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Em seu novo livro intitulado “Marketing 4.0“, o guru do marketing moderno Philip Kotler dá continuidade a abordagem centrada no ser humano iniciada na obra Marketing 3.0 mas, dessa vez, focando nas relações entre o tradicional e o digital; o off-line e o on-line, como complementares e interdependentes.

O livro é dividido em três partes e onze capítulos, que vão se complementando de forma didática, contribuindo para que o leitor questione sua realidade e estabeleça relações diretas entre o conteúdo, repleto de exemplos práticos, e o dia a dia da marca que gerencia.

A primeira parte do livro é dedicada a apresentar tendências que estão moldando o marketing, de forma a contextualizar sua aplicação e promover uma reflexão interessante sobre os dias de hoje e a maneira como nossa forma de se relacionar com o mundo evolui junto com a tecnologia.

Dentre as tendências, destacam-se a da inclusão, a da horizontalização e a do processo de compra cada vez mais pessoal.

Inclusão no sentido de a conectividade diminuir distâncias e eliminar barreiras, de forma a permitir que as pessoas se comuniquem, criem comunidades e troquem experiências de forma abrangente.

Horizontalização da dinâmica de mercado, no que diz respeito a forma como as marcas inovam e se relacionam com as pessoas, cenário no qual os consumidores passam a fornecer insights, cocriar e relacionar-se de maneira mais próxima das marcas que, em contrapartida, precisam agir como seus pares e amigas;

Processo de compra mais pessoal na medida em que cada vez mais as pessoas estabelecem relações de confiança entre seus pares, buscando neles referências no momento da aquisição de um bem ou serviço.

Essa primeira parte segue adiante apresentando paradoxos que a conectividade trouxe ao marketing, com destaque especial a interação on-line x interação off-line que, por coexistirem e serem complementares, dão o tom para a continuidade dos conceitos abordados no livro.

Aprofundando no cenário digital e no impacto que ele traz para as empresas, Kotler aborda segmentos-chave que desfrutam de grande influência, os jovens, as mulheres e os nascidos na realidade da internet, denominados pela sigla em inglês YWN – Youth, Women and Netzens.

Para concluir a contextualização a qual se dedica a primeira parte do livro, são abordados conceitos que definem o papel do Marketing 4.0 na economia digital, de forma a completar a leitura de que a realidade mudou e com a mudança vieram novas estruturas com as quais profissionais precisam se adaptar. Dentre estes conceitos, há o aprofundamento do encontro do on-line com o off-line, abordado anteriormente, e que, agora, enfatiza os impactos que traz para a construção de significado para as marcas e como as relações máquina-para-máquina não se sustentam sem que coexistam com relações que integrem humanos com humanos, deixando clara a valorização das pessoas no centro das estratégias e reforçando a continuidade em relação à obra anterior, Marketing 3.0.

Após se contextualizar, o leitor encontra na segunda parte do livro um aprofundamento teórico acerca de das estruturas do marketing na economia digital.

O primeiro ponto abordado é a maneira como o consumidor se comporta diante de multicanais e da grande quantidade de ofertas e informações com as quais são bombardeados diariamente o que, acaba por confundir o consumidor, levando-o cada vez mais a dar preferência às informações que colhe de sua rede de amigos e familiares.

Nesse sentido, cabe às marcas entender tal dinâmica e perceber que múltiplos canais e múltiplas mensagens não necessariamente significam que sua comunicação aconteça de maneira eficiente e que, para melhor atingir seus objetivos, devem se concentrar no caminho de compra percorrido pelos consumidores, identificar os potenciais pontos de contato e reforçar, de maneira estratégica, os canais e as mensagens de modo pontual.

Com esse entendimento, o autor apresenta então um novo caminho do consumidor nesse cenário digital e multicanal, que vai do conhecimento à advocacia, isto é, a defesa voluntária da marca. Trata-se dos 5As, do inglês aware (consciência/conhecimento), appeal (apelo), ask (pergunta/questionamento), act (ação) e advocate (advocacia). Uma a uma cada fase vai sendo esmiuçada e explicada por meio de exemplos e análises específicas, proporcionando não apenas seu entendimento, mas também a reflexão do leitor ao aplicar tal conceito à sua realidade.

