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Tenho acompanhado com muita atenção os desdobramentos da crise que enfrentamos e, confesso, que nunca vi tantos palpites, análises equivocadas e opiniões sem fundamento ganharem espaço e destaque na mídia. Estamos diante de algo novo que ainda tentamos entender, sabemos que as consequências serão graves, mesmo sem termos ainda uma clara noção da escala em que esses acontecimentos afetarão a economia e, consequentemente, o modo de vida. Como já está evidente, epidemias acontecem e devemos, doravante, considerá-las eventos prováveis, sobre os quais teremos que lidar.

Algumas avaliações que encontrei, deram partida nas considerações que apresentei para a reflexão. Lembro que não tenho a pretensão de oferecer certezas científicas, apenas observações que os estudos e minha experiência na área de design de embalagens me ajudam a conceber sobre como é possível as embalagens se beneficiarem dessa nova situação e onde estão as oportunidades para o nosso setor. Então, vamos a elas:

  1. Vida pós-crise

Fala-se em “novo normal”. Isso quer dizer que a nossa vida deve, daqui para a frente, considerar o imprevisto, novas epidemias e crises econômicas como fatos “normais”. A incerteza e os novos aprendizados que essa situação nos trouxe devem ser incorporados e farão parte da vida. Para mim, o primeiro fato registrado neste aprendizado foi a corrida aos supermercados. Concluí que o comportamento de manter estoques de segurança deve permanecer como atitude de precaução. Portanto, embalagens que favoreçam a estocagem e que ofereçam maior prazo de validade devem se beneficiar deste contexto  – este último ganha destaque na leitura mais atentiva dos dizeres de rotulagem.

  1. Pedindo tudo em casa

O delivery, que já vinha crescendo, ganhou uma dimensão impressionante nessa crise, pois foi extremamente favorecido pela quarentena e pelo fechamento do comércio. O e-commerce e as vendas online se tornarão praticamente obrigatórios para a maioria dos negócios B2C e as embalagens de entrega dos produtos ganharão importância estratégica, função e significados, que farão delas ferramentas de marketing cada vez mais relevantes no negócio das empresas.

No e-commerce as embalagens não podem apenas “carregar” os produtos: são elas que fazem o contato com as pessoas no mundo físico e promovem a primeira experiência com a mercadoria. São elas que promovem um final feliz para o processo de compra ao encerrarem, no momento da entrega, todas as expectativas e incertezas naturais deste tipo de comércio. Por isso, devem incorporar novas funções, como “conversar” com o consumidor, estabelecer empatia com a marca, esclarecer mais sobre o produto adquirido, estreitar relacionamentos e iniciar a próxima venda.

  1. A volta da comida caseira e das refeições em casa

Novos hábitos derivados do confinamento, da quarentena, do home office e do desemprego farão com que as pessoas estabeleçam relações diferentes com a casa e com tudo o que está relacionado a ela. A alimentação no lar se torna mais frequente e até preferencial devido a desconfiança que se instalou em relação a alimentos que são, como foi amplamente divulgado, a origem do vírus.

O Food Service, que já vinha crescendo dois dígitos anteriormente, vai demandar cada vez mais embalagens, abrindo uma nova frente a ser explorada pela indústria, que deve prover embalagens melhores, eficientes, mais bonitas e atraentes na tarefa de entregar comida na casa das pessoas com praticidade e segurança. Este é um segmento que deve crescer muito e que merece especial atenção.

  1. Saúde em primeiro lugar

Cuidados com a saúde ganharão nova dimensão e devem abrir oportunidades nos segmentos farma, higiene e limpeza. O hábito de lavar as mãos, promovido amplamente na comunicação contra o coronavírus, abre espaço para, por exemplo, sabonetes antibactericidas com álcool gel e outras inovações derivadas da preocupação com a saúde. Esses produtos devem ganhar cada vez mais espaço, sendo que as farmácias serão um campo competitivo que exigirá a máxima atenção dos fabricantes de embalagem.

Os cuidados com a higiene da casa, onde as pessoas passarão mais tempo e que se tornaram uma espécie de refúgio seguro que deve ser equipado, abastecido, limpo e conservado, receberão atenção redobrada – embalagens dessa categoria promoverão cada vez mais os hábitos de limpeza, desinfecção e assepsia.

Outro segmento que pode se beneficiar das preocupações com a saúde e que havia pouco ou nenhum apelo é a infraestrutura das construções residenciais. Tintas e impermeabilizantes que combatem o mofo e bolor, reconhecidos inimigos da saúde por abrigarem fungos e bactérias, promoverão a venda de produtos em embalagens que acentuem e explorem estes atributos.

  1. Alimentos mais saudáveis

Alimentos sem conservantes ou aditivos químicos serão cada vez mais procurados e promovidos pelos influenciadores que hoje têm expressão e são ouvidos seus seguidores. Embalagens que permitam a conservação natural dos alimentos e, principalmente, aquelas ofereçam aos consumidores informações sobre como e porquê o alimento é conservado pela embalagem, de onde ele vem, como é processado e qual a melhor utilização do produto, farão diferença na competição.

Embalagens de papel cartão, por exemplo, devem ser melhor utilizadas na exploração dos seis lados que oferecem para a comunicação impressa. A rotulagem de alimentos será lida com mais atenção pelos consumidores e a inclusão do QR Code que leve informações detalhadas sobre o fabricante, a marca e tudo o que puder fazer o consumidor saber mais e ter segurança sobre o que consome, será útil nas embalagens.

  1. Animais de companhia

A permanência em casa com animais de estimação e o fato dos pet shops terem permanecido abertos durante a pandemia, faz com que sejam favorecidos – as pessoas passaram a conviver mais e a dar mais atenção aos bichinhos, o que aumentou o consumo de produtos pet. O Brasil é o segundo mercado mundial de pet food e esse segmento representa uma excelente oportunidade para a indústria de embalagem, visto que requerer tanto proteção quanto apresentação visual de boa qualidade.

Um item que se destacou foram os chamados snacks funcionais, aqueles palitinhos e ossinhos mastigáveis usados para agradar os cães e gatos. Estes snacks foram objeto de informação provida por veterinários que ensinaram aos consumidores que esses produtos são úteis, pois ajudam a baixar o stress dos cães e gatos e podem ser utilizados para enriquecer a experiência e o relacionamento dos donos com seus animais de estimação.

