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Em meio a uma pandemia global que atinge todo o planeta de maneira devastadora, contaminando mais de 26 milhões de pessoas e matando quase 900 mil, e durante uma das mais intensas crises econômicas já vividas nas últimas décadas, com o PIB do 2º trimestre caindo a -9,7%, o brasileiro encontrou uma maneira de rir e fazer meme.

E a responsabilidade é de ninguém menos que o próprio Banco Central, que resolveu lançar uma nova cédula de real, no valor de R$ 200, tendo como símbolo o lobo-guará, animal que faz parte de nossa fauna e que, agora, integra o ‘time’ de representantes de nossa moeda, formado também por tartaruga-de-pente (R$ 2), garça branca (R$ 5), arara vermelha (R$ 10), mico-leão dourado (R$ 20), onça-pintada (R$ 50) e garoupa (R$ 100).

Nosso querido beija-flor, que ilustrava a nota de R$ 1, saiu do grupo em 2005, quando a cédula deixou de ser fabricada no Brasil.

Não bastasse toda a ‘campanha’, tipicamente brasileira, clamando pelo uso do vira-lata caramelo como mascote da cédula de R$ 200, o debate sobre a nova nota foi muito além. E isso nos traz cinco grandes reflexões.

O deboche como estratégia de marketing

Se o brasileiro quer o vira-lata caramelo como protagonista da nova nota, afinal, nenhum outro bicho representa tão bem o nosso país, o Banco Central, debochado, criativo e inteligente, usou o famigerado a seu favor. Primeiramente, ao dizer que cogitava, sim, trazer o canino para a cédula. Mas, na verdade, a ‘ação relacionada ao animal’, citada pela diretora de administração do BC, Carolina de Assis Barros, referia-se à campanha de lançamento, divulgada nas redes sociais do órgão. Na peça, um vira-lata caramelo pede para a população receber o lobo-guará (ou ‘caramelo do serrado’) com carinho.

É sempre bom lembrar a importância do branding

Entre os assuntos mais comentados após a divulgação da nova cédula, seu layout foi, com certeza, o principal. E aqui, não estou falando – ainda, fica para o próximo item – sobre estética, mas sim sobre branding e alinhamento de marca. A diferença entre fontes, elementos tamanho e estrutura é bastante perceptível em relação às demais notas. Nunca é demais relembrar que nós, profissionais de comunicação e marketing, temos um compromisso com a unidade de nossas marcas e produtos, e, geralmente, os reflexos causados por desalinhamentos de KV são imediatos. Mas, o branding vai além do aspecto visual, pois está diretamente ligado à identidade e à gestão de uma marca, e isso impacta até mesmo no posicionamento estabelecido por uma corporação.

Não subestime a estética

E agora sim, além do branding, a estética como um todo. O lobo-guará utilizado na representação está em uma posição desfavorável, com aplicação que remete a imagens de baixa qualidade e com composição que prejudica sua visualização. Isso, claro, sem citar o ‘arbusto’ destoante localizado acima da grafia ‘duzentos reais’. Independentemente de questões de segurança – que são, claro, absolutamente indispensáveis -, não podemos subestimar a estética de qualquer item, seja marca, produto, embalagem ou acessório.

Qual a necessidade disso… agora?

São diversos os argumentos utilizados para justificar a criação da nota de R$ 200 neste momento. Mas, não podemos desconsiderar a crise econômica pela qual o Brasil está passando. E com isso, vem a pergunta: precisávamos destes custos de produção na Casa da Moeda em pleno período de pandemia? E ainda sobre o lançamento da nova cédula, deixo para os colegas de compliance a reflexão sobre potencial aumento de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, que são comumente facilitados com uso de notas de maior valor.

Use a ‘fábrica de memes’ a seu favor

E por último, o principal aprendizado: planejar uma boa estratégia de marketing no Brasil sem levar em consideração que somos a maior fábrica de memes do planeta é quase impossível. Nesse sentido, o Banco Central soube aproveitar muito bem a repercussão – que poderia ter tomado uma conotação negativa – a seu favor. Trazer o vira-lata caramelo para sua campanha de lançamento foi uma das maiores sacadas da publicidade brasileira em 2020.

Se depois de seis meses de isolamento social e de números tão assustadores (seja na pandemia ou na economia) nós encontramos na nova nota de R$ 200 razões para nos distrairmos, que assim seja.


Cristiano Caporici é diretor de Comunicação e Marketing da Tecnobank

1º Fórum Online de Economia Criativa Belas Artes

A Belas Artes completa 95 anos de história. E, para celebrar essa trajetória dedicada ao ensino de excelência voltado para as áreas da Economia Criativa, realizará o 1º Fórum Online de Economia Criativa, que acontecerá entre os dias 22 e 24 de setembro

A programação do evento online será voltada para a ampliação do conhecimento, networking e troca de experiências com profissionais renomados do mercado, contando com conteúdos exclusivos distribuídos entre webinars, cursos gratuitos com certificação, e-books, entre outros, todos com profissionais do mercado referências em suas áreas e que vão debater o tema macro “Projeções, Cenários e Comportamentos”.

Confira os palestrantes:

  • Márcia Auriani, Gestora Executiva InfoBranding e Coordenadora de Pós-Graduação Belas Artes
  • Rodrigo Amorim, Mestre em Branding e Professor da Pós-Graduação Belas Artes
  • Manuela Bordasch, Idealizadora e Co-Fundadora Steal the Look
  • Manuela Villela, Head da área Top criadores e figuras públicas do Youtube Brasil
  • Marcos Sterenkrantz, Head de XP Ventures da XP Inc.
  • Luiz Arruda, Head of WGSN Mindset Latin America

Inscrições gratuitas e programação: https://aniversario.belasartes.br/

O nascimento da marca

Bem no centro do nosso país, em Goiás, nasceu a marca Imperador Alimentos. Foi em 1995 que os irmãos Eduardo Gomes e Acir Junior fundaram a empresa com o objetivo de fornecer ao mercado goiano palmitos de açaí em conserva com a máxima qualidade.

A marca começou tímida, mas com nome suntuoso vinha carregada de sonhos e muita dedicação.

