Tudo o que você precisa saber para acompanhar a mudança

Transformação digital é uma realidade para profissionais e empresas de todos os segmentos e portes, impactando diretamente seus negócios não só de forma imediata, mas também a curto, médio e longo prazo.

Para entender mais sobre o assunto e, principalmente, como pode impactar os resultados de um negócio e de seus profissionais, fomos até a Digital House conversar com Edney Souza ou, como ele é conhecido, InterNey, um verdadeiro expert quando o assunto é o mundo digital.

Na conversa, InterNey destacou pontos relevantes sobre Transformação Digital, abordou seus mitos e verdades, suas tendências e também as abordagens necessárias para tirar vantagem desta realidade.

O papo rendeu e esperamos que você aproveite os pontos que destacamos a seguir:

AFINAL, O QUE É TRANSFORMAÇÃO DIGITAL?

Ao refletir com mais critério sobre o nosso dia a dia, vamos perceber que tudo o que fazemos é digital ou, de alguma forma, envolve processos digitais.

Nosso comportamento mudou e, muitas vezes sem nos darmos conta, adotamos tecnologias que transformaram radicalmente a nossa relação com o mundo.

O celular é um exemplo disso, talvez o maior deles. Já não saímos de casa sem esse supercomputador em nossos bolsos. Com ele estamos conectados, podemos nos divertir, trabalhar e realizar inúmeras tarefas de forma remota, como pagar contas e fazer compras.

Outro grande exemplo dessa mudança são os serviços de streaming que mudaram de vez o modo de consumir conteúdo. Esperar já não é mais uma opção. Queremos acessar conteúdo on-demand, quando, onde e o que quisermos.

E o que consagrou a Netflix e destruiu modelos antecessores, representados emblematicamente pela Blockbuster, está exigindo que grandes players, tanto da TV aberta, TV a cabo, cinema e vídeo game ofereçam serviços de streaming não apenas como uma alternativa a seu modelo tradicional, mas como uma tendência que o substituirá. É só pensar em grandes nomes que entraram em evidência nos últimos tempos: Globo Play, Disney Plus, Apple TV Plus e o mais novo Quibi, anunciado na CES 2020.

Isso tudo mostra que a Transformação Digital é muito mais sobre comportamento do que sobre tecnologias em si.

Isso porque, uma vez que o consumidor muda sua forma de agir, as marcas precisam automaticamente se adequar para permanecerem relevantes.

Pense nos serviços de logística. Por conta do pensamento on-demand, precisaram se reinventar para atender os consumidores que compram tanto no on-line quanto na loja física. Assim, o Mercado Livre e sua entrega em até 48h exerceu grande pressão nessas empresas.

O mesmo acontece com o SAC que, pelo mesmo comportamento, precisou abraçar a tecnologia dos chatbots para estar em contato constante e de forma ágil com um consumidor que não quer mais esperar para receber informações sobre a marca.

Nesse sentido, o digital é o meio e não o fim!

MITOS E VERDADES SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

  1. Tecnologia X Comportamento

O primeiro mito já foi revelado acima. Transformação Digital não é sobre tecnologia, é principalmente sobre pessoas e comportamento!

Pessoas mudam a forma de realizar suas tarefas, se divertir e consumir; e as empresas e marcas simplesmente precisam se adequar para se manterem relevantes.

As mais antenadas estão sempre atentas, investindo em pesquisa e criatividade para desenvolver novas soluções, se reinventarem e direcionarem o comportamento, mudando assim, os mercados em que atuam.

  1. Velocidade X Acesso

A Transformação Digital não é só sobre deixar os processos mais rápidos e eficientes. Ela é sobre acesso!

Ou seja, com a tecnologia as pessoas passam a ter acesso às coisas que antes eram inacessíveis, como controle, podendo tomar melhores decisões sobre como e o que consumir; informação, potencializando a construção de conhecimento e aprendizagem; serviços, que antes do advento de tecnologias mobile e internet era difíceis e restritos às situações e agentes específicos.

Tudo isso torna a questão da curadoria um trunfo para as marcas, que atuam de forma a realizar um filtro e direcionar a escolha do consumidor, o ajudando a achar um foco em meio a um oceano de opções.