  1. Empreendedorismo doméstico

“Revolução Maker”, startups e iniciativas de pessoas que desejam criar seu próprio negócio foram potencializadas pela pandemia. Além dos que perderam o emprego e precisam prosseguir por sua própria conta, pessoas qualificadas que ficaram em casa e aproveitaram o tempo para tirar da gaveta aquele sonho de ter o próprio negócio. Eles arregaçaram as mangas colocando seus projetos para andar. O movimento dos pequenos negócios já está acontecendo com o apoio do Sebrae que conta com dados sobre o tema. Os números demonstram que pequenas empresas precisam de acesso à indústrias capazes de fornecer embalagens de qualidade em tiragens reduzidas.

Estar disponível às empresas para comprarem em pequenas quantidades com preços acessíveis representa uma oportunidade de ouro para o setor de embalagem. Aproveitar a abertura gerada pela pandemia para aprofundar sua presença junto aos pequenos negócios, tanto os que já existem, que já são milhões, como os que surgirão como fruto direto da crise.

A impressão digital deve ser olhada com atenção. Embalagens práticas, fáceis de comprar, usar e vender, são soluções que podem ser utilizadas em casa, garagens e pequenos galpões, sem necessidade de grandes investimentos, estão amplamente favorecidas neste momento e requerem atenção especial da cadeia produtiva.

  1. Design de embalagem pós-crise

A embalagem é expressão da cultura material de um povo. Ela reflete o estágio de desenvolvimento cultural e industrial da sociedade e, depois de tudo o que aconteceu, as pessoas vão gostar de encontrar embalagens com novo design, que expresse o espírito vitorioso de quem venceu a crise. As empresas que saírem na frente e apresentarem seus produtos em um novo visual mais colorido e otimista, abrirão distância do que ficou para trás.

Normalmente o redesign das embalagens deve acontecer de tempos em tempos para manter fresca e vitalizada a apresentação visual do produto, mas agora, o redesign se transformará numa oportunidade de marketing e comunicação para as empresas que se dispuserem sair na frente renovando o desenho de suas embalagens. A oportunidade para a indústria, neste caso, está em oferecer a sugestão e ajudar os clientes na renovação rápida de suas embalagens, agilizando processos e facilitando o que for possível. Alianças estratégicas com agências de design podem ajudar a conquistar novos clientes e a reforçar os laços com os clientes atuais. Apenas lembrando que é preciso tomar cuidado para não descaracterizar o recipiente anterior a ponto do consumidor não reconhecer mais.

Estas são algumas observações que considero importantes. Vale lembrar que “nenhum produto concorre no mercado”, o produto concorre na categoria e é nela que as oportunidades são encontradas e se realizam. Como estamos vendo, a crise não atinge todas as categorias da mesma forma, algumas até são favorecidas, como é o caso do álcool gel, alimentos, produtos de higiene e limpeza, produtos de farmácia, food service e pet food.

Minha recomendação é que a indústria de embalagem coloque seu foco nas categorias onde os produtos competem e passem a realizar com maior frequência estudos de campo para observar in loco o que está acontecendo.

Todo fabricante de embalagem precisa verificar se as embalagens que produz são melhores, piores ou iguais às embalagens dos concorrentes, que estão expostas a seu lado. Se a sua embalagem for “inferior”, o fracasso será uma ameaça concreta. Crise não é novidade, já atravessamos outras e vamos atravessar essa também. Importante é ter atitude para não ficar sofrendo a crise, mas sim se apropriar dos ensinamentos e, acima de tudo, das oportunidades. Afinal se você ainda não viu oportunidade nesta crise é porque não olhou direito!


Fábio Mestriner é consultor da Ibema Papelcartão. Designer, professor do curso de pós-graduação em Engenharia de Embalagem do IMT Mauá e autor dos livros Design de Embalagem – Curso Avançado, Gestão Estratégica de Embalagem e Inovação na Embalagem – Método Prático.

 


Imagem: @curology

Diversos gestores de empresas aproveitam o tempo em quarentena para realizar estudos de branding nas suas empresas, esquecendo também da sua marca pessoal.

Perceber como você, seu discurso e propósito são vistos é parte essencial para construir uma imagem sólida, que deveria ser levada em consideração durante esse momento de distanciamento social.

Durante um webinar direcionado a diversos profissionais de comunicação, Lucas Lima, diretor de marca e relacionamento da midiaria.com, e Marcia Auriani, gestora executiva do InfoBranding, discutiram sobre a necessidade de cada profissional cuidar da sua imagem.

Jogar o jogo em vez de só assistir

Para os especialistas, o primeiro ponto que o profissional deve se atentar é definir um ponto de partida. “A pessoa, independentemente do cargo, tem que conhecer seus atributos, para que ela consiga se comunicar com o mercado”, afirma Lima. Ele ainda cita que é importante se diferenciar de outras marcas, desenvolvendo novas habilidades e explorando novas áreas.

Já para Marcia Auriani, a construção de uma boa marca pessoal deve começar pela paixão. “É como estar apaixonado. Devemos acordar com aquela alegria, viver intensamente, motivados em dar o melhor de si”.

Ela ressalta ainda que a pessoa deve ter foco em suas ações e desafios, buscando aumentar a sua capacitação e ter um repertório diferenciado de conhecimento.

“Não basta apenas ir ao jogo, tem que vivenciá-lo, se preparar para ele. Todo profissional tem que se capacitar para dar o seu melhor e possuir foco, reputação e repertório. O branding só existe se cuidarmos da reputação primeiro”, explica.

 O sucesso de outras marcas pessoais

Diversas empresas de sucesso, nacionais e internacionais, estão ligadas à força das marcas pessoais de seus donos e executivos. É o caso da Luiza Trajano, CEO da Magazine Luiza, e Oprah Winfrey, apresentadora de televisão dos EUA.

No caso das referências apresentadas, tanto para Lucas Lima e Marcia Auriani, a capacitação e o amor durante a entrega são os diferenciais que transformaram essas profissionais em personalidades de referência. “A Luiza Trajano mantém um carinho com o pequeno empresário, uma vez que ela começou dessa forma e a sua empresa cresceu. Assim, ela espera que todos evoluam com ela”, afirma Lima.

