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As companhias prestam muita atenção ao custo de fazer alguma coisa. Deviam preocupar-se mais com os custos de não fazer nada.” Philip Kotler

Recentemente li um artigo de Carmen Migueles, especializada em gestão de ativos intangíveis e coordenadora do núcleo de estudos de sustentabilidade em gestão da FGV, com o título “É preciso falar sério sobre produtividade”. E realmente precisamos.

Migueles expõe seu temor pela saúde das empresas e das pessoas dentro delas em 2015, um ano que promete ser difícil. E neste contexto, o valor para as organizações brasileiras tem sido a redução de custos: O conceito de excelência em gestão está ancorado em corte de custos fixos e em ganho financeiro de curto prazo“.

A autora também afirma termos esquecido a lição central de Taylor, pai da administração científica e responsável por aumentar em 300 vezes a produtividade do trabalho humano: “quando perdemos o foco na inteligência aplicada à gestão, perdemos muito em produtividade”.

De fato, na década de 1990, era possível fazer mais com menos. Só que hoje estamos fazendo muito menos com menos.,diz a especialista. E não devemos apenas cobrar educação do governo, usar o discurso da meritocracia ou de senso de dono, a gestão precisa ser repensada:

“Vemos grandes quantidades de pessoas sobrecarregadas de tarefas competindo por tempo escasso. Mas foi exatamente isso que Taylor provou que reduz a produtividade. Os gargalos organizacionais são enormes por falta de investimento e inteligência em gestão. Há foco excessivo em cortes de custos, mas não costuma haver quem se dedique a analisar o impacto sistêmico que esses cortes causam. Não à toa, na maioria das empresas que visito, vejo processos rígidos, burocráticos, controles distantes e centralizados e sem nenhum mecanismo de desenvolvimento organizacional. Gestão do conhecimento, inovação e aprimoramento de processos aparecem em discursos vagos, descolados da prática.” (MIGUELES, 2014)


MAS O QUE A PRODUTIVIDADE TEM A VER COM BRANDING?

Simplesmente a produtividade está diretamente ligada ao branding em todos os sentidos, envolvendo desde a cadeia produtiva até aspectos internos como propostas de endobranding ou até o branding pessoal.

Além disso, ações relacionadas à gestão podem impactar diretamente na produtividade, por consequência, na entrega de produtos ou serviços e estes, por sua vez, na percepção de marca.

Ouve-se muito sobre a importância da gestão de marca e empreendedorismo, que o tempo tem sido um fator cada vez mais valorizado pelas pessoas e é possível notar que o próprio tema produtividade tem sido abordado com frequência em portais, cursos e redes sociais.

Em contrapartida, fala-se muito sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, como apresentado nesta matéria da BBC Brasil, e não precisamos ir muito longe para perceber uma queda contínua de qualidade em produtos e atendimento no país.

Fica então alguns pontos que valem ser analisados e que podem poupar sua marca neste cenário de risco:

  • Não pense que os pequenos problemas internos não podem afetar a imagem da marca;
  • Verifique a efetividade da comunicação. Peter Drucker já dizia que 60% de todos os problemas administrativos resultam da ineficácia da comunicação;
  • Analise se existem gargalos organizacionais por falta de investimento e inteligência em gestão;
  • Cortes de custos devem ser feitos de forma criteriosa, pensando nas possíveis consequências no brand equity;
  • Tenha cuidado ao gastar mais tempo com as ferramentas de produtividade em vez de colocar as ações em prática;
  • Ações táticas e estratégicas se complementam. Não pense apenas na construção de longo prazo, pois constantemente os consumidores exigem respostas rápidas e o mercado ações momentâneas;
  • Troque desorganização, retrabalho e falta de planejamento por objetivo, foco, responsabilidade e ação.

 

CONSULTAS:

BBC BRASIL: “Entenda por que a produtividade no Brasil nao cresce”

E-COMMERCE BRASIL: “Pesquisa revela queda na qualidade dos serviços prestados aos consumidores no Brasil”

ESTADÃO ECONOMIA: “Produtividade baixa impede que Brasil cresça mais”

EXAME.com: “O futuro é dos serviços, e o Brasil está muito atrasado”

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WAIGAYA??

Não, o termo não pertence ao vocabulário japonês ou qualquer outra língua. Waigaya é um modelo de encontro aparentemente caótico e não planejado que passou a ser marca registrada da Honda Motor Company para resolver os mínimos problemas.