No início, os dois irmãos compravam o palmito em conserva de terceiros, descarregavam a mercadoria, estocavam em um estabelecimento alugado de 68 metros quadrados em Goiânia, tiravam pedidos nos supermercados da zona metropolitana, carregavam a própria mercadoria e também faziam as entregas em seus próprios carros. Além disso, cuidavam para que os produtos estivessem sempre bem expostos nas seções de supermercados!

O profundo conhecimento e cuidado com o produto, e a preocupação com o ponto de venda estavam presentes desde o início dessa jornada.

Brasilidade e qualidade de Goiânia para o mundo

 Ao longo dos anos, viu-se que o palmito de açaí tinha a produtividade intimamente relacionada ao período de safra do fruto do açaí. A produção em larga escala do palmito dava-se no primeiro semestre do ano, que coincide com a entressafra do fruto. Na safra, já no segundo semestre, a fábrica de palmito fechava. Desta forma, apenas nos seis primeiros meses do ano as famílias ribeirinhas da região tinham seu sustento no açaí. Paralelo a essa situação, países do mundo todo começaram a demandar pelo fruto do açaí.

Percebendo uma oportunidade de mercado e aproveitando o ciclo da palmeira de açaí, a Imperador inicia, em 2010, a produção de polpa, clarificando o óleo de açaí para exportação.

Com um açaí de excelente qualidade, a Imperador atende mercados extremamente exigentes, como os dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Japão, França e Uruguai.

Com 15 anos de existência, sob os cuidados dos irmãos goianos, a Imperador Alimentos conseguiu expandir sua distribuição para o mercado brasileiro e mundial. Levando a qualidade de seus produtos para novos horizontes, o potencial da marca foi crescendo junto da necessidade de uma real estruturação da marca para firmar sua identidade e comunicar seu propósito aos já fiéis consumidores.

  • 1995: Fundação da Imperador Alimentos
  • Final de 1997: Inauguração da primeira indústria de propriedade da marca, na cidade de Itupiranga, Pará.
  • 2003: Inauguração da segunda unidade fabril, na cidade de São Domingos do Capim, Pará.
  • 2008: migração da unidade fabril de Itupiranga para Abaetetuba, o coração do açaí no Pará. A nova sede tinha uma área de vinte e dois mil metros quadrados.
  • 2010: Início da produção da polpa do açaí e exportação.
  • 2015: Implementação do projeto de Branding na Imperador Alimentos
  • 2016: Migração do centro de distribuição de Goiânia para Aparecida de Goiânia, numa área quase três vezes maior.
  • 2020: Atualmente, a Imperador possui mais de cem produtos em seu mix, com linhas tanto domésticas quanto food service, atendendo do mercado brasileiro ao exterior.

Conquistar e vender: Branding em empresas familiares

 Apesar de já reconhecido, Branding ainda é algo distante para muitas empresas que começam pequenas, já com a “mão na massa”, e deixam a gestão estratégica da marca para um segundo momento.

Mas como propor, implementar, ou até mesmo iniciar um projeto de Branding para uma empresa familiar?

Higor Toledo, diretor de marketing da Imperador, confessa que processos são difíceis de alterar, por isso, é importante sentir o momento da empresa, saber ouvir, usar empatia para então oferecer este olhar para a marca: “Inicie pelo entendimento, degrau por degrau, não chegue querendo mudar todos os processos”.

Este olhar para a necessidade da empresa é extremamente importante. No caso da marca goiana, com a expansão dos negócios, os donos perceberam a necessidade de, inicialmente, “atualizar a identidade visual”, que foi criada em 1995 por uma gráfica local.

Foi nesta oportunidade que Higor demonstrou também a importância do Branding conquistando um olhar mais cuidadoso sobre a marca, sobre as pessoas que a representam e sobre o seu propósito. Tudo o que já estava alicerçado na Imperador, mas não estruturado e apresentado à altura do potencial da marca.

“Para vender a primeira ideia é mais difícil, mas depois de implementar e mostrar resultados, ganha-se confiança e ainda você passa a ter mais agilidade nas aprovações de outras propostas”, conta o diretor de marketing.

O Design como alicerce de marca

 Para entender o real início desse projeto de branding, vamos voltar um pouco, em 2015. Nessa época, Higor não era diretor de marketing, mas um estudante universitário e conhecedor da marca.

E foi a partir de uma ideia que surgiu na faculdade que o projeto acadêmico ganhou corpo, na graduação de design do Senac, junto com mais dois colegas, Eduardo Costa e Roni Stuart.

Na época, Higor trabalhava numa gráfica mas quis levar o projeto adiante, tirar a ideia do papel, e pediu uma oportunidade, concedida, para apresentar a proposta de redesign à Imperador Alimentos. Como já falamos, a ideia acabou sendo comprada, ele ainda foi contratado pela empresa, e o projeto foi implementado. “A gestão do design sempre foi adotada como estratégia principal para os produtos, sendo que o primeiro passo foi o próprio redesign da marca”.

Desde então a Imperador é uma empresa aberta a novos profissionais, a novos talentos que vêm da faculdade. Além disso, incorporou visitas universitárias para a área de comunicação e engenharia de alimentos por entender que na universidade existe um grande potencial e, ao mesmo tempo, grandes multiplicadores da marca.

O projeto de redesign da identidade visual

A ideia de usar a coroa como símbolo da marca foi do próprio fundador, pois já estava utilizando o nome Imperador Alimentos. Os irmãos, os criadores da marca, queriam um redesign que mantivesse o conceito de “nobreza que atende a todas as classes”.

Higor conta que o conceito de nobreza estava diretamente ligado à qualidade dos produtos, e o slogan era “Sabor, higiene e qualidade”. Mas nada disso é diferencial, é uma obrigação!

Outro fato curioso foi que, no processo de pesquisa, identificou-se que a mesma coroa (o símbolo) já era usada por, pelo menos, mais 5 outras marcas. E o segundo fato relacionado foi o depoimento de uma senhora no ponto de venda:

“Eu não leio muito, mas quando chego na prateleira e vejo tudo preto, sei que é Imperador!”