“A Oprah venceu uma situação totalmente desfavorável para crescer e se tornar uma das maiores empresárias dos EUA. Investiu seu tempo em estudo, capacitação e oratória para alcançar o público com que gostaria de falar”, cita Marcia.

A força do Social Media

Um dos pontos que o profissional deve trabalhar constantemente são suas redes sociais. De acordo Marcia, elas devem ser pensadas não apenas como o local de reunião de amigos e familiares, mas como um veículo de comunicação de sua trajetória e do propósito da pessoa.

“O profissional deve tratar com mais carinho as suas redes sociais. O seu discurso deve estar alinhado com a imagem que ele quer passar ao mercado, evitando compartilhar qualquer mensagem fora do que realmente acredita. O mercado quer conteúdo de qualidade”, afirma.

Marcia Auriani ainda destaca que a produção de conteúdos exclusivos, como artigos, cursos e experiência, possibilitam um networking melhor, bem como fortalece a imagem pessoal.

Via: midiaria.com

Inspirada pelo lançamento da nave espacial Falcon 9, da SpaceX, em parceria com a Nasa, a marca Jontex estreia campanha que celebra o produto Jontex Orgasmo em Sintonia e reforça seu DNA de inovação e tecnologia de produtos.

O filme é uma referência direta ao foguete norte-americano, e passa a fazer alusão ao produto da marca quando mostra um homem retardando a contagem regressiva do lançamento na estação especial, como se esperasse algo. Até o momento em que a mão de uma mulher entra em cena e, juntos, eles acionam o lançamento e ressaltam o principal benefício do produto, o aumento do prazer da intimidade a dois, que proporciona ao casal o mesmo ritmo.

Tanto a locução quanto o letreiro do filme ressaltam a seguinte mensagem: “Cheguem JuntXs ao espaço. Jontex Orgasmo em Sintonia. Retardante para ele, acelerante para ela. Sintonizante para os dois”.

“Trata-se de um momento super oportuno. Contudo, a agilidade só foi possível porque estávamos trabalhando nesse projeto em 3D anteriormente e pudemos adaptar para o momento atual”, explica Laura Azevedo, diretora de criação da BETC/Havas. “Um dos nossos principais valores é a identificação com a cultura pop, se algo é notícia no mundo, estamos lá, pensando nessas oportunidades para nossos clientes”, completa Andrea Siqueira, diretora executiva de criação.

A campanha será veiculada exclusivamente no ambiente digital e já pode ser vista nas redes sociais de Jontex.

Rede de hamburguerias realiza gesto solidário para profissionais que estão na linha de frente da Covid-19

O Bullguer, rede de hamburguerias paulistana especializada em smashburguer, distribuiu nesta semana 100 Combos do Bem para os colaboradores do Centro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), na região central da capital paulista.

Os lanches foram preparados na unidade da rede da República numa iniciativa que faz parte da série de ações solidárias da rede como forma de reconhecimento aos profissionais que estão lutando para salvar vidas neste momento de grande mobilização mundial.

Nas últimas semanas, o Bullguer também realizou entregas de lanches para profissionais que atuam em hospitais no combate da Covid-19, entre eles o Hospital de Campanha do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) e Instituto Nacional Fernandes Figueira (IFF), Rio de Janeiro.

Uma outra iniciativa da rede é o combo promocional solidário do Bullguer em parceria com outras marcas: Hershey’s, Baer-Mate, Sprite, Vigor Alimentos, Lowko, GoldKo, Casa Victoriana, InovaGraf, Martin Brower, Convitta e Prime Cater.

O Combo do Bem, no valor de R$ 39,90, terá venda total revertida para a CUFA (Central Única das Favelas), ONG que conta com o programa Mães da Favela, que busca ajudar principalmente mães que são chefes de família nas comunidades.

O combo inclui sete itens: 1 Hambúrguer Bullguer (Green One ou Bullguer), 1 Queijo Parmesão Lascas Faixa Azul, 1 sorvete Lowko, 1 barra língua de gato GoldnKo, 1 Sprite Lemon Fresh, 1 Baer-Mate e 1 pacote Hershey’s Bites. Disponível para venda no delivery pelo app da Rappi e em seis unidades Bullguer de São Paulo (Anália Franco, Santana, Perdizes, República, Jardins e Vila Nova Conceição).


COVID-19 E COLABORAÇÃO DAS MARCAS
Diante da pandemia do coronavírus (COVID-19), muitas marcas têm colaborado com serviços, informações e suporte para que os brasileiros possam enfrentar essa situação. O InfoBranding colabora com o compartilhamento destas ações e apoio das marcas AQUI.

MARCAS EM TEMPOS DE QUARENTENA
E para saber mais sobre as campanhas, ações e alternativas criativas que as marcas têm praticado para oferecer seus produtos e serviços, acesse AQUI. Afinal, ideias geram novas ideias para que as empresas busquem soluções criativas em tempos de crise sem deixar de priorizar a saúde de seus colaboradores. Compartilhe!

É tempo de mudanças, mas como mudar sem saber o que vem pela frente?  Começamos de dentro para fora

Tem que parar, tem que seguir, tem que mudar… O que, afinal de contas, temos que fazer em um período como esse que estamos vivendo? Naturalmente que cada caso é um caso e, mais do que isso, não existe uma fórmula mágica para um cenário tão imprevisível. Mas eu acredito que é tempo de fortalecimento das marcas.

Uma vez que tudo desacelerou para alguns setores, essa é a chance de dar aquela geral na casa que sempre é adiada. Investir tempo e dedicação ao cuidado da empresa para que ela não se perca nesse momento e nem perca o fôlego no retorno. Se preparar, de verdade.

Vamos imaginar que você foi convidado para dar uma palestra, por exemplo. Existem alguns preparativos para esse dia: entender qual será o público, definir a mensagem que pretende passar, ensaiar o discurso, escolher a roupa adequada, reservar a agenda… Um verdadeiro ritual que envolve entender e atender a intenção daquela ocasião. Pois o retorno pós-quarentena é esse evento para a sua marca. E o agora é a fase de preparação.