Foi nesse ponto do livro que a leitura revelou novos subsídios para o estudo e aprimoramento da gestão prática de marcas, pelo fato de apresentar aspectos que influenciam diretamente o desenho da estratégia de gestão. Por exemplo, ao apresentar cada fase do caminho do consumidor, o autor deixa claro que ele não necessariamente é linear, podendo inclusive ser espiral ou ter fases que são puladas pelo consumidor, dependendo das características do mercado no qual a marca atua.

Adiante com os conceitos, são apresentadas e explicadas métricas para o acompanhamento do conhecimento e advocacia de marca, permitindo medir os resultados obtidos com o consumidor ao percorrer o caminho de compra apresentado anteriormente. Essas métricas são o PAR (Purchase Awareness Ratio) e o BAR (Brand Advocacy Ratio) e seu entendimento e acompanhamento permitem medir a produtividade das ações da marca, além de indicarem melhores formas de analisar os resultados do processo.

Também são apresentados arquétipos da indústria em relação ao caminho de compra do consumidor e, em seguida, são sugeridas as melhores práticas para cada caso, em que são identificados qual fase, quais canais e que tipo de ação devem ser tomados para conduzir o consumidor do conhecimento para a advocacia de marca da forma mais eficiente possível.

A terceira e última parte do livro apresenta aplicações táticas de marketing na economia digital.

Primeiro é apresentado como marcas centradas no ser humano podem aumentar sua atratividade ao entender o comportamento das pessoas e adotar atributos que promovam sua aproximação como aspectos físicos atrativos, aspectos intelectuais que promovam a inovação e a solução dos problemas das pessoas, aspectos sociais que alavanquem engajamento, aspectos emocionais que impulsionem sua conexão com as pessoas, personalidade para defender seu propósito e posicionamento, e moralidade, de forma a serem guiadas por seus valores e buscarem sempre as melhores práticas para o seu sucesso sem ignorar os impactos causados na sociedade.

O storytelling e o marketing de conteúdo são abordados como formas de aguçar a curiosidade acerca das marcas, mostrando que aquilo que antes era vigente, como a veiculação de anúncios e peças publicitárias, deu lugar a conteúdos relevantes e dignos de serem compartilhados que, além de agregar valor ao público, ajuda a contar estórias envolventes sobre as marcas. A abordagem do conceito de marketing digital conta ainda com um passo a passo composto por oito etapas, ajudando o leitor a organizar suas ideias e planejar suas ações.

Esse ponto é especialmente relevante pois toca numa questão importante para o branding, uma vez que representa a necessidade de mudança do mindset das marcas, para se manterem em constante relacionamento com os consumidores, colocando em prática todos os conceitos apresentados anteriormente de forma simultânea e constante, em um caminho sem volta rumo à realidade conectada, transparência e queda de barreiras entre as marcas e seu público.

Essa mudança de mindset também se mostra necessária para o assunto que o livro aborda na sequência, o Omnichannel Marketing, ou marketing multicanal, como forma de impulsionar o comprometimento de marcas. A integração do tradicional com o on-line, tema que guia o conteúdo por todo o livro, ganha destaque como fator determinante para a construção de experiências completas para os consumidores e valorização das marcas.

A multiplicidade de canais implica ainda em comportamentos que geram a demanda constante por análise de dados (big data) e leitura comportamental, coroando as pessoas e as informações que geram como centrais em qualquer estratégia de marca.

Para finalizar o livro, são abordadas, com direito a apresentação de passo a passo, estratégias de marketing de engajamento para gerar afinidade com as marcas, destacando o uso de aplicativos mobile, gamification e social CRM para alavancar experiências e estimular conversas entre marcas e seu público.

Como bônus, o autor aborda o Momento do WOW, no qual o consumidor se surpreende com a experiência vivenciada e leva consigo a lembrança da marca que proporcionou tal momento, com grande propensão a se tornar seu defensor. O interessante nesse momento é o fato do livro deixar claro que o WOW pode ser projetado por meio do entendimento do caminho percorrido pelo consumidor, mostrando que marcas que buscam exceder os limites do bom serviço e atendimento podem se aproveitar da leitura de dados, das ferramentas digitais e da integração do tradicional e do digital para se tornarem inesquecíveis.

