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Conheça a história do estúdio de design que nasceu a partir da vontade de empreender de dois alunos que, desde o início da vida universitária, se comportavam como verdadeiros profissionais de mercado.

O conceito de empreendedorismo nunca esteve tão em alta quanto hoje em dia. Livros sendo lançados, cursos ministrados, conteúdos e cases de sucesso disponibilizados em sites de referência e compartilhados diariamente em redes sociais, isso sem contaras inúmeras fontes nas quais podemos nos inspirar para, um dia, empreender.

Segundo o dicionário, empreender significa decidir colocar em prática ou executar algo laborioso, ou seja, algo que demanda certo empenho para acontecer. Está relacionado a transformar ideias em prática e, no senso comum, faz referência ao mundo dos negócios.

Empreender não significa, no entanto, apenas criar um novo negócio. Seu conceito pode ser aplicado dentro das corporações, na medida em que profissionais, gestores ou não, decidam implementar suas ideias na prática, empreendendo-as com o objetivo de alcançar melhores resultados, conceito conhecido como intraempreendedorismo.

Mais do que uma tendência,o empreendedorismo é uma realidade e impacta milhões de pessoas. Tal impacto, por sua vez, pode ser positivo ao incentivar, engajar e encorajar a busca por novas ideias e modelos de negócios ou, por outro lado, pode representar uma grande pressão para aqueles que acreditam que se tornar o próximo unicórnio é a única medida válida para o sucesso.

Nesse contexto, um dos grupos mais impactados pelos conceitos do empreendedorismo é o dos universitários prestes a ingressar no mercado de trabalho, inspirados a perseguir o sonho do negócio próprio desde cedo.

Aqui temos duas grandes notícias positivas:a primeira é que ingressar no mundo corporativo também possibilita a aplicação dos conceitos de empreendedorismo. E a segunda é que muitas empresas de sucesso nascem e prosperam já no ambiente universitário, sendo realmente uma opção válida a ser perseguida!

A grande questão é saber lidar com as oportunidades e trilhar um caminho que lhe direcione aos seus grandes objetivos profissionais.

Porém, é mais fácil falar do que fazer. Afinal, nem só de conceitos se sustenta a realidade da competitividade de mercado.

E foi em meio a essa realidade que nasceu o estúdio de design st.Paragon, dentro da universidade e que hoje conquista seu espaço no mercado criativo com importantes trabalhos realizados e exemplos a serem compartilhados, cuja importância reside na empatia e na proximidade que sua história tem da realidade de muitos jovens empreendedores brasileiros.

Sem mais delongas, vamos a história da st.Paragon! 

Como tudo começou

st.Paragon começou em abril de 2018, quando os dois designers começaram a trabalhar juntos em uma parceria informal, lidando ao mesmo tempo com trabalhos fixos e projetos universitários. Mas foi em março de 2019 que foi dada a largada oficial da sua jornada, quando se desligaram de todos os outros projetos paralelos e decidiram focar no estúdio em tempo integral.

Ao contrário do que muitos podem imaginar, a sociedade não começou a partir de uma grande amizade; foi a amizade que se desenvolveu a partir da ideia de empreender que uniu dois alunos que não se conheciam e que foram apresentados por uma professora em comum.

Estamos falando de Camilla Brandão e Heitor Muramatu, alunos de design que, em comum, apresentaram desde cedo um comprometimento muito grande com a qualidade dos projetos, com o aprofundamento teórico e as boas práticas da área do design.

“Profissionais antes de serem profissionais” faz referência à maneira como a professora descreveu os sócios da st.Paragon, característica que, segundo ela, fez com que fossem apresentados um ao outro.

A importância da marca pessoal

O comprometimento que uniu os dois profissionais é um atributo importante de suas marcas pessoais que, desde cedo, foram notadas e causaram impacto no mercado. Não apenas pela figura da professora, mas por todos os possíveis contatos que pudessem indica-los ou contratá-los.

Assim como é para as empresas, o branding pode e deve ser aplicado às pessoas, que passam a gerenciar seus atributos de forma estratégica com objetivo de formatar a mensagem que desejam passar para o mercado e, desta forma, se posicionar segundo seu propósito, seus valores e seus diferenciais em um processo conhecido como branding pessoal.

Esse mesmo comprometimento que os uniu é uma das características destacadas por empreendedores na hora de buscar um colaborador, um fornecedor ou um parceiro de negócios. Focando na área do design, por exemplo, comprometimento é característica buscada por empreendedores como Charles Caan, da Caan Creative Solutions e Sandrine Billard, da Petit Louarth, ambos integrantes da Jornada do Branding.

Sobre os sócios

Tanto Camilla, quanto Heitor são profissionais profundamente apaixonados pelo design e com a percepção que o mercado tem da área. Isso implica não apenas na qualidade dos projetos que entregam, mas, sobretudo, na maneira como atendem seus clientes.

Essa postura não é reflexo da abertura da st.Paragon, ela é anterior. Está presente como característica pessoal dos dois designers.

Camilla Brandão sempre foi autodidata e, desde seus 12 anos buscava aprender sozinha os assuntos que lhe interessavam. Na faculdade, tal anseio reverberou e impulsionou Camilla a absorver o máximo de conceitos e experiências de professores e colegas.  Heitor Muramatu, por sua vez, queria ser engenheiro, mas mudou de ideia e decidiu seguir na área do design, unindo criatividade e análise à sua abordagem.

Ambos se dedicavam ao máximo aos projetos de faculdade e networking com professores e colegas, estabelecendo ali os primeiros laços profissionais.

Com esses perfis, os dois passaram por agências e empresas de grande porte, como McDonald’s e Mania de Churrasco, no caso de Camilla, e FutureBrand, jobs para Martha Gabriel, Formaggio Mineiro, além de participação na empresa júnior da faculdade Belas Artes, no caso de Heitor.

Nessa trajetória estabeleceram bons contatos e, hoje, essas empresas são todas clientes da st.Paragon que, embora nova, reúne clientes e projetos de peso em seu portfólio.

A st.Paragon conquistou parcerias graças ao histórico de seus sócios que abriram mão de certa estabilidade e carreiras promissoras em grandes empresas, arriscando para empreender. Tal risco, porém, foi calculado tanto do ponto de vista de suas carreiras quanto do ponto de vista financeiro.

Construindo a partir de um propósito

Paragon é o nome dado ao “diamante perfeito”, puro e impecável; o décimo maior diamante branco do mundo. Tal pedra foi descoberta e extraída no Brasil e, em sua jóia, é somado a qualidade de outras pedras raras.

Como metáfora, o nome escolhido e o desenho da marca transmitem não apenas a ideia de ênfase na qualidade e em um resultado impecável, mas também a percepção de que partes somadas ajudam a qualificar o conjunto da obra.

O processo de definição do nome de uma marca é chamado de naming e, embora pareça algo simples à primeira vista, reúne em si uma série de detalhes estratégicos e legais que fazem toda a diferença.

É registrável enquanto marca verbal? É possível registrar o seu domínio na internet? Quais significados ele carrega em si? Se a empresa expandir internacionalmente, esses significados podem impactar a marca de forma negativa em outras culturas? Sua pronúncia é fácil ou complexa? O nome fica bom representado visualmente no logotipo? Compõe bem em caso de marcas mistas, nas quais se utilizam elementos gráficos de apoio ao logotipo?

Questões como essa precisam ser pensadas no início do processo e, além de preferências pessoais dos detentores da marca, precisa levar em consideração, sobretudo, o perfil do consumidor e percepções do mercado.

Já o slogan da marca é “tudo parte de um ponto”, que pode ser uma indicação, uma conversa, uma referência ou uma ideia e, a partir daí, relações são criadas e o projeto toma forma.

Clássica e elegante, a marca transmite confiança pela sua composição, cores e utilização. A palavra “estúdio” foi utilizada com a sua abreviação do inglês “st.”, uma vez que os sócios sempre tiveram interesse em atuar fora do Brasil. Além disso, dessa forma, o ponto ganha destaque na composição e traz cor para a apresentação visual da marca:

A interessante escolha do ponto

O ponto é um dos elementos básicos da linguagem visual, a partir do qual surgem e se somam outros elementos para estruturar a expressão característica do design, que comunica conceitos através das formas, unindo estética e função.

Mais do que isso, sua abordagem por parte da st.Paragon faz referência direta à soma de visões que conhecemos como pilares da gestão do design e metodologia do Design Thinking, que dão aos projetos o tão importante aspecto multidisciplinar e com foco em soluções para as pessoas.

Tais conceitos de soma, união de pontos de vista e de abordagens em prol de um resultado desejado e visto como apropriado, refletem o propósito da st.Paragon, que pode ser traduzido como:

Abraçar o ponto de vista do cliente e, de forma integrada e personalizada, entregar a melhor solução.

Esse propósito, por sua vez, é refletido no atendimento ao cliente, na escolha de fornecedores, no posicionamento de marca e em todos os seus pontos de contato.

O segredo do atendimento st.Paragon

Por ser uma empresa pequena que está iniciando suas atividades, os clientes da st.Paragon vieram, em sua maioria,através de relações anteriores com os sócios ou por indicações diretas.

Assim, clientes que conheciam o Heitor naturalmente buscam estabelecer contato com ele, enquanto os clientes que vieram para a st.Paragon via Camilla, fazem o mesmo com ela.

O interessante é que, de forma consciente e estratégica, os sócios têm tomando o cuidado de quebrar esse ciclo de ações ao trocar e intercalar o atendimento dos clientes de forma a fazê-los lidar com os dois. Assim, aos poucos, a transição da imagem dos sócios para a imagem da st.Paragon acontece.

Em paralelo a esse movimento inicial, o estúdio segue o foco de atendimento personalizado em que cada projeto é uma nova oportunidade de entregar o melhor resultado, estreitar relacionamentos e fortalecer a marca st.Paragon na mente e no coração dos clientes.

Pontos importantes percebidos pelos clientes:

  • Foco na necessidade do cliente;
  • Comprometimento com o resultado;
  • Profissionalismo em todos os detalhes;
  • Marca pessoal consolidada;
  • Responsabilidade com a imagem do cliente;
  • Paixão pelo design.

A metodologia st.Paragon

Um dos assuntos levantados por Heitor ao falar da maneira como a st.Paragon se posiciona foi a pressão imposta pelo mercado. Uma pressão que acaba por comoditizar serviços e produtos criativos pelo senso de urgência desenfreada e a necessidade de substituir as coisas de maneira muito rápida.

Muitas vezes isso acaba tirando o tempo dos profissionais realizarem pesquisas, estruturarem um conceito bem fundamentado (base para a diferenciação) e entregar soluções exclusivas e projetadas sob medida.

Tal comoditização criativa acaba por denegrir a percepção da área e também de seus profissionais, algo errôneo que vai de encontro à inovação e disrupção tão perseguida pelos empreendedores.