O nome foi dado por Takeo Fujisawa, sócio do fundador Soichiro Honda. “Ele a escolheu por achar que as três sílabas soam como a confusão de várias pessoas falando ao mesmo tempo – wai-ga-ya, wai-ga-ya, wai-ga-ya; em português, poderia ser zum-zum-zum. É o barulho das discussões acaloradas e do livre fluir de ideias; representa um campo de batalha de fatos e opiniões”, informa Jeffrey Rothfeder (HSM, 2014), colaborador da strategy+business, ao descrever este diferente modelo de reunião.

Apesar da semelhança com o brainstorming (tempestade de ideias ou tempestade cerebral) – um método que teve origem nos Estados Unidos em agências de publicidade e consiste em dinâmicas de grupo utilizadas para buscar soluções de problemas específicos, projetos e desenvolvimento de ideias explorando a capacidade criativa – é mais bem estruturado e se prende de alguma forma à hierarquia, diferente do Waigaya.

Os quatro princípios centrais da abordagem Waigaya são:

  1. Na reunião todos são iguais (não existe hierarquia) e podem expressar seus pensamentos de forma livre e sem impunidade;
  2. Todas as ideias devem ser debatidas até que sejam comprovadas como válidas ou então rejeitadas.
  3. A partir do momento em que a ideia é compartilhada, esta passa a pertencer à Honda, e o grupo pode fazer o que quiser com ela.
  4. No final do Waigaya, decisões e responsabilidades são geradas com uma precisa lista de quem deve fazer o que e quando.

Podendo durar de meia hora, para problemas específicos e imediatos, ou semanas/meses, abordando problemas mais complexos, o Waigaya assume várias formas, de três a vinte pessoas, e é praticado pelos departamentos de vendas, marketing, produção e manutenção.

Apesar deste processo parecer demasiadamente livre para prejudicar a produtividade ou até mesmo aparentar falta de uma liderança que consiga produzir resultados efetivos, as reuniões propostas pelo Waigaya possuem uma estrutura de organização que visam seu sucesso e eficácia.

“No coração do Waigaya está um conceito simples: paradoxos e discordâncias são a essência da melhoria contínua. A maioria das empresas tem medo de tanta dualidade, mas, como a história mostra [1], são os conceitos opostos que costumam alterar a equação de negócios: centralização versus descentralização, empowerment versus produtividade, controle multinacional versus autonomia local, e assim por diante.” (ROTHFEDER, 2014).

Cada empresa aplica ou desenvolve seus próprios métodos para a resolução de problemas, mas vejo que um erro comum é a adoção de práticas de forma incompleta ou que não estão de acordo com a estrutura organizacional da empresa ou com o momento em questão. Por exemplo, uma prática aplicada de forma inadequada pode demandar mais tempo para as ideias e menos para a prática, acarretando atraso nas ações, falta de produtividade, perda de oportunidades de negócio ou até espaço para a concorrência; gerar intrigas ou frustrações; sem contar que uma falha tentativa em adotar novas práticas na empresa pode levar os gestores a anular quaisquer outras futuras iniciativas que poderiam ser eficazes.

Segundo Gilberto Guimarães [2], com a constante inovação científica, tecnológica e social, hoje as empresas são obrigadas a se reinventar a cada 2 ou 3 anos. Ou seja, os profissionais também precisam se reinventar e os processos serem repensados.

É importante lembrar que as ações internas, principalmente os hábitos, influenciam e podem refletir na percepção da marca. “Quando as empresas se concentram em mudar hábitos, organizações inteiras podem se transformar. Empresas como a Procter & Gamble, a Starbucks, a Alcoa e a Target já tiraram proveito dessa revelação para influenciar o modo como o trabalho é feito, como os funcionários se comunicam, e — sem que os clientes percebam — o jeito como as pessoas fazem compras.” (DUHIGG, 2012).

Por que não aproveitar o final do ano e refletir sobre os hábitos (pessoais e também da equipe), repensar, ajustar ou até criar modelos de processos e de comunicação (mesmo as simples reuniões)? Rumo a 2015 não só com as energias renovadas, mas com motivação e produtividade.

REFERÊNCIAS

[1] ROTHFEDER, Jeffrey. For Honda, Waigaya Is the Way. Strategy & Formerly Booz & Company, August, 2014. Disponível em: <http://www.strategy-business.com/article/00269?pg=all>.

[2] Palestra sobre tendências de marketing e RH no mercado atual com Gilberto Guimarães, colunista de carreiras do jornal Valor Econômico e no site da revista Você S/A, proferida na Business School São Paulo (BSP). 2014, São Paulo.

DUHIGG, Charles. O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

ROTHFEDER, Jeffrey. Já fez sua reunião Waigaya hoje? HSM Management, ed. 107, Nov.-Dez. 2014. p. 14-15.