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Ultimamente o termo “estratégia” tem sido amplamente utilizado nas empresas e no meio acadêmico: estratégia de mídias sociais, estratégia de implementação, estratégia de vendas, design estratégico, estratégia de marketing e assim por diante. Mas será que o seu significado é amplamente compreendido e, principalmente, aplicado no dia a dia das áreas relacionadas e de seus profissionais? Seja como for, essa tendência evidencia a importância da estratégia para o funcionamento do mercado, seja pelo reconhecimento de sua aplicação bem-sucedida ou pela expectativa que gera para aqueles que aspiram modificar a forma de executar as tarefas relativas a seu trabalho.

Ao pegar o dicionário e buscar esse termo, você vai se deparar com definições que fazem referência a incursões militares e busca por vantagens em cenários de guerra e, de maneira mais próxima da nossa realidade, meios que permitem explorar certas condições para alcançar objetivos específicos. E é deste segundo caminho que vamos falar a seguir, pois é ele que conduz a ampla abordagem da estratégia em instituições de referência no mundo dos negócios, seja na área acadêmica ou no mundo empresarial.

Estratégia é a maneira pela qual podemos traçar linhas de ação para conquistar objetivos pré-determinados. Não é o fim, é o meio, envolvendo as capacidades de quem a executa bem como as ações que são tomadas.

Para que a estratégia aconteça, é necessário que haja um entendimento do contexto, mais especificamente o reconhecimento de “onde se está” e de “aonde se quer chegar”, uma vez que, para que planos de ações sejam traçados e coordenados, a necessidade de direcionamento é implícita.

Nesse sentido a estratégia é um elemento comum para o branding e para o design, atividades que andam juntas para gerar diferenciação e vantagens competitivas e cuja execução demanda:

Contextualização:

Entender o ambiente interno e externo à empresa, bem como a maneira como esses dois mundos se relacionam, considerando seus agentes, suas demandas e suas entregas.

Planejamento:

Definição do passo a passo para alcançar o objetivo, definindo prioridades, possibilidades, prazo, orçamento e alternativas para possíveis problemas de percurso.

Pensamento lógico:

Entender quis atividades são envolvidas no processo de execução e qual a relação de interdependência entre elas, buscando organizá-las e executá-las de maneira a otimizar recursos e evitar retrabalhos.

Capacidade analítica constante:

Pensar sobre o processo e repercussão que o projeto gera no ambiente, reconhecendo o que foi bem-sucedido, entendendo e desenvolvendo aquilo que precisa ser aperfeiçoado e aprendendo com o erro, de forma a perseguir a melhoria constante.

O branding enquanto atividade de construção e gestão de marcas traz o entendimento de todas as atividades que se relacionam para que a empresa entregue valor para seus consumidores e as direciona em uma única direção, de modo a construir uma identidade e posicionar a marca no mercado com eficiência, possibilitando a identificação das vantagens que ela proporciona e diferenciando-a de propostas que, à primeira vista, podem parecer semelhantes.

A sustentação do branding encontra-se no propósito, conceito que reúne tudo o que a marca é, representa e almeja, proporcionando uma linha condutora de ações capaz de otimizar decisões e garantir a percepção de integridade e coerência, consolidando a identidade da marca em longo prazo.

Assim como o branding, o design também se relaciona com o conceito de estratégia, no sentido em que sua existência atende a objetivos traçados. Em sua análise sobre a etimologia da palavra “Design”, Mozota (2001, p. 15-16) ressalta que dois significados podem coexistir, o de intenção e o de desenho, o que sugere duas frentes: a de planejamento e a de execução.

Assim, o design, seja de produto, visual, de moda ou de ambientes, incorpora em si a percepção de uma necessidade e a execução de um projeto que a atenda plenamente, transmitindo uma mensagem e consolidando uma ideia.

Juntos, branding e design são atividades que exercem grande impacto em um mercado em que produzir um produto ou oferecer um serviço já não é mais suficiente para atender a demanda dos consumidores.

Uma empresa que se oriente pela visão do branding somada ao design tem em suas mãos grandes chances de se posicionar de maneira diferenciada da sua concorrência, podendo construir e gerenciar uma imagem que desperte no consumidor a vontade de pertencer e se relacionar, uma vez que cada ação é pensada para entregar uma promessa, e afastar a empresa da ideia de “apenas mais uma exercendo o mesmo papel”.

Ao falar de branding e design relacionados à gestão de uma empresa é inevitável abordar o tema da inovação, conceito que demanda uma estratégia orientada para a desconstrução e reordenação do que já se faz e daquilo que já se domina, de forma a sair da zona de conforto e possibilitar o novo.

O conceito de inovação vai além de oferecer algo puramente novo, embora isso também seja inovação, mas com a ideia de olhar as coisas de outra maneira, estabelecer relações e reordená-las para gerar novas ideias, aplicando-as e possibilitando resultados.

É por isso que junto com branding e design se relaciona com estratégia, na perspectiva em que define o modelo de gestão da empresa, alinhando se ao seu propósito e sustentando a construção da marca, que traduzirá para o mercado o posicionamento que a empresa busca estabelecer no mercado, processo no qual o design exerce importante papel ao organizar, padronizar e tornar o conceito atrativo e pregnante para os olhos, mentes e corações.

Sem essa percepção não existe diferenciação e consolidação de conceitos que atraiam a atenção e preferência dos consumidores que, frente ao avalanche de ofertas, buscam aquelas que mais agregam valor e facilitam suas vidas, o que vai na direção inversa da acomodação.

Por isso, quem busca empreender uma ideia, seja dentro ou fora de uma organização, precisa se dedicar a conhecer o conceito e aplicação da estratégia que, relacionando-se com os parâmetros do branding, design e inovação possibilita que a marca seja “A” marca e não apenas “UMA” marca.

Referência:

MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

 

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O ser humano, habituado com a pluralidade e superfluidade de mensagens, produtos e serviços, bombardeado por uma infinidade de marcas, lembra-se de algumas delas ao final do dia, mas, em termos de valor não representará metade de tudo que foi visto.

Marcas potenciais, que recebem investimentos em sua gestão e para seu posicionamento estratégico, poderão ser identificadas, memorizadas e valorizadas pelo público consumidor e assim gerar fidelidade.

