibilizar aspirações em soluções práticas.

Portanto, pense Design e construa Marcas que de fato impactam o público por serem legítimas e inconfundíveis.

 

Referências:

MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação coorporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

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Atualmente, não trabalhar o design como fator competitivo no mundo globalizado do século XXI, no qual estamos inseridos, é quase um ato retrógrado. O uso do design pode ser seguramente afirmado, como uma questão de sobrevivência e as organizações e profissionais da área devem estar em sintonia e em constante evolução.

Para tanto, a disciplina “Gestão do Design”, pouco explorada no mercado brasileiro e, consequentemente, a sua profissionalização (o gestor do design) tornam-se um diferencial que deveria ser acoplado à profissão e praticado de forma premente nas organizações e escritórios de design.

A gestão pode ser definida como a coordenação e supervisão do trabalho de outros profissionais para que suas atividades sejam qualificadas, gerando valor significativo. O modelo racional da gestão fundamenta-se no controle e planejamento. O design, por sua vez, busca originalidade, novidade, criatividade e inovação, mas a diferença entre as áreas está na percepção que gerentes e equipes de criação exprimem uns aos outros.

O valor do design está aprofundado na atividade que busca solucionar problemas nas organizações, promovendo valor e construindo vantagens competitivas por meio da diferenciação. “Os empresários precisam entender como projetar a experiência do consumidor ou serão enterrados no cemitério da irrelevância.”

Para Mozota (2011), o valor do design está na combinação das áreas design e marketing, e a diferenciação ocorre pelo uso do design de forma apropriada e estudada com o marketing. O marketing, assim como design, possui filosofias de negócios similares, ou seja, focar nos desejos e necessidades dos consumidores. Existem diversos processos entre a combinação das duas áreas, como por exemplo o marketing como criador de utilidade. Esse processo está centrado na produção, no marketing e design que, ao trabalharem juntos, são responsáveis por criar e atribuir “utilidade à forma”, resultando na concepção de um papel fundamental no direcionamento de formato, tamanho, qualidade e atributos dos produtos – o produto estendido e o produto-marca.

A autora introduz a gestão do design como um processo de mudanças, no caso, a metodologia taylorista de funcionamento hierárquico – produção de acordo com a demanda para um modelo organizacional plano e flexível, que objetiva o estímulo à iniciativa individual, à independência e à consciência de possíveis riscos. A gestão do design consiste em realizar o desdobramento do design dentro da empresa com o objetivo de auxiliá-la a desenvolver suas estratégias e isso implica:

Gerenciar a integração do design na estrutura corporativa no nível operacional (o projeto), no nível organizacional (o departamento) e no nível estratégico (a missão); administrar o sistema de design na empresa. As criações dos designers são artefatos: documentos, ambientes, produtos, e serviços que têm suas próprias qualidades estéticas. As empresas têm um sistema formal de design que deve ser gerenciado (MOZOTA, 2011, p. 95).

Por ser uma atividade especifica da área do design, torna-se fundamental para a sua gestão, que o gerente seja altamente capacitado na área, pois é neste processo de mudanças, conhecimento e embasamento que os profissionais especializados podem contribuir significativamente, criticando, desafiando e selecionando as melhores soluções.

Para os gerentes não designers se beneficiarem desse modelo de gestão, é interessante que os mesmos passem a observar como os gestores do design conseguem estimular a capacidade criativa de seu grupo. Um exemplo essencial para aumentar a fluidez de ideias da equipe é deixar os julgamentos para a fase seguinte. Ideação e julgamentos não podem ser misturados, pois corre-se o risco de inibir a criatividade das pessoas.

O instituto DMI (Design Management Institute) realiza pesquisas sobre o tema em questão e desenvolve material didático, além de organizar cursos, seminários e conferências. O objetivo do DMI é encorajar os designers e gerentes não designers a se “tornarem grandes líderes” e entenderem a importância do design nos seus negócios. Com auxílio contínuo, o instituto enfatiza que se deve ter consciência do design como vantagem competitiva e o profissional responsável pela arquitetura de projetos de uma determinada organização deve ter conhecimentos, habilidades e liderança.

A gestão do design aplicada nas organizações, como processo antecipado, garantirá, indubitavelmente, mais acertos e diferenciações no mercado globalizado no qual estamos inseridos. Portanto, nesse estudo, o processo de aplicabilidade da metodologia da gestão do design será sistematizado em níveis operacionais (projeto), organizacional (departamento) e estratégico (a missão), com o objetivo de implantá-lo a um modelo de organização, cuja estrutura pode ser de tamanho pequeno, médio ou grande porte.