Então, nossa proposta é olhar para o que você construiu até hoje e detectar pontos fortes e fracos. Ouvir as pessoas envolvidas – de todas as áreas, inclusive – para captar insights, percepções e avaliações. Revisitar valores, questionar propósitos e ajustar posicionamento de acordo com a sua verdade.O mundo evolui, as pessoas evoluem também e mudam seus hábitos e desejos. É por isso que percebemos que a busca por marcas mais interessantes e com propósito bem definido é cada vez maior. Queremos empresas que entreguem valor e uma experiência positiva, com relevância em nossas vidas.

Valem perguntas como: de que maneira queremos ser lembrados? Nossas crenças e ações estão em sintonia? O que oferecemos gera valor na vida das pessoas? Mais do que isso: estou olhando para essas pessoas? A identidade visual transmite e conecta tudo isso?

Olhar para fora também é importante, claro. Estamos todos mudando a forma como vivemos, nos relacionamos, consumimos, e isso irá impactar diretamente no mercado. Estar atento a essas evoluções ajuda a marca a entender e responder da melhor forma a essas transformações. Mudar envolve mexer em estruturas previamente definidas e aparentemente sólidas. Isso significa tempo, dedicação, discussões, novas estratégias (de marca e comunicação). Mas significa, acima de tudo, coragem, principalmente em um cenário tão incerto como o que estamos vivendo.

Não sabemos o que nos espera, mas se estivermos em sintonia com a nossa verdade, papel e entrega, seguiremos fortalecidos, com a confiança necessária para as oportunidades que vierem pela frente. Quer mudança? Comece agora.


Daniel Faulin de Lima: Designer, Criativo e Observador. Iniciei minha jornada no design em 2009 pelo SENAC no curso de Interface Digital, após essa temporada fiz extensão em Gestão de Marcas pela ESPM e outros cursos na área de branding, identidade de marcas, design thinking, redação e comunicação. Atualmente sou sócio e diretor de projetos da Neurona Marcas Inteligentes, desde 2009, gerencio todos os projetos de branding, identidade de marca e comunicação das empresas B2B que buscam obter resultados eficientes e criativos em suas estratégias de marca.

A rede Ice Cream Roll, franquia brasileira de sorvete tailandês, implementou o delivery, o uso de máscaras para todos os funcionários e estuda financiamento para novos franqueados.

O cenário da pandemia trouxe a necessidade de adaptação para muitos negócios e, quando falamos de uma gestão de crise, quando se trata de uma rede de franqueados o desafio é ainda maior.

A rede Ice Cream Roll, franquia de sorvete tailandês fundada em Indaiatuba em 2017, compartilha as mudanças feitas pela marca, que se prepara para enfrentar um mercado diferente no cenário “pós-pandemia” do novo coronavírus.

Diante das prováveis mudanças nos hábitos sociais e de consumo, a marca reorganiza o negócio, fazendo a implantação do sistema de delivery, que passa a fazer parte do contrato dos novos franqueados (a rede já opera com o projeto piloto em quatro de suas 21 unidades); a implantação do uso obrigatório de máscaras pelos funcionários; e a reestruturação do cardápio.

Em paralelo, a empresa atuou com os franqueados na negociação de aluguéis, e agora busca oportunidades em shoppings para contratos já assinados para o momento pós-pandemia. Para atrair novos franqueados, a marca também estuda a possibilidade de financiar parte dos investimentos. A previsão de faturamento da rede para este ano é de R$ 8,1 milhões.

“Teremos uma massa de empreendedores que já sofrem ou sofrerão drasticamente com a crise, e a nossa franquia pode surgir como uma oportunidade. A obrigação da franqueadora é se adaptar para que todos possam alcançar resultados. A transformação social já é uma realidade há tempos. Neste ano, porém, ela veio de um modo mais perceptível e abrupto. Temos de trabalhar na mesma intensidade”, comenta o CEO da Ice Cream Roll, Roger Rodrigues.

Delivery em 20 minutos

A primeira adaptação da empresa aos novos hábitos sociais já em teste em quatro dos 21 quiosques da rede: sorvete por delivery em até 20 minutos. Tal possibilidade, até pouco tempo atrás, não era adotada pela rede por dois fatores: pelo fato de a iguaria ser de difícil armazenamento; e pelo “ritual de lazer” que as pessoas cultivam de sair de casa para “tomar um sorvete”. “Fomos desafiados a inovar”, pontua Rodrigues. As lojas que já iniciaram o novo serviço ficam na cidade de São Paulo (duas), em Patrocínio (MG) e em Volta Redonda (RJ). Para que o sistema possa funcionar, alguns cuidados foram tomados: a entrega deve ser feita em, no máximo, 20 minutos, para garantir a integridade e o formato de “rolinho” do produto. O sorvete também deve ser armazenado em caixinhas previamente preparadas para manter a temperatura.

A partir de agora, todos os novos franqueados deverão oferecer o serviço de delivery, que passa a ser cláusula contratual. “Com a crise, nós pudemos sentir a necessidade de desenvolver um serviço de entrega. Após a pandemia, nosso objetivo é que todas as unidades operem com esse sistema, estimando um complemento de 20% das vendas feitas a partir de aplicativos, como Uber Eats e iFood”, projeta Rodrigues. Para atender com excelência, o cardápio do delivery será composto por seis combos e cinco tipos de sundae.

Cardápio e novas ‘roupas’

A empresa também entendeu que é hora de repensar o cardápio, hoje com a possibilidade de oferecer 1,6 mil combinações de sabores, incluindo linha diet e 100% cacau. “Estamos fazendo um profundo estudo dos nossos produtos, baseado em estatísticas de custos e de venda. Nossa preocupação é deixar o cardápio bom, bonito e barato tanto para o franqueado quanto para o cliente”. Além de produzir fotos mais atrativas para o cardápio, a marca também revisitou o layout dos quiosques. “Precisaremos de um esforço maior para atrair o consumidor para o ponto de venda”, conclui o CEO da Ice Cream Roll.

Além disso, todos os funcionários usarão máscaras em qualquer ocasião. “Já não consigo mais imaginar o quiosque sem máscaras. Era algo que já colocávamos em prática, mas a partir de agora, todos os atendentes vão trabalhar usando máscaras”, completou.