Investir no gerenciamento de uma marca é considera-las ativos extremamente valiosos para sustentar suas decisões e assim projetar sua autoimagem. Posicionar uma marca consiste em planejar a imagem na mente do seu público-alvo, de modo que a sua identidade corresponda à forma como ela é realmente vista e percebida pelo consumidor.

A combinação estratégica de determinados elementos de marca, capazes de identificar os bens ou serviços que a empresa oferece; diferenciá-los da concorrência; criar, incorporar e fixar o valor da marca no ambiente interno e externo da empresa torna isso possível. No Design Gráfico, o Design de Sinalização, deixou de apenas atender necessidades de usuários e incumbi-los das informações necessárias para garantir sua segurança em espaços onde estiver inserido.

Investir em sistemas de sinalização coerente, efetivo e funcional, demonstra que a marca tem domínio do mercado e de seus diferenciais competitivos, de forma a suscitar associações positivas a respeito da marca, influenciando, assim, o comportamento do cliente.

Pensar sistemas de sinalização vinculados ao Branding desde o princípio de sua construção é uma realidade.

O objetivo deste estudo, que será apresentado no II Congresso Internacional de Branding, é demonstrar que as duas práticas branding e sinalização constroem uma relação próxima e íntima e que sinalizar um espaço significa pensar no comportamento da marca nesse espaço para torná-la visível e notável. Para tanto, foi utilizado o estudo de dois casos hospitalares para demonstrar essa ligação que gera valor a marca e constrói brand equity.

Esse é artigo será apresentado por: Giuliana Sanches Cardoso SILVA & Marcia AURIANI

Giuliana é Pós-Graduada em Gestão do Design e graduada em Design Gráfico pelo Centro Universitário Belas Artes.  Designer junior na CBA B+G. Email; giuliana.cardoso.2303@gmail.com

Se você se interessou por esse assunto, não deixe de acompanhar a apresentação desse e outros artigos do InfoBranding  no II Congresso Internacional de Branding em Lajeado/RS, nos dia 1, 2 e 3 de outubro.  Para mais informações, clique aqui 

 

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Num mundo onde as fronteiras estão cada vez mais diluídas, percebemos que muitas organizações buscam orientação além dos cálculos e das análises financeiras. Estamos em um contexto onde elas anseiam por algo diferente. Além disso, percebemos um consumidor atordoado por inúmeras opções de escolha e dentro de um mercado gigantesco, onde buscam por produtos e marcas não apenas diferentes, mas que venham de encontro com os seus valores e desejos pessoais.

Nesta atmosfera de mudanças, as organizações estão percebendo o design como ferramenta estratégica para incorporar técnicas mais modernas, inovadoras e que trazem esperança de insights e novas ideias.

O grande desafio é alinhar esta ferramenta aos processos organizacionais pré-estabelecidos.

Segundo a *CEO Heather Fraser Se grandes ideias não forem traduzidas em estratégia clara para orientar esforços e investimentos, elas nunca serão realizadas. Mas, se centralizarmos o foco somente em processos pré-estabelecidos, nada de criativo poderá surgir e influenciar a estratégia de negócios.

Vemos a Gestão do Design como uma grande ferramenta para os negócios. Se você já sabe o que quer para a sua empresa, a pergunta é: Como pretende fazer isso acontecer?

Considere incluir o design como parte dessa estratégia de negócios.

Como empresários, podemos estar em busca de novos clientes, novos mercados, produtos melhores a custo baixo, vender mais sem precisar reduzir preço de produto, ser melhor percebido no mercado, lucrar mais… enfim, são inúmeros os desejos a serem alcançados.

A Gestão do Design tem por objetivo trazer uma visão macro para o negócio.  Ela possibilita o monitoramento e coordenação de todos os departamentos e etapas fundamentais para o próximo passo ou processo acontecer, pois uma empresa é uma grande engrenagem: se um dos mecanismos falha, seja na escolha das matérias primas ou no relacionamento com seus fornecedores, ou seja em qualquer momento do longo caminho percorrido pelo produto até chegar no consumidor final, todos os insights e inovações podem sofrer com a má gestão.

Design é desenvolver produtos competitivos, focados nas necessidades do usuário, e sua aplicação possibilita determinar o desempenho, o apelo, os processos, os custos de fabricação e até mesmo o posicionamento do produto. As empresas que usam o design de maneira eficaz, com certeza serão mais competitivas e lucrativas. Esta nova visão e a experiência acumulada, levam ao uso estratégico do design, e isso ajuda a desenvolver novos produtos e descobrir melhores formas de sistematizá-los.

Neste processo é fundamental o papel do designer como profissional multi disciplinar, pois o profissional tem que estar apto à construir um planejamento bem elaborado, onde é observado quais objetivos o projeto de design quer alcançar, quais são os objetivos estratégicos da empresa, que competências são necessárias, como o produto será fabricado, entre outras inúmeras observações.

Dentro deste processo de design, conhecer as etapas é fundamental para uma boa gestão, afim de obter melhores resultados. E o processo não pode ser definitivo, pois as etapas variam de acordo com cada tipo de projeto. Mas, de maneira ou de outra, é importante ter os pontos de tomada de decisões muito bem alinhados e no controle, pois o quanto antes os problemas de projeto forem identificados, o impacto negativo no financeiro ou até mesmo na imagem corporativa da empresa poderá ser minimizado ou anulado.

Uma boa gestão de design contempla a liderança, onde as decisões tomadas sobre o projeto impactam diretamente nos produtos e serviços oferecidos pela empresa. Pelo briefing, para que o projeto seja bem orientado. Pela criatividade, para impulsionar o projeto e ele ser uma fonte ideias originais. Pela flexibilidade, pois as empresas estão inseridas em um ambiente multi facetado e, por isso a gestão precisa ser flexível, mas sem perder o foco no objetivo estabelecido. Pelo próprio designer, para o processo de desenvolvimento de produto não ficar limitado apenas em atividades estéticas e de acabamento, pois design não é maquiagem. Pela inovação, para que as ideias originais sejam transformadas em produtos e serviços prontos para o mercado. E, não podemos deixar de falar da sustentabilidade, pois agrega valor e, ao reduzir o impacto sobre o meio ambiente, é possível também reduzir custos de produção e na distribuição de produtos.