Criar não é um processo simples, requer atenção, cautela, métodos, inovação, conceitos e planejamento para, somente assim, garantir resultados plausíveis. A gestão do design é um trabalho contínuo, que deve ser feito diariamente. Mesmo sendo afanosa é, ao mesmo tempo, uma tarefa gratificante para quem ama o design, quando se vê a eficiência das técnicas apresentadas.

Referências

MOZOTA, Brigitte. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

AURIANI, Marcia, CORREIA, Elwyn e RABELLO, Leila. Gestão do Design. São Paulo: Reflexão, 2016

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No último dia 7 de outubro o InfoBranding realizou a primeira edição do Brand & Design Management, que aconteceu no auditório do Centro Universitário Belas Artes em São Paulo.

O Brand & Design Management teve curadoria de Marcia Auriani, executiva de branding e gestora executiva do InfoBranding e de Gabriel Meneses, gestor executivo de branding e design do InfoBranding, que organizaram a programação de forma a apresentar os temas, branding e design, e construir uma linha de raciocínio que transmitisse sua aplicação prática no contexto do mercado atual.

Para tanto foi reunido um verdadeiro time de especialistas, com expressiva participação no mercado nacional e internacional.

Logo na abertura Gabriel Meneses apresentou o propósito do IndoBranding e contextualizou a importância da abordagem da gestão do design para a construção de marcas, destacando o branding e o design como disciplinas que se somam para conceber e transmitir ideias que tenha impacto real no atendimento de demandas e desejos das pessoas, bem como nas relações que estabelecem entre elas e também com as empresas que fazem parte de seu dia a dia.

Gabriel Meneses

Em seguida Marcia Auriani introduziu os conceitos de branding e design, dando destaque as experiências que o design ajuda a entregar e que consolidam as propostas de valor das marcas, revelando a importância em se estabelecer relações entre elas e seu público. Marcia ressaltou ainda que o design desempenha um papel determinante na diferenciação, reconstrução e posicionamento de marca, uma vez que conduz a expressão de sua identidade.

Marcia Auriani

Como o design faz parte do segmento de mercado conhecido como “Economia Criativa”, aquele que tem a criatividade e o capital intelectual como matéria-prima para criação, produção e distribuição de bens e serviços,  Carol Rangel e Tarsila Guerreiro, foram as responsáveis por apresentar dados que traduzem como a posição do Brasil no ranking global da Economia Criativa e destacar os potenciais das áreas do design (moda, interiores, gráfico, embalagem e digital) dentro desta perspectiva.

Carol Rangel (esquerda) e Tarsila Guerreiro (direita)

Frank Michael, infobrander que veio diretamente de Goiânia para o BDM, conduziu os presentes por uma verdadeira viagem ao centro da marca, revelando a importância do propósito e de como construir significado a partir dele, destacando que “os limites da nossa linguagem são os limites de nosso mundo”.

Frank Michael

Na sequência, Tatiana Lucia Souza, da Ouie Ideias &Design, falou sobre as tendências do design. Para ela “o design é espelho do tempo” e sofre influências da mídia, da tecnologia, da indústria e, ultimamente, da usabilidade. E, carregando esta referência, a leveza e a liquidez ganharam destaque, o uso tem se sobressaído a posse e a preocupação com processos e impactos da produção devem ser levados em conta em nome do mundo em que queremos viver.

Tatiana Lucia Souza

A primeira participação internacional no BDM ficou por conta de Marília Biill, gerente de Color e Trim da Porsche da Alemanha, que abordou a questão da gestão de times globais. Marília impactou a todos ao destacar a necessidade que o profissional de design, e de qualquer outra área, tem de se manter atualizado e aberto a trocar experiências em equipes multidisciplinares e com integrantes que podem vir de diferentes culturas. Extrapolando as fronteiras do branding e design em si, ela utilizou-se de sua experiência para mostrar que resiliência, adaptabilidade e capacidade de se atualizar constantemente se destacam como fatores decisivos para o sucesso profissional.

Marília Biill

Renan Benvenuti, gerente de criação da Tatil Design de Ideias, trouxe para o evento os princípios para um bom projeto de design, exemplificando cada um deles com projetos icônicos desenvolvidos pela renomada consultoria. Em sua fala, Renan expressou, mais uma vez, a importância da colaboração e da multidisciplinariedade para o enriquecimento do processo criativo e obtenção de resultados positivos, que despertem a emoção das pessoas.

Renan Benvenuti

Na sequência Sidney Rufka abordou o tema “projeto e design estratégico” abordando questões como planejamento e analise das interações humanas como fios condutores para a criatividade, de forma que o resultado do projeto seja algo que traga impacto positivo na experiência do usuário.