Tentando apresentar cada detalhe importante presente em Marketing 4.0, acabei por escrever muito, isso porque esta leitura me trouxe muitos insights e incentivos para considerar diversos aspectos do meu dia a dia como gestor de marca, percebendo que o cenário complexo no qual estamos inseridos –  marcado pela constante interação com múltiplos canais de comunicação que coexistem e, às vezes, se sobrepõe, e pela enorme quantidade de informações e exposição a demandas cada vez mais aceleradas – traz grandes desafios, mas também grandes possibilidades.

Espero que o conteúdo que apresentei tenha despertado seu interesse pela leitura de Marketing 4.0, a qual contribuiu muito com o meu conhecimento e vontade de sempre aprender mais! Me senti na obrigação de compartilhar com vocês.

Dados do livro:

KOTLER, Philip, KARTAJAYA, Hermawan e SETIAWAN, Iwan. Marketing 4.0: Moving from Traditional to Digital. New Jersey: Wiley, 2017.

PPhilip_Kotlerhilp Kotler é uma das maiores autoridades mundiais do Marketing. É mestre e doutor em economia pela Universidade de Chicago e pelo MIT respectivamente, além de possuir um pós-doutorado em matemática pela Universidade e Harvard e em Ciência Comportamental pela Universidade de Chicago. Autor do best-seller Administração de Marketing, Kotler contribui constantemente com o estudo e aplicação do Marketing, tendo escrito mais de cinquenta livros e contribuído com a trajetória de grandes empresas como General Eletric, IBM, Ford, Motorola, Merck, Disney, Intel, At&T e Nike.

 

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História, segundo o dicionário, narração ordenada, escrita dos acontecimentos e atividades humanas ocorridas no passado. Pode ser também um obra de ficção que cria um universo de seres e acontecimentos de fantasia e/ou imaginação.

Nós seres humanos somos construídos pelas histórias que vivemos e por aquelas que nos foram contadas, que chamamos de referências.

A importância de contar uma boa história é essencial para o desenvolvimento do indivíduo e consequentemente de uma marca, um conto envolvente transforma meros coadjuvantes em gênios atemporais, um dos melhores exemplos é Walt Disney, que construiu seu nome, fez dele uma das marcas mais admiradas do mundo contando histórias.

Outras “marcas” que se propagam há milênios são as religiões, com contos de seus profetas super poderosos, conteúdo pra lá de hollywoodiano, guerra entre céu e inferno, anjos, demônios, santos, pragas e maldições, roteiros de dar inveja em qualquer fã de Senhor dos Anéis ou Star Wars.

Pois bem, o mercado viu que uma boa narrativa agrega valor para a marca e encanta consumidores, surge então uma estratégia chamada Storytelling, uma forma de dialogar com os clientes usando a história da empresa ou de seus produtos, explorando fatos interessantes que fizeram a marca ser o que é, de acordo com o seu propósito e usando uma linguagem pertinente ao seu público-alvo.

Este é um belo exemplo:
http://youtu.be/MnSIp76CvUI

Apesar de ser uma estratégia nova, já foram criadas outras vertentes, como o Transmídia Storytelling, que é utilizar de todas as mídias disponíveis para se relacionar com o público, adaptando a história para o ambiente que está sendo utilizada afim de propagar a ideia da melhor forma possível.

bossUm conto é uma forma de aflorar a imaginação das pessoas, aproveitando da interatividade atual de um mundo conectado, as marcas têm muito para contar, fazem parte da vida e do ambiente dos cidadãos, por exemplo, você sabia que a grife alemã Hugo Boss vestia a alta cúpula do exercito de Hitler? É! Seu criador, o alfaiate que dá nome à marca era nazista ferrenho e usou mão de obra escrava na confecção de suas vestimentas, aliás, durante o período da segunda guerra mundial, estima-se que 90% das marcas alemãs usaram desse vergonhoso artifício, entre elas a badalada BMW.

Mas existem bons contos envolvendo as marcas, uso como referência a cafeteria americana Starbucks, seu logo, uma sereia de 2 caldas foi inspirado em  Moby Dick, assim como seu nome, Starbuck é um personagem do romance.

Uma dica, se vai contar uma história, que seja verdadeira, que realmente envolva o público e que acrescente conteúdo para ele, pois não adianta entrar na “onda” da moda e inventar, que a narrativa case com o propósito de sua marca. Busque referências em livros, filmes, museus, mas cuidado, quem conta um conto aumenta um ponto!