Para driblar esse cenário e, dia após dia, diferenciar a st.Paragon no mercado, os sócios buscam consolidar uma metodologia própria que atenda às suas necessidades enquanto designers e, principalmente, que ofereça agilidade e qualidade nos serviços prestados.

O interessante desse processo é que Camilla e Heitor estão se permitindo testar possibilidades e adequar o que for necessário para potencializar sua abordagem. Guiados por tentativas seguidas de erros, acertos e aprendizagem,o estúdio tem otimizado seus processos e compartilhando seus valores no mercado.

Falamos em empreendedorismo, características pessoais, primeiros passos na abertura da empresa, relacionamento e atendimento personalizado – partes que, juntas, compõe a estratégia de branding de uma empresa.

Mas como o Branding é percebido e trabalhado na marca st.Paragon?

A gestão da marca tem sido feita de forma empírica, como muitos empreendedores tendem a iniciar, seguindo o feeling dos gestores e aplicando aquilo que julgam ser a melhor estratégia para sua marca, sempre com a percepção de valor do design transmitido em cada projeto para o cliente e, assim, demonstrando profissionalismo dos sócios.

Nesse processo de branding empírico, Camilla e Heitor se permitem testar soluções e adequá-las de acordo com os feedbacks e percepções obtidos no dia a dia.

No momento em que a marca se encontra, a preocupação principal é transformar Camilla e Heitor em st.Paragon, em um processo de transição de atributos dos fundadores para o negócio.

Sendo assim, antes de um planejamento baseado em metodologias de branding, quadros, tabelas, canvas e painéis semânticos, os sócios da st.Paragon se preocupam com sua entrega para garantir que seu propósito aconteça na prática.

Isso remete ao conceito de Volante da Ruptura– apresentado por Jim Collins em seu livro Empresas Feitas para vencer – que aborda a implementação de novas diretrizes, abordagens e práticas em uma organização.

Segundo este conceito, no início, a implementação de algo novo acaba sendo mais onerosa, enfrentando algumas dificuldades e barreiras que não permitem que ela seja percebida de forma natural. Porém, como tempo, os stakeholders vão percebendo o lado positivo do novo e incorporando-o em sua rotina, algo que, com o tempo, torna tudo natural e mais leve.

Desta forma, o volante da ruptura que inicialmente era mais pesado e travado, com o tempo acaba ficando mais fácil de ser virado. Uma atividade impulsiona a outra até que o mesmo gire com facilidade, fazendo com que a nova abordagem permeie a organização e faça parte de sua cultura.

O futuro da st.Paragon

Quando questionados sobre como imaginam a st.Paragon em um futuro próximo, Camilla e Heitor de pronto responderam: “como um hub de design”, dinâmico, completo e com inúmeras possibilidades a serem exploradas.

O maior desafio é cuidar da expansão da marca, uma vez que a fonte de indicações que trouxe os principais clientes uma hora vai se esgotar e, neste momento, a capacidade de captação e prospecção fará toda a diferença.

Nessa jornada o uso da metodologia para tornar a atuação da st.Paragon escalonável é fundamental, mantendo o propósito e os valores vivos para que, mesmo com uma estrutura maior, preserve aquilo que vem possibilitando sua existência até hoje.

Para tanto é investido tempo no planejamento, aprendizado e atualizações constantes.Assim, no momento de expandir sua atuação e se tornar um hub de design, os designers terão experiências acumuladas como seus pilares de sustentação.

Ter experiência de mercado é essencial para abrir novos mercados!

Como próximos passos, os responsáveis pela st.Paragon vem investindo em sua presença digital com ênfase em serem encontrados em mecanismos de busca além de se tornarem referência no segmento de atuação.

Mensagem final dos sócios da st.Paragon

Nada acontece do dia para a noite. Tudo demanda esforço, dedicação, empatia, humildade e, embora muitos tenham jogado baldes de água fria em seus sonhos dizendo que o estúdio não iria dar certo e prosperar, Camilla e Heitor acreditaram no sonho em comum e empreenderam.

Com esforço, a iniciativa tem dado certo e o dois conseguem planejar o próximo ano de atuação.

Como já dizia Walt Disney, “se você pode sonhar, você pode fazer”, desde que você analise cada passo, aprenda com os erros e busque sempre dar o seu melhor.

As pessoas vão perceber e comprar a sua ideia!


 

Camilla Brandão e Heitor Muramatu são designers, apaixonados por tendências e desafios. Criaram juntos a st.Paragon e se dedicam a entregar as melhores soluções para seus clientes, abraçando seus pontos de vista e entrando no jogo para somar.

 

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Chega um momento em que é preciso repaginar, mudar os ares e abrir espaço para o novo.

E não estamos falando apenas de espaço físico (que tem tudo a ver com esta edição da Jornada do Branding) mas, além de oportunidades e necessidades, a busca por mudança também é um dos grandes motivadores do empreendedorismo.

Quantas pessoas você conhece que, em um dado momento de suas carreiras, muitas vezes bem sucedidas, decidiram mudar e empreender em direção a uma paixão?

No mundo das startups esses momentos nos quais se decide mudar o rumo do projeto e recomeçar segundo um novo olhar são conhecidos como “pivotar” e podem representar uma grande quebra de paradigmas e ampliação de horizontes.

A Plus Interiores nasceu assim, a partir da necessidade de mudar em busca de um propósito da sócia-diretora Elisama Lorenzo.

Acompanhe mais esta Jornada, agora, no universo do design de interiores!

Mudança de rota motivada pelo Propósito

Elisama Lorenzo iniciou a Plus Interiores junto de Mariana Borges e Fabíola Avamileno (arquiteta).

Formada em administração de empresas, Elisama construiu uma carreira de muitos anos, na área pública, distante do mundo do design. E em paralelo à sua trajetória, alimentando o sonho de trabalhar com decoração de ambientes, no momento em que a oportunidade encontrou a coragem para mudar de rota, decidiu iniciar uma nova faculdade.

Esta mudança ocorreu na fase em que sua filha ainda era pequena e ela já não estava mais trabalhando na área administrativa.

“Por sempre ter gostado e ter muita afinidade com a área de design de interiores, que é bastante dinâmica, além de ser incentivada por uma arquiteta com quem tive contato no trabalho, me motivei a fazer o curso”, conta a empresária.

A administradora entrou na faculdade de Belas Artes de São Paulo em 2012, especializando-se na área de design de interiores em 2015.

O Designer de Interiores é a parte do design responsável por projetar ambientes internos focando sempre nas necessidades do cliente e nas relações entre pessoas e espaços no contexto de seu estilo de vida.

Quarto repaginado para uma menina, com estilo, cores aconchegantes e formas geométricas que conferem modernidade para um ambiente que, antes da mudança, era repleto de objetos e mistura de elementos.

Forma, função e estilo aplicados no dia a dia, impactando diretamente no bem estar, conforto, produtividade, praticidade e otimização de recursos – unir todos esses elementos é a missão do designer de interiores.

E, assim como outras áreas do design, o design de interiores se relaciona com o branding pelo fato de proporcionar experiências que impactam profundamente as nossas percepções.

Ao falar em ambientes projetados para uso doméstico/privado, essas percepções se relacionam com nossas preferências e com a imagem que queremos construir para nós mesmos, um reflexo dos grupos que buscamos pertencer e aos estilos que assumimos em nossas vidas.

Já ao se falar de ambientes corporativos, como escritórios ou ambientes comerciais (lojas e showrooms), o impacto do design de interiores se relaciona ao potencial de otimizar a produtividade, atrair e reter atenção e, principalmente, proporcionar conforto e envolver as pessoas em conceitos de marca sem que elas percebam, com impacto direto no consumo.

A neurociência, por exemplo, apresenta pesquisas que comprovam o impacto do ambiente no comportamento. Por que as cores do Mc Donald’s são tão fortes e os assentos poucos confortáveis? Porque o foco é o fluxo e a rápida rotação de clientes naquele espaço. Já o Starbucks proporciona ambientes de meia luz, com muito conforto e de forma a lembrar uma sala de estar, pois o foco é a experiência.

Em ambos os casos, o projeto de design de interiores é extremamente importante para a estratégia da marca e para o seu posicionamento.

Uma nova graduação. E agora?

Durante a entrevista com a equipe do InfoBranding, Elisama contou que não se sentiu um “peixe fora d’água” no novo curso que escolhera. Segundo ela, na Belas Artes teve professores ótimos, que incentivavam os alunos a descobrirem que não estavam no curso por acaso.

Quando professores, e também profissionais de mercado (que muitas vezes são a mesma pessoa) inspiram alunos a seguir a profissão com paixão, dando o seu melhor e buscando entregar um serviço ou produto de qualidade e valor para o cliente, o mercado ganha profissionais diferenciados, que elevam o reconhecimento da área de atuação como um todo.

E foi com seu propósito em mente que ela concluiu os 4 anos de graduação e, junto com sua colega de curso, Mariana Borges, passaram a operar transformações começando por suas próprias carreiras: recém-formadas, decidiram trabalhar juntas no estilo home office e começar a história da Plus Interiores:

“Na faculdade os trabalhos em grupo trouxeram empatia com algumas pessoas. Tivemos um projeto grande a ser desenvolvido, executando-o por completo, do início ao fim. Logo de cara foi um grande teste de fogo.”, contam.

E foi a partir deste projeto, aprendendo com erros, acertos e encarando a realidade do dia a dia nas obras, que as duas designers resolveram empreender juntas, e somar o design à experiência de Elisama na área administrativa: “Foi preciso ter humildade e buscar a ajuda dos professores; aprender a trabalhar com terceiros e começar a criar uma rede de networking com parceiros de negócios que levamos até hoje.”

Muitas empresas nascem a partir da universidade, um grande laboratório; seja de um projeto, seja da empatia entre amigos que começam a exercer a rotina de uma marca na prática.

Em que aspecto a universidade colaborou com a estruturação da Plus?

De acordo com as parceiras, o compartilhamento de toda a bagagem dos professores, tanto teórica quanto vivências pessoais, foram essenciais, pois suas experiências eram discutidas nas aulas e ajudavam a formatar a visão profissional:

“Vemos a diferença na hora em que começamos a trabalhar e nos deparamos com um grande problema. Parece fácil, mas obra é complexa e coloca as relações à prova. A vivência na faculdade ajudou os alunos a se prepararem para essa realidade”.

A jornada no Design de Interiores

Inicialmente os projetos do escritório eram focados no residencial, mas hoje são trabalhadas também propostas para o ambiente corporativo – projeto, acompanhamento de obras e também consultoria técnica.

À esquerda um projeto residencial e, à direita, um projeto corporativo.

Ao começar os projetos na Plus Interiores, as parceiras se depararam com um desafio: a captação de clientes.