  1. Físico X Intangível

Tendemos a pensar que a transformação digital está nos smartphones, smart TVs, smartwatches, wearables, carros autônomos e produtos lançados diariamente.

Esses produtos são muito legais, agregam tecnologias a tudo, mas são apenas o meio.

O que está por trás deles é que impacta no comportamento e traz a mudança. Assim, a transformação digital conectou indústria, comércio e serviços de uma maneira nunca antes vista, mudando o foco para o poder acessar e não necessariamente possuir. Tanto para as marcas quanto para as pessoas.

O Airbnb mostrou que o importante não é ter uma estrutura com muitos quartos, mas sim uma rede de credenciados que disponibilizam suas estruturas em uma plataforma que as conecta aos turistas e viajantes a negócio.

O UBER mostrou que, melhor do que possuir um carro, é ter acesso a múltiplos carros sem gastar com gasolina, estacionamento, manutenção e impostos.

IFood e Loggi mostraram que serviços de entrega podem ser terceirizados a menor custo para os estabelecimentos e maior comodidade para os usuários.

O QUE PROFISSIONAIS E EMPREENDEDORES PRECISAM SABER SOBRE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL?

Por ser uma questão de comportamento, é preciso que profissionais e empreendedores mudem sua forma de leitura do ambiente e, assim, transformem a si mesmos.

InterNey apresentou 4 mindsets que auxiliam no processo de aprender e assimilar habilidades digitais:

  • Mindset do Programador

Adotar uma visão segundo a qual tarefas possam ser automatizadas com o intuito de ganhar eficiência e direcionar energias para abordagens estratégicas que agreguem valor ao negócio ou carreira.

  • Mindset dos Dados

Pensar nos dados como referência para a tomada de decisão. Geralmente deixamos o dado decidir por nós, como é o caso de quem segue a rota sugerida pelo Waze sem pensar duas vezes ou interferir com referências, por exemplo.

  • Mindset de UX

Pensar a partir do consumidor e suas experiências. Conhecer essa questão em detalhes pode potencializar vantagens competitivas a partir de soluções para o consumidor.

InterNey também lembrou que, hoje em dia, tudo está muito conectado e acessível. Seu consumidor tem acesso a opções muito semelhantes às quais você oferece. Sendo assim,  considerá-lo como o centro da estratégia pode se tornar uma verdadeira vantagem competitiva.

  • Mindset do Marketing

Exercitar a capacidade de contar estórias. Focar em simplificar a mensagem ao máximo e envolver as pessoas em seu contexto, lançando mão de empatia e suporte tecnológico. Imagine-se apresentando uma proposta para o seu chefe: se você usar uma linguagem extremamente técnica referente à sua área pode ser que ele não se envolva. Mas experimente contar uma estória na qual a solução é protagonista. As chances de envolvimento serão maiores.

Além dos 4 mindsets, pequenas atitudes tornam-se acessíveis para serem implementadas e construir uma presença digital de forma mais assertiva, lançando mão de tecnologias que ganham cada dia mais destaque.

Começar criando um perfil do negócio no Google My Business, aumentando as chances de ser encontrado nos mecanismos de busca, o que requer o preenchimento de informações básicas sobre o negócio, como endereço, telefone, site e horário de funcionamento. Uma dica aqui é pensar em qual pergunta o seu consumidor precisa fazer para ter sua marca como melhor resposta e, a partir disso, estruturar as informações que irá disponibilizar.

Esse mesmo raciocínio deve ser utilizado para estruturar um website ou um blog, ambientes nos quais os consumidores interagem com sua marca em ambiente próprio.

Outra tecnologia a ser considerada e estar no radar do empreendedor são as ferramentas de busca por voz ou, pelo menos, a otimização dos websites para tal. Isso porque o comando de voz está se popularizando e se difundindo em celulares, computadores, assistentes de voz, smart TVs e smartwatches.

QR codes como forma de pagamento também estão em ascensão pela facilidade que geram ao usuário por dispensar a necessidade de carregar cartões e pelo fato de estarem sempre munidos de seus celulares.

Para finalizar, merece destaque o uso de chatbots para relacionamento, uma vez que essa tecnologia está cada vez mais acessível e permite que seu ambiente on-line forneça respostas a solicitações e contatos dos consumidores 24 horas por dia e 7 dias por semana de forma automatizada, suprindo a necessidade de serem atendidos on-demand.