Nós vivemos dentro de um grande conto de fadas, do qual ninguém faz realmente ideia”. Jostein Gaarder

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Para realizar esta reflexão comecei buscando o significado de música pela web e o curioso foi que colocando somente o termo “música” eu encontrava sites diversos que me levam a experiência da música e não ao conceito. Achei interessante, pois a música é experiência! Envolve acordes, sons, ritmos o que remete à experimentar.

E pensando do ponto de vista do Marketing e Branding veio a minha mente algumas experiências musicais que vivi e que ficaram registradas em minha cabeça, e então…

Não adianta bater, eu não deixo você entrar. As Casas…

O tempo passa, o tempo voa e a Poupança…

Pipoca na panela, começa a arrebentar, pipoca com sal, que sede que dá…

Quero ver você não chorar, não olhar pra trás…

Creio que a maioria de vocês não conseguiu ler simplesmente as frases.

Certamente cantarolaram elas e ainda, estão com uma delas na memória neste momento. É este o objetivo! Ficar na mente das pessoas e fortalecer a marca por meio dos seus atributos e da melodia.

Quatro frases que nos remetem a lembranças, a situações e a marcas que atuam fortes no mercado e a outras que já se foram.

Estas frases isoladas não dizem tanto sobre as suas marcas, mas acompanhadas pelas melodias conseguem expressar a identidades da marca, se não integralmente, mas em conjunto com outros elementos da marca.

O jingle, assim chamado este elemento, é utilizado em diversas áreas, no qual o objetivo é fixar e intensificar uma mensagem na cabeça das pessoas.

Muitas marcas, as grandes marcas conseguiram gravar  a sua proposta e sua identidade por meio dos jingles, imagine você em um dia de frio? Eu penso em chocolate quente, em frente a TV e debaixo de cobertas, consigo pensar em um jingle: das Casas Pernambucanas, que ouvi quando era criança e hoje associo aos dias frios. (Ps.: A campanha é da década de 60, mas eu não sou tão velha assim, rsrs). Mas mesmo a Casas Pernambucanas, além deste jingle específico, ela tem outro focado na marca e no propósito da organização.
http://youtu.be/jRMaExOPoa0

Outra situação que pensei é… pipoca! “Qual é a música?”

Estes exemplos deixam registradas situações onde a marca estará presente em sua vida, falando um pouco sobre si. Mas há algumas que não precisam escrever ou dizer uma só palavra para que o público a identifique e com isso faça a associação ao propósito da marca e ao produto/serviço. A Intel é um exemplo disto.

O Itaú em uma campanha não se identificou, usando a sua bolacha azul de praxe, mas usou sua trilha sonora e uma narração, sem dizer a marca, claro que a cor ajudou, mas a melodia se tornou característica da marca.

Por outro lado, há produções que não são próprias de determinadas marcas, e os jingles não são criados especialmente para a situação. Existem casos felizes de música com reconhecimento nacional que se tornaram elementos de algumas marcas, como as marcas Faber Castell e o Chambinho (desde a década de 80). Ambas utilizam da música popular brasileira, respectivamente, “Aquarela” de Toquinho e Vinícius de Moraes, e “Carinhoso” de Pixinguinha, esta última continuou sendo usada pela Nestlé em algumas campanhas. Músicas consagradas, que caracterizam marcas e certamente registram a identidade e história de cada uma delas.

E ainda, há músicas que se tornam marcas de momentos, como “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso, “Para não dizer que não falei de flores” de Geraldo Vandré, no período da ditadura… ok ok estou “velha”, mas olha que engraçado, a Fiat em uma campanha para a Copa, teve sua música associada aos protestos que ocorreram em todo o país em 2013.

Ou seja, somos ritmados e musicais, estamos envolvidos com essa arte a todo momento, até assistindo um filme, como por exemplo,  “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, lembram da música? E “Dirty Dancing”?

Quentin Tarantino tem como uma das marcas de seus filmes a música. Se recordam de Kill Bill? Pulp Fiction? Entre tantas outras trilhas, a música é elemento fundamental para lembrança de momentos e das marcas na mente de cada pessoa.

Sábias as organizações e marcas que conseguiram desenvolver bem este elemento, encontrando desta maneira mais um caminho de contato com o público, afinal “o tempo passa, o tempo voa e as marcas das empresas querem ficar numa boa”…

Esse artigo é continuação do estudo feito pelo meu amigo Felipe Versati no Exercício de Reflexão Musical – Parte I, se você não viu, clique no link para conferir.