Como divulgar? Com quem falar? Qual nicho de mercado seguir?

Com estas questões em mente, colocaram os “pés no chão”compreendendo que não poderiam abraçar tudo.

Definiram, então, que iriam trabalhar com projetos residenciais para atender uma demanda inicial. Passaram a se apresentar em novos condomínios, falar com trabalhadores, até fazer divulgação em jornais de bairro.

No início, confessaram que acertar a abordagem para alinhar o posicionamento da marca foi algo estruturado mais na prática do que no planejamento. Uma realidade de muitos empreendedores que, para dar vida ao seu propósito, precisam simplesmente agir e colocar a “mão na massa”.

Após alguns trabalhos realizados, as parceiras da Plus conquistaram a confiança necessária para organizar e apresentar um case real. Segundo elas: “Os trabalhos autorais transmitem confiança.”

Estar atento às mudanças traz oportunidades

Segundo as empreendedoras, o segmento do design de interiores vem mudando consideravelmente.

O crescimento populacional, o alto custo do espaço em grandes centros urbanos, mudanças no estilo de vida das novas gerações e a crise que vem reduzindo o tamanho físico das organizações, trouxeram para o designer de interiores a oportunidade de criar espaços mais funcionais. A Plus vem acompanhando essas mudanças diversificando seu portfólio e conquistando novos clientes.

Tais mudanças acontecem em todos os segmentos e, assim como a Plus, os empreendedores e suas marcas precisam estar atentos a elas uma vez que, caso não estejam, no momento em que se derem conta, pode ser tarde demais para a marca se tornar relevante.

Michael Porter é autor de um conceito conhecido como as 5 Forças de Porter, que visa identificar e relacionar as forças exercidas entre os players em um determinado setor do mercado.

Para além da competição por serem reconhecidas como marcas melhores e dignas da preferência do consumidor, o modelo das 5 Forças de Porter traz a ideia de que os players concorrem pela lucratividade, algo mais abrangente que mostra que os empreendedores precisam estar atentos às dinâmicas no micro ambiente e, também, no macro ambiente. (Magretta, 2012).

Sendo assim:

  • Rivalidade entre os competidores existentes: esta força é antiga conhecida dos empreendedores. No caso da Plus, é representada pela competitividade com outros escritórios e profissionais especializados em design de interiores. Quanto mais intensa for essa competição, menor a lucratividade dos players, que passa a ser diluída pela dificuldade em se estabelecer preços mais altos, maiores custos com comunicação entre outros.
  • Ameaça de novos entrantes: esta força diz respeito à dificuldade que o setor apresenta para que novos players passem a atuar nele. Ou seja, diz respeito às barreiras que novas empresas e profissionais precisam transpor para atuar no segmento. Dependendo de sua intensidade, pode diminuir a lucratividade ao aumentar os custos para a entrada, tornando a atratividade menor para os interessados a ingressar no setor e, ao mesmo tempo, aumentando o custo para os players já inseridos se manterem relevantes e encantarem seus clientes.
  • Ameaça de produtos e serviços substitutos: a força que ilude muitos empreendedores, inclusive os mais experientes. Ela diz respeito àqueles produtos e serviços que podem vir a substituir os oferecidos pela empresa, não apenas por representarem uma inovação tecnologia ou apresentarem atributos melhores, mas também por serem algo que desvia a preferência do consumidor, mesmo que não sejam concorrentes diretos. Por exemplo, no caso de uma empresa de design de interiores, produtos substitutos pode ser um parente “faz tudo” ou uma solução de prateleira de uma grande rede de lojas de departamentos. Para lidar com essa força, um bom posicionamento e trabalho de branding são essenciais.
  • Poder negociação dos fornecedores: Toda empresa precisa de uma rede de parceiros para as ajudar a entregar o seu produto ou serviço. Esses parceiros são seus fornecedores, com os quais a marca estabelece uma relação de profunda confiança. Dependendo da especificidade, complexidade, processos e tecnologias envolvidos e na disponibilidade de prestadores similares no mercado, o poder de barganha dos fornecedores pode ser maior ou menos na hora de negociar com a empresa e isso afeta diretamente a lucratividade da mesma. Imagine só se apenas um ou dois profissionais são capazes de criar adornos de metal personalizados para uma escadaria; sua mão de obra acaba por ser mais cara, uma vez que não existem tantos profissionais capazes de entregar a mesma qualidade necessária para o sucesso do projeto.
  • Poder de negociação dos compradores: essa força diz respeito ao poder que o comprador exerce na relação. Quanto mais poder o comprador tiver ou quanto mais empresa depender dele para sua sobrevivência, mais valor ele pode exigir que seja agregado ao produto ou serviço oferecido e com um custo menor e isso, sem dúvida, reduz a lucratividade do negócio. Uma marca bem trabalhada e capaz de comunicar seu valor representa um ativo fundamental para que as empresas garantam uma boa negociação com seus compradores. Pense em um instante na marca ZahaHadid (1950-2016), importante arquiteta iraquiana-britânica que se consolidou no mundo da arquitetura com seus projetos conceituais. Por mais poder que seus clientes pudessem ter, a força de sua marca garantia que sua lucratividade não fosse diminuída, pelo contrário, o escritório que leva seu nome continua próspero até hoje.

Tais forças, embora aconteçam em um determinado setor da economia, como o do design de interiores no caso da Plus, coexistem dentro de um contexto maior, influenciado por evoluções tecnológicas, comportamentais e tendências no micro e macro ambiente. Estar atento à essa dinâmica é fundamental para os empreendedores e pode representar a diferença entre o sucesso de longo prazo e o fracasso da marca.

Quais atributos essenciais para a Plus?

  • Viabilidade: é extremamente importante mostrar para o cliente o que pode ser executado – nunca propor algo que não pode ser feito;
  • Transparência: ser transparente e saber até onde vai sua expertise;
  • Confiança: é essencial construir uma relação de confiança com o cliente, que muitas vezes não quer se desfazer de tudo que estava no projeto antigo;
  • Bem-estar: o mais importante é o cliente se sentir bem com o projeto e não apenas receber a assinatura do escritório na obra.

“Design e decoração dão ao mundo algo que ele não sabia que sentia falta.” (Paola Antonelli)

Marca focada no conforto do cliente

Hoje a Plus pensa, se preocupa e acompanha o cliente.

Apesar da tímida divulgação nas redes sociais, que acaba ficando em segundo plano, as parceiras direcionam maiores esforços na apresentação do portfólio diretamente aos clientes: “grande parte dos projetos vem por indicações. Hoje a marca acaba sendo refletida pelo atendimento mais pessoal”, diz Elisama.

Certo ou errado?

A abordagem de não impor o escritório, priorizando a necessidade do cliente, é um diferencial para a Plus. E este diferencial acaba sendo transmitido de forma mais clara e pessoal.

“Fazer a pessoa se sentir em casa; fazer parte do uso; fazer a obra para as necessidades do cliente, não para uma vitrine”, afirmam as sócias.

O dilema sobre digitalizar a marca em detrimento de um relacionamento mais pessoal faz parte da realidade de muitos empreendedores.

É importante lembrar que não existe uma regra para o sucesso, mas a atual realidade da transformação digital, que impacta diretamente a forma de consumo das pessoas, permite novas formas de se aproximar do cliente, potencializar seu atendimento e fazer divulgação sem perder a identidade da marca.

A presença digital precisa refletir o posicionamento e propósito da empresa.

“O bom design reside de alguma maneira na capacidade de instigar um sentido de familiaridade instantânea. Eu já vi isso antes.” John Maeda

Comodidade e conforto é o posicionamento da marca Plus Interiores, que pensa no conjunto de detalhes para fazer as pessoas se sentirem bem, inclusive no ambiente de trabalho.

As parceiras recomendam que as marcas do segmento utilizem o Pinterest para mostrar seu trabalho e também compartilhar imagens relacionadas ao universo da marca. A Plus, por exemplo, compartilha quadros de inspiração como jardins, divisórias, revestimentos, fachadas, janelas, entre outros. E também o Instagram para mostrar o dia a dia da marca, o resultado das obras, visitas e até eventos.

A marca Plus hoje

De nome fácil, que simboliza crescimento e não redução, segundo as próprias fundadoras, a Plus Interiores reflete seu momento de crescimento e traz consigo uma rede de parceiros de confiança – fornecedores, freelancers, entre outros.

Principalmente na gestão de uma marca PME, criar uma rede de networking e estabelecer relacionamento é essencial para o seu desenvolvimento.

Como essa rede é construída na Plus?

Segundo Elisama Lorenzo, os parceiros precisam estar alinhados ao direcionamento da Plus.

“A pessoa precisa ter compromisso, passar confiança; a Giovana (projetos de luminotécnica) e a Fernanda (personal organizer) são parceiras com quem podemos contar desde a concepção dos projetos e muitas vezes até a execução, dando assessoria sempre que necessário. Essa postura deveria ser comum no mercado, mas não é 100% assim. Parcerias pouco ordenadas podem causar impactos diretamente na relação com os clientes”.

As parceiras sinalizam que muitos profissionais na área ainda enxergam essa troca como concorrência, e é algo que não soma aos projetos, em vez de construírem uma rede de relacionamento.

Para o branding, compreender a visão de marca que os stakeholders possuem e como sua relação reflete na cadeia de valor é essencial para criar experiências de marca e viabilizar a entrega de tudo aquilo que promete.

Gerenciar esta Cadeia de Valor (Michael Porter), que auxilia a estruturação das atividades da empresa com o objetivo de criar valor ao cliente, é uma forma de suportar a longo prazo o propósito da marca de maneira tangível, constante e de forma percebida pelo cliente.

Mensagem final

A equipe da Plus Interiores mostra a importância da palavra cuidado em cada detalhe de seus projetos e o foco que sempre mantiveram no propósito.

“Não apenas para o cliente viver bem e se sentir confortável, mas também pela responsabilidade de indicar e recomendar materiais e acabamentos, por exemplo, pensando em crianças e idosos. Ter consistência e estar em concordância com o que será entregue é essencial.” Elisama Lorenzo

E com o aprendizado desta jornada, Lorenzo deixa um recado: “acredite, mas faça sempre uma boa pesquisa, para qualquer área”. É importante planejar sem a euforia para abrir um negócio e ter boas parcerias.


Elisama Lorenzo, focada no tradicional e que adora projetar, com Mariana Borges e Fabíola Avamileno, que trazem as tecnologias e dinamismo para o detalhamento dos projetos, formam o equilíbrio da marca Plus Interiores.

Referências:

MAGRETTA, Joan. Entendendo Michael Porter: o guia essencial da competição e da estratégia. São Paulo: HSM Editora, 2012.

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Design é forma, função, estética, estratégia, metodologia, processo, gestão; é experiência, carrega significado e provoca sensações. É um conjunto de fatores fundamental no cotidiano de pessoas e organizações.