Inovação diferencia os líderes de mercado dos seguidores”  Steve Jobs

Estudos realizados pela CNI indicam que 75% das empresas que investiram recentemente em design registraram aumentos em suas vendas. Dessas, 41% também conseguiram reduzir seus custos(A importância do design para sua empresa – Confederação Nacional da Indústria – CNI)

*Fundadora e CEO – Vuka Innovation, Cofundadora da Rotman DesignWorks, professora de  Business Design da Rotman School of Management, University of Toronto.

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Tati Souza

Designer Executiva na Ouïe Consultoria, Ideias & Design. Consultora especializada em gestão do design em empresas do segmento têxtil e calçadista. Graduada em Desenho Industrial pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Especialização em Desenvolvimento de Produto para Moda no PoliTecnico di Milano e Moda Pelle Academy, Master em Gestão de Marcas – Branding na BSP e Business Mangement no IEDE Chile.

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Pensar sobre como executamos determinada atividade é algo interessante e que nos permite criar um ciclo de melhoria constante, aprimorando as boas práticas e buscando novas maneiras de abordar aquilo que não funcionou tão bem.

A essa abordagem, dá-se o nome de metodologia: “parte de uma ciência que estuda os métodos aos quais ela mesma recorre” (Houaiss, 2009, p.1284).

Por meio dela não se buscam receitas a serem seguidas de forma robotizada, mas sim o pleno entendimento do processo em si, de forma a agregar o conhecimento acumulado de quem o executa.

Para a presente abordagem o design gráfico foi escolhido como tema central, uma vez que tem relação direta com projetos relacionados ao universo do branding, bem como com diversos outros tipos de projetos nas mais diversas áreas do conhecimento e segmentos de mercado.

Isso porque o design “é uma atividade de resolução de problemas, um exercício criativo, sistemático e de coordenação” que combina o “caráter lógico da abordagem científica e as dimensões intuitivas e artísticas do trabalho criativo” (Mozota, 2011, p. 17).

Para auxiliar o entendimento dos conceitos a serem abordados, segue o link para uma apresentação desenvolvida com a mesma finalidade: http://pt.slideshare.net/GabrielMeneses/metodologia-do-design?qid=590acacd-f185-422c-84da-ece4af6f961b&v=default&b=&from_search=2

Para pensar, a metodologia do design é necessário refletir sobre a realidade atual. Vivemos hoje um momento de plena expansão tecnológica, o qual anda lado a lado com a crescente conectividade. Nunca tudo foi ao mesmo tempo e agora! Nesse ambiente complexo, somos bombardeados com inúmeras informações, provenientes de fontes cada vez mais diversificadas.

Tal realidade se faz presente tanto na esfera pessoal quanto na profissional, exigindo dos indivíduos uma grande capacidade de adaptabilidade. Até aqui Darwin se faz presente!

Para o designer isso significa ser capaz de lidar com uma grande quantidade de projetos acontecendo ao mesmo tempo com prazos curtos e diversas fontes de referência. Tendo como grande desafio manter a criatividade e a capacidade de inovação.

Difícil não é mesmo? Principalmente se considerarmos que essa desenvoltura não é preparada desde a graduação, sendo conquistada às duras penas do dia a dia profissional.

Portanto, o elemento principal para a boa prática do design é a postura do próprio designer, que precisa ser capaz de orientar seu potencial técnico e criativo para as demandas reais do negócio ao qual atende, otimizando recursos (e tempo conta como recurso) e garantindo a percepção de valor por parte do contratante.

Indo além, esse profissional precisa se dedicar à reciclagem constante, se mantendo atualizado frente ao desenvolvimento do design bem como buscando conhecimentos que ultrapassam suas fronteiras, mas que são essenciais para o seu desenvolvimento profissional e para o incremento da qualidade de seus projetos, como: gestão, inovação, administração bem como aqueles relacionados ao tema ao qual o projeto se destina.

Para tanto o designer pode se valer das mesmas características que tornam o ambiente complexo, a conectividade e diversas fontes de informação.

Com a questão da postura do designer entendida, partimos agora para a abordagem o projeto em si. Conforme mencionado anteriormente o design é uma atividade que visa trazer soluções para alguma necessidade ou “problema”. Para tanto é primordial que esse “problema” seja identificado, para que então ele seja analisado e por fim soluções sejam propostas. Basicamente: identificar + entender + desenvolver.

Tal abordagem é uma síntese de propostas metodológicas como a de Brigitte Borja de Mozota em seu livro “Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa”, que divide o processo de design em seis etapas bem definidas, são elas (Mozota, 2011, p.28 e 29):

     1)      Investigação

     2)      Pesquisa

     3)      Exploração

     4)      Desenvolvimento

     5)      Realização

     6)      Avaliação

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No entanto a necessidade de discussão se dá pelo fato de muitas vezes não ser possível fragmentar o processo de design em tantas etapas bem delimitadas, especialmente por conta de outros profissionais ou departamentos envolvidos no projeto bem como por conta dos prazos cada vez mais curtos.

Isso quer dizer que a metodologia cai por terra e o designer deve sair criando sem uma base fundamentada? Definitivamente não.

Quer dizer que cada vez mais o designer será cobrado pela sua postura proativa e visão multidisciplinar, o que o capacita a acompanhar o projeto do início ao fim, dando suas contribuições e entendendo, bem como relacionando, as considerações das outras áreas envolvidas com o foco na otimização do projeto.

Na impossibilidade de seguir receitas e fórmulas cabe ao designer entender o que se espera e direcionar a criatividade para a melhor solução possível, indo de encontro com a proposta de valor e com as expectativas, possibilidades e necessidades do projeto.

REFERÊNCIAS:

Adaptado de MOZOTA, Brigitte Borja de. Gestão do Design: usando o design para construir valor de marca e inovação coorporativa. Porto Alegre: Bookman, 2011.