Isso mostra o poder das cores e dos símbolos na identidade visual de uma marca. E foi por este motivo que mantiveram o preto, que já havia fixado na mente de seus consumidores, para aproveitar o aspecto positivo, e acrescentaram a cor verde para o conceito de sustentabilidade.

O projeto de redesign envolveu:

  • Pesquisa
  • Conceituação
  • Painel semântico com proposta retrô / vintage
  • Redesign do logotipo
  • Padrão cromático
  • Tipografia
  • Embalagens
  • Rótulos
  • Detalhes como o uso do selo de cera

E ainda considerou outros aspectos do branding:

  • Gestão de pessoas e endobranding
  • Experiência da marca – inclusive de forma empírica.
  • Novo slogan:
  • Vídeo promocional que expressa a “Família real” da Imperador, que é a típica família brasileira.

Segundo Higor, “usando um novo logo, abraçando outras cores além do preto e adotando pictogramas, a Imperador reinventou seus rótulos e apareceu para o público de uma forma totalmente diferente, mas sem perder a essência da marca”.

Criando valor pela Gestão do Design

O projeto de design não apenas deu início à implementação do projeto de branding na Imperador, como também passou a ser um modelo de gestão adotado pela marca com a vinda de Higor para coordenar a equipe de marketing.

A Gestão do Design leva a visão multidisciplinar do design para a gestão de uma empresa. Ou seja, utilizando-se dos princípios de design possibilita um ambiente mais propício à criatividade e à inovação, além de aplicar este enfoque ao desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Confira alguns pontos em que a Imperador utilizou a gestão do design aliada ao marketing para potencializar as estratégias da marca:

 Estudo das embalagens para valorizar o produto: avaliando os pontos positivos e negativos pensando na melhor experiência do cliente. As embalagens antigas possuíam uma aplicação que não valorizava a marca, repetindo a aplicação do símbolo, que também era “genérico”. Os rótulos não estavam bem diagramados, prejudicando a leitura com uma poluição visual.

  • Ponto-de-venda (PDV): mudar a cara da Imperador na gôndola foi um desafio – utilizar o colorido da marca pautado no design minimalista e ainda manter o conceito de nobreza, os elementos e cores que já caracterizavam a marca para o consumidor!
  • Estudo de materiais: rótulos, embalagens, a seleção de gráficas, tudo passou por um criterioso processo de escolha afim de entregar os atributos, o cuidado e a qualidade prometidos pela marca.
  • Incremento de vendas pelo design: este é o exemplo da simplicidade e poder do minimalismo num rótulo de champignon – “o rótulo branco com detalhes em dourado gritou na gôndola!” Conta a equipe. O investimento foi feito na embalagem e em 4 meses trouxe um incremento de vendas em 15%.
  • Design sustentável: o blend de pimentas nobres, que não chamava atenção, passou também por uma reformulação e passou a usar um sleeve na tampa e cold stamping em vez do hot stamping, valorizando o produto e não agredindo o meio ambiente.
  • Lançamento com Design thinking: para um novo produto que seria lançado, o ketchup, a equipe da Imperador utilizou o design thinking além das pesquisas e testes anatômicos.

“O valor final dessa gestão do design era percebido na qualidade das embalagens, no ponto de venda, na experiência com o produto mesmo sem que o consumidor saber que as tintas utilizadas eram em escala Pantone, por exemplo. O público leigo percebe como inovação”, pontua Higor, mostrando como o design pode ser uma ferramenta poderosa para a entrega da marca.

 Storytelling e humanização da marca

 Não é de hoje que humanizar é essencial para qualquer marca no mercado, mas continua sendo um grande desafio.

A Imperador Alimentos utiliza o storytelling para fazer a entrega de valor e humanizar sua marca que, essencialmente, traz consigo um olhar voltado ao ser humano desde a sua fundação.

Storytelling é utilizado no branding como a estratégia de contar histórias para criar uma conexão emocional com as pessoas, permitir experiência e fortalecer sua identidade.

O gestor de marketing conta que o amor pela marca expresso em depoimentos espontâneos foi o que motivou a série de materiais que contam a experiência da jornada com a Imperador Alimentos, projeto que teve início em 2018: “A empresa já era humanizada e foi fácil de encontrar histórias legais. Principalmente no Pará, com produtores e colaboradores que fazem parte da história há 20 anos”.

A equipe conta com emoção que os fundadores da empresa investem e, de certa forma, cobram os funcionários com relação a investir na educação e terminar os estudos. E a jornada desses colaboradores acaba fazendo parte da jornada da marca.

Legenda: Imperador Alimentos, feito de pessoas reais | Rosi Almeida

 A alimentação está diretamente relacionada aos fatores culturais e comportamentais dos brasileiros. A família sempre esteve pautada desde o começo do projeto. As palavras-chave para mudança da marca eram Família, Amor e Nobreza. “É em volta da mesa que acontecem os melhores laços. Nosso conceito de família é abrangente e não se resume meramente à “família tradicional” como muitos colocam na nossa atualidade. E isso se demonstra no nosso dia a dia”, Higor comenta e demonstra com um vídeo da série que fala de inclusão e diversidade com o carinho e a proposta de valor intrínsecos da marca:

Legenda: Humanizar é ter uma personalidade que envolva inclusão e diversidade

“Conservando com amor” é o slogan da marca. “A ideia é de conservar o que há de melhor nas relações humanas, na culinária, nos alimentos e, é claro, nos nossos produtos.” – Higor Toledo. E a palavra conservar reflete não apenas o lado humano, mas sustentável em todos os sentidos. “Essa humanização, presente em todo o processo, envolve um caminho até chegar na mesa do nosso consumidor”.

Legenda: Produção do palmito Imperador, o palmito de açaí

Por meio de trabalhos de experimentação dos produtos, treinamentos e diversas outras ações, a Imperador trabalha o Endobranding e o Endomarketing para nutrir a experiência de marca, algo que surgiu no começo da gestão de branding na empresa com a análise sensorial dos produtos:

“Temos produtos de extrema qualidade, seria necessário que nosso público contemplasse isso com uma experiência sensorial que causasse lembrança. Dentro disso, conseguimos excelentes resultados com fãs e advogados da marca. Isso acontece interna e externamente.”