Exemplos de campanhas que vale a pena lembrar e/ou conhecer:

 jonhson & Jonhson: http://www.youtube.com/watch?v=1Dv0xVQchbc

Parmalat: http://www.youtube.com/watch?v=tL-LJdX9Ur8

Bamerindus: http://www.youtube.com/watch?v=KIPsc-1xq3Y

Faber Castell: http://www.youtube.com/watch?v=LP55uXmyN7A

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Esses dias conheci o Shopping JK Iguatemi em São Paulo. Lindo templo de consumo que atrai olhares de todos, principalmente daqueles que estão só para olhar e não para comprar. Ao entrar no local, comecei a perceber as pessoas que frequentavam e cheguei a conclusão que, há muita gente com muito dinheiro nessa cidade e que está lá para gastar o que der, mas que também há os curiosos, aqueles que estão lá só para ver aquele ambiente de “ostentação” e sonhar com os produtos expostos nas vitrines.

O que achei mais engraçado olhando as lojas, é que nem tudo o que está à venda é do melhor bom gosto. Sim, é algo pessoal, mas não acho que todos os produtos tenham um design tão maravilhoso que mereçam que eu gaste R$ 6.000,00 por uma bolsa que pode ser considerada até “feia” ou “estranha”. Posso estar fora do público-alvo daquelas lojas, mas acho que bom gosto eu tenho.

Todo esse pensamento me fez começar a considerar o poder das marcas, principalmente das marcas de luxo, e me veio uma pergunta em mente: As pessoas pagam pelo design diferenciado e/ou pela qualidade excepcional?, ou na verdade elas estão pagamento mesmo por aquela marca que dará aquele status e que poderá até gerar comentários sobre você na rua, algo como “Olha aquela moça, ela tem uma bolsa Chanel, que rica!”.

Se formos pensar bem, hoje em dia alguns produtos de luxo são feitos na China e nem sempre significam que a qualidade embutida é a melhor que se pode imaginar. Há casos sim em que uma bolsa pode ser feita do couro especial com gado criado especialmente pela marca para fazer um produto mais bonito, com melhor qualidade e principalmente exclusivo!  Coisa que será vendido a clientes especialíssimas em um evento super glamouroso.

Mas, voltando a realidade, quanto mais estudo as marcas mais percebo que a chave da questão não está no produto e na qualidade que ele tem (às vezes isso pode até ser uma desculpa que o seu inconsciente cria para existir uma razão sustentável para comprar determinado produto) e sim no valor da marca na mente do consumidor. E criar valor é algo que as marcas de luxo fazem excepcionalmente bem, senão, não seriam o que são e nem poderiam cobrar o que cobram porque ninguém gastaria à toa.

O que está embutido nessas marcas é a percepção que os outros tem sobre aqueles que as possuem, o status transmitido, o fato de ser uma marca, provavelmente estrangeira, e que será conhecida no mundo inteiro. Na situação mostrada anteriormente, da bolsa de R$ 6.000,00, o que o consumidor está comprando de fato, não é o acessório, porque bolsa por bolsa, marcas brasileiras e não tão caras também vendem e muitas são até mais bonitas. O consumidor na verdade esta comprando o valor de marca que ele percebe e o que ela gerará na sua vida.

E quanto maior o valor que a marca conseguir transmitir, mais ela pode cobrar por isso, pois ela atinge o intangível, o emocional de quem compra um produto de luxo. Se formos pensar bem, quem compraria algo tão caro se não for para expor? Se formos falar então da tão comentada “necessidade” do cliente o qual o marketing costuma tentar satisfazer, no caso dos produtos de luxo, penso que essa necessidade não é bem o produto em si, mas sim a capacidade dele de mostrar aos outros a posição social que o dono ocupa. Uma evidência deste fato, é que segundo estudo elaborado pela Interbrand, sobre o mercado de luxo, até 90% do lucro destas marcas vêm da magia que a etiqueta desperta nas pessoas.

Não posso esquecer nunca da função dos grupos nesse processo de marca. Aquela velha historia, se um tem, automaticamente todos devem ter para se sentir pertencente ao grupo, e por essas e outras, na medida do possível é claro, a pessoa acaba comprando aquele produto.