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maizena

Unir  a universidade com estudos de mercado, cases, geram excelentes pesquisas.  Ainda mais, quando este estudo é exaustivo e contínuo.  Pois é,  o autor desta obra,  pesquisou sobre a marca “Maizena” desde  a sua graduação em Design Gráfico,  continuando no mestrado  na área de comunicação e resultando na publicação nesta obra.
Um perfeito  estudo sobre uma marca que está com quase 150 anos e que desafia o mundo contemporâneo, preservando fidelidade e tradição  de como se comunicar com seus consumidores. O estudo demonstra que a marca se modernizou, para “não ficar velha”,  mas  não realizou  mudanças radicais em sua tradicional embalagem amarela.

Esta é uma obra interessante para qualquer leitor,  pois quem não conhece a “Maizena” ?

Um case que fará os profissionais das áreas de Design, Marcas/Branding , Marketing e  de Comunicação em geral  se encantarem com   história,  as estratégias  do  produto e de sua embalagem clássica.

Tadeu Costa é  designer gráfico,  mestre em Comunicação ,  professor universitário e  com diversos prêmios:  premiado no Salão “Nello Nuno” (FUNARTE – Belo Horizonte),  no Museu da Casa Brasileira  de São Paulo e no Festival do Minuto.

A obra:
COSTA, Tadeu.  Do maíz à maizena: um layout de 140 anos.  São Paulo :  Rosari,  2005.  128 p. (Coleção Textos de Design).

 

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As mudanças têm sido intensas no cenário econômico nos últimos anos e a concorrência maior no varejo. O que se tem percebido é que a marca varejista que se comunica melhor com o consumidor, de maneira direta, objetiva e emocional tem sempre se diferenciado e principalmente se destacado nesse mercado em constante agitação e mais ávido por novidades.

Há muitas formas de comunicação no varejo, como: anúncios em revistas e jornais, rádio e televisão, marketing direto, promoção no ponto de venda, mídias sociais, entre outras, mas uma em particular apresenta um forte diferencial: o visual merchandising (VM).

Visual Merchandising, uma forte ferramenta de comunicação da marca

Antes de explicar sobre VM, primeiro é preciso entender o conceito básico de comunicação. A comunicação tem 3 elementos para transmitir uma mensagem, que são o emissor (quem transmite a mensagem)  +  meio (recurso que busca para transmitir a mensagem)  + receptor (aquele que recebe a mensagem).

O importante nesse conceito é entender que a responsabilidade da compreensão da mensagem é do emissor e não do receptor. O que significa? Explicando um pouquinho melhor esse conceito, imagine a seguinte situação: você está com dores nas costas e, lógico, procura um médico para diagnosticá-lo. O doutor solicita os exames necessários e no retorno ele diz que você está com maldição de ondina. Num primeiro momento, o que lhe vem à cabeça?  Estou morrendo.  Depois do impacto inicial você pede para o médico explicar melhor e fica sabendo que o seu problema está relacionado com o seu sistema nervoso central , que significa  perder a respiração ao dormir. A solução é simples…. precisa “apenas” dormir com um ventilador no rosto para não ficar sem ar! No momento inicial do diálogo entre médico e paciente não houve comunicação. Somente a partir da tradução do termo técnico da doença é que o receptor entendeu a mensagem.  Afinal, qual a conexão deste conceito e o  título desta matéria: comunicação através da loja?  Tudo.

BARCO-CHOC.-GUANABARA-E.-DE-DENTROToda marca varejista tem a responsabilidade de comunicar ao mercado a identidade da loja, ou melhor, o conceito do negócio e a partir dele transmitir a identidade da marca em todos seus elementos de contato com o consumidor final. Isso faz com que a mensagem (o posicionamento) dela seja entendida de imediato. No varejo, a marca da loja é o emissor que tem a proposta básica de comunicar ao consumidor final a ideia de valor daquele ponto de venda, e para tanto se utiliza do visual merchandising como meio para transmitir através do design de interior a proposta do seu posicionamento para o consumidor, sem que o mesmo tenha dificuldades de entender a proposta.

Portanto, o VM tem como missão coordenar uma política de design com o objetivo de transmitir o valor da marca e manter um diálogo com o consumidor, utilizando de maneira planejada as suas ferramentas estratégicas:

Posicionamento estratégico da marca: etapa inicial e importante para a gestão eficaz do VM. Nesta etapa é importante definir qual a imagem que o negócio quer passar para o mercado. Por exemplo, se o varejista quer passar a imagem de um ponto de venda inovador, então todos os pontos de contato da marca devem passar a mesma mensagem.

Design: Conceito da loja. Identidade do negócio, se bem pensado no início, com certeza será estendido no processo de consolidação da marca. Por exemplo: Loja de camisas para homens executivos de 25 a 55 anos, é um estilo totalmente diferente do homem esportivo. Layout de lojas diferentes para públicos diferentes.

Instalações: os equipamentos, o mobiliário e os suportes devem aparecer muito pouco na ambientação da loja, pois o produto é que é o principal elemento do espaço. Deve, portanto ser o protagonista no ponto de venda, ou seja, os holofotes são para ele.

Comunicação visual: a sinalização do ambiente é fundamental para o consumidor encontrar de maneira fácil os ambientes na loja.

Layout: É essencial pensar o espaço de maneira planejada para o sucesso do negócio, lembrando que uma loja para criança depende de um tipo de exposição e espaço, já para jovens deve ser totalmente diferente. O objetivo é oferecer o espaço de acordo com a necessidade do seu público.

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Móveis: Devem transmitir o conceito do negócio e assim encantar o consumidor com o design.

Produto: Bem exposto, aguça a compra.

Fachada: É o que desperta a atenção do público, fazendo com que ele se sinta curioso para conhecer o local.

Iluminação: Torna a loja confortável ao público alvo. A iluminação tem um poder muito forte sobre o consumidor, pode fazer com que ele permaneça mais tempo na loja e também, dependendo do caso, fazer com que o consumidor saia da loja mais rapidamente, quando passa a incomodá-lo.

Vitrine: É a primeira área de exposição dos produtos, apresenta o estilo, a proposta e o perfil do consumidor. Havendo erro no design da vitrine, caso ela não passe o conceito da marca de maneira clara, o shopper não entra na loja.