O trabalho de endobranding é essencial quando se trata de humanização da marca, principalmente quando pensamos nos desafios do branding com relação à gestão dos inúmeros pontos de contato da marca.

A Imperador enxerga inúmeros e imensos desafios, pois precisa considerar produtores, distribuição, PDV, administrativo e outros dentro de uma cadeia que supre diversas praças como Minas Gerais, Brasília, Tocantins e Goiás, além de São Paulo, Rio de Janeiro e, indiretamente, outras partes do país através de distribuidoras. “É preciso explicar cada passo de uma maneira bem didática. Esse universo da comunicação e todas as suas vertentes exigem um suporte da empresa que nunca existiu e isso pode causar certa estranheza dentro do público interno, o que não chega a ser um grande problema ou algo que te impeça de prosseguir”, finaliza Higor, que reforça que os desafios da marca são propulsores para a expansão e novas soluções quando uma marca é inovadora e essencialmente brasileira.

Legenda: Família real de pessoas reais

Legenda: Emoção na campanha de Dia dos Pais

Tenho acompanhado com muita atenção os desdobramentos da crise que enfrentamos e, confesso, que nunca vi tantos palpites, análises equivocadas e opiniões sem fundamento ganharem espaço e destaque na mídia. Estamos diante de algo novo que ainda tentamos entender, sabemos que as consequências serão graves, mesmo sem termos ainda uma clara noção da escala em que esses acontecimentos afetarão a economia e, consequentemente, o modo de vida. Como já está evidente, epidemias acontecem e devemos, doravante, considerá-las eventos prováveis, sobre os quais teremos que lidar.

Algumas avaliações que encontrei, deram partida nas considerações que apresentei para a reflexão. Lembro que não tenho a pretensão de oferecer certezas científicas, apenas observações que os estudos e minha experiência na área de design de embalagens me ajudam a conceber sobre como é possível as embalagens se beneficiarem dessa nova situação e onde estão as oportunidades para o nosso setor. Então, vamos a elas:

  1. Vida pós-crise

Fala-se em “novo normal”. Isso quer dizer que a nossa vida deve, daqui para a frente, considerar o imprevisto, novas epidemias e crises econômicas como fatos “normais”. A incerteza e os novos aprendizados que essa situação nos trouxe devem ser incorporados e farão parte da vida. Para mim, o primeiro fato registrado neste aprendizado foi a corrida aos supermercados. Concluí que o comportamento de manter estoques de segurança deve permanecer como atitude de precaução. Portanto, embalagens que favoreçam a estocagem e que ofereçam maior prazo de validade devem se beneficiar deste contexto  – este último ganha destaque na leitura mais atentiva dos dizeres de rotulagem.

  1. Pedindo tudo em casa

O delivery, que já vinha crescendo, ganhou uma dimensão impressionante nessa crise, pois foi extremamente favorecido pela quarentena e pelo fechamento do comércio. O e-commerce e as vendas online se tornarão praticamente obrigatórios para a maioria dos negócios B2C e as embalagens de entrega dos produtos ganharão importância estratégica, função e significados, que farão delas ferramentas de marketing cada vez mais relevantes no negócio das empresas.

No e-commerce as embalagens não podem apenas “carregar” os produtos: são elas que fazem o contato com as pessoas no mundo físico e promovem a primeira experiência com a mercadoria. São elas que promovem um final feliz para o processo de compra ao encerrarem, no momento da entrega, todas as expectativas e incertezas naturais deste tipo de comércio. Por isso, devem incorporar novas funções, como “conversar” com o consumidor, estabelecer empatia com a marca, esclarecer mais sobre o produto adquirido, estreitar relacionamentos e iniciar a próxima venda.

  1. A volta da comida caseira e das refeições em casa

Novos hábitos derivados do confinamento, da quarentena, do home office e do desemprego farão com que as pessoas estabeleçam relações diferentes com a casa e com tudo o que está relacionado a ela. A alimentação no lar se torna mais frequente e até preferencial devido a desconfiança que se instalou em relação a alimentos que são, como foi amplamente divulgado, a origem do vírus.

O Food Service, que já vinha crescendo dois dígitos anteriormente, vai demandar cada vez mais embalagens, abrindo uma nova frente a ser explorada pela indústria, que deve prover embalagens melhores, eficientes, mais bonitas e atraentes na tarefa de entregar comida na casa das pessoas com praticidade e segurança. Este é um segmento que deve crescer muito e que merece especial atenção.

  1. Saúde em primeiro lugar

Cuidados com a saúde ganharão nova dimensão e devem abrir oportunidades nos segmentos farma, higiene e limpeza. O hábito de lavar as mãos, promovido amplamente na comunicação contra o coronavírus, abre espaço para, por exemplo, sabonetes antibactericidas com álcool gel e outras inovações derivadas da preocupação com a saúde. Esses produtos devem ganhar cada vez mais espaço, sendo que as farmácias serão um campo competitivo que exigirá a máxima atenção dos fabricantes de embalagem.

Os cuidados com a higiene da casa, onde as pessoas passarão mais tempo e que se tornaram uma espécie de refúgio seguro que deve ser equipado, abastecido, limpo e conservado, receberão atenção redobrada – embalagens dessa categoria promoverão cada vez mais os hábitos de limpeza, desinfecção e assepsia.

Outro segmento que pode se beneficiar das preocupações com a saúde e que havia pouco ou nenhum apelo é a infraestrutura das construções residenciais. Tintas e impermeabilizantes que combatem o mofo e bolor, reconhecidos inimigos da saúde por abrigarem fungos e bactérias, promoverão a venda de produtos em embalagens que acentuem e explorem estes atributos.

  1. Alimentos mais saudáveis

Alimentos sem conservantes ou aditivos químicos serão cada vez mais procurados e promovidos pelos influenciadores que hoje têm expressão e são ouvidos seus seguidores. Embalagens que permitam a conservação natural dos alimentos e, principalmente, aquelas ofereçam aos consumidores informações sobre como e porquê o alimento é conservado pela embalagem, de onde ele vem, como é processado e qual a melhor utilização do produto, farão diferença na competição.