Sidney Rufka

Amanda Higa iniciou o primeiro painel, Design e Estratégia – Transformação por meio do Design, abordando a importância da educação/formação como responsabilidade de todos que fazem parte da construção das marcas, lembrando que estas são feitas de pessoas para pessoas e que o caráter social é um dos tripés da sustentabilidade. Junto com Tatiana Lucia, Sidney Rufca, Renan Benvenuti foram discutidos a importância das equipes multidisciplinares, das empresas se envolverem mais no processo de formação dos profissionais; como se dá a relação do branding, design e a necessidade das empresas em medir resultados.

Painel com Amanda Higa, Tatiana Lucia Souza, Sidney Rufka e Renan Benvenuti

A segunda participação internacional ficou por conta de Daniel Portuga, Associate Creative Director na SapientRazorfish NYC, que discutiu um pouco sobre o conceito de uma “boa ideia”, destacando que, para ele, uma boa ideia é aquela que impacta as pessoas e que não precisa de tradução para ser entendida.

Daniel Portuga

Paola Campanari, profissional de branding focada na solução de problemas que se baseiem em  conexões e colaborações, que acompanha o InfoBranding desde seu nascimento, apresentou seus insights para o desenho de experiências de marca através da “não palestra”, isto é, um bate papo com seu convidado Rodrigo Villela, diretor criativo, para elencar questões como o alinhamento de propósitos entre a marca e as pessoas e a necessidade de se valorizar a comunicação entre pessoas.

Paola compartilhou com o InfoBranding uma referência muito interessante da cofundadora da Singularity University Laila Pawlak: http://dare2.dk/

Paola Campanar e Rodrigo Villela

Vanessa Queiroz, designer e sócia fundadora do Estúdio Colletivo, falou sobre como trabalhar o branding em um escritório de design. Através de sua irreverência, abordou questões fundamentais para empreender com o design e desenvolver projetos que inspirem pessoas e empresas.

Vanessa Queiroz

A última participação internacional foi de Pedro Andrade, Principal Interaction Designer na IDEO, que nos mostrou como funciona o processo criativo na IDEO, destacando o papel determinante da diversidade das pessoas envolvidas.

Pedro Andrade

Para fechar o ciclo de palestras Alexander Guazzelli, superintendente de design do Itaú Unibanco, mostrou como funciona a gestão do design em uma grande empresa, elencando como desafio constante a capacidade de olhar para o propósito, se manter em contato próximo das pessoas que fazem parte do processo, ser resiliente e trabalhar duro para focar nas ideias que transmitem a essência do negócio.

Alexander Guazzelli

O último painel do dia teve a moderação de Luciano André Ribeiro, superintendente do Itaú Unibanco, que conduziu uma conversa inspiradora com Paola Campanari, Vanessa Queiroz e Alexander Guazzeli, de forma a consolidar os principais conceitos abordados no período da tarde: alinhamento de propósitos, importância da equipe multidisciplinar e foco nas pessoas.

Painel com Luciano Andre Ribeiro, Paola Campanari, Vanessa Queiroz e Alexander Guazzelli

O Brand & Design Management mostrou que sua abordagem é relevante ao mercado de design e  branding brasileiro, uma vez que a habilidade de gerenciar os processos de forma estratégica é uma demanda latente aos profissionais que desejam ingressas nesta área. A prática da criatividade para a construção de experiências e valor de marca só acontece quando as ideias podem ser aplicadas dentro da realidade do negócio e em direção as necessidades e desejos das pessoas a que atendem. É desta forma que uma marca se diferencia e obtém vantagem competitiva em relação a suas concorrentes. É desta forma que o propósito é colocado e prática. É desta forma que branding e design se unem para fazer a diferença na competitividade do mercado.

Equipe InfoBranding

 

Confira o nosso After Movie!

 

 

Fotos: Irene Ruiz (www.ireneruiz.com.br)

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Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a segunda parte. Boa leitura!

Se perdeu a primeira parte clique aqui!

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

6) A metodologia do design passa por basicamente seis etapas que, mesmo variando em termos de nomenclatura, podem ser identificadas como: investigação do problema, pesquisa (referências), exploração (esboços), desenvolvimento, realização e avaliação. Você acredita que o excesso de urgência e falta de planejamento tanto do cliente quanto do designer, atrapalham o processo do design? Em caso positivo, como a situação pode ser revertida?

Eu acho que tudo é uma questão de se alinhar no início, tudo que é combinado não sai caro. Quando a gente consegue um relacionamento estreito com o cliente a gente consegue alinhar isso desde o início.

Claro que há exceções, vai haver situações em que você precisa ser parceira do cara e resolver o problema dele no menor tempo possível, mas você não pode permitir que isso se torne uma regra, isso deve ser a exceção. A regra é cumprir a etapa. Até porque com o tempo o cliente começa a perceber que o trabalho volta. Quer ver um exemplo muito ilustrativo disto: já tive caso de cliente que não “brifava” a gente direito, passava o trabalho de qualquer jeito, na correria. Aí o trabalho voltava para cá, eu sentava com a criação para olhar, e falava: aqui está furado, está faltando informação, mas, ao invés de recomeçar o trabalho, voltava para o cliente e falava: “Fulano” queria rever esse briefing com você porque tem algumas informações que estão faltando”.

