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Há mais de um mês, estava andando pela rua e de repente reparei que a loja do O Boticário não tinha mais aquelas pastilhas verdes na fachada, era cinza e vermelha. Causou-me um certo estranhamento (sou designer!), mas já tinha visto algo sobre o novo conceito de loja (em abril) com maior experimentação tecnológica e storytelling de produtos. Só não achava que aquele verde que remetia o conceito sustentável da marca iria sumir da fachada e dar lugar a um vermelho batom e cinza sóbrio.

loja

Pensei bem sobre essas mudanças nas marcas. Uma ousadia, visto que o consumidor já está acostumado e consegue identificar uma marca apenas pelas cores da fachada. O que seria o Itaú sem o laranja ou as Casas Bahia sem o azul e vermelho?

Então lembrei que até as Casas Bahia andou ousando e mudando as cores do próprio logo (lembre o caso). Mas por que as marcas mudam sem respeitar nossa memória ou herança de marca?

logo-uniaoPor que mudanças, mesmo que pequenas nos causam desconforto?

Me esqueço que sou designer e penso no meu lado de comum consumidora. Existe razão para que o logo do açúcar União ter mudado para caixa-baixa? Por que os Correios trocaram o logo se todos já o reconheciam? E qual a razão da Hering trocar a fonte?

É difícil aceitar mudanças.

Mas as marcas são como pessoas, precisam evoluir e se renovar. Elas podem ter conquistado e ganhado a sua fidelidade, mas podem te perder para um concorrente mais novo ou também morrer com a próxima geração de consumidores.

A novidade faz parte da dinâmica do mercado. Os clientes têm quase as mesmas necessidades e são guiados pela mente habitual (piloto automático), mas o que consegue despertar a mente executiva (onde ocorre o processamento cognitivo) pode ser o diferencial que as marcas precisam para serem adquiridas. Isso pode ser na forma de algum sinal visual ou discursivo, redesenho de logo, nova campanha, reformulação da marca ou novos produtos.

No caso do Boticário, a marca evoluiu. Fiquei incomodada com uma fachada, mas todo o conceito da marca garantiu que ficasse mais ousada e destacasse a ideia de beleza transformadora do seu DNA. O plano de reformulação iniciado em abril com algumas lojas conceito, parece estar se consolidando com a rápida mudança nas várias franqueadas. Estrategicamente no final do ano, próximo ao Natal, época de maior faturamento.

As mudanças não vem por acaso…

Referências

http://youtu.be/W1sf6-FfysU

http://www.infobranding.com.br/heranca-de-marca/

http://www.infobranding.com.br/o-design-e-os-habitos-do-consumidor/