É preciso entender que o VM é uma estratégia do varejo para ambientar a loja, adequar os produtos, visando a funcionalidade, agilidade e harmonia para o cliente. Ao contrário do que muitos varejistas pensam, o projeto de VM necessita e depende de um profissional especializado – designer de interior para desenvolver um ambiente que possa se comunicar com o shopper sem que o mesmo precise de ajuda para sentir-se atraído a conhecer e se encantar com o ambiente. Lógico que outros fatores são importantes para que esse encantamento perdure durante toda a visita: o atendimento é um deles. De nada adianta ter uma loja linda e encantadora se os vendedores não forem treinados para transmitir a essência da marca.

Concluindo, o Visual Merchandising é uma forte ferramenta de comunicação da marca que tem o objetivo de atrair ou não o consumidor. Se bem feita é garantia de vendas e posicionamento de marca.

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Segundo o Stanford Social Innovation Review ( Kylander e Stone, 2012), as técnicas de construção de marcas utilizadas no  segundo setor apresentam limitações quando aplicadas ao terceiro setor, representado em grande parte pelas Organizações não governamentais.

29529465ong-site-logo-2-jpgA definição de ONG (Organização Não governamental) é bastante ampla e permite várias interpretações. Literalmente trata-se de toda organização de natureza não-estatal, ou que não pertence ao governo.

A independência das ONGs facilitou as conexões internacionais não-oficiais e seu pequeno tamanho se mostrou favorável à imersão local, com liberdade para atuar em projetos que façam parte, tanto na pauta internacional quanto local.

Nas grandes cidades brasileiras é possível notar que sua atuação está diretamente relacionada com a diminuição da criminalidade e a inclusão social nas suas áreas de influência .

Segundo dados da ABONG ( Organização em defesa dos direitos e bens comuns) em 2010, havia 290,7 mil Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil) no Brasil, voltadas, predominantemente, à religião (28,5%), associações patronais e profissionais(15,5%) e ao desenvolvimento e defesa de direitos (14,6%).

– Empreendedorismo Social e Gênero

Cabe frisar que as empresas sociais são um modelo crescente na esfera do micro empreendedorismo.

Empreendedores estão fazendo surgir as organizações empresariais que seguirão modelos mais adequados. Um deles é o dos negócios inclusivos, um modelo que se preocupa com o lucro e os bons resultados, mas que gera produtos e serviços de tal forma que se realize a inclusão social no seu processo e no cerne de seus negócios…

 …Esse novo paradigma organizacional é uma tendência forte para os próximos anos e se encaixa como uma luva no desenho das soluções para a crise internacional atual. Sem dúvida que muitos aspectos dos velhos negócios serão restaurados, mas haverá espaços também para se gerarem novos paradigmas de desenvolvimento econômico e social” Boechat, FDC

A economia solidária se apresenta como uma nova lógica de desenvolvimento, com uma abordagem sustentável, gerando trabalho e renda, colaborando com o crescimento econômico e a inclusão social.

Seus resultados econômicos, políticos e culturais são compartilhados pelos participantes, sem distinção de gênero, idade e raça. Implica na reversão da lógica capitalista ao se opor à exploração do trabalho e dos recursos naturais, considerando o ser humano na sua integralidade como sujeito e finalidade da atividade econômica.” Portal do emprego e trabalho (http://portal.mte.gov.br/ecosolidaria/o-que-e-economia-solidaria.htm).

A mobilidade social também aponta para novos arranjos sociais. Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, na nova classe média brasileira ( C) as mulheres tiveram um aumento de renda 60% maior que o dos homens nos últimos 10 anos. Em cada R$100 em mercadorias vendidas no varejo, R$ 41 se destinaram a produtos comprados por mulheres.

No Brasil 33% dos domicílios da chamada nova classe média são chefiados por mulheres. Esses dados apontam que, com ascensão feminina a melhores remunerações, os produtos desenvolvidos no 3º setor serão, cada vez mais, feitos por mulheres para mulheres.

A abordagem proposta busca refletir sobre um problema comum ao terceiro setor: características genéricas de produtos aliados ao amadorismo na gestão ou inexistência de suas marcas.

Produto genérico + marca genérica = baixo retorno + nenhum valor agregado.

A compreensão da existência de características peculiares de cada comunidade é um dos aspectos centrais da discussão, além de um importante fator de fortalecimento da identidade da própria comunidade. O processo de elaboração colaborativa desse novo posicionamento serve não só para a construção de uma nova marca, mas também, ou principalmente, para o reconhecimento social e validação daquele encontro de pessoas que caracteriza uma comunidade ou grupo produtivo, não só por parte do mercado, mas principalmente como forma de reconhecimento da própria identidade das comunidades e grupos, geralmente formados por indivíduos de baixa renda e baixa escolaridade, muitas vezes excluídos do mercado formal. Outra característica que une esses grupos de pessoas se refere a características urbanísticas, comumente localizados nas franjas da cidade, com pouca ou nenhuma infra-estrutura, localização essa que reflete a condição social e econômica onde as mulheres, frequentemente, são maioria.

As ONGs, por sua vez, vem se mostrando empresas pouco profissionais no que se refere a orientação voltada para a marca e sua capacidade de inserção no mercado.

Na atuação prática, foi possível observar que em grupos com anos de história, sua abordagem permanecia genérica. Isso se dá, de certa forma, pela ausência de uma reflexão sobre a identidade desse grupos. Essa reflexão, feita de forma colaborativa e coletiva pode ser capaz não só de criar uma unidade de grupo, uma identidade distintiva com vantagens comerciais, como o engajamento dos indivíduos com senso de pertencimento coletivo capaz de atuar como propulsor para a transformação social e urbana.

– O Papel do Design na Construção de uma Tecnologia Social

A importância do design foi fundamental na inserção dos grupos no mercado das grandes empresas, como, fornecedores de mão-de-obra no desenvolvimento de brindes, por exemplo.

A disponibilidade dos artesãos era, muitas vezes, superada pelo grande volume de peças que chegavam para testes e protótipos, ou retornavam para correções. As ONGs, bem como seus participantes, não estavam acostumados à dinâmica de confecção de protótipos para desenvolvimento de produtos, à cultura existente; ou pendia para a estagnação criativa ou para a cópia simples de produtos, ou imagens trazidas pela direção.