Afinal, um bom projeto começa com um bom briefing, uma boa solução também. Se o briefing estiver errado, a chance desta solução ter furo é grande. E às vezes o briefing é: “Eu não tenho briefing”! Pode ser, é possível, mas esse é um bom briefing! Porque temos a chance de construir um briefing junto com o cliente, aplicando o Design Thinking, de forma a identificar o problema e direcionar a solução.

Mas o cliente tem que ter essa clareza: que ele sabe o que quer ou que ele não sabe o que quer. Tem que estar aberto. Você precisa falar para ele: “me dá alguns minutos e vamos tentar discutir um briefing correto, pois o que você me passou é insuficiente”.

O trabalho sempre volta quando recebemos um briefing incompleto e começamos a trabalhar sem questionar ou se aprofundar no problema.

Há outros casos de briefing em que o cliente chega com a “solucionática” e não com a problemática. Por exemplo, o cliente chega e diz: “eu quero um folheto”. Aí você diz: “Para que você precisa de um folheto? Será que você precisa realmente de um folheto? Qual a sua problemática? Então você traz o cliente para a realidade do briefing… Muitas vezes o cliente vem a com a solução e não necessariamente aquela é a melhor solução, porque ele está envolvido em milhares de outras coisas que ele tem que fazer. Muitas vezes a gente faz este trabalho de recolocar o cliente diante do problema.

Com o tempo, cliente que trabalha com a gente, cria uma cultura comum, a gente vai educando o cliente e ele vai educando a gente. A gente vai se adaptando ao modo dele trabalhar e ele vai se adaptando ao nosso.

InfoBranding: Qual a estrutura que você tem no seu escritório? Você costuma empoderar a equipe ou centraliza o relacionamento com o cliente em você?

Eu empodero. Em geral eu tenho uma equipe pequena que trabalha comigo há muito tempo e eles interagem diretamente com o cliente, pois eu comecei a perceber que quando eles têm esse contato direto, eles conseguem ter uma empatia maior. Às vezes o cliente explica para eles o que está acontecendo, justifica, e essa é uma forma de empoderá-los, de cortar caminhos e fazer o trabalho ser mais ágil. As vezes eu prefiro que o designer apresente o projeto para o cliente para ouvir suas considerações e entender a mensagem sem intermediários.

InfoBranding: Você é uma empresa de design de pequeno porte, com uma estrutura pequena. Essa questão facilita sua abordagem?

Eu acho que isso pode acontecer porque somos uma espécie de “boutique” e isso acontece pelo nosso próprio estilo de liderança. Existem líderes que optam por um sistema de trabalho com uma estrutura hierarquizada e existem aqueles que preferem um sistema horizontalizado. Quando você tem uma estrutura maior é natural que você tenha equipes diferentes em hubs e núcleos de trabalhos. Acho que há uma diferença grande entre a cultura da agência e a de escritório de design. Apesar de eu já ter trabalhado em agência, o meu jeito de ser é mais de uma cultura de escritório de design, porque o designer se envolve diretamente com o cliente, sem ter essa hierarquia, de cargos e funções. Aqui todo mundo faz tudo e cuida do seu projeto do início ao fim.

Um exemplo é a questão da redação. Muitas vezes a gente trabalha com redatores parceiros, mas frequentemente a gente também elabora texto. O designer também pode ter a capacidade de redigir e sugerir um texto com adequação e pertinência, que atenda a necessidade do cliente, porque ele está imerso e em contato com a empresa todo o dia. Ele assimila o tom de voz da marca, a cultura do cliente e o seu vocabulário, como se fosse parte do cliente.

 

7) Como você define o posicionamento dos designers perante o mercado?

Acho que tem de tudo. Acho que isso se encaixa na identidade do designer desde a faculdade. A forma como ele se enxerga no mundo do design desde que ele é estudante. Quando começo a lecionar em uma turma de primeiro período, no primeiro dia de aula eu costumo dizer aos alunos que eles já estão no mercado de trabalho. “Vocês acham que vocês são alunos, mas nesse momento aqui da faculdade vocês já entraram no mercado de trabalho de alguma maneira, porque a faculdade é uma vitrine para o mercado. Se você se destaca aqui dentro você já tem professores, que são profissionais de mercado, que vão enxergar vocês que vão chamar vocês para trabalhar, para fazer um estágio. A postura que vocês tiverem como alunos dentro da faculdade vocês vão carregar para o campo profissional depois que vocês se formarem.” Então eu acho que a postura do designer, o posicionamento do designer tem que começar na faculdade, como aluno. Se ele é um aluno que está lá a “turismo”, provavelmente ele será um profissional  que vai estar a “turismo” no mercado também; se ele já começa com “a faca nos dentes”, ele começa a faculdade ali, querendo tudo, comprometido, sério, curioso; ele vai ser assim, acho que isso independe de ser designer ou não, isso vale para qualquer indivíduo, em qualquer profissão.