Auxílio aos franqueados

Outra solução estudada pela marca para se adaptar à crise é oferecer auxílios aos futuros franqueados. “Hoje, o investimento inicial gira em torno de R$ 104 mil, mas, dependendo de cada caso, conseguimos oferecer subsídios e financiar uma parte desse investimento”, conta. Logo que o isolamento social teve início e os shoppings foram obrigados a fechar as portas, a Ice Cream Roll ajudou no processo de negociação de aluguéis dos espaços dos quiosques. “Entendemos que os shoppings continuam sendo muito promissores, portanto, seguem como nosso foco. Ainda há muitas oportunidades e queremos aproveitá-las”.

A marca tem um papel forte para os negócios, ela ajuda no processo de decisão na escolha de um determinado produto ou empresa. Com a globalização, e um mercado sem fronteiras, a concorrência é super acirrada e a presença de produtos iguais é sempre maior, o que comprova que a diferenciação da marca é superior em valor àquele mercado alvo bem definido.

Como afirma Philip KotlerBranding é muito mais do que dar nome a uma oferta. Branding é fazer certa promessa aos clientes sobre como viver uma experiência a um nível de desempenho completos. Assim, Branding requer que todos os participantes da cadeia de suprimento – do desenvolvimento do produto à fabricação, de marketing à venda e à distribuição – trabalhem para cumprir essa promessa”.

A gestão da marca começa com o seu propósito, ou seja, quando ela nasce. A integridade da marca é a promessa de valor da empresa e a chave para conquistar a confiança dos clientes. Entender a importância dessa essência é o que define sua diferenciação e identidade no mercado, oferecendo algo de relevante no intuito de atender às necessidades e desejos do seu público-alvo.

Reputação da marca é seu grande valor no mercado

Marcas são conjuntos de associações vinculadas a um nome ou símbolo associado a um produto ou serviço. As associações podem ser positivas ou negativas, e tudo pode receber marca, mesmo água, cidades e pessoas. Como resultado, as marcas são de suma importância; uma marca com associações negativas prejudicará uma empresa e outra com associações positivas ajudará.

Finalmente, as marcas são construídas por pessoas que acreditam apaixonadamente nelas – os construtores de marcas entendem e acreditam no poder de suas marcas. Se o gestor do negócio enxergar sua marca com esta paixão, entenderá que a gestão de marcas é um valioso investimento.

Sendo assim, a marca torna-se uma plataforma completa para planejar, desenhar e entregar valor superior aos clientes. Não há dúvidas de que a marca facilita o crescimento da empresa. Desenvolver o nome e a identidade visual é o ponto de partida, porém gerenciar a sua integridade, ou melhor, a sua essência de maneira contínua é um trabalho árduo, mas fundamental para mantê-la forte no mercado. Quando a marca se torna realmente forte, caracteriza-se por uma palavra ou frase que o mercado-alvo passa a reconhecer como valor, aí sim sua integridade é reconhecida e sua promessa cumprida.

Plataforma da marca

Como falamos, a plataforma da marca é o conjunto de elementos que farão esta conexão da marca com o consumidor de forma mais clara e concreta, transmitindo seu propósito e construindo seu posicionamento de forma estratégica.

Veja só alguns pontos que podem fazer parte desta plataforma (não se trata de uma regra ou padrão):

Propósito
Qual a sua razão de ser?

Posicionamento
Qual a percepção que quer passar? Como quer ser vista no mercado?

Público-alvo
Com quem você está se comunicando?

Personalidade e atributos
Quais são as características que fazem sua marca ser única? Qual o tom de voz da marca?

Crenças e Cultura organizacional
Como a marca conecta e motiva seus colaboradores, permeia e direciona a gestão de recursos humanos dentro da empresa?

Tudo isso pode ser transmitido por meio de um manifesto de marca. E essa plataforma, definida e estrategicamente desenhada, deve estar alinhada com as estratégias de marketing, com as propostas de identidade da marca, planejamento, produção e entrega do produto ou serviço.

Construir uma marca única é um desafio. Determinar o posicionamento correto, otimizar o design e gerenciar o significado da marca no decorrer do tempo e, simultaneamente, desenvolver e executar as iniciativas administrativas que proporcionem lucro é uma tarefa árdua e permanente. Exige pesquisa e monitoramento constante do mercado para que seja possível a entregar inovação.

De fato, a gestão da marca é estratégica no negócio e saber desenvolver ações que façam a diferença na mente do consumidor e que inspire as pessoas é o grande desafio!

O termo brand que, em inglês, significa marca, consiste na intuição que uma pessoa tem sobre um determinado produto, serviço ou empresa. São conjuntos e associações de elementos – nome, símbolo, design, termos, entre outros – com o objetivo principal de diferenciar-se em relação à concorrência.

 Branding, derivado de brand, é o responsável pela administração e gestão da marca, desde a sua criação, desenvolvimento, estratégia de crescimento até o monitoramento e avaliação de seu desempenho. A gestão da marca busca conscientizar e ampliar a fidelidade do cliente, mostrando o porquê de se escolher uma marca em oposição a outra. De modo geral, o objetivo final do branding é gerar o brand equity.


Brand Equity

O brand equity, por sua vez, está relacionado ao valor da marca, ou seja, é a força que uma marca possui no mercado e suas influências no modo como o consumidor pensa, sente e age em relação à mesma. A construção do brand equity é impulsionada por diversos fatores ligados à forma como a marca é lembrada e reconhecida por seus consumidores.

À medida que a concorrência cria uma infinidade de opções, as empresas passam a buscar formas de estabelecer uma ligação emocional com os clientes, tornar-se insubstituível e desenvolver relações duradouras. Uma marca forte se destaca em um mercado saturado. As pessoas se apaixonam pelas marcas, confiam nelas e acreditam em sua superioridade. O modo como a marca é percebida afeta seu sucesso.

É evidente que as grandes marcas precisam estar sempre atentas ao modo como interagem com seu público. Posicionar-se de maneira coerente e transparente é fundamental para ganhar espaço no coração do consumidor, bem como conquistar sua confiança.


Marketing e Posicionamento

O posicionamento de marca pode ser comunicado por meio das ações estratégicas de marketing, que promete atender as necessidades e desejos destes usuários de forma atraente. Keller (2006, p. 4) explica que:

Uma marca, é, portanto, um produto, mas um produto que acrescenta outras dimensões que o diferenciam de algum modo de outros produtos desenvolvidos para satisfazer a mesma necessidade. Essas diferenças podem ser racionais e tangíveis – relacionadas com o desempenho de produto da marca – ou mais simbólicas, emocionais e intangíveis – relacionadas com àquilo que a marca representa.