E no dia 5 de novembro comemora-se o Dia Nacional do Design, assinado em 1998 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em homenagem à Aloísio Magalhães, importante designer brasileiro nascido na mesma data, no ano de 1927.

Mesmo sem que se perceba, as vertentes do design estão presentes em nosso dia a dia, da embalagem do seu shampoo, passando pela sinalização em cada canto até o mobiliário da sua sala de estar.

Dentre suas principais vertentes destacam-se o design gráfico, design de produtos, design de moda, design de interiores, design de games, design digital e, mais recentemente, ganhando destaque no mundo dos negócios, design thinking e processos de gestão baseados em sua abordagem.

Design demanda estudo, preparo técnico, cultura, abordagem multidisciplinar e, é claro, muita criatividade para desenvolver soluções para problemas e demandas de projeto.

“Design é uma atividade criativa cujo objetivo é estabelecer as qualidades multifacetadas de objetos, processos, serviços e seus sistemas em ciclos de vida completos. Portanto, design é o fator central da humanização inovadora de tecnologias e o fator crucial do intercâmbio cultural e econômico.” International Council of Societies of Industrial Design (ICSID)

Junto ao Branding, em especial, o Design é uma poderosa ferramenta para diferenciação e posicionamento de marcas. Utilizando-se de suas diversas vertentes como parte de um sistema, cria associações diretas com o público conquistando mais do que a sua atenção, fidelizando e criando preferência pela estética, usabilidade e facilidades que entrega.

“Design é um elo na cadeia de uma marca ou um meio de expressar valores da marca e seus diferentes públicos. Design é uma ferramenta para tornar visível uma estratégia.” Brigitte Borja de Mozota

Subestimar o Design na estratégia de uma marca e/ou negócio é negligenciar as oportunidades de otimizar recursos e estreitar relacionamento com as pessoas que, do início ao fim, são a finalidade e o meio para que relações de toda natureza aconteçam.

Parabéns a todos os designers pelo empenho e dedicação em trazer novas formas de viver o cotidiano!

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O meu objetivo aqui é te levar à reflexão e te tornar uma pessoa melhor do que você era antes de ler este artigo, ou seja, agregar valor.

O design em sua essência

Sempre, ou pelo menos quase sempre, quando o assunto é causar um impacto na sociedade, todos ou pelo menos quase todos falam sobre líderes, marcas, etc., e quando se trata de influenciar pessoas ou massas, pode-se falar sobre filmes, livros, novelas, etc. Mas é raro vermos a discussão sobre o papel de um designer.

O Designer desempenha um papel importante não só formação da infraestrutura, mas também dos aspectos do estilo de vida e mentalidade de uma sociedade. Por quê?

“O Design fornece sensações que estabelecem a percepção criando a nossa reação diante de tal.”

Como o design muda a forma como programamos o nosso estilo de vida do dia a dia?

Para começar, lhe convido a imaginar uma cidade mal projetada, rodovias inseridas aleatoriamente, sem nenhuma sinalização, casas construídas aleatoriamente, uma verdadeira bagunça. E agora lhe convido a comparar este exemplo anterior a uma cidade bem planejada e projetada de qualquer escala que você possa imaginar. O impacto do ambiente definitivamente muda a forma como programamos nosso estilo de vida do dia a dia.

Trazendo um exemplo em uma escala menor, como os motoristas dirigirem na estrada com listras pintadas para marcar pistas, do que em comparação com a mesma rodovia sem listras.

O artigo “What Is The Importance Of Road Markings?” fala sobre a importância das listras nas rodovias e como isso ajuda no dia a dia do motorista.

Como uma pequena multidão ou um grupo de pessoas se sentaria em um lugar público se a mobília fosse bem organizada com uma cadeira ou um arranjo de mesa, ou um banco, ou um modelo de mesa projetado especificamente, do que em comparação a cadeiras coladas aleatoriamente?

Desde nossos primeiros momentos de vida, nosso cérebro forjou conexões avançadas através de um campo de processos cognitivos, mesmo sem nossa consciência deste acontecimento.

Cada som, sentimento, visão e além foi perfeitamente integrado em nossa compreensão da experiência diária, e forneceu a base para cada decisão que tomamos. Nossa sensação do mundo ao nosso redor fornece a informação para estabelecer a percepção, permitindo que cada pessoa experimente a realidade subjetiva através da qual nós navegamos nossas vidas.

“O design influencia as pessoas e qualquer coisa que possa influenciar as pessoas pode causar impacto na sociedade.”

 O que podemos fazer para utilizar o design para provocar mudanças positivas em nosso dia a dia?

É inegável que o design pode causar mudanças sociais. Mas a questão é: quais mudanças podem criar e por quê? Quais são as necessidades ou demandas?

Uma vez que você entende a “engenharia” do design você pode utilizar ao seu favor no dia a dia e, de pouco em pouco, transformar o mundo em sua volta para provocar mudanças positivas.

Por exemplo, no caso da publicidade, um bom design pode encorajar a ação correta. No caso da arte, o bom design pode estimular o pensamento e a reflexão.

O Design Emocional, conceito elaborado por Don Norman, nos ajuda a compreender como fazemos nossas decisões diante dos objetos de nosso dia a dia.

Essas decisões acontecem em três dimensões, denominadas Design Visceral, Design Comportamental e Design Reflexivo. Essas três dimensões distintas estão sempre entrelaçadas em qualquer design. Não é possível ter design sem todas as três.

Fonte da imagem: Interaction Design Foundation

O nível visceral é pré-consciente, anterior ao pensamento. É onde a aparência importa e se formam as primeiras impressões. Design visceral diz respeito ao impacto inicial de um produto, á sua aparência, toque e sensação.

O nível comportamental diz respeito ao uso, é sobre a experiência com um produto. Mas a própria experiência tem muitas facetas: função, desempenho e usabilidade. A função de um produto especifica as atividades que ele suporta, para as quais ele foi projetado; se as funções são inadequadas ou não tem nenhum interesse, o produto tem pouca valia.

É somente no nível reflexivo que a consciência e o mais altos níveis de sentimento, emoções e cognição residem. É somente nele que o pleno impacto tanto do pensamento quanto da emoção é experimentado.

Nos níveis inferiores, visceral e comportamental, existe apenas afeto. Interpretação, compreensão e raciocínio só ocorrem no nível reflexivo.

Dos três níveis, o reflexivo é o mais vulnerável à variabilidade através de cultura, experiência, grau de instrução e diferenças individuais. Esse nível também pode anular os outros.

Agora que você pode compreender o processo de percepção e reação das pessoas ao design, você talvez poderá “controlar” suas decisões e observar qual seria o melhor caminho a ser tomado.

“Você não pode controlar o que você não entende.”

Caso queira compreender mais sobre o Design Emocional você pode adquirir o livro na Amazon ou pode ter uma grande elucidação através do TedXTrês formas como o design os faz felizes” apresentado pelo Don Norman em pessoa.

Eu gostaria de finalizar com um incrível parágrafo de Don Norman em seu livro:

“Somos todos designers

Somos todos designers quando reorganizamos objetos e móveis em nossas casas, quando escolhemos o livro que queremos ler, quando nos decidimos por estes ou aquele sapato e transformamos coisas e espaços em nossas próprias coisas espaços. Somos todos designers quando “transformamos casas em lares, espaços em lugares, objetos em pertences”. Embora não tenhamos o controle sobre o design dos muitos objetos que compramos, somos livres para escolher o que usamos e como, onde, com quem e quando os usamos.

“Mesmo que isso pareça trivial e superficial, a essência do design está presente: um conjunto de escolhas, algumas melhores que outras e talvez nenhuma plenamente satisfatória.” Avaliar e escolher a melhor alternativa. Assim podemos resumir o ato de projetar. 

Todos nós somos designers – e temos de ser.

Os designers profissionais podem criar produtos que sejam um prazer de olhar e usar. Más não podem tornar alguma coisa pessoal ou com a qual se criem vínculos. Ninguém pode fazer isso por nós: temos de fazê-lo nós mesmos.”

Kevin Alves é um empreendedor polimático com ênfase em estratégia de marca. Fundou a agência de design Pencimagico, que atua ajudando empresas a criarem uma conexão emocional mais efetiva com seus clientes utilizando práticas no estado da arte do design. Além disso, escreve artigos sobre o tema do design, disseminando uma visão de mundo no qual o design faz parte do epicentro do negócio.

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O design é uma disciplina abrangente que se caracteriza por meio de projetos que solucionam problemas, atendem necessidades e despertam desejos, sempre com foco no usuário ou, como é mais comum se dizer, no público-alvo.

Como diria Brigite Borja de Mozota, o Design mescla aspectos científicos e artísticos em seu processo, que atendem tanto funções práticas quanto aspirações psicológicas e sociais:

 

“As técnicas do design combinam o caráter lógico da abordagem científica e as dimensões intuitivas e artísticas do trabalho criativo.”

MOZOTA, Brigitte (2011, p.17)

 

Assim como o Design o Branding também é uma disciplina abrangente que, por meio da análise do ambiente e do público, entrega valor que diferencia a marca trabalhada das demais ofertas semelhantes no mercado.

Uma das maneiras pela qual essa diferenciação acontece é justamente pelo Design, seja ele aplicado no próprio produto ou serviço trabalhado ou, seja ele aplicado na comunicação da marca para o mercado e na consolidação de sua identidade.

De uma maneira ou de outra, Branding e Design andam juntos e, por conta disso, muitos designers acabam ingressando no universo do branding. Mas como isso acontece? Bom, é isso que este artigo busca explorar.

O elo mais marcante entre as duas disciplinas é o fato do design, quando aplicado ao mercado, atender a demandas de marcas, que o incluem como parte fundamental de suas estratégias, participando os designers no processo de elaboração e demandando desses profissionais o entendimento do todo vs. o pontual.

Em outras palavras, desde que inicia sua atuação no mercado o designer sente na pele a necessidade de entender a diferença entre Estratégia e Tática, o que possibilita que ele tire o melhor proveito de seus conhecimentos, desfrutando ao máximo do papel transformador do design para os negócios e sociedade.

Ao desdobrar o planejamento estratégico de uma marca nos deparamos com diversas questões que se relacionam com as áreas do design:

Design Gráfico: presente na criação e gestão do logotipo e identidade visual de uma marca, garantindo que ela se apresente de forma marcante e coordenada, contribuindo para a identificação e diferenciação (dois dos pilares mais importantes da gestão de marcas) e facilitando que o consumidor reconheça aquela marca da forma mais rápida e direta possível.

Design de Embalagens: além de possibilitar o transporte, contribuir para a utilização e conservação do produto, otimizar sua logística, as embalagens também contribuem de forma significativa para a diferenciação e construção de marca pois, no ponto de vendas, a embalagem é o primeiro contato visual do público com a marca e influencia em questões de posicionamento, precificação e percepção de qualidade.