No geral, no Brasil, as pessoas ainda acham que o Design é um mero embelezador de coisas, de marcas, de folhetos; sinto que ainda não existe uma consciência plena sobre para que serve o design.

Eu percebo que quando as pessoas me perguntam com o que eu trabalho e eu respondo “com Design”, elas acham legal, mas não sabem exatamente o que é o Design. Inclusive tem gente que acha que design é design de móvel, de interiores; não que esses também não façam parte do escopo do Design, mas é possível perceber por esse tipo de comentário, que a própria segmentação dentro do campo do Design atrapalha sua compreensão, além da terminologia. Design é um nome que está um pouco desgastado, porque você tem design de sobrancelha, design de unha entre outros; tem design de tudo hoje em dia.

Mas acho que está começando a existir, sim, a visão do Design como projeto, com metodologia e processos. Alguns profissionais sabem se posicionar mais claramente sobre o que fazem, sobre sua missão do mundo, sobre o seu propósito. E há aqueles que acham que design ainda é um mero embelezador. Está aí uma primeira separação do “jôio e do trigo”. Isso é muito interessante se você pegar uma estatística de número de alunos que entraram na faculdade, que saíram do curso e quantos de fato vão trabalhar com design e quantos vão trabalhar com outra coisa. Percebo que muitas pessoas vão trabalhar com outra coisa, porque talvez não tenham encontrado o seu propósito final, do que você realmente quer ser. É um pouco isso, quando você sabe o quer, você vai naquele objetivo e persegue.

InfoBranding: Mas você tem percebido um anseio maior pela parte estratégica?

Observo que isso está começando a crescer. A geração mais nova de designers está adotando cada vez mais esse foco estratégico da área, especialmente com o surgimento do Design de Serviços, do Design Thinking, da sociedade em rede e dos processos colaborativos e da troca de experiências. Eu acho que hoje isso é mais claro para os jovens do que era na década de 80 e 90, quando eu estudei.

 

8) Como você entende a relação do design com o cliente e/ou outros departamentos da empresa?

O designer pode permear por tudo isso, ele pode se encaixar em qualquer departamento. Eu acho que hoje em dia, algumas empresas estão começando a entender que um designer na equipe vai trazer toda uma diferença na forma de pensar. Todas as empresas deveriam contratar designers independente do seu core business. Para trazer uma mente diferente, com um olhar diferente que pode incorporar uma função muito agregadora.

É um desafio para as duas partes. Essa prática está começando a surgir, algumas empresas estão começando a fazer isso. Acho que é uma cultura que está vindo lá de fora, onde já existem empresas com designers em seus quadros executivos.

 InfoBranding: Em termo de relação, o designer tem entendido o papel multidisciplinar dele?

Acredito que aqueles designers que estão bem ligados no que acontece no mercado começam a ter esse entendimento, basta ver a demanda de cursos ligados à área de design que existe atualmente. E quem não tem essa noção vai continuar fazendo aquele trabalho de antigamente. Quem está afim de se projetar profissionalmente está buscando estas capacitações, a exemplo do que você faz. Os designers que estão entendendo como o mercado de design é amplo estão buscando novas oportunidades de atuação, e aqueles que não entendem, não estão.

 

9) Sua atuação é marcada pela união do branding e design. Para você, como essas duas especialidades se relacionam?

O branding e o design precisam caminhar juntos. O Design permeia tudo, porque ele torna as coisas mais fáceis, mais claras, ajudando a solucionar problemas. E o Branding é um dos problemas.

A Gestão da Marca, a gestão eficaz, é um dos problemas que o Design pode ajudar a sustentar, a evoluir. Neste mundo do consumo no qual cada vez mais as marcas competem entre si, são fatores de identidade que fazem a diferença. Se a marca não tem gestão orientada pela identidade, com uma mensagem clara a ser comunicada, acho que o consumidor pode se confundir; nesse sentido, o Design tem papel de facilitar o entendimento das coisas. O Branding e o Design já deviam ter nascido juntos, não nasceram, mas felizmente se encontraram. O mundo precisa de design o tempo todo.

 

10) Que mensagem você deixaria para os profissionais do design e para aqueles que procuram ingressar nessa área?

Estejam atentos a tudo, ao mundo contemporâneo, ao comportamento das marcas, aos serviços, aos usuários. O Design, deve cada vez mais fazer parte do dia a dia das pessoas. Quanto mais o Design fizer parte do dia a dia das pessoas, da sociedade como um todo, estaremos dando uma contribuição para melhorar o mundo. O Design pode ter esse papel, eu acho que nós podemos ter a felicidade de contribuir.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a primeira parte. Boa leitura!