Porém pequenos indícios de conflito, forma sempre dissipados com a materialização dos produtos. A cada no projeto resolvido, apresentando diferencial estético, capacidade produtiva, evidenciava o potencial criativo e de acabamento das ONGs, todos os envolvidos reverenciavam o resultado com grande entusiasmo…” Pons, pag,121, 2006

Essa aproximação foi responsável por capacitar os envolvidos, criando um sistema produtivo mais eficiente, respeitando as características produtivas de cada empreendimento social, aliando o saber-fazer local as necessidades estéticas do mercado formal. Hoje, o design é a ponta do processo, o resultado tangível.

Pouco adianta um processo produtivo justo e solidário sem um produto que possa ser competitivo estética e funcionalmente, da mesma forma não adianta um produto competitivo sem uma identidade de marca, que o diferencie, o valide e o sustente.

– O Papel da Marca na Construção de uma Tecnologia Social

Cada vez mais a consciência ecológica permeia o nosso dia-a-dia, seja pela coleta de lixo reciclável, preocupação crescente nos grandes centros urbanos e ainda muito longe de um nível aceitável de eficiência, seja pela preocupação com a tal responsabilidade ambiental, que faz com que empresas que não aderem, por exemplo, ao processo de reciclagem de seu excedente de produção, usem papel reciclado, orientadas por um marketing distorcido com o objetivo de transmitir uma “imagem” ecologicamente correta e pegar carona no modismo, por enquanto, do marketing ambiental. Refiro-me a modismos, por pensar que as reformulações estruturais que a consciência sócio-ambiental suscita ainda estão, infelizmente, longe de serem percebidas, ao menos para a maioria, como parte efetiva de sua responsabilidade enquanto empresa, ou por um ponto de vista mais realista e menos idealista, como diferencial competitivo no mercado global.

Tão ou mais importante que a preocupação com o meio ambiente talvez seja a preocupação com quem vive nele.

É importante entendermos o que é marca antes de irmos adiante. A definição encontrada no dicionário já não é mais capaz de traduzir com clareza a complexidade que o termo representa atualmente.

É possível perceber que o conceito de marca se transformou, com o passar do tempo, agora não é mais compreendida exclusivamente como uma marca gráfica, tão pouco como uma imagem na mente do consumidor. Podemos dizer que, hoje a marca está envolvida em uma complexa rede, que extrapola, em muito, os limites físicos da empresa, e que sofre e promove diversas ações em diversos membros da sociedade.

O terceiro setor, por sua vez, carente de valor agregado e de características distintivas, acaba sofrendo com o reflexo de um hábito de consumo que chamo de “compra por pena”, onde o consumidor adquire produtos movido pele sentimento de compaixão, o famoso “peace of mind”. Um dos principais problemas nesse hábito de consumo é o fato dele, por não se tratar de um produto com valor agregado comunicado, e portanto genérico, ter o seu ciclo de compra isolado, único, não contribuindo para uma geração contínua de renda, que acaba por fragilizar ainda mais as relações produtivas dos grupos.

Uma vez que branding, está relacionado diretamente ao segundo setor. Com a série de especificidades inerentes ao terceiro setor, chamá-lo de “branding para o terceiro setor” seria uma forma de adequar uma metodologia a uma nova realidade, quando na verdade, o que se propõe é a criação de uma nova forma de olhar para o problema.

A experiência tem apontado para uma nova tecnologia e uma nova forma de compreensão e aplicação das dinâmicas de branding, de forma colaborativa e inclusiva. Com os processos em andamento, ainda não é possível chegarmos a uma conclusão ou metodologia final. O que podemos presenciar é a incapacidade das dinâmicas “tradicionais” de branding serem igualmente eficientes no 3º setor. Uma questão presente durante todo esse processo é: Será que isso se chama mesmo Branding?

Esse já é um assunto para outro artigo…

Texto: Adaptado do projeto de pesquisa COMUNIDADES EM SITUAÇÃO DE FRAGILIDADE SÓCIO-ECONÔMICA : TECNOLOGIA SOCIAL PARA INCLUSÃO DE GRUPOS PRODUTIVOS NO CENÁRIO ECONÔMICO FORMAL.

Esse artigo foi desenvolvido como uma interlocução com a Profa.Dra. Ana Gabriela Godinho Lima, no contexto do projeto de Pesquisa Feminino e Plural: Percursos e Projetos de Arquitetas e Designers – Financiado pela FAPESP e pelo Mackpesquisa

As experiências com o terceiro setor e os processos de branding social se deram em parceria com a Organização Design Possível.

Referências Bibliográficas:

ABONG, http://abong.org.br/noticias.php?id=5892

BOECHAT, Claudio. Empresas sociais e negócios lucrativos. http://www.fdc.org.br/blogespacodialogo/Lists/Postagens/Post.aspx?ID=285

DATA POPULAR, Nova classe média. http://www.sae.gov.br/novaclassemedia/wp-content/uploads/NewsletterDataPopularEdicaoNumero1ok.pdf

KYLANDER, Nathalie, STONE, Christopher. The role of brand in the nonprofit sector. Stanford social innovation review. 2012

MANUAL DO TERCEIRO SETOR, Instituto Pro Bono, 2005

O QUE É ECONOMIA SOLIDÁRIA. Portal do trabalho e emprego. http://portal.mte.gov.br/ecosolidaria/o-que-e-economia-solidaria.htm

PONS, Ivo Eduardo Roman. Design Possível- um estudo exploratório em práticas educativas desenvolvidas com ONGs. São Paulo, 2006.

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Caio Esteves

Formado em Arquitetura e Urbanismo e pós-graduado em Branding.
Começou sua carreira como gestor de marca na Indústria moveleira, após participar do processo internacionalização da marca, partiu para novos desafios e abriu sua primeira agência de branding e design, que atuava principalmente com varejo de moda. Após uma temporada trabalhando em Portugal, construindo e gerenciando marcas para clientes dos países lusófonos, voltou ao Brasil para montar a CEB+D, em sociedade com a jornalista Mariane Broc.
Como professor lecionou em diversas disciplinas, de cursos de extensão em branding, passando por design gráfico e empreendedorismo, e recentemente passou a integrar o time de professores de MBA em Branding.
Como membro do Design Possível, teve a oportunidade de se envolver com a construção e gestão de marcas no 3º setor, tendo desenvolvido, junto ao D.P, os primeiros ensaios para uma metodologia colaborativa de construção de marcas.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/7963732261364315
Linkedin : http://www.linkedin.com/in/caioesteves
Site: www.caioesteves.com.br
FB: facebook.com/caioesteves

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Muitos executivos têm o sonho de que suas marcas se tornem icônicas, mas para chegar neste nível é preciso ter visão estratégica do negócio e entender que branding é  longo prazo.