Design de Produtos: um dos Ps do famoso Mix de Marketing o P de Produto é fortemente influenciado pelo design, capaz de reforçar suas características tecnológicas e funcionais, facilitando seu uso, diferenciando pela beleza e sofisticação, agregando valor e despertando desejos.

Design Digital: em uma era marcada pela digitalização das relações e crescente utilização de tecnologia mobile, se apresentar de forma distinta na internet é parte determinante da estratégia das marcas. Seus sites são seu ponto de contato digital para o qual as interações convergem e, muitas vezes, é o primeiro contato do público com a marca.

Design de Serviços e Experiências: áreas discutidas mais recentemente, o design de serviços e experiências tem o usuário como foco e são responsáveis pelo desenvolvimento de processos que facilitem a interação das pessoas com as marcas em seus mais diversos momentos, da pesquisa para conhecer mais sobre a proposta, passando pelo uso do produto e serviço até chegar ao atendimento pós venda e momento de recompra, onde o ciclo recomeça.

Design de Interiores: responsável por tangibilizar o propósito e os conceitos da marca em seus pontos de contato físico, de forma a receber e acolher o consumidor em um universo pensado especificamente para transmitir uma mensagem e entregar o valor proposto de forma direta.

Do processo ao ponto de contato o Design está intimamente ligado ao Branding e contribui para a construção e consolidação de marcas fortes, capazes de impactar o mercado e a sociedade de maneira tão determinante que conquistam nada menos que o reconhecimento e a aspiração do público.

Nessa dinâmica destaca-se o foco nas pessoas e o impacto que o projeto lhes traz, demandando dos profissionais envolvidos reflexões e atualizações constantes que os capacitam para atuar em um cenário no qual tudo se relaciona e se transforma em uma velocidade vertiginosa.

Para as marcas, vale destacar que, muito mais do que um recurso estilístico, o Design é uma disciplina de cunho estritamente estratégico, capaz de desenvolver soluções criativas, inovadoras, que otimizam recursos e impulsionam resultado pelo fato de tangibilizar aspirações em soluções práticas.

Portanto, pense Design e construa Marcas que de fato impactam o público por serem legítimas e inconfundíveis.

 

Referências:

MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação coorporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

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No último dia 7 de outubro o InfoBranding realizou a primeira edição do Brand & Design Management, que aconteceu no auditório do Centro Universitário Belas Artes em São Paulo.

O Brand & Design Management teve curadoria de Marcia Auriani, executiva de branding e gestora executiva do InfoBranding e de Gabriel Meneses, gestor executivo de branding e design do InfoBranding, que organizaram a programação de forma a apresentar os temas, branding e design, e construir uma linha de raciocínio que transmitisse sua aplicação prática no contexto do mercado atual.

Para tanto foi reunido um verdadeiro time de especialistas, com expressiva participação no mercado nacional e internacional.

Logo na abertura Gabriel Meneses apresentou o propósito do IndoBranding e contextualizou a importância da abordagem da gestão do design para a construção de marcas, destacando o branding e o design como disciplinas que se somam para conceber e transmitir ideias que tenha impacto real no atendimento de demandas e desejos das pessoas, bem como nas relações que estabelecem entre elas e também com as empresas que fazem parte de seu dia a dia.

Gabriel Meneses

Em seguida Marcia Auriani introduziu os conceitos de branding e design, dando destaque as experiências que o design ajuda a entregar e que consolidam as propostas de valor das marcas, revelando a importância em se estabelecer relações entre elas e seu público. Marcia ressaltou ainda que o design desempenha um papel determinante na diferenciação, reconstrução e posicionamento de marca, uma vez que conduz a expressão de sua identidade.

Marcia Auriani

Como o design faz parte do segmento de mercado conhecido como “Economia Criativa”, aquele que tem a criatividade e o capital intelectual como matéria-prima para criação, produção e distribuição de bens e serviços,  Carol Rangel e Tarsila Guerreiro, foram as responsáveis por apresentar dados que traduzem como a posição do Brasil no ranking global da Economia Criativa e destacar os potenciais das áreas do design (moda, interiores, gráfico, embalagem e digital) dentro desta perspectiva.

Carol Rangel (esquerda) e Tarsila Guerreiro (direita)

Frank Michael, infobrander que veio diretamente de Goiânia para o BDM, conduziu os presentes por uma verdadeira viagem ao centro da marca, revelando a importância do propósito e de como construir significado a partir dele, destacando que “os limites da nossa linguagem são os limites de nosso mundo”.

Frank Michael

Na sequência, Tatiana Lucia Souza, da Ouie Ideias &Design, falou sobre as tendências do design. Para ela “o design é espelho do tempo” e sofre influências da mídia, da tecnologia, da indústria e, ultimamente, da usabilidade. E, carregando esta referência, a leveza e a liquidez ganharam destaque, o uso tem se sobressaído a posse e a preocupação com processos e impactos da produção devem ser levados em conta em nome do mundo em que queremos viver.

Tatiana Lucia Souza

A primeira participação internacional no BDM ficou por conta de Marília Biill, gerente de Color e Trim da Porsche da Alemanha, que abordou a questão da gestão de times globais. Marília impactou a todos ao destacar a necessidade que o profissional de design, e de qualquer outra área, tem de se manter atualizado e aberto a trocar experiências em equipes multidisciplinares e com integrantes que podem vir de diferentes culturas. Extrapolando as fronteiras do branding e design em si, ela utilizou-se de sua experiência para mostrar que resiliência, adaptabilidade e capacidade de se atualizar constantemente se destacam como fatores decisivos para o sucesso profissional.

Marília Biill

Renan Benvenuti, gerente de criação da Tatil Design de Ideias, trouxe para o evento os princípios para um bom projeto de design, exemplificando cada um deles com projetos icônicos desenvolvidos pela renomada consultoria. Em sua fala, Renan expressou, mais uma vez, a importância da colaboração e da multidisciplinariedade para o enriquecimento do processo criativo e obtenção de resultados positivos, que despertem a emoção das pessoas.

Renan Benvenuti

Na sequência Sidney Rufka abordou o tema “projeto e design estratégico” abordando questões como planejamento e analise das interações humanas como fios condutores para a criatividade, de forma que o resultado do projeto seja algo que traga impacto positivo na experiência do usuário.

Sidney Rufka

Amanda Higa iniciou o primeiro painel, Design e Estratégia – Transformação por meio do Design, abordando a importância da educação/formação como responsabilidade de todos que fazem parte da construção das marcas, lembrando que estas são feitas de pessoas para pessoas e que o caráter social é um dos tripés da sustentabilidade. Junto com Tatiana Lucia, Sidney Rufca, Renan Benvenuti foram discutidos a importância das equipes multidisciplinares, das empresas se envolverem mais no processo de formação dos profissionais; como se dá a relação do branding, design e a necessidade das empresas em medir resultados.

Painel com Amanda Higa, Tatiana Lucia Souza, Sidney Rufka e Renan Benvenuti

A segunda participação internacional ficou por conta de Daniel Portuga, Associate Creative Director na SapientRazorfish NYC, que discutiu um pouco sobre o conceito de uma “boa ideia”, destacando que, para ele, uma boa ideia é aquela que impacta as pessoas e que não precisa de tradução para ser entendida.

Daniel Portuga

Paola Campanari, profissional de branding focada na solução de problemas que se baseiem em  conexões e colaborações, que acompanha o InfoBranding desde seu nascimento, apresentou seus insights para o desenho de experiências de marca através da “não palestra”, isto é, um bate papo com seu convidado Rodrigo Villela, diretor criativo, para elencar questões como o alinhamento de propósitos entre a marca e as pessoas e a necessidade de se valorizar a comunicação entre pessoas.

Paola compartilhou com o InfoBranding uma referência muito interessante da cofundadora da Singularity University Laila Pawlak: http://dare2.dk/

Paola Campanar e Rodrigo Villela

Vanessa Queiroz, designer e sócia fundadora do Estúdio Colletivo, falou sobre como trabalhar o branding em um escritório de design. Através de sua irreverência, abordou questões fundamentais para empreender com o design e desenvolver projetos que inspirem pessoas e empresas.

Vanessa Queiroz

A última participação internacional foi de Pedro Andrade, Principal Interaction Designer na IDEO, que nos mostrou como funciona o processo criativo na IDEO, destacando o papel determinante da diversidade das pessoas envolvidas.

Pedro Andrade

Para fechar o ciclo de palestras Alexander Guazzelli, superintendente de design do Itaú Unibanco, mostrou como funciona a gestão do design em uma grande empresa, elencando como desafio constante a capacidade de olhar para o propósito, se manter em contato próximo das pessoas que fazem parte do processo, ser resiliente e trabalhar duro para focar nas ideias que transmitem a essência do negócio.

Alexander Guazzelli

O último painel do dia teve a moderação de Luciano André Ribeiro, superintendente do Itaú Unibanco, que conduziu uma conversa inspiradora com Paola Campanari, Vanessa Queiroz e Alexander Guazzeli, de forma a consolidar os principais conceitos abordados no período da tarde: alinhamento de propósitos, importância da equipe multidisciplinar e foco nas pessoas.

Painel com Luciano Andre Ribeiro, Paola Campanari, Vanessa Queiroz e Alexander Guazzelli

O Brand & Design Management mostrou que sua abordagem é relevante ao mercado de design e  branding brasileiro, uma vez que a habilidade de gerenciar os processos de forma estratégica é uma demanda latente aos profissionais que desejam ingressas nesta área. A prática da criatividade para a construção de experiências e valor de marca só acontece quando as ideias podem ser aplicadas dentro da realidade do negócio e em direção as necessidades e desejos das pessoas a que atendem. É desta forma que uma marca se diferencia e obtém vantagem competitiva em relação a suas concorrentes. É desta forma que o propósito é colocado e prática. É desta forma que branding e design se unem para fazer a diferença na competitividade do mercado.

Equipe InfoBranding

 

Confira o nosso After Movie!

 

 

Fotos: Irene Ruiz (www.ireneruiz.com.br)

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Falar sobre marca é como falar sobre a nossa identidade pessoal. Todos nós temos um registro único e exclusivo desde o nosso nascimento. Temos uma digital que nin­guém mais tem igual, possuímos um RG com numeração também única. Cada indivíduo nasce com sua personalidade e sua maneira de pensar e, por mais que existam pessoas muito semelhantes, jamais serão idênticas. Assim também são as marcas, cada uma tem sua personalidade, seu DNA e seu propósito a ser cumprido, e por mais que existam marcas muito semelhantes, uma marca jamais será idêntica a outra.