Embalagens de papel cartão, por exemplo, devem ser melhor utilizadas na exploração dos seis lados que oferecem para a comunicação impressa. A rotulagem de alimentos será lida com mais atenção pelos consumidores e a inclusão do QR Code que leve informações detalhadas sobre o fabricante, a marca e tudo o que puder fazer o consumidor saber mais e ter segurança sobre o que consome, será útil nas embalagens.

  1. Animais de companhia

A permanência em casa com animais de estimação e o fato dos pet shops terem permanecido abertos durante a pandemia, faz com que sejam favorecidos – as pessoas passaram a conviver mais e a dar mais atenção aos bichinhos, o que aumentou o consumo de produtos pet. O Brasil é o segundo mercado mundial de pet food e esse segmento representa uma excelente oportunidade para a indústria de embalagem, visto que requerer tanto proteção quanto apresentação visual de boa qualidade.

Um item que se destacou foram os chamados snacks funcionais, aqueles palitinhos e ossinhos mastigáveis usados para agradar os cães e gatos. Estes snacks foram objeto de informação provida por veterinários que ensinaram aos consumidores que esses produtos são úteis, pois ajudam a baixar o stress dos cães e gatos e podem ser utilizados para enriquecer a experiência e o relacionamento dos donos com seus animais de estimação.

  1. Empreendedorismo doméstico

“Revolução Maker”, startups e iniciativas de pessoas que desejam criar seu próprio negócio foram potencializadas pela pandemia. Além dos que perderam o emprego e precisam prosseguir por sua própria conta, pessoas qualificadas que ficaram em casa e aproveitaram o tempo para tirar da gaveta aquele sonho de ter o próprio negócio. Eles arregaçaram as mangas colocando seus projetos para andar. O movimento dos pequenos negócios já está acontecendo com o apoio do Sebrae que conta com dados sobre o tema. Os números demonstram que pequenas empresas precisam de acesso à indústrias capazes de fornecer embalagens de qualidade em tiragens reduzidas.

Estar disponível às empresas para comprarem em pequenas quantidades com preços acessíveis representa uma oportunidade de ouro para o setor de embalagem. Aproveitar a abertura gerada pela pandemia para aprofundar sua presença junto aos pequenos negócios, tanto os que já existem, que já são milhões, como os que surgirão como fruto direto da crise.

A impressão digital deve ser olhada com atenção. Embalagens práticas, fáceis de comprar, usar e vender, são soluções que podem ser utilizadas em casa, garagens e pequenos galpões, sem necessidade de grandes investimentos, estão amplamente favorecidas neste momento e requerem atenção especial da cadeia produtiva.

  1. Design de embalagem pós-crise

A embalagem é expressão da cultura material de um povo. Ela reflete o estágio de desenvolvimento cultural e industrial da sociedade e, depois de tudo o que aconteceu, as pessoas vão gostar de encontrar embalagens com novo design, que expresse o espírito vitorioso de quem venceu a crise. As empresas que saírem na frente e apresentarem seus produtos em um novo visual mais colorido e otimista, abrirão distância do que ficou para trás.

Normalmente o redesign das embalagens deve acontecer de tempos em tempos para manter fresca e vitalizada a apresentação visual do produto, mas agora, o redesign se transformará numa oportunidade de marketing e comunicação para as empresas que se dispuserem sair na frente renovando o desenho de suas embalagens. A oportunidade para a indústria, neste caso, está em oferecer a sugestão e ajudar os clientes na renovação rápida de suas embalagens, agilizando processos e facilitando o que for possível. Alianças estratégicas com agências de design podem ajudar a conquistar novos clientes e a reforçar os laços com os clientes atuais. Apenas lembrando que é preciso tomar cuidado para não descaracterizar o recipiente anterior a ponto do consumidor não reconhecer mais.

Estas são algumas observações que considero importantes. Vale lembrar que “nenhum produto concorre no mercado”, o produto concorre na categoria e é nela que as oportunidades são encontradas e se realizam. Como estamos vendo, a crise não atinge todas as categorias da mesma forma, algumas até são favorecidas, como é o caso do álcool gel, alimentos, produtos de higiene e limpeza, produtos de farmácia, food service e pet food.

Minha recomendação é que a indústria de embalagem coloque seu foco nas categorias onde os produtos competem e passem a realizar com maior frequência estudos de campo para observar in loco o que está acontecendo.

Todo fabricante de embalagem precisa verificar se as embalagens que produz são melhores, piores ou iguais às embalagens dos concorrentes, que estão expostas a seu lado. Se a sua embalagem for “inferior”, o fracasso será uma ameaça concreta. Crise não é novidade, já atravessamos outras e vamos atravessar essa também. Importante é ter atitude para não ficar sofrendo a crise, mas sim se apropriar dos ensinamentos e, acima de tudo, das oportunidades. Afinal se você ainda não viu oportunidade nesta crise é porque não olhou direito!


Fábio Mestriner é consultor da Ibema Papelcartão. Designer, professor do curso de pós-graduação em Engenharia de Embalagem do IMT Mauá e autor dos livros Design de Embalagem – Curso Avançado, Gestão Estratégica de Embalagem e Inovação na Embalagem – Método Prático.

 


Imagem: @curology

Diversos gestores de empresas aproveitam o tempo em quarentena para realizar estudos de branding nas suas empresas, esquecendo também da sua marca pessoal.

Perceber como você, seu discurso e propósito são vistos é parte essencial para construir uma imagem sólida, que deveria ser levada em consideração durante esse momento de distanciamento social.

Durante um webinar direcionado a diversos profissionais de comunicação, Lucas Lima, diretor de marca e relacionamento da midiaria.com, e Marcia Auriani, gestora executiva do InfoBranding, discutiram sobre a necessidade de cada profissional cuidar da sua imagem.