O marketing, desse modo, vem sofrendo transformações consideráveis ao longo dos anos, movidas pela mudança de comportamento do consumidor na era digital. Segundo Kotler (2017) “o marketing, resumidamente gira em torno de três disciplinas importantes: gestão de produto, gestão de clientes e gestão da marca”.

Desde 1950, o marketing tem ganhado grande visibilidade no mundo dos negócios e da economia. Os conceitos de marketing passaram por evoluções, que tiveram início no marketing 1.0, focado no produto; o marketing 2.0, por sua vez, voltado ao consumidor; em seguida, o marketing 3.0, centrado no ser humano e, por fim, chegamos ao marketing 4.0, defendido por Kotler (2017, p. 71) como:

[…] uma abordagem de marketing que combina interações on-line e off-line entre empresas e clientes, mescla estilo com substância no desenvolvimento das marcas e, finalmente, complementa a conectividade máquina a máquina com toque pessoa a pessoa para fortalecer o engajamento dos consumidores. O marketing digital e o marketing tradicional devem coexistir no Marketing 4.0 com o objetivo máximo de conquistar a defesa da marca pelos clientes.

Em essência, o marketing não é mais visto apenas como uma forma de gerar lucro, mas sim, destacando como ponto principal a construção de um vínculo com o consumidor, isto é, o marketing digital promove resultados e busca compreender a jornada do consumidor. Contudo, Kotler (2012) afirma que “marketing significa definir com clareza sua identidade e fortalecê-la com integridade autêntica para construir uma imagem forte”.

Diante de uma sociedade altamente tecnológica e globalizada, fomentada pelo uso excessivo das mídias sociais, mais do que nunca os consumidores buscam marcas que sejam autênticas, transparentes, dinâmicas e que possuam personalidades bem definidas. As pessoas se identificam e se tornam defensoras de marcas que sejam verdadeiramente humanizadas.


Case Natura

A Natura é um grande case nacional de branding, uma marca que nasceu em 1969 com uma pequena loja em São Paulo sob os cuidados de Luiz Seabra e, hoje, é a maior multinacional brasileira do setor de cosméticos.

Desde sua fundação tem foco na construção do “Bem Estar Bem” que, segundo a própria marca, se manifesta nas relações harmoniosas que um indivíduo estabelece consigo mesmo, com os outros e com a natureza.

A marca teve expansão adotando a venda direta como modelo de negócios, um desafio quando pensamos em branding, já que administrar os pontos de contato da marca é fator imprescindível na construção de sua imagem e entrega de valor a longo prazo. E a Natura conseguiu fazer este trabalho bem feito – em 6 anos expandiu para diferentes regiões do Brasil alcançando 200 colaboradores e 2.000 consultoras.

Pioneira na questão sustentável no segmento, foi a primeira a oferecer refil de seus produtos, pensando cada ação de forma estratégica e alinhada ao compromisso da marca de gerar impacto positivo nas áreas social, econômica e ambiental.

O posicionamento da Natura é tão claro e consistente que não é colocado como um diferencial, mas faz parte de sua identidade, da filosofia da marca. E seu propósito relacionado ao bem-estar ecoa em toda comunicação e ações internas.

Hoje, a marca global possui lojas físicas em todo o Brasil (inauguradas em 2016), também em Nova York e Paris; em 2017 adquiriu a britânica The Body Shop, em 2018 criou o grupo Natura &Co (união de Natura, Aesop e The Body Shop), e em 2020 concluiu a compra da Avon, criando o quarto maior grupo do mundo do segmento de beleza.


Referências

KELLER, K. L.; MACHADO, Marcos. Gestão estratégica de marcas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.

KOTLER, P; KELLER K. L. Administração de Marketing. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012.

KOTLER, Phillip. Marketing 4.0: Do Tradicional ao Digital. São Paulo: Editora Cultura, 2017.

 

O mundo contemporâneo se depara com uma sociedade super comunicativa, refém de escolhas intermináveis e saturação de informação. Tal quadro é alimentado por uma implacável concorrência no mercado de consumo aliada a uma constante evolução da tecnologia, que dentre muitos objetivos, atende às expectativas de relacionamento social e encurtamento das distâncias geográficas.

Neste cenário, assim como as empresas se vêm obrigadas a estar em constante evolução e melhoria, buscando alcançar ininterruptamente um diferencial competitivo em relação aos concorrentes, a situação com os profissionais é a mesma, visto que eles também precisam estar em constante evolução para acompanhar as mudanças no mercado e permanecer sempre na linha da frente.

Se pararmos para avaliar este momento pelo qual o mundo está passando, com o Covid-19, com a crise econômica e de quebra no Brasil a crise política, mais do que nunca o capital intelectual é o grande “super-homem” para encontrar saídas para a gestão dos negócios.

É nesse momento que a gestão da marca pessoal é imprescindível, pois ter controle sobre sua vida profissional e pessoal e ter claro aonde quer chegar, faz a diferença para conquistar o seu espaço no mercado e passar por este momento tão delicado.

Ter claro quais são seus objetivos e metas pessoais faz a diferença neste contexto, assim como pensar de forma estratégica só traz benefícios para a construção da marca pessoal no longo prazo. A escolha dos objetivos pessoais e sua compatibilização com as metas de uma organização não constituem tarefa fácil. Exigem muita autocrítica, capacidade de análise e de julgamento, entre outras qualidades. Outra característica muito importante para obter o sucesso pessoal é o aprimoramento contínuo e não importa a idade, o profissional que tem compromisso consigo mesmo sabe encontrar tempo para ler, estudar e se aperfeiçoar. Para se manter no mercado essa é uma das condições indispensáveis.

Dois pontos importantes no branding pessoal: reputação e repertório!

Quando o profissional está preocupado com sua reputação ele está efetivamente preocupado com a gestão da sua marca profissional e pessoal. Entender a sua importância no contexto mercadológico é fundamental para a visibilidade e diferenciação de sua presença neste ambiente.

Branding Pessoal

Branding Pessoal nada mais é do que a gestão da marca pessoal. O objetivo principal é criar valor para sua marca e gerenciar esse valor com competência, fazendo diferença com o seu conteúdo e identificando a sua imagem em todos os seus pontos de contato, ou melhor, em toda a sua rede de relacionamento.