Percebe-se que as marcas falam muito mais do que os próprios produtos ou serviços que as empresas oferecem, uma marca bem gerida agrega valor ao seu produto ou serviço. Pessoas estão o tempo todo escolhendo marcas, mesmo que inconscientemente. Vejamos um exemplo que ilustra bem isso:

Você já pensou nas prateleiras nos corredores do supermercado com três tipos de água sendo uma delas a Bonafonte, outra a “Água Branca” e terceira a “Água do Sítio do tio Zé”. Todas estão custando o mesmo valor e contém a mesma quantidade em litros. Qual dessas águas você compraria? Certamente você escolheria a Bonafonte, não é mesmo? Mas porque a Bonafonte sendo que água é água? O que te faz escolher a Bonafonte? Será que é pelo gosto da água? Ou algo que, em seu subconsciente, te diz que a Bonafonte é a melhor? Se a sua resposta foi essa, está explicado que você realmente não optou pelo melhor produto, mas sim pela melhor marca.

Pode parecer um exemplo grosseiro, mas fato é que se formos analisar a maioria das nossas decisões de compras, percebemos que essas escolhas são exatamente as que estamos fazendo ao adquirirmos produtos ou serviços.

Mas como essa mágica acontece?

Não é da noite para o dia que uma marca ganha esse poder de confiança das pessoas e se tornam atraentes a este ponto. Existem inúmeras questões que devem ser compreendidas antes a respeito da própria marca (empresa) as quais definem, depois, o posicionamento estratégico adequado de mercado que gera toda a conceituação para essa marca.

A Designer Alina Wheeler, em seu livro Design de identidade da marca, afirma que “À medida que a concorrência cria uma infinidade de op­ções, as empresas passam a buscar formas de estabelecer uma ligação emocional com os clientes, para tornarem-se insubstituíveis e desenvolver relações duradouras. Uma marca forte se destaca em um mercado saturado. As pesso­as se apaixonam pelas marcas, confiam nelas e acreditam em sua superioridade. O modo como a marca é percebi­da afeta seu sucesso, não importando se você é uma star­tup, uma organização sem fins lucrativos ou um produto”.

E então partindo desse conceito de Wheeler, nota-se que uma marca deve significar, não somente apontar. Uma marca não se resume a um logotipo. Antes de se chegar ao “logotipo” que representará graficamente esta marca é necessário analisar, estudar e compreender o que é a raiz dessa marca, qual o seu DNA, o que ela tem como maior propósito, qual sua maior missão, o que ela promete entregar ao seu consumidor e como ela irá se diferenciar das demais marcas já existentes? Ao obter respostas para essas questões, certamente se terá uma conceituação estratégica, que será o auxilio fundamental na definição de uma plataforma de marca e, com isso, virá o desenvolvimento da identidade visual que representará essa marca.

Por outro lado, de nada adianta ter uma “marca” tão bem estruturada se o produto ou serviço não entregar realmente aquilo que está prometendo. Isso fará com que a “excelente marca” seja percebida pelo público de modo negativo e então as pessoas não confiarão nem desejarão tal marca.

Hoje em dia há muitos escritórios e consultorias na área de branding. Nota-se que é uma área que está ganhando muito mais visibilidade e percepção de pessoas e empresas que desejam entrar ou se reposicionar num mercado cada vez mais competitivo e agregar valor a sua marca.

Observa-se que a maioria das empresas focadas em branding possui um time de especialistas com muitos anos de experiência na área. Muitas vezes profissionais que atuavam na área de Marketing estão migrando para o Branding. São pessoas maduras e muito conscientes do que é necessário ser feito para que a marca A ou B alcance o objetivo que ela tanta almeja e desperte o desejo nas pessoas.

Portanto, se você deseja ingressar nessa profissão, certamente terá de estudar muito, ampliar seu network, manter contato com pessoas que considere referência no assunto, explorar as mídias sociais, como, por exemplo, Linkedin, uma excelente ferramenta para isto. Participe de eventos, palestras, workshops, mantenha-se informado, observe detalhes, seja persistente e não pare de aprender.

Se você é estudante e identifica-se com a profissão, realize projetos acadêmicos referentes ao assunto, dê seu máximo, tente compreender como funciona esse meio, pois hoje em dia a internet possibilita uma infinidade informações. Deixe seu portfólio cada vez mais atraente, mostre que você compreende os métodos para o desenvolvimento de bons projetos e arrisque bastante, essa é a hora de você aprender com possíveis falhas e/ou erros. Aprenda a ouvir e absorver criticas construtivas em projetos que talvez você possa ter participado. Pergunte, pergunte muito, não fique com dúvidas, é melhor questionar milhões de vezes do que fazer algo com insegurança e entregar um projeto ruim.

Siga o que aconselha Marty Neuemier: “Quando todos fazem ZIG, faça Zag”. Compreenda que branding não é um padrão único para todos, muito pelo contrário, cada marca é uma marca, não tente copiar, crie a sua estratégia, procure o seu GAP de oportunidades e mantenha-se na contra mão deste universo.

 

Sobre o autor:

Denis Leite

Bacharel em Design pela Universidade Presibiteriana Mackenzie Experiência em Design Gráfico há pouco mais de 5 anos. Possuí
experiencia na criação de marca e identidade visual para uma pequena empresa. Entusiasta na área de Branding com foco na construção de marcas, identidades visuais, gestão e ativação de grandes marcas. Hoje buscando recolocação no mercado.
E-mail: dnskt.je@gmail.com
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/denis-leite-826aa2119/

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Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a segunda parte. Boa leitura!

Se perdeu a primeira parte clique aqui!

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

6) A metodologia do design passa por basicamente seis etapas que, mesmo variando em termos de nomenclatura, podem ser identificadas como: investigação do problema, pesquisa (referências), exploração (esboços), desenvolvimento, realização e avaliação. Você acredita que o excesso de urgência e falta de planejamento tanto do cliente quanto do designer, atrapalham o processo do design? Em caso positivo, como a situação pode ser revertida?

Eu acho que tudo é uma questão de se alinhar no início, tudo que é combinado não sai caro. Quando a gente consegue um relacionamento estreito com o cliente a gente consegue alinhar isso desde o início.

Claro que há exceções, vai haver situações em que você precisa ser parceira do cara e resolver o problema dele no menor tempo possível, mas você não pode permitir que isso se torne uma regra, isso deve ser a exceção. A regra é cumprir a etapa. Até porque com o tempo o cliente começa a perceber que o trabalho volta. Quer ver um exemplo muito ilustrativo disto: já tive caso de cliente que não “brifava” a gente direito, passava o trabalho de qualquer jeito, na correria. Aí o trabalho voltava para cá, eu sentava com a criação para olhar, e falava: aqui está furado, está faltando informação, mas, ao invés de recomeçar o trabalho, voltava para o cliente e falava: “Fulano” queria rever esse briefing com você porque tem algumas informações que estão faltando”.

Afinal, um bom projeto começa com um bom briefing, uma boa solução também. Se o briefing estiver errado, a chance desta solução ter furo é grande. E às vezes o briefing é: “Eu não tenho briefing”! Pode ser, é possível, mas esse é um bom briefing! Porque temos a chance de construir um briefing junto com o cliente, aplicando o Design Thinking, de forma a identificar o problema e direcionar a solução.

Mas o cliente tem que ter essa clareza: que ele sabe o que quer ou que ele não sabe o que quer. Tem que estar aberto. Você precisa falar para ele: “me dá alguns minutos e vamos tentar discutir um briefing correto, pois o que você me passou é insuficiente”.

O trabalho sempre volta quando recebemos um briefing incompleto e começamos a trabalhar sem questionar ou se aprofundar no problema.

Há outros casos de briefing em que o cliente chega com a “solucionática” e não com a problemática. Por exemplo, o cliente chega e diz: “eu quero um folheto”. Aí você diz: “Para que você precisa de um folheto? Será que você precisa realmente de um folheto? Qual a sua problemática? Então você traz o cliente para a realidade do briefing… Muitas vezes o cliente vem a com a solução e não necessariamente aquela é a melhor solução, porque ele está envolvido em milhares de outras coisas que ele tem que fazer. Muitas vezes a gente faz este trabalho de recolocar o cliente diante do problema.

Com o tempo, cliente que trabalha com a gente, cria uma cultura comum, a gente vai educando o cliente e ele vai educando a gente. A gente vai se adaptando ao modo dele trabalhar e ele vai se adaptando ao nosso.

InfoBranding: Qual a estrutura que você tem no seu escritório? Você costuma empoderar a equipe ou centraliza o relacionamento com o cliente em você?

Eu empodero. Em geral eu tenho uma equipe pequena que trabalha comigo há muito tempo e eles interagem diretamente com o cliente, pois eu comecei a perceber que quando eles têm esse contato direto, eles conseguem ter uma empatia maior. Às vezes o cliente explica para eles o que está acontecendo, justifica, e essa é uma forma de empoderá-los, de cortar caminhos e fazer o trabalho ser mais ágil. As vezes eu prefiro que o designer apresente o projeto para o cliente para ouvir suas considerações e entender a mensagem sem intermediários.

InfoBranding: Você é uma empresa de design de pequeno porte, com uma estrutura pequena. Essa questão facilita sua abordagem?

Eu acho que isso pode acontecer porque somos uma espécie de “boutique” e isso acontece pelo nosso próprio estilo de liderança. Existem líderes que optam por um sistema de trabalho com uma estrutura hierarquizada e existem aqueles que preferem um sistema horizontalizado. Quando você tem uma estrutura maior é natural que você tenha equipes diferentes em hubs e núcleos de trabalhos. Acho que há uma diferença grande entre a cultura da agência e a de escritório de design. Apesar de eu já ter trabalhado em agência, o meu jeito de ser é mais de uma cultura de escritório de design, porque o designer se envolve diretamente com o cliente, sem ter essa hierarquia, de cargos e funções. Aqui todo mundo faz tudo e cuida do seu projeto do início ao fim.

Um exemplo é a questão da redação. Muitas vezes a gente trabalha com redatores parceiros, mas frequentemente a gente também elabora texto. O designer também pode ter a capacidade de redigir e sugerir um texto com adequação e pertinência, que atenda a necessidade do cliente, porque ele está imerso e em contato com a empresa todo o dia. Ele assimila o tom de voz da marca, a cultura do cliente e o seu vocabulário, como se fosse parte do cliente.

 

7) Como você define o posicionamento dos designers perante o mercado?