Na realidade, criar e construir marcas são os dois maiores desafios enfrentados pelos gestores nos dias atuais. É perceptível que todos os executivos, não importando o tamanho da empresa, acreditam no poder das marcas e concordam que branding é um negócio excepcionalmente difícil. Para cada Google ou Apple, há dezenas de marcas fracassadas. Muitas delas conhecidas e respeitadas, já não existem mais, como Mappin, Varig, Mesbla, entre outras.

Atualmente, uma grande dificuldade para os executivos, é que precisam apresentar resultados financeiros em curto prazo, mas as marcas são ativos de longo prazo. É nesse quesito que o marketing & design são importantes para a gestão da marca.

A estratégia do design tem como missão contribuir para a gestão de uma marca diferenciada, aprimorando o produto, a embalagem ou o desempenho do serviço. Ele aumenta o valor financeiro, incrementando as vendas e o valor percebido pelo cliente, porém construir uma marca parece ser simples, ou seja, um gestor precisa apenas apresentar um bom nome, um logotipo atraente e um slogan chamativo. Será?

Você já imaginou o nome Apple sem a identidade visual da marca?

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Ou o natal sem a embalagem do panetone daquela marca?

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Como seria tomar um café sem a experiência de contato com a marca?

 

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O elemento diferenciador “laranja”! 

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Não apenas tomar uma vodca, aproveitar do requinte que o design da embalagem oferece!

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Hoje em dia, as pessoas têm acesso a quase tudo, de quase todos os lugares. Participamos de um mundo global, onde as informações estão disponíveis a cada momento em nossas vidas e as marcas que conseguem acompanhar esse movimento passam a se diferenciar perante o mercado. As estratégias de marketing, os famosos 4 P’s, já não são mais diferenciais percebidos pelo consumidor: o Produto, seja qual for ele, possui concorrentes de qualidade, muitas vezes superior, onde qualidade passa a não ser o fator de diferenciação e sim obrigação; o Preço tem que ser competitivo, questão de sobrevivência em um mercado globalizado; o Ponto de venda é um canal de comunicação e precisa gerar novos elementos de destaque (tudo fica mais acessível com a Internet); a Promoção dispõe de cada vez mais meios para chamar a atenção, vide as mídias sociais. A luta constante de um executivo de marcas está em evitar, a todo custo, que o seu produto transforme-se em uma commodity, ou melhor, que não tenha nenhum diferencial competitivo.

Só uma marca forte e, principalmente, respeitada e admirada pelos consumidores é capaz de manter uma empresa na competição. E uma marca querida tem que atrair, ser desejada, conquistar o seu lugar no mercado e na cabeça e coração do seu público.

Então qual é o segredo para uma  marca se tornar querida nos dias atuais”? O segredo é pensar no  design como ferramenta estratégica do marketing.

A excelência na gestão do design pode fazer com seu produto pareça tecnicamente superior ao do seu concorrente (mesmo que sejam equivalentes), pode mostrar como a sua empresa desenvolve seu trabalho com profissionalismo, pode demonstrar a qualidade e a organização que estão por trás do negócio, pode lhe dar credibilidade e, principalmente, pode fazer o consumidor se apaixonar por sua marca!

Os elos entre design e marca não se limitam ao design gráfico, ao logotipo e ao signo. O design é responsável por estar presente em todos os componentes do valor da marca: promessa, missão, visão, posicionamento, expressão, notoriedade e qualidade. Como afirma Mozota (2011): “há design gráfico no nome e no símbolo da marca, design de produto no desempenho do produto, design de embalagem no ponto de promoção e design ambiental na loja”. Logos como Starbucks, Disney oferecem uma essência ou visão de marca. No mercado global, os símbolos visuais têm o maior potencial do que as palavras.

Para criar uma identidade de marca clara e inteligível para os consumidores, os atributos da marca e a maneira como são expressos devem estar intimamente ligados. Empresas que apresentam uma identidade de marca coesa, distintiva e relevante podem criar uma preferência no mercado, agregar valor a seus produtos e serviços e praticar preços diferenciado.

A diferenciação da marca por meio da administração do design como estratégia de marketing, sempre evidenciando  o posicionamento da marca,  seja pelo design gráfico, de produto, da embalagem, do interior de loja, elementos de cor, tipografia;  é fundamental para que o valor seja percebido e a marca passe a ser a queridinha no seu mercado.

A emoção da marca é gerenciada pela emoção do design, entender esse processo pode ser um elemento diferenciador da empresa. E sabe qual é?  Resultados positivos no gráfico de vendas e construção de valor de marca em longo prazo.

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Branding é o processo de dotar um produto ou serviço com uma marca e gerenciá-la com o objetivo de agregar valor e conferir vantagens competitivas àquilo que ela representa. Todo o processo é estratégico e visa atingir resultados concretos e mensuráveis, e que, em última instância, representem saldos financeiros positivos e cada vez maiores.

É um processo de longo prazo e que tem como característica o equilíbrio entre aquilo o que a marca busca para ela mesma e aquilo o que seu público deseja, processo nada fácil,  pois as ações precisam se manter equilibradas e coerentes, guiadas por um propósito consistente capaz de construir uma identidade perene e forte o suficiente para “brigar” frente a frente com a concorrência.

Além disso o branding tem um fator complicador: o fator humano, que também torna tudo ao mesmo tempo interessante. Por envolver pessoas diferentes em diversas etapas, o branding mescla processos com variáveis difíceis de serem normatizadas, dependentes da constante interferência em ambos os lados (o da marca e o do seu público) ao mesmo tempo em que se almeja objetivos econômicos mensuráveis com precisão matemática, encontrados no ponto final do processo e que, mesmo de maneira resumida, definem o sucesso da marca para quem a administra.

