Para os paulistanos a Vila Madalena já é o principal bairro boêmio da cidade. Com sua concentração de bares e restaurantes “descolados”, público eclético e diversas opções culturais, desde os anos 80 se mantém como roteiro certo para quem mora e visita a cidade.

Mas nesta Copa, a Vila Madalena alcançou status de marca global. Ninguém imaginou que haveria mais de 40 mil pessoas invadindo as ruas do bairro para acompanhar não apenas os jogos da seleção. Mas, em todos os jogos as ruas estavam lotadas de alemães, argentinos, holandeses, mexicanos, italianos, croatas e milhares de pessoas dos quatro cantos do planeta.

A região ganhou a mídia, infelizmente, mais pelos problemas que esta concentração de torcedores causou do que pela diversidade de opções de entretenimento que possui.

A prefeitura de São Paulo, mediante a situação, até que fez alguns esforços para minimizar os transtornos gerados por esta invasão. Entretanto, como o bairro se tornou uma marca de boemia na cidade, ela precisa se esforçar mais para gerar uma experiência memorável para os turistas que visitam São Paulo.

Por outro lado, os donos de bares e restaurantes da região reclamaram que o movimento em seus estabelecimentos estava abaixo do esperado e alguns contabilizam até prejuízos! Em minha opinião, estes empresários perderam uma excelente oportunidade de trabalharem suas marcas para conquistar um número maior de clientes. Está certo que o grande fluxo de pessoas na região não estava nos planos de ninguém, mas cobrar preços exorbitantes de entrada, aumentar em média 30% os valores de seus produtos para aproveitar a “onda” de estrangeiros na região foi um a estratégia ruim. Eles esqueceram que os “gringos” vão embora e quem fica serão seus clientes habituais, que, por serem mal atendidos durante a Copa, podem muito bem trocar de lugar para um happy hour com os amigos quando o mundial acabar.

Entretanto, alguns estabelecimentos souberam aproveitar este período para criar uma experiência positiva. O Jacaré Bar e Grill, além de dar prioridade para seus clientes em relação a reservas, após os jogos colocou uma banda para tocar quase na calçada. Consequentemente, manteve o fluxo de clientes e a animação das pessoas que ficavam na porta do bar. Outro exemplo interessante que presenciei foi ao lado do Jacaré, no Bar Freguesia, onde um bloco de carnaval da região tocou em todos os jogos e fez um controle da lotação, oferecendo um pouco mais de conforto para seus clientes diante da multidão que circulava na região.

São exemplos de gestão de marcas como essas que, mesmo com tantos “oportunistas” que visaram apenas o lucro em curto prazo, que é possível se diferenciarem na multidão e o que faz da Vila Madalena não mais um bairro, e sim uma marca sinônimo de diversão, entretenimento e, a partir de agora, não mais tão querido apenas dos paulistanos.

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