1) Na sua opinião, qual o principal papel do design, enquanto área do conhecimento, no mercado hoje em dia?

Hoje em dia o design está permeando mais segmentos do mercado. Ele tem sido um facilitador de processos, e vem mudando a forma como as pessoas encaram os problemas e tentam solucioná-los.

O design está trazendo método para determinadas questões da sociedade, como por exemplo, o Design de Serviços; as empresas estão começando a parar para pensar na jornada do usuário, em como é que podem melhorar a qualidade do serviço que prestam. Atualmente você vai a um banco, ou a uma companhia aérea, e percebe que existem alterações que feitas nos processos, no atendimento e no ponto de venda, seja este um ambiente físico ou digital. Ainda é uma coisa muito pequena, mas é muito mais do que se tinha há 10 anos, e isso é resultado de um amadurecimento do campo do Design no Brasil.

A cultura das empresas está mudando, o usuário está passando a ser o centro da estratégia. As pessoas falam de Design Thinking, de Design de Serviços, muita gente fala da boca para fora sem saber o que é, mas algumas empresas já estão criando esta cultura ao trazer para o seu quadro de gestão profissionais que conhecem design, ou que estão se capacitando em design, para contribuir com essa melhoria de produto e de serviço.

 

2) No mesmo contexto, qual o papel do designer? E o que define esse profissional?

O designer ainda precisa se integrar mais de forma geral. Primeiramente, tem que se entender o que é de fato “ser” designer, pois tem gente que acha que saber mexer em um software gráfico ou fazer um layout é ser “designer”. “Ser” designer é maior que isso, é pensar de uma forma sistematizada, com metodologia, é pensar no usuário, é pensar em como os problemas podem se resolver de uma forma mais eficiente. Então, pensar e ter o design como modus operandi, como modo de pensamento na cabeça, é algo que ainda está um pouco distante do que saber pilotar um computador.

Existem pessoas que já criaram esta mentalidade do design, de pensar como designer, orientado pelo design, mas ainda tem ainda muita gente que confunde isso. E eu incluo aí neste grupo o próprio mercado, porque tem cliente que acha que o papel do designer é simplesmente embelezar um produto, embelezar uma marca, e não é isso. Nós podemos contribuir com muito mais que um simples aspecto visual das coisas.

 

3) Como professora, como você avalia a formação do designer no Brasil? Quais são as principais dificuldades e oportunidades encontradas no processo?

Eu acredito que a qualidade do ensino de Design no Brasil está amadurecendo junto com o campo profissional.

Se colocarmos em uma perspectiva histórica, no país, o Design é uma disciplina relativamente jovem. A primeira escola de Design no Brasil surgiu na década de 1960. E de lá para cá, podemos considerar um amadurecimento bastante significativo, mas que precisa evoluir mais para acompanhar o que acontece lá fora.

O designer precisa entender de Antropologia, precisa estudar Filosofia, Ciências Sociais, sair um pouco do contexto apenas do mundo do Design para projetar esse olhar para a sociedade. Para ele conseguir ter esta visão de que o Design é uma ciência que pode contribuir para toda a sociedade, em um serviço, na forma de operação de uma empresa, na parte visual, instrutiva, de sinalização, na pragmática do uso dos objetos. Para se entender o Design como algo que permeia todos estes campos, o indivíduo precisa ter uma formação multidisciplinar. Não que necessariamente precise estudar profundamente tudo isso, mas pelo menos conhecer e saber que é necessário lançar mão de determinados recursos, de acordo com a necessidade que terá em cada trabalho.

É importante que as escolas de Design forneçam aos estudantes este olhar ampliado. Precisa-se pensar no Design de uma forma ampliada como algo que possa beneficiar uma sociedade.

InfoBranding: E elas fazem isso?

 Algumas estão começando a fazer, outras acredito que ainda não. Esta conscientização está começando a ser propagada. Fora as faculdades, existem alguns hubs de disseminação do bom design no mercado, como empresas que se desdobram entre prestadora de serviço e disseminadora de conhecimento.

Posso citar a Laje do grupo da Ana Couto, que é um exemplo “super” clássico disso. A Ana tem um trabalho de agência e, ao mesmo tempo, criou a Laje que tem o propósito de disseminar o Design, como conhecimento e método para gerar inovação. Assim como ela, existem outros grupos que também estão começando a fazer isso. Esta atitude tem sido extremamente benéfica para trazer à sociedade esse olhar ampliado do que é o Design.

InfoBranding: Mas e o aluno? Aquele que almeja se tornar um designer.