Jogar o jogo em vez de só assistir

Para os especialistas, o primeiro ponto que o profissional deve se atentar é definir um ponto de partida. “A pessoa, independentemente do cargo, tem que conhecer seus atributos, para que ela consiga se comunicar com o mercado”, afirma Lima. Ele ainda cita que é importante se diferenciar de outras marcas, desenvolvendo novas habilidades e explorando novas áreas.

Já para Marcia Auriani, a construção de uma boa marca pessoal deve começar pela paixão. “É como estar apaixonado. Devemos acordar com aquela alegria, viver intensamente, motivados em dar o melhor de si”.

Ela ressalta ainda que a pessoa deve ter foco em suas ações e desafios, buscando aumentar a sua capacitação e ter um repertório diferenciado de conhecimento.

“Não basta apenas ir ao jogo, tem que vivenciá-lo, se preparar para ele. Todo profissional tem que se capacitar para dar o seu melhor e possuir foco, reputação e repertório. O branding só existe se cuidarmos da reputação primeiro”, explica.

 O sucesso de outras marcas pessoais

Diversas empresas de sucesso, nacionais e internacionais, estão ligadas à força das marcas pessoais de seus donos e executivos. É o caso da Luiza Trajano, CEO da Magazine Luiza, e Oprah Winfrey, apresentadora de televisão dos EUA.

No caso das referências apresentadas, tanto para Lucas Lima e Marcia Auriani, a capacitação e o amor durante a entrega são os diferenciais que transformaram essas profissionais em personalidades de referência. “A Luiza Trajano mantém um carinho com o pequeno empresário, uma vez que ela começou dessa forma e a sua empresa cresceu. Assim, ela espera que todos evoluam com ela”, afirma Lima.

“A Oprah venceu uma situação totalmente desfavorável para crescer e se tornar uma das maiores empresárias dos EUA. Investiu seu tempo em estudo, capacitação e oratória para alcançar o público com que gostaria de falar”, cita Marcia.

A força do Social Media

Um dos pontos que o profissional deve trabalhar constantemente são suas redes sociais. De acordo Marcia, elas devem ser pensadas não apenas como o local de reunião de amigos e familiares, mas como um veículo de comunicação de sua trajetória e do propósito da pessoa.

“O profissional deve tratar com mais carinho as suas redes sociais. O seu discurso deve estar alinhado com a imagem que ele quer passar ao mercado, evitando compartilhar qualquer mensagem fora do que realmente acredita. O mercado quer conteúdo de qualidade”, afirma.

Marcia Auriani ainda destaca que a produção de conteúdos exclusivos, como artigos, cursos e experiência, possibilitam um networking melhor, bem como fortalece a imagem pessoal.

Via: midiaria.com

Inspirada pelo lançamento da nave espacial Falcon 9, da SpaceX, em parceria com a Nasa, a marca Jontex estreia campanha que celebra o produto Jontex Orgasmo em Sintonia e reforça seu DNA de inovação e tecnologia de produtos.

O filme é uma referência direta ao foguete norte-americano, e passa a fazer alusão ao produto da marca quando mostra um homem retardando a contagem regressiva do lançamento na estação especial, como se esperasse algo. Até o momento em que a mão de uma mulher entra em cena e, juntos, eles acionam o lançamento e ressaltam o principal benefício do produto, o aumento do prazer da intimidade a dois, que proporciona ao casal o mesmo ritmo.

Tanto a locução quanto o letreiro do filme ressaltam a seguinte mensagem: “Cheguem JuntXs ao espaço. Jontex Orgasmo em Sintonia. Retardante para ele, acelerante para ela. Sintonizante para os dois”.

“Trata-se de um momento super oportuno. Contudo, a agilidade só foi possível porque estávamos trabalhando nesse projeto em 3D anteriormente e pudemos adaptar para o momento atual”, explica Laura Azevedo, diretora de criação da BETC/Havas. “Um dos nossos principais valores é a identificação com a cultura pop, se algo é notícia no mundo, estamos lá, pensando nessas oportunidades para nossos clientes”, completa Andrea Siqueira, diretora executiva de criação.

A campanha será veiculada exclusivamente no ambiente digital e já pode ser vista nas redes sociais de Jontex.

Rede de hamburguerias realiza gesto solidário para profissionais que estão na linha de frente da Covid-19

O Bullguer, rede de hamburguerias paulistana especializada em smashburguer, distribuiu nesta semana 100 Combos do Bem para os colaboradores do Centro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), na região central da capital paulista.

Os lanches foram preparados na unidade da rede da República numa iniciativa que faz parte da série de ações solidárias da rede como forma de reconhecimento aos profissionais que estão lutando para salvar vidas neste momento de grande mobilização mundial.

Nas últimas semanas, o Bullguer também realizou entregas de lanches para profissionais que atuam em hospitais no combate da Covid-19, entre eles o Hospital de Campanha do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) e Instituto Nacional Fernandes Figueira (IFF), Rio de Janeiro.

Uma outra iniciativa da rede é o combo promocional solidário do Bullguer em parceria com outras marcas: Hershey’s, Baer-Mate, Sprite, Vigor Alimentos, Lowko, GoldKo, Casa Victoriana, InovaGraf, Martin Brower, Convitta e Prime Cater.

O Combo do Bem, no valor de R$ 39,90, terá venda total revertida para a CUFA (Central Única das Favelas), ONG que conta com o programa Mães da Favela, que busca ajudar principalmente mães que são chefes de família nas comunidades.

O combo inclui sete itens: 1 Hambúrguer Bullguer (Green One ou Bullguer), 1 Queijo Parmesão Lascas Faixa Azul, 1 sorvete Lowko, 1 barra língua de gato GoldnKo, 1 Sprite Lemon Fresh, 1 Baer-Mate e 1 pacote Hershey’s Bites. Disponível para venda no delivery pelo app da Rappi e em seis unidades Bullguer de São Paulo (Anália Franco, Santana, Perdizes, República, Jardins e Vila Nova Conceição).


COVID-19 E COLABORAÇÃO DAS MARCAS
Diante da pandemia do coronavírus (COVID-19), muitas marcas têm colaborado com serviços, informações e suporte para que os brasileiros possam enfrentar essa situação. O InfoBranding colabora com o compartilhamento destas ações e apoio das marcas AQUI.