A maior parte das decisões de compra se baseia na confiança e no sentimento de conexão, ou das emoções, que as pessoas sentem em relação a determinado produto, serviço ou indivíduo. Gerenciar esse processo exige habilidade do profissional e, por este motivo, o branding é essencial.

Marca pessoal é a percepção que o público tem da identidade do profissional, ou seja, do seu posicionamento estratégico, que determina qual a imagem ele quer passar, ou melhor, o DNA da sua marca pessoal. Como nas empresas, o profissional precisa revelar qual é a sua missão (razão de ser), visão (como quer ser lembrado) e valores (princípios éticos). A partir destes três elementos, ele estabelece uma estratégia de marketing pessoal que pode ser descrita como uma estratégia individual para atrair e desenvolver contatos e relacionamentos interessantes do ponto de vista pessoal e profissional. Passará a dar visibilidade às suas características, habilidades e competências relevantes na perspectiva da aceitação e do reconhecimento de suas potencialidades no mercado.  A credibilidade é despertada a partir da consistência da gestão desta imagem, ou seja, da gestão da marca deste profissional.

E neste momento o repertório é fundamental para dar credibilidade e despertar a consistência no branding pessoal. Investir na sua marca deve ser algo constante, ou seja, precisa estar antenado com o mercado e isso só é possível se este profissional estiver atualizado. E para isso, ele precisa ter o hábito de estar em constante aprendizado, seja através de livros, de cursos, da participação em eventos e congressos, com o objetivo de trazer e gerar novas ideias. Neste momento do Covid19, precisamos de profissionais pensantes e que possam contribuir com soluções emergenciais e que gerem resultados para as empresas, para o mercado e para sua marca pessoal.

Neste ponto, o propósito pessoal é importante para que essa busca  constante por  aprendizado seja relevante no seu branding pessoal.  A determinação do propósito é o ponto de partida para o profissional ser relevante através do seu repertório.

Case Oprah Winfrey

Oprah teve uma infância difícil que, para muitos, seria motivo de reclamar da vida ao invés de lutar por seu espaço no mundo. Ela vivenciou a pobreza extrema, a negligência, o racismo e o abuso sexual. Sua cabeça começou a mudar quando percebeu através dos livros uma saída para uma vida melhor. Aos 16 anos ganhou uma competição de oratória, que lhe garantiu uma bolsa de quatro anos no Tennessee State University e seguiu a carreira de jornalismo.

Oprah Winfrey virou apresentadora de televisão, atriz e empresária norte-americana, vencedora de múltiplos prêmios Emmy por seu programa The Oprah Winfrey Show, o talk show com maior audiência da história da televisão norte-americana. Sempre preocupada com sua reputação e repertório, hoje é uma das mulheres mais ricas do mundo. Quando pensamos na marca pessoal Oprah Winfrey, pensamos em simpatia e no empowerment das mulheres. Inspiração para muitos!

Empreender é um ato heroico no Brasil. Há de se travar muitas batalhas contra todas as grandes probabilidades que as estatísticas apontam: Aproximadamente 96% das pequenas empresas decretam falência todos os anos e, além disso, segundo o SEBRAE, 50% dos empreendimentos que decretam falência nos cinco primeiros anos não apresentaram estratégias de gestão enxuta. No entanto, tal conhecimento acerca da metodologia de gestão enxuta, para grande parte da população brasileira, ainda não é acessível. Apesar da vontade e necessidade, a maior parte dos brasileiros nunca tiveram formação em gestão, em educação financeira, tampouco em visão estratégica de negócios. A metodologia da Startup Enxuta, ou Lean Startup, neste caso, é uma possível solução para que este negócio seja embasado e estruturado de uma forma saudável e sustentável.

Quem são nossos heróis?

Estes heróis são responsáveis por 27% do PIB brasileiro, e estão conquistando cada vez mais espaço na economia. Segundo o SEBRAE (2019), 63% deles chegam ao ensino superior, mas não necessariamente concluem o curso. 71% tem o seu próprio negócio como única fonte de renda e 76% deles têm renda familiar superior à seis salários mínimos. Não estamos falando de empreendedores abastados, mas sim de uma parcela da população que está ainda começando e que, pouco a pouco, encontra seu espaço e consegue sustentar sua família de uma forma digna, fugindo dos salários de R$2.500, vale-transporte e ticket alimentação.

O que é a Economia Criativa?

As chamadas “ciências econômicas” buscam lidar com o desafio de relacionar as necessidades dos indivíduos (que são infinitas) com os recursos disponíveis (estes sim são finitos). Já o termo “criatividade” remete a inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar. John Howkins, um dos principais pensadores do século XXI a respeito da Economia Criativa disse que a criatividade não é produto, é processo. A criatividade aliada aos elementos endógenos de uma nação, destacando a cultura que é desenvolvida e produzida nacionalmente. Esta cultura, que é matéria prima da criatividade, quando aliada ao empenho em enriquecer o produto gerado, é fonte de desenvolvimento – com alcance irrestrito (uma vez que o atual contexto de uma sociedade cada vez mais conectada com outras nações) e, portanto, com potencial impacto de desenvolvimento da economia local, regional e nacional.

A Economia Criativa está fundamentada em quatro principais categorias, sendo elas: Cultura, Design, Mídia e Inovação. Apesar de, no Brasil, representar menos de 3% do PIB brasileiro, globalmente a indústria criativa cresce cerca de 6% ao ano, ou seja, duas vezes mais rápido do que os serviços tradicionais, e quatro vezes mais rápido do que as indústrias tradicionais, globalmente, segundo a OCDE.

É importante lembrar que a singularidade da cultura de um povo confere valor agregado aos seus produtos criativos e proporciona uma vantagem competitiva frente a outros mercados. Não há como copiar o substrato cultural que caracteriza determinadas produções e manifestações. Isso é visto e confirmado na valorização do gênero musical carioca MPB (Música Popular Brasileira) difundido mundialmente em meados da década de 60, em produtos simples de varejo de baixo custo, como a popular marca brasileira de sandálias de borracha Havaianas.