 Atualmente não estou lecionando em curso de Design, sou professora em um curso de graduação em Publicidade e Propaganda e em um curso de pós-graduação em Branding. Vou responder como observadora e com o que percebo indiretamente pelo meu contato com os alunos.

Alguns deles percebem as oportunidades e outros não, mas isso faz parte do mundo. Vai ter aquele cara que vai se “antenar” e que vai se “ligar”; e vai ter aquele que não vai perceber, que vai continuar no mundinho dele. Acredito que até no mercado vai haver demanda para os dois tipos de profissional: o “antenado” vai se diferenciar, fazer projetos mais estratégicos e vai poder cobrar mais caro; e o outro vai continuar fazendo aquele trabalho mais caseiro para atender a demandas menores e mais restritas.

Essa questão do aluno é muito interessante, pois na sala de aula a gente percebe claramente quem são os alunos que estão entendendo o que a gente está dizendo e quem são aqueles que não estão. Às vezes, esse entendimento é questão de momento: ele não alcança aquilo naquele semestre e em 1 ou 2 semestres adiante ele percebe e se dedica. E tem aquele que não alcança nunca… (mas talvez ele estivesse no lugar errado desde o início).

Em que toda a faculdade acontece isso. Somos expostos a uma decisão de carreira muito jovens e o nosso mundo contemporâneo permite experimentação. Eu não acho que seja ruim, o aluno começar uma faculdade e cursar um pouco dela e depois sair ou trancar e fazer outra até que descubrir qual universo que ele quer seguir.

Estamos em um mundo multidisciplinar, e talvez o erro esteja na estrutura dos cursos, por serem tão rígidos. E de serem poucos multidisciplinares. Percebo que já existem instituições promovendo essa experiência multidisciplinar aos alunos, misturando alunos de diferentes cursos nas turmas.

Por exemplo, semestre passado eu fui docente em uma disciplina de Gestão de Marca com alunos de publicidade e hotelaria juntos, e foi super bacana. No primeiro dia de aula eu perguntei aos alunos: “O que vocês acham que Gestão de Marcas, Publicidade e Hotelaria tem em comum?” Aí eles pensaram, pensaram e começaram a discutir entre eles e a trocar ideias em sala de aula. Daí o grupo de hotelaria respondeu: “Em hotelaria nós trabalhamos muito a questão da hospitalidade”.

Esta foi uma visão ótima, porque no branding há também que se pensar na “hospitalidade” das marcas. A turma começou a trazer, do ponto de vista da hotelaria, uma visão de trabalho com stakeholder, o que é escopo do branding. E foi bom porque os alunos trabalharam juntos, e funcionou bem: cada área colaborando com a visão da outra de forma agregadora.

InfoBranding: Até porque depois, no próprio hotel, eles podem integrar a  estratégia de reposicionamento e vão ter que entregar isso para o cliente.

Exatamente, ele precisa ter uma visão de marca, de negócio, de gestão de negócio, que para a turma de publicidade talvez não fosse tão clara.

Por exemplo, se você coloca em uma turma só alunos de design você terá um resultado, agora se você pega um turma de design e você coloca alunos  de outras áreas você com certeza terá outro tipo de discussão, porque você terá olhares diferentes que agregam valor a todos. Mas eu também entendo que não é em qualquer momento que isso deve acontecer, não adianta ser no primeiro semestre. Há um momento, mais para o fim do curso, em que os alunos estão estar mais preparados para ter esse embate, essa discussão. Não conheço os currículos de todas as universidades para afirmar, mas a multidisciplinaridade contribui muito para ampliar a visão dos alunos em relação ao mercado como um todo e as suas necessidades.

 

 4) Quais são as principais habilidades que se destacam em um designer de sucesso?

  • Ter cultura, informação e curiosidade;
  • Ter metodologia para trabalhar, o que não significa ser metódico, mas sim saber trabalhar de uma forma organizada;
  • Acho que tem que ser um profissional aberto a colaboração, ser colaborativo. Não pode se achar o dono da verdade;
  • Ter dedicação, seriedade e compromisso;
  • Ter empatia, de saber de se colocar e olhar com sob a ótica do cliente, se colocar no lugar do cliente, do lugar do usuário, para conseguir entender as suas necessidades reais.

InfoBranding: É interessante que nesta resposta em momento algum você falou de “técnica”, isso não é uma crítica, mas é um ponto legal para se observar.

É que para mim, o profissional tem que ter curiosidade, criatividade e ser aberto a experimentação. E nessa experimentação vem a técnica, que evolui e é aprendida constantemente.

InfoBranding: Quando falamos de técnica, quisemos dizer que já está embutido na formação. Mas a sensação que dá é que os profissionais se prendem a técnica e se esquecem do que você mencionou.

Técnica você contrata. Eu acho que a técnica é importante mas não é a sine qua non, pois em um projeto você pode contratar pessoas específicas, com domínio técnico específico para executar determinada tarefa sob sua coordenação.