PROFISSÕES EM ASCENSÃO

Este cenário em constante mudança, por sua vez, favorece algumas profissões que ganham destaque pela demanda que suprem. InterNey citou 6 delas para que você tenha em seu radar:

  • Programadores: pois todo mundo tem que ter site, app ou estar presente em ambiente online;
  • Analista de marketing digital: é este profissional que auxilia na divulgação dos produtos e no relacionamento com os consumidores;
  • Analista de dados: afinal, é necessário tomar decisões assertivas com base em dados que, por usa vez, precisam ser bem interpretados e organizados;
  • UX-designers: a Transformação Digital é sobre comportamento, que está intimamente relacionado a experiências;
  • Profissionais de desenvolvimento: Project Onwer (topo do projeto para garantir que as metodologias sejam ágeis) e Product Manager (para analisar o mercado, o consumidor e adequar os processos para estabelecer pontes entre eles e a marca);
  • Cyber Security: por conta do aumento da preocupação acerca dos dados que sustentam todo este ambiente digital, o que nos leva para o último tópico abordado.

LGPD – LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS

A Lei Geral de Proteção de Dados já existe desde 2018 e passará a ser aplicada em agosto de 2020, trazendo mudanças nas exigências em relação aos dados das pessoas.

Em linhas gerais, dados pessoais só podem ser coletados e utilizados mediante consentimento do usuário que pode consultar a empresa e solicitar a exclusão de seus dados a qualquer momento.

Nesse sentido, as empresas precisam realizar um movimento de adequação de seus termos de consentimento, investir em servidores e processos de segurança, bem como garantir que todos os dados que possuem em seus bancos tenham o aceite de seus titulares.

Em caso de um eventual vazamento desses dados, a empresa precisa informar publicamente quais dados foram vazados, acarretando, sobretudo, em uma crise de confiança e de imagem para sua marca.

Grandes empresas já estão adequadas à LGPD, especialmente por ela se assemelhar à legislação vigente na Europa e Estados Unidos e, por isso, pressionam o governo para que a lei não tenha sua aplicação adiada, podendo assim, manterem sua vantagem frente aos concorrentes.

Desta forma, a LGPD confirma a necessidade de engajamento constante para a manutenção do consentimento do usuário mediante o acesso à conteúdos de relevância e serviços e produtos de qualidade.

InterNey alerta que, mesmo que pareça que a lei não gere efeitos tão severos de imediato, os usuários tendem a se acostumar com o novo padrão e com a possibilidade de controle de decisão em relação aos seus dados, fato que, a longo prazo, os fará pressionar as empresas.

Para saber mais sobre a LGPD clique aqui.

Para finalizar, a mensagem que fica da conversa com InterNey é que mudar nosso mindset e abraçar as possibilidades do digital para nossos negócios e carreiras é necessário, focando sempre na questão do comportamento e das relações que determinam toda a dinâmica de forma a construir e entregar valor aos nossos consumidores e parceiros.

 

Edney Souza, conhecido no mundo digital como InterNey, é Diretor Acadêmico na Digital House Brasil, Organizador da Social Media Week São Paulo, e editor do blog WordPress.com Brasil.

Formado em Processamento de Dados pela Universidade Mackenzie, com pós-graduação em Tecnologia da Informação Aplicada a Negócios pela FASP, trabalha no mercado de tecnologia e comunicação desde 1990.

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Author

Cofundador e Gestor Executivo de Branding e Design no InfoBranding Profissional de Branding e Design com foco na construção e gestão de marcas. Possui experiência na criação de marcas e identidades visuais para micro e pequenas empresas, eventos bem como em variados projetos editoriais. Autor de diversos artigos sobre branding, design, propósito e estratégia de marca, para o Portal InfoBranding e congressos. Atua como gerente de desenvolvimento em uma editora científica focada em projetos para a indústria farmacêutica. Possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, Pós-graduação em Branding/Gestão de Marcas pela Business School São Paulo-BSP e Bacharelado em Design com Habilitação em Comunicação Visual pelo Centro Universitário Senac.

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