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Cada profissional envolvido no processo carrega consigo conhecimentos, experiências, percepções, gostos, preferências e interesses diferentes. Tudo isso interfere diretamente em seu trabalho. Contudo, quando se trata do gerenciamento de uma marca (esteja ela representando uma empresa, uma pessoa, uma organização sem fins lucrativos, um produto, um serviço, um projeto ou uma ideia) todos os envolvidos devem ter sua atuação direcionada para o bem da marca, de forma a não criar dissonâncias na forma como a marca é percebida.

E uma prática importante e indispensável em todas as etapas para alinhar e direcionar o trabalho dos envolvidos é o briefing. Mas afinal, o que é o briefing e como entender a sua importância?

Vamos começar do início; briefing vem do termo em inglês “brief” que significa algo breve, curto e apresentado em poucas palavras e carrega em si a noção de informações e instruções essenciais para algo que deve ser realizado.

Contudo para abordar o conceito de briefing e relacioná-lo ao de branding é necessário ir além das definições semânticas e buscar definições pautadas nas práticas mercadológicas e na teoria desenvolvida por aqueles que dedicam sua atuação ao incremento do ofício.

Por isso pego emprestado os conceitos de Peter L. Phillips apresentados em seu livro Briefing: A Gestão do Projeto de Design, que comprei por mera curiosidade e vontade de entender melhor o assunto, me interessando e reconhecendo situações do dia a dia e que depois me foi indicado por professores diferentes em momentos diferentes da minha vida acadêmica.

O livro conta que o briefing está relacionado à noção de projeto, acontecendo em sua fase inicial e perdurando até a sua finalização. Neles estão presentes as diretrizes do projeto de maneira a integrar os diferentes agentes envolvidos e a proporcionar informações relevantes para a execução e desenvolvimento do mesmo, bem como a definição de responsabilidades e metas a serem alcançadas. Mas não existem fórmulas prontas tão pouco formatos e tamanhos padronizados. O briefing se adapta ao projeto ao qual se destina. De acordo com Phillips (2007, p. XVIII) o importante é entender que o “processo deve ser de natureza estratégica, orientada para os objetivos da empresa.” (vale recuperar a noção de que marca e empresa são indissociáveis, já apresentada no artigo “Marcas Feitas Para Vencer” aqui no InfoBranding – http://www.infobranding.com.br/marcas-feitas-para-vencer).

No caso de um projeto de branding não há como desvincular o conceito de briefing do conceito de propósito de marca, uma vez que para desenvolvê-lo é necessário que todos os envolvidos saibam o que a marca é e o que ela representa para o seu público. É importante que todos estejam alinhados ao propósito de marca.

Para tanto é necessário que todos saibam o que a marca é e o que ela representa para o seu público. É importante que todos estejam alinhados ao propósito da marca.

O propósito de marca estará presente no momento do briefing, permitindo com que haja um foco e que as diretrizes se alinhem.

É no momento do briefing que o contratante (no caso o gestor de marca) e os contratados para as diferentes etapas do processo de branding discutem e colocam seus pareceres sobre o projeto e se alinham. É o momento em que pessoas de áreas diferentes, colocam seus pontos de vista e buscam trazer as melhores soluções para o desenvolvimento do projeto.

Negligenciar o briefing é contribuir para desviar a marca de sua linha condutora central. Ações imediatistas e baseadas na urgência, desculpa comum para deixar o briefing em segundo plano, podem garantir resultados pontuais, mas a longo prazo dificultam o processo e dão margens para dissonâncias prejudiciais à marca e a sua proeminência. Isso sem contar conflitos e situações de estresse geradas na equipe desnecessariamente, o que a longo prazo contribui para a percepção negativa da marca também pelo seu público interno e parceiros.

O tempo dispendido para elaborá-lo não deve ser encarado como tempo perdido, mas sim como tempo investido; uma vez que a clareza que o briefing proporciona faz com que hajam menos retrabalhos e confusões.

Em relação à criatividade inerente e crucial ao processo do branding, o briefing não a limita, na verdade ele a direciona. Segundo Phillips (2007, p. 9) o briefing direciona e a estimula. Proporciona um foco, o que abrevia o tempo de desenvolvimento.

Portanto, pode-se dizer que o briefing é como se fosse o mapa para o projeto, mapa que tem como rota principal o propósito da marca. Ele guia a todos e por isso precisa ser documentado e estar disponível para os envolvidos.

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Implementar o briefing pode ser algo complicado no início, pois gera mudança e a mudança em geral esbarra na resistência das pessoas. Uma recomendação é entender bem a empresa e o processo ao qual o briefing será implementado, adaptando-o às necessidades do projeto e desfrutando de seus benefícios. Com o tempo as pessoas vão perceber as vantagens e ele passará a fazer parte da rotina.

 Observação:

4O livro Briefing: A Gestão do projeto de Design de Peter Phillips tem um foco específico: projetos de design. No entanto as informações e exemplos apresentados são valiosas e podem ser adaptadas à outros tipos de projetos, empresas e necessidade. Ao longo do livro são apresentadas definições, modelos, discussões e conclusões baseadas na experiência do autor, de forma a abranger todos os detalhes relacionados ao briefing e às etapas do projeto. É uma leitura valiosa para todos os envolvidos em projetos de branding, independentemente de sua etapa.

 

REFERÊNCIAS

PHILLIPS, Peter L. Briefing: A Gestão do Projeto de Design. São Paulo: Editora Blucher, 2007.

Dicionário Oxford Escolar: para estudantes brasileiros de inglês. New York: Oxford University, 2013.

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O InfoBranding entrevistou Guilherme Sebstiany, profissional de Branding,  Sócio Fundador/Diretor de Estratégia da Sebastiany Branding.

Sebastiany foi professor em cursos de graduação e pós-graduação em design, no MBA em Branding da Anhembi Morumbi e no curso de Extensão em Gestão no Varejo da FIA. É professor de Identidade de Marca no MBA em Branding do Rio Branco e também é professor em Branding no Master de Marketing da Business School São Paulo e no MBA de Hotelaria de Luxo da RMEC. Com 15 anos de experiência em criação de marcas, possui projetos desenvolvidos para diversos segmentos no Brasil e exterior.

Na entrevista ele fala sobre o Processo Criativo da Construção de Marca.

Confiram:

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