Aquele cara que fica preso na técnica, não vai muito longe se não tiver visão e domínio de gestão do processo como um todo.

Acho que a técnica é importante sim, mas ela amarra um pouco este desprendimento de você conseguir se colocar no lugar do outro, de ter esse olhar. A técnica você pode contratar, você não precisa necessariamente ter.

InfoBranding: A técnica é mais fácil de absorver…

 Por exemplo: Eu sou designer, eu não sou boa ilustradora, “técnica”. Se eu fosse uma boa ilustradora talvez os meus projetos fossem mais rentáveis, porque eu não precisaria pagar alguém para fazer para mim, eu mesmo poderia fazer. Mas eu tenho que pensar, qual seria o custo do meu tempo? Será que o meu tempo é para desenhar e ilustrar ou eu posso passar isso para alguém fazer e eu só gerencio? Então tenho que pensar em meu objetivo. Algumas competências são mais importantes do que a técnica.

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

 

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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“Design é a ferramenta para a diferenciação competitiva do produto. Um bom design, do ponto de vista da empresa, deve ser fácil de ser fabricado e de ser distribuído. Sob o ponto de vista do cliente, o bom design deve ser agradável de ser visto, assim como fácil de ser desembalado, instalado, usado consertado, revendido ou abandonado”.

 Philip Kotler (2014)

O sucesso de uma empresa nos dias atuais, no mercado exigente como se apresenta, depende, fundamentalmente, do reconhecimento de sua identidade e do diferencial competitivo oferecido por seus produtos e/ou serviços. E num cenário onde qualidade e tecnologia tornaram-se pré-requisitos básicos, Tom Peters ressalta que “o design é o segredo; é a chave do sucesso”.

De fato, desde a década de 90, o tema tornou-se alvo de grande divulgação na mídia, tanto nacional quanto internacional, sendo objeto de uma série de eventos, debates, programas governamentais e setoriais. Tudo isso contribuiu para promover a popularização desse anglicismo incorporado à nossa língua, seja como substantivo, ou mesmo como adjetivo qualificador de determinado estilo, de “chique”, sofisticado, de vanguarda, exclusivo e diferenciado.

· Inovação é a alma do negócio

Competir hoje num cenário de concorrência globalizada é o grande desafio das empresas. Conforme apontam inúmeras pesquisas nacionais e internacionais, o grande diferencial entre as empresas atualmente, o “algo mais que faz a diferença” é o design. No entanto, para atingir o sucesso não basta oferecer ao mercado produtos com design, ou apresentar uma marca bem elaborada, a partir da contratação de uma consultoria adequada. O design deve fazer parta da filosofia e estratégia global da empresa, integrando-se nas atividades de planejamento e gestão.

O design tem se tornado crucial para as empresas, sobretudo as de menor porte, nesse cenário atual de concorrência em escala global. É ele que viabiliza vantagens competitivas traduzidas na avaliação clara, por parte do público-alvo, dos benefícios x custos em relação a produtos concorrentes no mercado. É ele que vem permitido a substituição de uma concorrência baseada em commodities, onde vende mais quem tem menor preço, por uma competitividade com design apoiada na inovação, na agregação de valor, na identidade e diferenciação de produtos e empresas no mercado.

E isso não significa maiores despesas para as empresas. Ao contrário: parte fundamental do processo do design é a busca da redução de custos, seja por meio da economia de material, da redução de componentes e etapas de fabricação, da padronização de componentes, da simplificação na montagem/desmontagem associada à logística de distribuição.

Por essas razões é que hoje o design tem se integrado à gestão empresarial, contribuindo decisivamente para ajustar objetivos mercadológicos das empresas às suas capacidades e ao seu nicho de atuação. Faz isso com realismo e ousadia, não mais apenas acompanhando as tendências, mas antecipando-se a elas, ampliando benefícios e gerando novas demandas, possibilitando a conquista e a fidelização de clientes.

 · Design como fator competitivo

Hoje, a situação no mercado global é claramente de uma concorrência acirrada. Somente sobrevivem as empresas que conhecem o mercado e entendem as necessidades individuais do seu público-alvo. Empresas bem conhecidas nos mercados nacionais às vezes desaparecem de um dia para outro ou tornam-se parte de uma empresa multinacional. Por outro lado, existem empresas pequenas, médias e grandes muito bem-sucedidas no mercado, que desfrutam de um bom negócio e da confiança dos consumidores. Essas empresas se caracterizam geralmente por seu posicionamento muito bem definido no mercado.

A gestão do design é uma ferramenta estratégica para criar e implantar uma cultura empresarial que transmita uma imagem positiva da empresa e posicione sua marca no mercado alvo, pela estratégia da competitividade.


Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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