Acho que tem de tudo. Acho que isso se encaixa na identidade do designer desde a faculdade. A forma como ele se enxerga no mundo do design desde que ele é estudante. Quando começo a lecionar em uma turma de primeiro período, no primeiro dia de aula eu costumo dizer aos alunos que eles já estão no mercado de trabalho. “Vocês acham que vocês são alunos, mas nesse momento aqui da faculdade vocês já entraram no mercado de trabalho de alguma maneira, porque a faculdade é uma vitrine para o mercado. Se você se destaca aqui dentro você já tem professores, que são profissionais de mercado, que vão enxergar vocês que vão chamar vocês para trabalhar, para fazer um estágio. A postura que vocês tiverem como alunos dentro da faculdade vocês vão carregar para o campo profissional depois que vocês se formarem.” Então eu acho que a postura do designer, o posicionamento do designer tem que começar na faculdade, como aluno. Se ele é um aluno que está lá a “turismo”, provavelmente ele será um profissional  que vai estar a “turismo” no mercado também; se ele já começa com “a faca nos dentes”, ele começa a faculdade ali, querendo tudo, comprometido, sério, curioso; ele vai ser assim, acho que isso independe de ser designer ou não, isso vale para qualquer indivíduo, em qualquer profissão.

No geral, no Brasil, as pessoas ainda acham que o Design é um mero embelezador de coisas, de marcas, de folhetos; sinto que ainda não existe uma consciência plena sobre para que serve o design.

Eu percebo que quando as pessoas me perguntam com o que eu trabalho e eu respondo “com Design”, elas acham legal, mas não sabem exatamente o que é o Design. Inclusive tem gente que acha que design é design de móvel, de interiores; não que esses também não façam parte do escopo do Design, mas é possível perceber por esse tipo de comentário, que a própria segmentação dentro do campo do Design atrapalha sua compreensão, além da terminologia. Design é um nome que está um pouco desgastado, porque você tem design de sobrancelha, design de unha entre outros; tem design de tudo hoje em dia.

Mas acho que está começando a existir, sim, a visão do Design como projeto, com metodologia e processos. Alguns profissionais sabem se posicionar mais claramente sobre o que fazem, sobre sua missão do mundo, sobre o seu propósito. E há aqueles que acham que design ainda é um mero embelezador. Está aí uma primeira separação do “jôio e do trigo”. Isso é muito interessante se você pegar uma estatística de número de alunos que entraram na faculdade, que saíram do curso e quantos de fato vão trabalhar com design e quantos vão trabalhar com outra coisa. Percebo que muitas pessoas vão trabalhar com outra coisa, porque talvez não tenham encontrado o seu propósito final, do que você realmente quer ser. É um pouco isso, quando você sabe o quer, você vai naquele objetivo e persegue.

InfoBranding: Mas você tem percebido um anseio maior pela parte estratégica?

Observo que isso está começando a crescer. A geração mais nova de designers está adotando cada vez mais esse foco estratégico da área, especialmente com o surgimento do Design de Serviços, do Design Thinking, da sociedade em rede e dos processos colaborativos e da troca de experiências. Eu acho que hoje isso é mais claro para os jovens do que era na década de 80 e 90, quando eu estudei.

 

8) Como você entende a relação do design com o cliente e/ou outros departamentos da empresa?

O designer pode permear por tudo isso, ele pode se encaixar em qualquer departamento. Eu acho que hoje em dia, algumas empresas estão começando a entender que um designer na equipe vai trazer toda uma diferença na forma de pensar. Todas as empresas deveriam contratar designers independente do seu core business. Para trazer uma mente diferente, com um olhar diferente que pode incorporar uma função muito agregadora.

É um desafio para as duas partes. Essa prática está começando a surgir, algumas empresas estão começando a fazer isso. Acho que é uma cultura que está vindo lá de fora, onde já existem empresas com designers em seus quadros executivos.

 InfoBranding: Em termo de relação, o designer tem entendido o papel multidisciplinar dele?

Acredito que aqueles designers que estão bem ligados no que acontece no mercado começam a ter esse entendimento, basta ver a demanda de cursos ligados à área de design que existe atualmente. E quem não tem essa noção vai continuar fazendo aquele trabalho de antigamente. Quem está afim de se projetar profissionalmente está buscando estas capacitações, a exemplo do que você faz. Os designers que estão entendendo como o mercado de design é amplo estão buscando novas oportunidades de atuação, e aqueles que não entendem, não estão.

 

9) Sua atuação é marcada pela união do branding e design. Para você, como essas duas especialidades se relacionam?

O branding e o design precisam caminhar juntos. O Design permeia tudo, porque ele torna as coisas mais fáceis, mais claras, ajudando a solucionar problemas. E o Branding é um dos problemas.

A Gestão da Marca, a gestão eficaz, é um dos problemas que o Design pode ajudar a sustentar, a evoluir. Neste mundo do consumo no qual cada vez mais as marcas competem entre si, são fatores de identidade que fazem a diferença. Se a marca não tem gestão orientada pela identidade, com uma mensagem clara a ser comunicada, acho que o consumidor pode se confundir; nesse sentido, o Design tem papel de facilitar o entendimento das coisas. O Branding e o Design já deviam ter nascido juntos, não nasceram, mas felizmente se encontraram. O mundo precisa de design o tempo todo.

 

10) Que mensagem você deixaria para os profissionais do design e para aqueles que procuram ingressar nessa área?

Estejam atentos a tudo, ao mundo contemporâneo, ao comportamento das marcas, aos serviços, aos usuários. O Design, deve cada vez mais fazer parte do dia a dia das pessoas. Quanto mais o Design fizer parte do dia a dia das pessoas, da sociedade como um todo, estaremos dando uma contribuição para melhorar o mundo. O Design pode ter esse papel, eu acho que nós podemos ter a felicidade de contribuir.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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Branding + Design será o tema do nosso próximo encontro! Brand & Design Management, dia 7 de outubro na Belas Artes – SP.

E o InfoBranding conversou com Sandra Cameira, autora do livro “Branding + Design: a estratégia na criação de identidades de marca”, que contou um pouco de sua experiência e visão de mercado.

A conversa foi tão boa que dividimos o conteúdo em duas publicações. Confira abaixo a primeira parte. Boa leitura!

1) Na sua opinião, qual o principal papel do design, enquanto área do conhecimento, no mercado hoje em dia?

Hoje em dia o design está permeando mais segmentos do mercado. Ele tem sido um facilitador de processos, e vem mudando a forma como as pessoas encaram os problemas e tentam solucioná-los.

O design está trazendo método para determinadas questões da sociedade, como por exemplo, o Design de Serviços; as empresas estão começando a parar para pensar na jornada do usuário, em como é que podem melhorar a qualidade do serviço que prestam. Atualmente você vai a um banco, ou a uma companhia aérea, e percebe que existem alterações que feitas nos processos, no atendimento e no ponto de venda, seja este um ambiente físico ou digital. Ainda é uma coisa muito pequena, mas é muito mais do que se tinha há 10 anos, e isso é resultado de um amadurecimento do campo do Design no Brasil.

A cultura das empresas está mudando, o usuário está passando a ser o centro da estratégia. As pessoas falam de Design Thinking, de Design de Serviços, muita gente fala da boca para fora sem saber o que é, mas algumas empresas já estão criando esta cultura ao trazer para o seu quadro de gestão profissionais que conhecem design, ou que estão se capacitando em design, para contribuir com essa melhoria de produto e de serviço.

 

2) No mesmo contexto, qual o papel do designer? E o que define esse profissional?

O designer ainda precisa se integrar mais de forma geral. Primeiramente, tem que se entender o que é de fato “ser” designer, pois tem gente que acha que saber mexer em um software gráfico ou fazer um layout é ser “designer”. “Ser” designer é maior que isso, é pensar de uma forma sistematizada, com metodologia, é pensar no usuário, é pensar em como os problemas podem se resolver de uma forma mais eficiente. Então, pensar e ter o design como modus operandi, como modo de pensamento na cabeça, é algo que ainda está um pouco distante do que saber pilotar um computador.

Existem pessoas que já criaram esta mentalidade do design, de pensar como designer, orientado pelo design, mas ainda tem ainda muita gente que confunde isso. E eu incluo aí neste grupo o próprio mercado, porque tem cliente que acha que o papel do designer é simplesmente embelezar um produto, embelezar uma marca, e não é isso. Nós podemos contribuir com muito mais que um simples aspecto visual das coisas.

 

3) Como professora, como você avalia a formação do designer no Brasil? Quais são as principais dificuldades e oportunidades encontradas no processo?

Eu acredito que a qualidade do ensino de Design no Brasil está amadurecendo junto com o campo profissional.

Se colocarmos em uma perspectiva histórica, no país, o Design é uma disciplina relativamente jovem. A primeira escola de Design no Brasil surgiu na década de 1960. E de lá para cá, podemos considerar um amadurecimento bastante significativo, mas que precisa evoluir mais para acompanhar o que acontece lá fora.

O designer precisa entender de Antropologia, precisa estudar Filosofia, Ciências Sociais, sair um pouco do contexto apenas do mundo do Design para projetar esse olhar para a sociedade. Para ele conseguir ter esta visão de que o Design é uma ciência que pode contribuir para toda a sociedade, em um serviço, na forma de operação de uma empresa, na parte visual, instrutiva, de sinalização, na pragmática do uso dos objetos. Para se entender o Design como algo que permeia todos estes campos, o indivíduo precisa ter uma formação multidisciplinar. Não que necessariamente precise estudar profundamente tudo isso, mas pelo menos conhecer e saber que é necessário lançar mão de determinados recursos, de acordo com a necessidade que terá em cada trabalho.

É importante que as escolas de Design forneçam aos estudantes este olhar ampliado. Precisa-se pensar no Design de uma forma ampliada como algo que possa beneficiar uma sociedade.

InfoBranding: E elas fazem isso?

 Algumas estão começando a fazer, outras acredito que ainda não. Esta conscientização está começando a ser propagada. Fora as faculdades, existem alguns hubs de disseminação do bom design no mercado, como empresas que se desdobram entre prestadora de serviço e disseminadora de conhecimento.

Posso citar a Laje do grupo da Ana Couto, que é um exemplo “super” clássico disso. A Ana tem um trabalho de agência e, ao mesmo tempo, criou a Laje que tem o propósito de disseminar o Design, como conhecimento e método para gerar inovação. Assim como ela, existem outros grupos que também estão começando a fazer isso. Esta atitude tem sido extremamente benéfica para trazer à sociedade esse olhar ampliado do que é o Design.

InfoBranding: Mas e o aluno? Aquele que almeja se tornar um designer.

 Atualmente não estou lecionando em curso de Design, sou professora em um curso de graduação em Publicidade e Propaganda e em um curso de pós-graduação em Branding. Vou responder como observadora e com o que percebo indiretamente pelo meu contato com os alunos.

Alguns deles percebem as oportunidades e outros não, mas isso faz parte do mundo. Vai ter aquele cara que vai se “antenar” e que vai se “ligar”; e vai ter aquele que não vai perceber, que vai continuar no mundinho dele. Acredito que até no mercado vai haver demanda para os dois tipos de profissional: o “antenado” vai se diferenciar, fazer projetos mais estratégicos e vai poder cobrar mais caro; e o outro vai continuar fazendo aquele trabalho mais caseiro para atender a demandas menores e mais restritas.