Usando outro tipo de exemplo, agora mais masculino, o que significa um carro de luxo na vida de um homem? Para ele pode passar não só símbolo de riqueza e abundância, mas também um modo de expressar seu estilo de vida, atrair pessoas com os mesmos interesses, se exibir nas ruas em que passa, virar alvo de conversas. Mas então, repito a minha pergunta. Será que a qualidade/design/capacidades funcionais são tão excepcionais assim que merece que se pague mais de um milhão de reais numa Ferrari, em vez de comprar uma BMW um pouco mais simples, ou até então um carro importado mas que seja comum?

No caso dos carros pode até ser que essas características se diferenciem dos outros carros, lembrando que no exemplo, a Ferrari além de tudo é um carro esportivo. Mas pensando também na bolsa de R$ 6.000, 00, o caso aqui além de tudo que já foi exposto é se diferenciar da massa. Para quem não sabe, faz parte do programa de relacionamento com clientes de algumas marcas, preparar eventos exclusivíssimos só para aqueles consumidores mais frequentes, para apresentar uma nova coleção ou uma linha de produtos em que a tiragem é pequena, por exemplo, apenas 10 pessoas no Brasil terão uma igual.

Sobre o conceito de exclusividade, a marca Louis Vuitton foi por muito anos, e até continua sendo o sonho de muitas mulheres. Mas, acredito que nos últimos anos a marca andou descuidando de algumas coisas na sua plataforma de marca, pois ao que vejo, perdeu a algumas características que a manteve por tantos anos como sonho de consumo. Pensando nos brasileiros, quantas mulheres nas ruas, que aparentam ter uma condição social melhor tem uma bolsa, nem que seja o modelo básico da Louis Vuitton? Muitas!

Louis Vuitton ShopNeste caso há a questão da pirataria no ramo, que é tão forte para a Louis Vuitton que a fez figurar em rankings não tão bons para suas estratégias de marca: a de uma das mais falsificadas do mundo. Isso pode não só ter atrapalhado a sua imagem, mas também um pouco do glamour, já que foi extremamente popularizada, mesmo que de uma forma ruim, mas que contribuiu para que a marca, a meu ver, perdesse um pouco do conceito de exclusividade que o segmento de luxo carrega.

Apesar disso, o modelo básico da marca, principalmente se comprado no exterior, não é tão impossível de se alcançar, então no fim das contas foi a bolsa escolhida para preencher a lacuna das mulheres quanto a produtos luxuosos. Pode ser até que isso seja uma estratégia, um produto considerado de entrada, para poder fidelizar estas clientes e fazer com que elas se tornem clientes habituais, mas mesmo assim, discordo da atual abundância da marca nas ruas de São Paulo, e a facilidade com que se compra uma bolsa dessas no exterior.

Podemos até pensar que nos Estados Unidos, os produtos de luxo são mais baratos, os de alto luxo podem até ser mais baratos, mas não o suficiente para ser alcançado pelas camadas mais baixas. Em viagem que fiz, cheguei a olhar vitrines, e os preços sim estavam melhores do que no Brasil, entretanto, ainda fora das possibilidades de grande parte da população mundial.

Por essas e outras que concluo que as marcas de luxo têm todo um simbolismo por trás, não podendo ser levado em conta o produto em si, mas sim o que ele oferece aquele que o porta. E isto, deve estar embasado por uma super plataforma, estratégia de marca e posicionamento, baseados na premissa de que são produtos que refletem os valores de pessoas únicas e que tenham condições para pagar, se não acaba perdendo o glamour e o benefício hedônico.

Referências:

http://vejasp.abril.com.br/materia/louis-vuitton-gucci-chanel-marcas-luxo

http://makenotfake.com/index.php/en/home-en/2-uncategorised/28-8-most-counterfeited-products

http://www.theguardian.com/lifeandstyle/gallery/2009/mar/17/fake-designer-fashion-counterfeit-pictures#/?picture=344708576&index=7

http://prosimetron.blogspot.com.br/2012/09/tiffany-co-uma-historia-de-sucesso.html

 

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Patricia Gatti Marchesi

Administradora de Empresas com especialização em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing – SP. Apaixonada pela dança, o que a ajudou a desenvolver a disciplina e a atenção que contribuíram para um olhar todo diferente a respeito das marcas e do relacionamento com o consumidor. Interessa-se pelo universo das marcas, do marketing digital, do consumo e das tendências.

 

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