MARCAS EM TEMPOS DE QUARENTENA
E para saber mais sobre as campanhas, ações e alternativas criativas que as marcas têm praticado para oferecer seus produtos e serviços, acesse AQUI. Afinal, ideias geram novas ideias para que as empresas busquem soluções criativas em tempos de crise sem deixar de priorizar a saúde de seus colaboradores. Compartilhe!

É tempo de mudanças, mas como mudar sem saber o que vem pela frente?  Começamos de dentro para fora

Tem que parar, tem que seguir, tem que mudar… O que, afinal de contas, temos que fazer em um período como esse que estamos vivendo? Naturalmente que cada caso é um caso e, mais do que isso, não existe uma fórmula mágica para um cenário tão imprevisível. Mas eu acredito que é tempo de fortalecimento das marcas.

Uma vez que tudo desacelerou para alguns setores, essa é a chance de dar aquela geral na casa que sempre é adiada. Investir tempo e dedicação ao cuidado da empresa para que ela não se perca nesse momento e nem perca o fôlego no retorno. Se preparar, de verdade.

Vamos imaginar que você foi convidado para dar uma palestra, por exemplo. Existem alguns preparativos para esse dia: entender qual será o público, definir a mensagem que pretende passar, ensaiar o discurso, escolher a roupa adequada, reservar a agenda… Um verdadeiro ritual que envolve entender e atender a intenção daquela ocasião. Pois o retorno pós-quarentena é esse evento para a sua marca. E o agora é a fase de preparação.

Então, nossa proposta é olhar para o que você construiu até hoje e detectar pontos fortes e fracos. Ouvir as pessoas envolvidas – de todas as áreas, inclusive – para captar insights, percepções e avaliações. Revisitar valores, questionar propósitos e ajustar posicionamento de acordo com a sua verdade.O mundo evolui, as pessoas evoluem também e mudam seus hábitos e desejos. É por isso que percebemos que a busca por marcas mais interessantes e com propósito bem definido é cada vez maior. Queremos empresas que entreguem valor e uma experiência positiva, com relevância em nossas vidas.

Valem perguntas como: de que maneira queremos ser lembrados? Nossas crenças e ações estão em sintonia? O que oferecemos gera valor na vida das pessoas? Mais do que isso: estou olhando para essas pessoas? A identidade visual transmite e conecta tudo isso?

Olhar para fora também é importante, claro. Estamos todos mudando a forma como vivemos, nos relacionamos, consumimos, e isso irá impactar diretamente no mercado. Estar atento a essas evoluções ajuda a marca a entender e responder da melhor forma a essas transformações. Mudar envolve mexer em estruturas previamente definidas e aparentemente sólidas. Isso significa tempo, dedicação, discussões, novas estratégias (de marca e comunicação). Mas significa, acima de tudo, coragem, principalmente em um cenário tão incerto como o que estamos vivendo.

Não sabemos o que nos espera, mas se estivermos em sintonia com a nossa verdade, papel e entrega, seguiremos fortalecidos, com a confiança necessária para as oportunidades que vierem pela frente. Quer mudança? Comece agora.


Daniel Faulin de Lima: Designer, Criativo e Observador. Iniciei minha jornada no design em 2009 pelo SENAC no curso de Interface Digital, após essa temporada fiz extensão em Gestão de Marcas pela ESPM e outros cursos na área de branding, identidade de marcas, design thinking, redação e comunicação. Atualmente sou sócio e diretor de projetos da Neurona Marcas Inteligentes, desde 2009, gerencio todos os projetos de branding, identidade de marca e comunicação das empresas B2B que buscam obter resultados eficientes e criativos em suas estratégias de marca.

A rede Ice Cream Roll, franquia brasileira de sorvete tailandês, implementou o delivery, o uso de máscaras para todos os funcionários e estuda financiamento para novos franqueados.

O cenário da pandemia trouxe a necessidade de adaptação para muitos negócios e, quando falamos de uma gestão de crise, quando se trata de uma rede de franqueados o desafio é ainda maior.

A rede Ice Cream Roll, franquia de sorvete tailandês fundada em Indaiatuba em 2017, compartilha as mudanças feitas pela marca, que se prepara para enfrentar um mercado diferente no cenário “pós-pandemia” do novo coronavírus.

Diante das prováveis mudanças nos hábitos sociais e de consumo, a marca reorganiza o negócio, fazendo a implantação do sistema de delivery, que passa a fazer parte do contrato dos novos franqueados (a rede já opera com o projeto piloto em quatro de suas 21 unidades); a implantação do uso obrigatório de máscaras pelos funcionários; e a reestruturação do cardápio.

Em paralelo, a empresa atuou com os franqueados na negociação de aluguéis, e agora busca oportunidades em shoppings para contratos já assinados para o momento pós-pandemia. Para atrair novos franqueados, a marca também estuda a possibilidade de financiar parte dos investimentos. A previsão de faturamento da rede para este ano é de R$ 8,1 milhões.

“Teremos uma massa de empreendedores que já sofrem ou sofrerão drasticamente com a crise, e a nossa franquia pode surgir como uma oportunidade. A obrigação da franqueadora é se adaptar para que todos possam alcançar resultados. A transformação social já é uma realidade há tempos. Neste ano, porém, ela veio de um modo mais perceptível e abrupto. Temos de trabalhar na mesma intensidade”, comenta o CEO da Ice Cream Roll, Roger Rodrigues.

Delivery em 20 minutos

A primeira adaptação da empresa aos novos hábitos sociais já em teste em quatro dos 21 quiosques da rede: sorvete por delivery em até 20 minutos. Tal possibilidade, até pouco tempo atrás, não era adotada pela rede por dois fatores: pelo fato de a iguaria ser de difícil armazenamento; e pelo “ritual de lazer” que as pessoas cultivam de sair de casa para “tomar um sorvete”. “Fomos desafiados a inovar”, pontua Rodrigues. As lojas que já iniciaram o novo serviço ficam na cidade de São Paulo (duas), em Patrocínio (MG) e em Volta Redonda (RJ). Para que o sistema possa funcionar, alguns cuidados foram tomados: a entrega deve ser feita em, no máximo, 20 minutos, para garantir a integridade e o formato de “rolinho” do produto. O sorvete também deve ser armazenado em caixinhas previamente preparadas para manter a temperatura.