Essa questão do aluno é muito interessante, pois na sala de aula a gente percebe claramente quem são os alunos que estão entendendo o que a gente está dizendo e quem são aqueles que não estão. Às vezes, esse entendimento é questão de momento: ele não alcança aquilo naquele semestre e em 1 ou 2 semestres adiante ele percebe e se dedica. E tem aquele que não alcança nunca… (mas talvez ele estivesse no lugar errado desde o início).

Em que toda a faculdade acontece isso. Somos expostos a uma decisão de carreira muito jovens e o nosso mundo contemporâneo permite experimentação. Eu não acho que seja ruim, o aluno começar uma faculdade e cursar um pouco dela e depois sair ou trancar e fazer outra até que descubrir qual universo que ele quer seguir.

Estamos em um mundo multidisciplinar, e talvez o erro esteja na estrutura dos cursos, por serem tão rígidos. E de serem poucos multidisciplinares. Percebo que já existem instituições promovendo essa experiência multidisciplinar aos alunos, misturando alunos de diferentes cursos nas turmas.

Por exemplo, semestre passado eu fui docente em uma disciplina de Gestão de Marca com alunos de publicidade e hotelaria juntos, e foi super bacana. No primeiro dia de aula eu perguntei aos alunos: “O que vocês acham que Gestão de Marcas, Publicidade e Hotelaria tem em comum?” Aí eles pensaram, pensaram e começaram a discutir entre eles e a trocar ideias em sala de aula. Daí o grupo de hotelaria respondeu: “Em hotelaria nós trabalhamos muito a questão da hospitalidade”.

Esta foi uma visão ótima, porque no branding há também que se pensar na “hospitalidade” das marcas. A turma começou a trazer, do ponto de vista da hotelaria, uma visão de trabalho com stakeholder, o que é escopo do branding. E foi bom porque os alunos trabalharam juntos, e funcionou bem: cada área colaborando com a visão da outra de forma agregadora.

InfoBranding: Até porque depois, no próprio hotel, eles podem integrar a  estratégia de reposicionamento e vão ter que entregar isso para o cliente.

Exatamente, ele precisa ter uma visão de marca, de negócio, de gestão de negócio, que para a turma de publicidade talvez não fosse tão clara.

Por exemplo, se você coloca em uma turma só alunos de design você terá um resultado, agora se você pega um turma de design e você coloca alunos  de outras áreas você com certeza terá outro tipo de discussão, porque você terá olhares diferentes que agregam valor a todos. Mas eu também entendo que não é em qualquer momento que isso deve acontecer, não adianta ser no primeiro semestre. Há um momento, mais para o fim do curso, em que os alunos estão estar mais preparados para ter esse embate, essa discussão. Não conheço os currículos de todas as universidades para afirmar, mas a multidisciplinaridade contribui muito para ampliar a visão dos alunos em relação ao mercado como um todo e as suas necessidades.

 

 4) Quais são as principais habilidades que se destacam em um designer de sucesso?

  • Ter cultura, informação e curiosidade;
  • Ter metodologia para trabalhar, o que não significa ser metódico, mas sim saber trabalhar de uma forma organizada;
  • Acho que tem que ser um profissional aberto a colaboração, ser colaborativo. Não pode se achar o dono da verdade;
  • Ter dedicação, seriedade e compromisso;
  • Ter empatia, de saber de se colocar e olhar com sob a ótica do cliente, se colocar no lugar do cliente, do lugar do usuário, para conseguir entender as suas necessidades reais.

InfoBranding: É interessante que nesta resposta em momento algum você falou de “técnica”, isso não é uma crítica, mas é um ponto legal para se observar.

É que para mim, o profissional tem que ter curiosidade, criatividade e ser aberto a experimentação. E nessa experimentação vem a técnica, que evolui e é aprendida constantemente.

InfoBranding: Quando falamos de técnica, quisemos dizer que já está embutido na formação. Mas a sensação que dá é que os profissionais se prendem a técnica e se esquecem do que você mencionou.

Técnica você contrata. Eu acho que a técnica é importante mas não é a sine qua non, pois em um projeto você pode contratar pessoas específicas, com domínio técnico específico para executar determinada tarefa sob sua coordenação.

Aquele cara que fica preso na técnica, não vai muito longe se não tiver visão e domínio de gestão do processo como um todo.

Acho que a técnica é importante sim, mas ela amarra um pouco este desprendimento de você conseguir se colocar no lugar do outro, de ter esse olhar. A técnica você pode contratar, você não precisa necessariamente ter.

InfoBranding: A técnica é mais fácil de absorver…

 Por exemplo: Eu sou designer, eu não sou boa ilustradora, “técnica”. Se eu fosse uma boa ilustradora talvez os meus projetos fossem mais rentáveis, porque eu não precisaria pagar alguém para fazer para mim, eu mesmo poderia fazer. Mas eu tenho que pensar, qual seria o custo do meu tempo? Será que o meu tempo é para desenhar e ilustrar ou eu posso passar isso para alguém fazer e eu só gerencio? Então tenho que pensar em meu objetivo. Algumas competências são mais importantes do que a técnica.

 

5) Voltando mais para a gestão com foco estratégico: como a gestão do design é aplicada no seu dia a dia e como você envolve os seus clientes no processo?

 Eu procuro conversar muito com os meus clientes à medida que vou estreitando o relacionamento com eles.  Procuro mostrar a eles qual é o nosso método de trabalho desde o meu primeiro contato.

Na proposta comercial, antes do meu cliente trabalhar comigo, eu já especifico para ele quais são as etapas do trabalho, aviso que teremos uma reunião de briefing, que vamos precisar um tempo de pesquisa e levantamento de dados, que e outro tempo para geração de ideias, com  etapas intermediárias de aprovação. Então se o cliente ler atentamente a nossa proposta de trabalho, ele vai entender que vai haver um processo antes da entrega.

Neste primeiro momento, eu já o envolvo no meu sistema de trabalho e explico como a gente trabalha. Quando eu estou apresentando a empresa eu já falo isso. No geral, o cliente que nos contrata já sabe, e já está comungando com este nosso valor. De que a gente precisa construir junto, que nosso trabalho é muito colaborativo com ele, e que não somos uma pastelaria, que vai entregar um layout sem adequação. A gente precisa pensar no problema junto com ele. Ao longo do trabalho isso vai se tornando muito claro, o cliente vai entendendo que é desta forma que as coisas funcionam melhor. É obvio que eventualmente tem um ou outro trabalho urgente, no qual temos que acelerar uma ou outra etapa, mas a gente nunca deixa de cumprir essas fases. E eu acho que é por isso que a gente consegue um relacionamento duradouro com esses clientes. Aqueles que não se adaptam muito ao nosso modo acabam optando por outras empresas.

 

Sandra Cameira

Designer e professora em cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Publicidade e Branding.

Sócia na empresa Id Design Planejamento e Projeto Gráfico. Designer gráfica e Mestre em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Curso de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Senac SP e no curso de Pós-graduação em Branding da Business School São Paulo. Autora do livro Branding+Design: a estratégia na criação de identidades de marca.

 

Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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“Design é a ferramenta para a diferenciação competitiva do produto. Um bom design, do ponto de vista da empresa, deve ser fácil de ser fabricado e de ser distribuído. Sob o ponto de vista do cliente, o bom design deve ser agradável de ser visto, assim como fácil de ser desembalado, instalado, usado consertado, revendido ou abandonado”.

 Philip Kotler (2014)

O sucesso de uma empresa nos dias atuais, no mercado exigente como se apresenta, depende, fundamentalmente, do reconhecimento de sua identidade e do diferencial competitivo oferecido por seus produtos e/ou serviços. E num cenário onde qualidade e tecnologia tornaram-se pré-requisitos básicos, Tom Peters ressalta que “o design é o segredo; é a chave do sucesso”.

De fato, desde a década de 90, o tema tornou-se alvo de grande divulgação na mídia, tanto nacional quanto internacional, sendo objeto de uma série de eventos, debates, programas governamentais e setoriais. Tudo isso contribuiu para promover a popularização desse anglicismo incorporado à nossa língua, seja como substantivo, ou mesmo como adjetivo qualificador de determinado estilo, de “chique”, sofisticado, de vanguarda, exclusivo e diferenciado.

· Inovação é a alma do negócio

Competir hoje num cenário de concorrência globalizada é o grande desafio das empresas. Conforme apontam inúmeras pesquisas nacionais e internacionais, o grande diferencial entre as empresas atualmente, o “algo mais que faz a diferença” é o design. No entanto, para atingir o sucesso não basta oferecer ao mercado produtos com design, ou apresentar uma marca bem elaborada, a partir da contratação de uma consultoria adequada. O design deve fazer parta da filosofia e estratégia global da empresa, integrando-se nas atividades de planejamento e gestão.

O design tem se tornado crucial para as empresas, sobretudo as de menor porte, nesse cenário atual de concorrência em escala global. É ele que viabiliza vantagens competitivas traduzidas na avaliação clara, por parte do público-alvo, dos benefícios x custos em relação a produtos concorrentes no mercado. É ele que vem permitido a substituição de uma concorrência baseada em commodities, onde vende mais quem tem menor preço, por uma competitividade com design apoiada na inovação, na agregação de valor, na identidade e diferenciação de produtos e empresas no mercado.

E isso não significa maiores despesas para as empresas. Ao contrário: parte fundamental do processo do design é a busca da redução de custos, seja por meio da economia de material, da redução de componentes e etapas de fabricação, da padronização de componentes, da simplificação na montagem/desmontagem associada à logística de distribuição.

Por essas razões é que hoje o design tem se integrado à gestão empresarial, contribuindo decisivamente para ajustar objetivos mercadológicos das empresas às suas capacidades e ao seu nicho de atuação. Faz isso com realismo e ousadia, não mais apenas acompanhando as tendências, mas antecipando-se a elas, ampliando benefícios e gerando novas demandas, possibilitando a conquista e a fidelização de clientes.

 · Design como fator competitivo

Hoje, a situação no mercado global é claramente de uma concorrência acirrada. Somente sobrevivem as empresas que conhecem o mercado e entendem as necessidades individuais do seu público-alvo. Empresas bem conhecidas nos mercados nacionais às vezes desaparecem de um dia para outro ou tornam-se parte de uma empresa multinacional. Por outro lado, existem empresas pequenas, médias e grandes muito bem-sucedidas no mercado, que desfrutam de um bom negócio e da confiança dos consumidores. Essas empresas se caracterizam geralmente por seu posicionamento muito bem definido no mercado.

A gestão do design é uma ferramenta estratégica para criar e implantar uma cultura empresarial que transmita uma imagem positiva da empresa e posicione sua marca no mercado alvo, pela estratégia da competitividade.


Conheça nosso evento Brand & Design Management que será no dia 07 de outubro. Programação e inscrição aqui.

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