Conceitos básicos da Startup Enxuta

Para os que não são familiarizados com a metodologia, Eric Ries coloca de forma simples e estruturada alguns conceitos que, juntos, formam uma metodologia de gestão e, mais importante, de mudança de mentalidade.

  • Criar um produto que seja co-construído a partir de uma motivação ou ideia e o público-alvo, estando aberto à mudanças e adaptações;
  • Pensar grande e começar pequeno – reduzir ao máximo o tempo de criação do produto, focando os esforços no desenvolvimento de um MVP (minimum viable product, ou seja, o mínimo produto viável que entrega a solução da forma mais enxuta possível);
  • Aperfeiçoar continuamente o produto aplicando o ciclo Construir – Medir – Aprender expondo o mesmo ao público interno e externo;
  • Testar repetidamente o produto com o público alvo e estar aberto a mudar (ainda que radicalmente) o produto – o chamado “pivotar”;
  • O crescimento da empresa é um efeito colateral do próprio produto; anúncios devem ser feito de forma enxuta e racional.

Contarei três histórias inspiradoras de empreendedores brasileiros que, contra todas as probabilidades, conseguiram estruturar um pequeno negócio no setor da economia criativa, e que demonstram na prática como a metodologia Start Up enxuta esteve presente e de forma decisiva para que o negócio prosperasse.

FLIP

Concebida em 2003 com o objetivo de promover, em Paraty, uma cidade longe dos centros culturais e das capitais, uma experiência única de encontro de pessoas, permeada pelas artes. Por iniciativa da ONG Casa Azul e liderada pelo arquiteto Mauro Munhoz, iniciou com um espaço improvisado e contava com cerca de vinte convidados. A criação da FLIP teve um impacto imensurável nesta comunidade local: deu representatividade internacional e altíssimo impacto na autoestima da população local, e ajudou a protagonizar a recuperação do tecido socioeconômico da cidade, além de promover o fluxo contínuo de turistas com perfil qualificado para consumir os produtos artísticos, além de engajar a comunidade em um processo de protagonismo na transformação de seu futuro. Na edição de 2019, contou com trinta e sete autores participantes, e mais de oito mil acessos à tenda que cobra por ingressos, segundo a própria organização da Feira.

FA.VELA

Movido por sua curiosidade e por suas reflexões dadas pelo seu contexto social e econômico, João Souza, jovem negro mineiro, habitante de uma comunidade e com oportunidade de ter uma educação formal, conseguiu ver como esta posição de privilégio possibilitaria coloca-lo em uma figura de agente de transformação da vida das pessoas por meio de desenvolver potencial criativo das pessoas. Assim, idealizou um ecossistema dentro da favela, o Fa.Vela, dialogaria com o contexto da cidade e do entorno dela, minimizando sua segregação econômica e social. Fez um de seus primeiros pilotos com Gilmara, uma jovem negra que era conhecida e admirada pelo seu cabelo afro. João imaginou ajudar a estruturar um salão de beleza mas, Gilmara, conhecedora de seu nicho e com motivação de fazer algo disruptivo em sua comunidade, quis montar um spa para noivas. Era um produto pioneiro e inovador na favela, e que além de movimentar a economia da favela, ainda teria um impacto secundário positivo na mesma, pois ajudaria a empregar profissionais da indústria dos casamentos (maquiadores, fotógrafos, por exemplo). O empreendimento deu tão certo que Gilmara, também com o apoio da Fa.Vela, abriu o segundo estabelecimento.

TAG

Em 2014, Arthur Dambros, em uma biblioteca, teve um impulso empreendedor que compara ao impulso de um artista: de se expressar e ver influência do seu trabalho na vida das pessoas. Com amor inquestionável aos livros, junto ao seu sócio, pensou em fundar um clube de livros e, assim, nasceu a TAG. O modelo de assinatura e de clube de livros já existia há tempos, mas não um com este formato: um clube de assinatura, com uma curadoria de grife: a TAG convida grandes nomes para selecionarem quais livros serão enviados. O crescimento da TAG se deu a partir do poder das redes sociais como uma ferramenta que possibilite o crescimento como efeito colateral do próprio produto e de forma viral; conseguiu, com verba de propaganda enxuta, investir em anúncios que promoviam a indicação da TAG por grandes influenciadores digitais relevantes ao nicho; aproveitou para também se alavancar nas grandes personalidades literárias convidadas para fazer a curadoria dos livros; e, finalmente, pela natureza do modelo de negócio, a TAG funciona por meio de uma assinatura -, ou seja, garante que o usuário do produto seja recompensado e surpreendido todas as vezes que recebe o produto. A TAG também se diferencia de demais clubes de assinatura à medida em que foi crescendo pois aposta em edições exclusivas, personalizam algumas ilustrações e também traduzem as obras. A TAG cresceu tanto que, em 2016, chegou a ter vinte mil assinantes.

Estes são alguns exemplos de empreendimentos de sucesso que, para se estruturarem, ajustarem e crescerem, seguiram muito do que Eric Ries coloca em sua obra Lean Startup. Apesar da simplicidade, não é obvio e tampouco confortável seguir estes passos.


Referências

FIRJAN SENAI. Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil. Fevereiro, 2019.

HOWKINS, J. The Creative Economy – how People make Money from ideas. Londres: Penguin Books, 2001.

RIES, Eric. A Startup Enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. Editora Casa da Palavra, 2012.

SEBRAE – Disponível em http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae> Acesso em 27/setembro/2019.

FA.VELA (site institucional). Disponível em <https://favela.org.br/a-bordo/> Acesso em 02/Fevereiro/2020.

TAG Livros (site institucional). Disponível em < https://taglivros.com/> Acesso em 02/Fevereiro/2020.

FLIP (site institucional). Disponível em < https://www.flip.org.br/> Acesso em 02/Fevereiro/2020.


Alessandra Gaeta: Profissional do Marketing apaixonada por construção de marca, atuando na área há 7 anos, tanto no ambiente da multinacional americana P&G, quanto em ambientes de startup. Entusiasta de modelos de gestão enxutos e eficientes, de como o ambiente digital pode conectar as pessoas e determinada a semear estas ideias. Graduação em Engenharia Civil na UNICAMP, Pós Graduação em Gestão de Economia Criativa pela Belas Artes. Acredita no poder da criatividade, educação e cultura para transformar o mundo.


Imagem: Proxyclick Visitor Management System.