A partir de agora, todos os novos franqueados deverão oferecer o serviço de delivery, que passa a ser cláusula contratual. “Com a crise, nós pudemos sentir a necessidade de desenvolver um serviço de entrega. Após a pandemia, nosso objetivo é que todas as unidades operem com esse sistema, estimando um complemento de 20% das vendas feitas a partir de aplicativos, como Uber Eats e iFood”, projeta Rodrigues. Para atender com excelência, o cardápio do delivery será composto por seis combos e cinco tipos de sundae.

Cardápio e novas ‘roupas’

A empresa também entendeu que é hora de repensar o cardápio, hoje com a possibilidade de oferecer 1,6 mil combinações de sabores, incluindo linha diet e 100% cacau. “Estamos fazendo um profundo estudo dos nossos produtos, baseado em estatísticas de custos e de venda. Nossa preocupação é deixar o cardápio bom, bonito e barato tanto para o franqueado quanto para o cliente”. Além de produzir fotos mais atrativas para o cardápio, a marca também revisitou o layout dos quiosques. “Precisaremos de um esforço maior para atrair o consumidor para o ponto de venda”, conclui o CEO da Ice Cream Roll.

Além disso, todos os funcionários usarão máscaras em qualquer ocasião. “Já não consigo mais imaginar o quiosque sem máscaras. Era algo que já colocávamos em prática, mas a partir de agora, todos os atendentes vão trabalhar usando máscaras”, completou.

Auxílio aos franqueados

Outra solução estudada pela marca para se adaptar à crise é oferecer auxílios aos futuros franqueados. “Hoje, o investimento inicial gira em torno de R$ 104 mil, mas, dependendo de cada caso, conseguimos oferecer subsídios e financiar uma parte desse investimento”, conta. Logo que o isolamento social teve início e os shoppings foram obrigados a fechar as portas, a Ice Cream Roll ajudou no processo de negociação de aluguéis dos espaços dos quiosques. “Entendemos que os shoppings continuam sendo muito promissores, portanto, seguem como nosso foco. Ainda há muitas oportunidades e queremos aproveitá-las”.

A marca tem um papel forte para os negócios, ela ajuda no processo de decisão na escolha de um determinado produto ou empresa. Com a globalização, e um mercado sem fronteiras, a concorrência é super acirrada e a presença de produtos iguais é sempre maior, o que comprova que a diferenciação da marca é superior em valor àquele mercado alvo bem definido.

Como afirma Philip KotlerBranding é muito mais do que dar nome a uma oferta. Branding é fazer certa promessa aos clientes sobre como viver uma experiência a um nível de desempenho completos. Assim, Branding requer que todos os participantes da cadeia de suprimento – do desenvolvimento do produto à fabricação, de marketing à venda e à distribuição – trabalhem para cumprir essa promessa”.

A gestão da marca começa com o seu propósito, ou seja, quando ela nasce. A integridade da marca é a promessa de valor da empresa e a chave para conquistar a confiança dos clientes. Entender a importância dessa essência é o que define sua diferenciação e identidade no mercado, oferecendo algo de relevante no intuito de atender às necessidades e desejos do seu público-alvo.

Reputação da marca é seu grande valor no mercado

Marcas são conjuntos de associações vinculadas a um nome ou símbolo associado a um produto ou serviço. As associações podem ser positivas ou negativas, e tudo pode receber marca, mesmo água, cidades e pessoas. Como resultado, as marcas são de suma importância; uma marca com associações negativas prejudicará uma empresa e outra com associações positivas ajudará.

Finalmente, as marcas são construídas por pessoas que acreditam apaixonadamente nelas – os construtores de marcas entendem e acreditam no poder de suas marcas. Se o gestor do negócio enxergar sua marca com esta paixão, entenderá que a gestão de marcas é um valioso investimento.

Sendo assim, a marca torna-se uma plataforma completa para planejar, desenhar e entregar valor superior aos clientes. Não há dúvidas de que a marca facilita o crescimento da empresa. Desenvolver o nome e a identidade visual é o ponto de partida, porém gerenciar a sua integridade, ou melhor, a sua essência de maneira contínua é um trabalho árduo, mas fundamental para mantê-la forte no mercado. Quando a marca se torna realmente forte, caracteriza-se por uma palavra ou frase que o mercado-alvo passa a reconhecer como valor, aí sim sua integridade é reconhecida e sua promessa cumprida.

Plataforma da marca

Como falamos, a plataforma da marca é o conjunto de elementos que farão esta conexão da marca com o consumidor de forma mais clara e concreta, transmitindo seu propósito e construindo seu posicionamento de forma estratégica.

Veja só alguns pontos que podem fazer parte desta plataforma (não se trata de uma regra ou padrão):

Propósito
Qual a sua razão de ser?

Posicionamento
Qual a percepção que quer passar? Como quer ser vista no mercado?

Público-alvo
Com quem você está se comunicando?

Personalidade e atributos
Quais são as características que fazem sua marca ser única? Qual o tom de voz da marca?

Crenças e Cultura organizacional
Como a marca conecta e motiva seus colaboradores, permeia e direciona a gestão de recursos humanos dentro da empresa?

Tudo isso pode ser transmitido por meio de um manifesto de marca. E essa plataforma, definida e estrategicamente desenhada, deve estar alinhada com as estratégias de marketing, com as propostas de identidade da marca, planejamento, produção e entrega do produto ou serviço.

Construir uma marca única é um desafio. Determinar o posicionamento correto, otimizar o design e gerenciar o significado da marca no decorrer do tempo e, simultaneamente, desenvolver e executar as iniciativas administrativas que proporcionem lucro é uma tarefa árdua e permanente. Exige pesquisa e monitoramento constante do mercado para que seja possível a entregar inovação.

De fato, a gestão da marca é estratégica no negócio e saber desenvolver ações que façam a diferença na mente do consumidor e que inspire as pessoas é o grande desafio!